Haunting
6 Parte VI
Notas iniciais
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Aquele homem caminhava, havia saído de um bar e nem percebera o jornal na TV. Estava meio alto, devido a bebida. Teve pequenos fragmentos de pensamentos: a briga com sua namorada; Sempre fora atencioso com ela, mas perdia a cabeça quando ela insistia para que ele mudasse sua vida. \"Oras, o que ela queria!? Já dei tudo de bom para ela\" Pensou, inicialmente, mas murmurou algumas das palavras. Lembrando também das várias outras brigas, até algumas em que ele a havia agredido e, algumas vezes, fora até pego em flagrante, sendo preso, por algum tempo.
Continuou recordando alguns dos outros eventos: quando a conheceu, quando fizeram alguns planos, mas devido a situação financeira dos dois, passaram por alguns problemas iniciais, mas com o tempo, começou a fazer alguns serviços e conseguir grana o suficiente, para alugarem um pequeno apartamento para os dois. As coisas pareciam que iam bem, desde então. Mas começou a ser perturbado pela namorada, que começava a tentar impor um limite em sua vida e, com isso, começaram as primeiras brigas do casal. Ele, que perdia facilmente os nervos, saía derrubando tudo que estivesse em seu caminho e até agredindo-a. Se separaram e reataram inúmeras vezes.
Mas nos últimos dias, ela andava mais distante. Diferente. Pensou se ela estaria pensando em sair de casa, enquanto ele fazia seus serviços. A coisa só ia piorando com o tempo até que, sem aguentar, quis tomar satisfações. Determinado, iria perguntar e fazê-la falar.
Então, após retornar para casa, bem tarde da noite, estava meio embriagado e começou a conversar, apesar da tontura. Começaram e, novamente, iniciaram uma outra discussão acalorada que, furioso com ela, a espanca novamente, fazendo com que ela caísse perto do beiral da janela, com a boca vazando um pouco de sangue. Ela limpa o sangue com as costas da mão e o olha, estarrecida: \"JOSH, SEU IDIOTA... OLHA O QUE VOCÊ FEZ!?!\"
Josh a olhou, apesar do calor da discussão ainda estar no sangue, olhou-a meio penalizado e tentando segurá-la, foi para cima dela. \"Syl... SYL... D-DES...\"
Sylvia, ainda com a boca sangrando, o empurrou com força para trás. \"SE AFASTA, SEU MONSTRO! EU VOU TE DENUNCIAR, VOCÊ VAI VOLTAR PARA AQUELA PRISÃO!!\"
Josh, olhando-a, começou a sentir o sangue ferver novamente e, cego pela raiva, investiu contra ela e, em instantes, despertou, feito que estivesse num transe: sua mão, sangrando, apoiando no beiral da janela, agora quebrada, ele olhou para baixo e viu Sylvia: estirada e com o corpo todo manchado de sangue, em cima de um carro. Sentiu-se zonzo e a começar a perder o equilíbrio, ao olhá-la e ver, com aquela expressão congelada em seu rosto, feito que parecia que o observasse. Engoliu em seco. \"S-Sylvia... N-não...E-eu....\" pensou, mas ouviu um barulho na janela vizinha e tratou de se afastar instintivamente. \"O q-que eu vou fazer?\" Pensou, mas logo parou, não iria entrar em desespero. \"Foi um acidente... eu não a derrubei, foi um acidente!\" Pensou, quase murmurando, de repente, se lembrou da janela vizinha. Iria sair de casa as escondidas. Parecer que não havia sido ele, mas logo descartou a idéia. Pensou mais um pouco e teve uma idéia: \"Um assalto! Isso! Só preciso desaparecer com o dinheiro e fazer a porta parecer arrombada.\" Pensou mais um pouco e admirou sua genialidade.
Não esperando muito tempo, pôs em prática o seu plano. Sua sorte era tamanha. Já era bem tarde da noite e alguns dos vizinhos haviam ido para alguma festa. Forçou a fechadura e sumiu, levando consigo as economias que eles faziam.
Suspirou. Relembrar esses eventos o deixava desanimado e, devido a bebida, esses pensamentos pareciam pesar quase uma tonelada em sua cabeça. Andou mais um pouco e, sem perceber, duas pessoas o seguiam. Pareciam fardados. Seria mesmo? Ou seria alguma ilusão? Resolveu ignorar mas, sem ter como reagir, os dois sujeitos deram voz de prisão e o forçaram contra a parede, verificando suas roupas por armas, não encontrando alguma, algemaram-no e o colocaram numa viatura. \"Merda!\" Pensou, enquanto era levado pela viatura a delegacia. \"Aquela vadia me delatou mesmo... Ela vai me pagar!\"
Laura abriu os olhinhos, sua mãe a acordava gentilmente.
Lania: \"Nossa... dormiu a viagem inteira, hmm? Descansou bem?\"
Laura: \"Uhum... Já ...\" se espreguiçava e bocejava, os olhos teimavam em continuar fechados. \".. chegamos, mamãe?\"
Lania: \"Sim, meu amor. Vamos descer e comer uma coisa? Vou só ligar para a minha mãe e avisar que chegamos.\"
Laura: \"Tá...\" Não sabia o porquê, mas sentiu um leve tremor ao ouvir o \'mãe\' por parte da Lania, até que se lembrou que ela havia feito a sua mãe chorar e gritar ao telefone. Parou perto do telefone público com sua mãe e um outro leve tremor a cobriu, seus pensamentos se transformaram em inúmeros outros, mas pensou: \"Vou... conhecer a vovó... se ela fizer a mamãe chorar de novo...\" Suspirou. Olhou a sua mãe que falou rapidamente com sua avó e, logo desligou o telefone.
Lania ligou para a sua mãe e, após umas quatro chamadas, alguém atendeu, reconhecendo a voz de sua mãe.
Lania: \"Mãe... sou eu... já chegamos.\"
Lavínia: \"Ótimo. Pode vir, ou vai precisar de uma carona?\"
Lania pensou por alguns instantes, era uma boa caminhada, mas não queria abusar muito da boa vontade. Era uma cidade mais do interior, não teriam problemas em caminhar um pouco e, saberia que, se pedisse mais este favor, o \'pagamento\' saíria caro depois. Não, não iria dar mais este gostinho para a sua mãe.
Lania: \"Não, está tudo bem. Eu dou um jeito de chegar aí.\"
Lavínia: \"Sei... bem, menos mal então. Até mais tarde então...\" Desligou o telefone sem esperar uma resposta.
Lania suspirou, colocando o telefone no gancho e olhou a filha, que retornou o olhar, mas ainda com uma expressão meio séria.
Lania: \"Bom, vamos comer algo?\"
Laura: \"Vamos!\" segurou a mão da mãe e a acompanhou.
A rodoviária, apesar de ser de uma cidade do interior, estava bem lotada. Lania e sua filha, inúmeras vezes sofriam pequenos esbarrões, a Lania, a maior parte deles, já que tentava proteger a filha. Alguns garotinhos, que tinham acabado de comprar sorvetes, voltaram correndo, sem ao menos ver para onde iam, um deles, todo feliz, virou-se para ver o amiguinho e nem viu a sua frente, esbarrando com tudo e manchando a roupa da Laura. O garotinho, vendo seu sorvete escorrendo pela roupinha dela, fez cara feia e reclamou: \"Ora! Por que não olha para onde anda!?\"
Laura viu a sua roupa toda suja de sorvete, enquanto que a mãe, preocupada, tratou de pegar um guardanapo na ilusória tentativa de limpar o vestidinho dela, conseguindo apenas tirar a parte maior do sorvete, olhou para os lados a procura de um banheiro, avistando um ao longe. Olhou a filha, que continuava a observar a roupinha e Lania fez uma expressão meio séria ao comentário do garoto, mas apenas suspirou, segurou a mão da filha, que andava lentamente, acompanhando a sua mãe. O garotinho, ainda chateado, se aproximou do companheiro e foram se afastando também.
Laura, ainda olhando a roupinha, sentiu outro tremor leve em seu corpo e, num movimento mais rápido, olhou bruscamente em direção aos garotos.
Notas finais
Como mencionado anteriormente, este capítulo foi mais leve. Apenas para mostrar e apresentar Josh e explicar o que realmente aconteceu naquela noite.
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