Haunted 🔞

2 Capítulo O2 — Afraid of me


Notas iniciais
"My God do sky"!!!! Hahaha sério isso, gente? A fic, com apenas UM capítulo, já tem 21 comentários, 28 acompanhamentos, 19 favoritos e 420 visualizações???? Eu nem acredito nisso! Muito, muito, muito obrigada! Eu fiquei tão empolgada com a recepção que a fic recebeu, que eu postei na quarta e consegui escrever e terminar o segundo capítulo no sábado hahaha pra vocês verem o quanto me fazem bem :3 Anyway... chega de enrolar hahaha espero que gostem e perdão por qualquer erro de digitação. Tradução do Capítulo: Medo de mim Leiam as notas finais ;)

A intensidade azul e sombria de seus olhos continua a mesma. Nesse breve — porém doloroso e arrastante tempo de separação — Steve não mudou. Ao menos de aparência interior. Já em seu exterior a mudança bate contingência.

Agora, diversos tons possui uma barba rala que já começa a trair a palidez de seu rosto. E cabelos aparentemente mais escuros, que estão penteados para trás. Os músculos de seus braços, tórax e costas parecem estar mais trabalhados.

— Oi, Natasha!

Sua voz é firme e ao mesmo tempo aveludada. Minha garganta trava quando tento formular a resposta.

— Oi. – entro no carro após Fury fechar a porta.

— Oi. – Steve repete e eu noto cautela em seu tom. — Como está?

— Bem. – sinto a boca seca. — Obrigada pela carona!

Mentalmente, imploro para que cheguemos logo, para que assim possa me afastar dele. Mas então me lembro que quando estivermos em seu helicóptero será apenas Steve e eu. E aí mesmo que estarei reclusa em sua teia de sedução.

— Como você está, Natasha?

Seu tom não aparenta preocupação e simpatia. Pelo contrário. Aparenta repreensão e... raiva? É? Sim, Natasha. Estamos falando de Steven Rogers, oras!

— Eu já disse que bem. – evito contato visual.

— Olhe para mim. – seu ar quente bate contra minha orelha.

— O que é, Steve? – não faço o que ele me manda. — Não precisamos disso! Por favor. – o medo de minhas próprias ações empurram as tentativas de Steve para longe.

— Só fiz uma pergunta. – rebate. — Você só precisa responder.

— E eu já respondi! – caio na besteira de virar o rosto e encarar o de Steve.

— Quero que fale olhando nos meus olhos. – murmura. — Por que está tão magra? Você está doente?

— Por que se preocupa? – ergo uma sobrancelha. — Já disse que estou bem!

— Não é o que parece.

— Eu tenho me exercitado. É bom para passar o tempo. – desvio o olhar. — Só isso.

— Mesmo?

— Sim!

— O vestido está largo. – Steve direciona um olhar atento ao meu busto.

— Steve! – cruzo os braços por cima dos seios. — O que está fazendo?!

— Checando.

Ele segura meus pulsos e afasta meus braços. O casaco ainda atrapalha a vista, portanto Steve bufa e abre dois botões enquanto segura meus pulsos com uma mão.

— Você está muito magra! Quando foi sua última refeição? – seu controle de sempre me faz bufar.

— Eu já disse que estou bem! – com mãos nervosas, volto a fechar o casaco.

— Só quero saber qual foi a última coisa que colocou na boca, se é que pôs algo!

— Comi uns biscoitos na hora do almoço. Com café. Satisfeito?

— Claro que não! Chama isso de se alimentar?

— Sim! Eu estava ocupada e não tive tempo para preparar mais nada nem comprar.

— E refeição? Qual foi a última?

— Por que quer tanto saber?

— Apenas responda. – ele grunhe, mas seu olhar se suaviza em seguida. — Por favor.

— Steve... não sei... uma sopa? Que besteira!

— Uma sopa?! – sua voz é alta e firme. — Natasha, faz duas semanas que nos separamos! – a lembrança é como um tiro no peito. — Você só tem tomado sopa e comido biscoitos? Não é possível... você está muito magra, porra!

— Não! – franzo o cenho para ele. — Olha, não somos mais nada! Não deve me cobrar coisas que não lhe dizem respeito!

— É para o seu bem, Natasha. Isso me diz respeito!

Steve arfa durante a resposta. Já eu repreendo toda a vontade que me surge de acalmá-lo, transformando a raiva em autocontrole.

— Agradeço sua preocupação, mas é inútil. Eu estou bem. – olho para minhas trêmulas e suadas mãos.

— Precisamos conversar, Natasha.

Penso em responder à sua última observação, mas decido fazer algo melhor: ignorar.

A tortura do silêncio vale mais do que o ataque com palavras. E eu opto por vencer a batalha de maneira inteligente e sagaz. O único barulho que preenche o ambiente é um jazz que toca no som do carro. E assim continua até o final da viagem.

▪️▪️▪️

Finalmente chegamos ao estabelecimento onde o helicóptero de Steve está.

Fury abre a porta para Steve, que se apressa em contornar o carro e abrir a porta do meu lado.

Ele me estende sua mão, e eu penso e repenso diversas vezes antes de me render ao seu toque.

— Está com frio? – Steve nota que eu me encolho, mas não foi por causa do frio. Foi pelo nervosismo.

— Não. – aperto o casaco contra o corpo. — Estou bem.

Ele não diz nada. Apenas passa um braço sobre meu ombro, conduzindo-me até o helicóptero.

Ao meu lado está a pessoa que eu amo. O único homem que amei em todos os meus vinte e dois anos de idade. Mas, ao mesmo tempo que estou com ele, estou sem ele. E a verdade traz um choque à minha sanidade: Steve não é mais meu. E alguma vez foi, menina?

▪️▪️▪️

Nos vinte minutos que passamos dentro do helicóptero, parecia que as janelas de vidro iriam explodir. O perfume, calor e a presença de Steve cercaram todo o ambiente.

Lembro de encarar o chão da rua e desejar pular pela janela. Flutuar no ar frio e ver se a neve seria capaz de congelar a dor e sufocamento que me entorpecem a alma.

Steve segura meu cotovelo e nos guia para fora do elevador. Encaro o ambiente com os olhos brilhando. A expectativa que eu havia criado nem se compara com a realidade.

O espaço é luminoso, amplo e luxuoso. Tudo a ver com Priscilla. E Rebby. E Steve. E todos que estão aqui, exceto eu.

— Quer comer alguma coisa? – Steve me encara. — Ou beber?

— Não... – começo a negar, mas a ideia de tomar álcool me agrada. — Quer dizer, um vinho. Ou champagne. Tanto faz.

— Certo. Eu volto logo.

— Obrigada!

Steve se afasta e eu volto a rodar os olhos pelo salão. É tudo tão brilhante, limpo e rico. Eu me sinto uma manchinha de sujeira esparramada num chão encerado.

— Nat! Você veio! – uma mão pousa em meu ombro.

— Rebby! – eu a puxo para um forte abraço.

Rebby. Minha melhor amiga. Faz tanto tempo que não a vejo. Meus braços se apertam ao redor dela ao mesmo tempo que lágrimas banham meus olhos.

— Senti saudades.

— Também senti, sua louca! – minha amiga devolve a mesma intensidade do abraço. — Como você está?

— Bem. – eu a solto lentamente. — E você?

— Surtando! Hoje é a grande noite! – Rebby sorri e ergue os ombros.

— Vai conseguir. Nossa! Você está linda! – encaro-a da cabeça aos pés.

— Você também! Escolheu a roupa sozinha?

— Sim. – coro com a sua pergunta. — E me lembrei de seus conselhos.

— É... arrasou no visual, Nat!

— Obrigada! – Rebby e eu rimos por mais um tempo. — Vai vir mais alguém?

— Acho que só você e Miguel. – ela faz beicinho. — Peter está doente e Gwen vai cuidar dele. Ela me ligou mais cedo para avisar.

— Ah! Que pena! – afago seu ombro para animá-la.

— Cadê o Steve? – Rebby mexe os olhos pelo salão.

— Ah... ele... foi pegar uma bebida. – balbucio qualquer coisa torcendo para que ela acredite. — Como foi em San Diego?

— Tudo ótimo! Foi uma viagem mágica! – Rebby me conta mais detalhes de sua aventura pela Califórnia até Steve se juntar a nós.

— Aqui. – ele me estende uma taça de champagne.

— Rebecca! – Steve a cumprimenta com dois beijinhos em seu rosto antes de lhe estender uma taça de champagne. — Dei uma olhada nos casacos que desenhou. São lindos! Parabéns!

— Obrigada! – Rebby sorri e dá um gole em sua bebida. — Faz tempo que não vejo vocês! Como estão?

É inevitável a troca de olhares apreensivos e dolorosos que Steve e eu realizamos. Rebby percebe, pois vejo que franze o nariz enquanto comprime os lábios.

— Ahn... bem. – Steve responde. — E você? Curtiu San Diego?

— Sim, foi maravilhoso. – Rebby esvazia sua taça. — Ahn... Nat, pode vir comigo? Quero te mostrar os casacos.

— Sim! – mentalmente, agradeço a Rebby por me afastar de Steve.

— Vou roubá-la um pouquinho. – ela se dirige a ele.

— Tudo bem.

Rebby entrelaça o braço no meu e me guia pelo salão. Quando adentramos uma nova área, eu me preparo para seguir em direção à exposição das roupas, mas Rebby me para.

— O que foi? – indago sem entender.

— Eu que pergunto! – ela rebate. — Vocês brigaram?

— Não! – nego. — Por quê?

— Eu não sou idiota, Natasha! Alguma coisa aconteceu!

— Não, Rebby. Quer dizer... mais ou menos. Foi besteira.

— Conte. – Rebby insiste.

— Não... não, Rebby. Sério. É a sua noite!

— Nat...

— Não quero falar sobre isso. – termino a champagne. — É uma noite muito maravilhosa para ficarmos conversando sobre minhas lamúrias bobas.

— Tudo bem. – Rebby ainda está com o nariz franzido. — Mas, se mudar de ideia, não tem problema algum em me usar de lenço, tá?

— Okay. – sorrio para ela.

— Você está bem mesmo? – a pergunta de Rebby me faz reerguer o olhar.

— Sim. – torno a levantar os ombros. — Por quê?

— Não sei. Parece diferente. Um pouco... aflita. Chateada. E você emagreceu muito! – os olhos de Rebby percorrem meu corpo. — Esteve doente?

— É... ér... eu andei um pouco doente. – forço uma tosse. — Acho que foi uma virose.

— Virose?

— É. Vomitei um pouco e tive febre. – não encontro seu olhar durante minha mentira. — Mas já estou melhor.

— Mesmo?

— Sim. Não se preocupe. – pego sua mão. — E então? Cadê os estilistas famosos?

— Alguns estão conversando com os repórteres. – Rebby sorri e revira os olhos. — E os outros estão com Priscilla. – aponta para sua chefe a alguns metros de distância de nós. — Nat, estou muito feliz por essa noite!

— Também estou feliz por você. – arrumo uma mexa de seu cabelo moreno para trás da orelha. — Posso ver seu belo trabalho agora?

— Claro! – Rebby ri. — Só de imaginar as pessoas comprando meus casacos nas lojas... – ela pisca emocionada. — ...me dá uma ansiedade inexplicável!

— Relaxa, Rebby. – Rebby se vira para mim e aperta meu braço.

— Você tem que comprar os meus casacos! Promete?

— Prometo que tentarei ter dinheiro para isso.

Ela sorri novamente e pega minha mão. Quando nos aproximamos do pequeno palco, avisto os manequins vestidos nos casacos de Rebby. São lindos e elegantes, Rebby mandou muito bem!

— Você os fez também ou só desenhou?

— Os dois. – Rebby passeia em frente aos manequins. — Só não tive tempo de fazer aquele dois últimos. – ela aponta para os manequins da direita.

— Mas você que escolheu as roupas e tipos de tecido, não?

— Sim. Entreguei meus desenhos coloridos.

— Caprichosa! – Rebby ri.

— Sim, gosto de me concentrar bem nos meus... oh, meu Deus!

Paro de sorrir e encaro Rebby com o cenho franzido. Seus olhos azuis estão arregalados e contidos em um brilho encantado. Ela está... surpresa. E feliz.

— Rebby? – ela não me dá atenção.

— Mãe! – sua voz explode em um grito. — Mãe, mãe!

— Querida...!

Antes de me virar totalmente para Marlene, mãe de Rebby, posso ouvir farfalhar de roupas se roçando. Craig, seu pai, caminha até a esposa e a filha com um singelo sorriso ao rosto.

— Mãe! Pai! Rose! Oh, Ryan! – Rebby puxa o pai e os irmãos para o abraço. — Vocês vieram!

— Claro, querida! – Craig acaricia os cabelos morenos de Rebby. — Você está tão crescida!

— Temos muito orgulho de você, Rebecca! – afirma Marlene.

— Baixinha! – o irmão mais velho de Rebby bagunça meus cabelos.

— Oi, Nat! – a irmã de Rebby a abraça. — Parabéns, Rebby! Você é demais! Pode me dar uma roupa?

— Rosalie, querida, você não...

— Tudo bem, mãe. – Rebby sorri. — Não tem problema, eu posso conseguir alguma coisa.

— Okay. – Marlene se vira para mim. — E então, Natasha? Como você está?

Cumprimento-a com dois rápidos beijinhos no rosto e um abraço.

— Bem. Obrigada. E você, Marly?

— Também estamos, querida. E, nessa cidade que nunca dorme, tudo fica ainda melhor.

— Entendo. – solto um riso tímido.

— E então? Estão com fome? Sede? – pergunta Rebby.

— Ah... os dois. – responde Marlene. — O buffet é para lá, não?

— Sim. Vocês têm a noite toda para verem meus modelos. – Rebby conduz sua família para saída do salão onde estamos. — Nat, eu volto logo, tá?

— Tudo bem. – eu os assisto se afastar.

Quando Rebby e sua família desaparecem de meu campo de visão, eu volto a analisar os casacos. O talento de Rebby é delineado a cada costura das roupas. Seu gosto, seus conhecimentos, seu estilo — tudo que produziu faz luz à sua carreira.

— Penso o mesmo. – a voz robusta e firme faz minha pele arrepiar. — Rebecca é bastante talentosa! – Steve me entrega uma outra taça de champagne.

— Obrigada!

— Nada! Só cuidado.

— Cuidado?

— É. Você está com sapatos de salto, bebendo e perto de produções importantes e caras. – Steve dá um gole em seu vinho branco e me fita de modo zombeteiro.

— E daí? – indago sem entender.

— E daí que, sóbria, você já é bem distraída. Com álcool no organismo então....!

— Oh! – não consigo evitar o sorriso que se desenha em meus lábios. — É. Essas peças não estão em segurança perto de mim.

— Beba devagar. – aconselha. — Você é fraca para bebidas.

— Foi você quem me deu mais uma taça!

— Sim, mas eu vou te supervisionar.

Ahn?

— Ahn?

— Não vou deixar que fique bêbada e passe mal. – Steve me olha com firmeza.

— Quem deve se preocupar com isso sou eu, não acha? – ele pisca algumas vezes antes de responder.

— Deveria. Mas você não vai.

— O quê? Claro que vou!

— Não, Natasha. Eu te conheço. Vai esquecer.

— Ficou louco? Como acha que eu vou esquecer de não ficar bêbada?!

— Natasha! – Steve grunhe e eu percebo que talvez tenha falado alto demais.

Com o rosto em combustão, movimento a cabeça e acompanho vários tipos de par de olhos atentos a mim. A vergonha se instala em todo meu corpo.

— Sorria e disfarça. – Steve murmura calmamente. — Ou não.

— Isso é culpa sua! – aponto um dedo em riste na sua direção.

Minha irritação só piora quando Steve esboça um sorriso debochado e convencido.

— Desculpe. Só não quero que passe mal. Provavelmente, você acabará bebendo mais.

— E daí? – ergo meus ombros. — O que isso tem a ver com você?

— Nada em particular. – Steve diz. — Mas você está de estômago vazio.

— Steve, você não deve se meter. Não lhe diz respeito. – cuspo e ele suspira enquanto me encara de modo atento.

— Só quero ajudar.

— Não precisa. – sinto a garganta seca.

— Natasha...

— Com licença.

Tento me afastar, mas Steve me segura pelo braço. A corrente elétrica, novamente não satisfeita em percorrer toda a minha pele, também eletrocuta meu coração.

— Natasha, por favor. – suplica.

— O que você quer? – balanço a cabeça quase sem voz. — Pare de me importunar, Steve.

Ele fica em silêncio quando um garçom passa por nós com uma bandeja equilibrada na mão. Rapidamente, Steve vira a taça de vinho branco contra a boca e a põe na bandeja antes de fazer o mesmo com minha taça de champagne vazia.

— Só me escute. Por favor.

— Não faça isso. – ainda sou incapaz de olhá-lo nos olhos. A insegurança é mais forte do que minha força de vontade.

— Natasha, precisamos conversar. Escute o que eu tenho a dizer.

— Por quê? – lágrimas se acumulam na base de meus olhos quando encaro Steve. — Não importa mais. Muitas coisas já foram ditas!

— Apenas me escute. Prometo que te deixo em paz se me escutar.

— É uma proposta tentadora. – deixo escapar e Steve segura um sorriso.

— Está com tanto ódio assim de mim?

— Não é ódio. – nego com a cabeça.

— Então...?

— É cuidado. – solto meu braço de sua mão.

— Não vou machucar você. – seus dedos mornos e cuidadosos acariciam meu rosto. — O que aconteceu foi...

— Não importa mais! Já passou.

— Natasha, sempre importará.

— Não se culpe. Isso não mudará nada. – murmuro.

— Tem razão.

Sua mão não abandona meu rosto e eu me controlo ao máximo para não ronronar com seu carinho. Porra! Humanos não ronronam, Natasha. Não faça isso!

— Mas, ainda assim, preciso que me escute. Por favor.

Solto um suspiro derrotado e profundo antes de encarar Steve nos olhos.

— Tudo bem.

— Mesmo?

— Sim. – reafirmo.

— Certo. Podemos falar na área exterior. Há poucas pessoas lá. – ele aponta para o janelão aberto que dá passagem à elegante sacada. — Vamos!

— Espere!

— O que foi?

— Prometa que não tentará gracinhas!

— Não posso. – sua sinceridade me assusta. Steve percebe a súplica em meu olhar quando eu pendo a cabeça para o lado e arregalo os olhos. — Sabe que não posso, Natasha.

— Steve...

— Posso tentar me controlar, mas eu não lhe garanto nada. – enquanto fala, ele nem pisca. — Estou sendo honesto, Natasha.

— Eu sei. – assinto. — O pior é que eu sei!

— Então vamos?

— Ér... sim. Mas seja breve!

— E por quê? – pergunta com o cenho franzido. — Está com medo de mim, Srta. Romanoff?

Mesmo que Steve tente, não consegue reprimir o sarcasmo que escorre de sua fala. Suas sobrancelhas se juntam de maneira pensativa e irônica.

— E por que acha isso? – tento desafiá-lo, mas ele é esperto.

— Não quer ficar sozinha comigo. – Steve suspira e dá um passo para frente. Eu recuo enquanto ele se aproxima. — Natasha, pare.

— Com o quê?

— De fugir de mim. – suas mãos se esticam e seguram meus braços.

— Ou?

Steve aproxima a boca de meu ouvido direito.

— Não me desafie.

O calor de sua voz escova a pele de meu pescoço. Reprimo um gemido, mas não consigo fazer o mesmo em relação à respiração trêmula que me escapa.

— Você não me assusta.

— Então por que está nervosa?

— Eu não...

— Não adianta mentir. – Steve segura meu rosto. — Não vou machucar você. Não confia em mim? – a pontada de tristeza que transparece em seu tom de voz quase me faz chorar.

— É claro que eu confio em você! Jamais faria nada para me machucar.

— Mas eu já fiz. – Steve olha para baixo. — E é por isso que você me teme. – suas mãos me soltam e o frio me isola.

— Acredite em mim, Steve, eu não estou com medo de você.

— Mas está com medo de alguma coisa. – ele estuda o desespero em meus olhos verdes. — O que é?

— Nada.

— Do que tem medo, Natasha?

— De mim! – não consigo segurar minha língua, e, quando noto, já é tarde. — Ér... quer dizer, estou... – suspiro e tento consertar o que eu disse, mas desisto e abro o jogo. — Estou com medo de mim, Steve.

— De você?

Recuo alguns passos, agora, olhando para o chão.

— Não me sinto segura com você por perto.

— Mas...

— Não por você poder me machucar. – olho para cima e encontro sua imensidão azul e brilhante. — É por... é por mim. Por eu poder fazer alguma besteira.

— Tipo...?

— Tipo me entregar a você novamente.

— E não quer isso? – Steve parece atordoado. — Não quer se entregar a mim?

— Não. – nego com a cabeça. — Não quero.

Ele assente e me lança um triste sorriso.

— Certo. – diz. — Tentarei não trair sua sanidade.

— Steve...

— Vá na frente. – ele estica o braço em direção à sacada.

Com um último suspiro, aperto o tecido grosso e macio do casaco e decido me manter forte. Estico o primeiro passo para frente e assim continuo até chegarmos à sacada.

— Espere ali. – Steve aponta para o canto da direita, onde a cerca da sacada se estende até a esquerda.

— Por quê? – viro o rosto e vejo algumas pessoas do lado oposto de onde ele me dissera para esperar. — Steve...

— Quero ficar a sós com você. – pronuncia. — Não insista do contrário. E nem fuja. – ele segura minha mão e me arrasta até o local o qual me mandou esperar. — Eu já volto.

Steve se afasta rapidamente e chega até as pessoas. Ele murmura algo para elas e, agilmente, as mesmas deixam a sacada e voltam ao salão. Quando se vira para mim, meu corpo treme por inteiro. Seu rosto está tenso e o peito sobe e desce rapidamente. Eu me sinto acuada e frágil.

Nem tenho tempo de contar os segundos que se passam. Steve anda com passos ágeis e firmes até mim. Ele está determinado, sua estrutura corporal — grande e forte — quase me intimida, mas eu me esforço para não perder a compostura. Porém, quando para em minha frente, com a respiração ofegante e quente batendo contra meu rosto, já não sei mais se conseguirei aguentar por muito tempo.

Decidida a terminar a tortura do silêncio, abro a boca.

— Steve...

— Sinto muito.

Ele se desculpa, mas eu não entendo por quê. Ao menos não antes de seus lábios se chocarem contra os meus.

Tento empurrá-lo para longe enquanto soco e estapeio seu peito, mas Steve agarra meus pulsos e continua a me beijar.

Em resposta às sensações que vagueiam dentro de mim, eu gemo. Steve interpreta de outro modo, pois sua língua força meus lábios a se abrirem e eu sou incapaz de não aceitar seu convite.

Consigo soltar minhas mãos e subi-las para seus cabelos, enquanto as de Steve circulam minha cintura.

Em seus braços, eu percebo que estou segura. Percebo que estou em paz e em casa. Mas sei que tal lugar não me cabe mais. Isso acabou. E, por mais que eu queira e sinta que deva permanecer aqui, também noto que é um campo minado.

A rebeldia de meu coração luta contra a sanidade de meu cérebro. E, no meio desta guerra interna, eu permaneço imóvel só esperando o caminho que terei de seguir.

— Desculpe!

Sua voz é rouca e ofegante após quebrarmos o beijo. Continuo de olhos fechados enquanto Steve pressiona os lábios em minha testa.

— Desculpe, Nat. Desculpe. Eu não pude me segurar. – suas mãos continuam em minha cintura assim como as minhas em seus cabelos.

Estamos ambos machucados e com um bloqueio frio. Porém, enquanto o calor e perfume de Steve entopem meu organismo com memórias saudosistas, meu coração e cérebro resolvem dar uma trégua na guerra que fazem dentro de mim.

— Eu também não posso! – não espero sua resposta.

Ainda de olhos fechados, puxo-o novamente para outro beijo. Beijo o qual Steve não se recusa em retribuir.

Notas finais
Links que não abriram no capítulo: Salão --> https://imagens.revista.zapcorp.com.br/wp-content/uploads/pense-imoveis/15323333.jpg Craig --> http://gif-finder.com/wp-content/uploads/2015/12/John-Stamos-Thumbs-Up.gif Os links que representam o salão da festa foram só pra vocês terem uma ideia do espaço da cena, okay? E aí? Capítulo foi bom? Vocês gostaram? Eu me empolguei muito e saiu grande demais, né? Sorry :/ Muitos pediram beijo ROMANOGERS hahaha então... resolvi colocar ^^ Anyway... eu pedi para vocês virem aqui porque, não sei quem acompanhava, mas para quem sim, a fic "A Filha do Gangster" foi excluída. Na verdade, ela foi denunciada. Quem denunciou (o desocupado invejoso e mau-caráter) acusou a fic de plágio, sendo que a autora JÁ HAVIA POSTADO a história num outro site, mas na língua materna dela (russo). E então parece que a fic foi postada no tumblr por uma outra menina, só que em português. E então a autora (a original) quis postar aqui também, traduzindo para o português (nossa diva Andy Hide), e quem viu SÓ a do tumblr pensou que ela estivesse plagiando, só que não, quem plagiou foi a menina do tumblr. Enfim... por isso que eu sempre peço: se você não sabe, procure se informar. Quem quer que tenha denunciado a fic AFDG fez isso por maldade, mau-caratismo, inveja e despeito! Destruiu uma história original e magoou uma pessoa que não teve culpa alguma do que aconteceu. E claro que o Nyah! também não, pois o site recebe a denúncia e procura averiguar os fatos demonstrados, mas quem denunciou teve, e fique sabendo que você não passa de um imbecil. Muito desnecessário ter feito isso. A fic era uma beleza e eu amava lê-la e, assim como a autora, fiquei muito chateada também. Bom, anyway... a Andy excluiu a conta antiga e fez uma nova, e agora está administrando uma nova fic (que antes era minha e de mais uma menina, mas nós abrimos mão da história, e agora é da ANDY). Se quiserem ler, aqui está o link: https://fanfiction.com.br/historia/737144/Russian_Angel/ Era isso, amores. Tive que fazer esse desabafo aqui no final porque fiquei muito chateada pela maldade que fizeram com minha amiga. Foi muito desnecessário e cruel, e eu fiz isso aqui por mim e por ela, principalmente, que não merecia. Please, comentem, tanto na minha fic quanto na da Andy hahaha ^^ Beijocas e até o próximo!!! Ps: atualizei a fic evansson --> https://spiritfanfics.com/historia/evanssons-life-3476044