Haunted 🔞

3 Capítulo O3 — Forgiveness


Notas iniciais
Sei que demorei. E tenho uma justificativa pra isso. Na primeira fanfic, não teve, mas eu gostaria de que tivesse na segunda, então resolvi encomendar banners de capítulo, só que demoram MUITO para serem feitos, e eu estava esperando até hoje o banner do terceiro capítulo ficar pronto, mas não está nem em andamento ainda, e eu não quero esperar mais pra atualizar a fic, porque minhas férias acabarão em duas semanas e eu não quero me atrasar com a história. Inclusive, se vocês sabem fazer banners ou conhecem alguém que saiba, por favor, peço que me avisem. Falem comigo nos reviews ou pelo twitter: @NatashaRogers_ Muito obrigada pelos 40 comentários, 39 acompanhamentos, 31 favoritos e 1.057 visualizações :D Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^ Tradução do Capítulo: Perdão

— Não!

Minhas mãos o empurram para longe e eu esfrego os lábios no casaco. A mancha de batom se evidencia no tecido.

— Nat...

— Não acredito que fez isso! – sinto a boca queimar. — Steve, você me beijou!

— Sim. Mas foi antes.

— O quê?

— Eu te beijei e pedi desculpas. Depois foi você que me beijou!

— Ér... não. Não, não, eu só... eu só... ér... foi um impulso, Steve!

— Um impulso? – um riso debochado escapa de seus lábios. — Você me puxou e me beijou de volta, Natasha!

— Tá, mas não foi premeditado!

— Ainda assim foi um beijo.

— Não importa! Você havia me dito que não tentaria gracinhas!

— Ahn ahn... – Steve nega com a cabeça. — Pelo contrário. Eu disse que não prometeria nada.

— Steve...

— Natasha, você quis isso. Não venha me culpar agora.

— Não vai se repetir.

— E por que não? – seu rosto está a milímetros do meu. — Por que não pode se repetir? Você vai fazer o quê?

— Eu vou dizer que não. – respondo. — E você terá que aceitar!

— E se eu não aceitar?

— Como é?!

— Nada me deixará longe de você. – ele segura meu rosto. — Já esperei tempo demais para te ver.

— Duas semanas não é tanto tempo assim. – resmungo e ele comprime os lábios.

— Sim, é. Tanto para mim quanto para você. Não tente se fazer de durona. Dá para ver que você ficou tão devastada quanto eu. – seus olhos fazem uma varredura por meu corpo e Steve enruga a testa. — Ou até mais.

— Você ficou devastado?

— Sabe que sim. – Steve pisca calmamente. — Eu cheguei a te mandar um e-mail. Você leu?

— Não. – desvio o olhar e Steve ri.

— Você continua uma péssima mentirosa.

Puxo o rosto para longe de suas mãos e encaro as pupilas negras que marcam o fundo de sua imensidão azul.

— Quer saber se eu li? Okay, eu li! Li e não quis te responder! Não estava pronta para isso! Satisfeito?

— E está agora?

— Sim.

— Você não sabe mesmo mentir. – Steve sorri. — Continua sendo a minha Nat.

— Não sou mais sua Nat! Eu mudei.

— Em quê?

— Você deverá perceber. – enfrento-o de queixo erguido.

— Senti sua falta. – Steve passa a mão pela barba rala e solta um riso.

— Não sentiu nada! – rebato.

— Claro que senti, Natasha! – afirma. — Fui sério quando disse que esses dias foram longos e terríveis.

— Sabia onde eu estava.

— Teria me dado outra chance se eu tivesse te procurado? – noto certo desespero e surpresa em sua voz.

— Não sei. Você poderia ter tentado.

— Você também.

— Eu? – enrugo o cenho. — O que você queria que eu fizesse?

— Não precisava ter me deixado.

— Quê?

— Prometeu que jamais me abandonaria. – não consigo decifrar o brilho que se prolifera em seus olhos misteriosos.

— Você não tem o direito de me cobrar nada! Já se esqueceu do porquê de termos nos separado? Você esqueceu do que me fez, do que me disse?

— Não! Não me esqueci! – Steve abre os braços. — Penso sobre isso dia e noite. No quanto te machuquei. No quanto fui covarde e canalha com você. Dói em mim sempre que eu me lembro daquela noite.

— Steve...

— Perdão. – ele solta um suspiro trêmulo. — Perdão, Natasha. Eu jamais poderei... jamais poderei reparar o mal que te fiz.

— Tanto eu quanto você erramos. Não fique se torturando. – o aperto em meu peito quase me faz chorar.

— Ah, minha doce Natasha... – Steve acaricia meu rosto e me olha com ternura.

— O que foi?

— Eu senti saudades. – ele me puxa para seu peito e descansa o rosto na curvatura de meu pescoço.

— Steve, por favor...

— Não pode me dizer que não sentiu a minha. – ergue a cabeça e me olha. — Vai dizer que não sentiu?

— Penso em você a cada dia e a cada noite.

— E eu penso em você a cada segundo. – Steve abaixa a cabeça e planta um beijo em meu pescoço.

— Steve, Steve, pare. – consigo afastá-lo antes que ceda mais uma vez.

— Não precisamos continuar assim, Nat.

— Você quer algo que eu não posso te dar.

— Mas eu só quero você, Nat. – seus olhos perfuram minha alma.

— Não diga essas coisas. – respiro fundo. — Eu... não pode... não pode brincar comigo assim!

— Não estou brincando!

— Está! – exclamo. — Por que agora?

— Porque eu... – ele pisca nervosamente. — Ér...

— O que é? – pressiono. — Eu mereço essa resposta, Steve!

— Natasha...

— Você diz que sentiu minha falta e que me quer de volta. Diz que pensa em mim a cada segundo que se passa. Você sente alguma coisa por mim. – encaro-o nos olhos. — O que é?

A ardência do medo de sua resposta deixa meu peito em chamas. Na vida, sempre teremos o "não" como garantia, mas não custa corrermos atrás do "sim".

Seu silêncio é uma linha tênue para mim. Um sopro de leve e eu irei me desmontar por inteira. Steve não me diz nada. Está claro que não me ama. Nunca amou.

— Já me respondeu.

Eu me preparo para ir embora, mas Steve se põe em minha frente.

— Eu não terminei.

— Não tem nem o que começar, Steve!

— Natasha, espere.

— O que você quer?

— Eu sei que não te dei uma resposta em palavras, mas... isso não significa que não tenhamos mais que conversar.

— E exatamente o que você quer conversar?

— Sobre nós.

— Não existe mais. E nunca existiu.

— Claro que existiu! E ainda existe.

— Não, Steve. Estamos separados! – ergo os ombros. — A única coisa que peço é que não fique jogando comigo.

— Eu não estou jogando com você, Natasha!

— Steve...

— Não duvide de mim.

Suas mãos seguram minha cintura e eu sinto o corpo tremer com seu toque.

— Steve. – afasto-o minimamente para que possa olhar em seus olhos. — Eu tenho uma nova vida. – meu peito entra em chamas com o que vou dizer, mas eu sigo em frente. — E você não está nela.

— Por que está dizendo isso? – questiona com os olhos gélidos.

— E por que está insistindo no contrário? – eu me solto de seu toque. — Não nos levará a lugar algum!

— Engano seu.

— Não, não é, Steve. Sabe que não é. Não deu certo na primeira vez. Qual a garantia de dar agora?

— E qual a garantia de dar errado?

— Todas! Talvez uns... setenta e cinco por cento.

— Então irei me agarrar aos vinte e cinco por cento que restam. – afirma teimosamente. — Irei me agarrar até mesmo se restar somente um por cento.

— Steve...

— Não irei desistir de você. – sua segurança de sempre me irrita.

— Não sou um troféu para você se vangloriar! Sou um ser humano, Steve! E não quero mais nada com você.

— Podemos tentar. Diga o que você quer que eu seja. – cobra e eu suspiro.

— Que tal um amigo? – ergo uma sobrancelha e Steve sorri em descrença.

— Acho que você está no ramo errado, minha cara Romanoff. – sua audácia me deixa boquiaberta. — Tente outra coisa, talvez a verdade. O que acha?

— Eu já disse a verdade!

— Nós dois sabemos que você está mentindo para si mesma, Natasha.

— Não é tão simples, Steve. – murmuro entredentes. — Já tentamos.

— Não, não tentamos. Seguimos as regras de um contrato. Desta vez...

— Uma relação precisa de confiança. – cruzo os braços e luto para que as lágrimas não saiam. — E você não confia em mim.

— Eu confio em você. – Steve contradiz, mas eu nego com a cabeça.

— Não, não confia. Você nunca me contou nada. – acuso. — O pouco que me disse foi porque eu te pressionei.

— Sim, você me pressionou. Isso é errado, sabia? Se quer que alguém te conte as coisas precisa respeitar o tempo desta pessoa.

Steve cospe as palavras contra mim, e eu não consigo lhe responder. Ele está certo. Fui eu quem fez tudo errado. Ele precisava de auxílio e apoio, mas eu só queria... mais. E este mais simplesmente me levou a nada.

— Desculpe. – digo envergonhada.

Minha cabeça e olhos estão baixos. Os muros que afirmei ter construído para poder rever Steve estão desmontados no chão, assim como o Muro de Berlim fora no final do século XX. Só que, diferente das pessoas que comemoraram o avanço da História, eu me encolho e lamento.

Sou uma janela de vidro transparente. Sensível, visível, gelada e frágil. Poderei me dividir em mil cacos com qualquer mísero movimento, até o mais leve e delicado possível.

— Sinto muito, Steve.

Ainda não tenho coragem de encará-lo nos olhos. Meu vidro interior rasgará meu coração. E eu sangrarei ainda mais por dentro.

— Eu também entendo o que deve ter sentido.

— Entende? – continuo encarando meus pés. — Nunca pareceu.

— Não? – indaga. — Então eu me desculpo também.

Uma força magnética atrai meus olhos para cima e eu me deparo com uma imensidão azul e infinita que me faz delirar.

— Pelo o quê?

— Por tudo.

— Bem, você não é totalmente culpado.

— Eu nunca te dei um mais verdadeiro.

— Steve, você foi o meu mais. – quando me dou conta já é tarde.

— Fui? – suas sobrancelhas formam um V na testa.

— A vida continua. – balanço a cabeça. — Tentei encontrar outro mais.

— E conseguiu? – seu tom está frio e distante.

— Não passaram de tentativas de te esquecer.

— Tentativas? – vejo que Steve reforça o V na testa. — Você se... você se deitou... com outros, Natasha?

— Sim. – a mentira sufoca minha garganta, mas por algum motivo insano e indecifrável, quero machucá-lo. — Eu queria preencher o vazio que ficou em mim.

— Mas, Natasha, foi você quem foi embora! – murmura com os dentes cerrados.

— Eu sei. Precisava daquele tempo. E, se quer saber, ainda preciso.

— Ficou longe de mim, sofreu com isso, mas ainda assim diz que precisa de mais tempo?

— Sim. – um suspiro trêmulo escapa de minha garganta.

— Por quê?

— Porque ainda não te esqueci.

— E... e... vo-você quer isso? Quer me esquecer? Teria sido bom se já tivesse conseguido?

— Sim.

— Eu não acredito. – Steve rebate. — Não foi bom para mim ficar longe de você.

— E por quê? – ergo os ombros. — Aposto que você também dormiu com outras mulheres!

— Não.

— Ah, não?

— Não, Natasha. E você sabe disso. – ele cerra seus dentes novamente. — Você foi a única.

— Ér... bem... mas você... transou com outras. – um ciúme se instala em meu peito, mas eu decido me desconcentrar da queimação incômoda que se instala em mim.

— Eu não transei!

— Olha... – solto um suspiro e olho para o salão. — Nada disso me interessa mais! Já chega!

— Natasha...

— Não fique atrás de mim! – giro os calcanhares e volto para o salão.

▪️▪️▪️

Rebby e eu nos encaminhamos até a mesa com sua família. Estou prestes a me sentar quando a cadeira é puxada para mim.

— Por favor, senhorita.

Meu rosto cora antes mesmo de eu me virar e sorrir.

— Miguel! – explodo em alegria ao abraçá-lo.

— Niña! – Miguel me devolve o mesmo abraço apertado. — Holá!

— Senti saudades. Como você está?

— Bien. – ele também sorri. — Cadê a Rebby?

— Ali. – aponto em direção a ela, que está distraída em escolher os aperitivos para comermos.

— Ah, sim! – Miguel assente e se volta para mim. — Peter e Gwen vieram?

— Parece que Peter está doente e Gwen vai cuidar dele.

— Ah, sim! Que chato!

— Pois é! Ér... lembra dos pais de Rebby?

Miguel sorri e se move para a direita antes de sorrir para Craig e Marlene.

— Oi, Miguel! – o pai de Rebby é o primeiro a cumprimentar Miguel, já que Marlene está tomando o vinho.

— Oi, Sr. Deelwish.

— Não precisa dessa de "senhor". – Craig aperta a mão de Miguel.

— Marlene. – diz a mãe de Rebby. — Sente-se aqui conosco!

— Ah, eu vou! – responde Miguel. — Oi, Rose. Oi, Ryan.

— Oi, Miguel. – Ryan acena com uma mão enquanto tecla algo em seu celular com a outra.

— Oi. – a irmã de Rebby cora e olha rapidamente para baixo.

— E como vão as coisas por Vancouver? – Miguel segura a cadeira para que eu me sente.

— Nessa época do ano, frias. – Craig soa amigável. — E você? Como vai na carreira de Publicidade? onde trabalha?

— Numa agência de revista, mas tenho uma entrevista de emprego para a PAC na segunda.

— PAC? – Craig coça a nuca.

— Ai, pai...! – Rebby chega a mesa e revira os olhos. — PAC são as siglas de Publishing Artists Center.

— Ah, sim! – o pai de Rebby assente.

Ao meu lado, Rebby se prepara para sentar e começar a comer o que pôs em seu prato. Após abraçar Miguel, minha amiga repousa à direita depois de Miguel também ter puxado a cadeira para ela.

— E está nervoso? – Rebby se dirige a ele.

— Um pouco. – admite. — Mas acho que dou conta.

— Claro que dá! – mastigo o primeiro pedaço de frango.

— Bom... eu vou ver seus modelos e volto logo, tudo bem, Rebby?

— Tudo bem. – ela concorda.

Quando Miguel se afasta, eu forço mais um pedaço de frango à boca e começo a sentir meu estômago roncar em resposta. É, eu estava com fome.

Levando mais garfadas à boca, olho ao redor e avisto Miguel. Em seguida, olho para Rebby. Nossa! Meus dois melhores amigos. Como eles me fizeram falta...!

Iniciando uma repercussão de memórias dolorosas, nesses últimos quinze dias em que passei sem falar com eles, percebo que estava morrendo de saudades de Rebby e Miguel.

Eles são meus melhores amigos! E fazia um bom tempo que não os via. E agora, com todos nós juntos novamente, tenho vontade de voltar no tempo. Para quê? Para mudar acontecimentos, menina? É... até que seria bom. Exato, Little Red. Exato...!

▪️▪️▪️

Sinto meu estômago embrulhado e algo queimando todo o caminho de meu esôfago até o intestino. Ao mesmo tempo que meus olhos ardem de sono, minha cabeça lateja de dor.

— Tome.

Minha espinha gela e eu reconheço o toque gentil. O perfume de seu paletó adentra por minhas narinas. O calor de seu corpo — ainda presente no grosso tecido da roupa — aquece minhas costas, ombros e braços.

Eu me sinto em casa e uma nostalgia me empurra para a realidade. Não pertenço mais a este mundo de Steven Rogers. Acabou, Natasha.

— Obrigada! – Steve para ao meu lado. — Eu não sei onde pus meu casaco. E nem por que tirei.

— Tudo bem. – ele dá de ombros. — Sabe que horas são?

— Não. – a qualquer momento, sinto que minha bile saltará para fora do fígado.

— Quase dez horas da noite. Não acorda cedo amanhã?

— Sim. – engulo seco. — E você também, não?

— Não se preocupe comigo. – Steve movimenta os ombros em um gesto de simplicidade.

— Eu digo o mesmo a você. – nervosamente, passo as mãos pelos meus fios ruivos.

— Precisa ter uma boa noite de sono. Ainda mais agora, que está evitando de comer.

Sua acusação é firme e direta. Tenho vontade de socar esse rosto perfeito que ele tem, em seguida, cobrindo-o de beijos. Mas o que está dizendo, menina? Situa-se em apenas uma coisa, por favor!

— Eu não estou evitando comer! – respondo. — Você não sabe de nada, então não faça acusações!

— Natasha, eu sei de tudo que eu preciso saber.

— O que quer dizer com isso? – pendo a cabeça para o lado e Steve sorri carinhosamente.

— Vou te levar para casa. Vamos?

— Vamos.

Viro de costas e caminho até Rebby, que está gargalhando com seus pais e irmãos.

— Estou indo, Rebby. – ela estreita seus olhos azuis para mim. — Sinto muito, mas estou cansada e acordo bem cedo amanhã.

— Tudo bem. – Rebby comprime seus lábios. — Eu te mando uma mensagem dizendo como foi o restante da noite, okay? Ah! Meus pais conheceram Sam.

— É? E aí?

— Aprovaram!

— Que bom! – exclamo

— Obrigada por ter vindo, Nat!

— Imagina. – eu a abraço antes de me dirigir a Craig.

— Já vai? – ele pergunta.

— Sim. Está tarde e eu acordo cedo.

— Entendo. Até mais, Natasha!

O pai de Rebby deposita um beijo em minha testa e bagunça de leve meus cabelos. Sorrio em resposta e sou abraçada por Marlene.

— Tchau, querida! Obrigada por tudo! Por todos os anos de amizade!

As palavras de Marlene me emocionam e eu me esforço para não chorar.

— Não há o que agradecer. – digo quando segura minhas mãos. — Até mais, Marlene!

— Até! – ela beija meu rosto.

Após me despedir da família de Rebby, caminho em direção a Miguel. Ele está de costas e não vê quando me aproximo.

— Miguel...

— Nat! – ele se vira para mim. — Oi, niña!

— Oi. – sorrio de volta para ele. — Vim me despedir.

— Já?

— Sim. Steve e eu temos compromissos e já está tarde. Mas nós podemos marcar alguma coisa. Não quero perder contato com você outra vez.

— Eu também não, Nat. – Miguel sorri. — Ah! Você deixou isso por aí. – ele estende as mãos e balança meu casaco.

— Bem que eu senti falta dele! – Miguel comprime os lábios enquanto aponta para o paletó de Steve que está vestido em mim.

— Parece que nem tanto. – comenta e eu pigarreio antes de pegar o casaco de suas mãos.

— Ér... bom, então eu vou indo. – anuncio, mas Miguel ainda encontra-se calado. — Falei sério quando disse que não quero perder contato com você outra vez. Você é meu melhor amigo! – seus olhos castanhos brilham. — Eu senti saudades de você.

— Também senti, Nat. – Miguel sorri e eu resolvo abraçá-lo de um jeito apertado e amoroso.

Minhas mãos puxam seus ombros e meus braços contornam suas costas. Com o queixo apoiado contra o ombro direito de Miguel, vejo que Steve me observa. Uma pontinha de travessura cutuca a minha ousadia.

Com o plano em mente, minhas mãos se movem para os cabelos raspados de Miguel acariciando-os fogosamente. Uma explosão de vitória acende e borbulha dentro de mim quando Steve bufa e caminha até nós.

— Vamos!

Olho para seus olhos azuis e me separo lentamente de Miguel.

— Sr. Rogers. – Miguel aperta a mão de Steve. — Oi e tchau.

— Igualmente, Sr. Coleman. – devolve Steve sem tirar os olhos de mim, mas retribuindo ao cumprimento de Miguel. — Vamos, Natasha!

Eu assinto e me viro para meu amigo, que sorri e deposita um beijo nas minhas duas bochechas. Coro com a sua ação afetiva e sinto minha mão ser segurada pela de Steve.

Nós atravessamos o salão e chegamos ao elevador. Quando as portas se fecham a nossa frente, Steve soca o botão do terraço e se vira para mim com fogo nos olhos.

Sei que o provoquei. E fui infantil e estúpida por isso. A ideia de deixá-lo enciumado na hora me pareceu ser uma boa vingança. Mas agora, que vejo que ele ficou mais furioso do que com o orgulho ferido, começo a repensar se agi certo. É claro que não!

— Por que fez aquilo?

— Aquilo o quê?

— Você sabe! – Steve grita.

— Apenas me despedi dos meus amigos. – murmuro enquanto lhe devolvo seu paletó e visto meu casaco.

— Natasha, não me provoque! – Steve arranca a peça de minha mão. — Você estava agarrando seu amiguinho para me fazer...

— Eu não agarrei ninguém! – meu peito estufa quando capturo uma grande quantidade de ar. — Apenas abracei o meu amigo, que tem nome e é Miguel Coleman.

— Ele gosta de você. – Steve comenta com a voz baixa, porém carregada de raiva.

— Sim, ele é meu melhor amigo. É claro que gosta!

— Quer mesmo ficar com um cara que não fez nada para protegê-la quando tentaram te agarrar naquele bar nojento? Que tipo de amigo é esse que deixa a amiga bêbada sozinha na rua sabendo que está cheio de babacas pervertidos como aquele que tentou colocar as mãos em você?

— Que papo é esse de repente?

— Foi errado, porra!

— Não! Errado é você acusá-lo de algo que ele não tem culpa, Steve! – rebato. — E Miguel não é meu guarda-costas. Ele não sabia o que estava acontecendo. E ele não tem obrigação alguma de ser meu segurança!

— Já que ele é seu amigo...

— Sim, ele é meu amigo. Não é meu pai. E ele sempre me tratou com muito carinho. – em desafio, fito o fundo preto das pupilas de Steve. — E nunca me bateu!

Algo no rosto de Steve muda de ódio para tristeza. Meu peito se aperta por saber que eu sou a responsável por esse semblante sombrio.

— Você está certa. – ele volta a encontrar meus olhos. — Mas também está jogando sujo.

— Não estou fazendo jogo algum, Steve. Não preciso disso.

— Natasha, não me provoque. – ele se vira rapidamente e aperta um botão que faz o elevador dar um solavanco e parar. — Você não deve fazer isso.

Ele avança alguns passos, o que me faz recuar. O espaço é curto e logo minhas costas colidem contra a parede de aço.

— E você não deve...

Minha intenção era argumentar com palavras curtas e grossas, mas a pressão de sua boca contra a minha me cala de forma inesperada. E o mais inesperado é a minha reação.

Ao mesmo tempo que sua língua duela contra a minha, suas mãos apertam minha cintura. Eu acaricio seus cabelos num jeito alucinado. Como senti sua falta! Meu peito dói com a saudade, mas se expande em amor.

Steve quebra o beijo ofegantemente. Sua testa se encosta na minha e ele repete as palavras que me disse quando estávamos na festa:

— Você.É.Minha. – toma fôlego antes de continuar. — Aceite isso! Meu Deus, Natasha!

Ele se curva e apoia as mãos nos joelhos com a respiração tão rasa quanto a minha antes de apertar o botão para fazer o elevador voltar a subir.

Eu penso em lhe responder, mas Steve toma a minha mão e beija os nós de meus dedos.

— Vou te levar para comer alguma coisa.

— Comer?

— Você precisa. Depois vamos para casa.

Notas finais
Sobre a PAC (Publishing Artists Center) para o qual o personagem Miguel tentará a entrevista de emprego foi algo TOTALMENTE INVENTADO por mim, okay? Essa empresa não existe, assim como a empresa do estágio da Natasha (Minds Manhattan). Eu invento essas coisas malucas hahaha nada disso é real Anyway... antes de tudo, quero anunciar uma nova fanfic na área, amores, que está me deixando louca de ansiedade! Quem não conhece ainda, trate de ler, pois não haverá arrependimento: https://fanfiction.com.br/historia/736988/Dive/ Bom, esses dias um novo teaser ficou pronto pra fanfic. Eu já até adicionei às notas da história. Quem quiser ver, aqui está o link: https://youtu.be/7BA5JFGtpLM Não se preocupem; o trailer chegará logo, logo ^^ Por favor, comentem o que acharam do capítulo, pois é MUITO importante pro escritor saber a opinião de seus leitores ^^ Beijocas e até a próxima!!