Notas iniciais
Obrigada pelos 484 comentários, 151 acompanhamentos, 73 favoritos, 9 recomendações e 29605 visualizações :3 Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^ Tradução do capítulo: Tempo

— E como você tem reagido a isso?

— Não sei. – ergue os ombros. — Tem vezes que acho que está melhor, mas em outras parece ser tudo um regresso.

— Conversa com alguém sobre isso?

— Sim.

— Além de mim. – lanço um meio sorriso.

— Então não.

— E já sentiu vontade?

— Talvez.

— Por isso veio até mim?

— Não. Não vim de livre e espontânea vontade.

— Sente-se mal aqui?

— Prisioneiro. – revela. — Não tinha que estar aqui.

— E por que está?

— Fui forçado.

— Não foi. – nego. — Tem idade o suficiente para decidir. Não precisa estar aqui.

— Está me dispensando? – ele me lança um olhar incrédulo. — Foi alguma coisa que eu disse?

— Hmmm... talvez. – entro na brincadeira, fazendo meu paciente rir. — Já tive melhores.

— Estou chocado!

— Okay. – paramos de rir aos poucos. — Falando sério agora.

— O quê?

— O esforço precisa partir de você. Progresso nenhum ocorrerá se não quiser que ocorra.

— Acha que não quero? – o garoto me olha espantado. — Isso não é uma escolha!

— É quando admite ter um problema.

— Isso não é um problema. Posso parar...

— ...quando quiser? – arrisco, olhando-o ironicamente. — Então ainda não quis?

— É...

— Gosta de fazer o que faz?

— É mais fácil.

— De quê?

— De encarar a vida. – ele dá de ombros e volta a encarar o teto.

— Sabe que não é verdade.

— Se não fosse verdade, eu não faria.

— Sabe que isso também não é verdade.

— E o que é verdade?

— Isso você sabe. – afirmo.

TIM

— Acabou. – meu paciente suspira e joga as pernas para o ar.

— É. – assinto ao terminar de escrever na prancheta.

— O que você tanto anota aí? – pergunta, curioso, ao se sentar.

— Deixa de ser intrometido! – sorrio acompanhada por ele. — Nós nos vemos semana que vem?

— Fechou. – ele sacode sua jaqueta antes de me lançar um tchauzinho. — Tchau, Natasha!

— Tchau, Theodore!

Assim que fico sozinha na sala, começo a arrumar minhas coisas na bolsa, uma vez que esta tenha sido minha última sessão da tarde.

Quando termino de pegar tudo que preciso para me retirar, o telefone de minha mesa toca.

— Precisa de alguma coisa, Mantis? Eu já estava saindo.

— Não. Quer dizer, sim. É que sua mãe está no telefone.

— Minha mãe?! – fico de pé rapidamente. — Por que ela não ligou para mim?

— Não sei. – Mantis responde, insegura. — Passo a ligação?

— Claro, claro! – eu me sento novamente. — Obrigada!

— De nada. – Mantis parece sorrir antes de desligar

— Oi, mãe!

— Querida! – a voz de mamãe me acalma. — Como está?

— Bem. E você? Por que não ligou para o meu celular?

— Pensei que pudesse estar ocupada. Achei mais conveniente ligar para o consultório.

— Aconteceu alguma coisa?

— Saudades. – mamãe ri. — E fiquei preocupada.

— Quê? Preocupada? Por quê?

— Sei que hoje completa um mês.

— Ah. Sim. – suspiro pesadamente. — É, é hoje.

— E como você está? Quer conversar?

— É, pode ser bom. – dou de ombros. — Eu estou bem.

— Natasha.

— É sério, mãe. Achei que estaria pior. Mas estou bem.

— Você já foi lá hoje?

— Tentei ir pela manhã, mas estava cheia de pacientes na agenda.

— E irá agora?

— Sim. Estava saindo daqui para encontrar com Rebby.

— Oh! Então podemos conversar mais...

— Não, não. – nego rapidamente. — Está tudo bem. Ela já me avisou que só sairia às quatro e meia.

— Oh. Vão só vocês duas?

— Miguel também. E tia May foi mais cedo.

— Sozinha?

— Ela preferiu.

— Ah. Steve vai?

— Eu cheguei a pedir e ele até concordou, mas também disse que achava melhor ser um momento meu com meus amigos.

— Talvez seja melhor. É um momento de vocês. Ele pode demonstrar apoio de outras formas, mas agora é particular.

— Mas ele tem me apoiado bastante, mãe!

— E eu não tenho dúvidas quanto a isso, querida. – garante. — Mas e Peter? Notícias dele?

— Não muitas. – admito junto de um suspiro. — Inclusive, acho que vai ser estranho hoje.

— Estranho? Por quê?

— Ah... bem... era para ele estar aqui, sabe. Não era... – faço uma pausa ao sentir o nó na garganta. — ...não era para ele ter nos deixado também.

— Querida...

— Já perdemos Gwen. Não podíamos perdê-lo também.

— Vocês não o perderam, Natasha.

— Ele se isolou, mãe! Mal nos dá notícias!

— Sabe que precisa dar esse tempo a ele, querida.

— Eu sei, eu sei, mas... não tinha passado pela minha cabeça que ele iria mesmo embora.

— Pensando por outro lado, seria injustiça não ir. – mamãe comenta. — Já haviam gastado bastante dinheiro com a mudança.

— Mas ele está sozinho lá, mãe!

— E talvez seja disso que ele precisa. Ao menos por enquanto. – murmura.

— Não é saudável.

— É ele quem sabe disso, Natasha.

— Peter não está pensando direito! – exclamo. — Ele mal conversa com a gente. E foi embora sem se despedir.

— Despedidas nunca foram o seu forte, querida.

— Despedidas não são o forte de ninguém! – rebato em minha defesa.

— Exato. – mamãe concorda. — Então não pode culpá-lo.

— Mas só soubemos pela tia May. – eu me contraio. — E ele a deixou sozinha, mãe.

— Ela já não ficaria sozinha de qualquer jeito, querida?

— Mas seria em outras circunstâncias.

— Isso não faz diferença agora, Natasha.

— Faz toda diferença do mundo, mãe! – exclamo, com os olhos ardendo.

— Gostaria de estar aí com você, querida.

— Também gostaria que estivesse. – sussurro. — Papai comentou sobre uma possível viagem?

— Talvez. – ela ri. — Também comentou de um pedido de casamento.

— Quê?

— Isso mesmo! A propósito, foi por isso que liguei.

— E o papo das saudades?

— Não deixa de ser verdade, amor. Eu estou com saudades! Mas também serviu de pretexto. – mamãe ri.

— Mãe!

— Culpe o seu pai.

— É, tem razão. Eu mato o papai! – exclamo antes de soltar uma risada tensa. — Desculpa. Eu ia te contar.

— Sério? – ela indaga, brincalhona. — Pelo que eu soube, não foi a primeira vez que ele pediu.

— É, não foi, mas antes eu não tinha aceitado. – rebato.

— E aceitou agora?

— Ele ainda não sabe.

— E o seu pai sabe?

— Precisei falar com ele.

— E não comigo?

— Você ainda não sabia, mãe!

— É. Muito legal!

— Desculpa. – rio de mamãe. — Para ser sincera, nem eu sei ainda.

— Como não?

— Estou em dúvida.

— E por quê?

— Porque... – solto um suspiro frustrado e encaro o dedo anelar esquerdo, tentando visualizar um laço matrimonial que logo poderá estar ali. — ...não sei se já temos tempo o suficiente para isso.

— E precisa de tempo suficiente para isso?

— Claro! Foi o que vocês me ensinaram! – eu me refiro à minha educação.

— Nós te ensinamos muitas coisas, Natasha, inclusive a seguir seu coração.

— Mãe. – repreendo, emocionada. — Você não pode me dizer coisas assim.

— E que coisas eu posso te dizer? – mamãe questiona, divertida.

— Bom, você pode e deve me apoiar.

— E não é apoio quando te incentivo a aceitar o pedido de casamento de quem ama?

— É! – exclamo. — Mas... você é minha mãe. Sabe melhor do que eu se é uma decisão sensata.

— Não vejo como ter insensatez quando se trata, obviamente, de duas pessoas que se amam. – mamãe argumenta.

— Mãe, o que eu faço?

— Seja feliz. – mamãe ri. — É só o que importa para mim. Obviamente para todos nós.

— Obrigada. – sorrio. — Só quero que esteja aqui.

— E eu posso saber em que momento passou pela sua cabeça que eu não estaria?

— Em nenhum. – digo. — É por isso que quero que esteja.

— E eu estarei, meu amor. – afirma. — Todos nós. Só precisamos de uma data.

— Vocês terão. – sorrio novamente. — Mas ainda preciso falar com Steve.

— Quero saber disso também. – brinca. — A propósito, como decidiram isso? Seu pai me contou do primeiro pedido, mas... por que Steve tomou essa iniciativa?

— Bom...

— Você... você não está...

— Não! – nego, e logo sinto meu coração pesar. — Ér... não, não estou grávida.

— Ah.

Mamãe parece aliviada. E eu me pergunto se ela continuará assim quando me perguntar a mesma coisa outras vezes e eu responder a mesma coisa em todas essas outras vezes.

Estou em meu terceiro dia de menstruação e não consigo parar de pensar quando chegar o décimo quinto após meu período. Não liguei para nenhuma rede de saúde para marcar o exame.

Deixei as palavras de Dra. Cho entrarem por um ouvido e sair pelo outro. Ainda me preocupa o fato de eu ignorar suas orientações, assim como me dói já saber do resultado que virá.

— Natasha?

— Oi! Oi, mãe! Desculpa! Ahn... do que estava falando?

— Do pedido de casamento!

— Ah! É! Bom, também me pegou de surpresa.

— Se você ficou surpresa, imagine como nós não ficamos!

— Pois é. – eu rio, tímida. — Eu o amo, mãe. – afirmo, sentindo o momento ficar sério. — Eu o amo muito!

— E sei que ele também te ama. – mamãe interfere.

— É. – afirmo novamente.

— Então... – mamãe cobra.

— Estou com medo. – revelo.

— De quê? De amar demais?

— De acreditar demais.

— Do que está falando, meu bem?

— Você nunca desconfiou quando as coisas estavam maravilhosas demais?

— Não pode ter medo de ser feliz, Natasha.

— Não é medo ser feliz, mãe! – rebato, incerta. — É justamente o contrário.

— E por que isso?

— Porque geralmente as coisas boas não demoram a acabar.

— E por que acabariam, Natasha? – pergunta, visivelmente confusa.

— Ah, mãe. – olho para cima ao sentir os olhos arderem novamente. — Tem tanta coisa... eu...

— Sabe que pode me dizer.

— Eu sei. – tento me acalmar. — Enfim, é bobagem! Podemos mudar de assunto?

— Claro, meu amor! E do que quer falar? Aqui está tudo do mesmo jeito de sempre. – mamãe ri e eu a acompanho. — Como vai seu estágio?

— Já é emprego, mãe!

— Ah! É! Eu me esqueci. – mamãe parece arrependida. — Perdão, querida.

— Tudo bem. – dou de ombros. — Sabe que as vezes eu me esqueço também?

— Como assim, amor?

— Não sei... tem vezes que não parece que a vida está continuando. – explico. — Entende?

— Mais do que imagina, meu bem. – responde. — Você acorda num dia e as coisas estão paradas. Acorda num outro e já andou com tudo.

— É! – exclamo. — É exatamente assim!

— Sim, querida, eu sei que é. – mamãe ri. — Só não se esqueça de que é rápido mesmo. E é por isso que precisa aproveitar. Carpe Diem, meu amor.

— Eu sei. – assinto. — Eu sei. E eu vou aproveitar. E estou!

— É tudo que eu preciso saber. – mamãe afirma. — Eu te amo.

— Também te amo, mãe. – sorrio docemente. — Muito!

▪️▪️▪️

Uma hora mais tarde, Rebby, Miguel e eu nos encontramos em frente à lápide de Gwen.

O sol, acima de nós, banha a grama do cemitério acompanhado de uma calorosa brisa. Parece que hoje vai chover.

Nós três ficamos de joelhos diante do nome de Gwen enquanto depositamos as rosas.

Ainda dói encarar esse pedaço de pedra e saber que minha amiga se encontra embaixo da terra. Ainda dói saber que ela não pode mais estar ao meu lado assim como Rebby e Miguel. Ainda dói sentir sua falta. Ainda dói querer voltar àquela noite e mudar o que aconteceu. Ainda dói tudo!

Rebby, entre mim e Miguel, enrosca as mãos nas nossas enquanto lemos a homenagem dedicada à Gwen na lápide.

“Filha, amiga e companheira amada e fiel.

Sentiremos saudades de cada pedacinho seu, desde suas birras às suas risadas contagiantes. Sentiremos sua falta!

Até logo!”

Limpo as lágrimas e encaro Rebby e Miguel antes de nos levantarmos. Ambos chorosos e sofridos como eu.

— Parece que nunca vai passar.

— Talvez nunca passe. – Miguel complementa meu comentário.

— E talvez não tenha que passar. – Rebby nos conforta. — A dor é feita para ser sentida. É a prova de sabermos que é real.

— Talvez. Enfim... falaram com Peter hoje? – pergunto.

— Não. E você?

— Eu liguei, mas ele não atendeu nenhuma vez. – respondo à Rebby.

— Bom, nós trocamos algumas mensagens pela manhã. – Miguel nos revela.

— Até quando isso vai durar? – Rebby cruza os braços e passa os dedos da mão direita pela boca. — Ele sabe que também estamos sofrendo.

— Conversei com minha mãe sobre isso. – digo. — Peter precisa desse tempo.

— Mas ele pode falar com os amigos.

— Ele está sofrendo, Rebby.

— Nós também!

— Sim, mas temos um ao outro.

— Ele escolheu ir embora, Natasha! – Miguel rebate.

— Sim. Ele escolheu. – confirmo. — E nós, como amigos, precisamos respeitar e apoiar a decisão dele.

— Nat...

— É a forma que ele escolheu para sofrer, Rebby. – afago seu ombro. — Temos que aceitar. Cada um tem a sua.

— Fico preocupada. – Rebby suspira. — Tenho medo de que ele faça alguma besteira.

— Ele não fará. – garanto.

— Como pode ter certeza?

— Ele não faria isso com Gwen. – afirmo. — Nem com tio Ben. Nem com a tia May.

— A propósito... – Rebby pigarreia e limpa as lágrimas. — ...vamos visitá-la agora?

— Sim, vamos. – confirmo. — Já até passei o endereço a Steve.

— Mas você está de carro.

— Estou de carona. – corrijo ao me referir a Quill e Gamora.

— Eles te deixarão lá?

— Sim. – começamos a andar para longe da lápide de Gwen, que está repleta de flores, sinal de que outras pessoas já vieram visitá-la hoje. — Mas Steve me buscará.

— Ah. – Rebby assente. — E como vocês estão?

— Bem. – sorrio amorosamente. — Progredimos bastante.

— Fico feliz, Nat. – Miguel circula meus ombros com o braço. — Estamos seguindo com nossas vidas. Isso é gostoso, não?

— É gostoso, saudável e o certo. – Rebby assegura antes de me dar a mão, fazendo com que eu fique no meio deles. — É o que Gwen espera.

▪️▪️▪️

— Oi, meus amores!

Tia May nos recebe de braços abertos assim que chegamos à sua casa no Queens.

— Tia May! – eu a abraço. — Como está?

— Melhor agora. – ela me aperta e se dirige à Rebby.

— Oi, tia May! O cheirinho está divino.

— Meu perfume novo! – tia May brinca, e nós rimos.

— Oi, tia! – agora quem a abraça é Miguel.

— Oi, querido! – ela afaga suas costas antes de nos puxar para dentro. — Podem se sentar.

— Vamos te ajudar a arrumar a mesa. – Rebby pendura a jaqueta e segue para a cozinha.

— Lavem as mãos! – tia May ordena. — Foram visitar a lápide de Gwen?

— Fomos. – respondo enquanto ensaboo entre os dedos. — Gostaríamos que tivesse ido conosco.

— Eu sei. Mas fui pela manhã. – ela mexe no arroz da panela com um garfo, soltando os grãos grudados entre si. — Com a Sra. Stacy e os meninos.

— Oh! Eu não sabia disso. – pisco. — Como estavam?

— Aparentemente melhor.

— Mas ainda arrasados, não? – Rebby indaga assim que me afasto da pia. — Claro! Que pergunta idiota!

— Doeu só de vê-los. – tia May suspira. — Ainda mais que também aproveitaram para visitar o túmulo do Capitão Stacy enquanto eu visitei o de Ben.

— Meu Deus! – começo a chorar só de imaginar.

— Nat. – Rebby me abraça. — Nat, por favor.

— Eu sinto muito!

Choro contra seu ombro antes de sentir tia May e Miguel se juntarem a nós.

Ficamos os quatro abraçados na cozinha enquanto choramos toda a angústia que ainda nos resta.

— Não precisava ter feito isso sozinha, tia May. – consolo ao afagar seu rosto. — Estamos todos juntos aqui.

— Obrigada, querida. – ela me devolve o gesto. — Mas é aí que se engana.

— Como assim? – Miguel indaga.

— Eu precisava fazer isso sozinha.

— Por quê? – Rebby tira as palavras de minha boca.

— Para provar a mim mesma que conseguiria. – responde. — Eu estaria sozinha de qualquer jeito se Peter estivesse em Londres com Gwen.

— Mas as circunstâncias...

— As circunstâncias não importam, meu bem. – tia May interrompe Miguel sutilmente. — O que importa é seguirmos em frente.

— Você é muito forte, tia May. – afirmo.

— Graças a vocês. – ela replica. — Eu me torno forte com cada pedacinho que me dão.

— Nós te amamos! – Miguel sorri.

— Eu sei. Meus bebês. – tia May reabre os braços para que tornemos a abraçá-la.

— Podemos comer agora? – Rebby quebra o clima triste. — Eu estou chorando, então estou desidratando. E meu corpo precisa se recompor.

— Certo! – tia May ri junto de nós e enxuga as lágrimas. — Vamos cuidar da saúde dessa moça!

▪️▪️▪️

Estamos prontos para sair quando decido telefonar para Steve.

Ligo três vezes e ele não atende. Na quarta tentativa, sua voz soa rouca do outro lado da linha.

— Alô?

— Steve? – chamo, receosa.

— Oi. – ele responde. — Oi... sou eu. Steve.

— Steve?

— Eu.

— Steve, você está bem? – pergunto ao rir. — Sabe quem é?

— Quem é quem? – questiona de volta. — Rogers falando.

— Amor, é a Natasha!

— Natasha. – repete, com a voz baixa e bocejando antes de gritar. — Natasha! Nat! Natasha, puta que pariu!

— Ei! – repreendo ao rir. — Oi! É, sou eu. O que houve?

— Desculpa, amor!

— Por quê? O que aconteceu?

— Eu estou na cama. – admite.

— Por quê? Está doente?

— Não. – diz. — Cheguei do trabalho, tomei um banho e deitei. Era para ser só um cochilo. – explica junto a um bocejo. — Merda! Vou sair...

— Não, não precisa. – corto. — Você deve estar exausto.

— Mas...

— Quill e Gamora estão aqui, Steve. – relembro. — Eles me levam de volta.

— Tem certeza? Eu tinha combinado de ir te buscar. Posso...

— Volte a dormir, amor. – sussurro. — Já, já chego aí para te fazer companhia.

— Hmmmmmmm... – Steve geme do outro lado da linha. — Mal posso esperar, meu anjo.

Eu sorrio e me despeço com um beijo antes de guardar o celular na bolsa.

Indo mais uma vez à tia May, digo adeus a ela e em seguida aos meus amigos antes de sairmos.

— Até quando vai viver de carona, Nat? – Rebby pergunta, já desconfiada da constante presença de Quill e Gamora.

— Eu explico uma outra hora.

— Explica? – Miguel indaga. — Tem alguma coisa para explicar?

— Tem. – admito, vendo Rebby abrir a boca. — Mas não agora! E não é nada grave.

— Como assim? – ela pressiona. — Precisamos ficar preocupados?

— Não. – garanto. — Está tudo bem. Depois eu explico.

— Certo. – Miguel assente, mesmo que ainda contrariado. — Bom, até mais!

Abraço meus amigos e os vejo partir antes de caminhar até o carro.

— O que aconteceu?

— Steve perdeu a hora. – respondo a Quill.

— Bela adormecida. – implica, e eu belisco seu ombro. — Ei!

— Não fale dele. – rosno quando Gamora dá a partida. — Vocês têm visto Sharon?

— Não. – Gamora responde. — Parece que ela está mesmo seguindo o tratamento.

— Bom! – pisco.

— Não pretende voltar lá?

— Sim. Mas ainda não tive oportunidade. – dou de ombros.

— Melhor não atiçar Steve com isso. – Quill retruca.

— Não estou atiçando ninguém! É o meu trabalho!

— Atiçar? – Gamora provoca quando eu reviro os olhos. — Você tem passado por muita coisa. Talvez não seja a hora de lidar com Sharon. Espere mais um pouco.

— É. – concordo, atônita. — Talvez.

O restante da viagem se passa em silêncio.

Quill e Gamora sobem comigo após estacionarem o carro na garagem. Ambos se acomodam na sala enquanto eu deixo as chaves no balcão da cozinha e vou até Steve.

Ele permanece dormindo e segurando o celular na mão. Sorrio e, cuidadosamente, retiro o Iphone de seus dedos. Steve se remexe, mas não acorda.

Com passos lentos, tiro o pijama de baixo do travesseiro e sigo para o banho antes de me juntar a ele na cama.

▪️▪️▪️

Assim que volto, Steve desperta e suspira, passando a mão pelo rosto.

— Oi, mocinho. – eu me apoio em seu peito e dou repentinos beijos em sua bochecha.

— Oi, linda! – Steve me abraça enquanto aproveita meu gesto de carinho. — Que gostoso!

Desço os lábios para sua mandíbula antes de pressionar a boca no outro lado de seu rosto.

— Hmmmmm! – ele me aperta e retribui, beijando meu pescoço. — Minha vida!

— Oi. – murmuro assim que ficamos cara a cara.

— Oi. – Steve acaricia minha bochecha. — Você está bem?

— Estou. – respondo, beijando o local de seu coração.

— Foi tudo bem hoje?

— Um pouco difícil. – descanso o queixo em seu peito.

— Por quê? – Steve penteia meus cabelos para trás.

— Ah. Sei lá. – dou de ombros. — Não achei que seria... bem... eu...

— Diga, amor.

— Foi diferente. Sem o Peter.

— Ele ligou?

— Não para mim. – minha voz está ácida e magoada. — Eu cheguei a ligar para ele, mas não tive retorno.

— Sinto muito. – Steve suspira. — A culpa não é sua, Nat. Ele precisa desse tempo.

— Aparentemente é só comigo. – rebato.

— Por quê?

— Miguel falou com ele. Por mensagem, mas falou.

— Nat, não vá por aí. Vocês já conversaram.

— Então por que ele ainda faz isso? Por que ele fala comigo numa boa hoje e amanhã já nem lembra que eu existo?

— Porque é absolutamente normal. – seus dedos acariciam meu rosto. — Não pode se cobrar ainda mais perdão nem pode cobrar a ele ainda mais compreensão. Simplesmente precisa esperar.

— Mas até quando? Isso não é justo!

— Não faça beicinho. – Steve segura meu queixo e me beija. — Peter ainda está num momento de luto. E, por mais injusto e incoerente que seja, sim, ele ainda precisa culpar alguém. Ele precisa extravasar.

— Mas em mim? Eu não sou um saco de pancadas.

— Nat. – Steve repreende de maneira gentil. — Por favor. Compreenda. Ele precisa disso também.

— Mas...

— Amor. – reforça sutilmente, passeando com o dedão por meu rosto.

— Tá, eu sei. – admito com um suspiro. — Minha mãe disse a mesma coisa.

— Então nos escute. – reforça. — Como a tia dele está?

— Bem.

— Que bom, linda. – Steve beija minha bochecha. — E no trabalho?

— Tudo bem também. – murmuro, sonolenta. — E você? Como foi seu dia?

— Cansativo. – boceja. — Por isso capotei na cama até agora.

— Tadinho. – faço biquinho e beijo Steve novamente. — Quer uma massagem?

— Eu farei uma em você. – Steve sorri e me deita cuidadosamente de bruços.

— Sério?!

— Sério! – garante, beijando minhas costas antes de ir ao banheiro e pegar o óleo de frutas. — Relaxe, meu amor.

⚫⚫⚫

Na manhã seguinte, acordo mais disposta e relaxada.

Termino de ajeitar a cintura da saia longa e saio do quarto a caminho da sala.

Steve acordou primeiro assim como ontem, alegando precisar resolver uns assuntos no escritório antes de seguir para o trabalho.

Quando passo pela sala avisto Gamora e Quill brigando pelo controle da TV. Eu os cumprimento com a cabeça enquanto rio, e eles me devolvem da mesma forma sem parar a guerra.

— Bom dia, Srta. Natasha! – Jessie sorri quando entro na cozinha.

— Oi, Jessie! Bom dia! – devolvo e caminho até Steve. — Oi, meu amor!

— Oi! – ele responde enquanto beijo sua bochecha. — Dormiu bem?

— Muito! – sento ao seu lado. — E você? Acordou cedo de novo, né?!

— Trabalho. – dá de ombros. — Mas deu para descansar.

— Dormiu direitinho?

— Dormi. – Steve sorri enquanto mastiga um pedaço de torrada. — A propósito, sabia que você fala dormindo?

— Quê? – paro de servir café em minha xícara e encaro Steve.

— E essa não foi a primeira vez.

— Ahn? – começo a rir. — Como assim? Quando foi a primeira vez?

— Em Los Angeles. – diz. — Na minha casa.

— E o que eu disse?

— Pediu que eu te abraçasse.

— Meu Deus, Steve! – exclamo, risonha. — E essa noite? O que eu falei?

— Queria mais um cachorro-quente. – responde às gargalhadas.

— O quê?! – arregalo os olhos. — Steve, isso é sério?

— Pior que é.

— Meu Deus! – escondo o rosto com as mãos e relembro vagamente do sonho que tive essa noite. — Oh!

— Que foi? – Steve para a xícara a caminho da boca.

— Eu acho... acho que sonhei com você. – explico.

— Hmmm! Conte mais! – ele sorri sedutoramente.

— Para com isso, idiota! – estapeio seu braço. — A gente estava num parque. Tinha uma carrocinha de cachorro quente. Jesus! – começo a rir loucamente.

— Que risada gostosa! – comenta ao beijar minhas mãos.

— Ainda não acredito! – rebato. — Eu falei mesmo enquanto dormia?

— Qualquer dia eu vou gravar. – garante. — Mas e então? Está preparada para mais um dia de psicóloga?

— Vai me perguntar isso todas as manhãs? – sorrio docemente.

— Sim. – Steve me incentiva. — E então? Está?

— Sim. – dou o primeiro gole no café. — Tenho três sessões confirmadas só agora de manhã.

— À tarde tem mais?

— Muito mais!

— Que bom, meu amor!

— Infelizmente não posso te contar tudo, por causa do sigilo. Mas algumas coisas pode.

— E eu adorarei ouvir tudo à noite.

— Certo. – concordo enquanto Steve se levanta. — Já vai?

— Escovar os dentes. – responde de pé. — Desculpa, amor, mas não vou poder esperar por você. Preciso sair agora.

— Tudo bem. Nós nos vemos no jantar?

— Vou tentar chegar a tempo. – Steve me lança um sorriso amarelo.

— Tentar chegar a tempo? – repito. — Mas o que está havendo? Você nunca esteve assim tão ocupado.

— Estou rompendo sociedade com a Blanche.

— Ainda? – indago, surpresa por ele ter sido direto. — Mas já faz um mês...

— É um processo longo. – explica. — São anos de parceria. São muitos documentos, cláusulas. Há prós e contras.

— Ela está tentando te convencer a continuar?

— Está tentando me extorquir. – bufa.

— Filha da puta!

— É. – Steve sorri. — Mas Peggy está sabendo lidar com a situação.

— Pode confiar nela?

— Independente de uma amizade... – Steve suspira. — …ela também é competente em sua área. E advogada representante da empresa.

— É. – pondero a situação. — Mas ela não está de licença?

— Trabalhando em casa.

— Ah. Sim. Bom, boa sorte!

— Obrigado, linda. Vou indo.

— Tudo bem.

— Quill e Gamora vão te levar.

— Eu sei.

— Você me liga quando chegar?

— Ligo. – sorrio e me debruço no banco. — Agora me dá um beijo.

— Um só? – ele brinca ao se aproximar.

— Uhum.

— Mas só um?

— É.

— Poxa... – seus lábios tocam os meus rapidamente. — Um aqui. – agora beija minha bochecha esquerda. — Aqui. – a direita. — Aqui. – a testa. — Aqui também. – queixo. — Aqui. – o pescoço. — Aqui...

— Steve! – tento me afastar de seus beijos estalados, mas Steve me abraça com força. — Para! Você vai nos atrasar!

— Só mais um pouquinho. – pede enquanto ainda beija meu pescoço. — Estou com saudade de você!

— Eu sei. – abraço seus ombros. — Também estou. E poderemos matar essa saudade à noite. Tudo bem?

— Tudo. – concorda ao descansar o queixo em meu ombro. — Esperarei ansioso.

Notas finais
O que acharam??? E esse pedido de casamento??? Hmmmmmmmmm u.u Detalhe: vocês perceberam que, até esse capítulo, toda a história da fanfic se passou em apenas DUAS SEMANAS até agora? Reparem... quanta coisa aconteceu em apenas 15 dias, não? É a vida... O.o Por favor, comentem ^^ Beijocas!!!