Haunted 🔞
53 Capítulo 53 — Fear
Notas iniciais
Obrigada pelos 458 comentários, 150 acompanhamentos, 72 favoritos, 9 recomendações e 28.794 visualizações :)
Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^
Tradução do capítulo: Medo

— Alannah?— Uma outra colega. Você não conhece.— Entendi. – ele assente. — Bom, Quill vai esperar por você aqui.— Não vi mais o Fury. – comento.— Ele fica de guarda em frente ao prédio de Peggy.— Sério?— Uma segurança a mais, meu amor. – Steve acaricia meu rosto. — Não precisa disso tudo. Nem quando Sharon estava desaparecida você colocou tantas pessoas assim comigo. – Steve desvia o olhar. — Oh! Você colocou...! E sem eu perceber.— Nat...— Tudo bem. Eu já entendi seu ponto.— Fale com Quill ou comigo se precisar de qualquer coisa. – murmura após beijar minha mão.— Tá bom.— Está pronta?— Não sei. – confesso junto de um suspiro.— Vai dar tudo certo! – Steve aperta minha mão. — Eu não apostaria assim tão alto. – ele ri antes de beijar meus dedos.— Eu amo você. — Também amo você. – roubo um beijo. — Almoçamos juntos?— Sim. Eu te busco aqui. – confirma com a boca na minha. — Tudo bem. – concordo. — Mando mensagem quando souber do meu horário de almoço.— Certo. – assente antes de me beijar de novo. — Eu te amo, eu te amo, eu te amo!— Também amo você! – começo a rir quando Steve me ataca. — Para!— Você demorou muito para sair desse carro. – sua boca desce para meu pescoço. — Steve! – empurro seus ombros. — Já pensou na imagem que eu vou passar se alguém do trabalho me ver assim?— Então por que me provocou? – murmura contra minha bochecha.— Eu não provoquei você! – exclamo quando consigo afastá-lo. — Você que sempre tira uma casquinha!— Vai, linda. – Steve aperta minha coxa. — Não tem ideia do quão cavalheiro estou sendo por deixar você sair.— Agradeço muito sua gentileza! – tiro sua mão de minha perna. — Até mais tarde!— Até mais tarde, delícia!▪️▪️▪️Ainda estou no modo atônito enquanto recebo a ajuda de Mantis, minha nova secretária, para arrumar a sala.O fato de eu estar revendo tantas pessoas ao mesmo tempo me assusta. Acho que ainda não estava pronta para voltar à realidade de uma forma tão abrupta. Natasha, a vida continua. Chega disso, Little Red! Já cansei de ouvir isso de todos, inclusive de mim mesma!— Srta. Romanoff?Tampo os ouvidos e respiro fundo, afastando essa voz de mim.— Srta. Romanoff?Mais pressão. Mais dor. Mais ecos.— Srta. Romanoff?Dou um pulo quando algo me toca no ombro. Ou melhor: alguém.Abro o olhos e limpo as lágrimas ao encarar Mantis. Ela está tensa e eu não a culpo.— Oi.— Desculpe. Eu te chamei...— Eu sei, eu sei. – respiro fundo. — Perdão. O que dizia?— Onde coloco isso, Srta. Romanoff?— Já conversamos, Mantis! – esvazio mais uma caixa e me viro para minha secretária. — Apenas Natasha.— Okay. – ela sorri. — Onde coloco?— Pode me dar. – apanho o porta retrato.— Não pensou numa foto? – Mantis questiona curiosa.— Ainda não. – respondo ao colocá-lo em cima da mesa. — Talvez coloque uma minha com meu namorado. Ou só uma dele.— Legal! Quer checar sua agenda?— É. Acho que já arrumamos bastante coisa.Mantis e eu nos sentamos no sofá e começamos a estudar meu horário programado para a semana.Ainda é estranho o fato de eu não estar mais na Minds Manhattan. Nunca pensei que teria uma secretária na vida! Isso me anima tanto quanto assusta. Você virou adulta, Natasha! — Alguma coisa para mudar? – Mantis pergunta após revisarmos a agenda.— Não. – respondo. — Vejo que alguns pacientes são novos.— Quer atendê-los primeiro?— Não, deixe tudo como está. – toco rapidamente em sua mão que segura um lápis. — Priorize sempre a escolha dos pacientes.— Certo. – Mantis assente e fica de pé. — Meu horário de almoço é uma da tarde, não?— Sim. – Mantis confirma após checar a agenda.— Certo. O seu também?— Bom... eu...— Será o seu também. – ordeno. — É só isso, Mantis. Obrigada!— A seu dispor, senhori... uh... Natasha! – corrige rapidamente enquanto sorri e fecha a porta ao se retirar.Rapidamente, pego meu Iphone e teclo para Steve.Oi, sexy!
Meu horário de almoço é uma da tarde. Nós nos encontramos aqui mesmo?Envio a mensagem e ponho o celular de volta à mesa enquanto arrumo o restante das coisas.Quando termino de arrumar a pequena estante que tenho na sala, meu Iphone vibra e brilha. É Steve.Oi, delícia!Sexy? Posso acabar me acostumando.Uma da tarde? Certo. Passo aí para te buscar. Como estão indo as coisas? Quero saber de tudo no almoço. Amo vc!Sua mensagem está gentil e amorosa, mas também consigo ler nas entrelinhas que está sucinta, apesar de brincalhona. Steve deve estar ocupado, então eu apenas o respondo da mesma forma carinhosa porém rápida antes de voltar a dar os últimos toques em minha sala.▪️▪️▪️Estou terminando de arrumar minha bolsa e pronta para sair quando Steve me liga.— Alô?— Oi, delícia!— Oi! – sorrio. — Você já chegou? Eu já estou descendo.— Ainda não saí, amor. – diz. — Oh! Eu...— Fiquei preso numa reunião. Acho que vou atrasar um pouco.— Hmmm... – eu me mexo de um pé para o outro. — Acha que vai demorar muito?— Eu não sei, linda. – ele suspira. — Por quê?— Bom, eu poderia fazer uma horinha.— Onde?— Uh...No meio da ligação, sinto o Iphone tremer contra minha bochecha. Peço licença a Steve e vejo que é uma mensagem da recepcionista do consultório de Cho.No meio da ligação, sinto o Iphone tremer contra minha bochecha. Peço licença a Steve e vejo que é uma mensagem da recepcionista do consultório de Cho.Boa tarde, Srta. Romanoff!A senhorita confirma a vinda no horário de hoje à tarde?Aguardo um retorno,Rachel Powell!Perco a ideia do tempo enquanto leio e releio a mesma mensagem diversas vezes. Será que... Pare de fugir dos problemas, Natasha! Você é tão corajosa para algumas coisas, mas amedrontada para outras. Não adianta evitar isso por muito tempo.— Natasha?— Oi!— Oi. O que foi?— Nada. – meu corpo gela. — Ahn... eu... vou dar uma volta de carro com Quill.— Volta de carro?— É. É o tempo que você termina seu trabalho.— Mas por quê?— Apenas para eu me distrair.— Distrair de quê? O que foi, meu anjo?O questionamento de Steve me faz engolir em seco. Junto da saliva, eu empurro o bolo da dor para baixo segurando a vontade de desmoronar. Ele não precisa saber. Ele não precisa saber.— Apenas de algumas coisas. – minha voz sai rouca e acuada. — Ér... quer dizer... você sabe, Steve!— É. – ele suspira pesadamente. — Tem razão. Desculpa.— Tudo bem.— Então eu te espero aqui no escritório! Podemos ir almoçar num restaurante aqui por perto mesmo. Okay?— Uhum. – confirmo num muxoxo.— Prometo ser rápido. Na verdade nem tem tanta coisa. Eu só...Enquanto Steve vai falando, eu me aproveito de sua distração e afasto o telefone da orelha. Deixo meus soluços saírem da forma mais silenciosa possível, sentando na cadeira e me permitindo expelir a dor que me sufoca.Respiro fundo três vezes antes de limpar as lágrimas e voltar à ligação. Força, Natasha! Força!— ...assim podemos almoçar e conversar sobre seu primeiro dia. Certo?— Sim! – em meio às lágrimas, consigo soltar um sorriso sincero. — Então eu já vou indo. Até mais, amor.— Até.Assim que Steve desliga, eu aperto o rosto contra as mãos e me desfaço em lágrimas e soluços.Isso está me matando! Sinto que irei sufocar de tanta dor e angústia! Converse com ele, Natasha. Não posso, Little Red! Não posso revelar esse segredo! Não posso observar sua expressão tranquila e segura ao saber que jamais me engravidará enquanto eu estarei me sentindo inútil e impotente. É uma inversão de papeis cruel demais! Não estou pronta para isso! Natasha, mas você nem sabe se... Exatamente por isso! Para que causar uma ferida desnecessária? Se é algo certo ou não não faz diferença! Steve não quer filhos. E há uma grande possibilidade de eu, ainda sem querer, atender à sua vontade. Problema resolvido!Respirando fundo, enxugo as lágrimas mais uma vez e tomo um copo d'água antes de descer. Sorrio para Mantis ao passar por sua mesa e tomo o elevador.Ao chegar à rua avisto o carro de Quill estacionado. Checo meu semblante pelo reflexo do celular antes de caminhar até ele, pois não quero que note nada suspeito para comentar com Steve.Já recuperada, bato no vidro com os nós dos dedos. Quill se assusta antes de abaixar a janela, e eu preciso morder um sorriso travesso.— É assim que cuida da minha segurança? – provoco e Quill arranca os fones dos ouvidos.— Não te vi chegar.— Exatamente! Não era suposto estar atento a tudo?— Não conte ao Steve. – resmunga e destrava as portas. — Para onde vamos? Para casa? – pergunta quando me sento ao seu lado.— Não. Vamos a este endereço. – estendo um papel rabiscado à caneta a ele.— É para já, Miss Daisy. – brinca enquanto escolhe uma música no rádio.▪️▪️▪️Eu me encontro do mesmo jeito que estava quando vim aqui da última vez: nervosa, ansiosa e desolada.Na consulta anterior, eu vim com o medo me cercando. Agora eu venho com a certeza. E a certeza é muito mais assustadora. Uma certeza que significa um abismo obscuro e sombrio para mim, mas um céu aberto e azulado para Steve. Pare com isso, Natasha!— Srta. Romanoff.A voz da secretária, que descobri se chamar Rachel, anuncia meu nome. Eu apoio melhor a bolsa no ombro e caminho até o balcão.Minha respiração está tensa e minhas mãos, geladas. E eu duvido que possa culpar o ar-condicionado por isso.— Olá! – ela sorri docemente para mim sem saber o que raios está se passando dentro de meu coração. — Já pode entrar.— Obrigada! – murmuro um agradecimento murcho e solitário antes de seguir pelo corredor.Cada passo é um peso em meus ombros. Sinto como se estivesse a caminho de uma condenação à forca. E o que mais me dói é não ter ninguém com quem dividir esse momento comigo. Você tem, Natasha. Não tenho, Little Red! Não posso ter. Essa pessoa entraria aqui com um sorriso radiante, não com os olhos pesados como eu. Como pode pensar isso de Steve, Natasha? Como pode pensar que ele ficaria feliz com a sua dor? Ele não ficaria feliz com a minha dor, Little Red. Sei que jamais ficaria! Mas também sei que não se debulharia em lágrimas por saber que jamais irei poder gerar. E não estou pronta para discutir isso com ele agora.— Olá, Natasha!Cho me recebe parada à porta com as mãos dentro dos bolsos de seu jaleco branco.— Oi! – entro em sua sala e já me sento na cadeira antes que ela me autorize.— Como está?Por dentro, estou trêmula e aos pedaços. Mas, por fora, respondo da forma sucinta que todos respondem a fim de esconder as ruínas que nos desmoronam em nosso interior.— Bem.Cho fecha a porta e senta à minha frente.— Que bom que pôde vir hoje! Peço perdão pela demora de seus outros exames. Houve um atraso no laboratório. Na verdade, eu tentei entrar em contato com você antes, inclusive para avisar, mas não obtive retorno.— Sim. – mordo o lábio. — Sim, eu lamento. Estou passando por uns problemas particulares. Não pude responder a nenhum recado recentemente.— Eu imagino. – Cho sorri profissionalmente.— Bom, o que queria conversar a respeito dos resultados?— Ah! Sim! – Cho mexe em alguns papeis espalhados pela mesa. — Quanto às suas disfunções hormonais, é aquilo que conversamos. Receitei novas pílulas para você trabalhadas em composições que ajudarão no equilíbrio hormonal. – ela abre a gaveta e retira uma caixa de remédios.— São pílulas novas?— Sim. De acordo com sua coleta de sangue, estas pílulas devem ser saudáveis a você. Mas, infelizmente, nada é cem por cento. Cada corpo reage de uma maneira. Isso quer dizer que, ainda que tenha sido estudado a melhor forma de contraceptivo para você em anticoncepcional, não deixam de ser injeções de hormônios. Então teremos que observar como seu organismo irá responder.
— Tudo bem. Pior não pode ficar. – murmuro, mas Cho franze a testa.— Como?— Nada. – balanço a cabeça e guardo a caixa de remédio junto à receita na bolsa. — É só isso?— Ahn... sim. Quanto sua coleta de material genético está tudo okay. Você tem uma boa saúde e sua flora vaginal também está saudável!— Certo.— Quanto a seu útero, eu reforço para que você marque seu exame pélvico em seu décimo quinto dia. Assim eu poderei...— Esse não precisa! – ergo a mão e Cho se cala.— Como assim?— Ahn... eu... eu agradeço a franqueza, mas vou pular esse exame.— Por quê? – Cho franze a testa. — É importante que eu tenha essa imagem, Natasha.— Sejamos francas. – encaro Cho de frente. — Se não fosse uma suspeita com altas chances de serem reais, você nem ao menos comentaria comigo. Até mesmo pela ética de não assustar o paciente. – ela se cala diante de minha observação. — Então... não vejo por que me submeter a um exame assim.— Saiba que não será invasivo. Se é com isso que está preocupada, a médica irá apenas passar um gel em seu ventre e captar a imagem de seu útero e ovários.— A invasão não será no exame, Cho. – meus olhos ardem com lágrimas não derramadas. — Não entende? Será depois. Com o resultado.Cho parece compreender quando pisca para mim e suspira.— Já é uma decisão. – confirmo com a cabeça. — E quero que isso morra aqui.— Ér... b-bom... eu... eu não recomendo isso! – Cho deixa claro sua contraindicação. — Mas... ahn... venha aqui daqui a um mês. Assim farei um novo exame de sangue em você para avaliar o efeito das novas pílulas.— Tudo bem. – eu me remexo na cadeira nervosa. — Apenas isso, não?Cho descansa os braços cruzados na barriga ao me encarar de maneira incerta.— Natasha, estarei sempre apta a qualquer dúvida que queira tirar. Podemos conversar ainda. Tudo bem? Há prós e contras...— Eu já sei os prós e contras! – explodo num grito doloroso. — Eu já sei dos riscos! Já sei a resposta final de tudo isso!— Natasha...— Por favor, Dra. Cho, eu não... eu... por favor. – pisco para espantar as lágrimas.— Conversou com alguém sobre isso? Você precisa...— Eu conversei. – admito com um sorriso tenso. — Tudo bem? Steve e eu já estamos a par de tudo. – não encontro seus olhos durante a amarga mentira que sufoca meu peito. — E não queremos resolver nada disso agora!— Eu posso ajudar de alguma outra...— Obrigada pela preocupação. – tento segurar minha fúria, mas está mais forte do que eu. — Eu sou psicóloga. Trabalho com esse tipo de coisa noite e dia. Eu sei como funciona. – fico de pé e enxugo o rosto. — Estou no horário de almoço e preciso voltar logo ao trabalho. Até mês que vem!— Tudo bem. – Cho comprime os lábios. — Se mudar de ideia...— É, eu sei. – abro a porta e sorrio sobre o ombro. — Entro em contato!Cho me acompanha até a porta de maneira distante e profissional. Sinto que ela ainda quer me segurar e conversar comigo a respeito de tudo, mas a verdade é que não quero ouvir.Está sendo inconsequente, Natasha. Não! Não, Little Red! Ninguém pode me acusar disso! Nem você! Posso até admitir que me chame de covarde, mas não de inconsequente! Natasha... Ninguém pode me entender! Ninguém pode me compreender ou condenar que eu não queira ouvir! Não quero saber de nada, principalmente de como Cho me explicará em detalhes o fato de que jamais poderei gerar. Não quero saber os termos médicos e profissionais resultantes de uma longa e dolorosa palestra da qual eu ouvirei que jamais irei parir. Jamais conseguirei levar adiante uma gestação. Simplesmente não quero. E ninguém tem o direito de me exigir isso!Quando volto ao carro, não me sento na frente ao lado de Quill. Eu descanso no banco atrás do seu, onde posso chorar sem que perceba. Entretanto, como o retrovisor está voltado para o lado, Quill consegue ver as lágrimas escaparem.Noto que abre a boca, muito que provavelmente para me perguntar alguma coisa ou consolar, mas eu viro o rosto rapidamente, num claro sinal de que não quero conversar.— Pode seguir para o escritório de Steve. – revelo com a voz rouca e embargada.— Okay. – Quill liga o carro. — Tudo bem?— Vamos logo, Quill. Não posso me atrasar.— Quer uma água?— Não.— Quer que abra a janela?— Quill. – encaro-o com os olhos pesados. — Apenas dirija a porra do carro!Ele tenta dizer algo a mais, mas desiste ao notar o desespero em meu rosto.Nas entrelinhas, eu lhe passo todo meu desespero em aclamar por silêncio e compreensão. E ele parece finalmente entender ao assentir e arrancar com o carro.E, ainda que não dito, também consigo perceber que lê minha principal mensagem: isso morre aqui.▪️▪️▪️Em menos de dez minutos chegamos ao edifício Rogers'. Quill sai por um lado e eu por outro antes de ele trancar o carro e me acompanhar até o escritório.A subida é em silêncio. Após poucos minutos no carro, eu consegui parar de chorar. Meus olhos ainda estão vermelhos, e eu preciso seguir para o banheiro assim que chegamos ao andar de Steve.Após lavar o rosto, abro a bolsa e retoco a maquiagem, alongando meus cílios com o rímel e cobrindo o inchaço ao redor das pálpebras com base. A única coisa que não consigo esconder é a vermelhidão destacando minhas íris verdes. Sei que Steve me perguntará. E precisarei inventar qualquer desculpa. Apenas torço que seja boa o suficiente para que ele acredite e não me pressione pela verdade dolorosa que insisto em esconder.Assim que me junto de volta a Quill, Veronica me recebe com um copinho de café.— Boa tarde, Srta. Romanoff!— Oi! – sorrio. — Steve está na sala?— Sim. Pediu que a senhorita entrasse quando chegasse.— Certo. – dou um gole na bebida doce. — Obrigada!Ela sorri novamente em resposta e me observa por trás de sua mesa enquanto eu me retiro.— Oi, amor! – cumprimento Steve assim que entro em sua sala.— Oi, delícia! – ele devolve segurando alguns papeis. — Cuidado com o degrau.— Ha ha! – ralho ao me aproximar de sua mesa. — Muito engraçado!— Pode esperar uns minutinhos? – Steve pergunta após rir.— Amor, não quero te apressar, mas preciso estar de volta ao trabalho às três. Tudo bem se estiver ocupado.— Já estou terminando. – ele me olha rapidamente antes de franzir o cenho. — Nat? Tudo bem?— Tudo. – eu me sento em sua frente tentando parecer tranquila.— Por que essa carinha inchada? Você chorou?— Tive uma sessão difícil hoje. – encolho os ombros e forço meu corpo a parar de tremer.— Mesmo?— Sim. – dou mais um gole no café. — Não posso te contar muita coisa, mas o caso mexeu comigo. Acho que acabei me deixando levar pelo lado pessoal.— Foi com criança?— Sim. – minto mais uma vez, sentindo os olhos arderem. — Podemos não falar disso? Ainda estou sensível com algumas coisas que vêm acontecendo ultimamente.— Tudo bem. – Steve pressiona os lábios contrariado. — Está com muita pressa de ir almoçar?— Fico preocupada com o horário. Falta muito para terminar?— Até que não. Dez minutos é o suficiente?— Acho que sim. – dou de ombros.— Certo. Pode esperar aqui mesmo. – avisa e pega o telefone. — Veronica, traga os últimos balancetes do mês, por favor. Sim. Isso. Obrigado! É. Quê? Ah. Ela chegou? – Steve me lança uma rápida olhada. — Sim. Não. Diga para esperar um pouco. É. Certo. — Está tudo bem? – pergunto quando noto a tensão demarcar o corpo de Steve.— Serei direto com você. – informa.— Okay...?— Estou rompendo sociedade com Blanche. E...— Ah! – assinto. — E é ela que está lá fora, não?— O encontro estava marcado para manhã. – justifica. — Só que ela não veio. E eu não contava que fosse chegar agora.— Steve, é o seu trabalho. – relembro. — Por que está se explicando para mim?— Nat. – repreende sutilmente. — Vou esperar lá fora.— Não! – ele se levanta e segura meu braço. — Fique. Por favor.— Por quê? É uma coisa pessoal entre vocês.— É apenas burocracia. – contesta. — Pode ficar.— Steve, eu não tenho nada a ver com isso. São questões da sua empresa. Não devemos misturar os assuntos.— Nat...— Olá! – a porta aberta atrás de nós atrai nossa atenção.— Blanche? – Steve indaga com a voz escorregando de confusa para zangada. — Quem te autorizou a entrar? Eu falei que esperasse...— Mil perdões, Sr. Rogers! – uma Veronica esbaforida e tímida entra na sala. — Eu segui as ordens que me deu, mas a Srta. Ozanan...— Não tem o dia todo para esperar enquanto você namora. – completa ao me alfinetar.— Sério? – cruzo os braços e me viro de frente para ela. — Pelo que entendi, essa reunião estava marcada para manhã. Se não tem o dia todo para esperar, então deveria ter vindo no horário combinado pelas duas partes interessadas. O que envolve, claro, a sua calorosa e contagiante pessoa. – finalizo ao lançar um sorriso cheio de dentes a ela.— Eu...— A propósito... – eu a interrompo e me dirijo a Steve. — ...não tem obrigação alguma de atendê-la agora, uma vez que sua sócia não respeitou o horário solicitado pelas partes.— Eu sei, amor. – Steve sorri. — Veronica, pode nos deixar a sós. Obrigado.— Sim, Sr. Rogers. – ela assente e se retira da sala.— Blanche, vamos ser breves. Venha ler os papeis antes de assinar. – Steve instrui.— Pensei ser uma reunião em particular. – ela ironiza enquanto balança os quadris até a mesa.— Não haverá reunião. – Steve a corta. — É o rompimento de uma sociedade. Não há o que mais discutir.— Não seja tão grosseiro, Steve! – debocha e eu começo a rir. — Posso saber onde está a graça?— Bem à minha frente. – respondo sarcasticamente ao encará-la de cima a baixo.— Olha...— Mas você está certa. – pego a bolsa e o copo de café. — Steve, estamos prestes a ir almoçar. Poupe meu estômago de uma pré-congestão, sim? – faço um sinal com a cabeça e indico a figura horrenda atrás de mim. — Eu te espero lá fora.— Prometo não demorar, amor. – responde e me beija. — Será bem rápido, na verdade.— Ótimo! – eu me viro e a encaro de frente antes de sair da sala. — Tenha a bondade de ser realmente breve.
Notas finais
Conseguiram entender um pouco mais desse conflito interno que tá dentro da Nat? Nossa bichinha tá sofrendo demais :(
Por favor, comentem ^^
Beijocas!
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