Notas iniciais
Obrigada pelos 432 comentários, 149 acompanhamentos, 72 favoritos, 9 recomendações e 27.508 visualizações ^^ Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem! Tradução do capítulo: Feridas

— Lembra de quando nós três escorregamos na tinta durante o trote?

— Meu Deus! – rio com mais entusiasmo. — O trote daquele dia foi o pior!

— Conseguiu ser pior do que o desafio da barata!

— Você e Gwen me arrastaram para aquele colchão de tinta! – eu me finjo de zangada. — Não se esqueça de que torci o tornozelo quando escorreguei.

— Sua mãe quis te tirar da faculdade! – Rebecca volta a rir.

— E a mãe da Gwen quis processar a faculdade!

— Mas que algazarra é essa?

Rebecca rapidamente tira os pés de cima da mesa e se recompõe. Eu limpo abaixo dos olhos e me viro para figura metida e esnobe que não via há tempos.

— Priscilla. – Rebby fica de pé e limpa a maquiagem borrada. — Ér... perdão. Nós estávamos...

— Rindo em vez de trabalhar, não? – Priscilla alfineta. — Seu horário de almoço acabou há dez minutos, Rebecca.

— É... eu sei. Perdão. É que a Natasha veio com...

— Não me interessa o que a Natasha veio fazer. – interrompe ao me encarar. — A propósito, quanto tempo, não?

— Sim. – assinto.

— Vejo que não se veste como antes. – Priscilla desce os olhos por mim.

— Ahn... hmmm... dicas de uma excelente funcionária. – olho para Rebby.

— E veio atrapalhar o trabalho da minha excelente funcionária?

— Não! Steve veio para uma reunião e eu disse que esperaria por ele aqui.

— Steve? – Priscilla indaga. — Então estão mesmo juntos?

— Sim. – reafirmo receosa.

— Hmmm... – ela dá de ombros. — Rebecca, desta vez vou deixar passar. – Priscilla se dirige a Rebby, que se desculpa novamente. — A propósito, meus pêsames.

Priscilla é legal mesmo? Isso não é ser legal, Natasha, é apenas ter educação. Essa mulher não faz a mínima questão de ser educada, Little Red!

— Ahn... obrigada. – agradeço ainda tensa após Rebby me cutucar.

— Rebecca, preciso dos catálogos das roupas do ensaio.

— Certo. – Rebby passa por mim e se desculpa com o olhar antes de chamar o elevador.

— Podemos conversar um minutinho? – Priscilla pergunta.

— Ahn? – franzo a testa tensa. — Conversar? Nós? Por quê?

— Eu fico altamente impressionada com a sua tentativa de sutileza. – ironiza e eu me recomponho. — Disse que está esperando por Steve, não?

— Ahn... sim... mas...

— Ótimo! Então venha passar o tempo comigo.

Quando entramos em sua sala, Priscilla é direta ao começar a falar.

— Como vai o conto de fadas? – pergunta ao se sentar em sua cadeira.

— Conto de fadas? – solto um riso forçado. — Desprovido de magia.

— Oh! – Priscilla pisca. — Foi uma pergunta idiota. Desculpa.

— Tudo bem.

— Não conte a ele. Sabe, Steve pode ser muito protetor em relação a você.

— É, eu sei. – mordo o lábio pensativa. — Vocês são muito amigos, não?

— Amigos? É... digamos que sim.

— Não precisa se fazer de durona. – dou de ombros e me sento. — Sei que é importante para ele, assim como ele é para você.

— Bom, entendemos a dor um do outro.

— Vocês se conheceram no grupo de apoio, não? – sorrateiramente, começo a estudar o terreno.

— É. – Priscilla dá de ombros enquanto lê alguns documentos. — Somos iguais: teimosos e feridos.

— Hmmm...

— Steve levou anos para voltar a sorrir. Fico feliz que você tenha dado um incentivo.

— Eu tinha uma ideia de você totalmente contrária ao que está me mostrando agora.

— E eu não te culpo. – ela retira seus óculos de leitura. — Sei que sou uma vaca. – dá de ombros. — Mas a verdade é que nem sempre sou assim.

— E por que esse comportamento legal agora?

— Então, Steve me disse que te pediu em casamento. – desconversa abruptamente.

— Ahn... ér... quê? – arregalo os olhos. — Ele... ele... te disse?

— Sim.

— Ér...

— Por que o espanto?

— Ahn... não, não é espanto. É que eu não esperava... que ele fosse... falar para alguém.

— Você não comentou com ninguém? – indaga. — Nem com Rebecca?

— Não! – respondo antes de suspirar. — Quer dizer, comentei com o meu pai, mas...

— Comentou com o seu pai e está surpresa por Steve ter comentado comigo?

— Não! – exclamo. — Quer dizer, sim. Ér... sim, estou surpresa porque Steve não aparenta ser do tipo que... que se... que se abre com as pessoas.

— Ele mudou depois de você.

— Ah. – suspiro. — Bom, se ele comentou com você sobre o pedido, então comentou também que não aceitei.

— É. – ela assente. — E eu não te julgo.

— Como assim?

— Você mudou a vida dele.

— Ahn... eu... e isso foi para melhor?

— Óbvio! – Priscilla revira os olhos.

— Bom, eu...

— Obrigada!

— Pelo quê?

— Por estar lá por ele. – ela balança a cabeça. — Um ajudou o outro.

— Sim.

— Então? – ergue os ombros e torna a colocar seus óculos.

— Então o quê?

— O que estão esperando? – indaga enquanto volta a ler. — Já te digo que posso conseguir seu vestido de noiva para ontem.

Priscilla tem razão. Ainda é cedo, ainda nos conhecemos faz pouquíssimos meses, mas já trilhamos um enorme e importantíssimo caminho.

Trilhamos separados, cada um com um pensamento diferente. E agora estamos aprendendo a andar juntos, lado a lado.

— Antes que fique brava com ele, não te chamei aqui para fazer sua cabeça.

— Eu nem pensei nisso. – confesso ao rir.

— Não precisa se sentir pressionada a tomar nenhuma decisão. – Priscilla trata de me tranquilizar. — Casamento é muito mais do que jogar o buquê para alguma desesperada pegar. – ironiza e eu torno a rir.

— Eu sei.

— Ótimo! – ela assente e sorri.

— Priscilla... – Rebby perde o fôlego ao nos ver conversando.

— Desaprendeu a bater na porta, Rebecca? – Priscilla provoca.

— Ér... pe-perdão! – minha amiga exclama. — Pensei que estivesse sozinha. Trouxe o que pediu. – explica ao balançar o catálogo nas mãos.

— Pode deixar aqui. – Priscilla aponta para um espaço vazio na mesa.

— Certo. – Rebby nos estuda enquanto se aproxima. — Mais alguma coisa que eu possa fazer?

Priscilla suspira sem olhá-la nos olhos.

— Seu trabalho.

— Certo. – Rebby forma um sorriso tenso. — Com licença. – ela me lança um olhar irônico antes de se retirar.

— Por que você é assim? – cruzo os braços.

— Assim como, uma chefe?

— Grosseira!

— Ah! Perdão. – ela leva a mão à testa teatralmente. — Esqueci de sentar Rebecca no meu colo e trançar o cabelo dela.

— Você não existe! – exclamo, mas não consigo não rir.

— Posso te provar que sim. – rebate sorrindo com os olhos.

— Natasha?

Priscilla e eu encaramos a porta, que agora é aberta por um Steve tenso e ansioso.

— Ninguém mais bate antes de entrar?! – Priscilla resmunga.

— O que está fazendo aqui? – Steve ignora Priscilla.

— Eu trabalho aqui, lindão. – ela toma a vez quando Steve a encara.

— Porra, você...

— Priscilla me chamou para conversarmos, sabe, enquanto eu te esperava. – explico antes que Steve perca a cabeça.

— Disse que ficaria com Rebecca. – ele rebate confuso.

— Minha assistente tem trabalho a fazer, Steve. – Priscilla rebate. — Não é à toa que recebe um salário generoso a cada mês.

— Natasha não gosta de você. – Steve afirma e Priscilla me olha chocada com a mão no peito.

— Que decepção! E eu achando que estávamos nos dando tão bem!

— Priscilla...

— Steve, já conversamos sobre isso. – interfiro.

— Conversaram? – ele indaga. — Como assim?

— Priscilla se redimiu comigo.

— Não foi assim! – ela resmunga. — Eu apenas disse que não sou sempre essa garota fútil e mesquinha que ela conheceu.

— Por incrível que pareça é verdade, Nat. – Steve debocha e Priscilla revira os olhos. — Então está tudo bem?

— Sim. – digo junto de Priscilla. — A reunião acabou? Podemos ir?

— Sim. – ele assente. — Não fez nada a ela, né?

— Só servi um café com laxante.

— Priscilla! – exclamo após rir. — Vamos, Steve.

— Viu? Já deve estar fazendo efeito. – ela fica de pé. — Tem banheiro aqui, Natasha.

— Vamos logo! – puxo Steve pela mão antes que ele esgane Priscilla.

— Vai aguentar chegar até sua casa? – Priscilla torna a provocar enquanto eu continuo puxando Steve para fora.

— Calada, porra! – ele ralha, mas seus lábios escorregam para um sorriso.

Assim que abro a porta da sala de Priscilla, Rebby me interroga com um olhar tenso e atento.

Eu solto a mão de Steve a tempo de ir até minha amiga e tranquilizá-la.

— Ela não me espetou com as canetas.

— Nem te serviu café envenenado?

— Um, sabe que eu não gosto de café puro. – respondo. — E dois, ela apenas disse a Steve que me serviu café com laxante.

— O quê?

— Brincadeirinha.

— Eles parecem irmãos. – Rebby comenta e eu me viro a tempo de ver Steve rindo e desviando dos socos de Priscilla

— Fico feliz que Steve tenha amizades além da minha. – digo contente por ver a interação deles.

— Chega! Você tem o reflexo de uma tartaruga! – Steve bagunça os cabelos de Priscilla.

— Sai daqui, seu indigente! – ela acerta um chute em sua coxa. — Ops! Quase que pega nos países baixos.

— Priscilla! – Steve exclama e logo cerra os olhos em minha direção quando começo a rir. — Qual é a graça? Quem ficaria sem diversão seria você.

— Quem disse? – rebato e ouço Rebby soltar um “Woooow!” atrás de mim enquanto Priscilla me lança um sorriso orgulhoso ao arrumar os cabelos.

— Como é? – Steve estica a coluna e caminha lentamente até mim. — Repete.

— Ela não precisa repetir nada, Rogers. Você não é surdo. – Priscilla aperta o botão do elevador. — Então, casal vinte! Foi ótimo ver vocês, mas saiam. As pessoas daqui precisam trabalhar.

— O quê? – Steve se vira para ela.

— Saiam. – ela aponta para o elevador que para no andar. — Estão atrapalhando a concentração de minha assistente, que tem muito trabalho a fazer.

— Ela tem razão, Steve. – torno a pegar sua mão e puxá-lo. — Tchau, Rebby. A gente se fala depois.

— Tchau, Nat. Não se esqueça do que conversamos. – ela responde.

— Nem você. – digo de volta antes de lhe lançar um sorriso. — Tchau, Priscilla. Foi bom conhecer esse lado seu hoje.

— Também gostei. – murmura enquanto olha para Steve e eu. — Até mais! Talvez eu visite vocês um dia desses.

— Avise antes, para termos tempo de nos mudar. – Steve brinca fazendo Priscilla ralhar enquanto as portas do elevador se fecham. — Está melhor? – pergunta ao se virar para mim.

— Um pouco. – admito. — Consegui me distrair, mas ainda dói.

— Eu sei, linda. Mas saiba que você teve uma amiga fantástica, que faria de tudo para ver esse sorriso no seu rosto. Não se esqueça disso. – murmura ao me abraçar de lado.

— Não vou. – eu o abraço com mais força.

⚫⚫⚫

O restante do dia se passou e eu continuei com meu conflito interno. Ainda sinto a mesma dor angustiante me sufocar no peito, com o calor doloroso ora se apagando, ora se expandindo.

Agora, o relógio marca que são quatro da manhã. Steve está dormindo. Já eu desisti de tentar embarcar no sono após acordar do terceiro pesadelo. Em todos estes, eu avistava Gwen estendendo a mão para mim antes de sumir. Ela simplesmente sumia com desespero e lágrimas nos olhos. Tudo como um estrondoso passe de mágica.

Para passar o tempo, eu me levanto da cama, sigo para sala e começo a tocar piano. Meus dedos tremem nas teclas. Cometo erros consecutivos enquanto toco. Não me culpo, dizendo a mim mesma que mereço um pouco de compaixão, ainda que venha de minha própria parte.

A verdade é que até gosto de estar errando, pois só me dá mais motivos para continuar a tocar, o que evita a tentativa de dormir.

Mais uma vez, forço os dedos a pressionarem as teclas. Erro de novo. Tento. Erro. Tento. Erro. Tento. Erro.

Começo a ficar frustrada, mas não posso nem dar um soco no piano, uma vez que não seja meu.

— Pensei que soubesse tocar.

Nem ergo a cabeça ao ouvir a voz rouca e sonolenta.

— E eu pensei que estivesse dormindo, seu curioso. – devolvo ao passo que Steve sorri e se aproxima.

— Qual o problema, amor? – ele divide o banquinho de camurça comigo.

— Sério que está me perguntando isso? – erro novamente.

— Estou me referindo à música. – Steve me puxa para ficar de pé.

— O que está fazendo? – questiono confusa quando ele se senta no centro do banco e me coloca em seu colo. — Steve. – repreendo com um sorriso.

— Vamos lá. – ele beija meu ombro e pressiona as mãos contra as minhas por cima das teclas. — Você está errando sempre na mesma parte.

— Steve... não. – resmungo, mas deixo que seus dedos guiem os meus.

— Eu te ajudo. – sopra em meu ouvido.

Mais uma vez, inicio a obra de Chopin sob o auxílio de Steve. Ao chegar ao trecho em que estava travando, seus dedos, sobre os meus, pressionam as teclas e arrastam minhas mãos para as demais.

Era isso! Eu havia me esquecido da coordenação. Solto um riso baixinho quando consigo prosseguir de onde estava presa. Steve me acompanha até terminarmos.

— Pronto. – sussurra quando me viro em seu colo. — Conseguiu, linda!

— Você conseguiu. Obrigada!

— Sabe que não fiz isso pela música.

— E sabe que esse obrigada não foi pela música. – rebato sutilmente.

— E foi pelo quê? – Steve ri.

— Por tudo. – respondo. — Pela ajuda, pelo seu amor, por tentar faltar ao trabalho ontem, por... – faço uma pausa e suspiro. — ...por estar aqui, acordado comigo a essa hora da noite. Ou da manhã. Sei lá.

— Apesar do horário, espero que possa estar sempre aqui, Nat. – solto mais uma risadinha com sua brincadeira. — Tenho medo disso.

— Do quê? – zombo. — De se tornar rotina acordarmos para conversar toda madrugada?

— Também. – ele devolve. — Mas... não. Tenho medo de te perder.

— Quê? – franzo a testa. — Como assim me perder?

— Eu perdi um pouquinho de você.

— Mas eu estou aqui. – comento confusa.

— Não. Fiquei te vendo ser uma casquinha de quem é de verdade. Apenas ontem tive um deslumbre da minha Nat.

— Ah.

— E foi preciso um empurrãozinho da Priscilla.

— Da Rebby também. – murmuro sorrindo. — Sabe, eu precisarei ir embora mais vezes.

— Embora?

— É. Não que eu queira. Nem que eu perceba que estarei indo. – digo. — E diante disso poderei falar ou fazer coisas que poderão te magoar. Mas por favor, por favor, por favor, Steve, prometa que me perdoará. Prometa que irá relevar o mais terrível erro.

— Nat...

— Por favor, deixa eu saber que poderei explodir sem correr o risco de você não me perdoar.

— Você não precisa me pedir isso, linda. – Steve acaricia minha bochecha. — Estarei aqui com você a cada passo.

— Promete?

— Prometo!

— Eu te amo. – confesso. — Muito! E me desculpe por antes, por todas as feridas que abri.

— Desculpe também. – pede. — O que eu disse e fiz não foi melhor nem pior. Cometemos os mesmos erros.

— Erros que machucaram um ao outro.

— Sim. Mas não é disso que se trata amar? – indaga confuso.

— É como elástico. – constato. — O primeiro a desistir fere o outro.

— Ninguém aqui desistiu. – afirma. — Nem vai.

— Meu menininho... – aperto sua bochecha e Steve solta um sorriso sem graça ao folhear as outras canções.

— Quer tocar outra coisa?

— Tipo o quê? – eu me viro em seu colo.

— Ah... não sei... – ele pigarreia enquanto lê os títulos. — O que acha de... ahn... ah! Esse é perfeito!

— Debussy? – minha voz escorrega de maneira incerta.

— Qual o problema? – Steve questiona visivelmente tímido. — Não gosta?

— Não, claro que gosto! – afirmo rindo. — Mas... você... – eu me debruço e folheio outras páginas. — Nossa, Steve!

— Que foi?

— Só... você... – continuo folheando até o fim. — Só tem composições tristes aqui. – murmuro ao me virar. — Tudo é tão triste! – estudo seus olhos encabulados. — Por quê?

— Sério? – Steve tenta sorrir, mas tudo o que consegue fazer é esticar metade dos lábios antes de abaixar a cabeça.

— Não precisa ser assim. – rebato sutilmente. — Sua vida não é mais daquele jeito. – tento chamar sua atenção. — Como aprendeu a tocar piano? Foi para agradar ao Joseph?

— Eu... – ele faz uma pausa e bufa. — Porra!

— Só quero conversar. – comento. — Acho que nunca tentamos isso de verdade.

— Meu avô me ensinou.

— Foi uma forma de se aproximarem?

— Sim. – Steve sorri com o olhar perdido. — Eu errei muito no começo, sabe, como você estava fazendo agora. – estapeio seu ombro. — Ai, sua coisinha nervosa!

— Sente falta dele, não?

— Sim. – admite. — Foi uma das poucas pessoas que puderam me enxergar.

— E tiveram outras?

— Jessie. – expressa antes de encarar profundamente meus olhos. — E você.

— Apesar de nunca perceber, você sempre foi um livro aberto. – circulo seus quadris com minhas pernas.

— Parecia mais fácil com você. – Steve abraça minha cintura. — Eu tentei, Nat, mas minha capa invisível não funcionou contigo.

— Só um pouquinho.

— Não... – ele rejeita minha tentativa de distração. — Nunca funcionou. Você sempre arranjava um jeito de conseguir uma brecha.

— Ah! – solto um riso sem graça. — Ops?

— Natasha Romanoff... – seus olhos sorriem para mim. — O que eu vou fazer com você?

— Tenho algumas ideias... – mordo o lábio e me esfrego em seu calor. Steve me acompanha ao gemer.

— Amor... o que está... fazendo?

— Eu preciso de você! – sinto urgência em meu tom como nunca havia sentido antes. — Estou com saudade!

— Eu também. Mas...

— Por favor!

— Nat...

— Preciso que me distraia! Por favor!

Um fogo me sobe pelas pernas e se aloja em meu coração. Trata-se de um fogo que me derrete de amor, não que me faz arder de dor.

Uma pequena brecha de abstração surge no meio de tanta amargura. E eu me agarro desesperadamente a ela.

— Preciso que me distraia, Steve, da melhor maneira que sabe!

My love, leave yourself behind

Meu amor, deixe-se para trás

Beat inside me

Pulse dentro de mim

Leave you blind

Torne-se cego

Não dizemos mais nada. Eu não torno a repetir nem Steve tenta me persuadir. Apenas unimos nossos lábios num beijo apaixonado.

My love you have found peace

Meu amor, você encontrou a paz

You were searching

Você estava procurando

For relief

Por alívio

Calmamente, suas mãos descem por minhas coxas nuas e me acariciam. Steve me toca como se eu fosse seda, e seus dedos se estendem por minha pele como pétalas de rosas ao vento. É tudo tão delicado e gentil que eu nem percebo os botões da camisa serem soltos.

Agora, com a única e pequena peça de roupa que me impede de permanecer como vim ao mundo, Steve, ainda me beijando, espalma meus seios. Seu toque é quente e amoroso. Eu me perco com toda suavidade que nos abraça.

Não paro de beijá-lo. Não consigo. Circulo novamente sua língua com a minha. A única hora em que nos separamos é quando Steve fica nu da cintura para cima.

Não paramos de nos encarar nem quando ele atira a camisa pelo chão da sala. Não paramos de nos encarar nem quando Steve ameaça se levantar.

— Não. – seguro seu ombro.

— Não o quê?

— Aqui.

— Aqui?

— Quero fazer amor aqui. – eu me remexo em seu colo. — Por favor. – torno a implorar inquieta. — Por favor, por favor, Steve, faça amor comigo aqui, sobre este piano.

— Faria amor com você em qualquer lugar. – ele me senta sobre a cauda e volta a me beijar.

You gave it all

Você me deu tudo

Into the call

Cedeu ao apelo

You took a chance and

Você se arriscou e

You took a fall for us

Você caiu por nós

You came thoughtfully

Você chegou atenciosamente

Loved me faithfully

Me amou fielmente

You taught me honor

Você me ensinou a honra

You did it for me

Você fez isto por mim

Tonight you will slip away

Esta noite você vai fugir

You will wait

Você irá esperar

For me my love

Por mim meu amor

Estamos ambos nus quando Steve beija meu pescoço e circula minha entrada ainda coberta pela roupa íntima com seu membro.

Eu me sinto molhada, latejante e agoniada por um contato que me prenda nesta sensação.

— Você está pronta? – Steve distribui beijos ternos e estalados por meus seios.

— Sim... – seus dedos balançam contra meu clitóris por dentro da calcinha. — Por favor!

Eu me deito por cima do piano e abro as pernas num claro e desesperado convite. Steve percorre minhas coxas com os lábios antes de puxar o tecido de algodão para o lado.

Ele suspira contra minha intimidade e deposita um único e desleixado beijo ali, bem no centro úmido de meu prazer, seguido de lambidas tenras.

— Steve... – eu me remexo sobre as teclas, criando melodia. — Por favor... agora...

Now I am strong (Now I am strong)

Agora eu sou forte (agora eu sou forte)

You gave me all

Você me deu tudo

You gave all you had

Você deu tudo o que você tinha

And now I am whole

E agora eu estou inteira

My love, leave yourself behind

Meu amor, deixe-se para trás

Beat inside me

Pulse dentro de mim

Leave you blind

Deixou você cego

My love, look what you can do

Meu amor, veja o que você pode fazer

I am mending

Eu estou melhorando

I'll be with you

Eu estarei com você

Ele puxa minha calcinha pelas pernas enquanto beija ternamente minhas coxas. Já nua, eu ofego enquanto Steve me encara com fome nos olhos.

— Linda...!

Ele desliza para dentro de mim gentilmente. Quase gozo quando empurra até o fim espetando o colo do útero com sua ponta macia e molhada.

Pisco para espantar as lágrimas lembrando de minha consulta com a ginecologista. Será que... Não é hora nem momento para isso, Natasha! Não agora, não agora! Está certo. O intuito é me abstrair.

— Amor? – Steve se balança para frente e para trás ao me colocar sentada.

— Estou aqui. – seguro seu rosto e beijo sua boca. — Eu estou aqui. Continue.

— Tudo bem? – pergunta, ofegante, mexendo-se intensamente.

— Sim... ah! – Steve atinge meu ponto G. — Por favor... ah, S-Steve...!

— Isso, amor! – ele impulsiona mais vezes. — Fique aqui. Concentre-se... ah... porra... aqui... e no... a-ago... caralho! – sua testa descansa em meu pescoço.

— A-aperte... minha cintura...

Quero desesperadamente que Steve me deixe marcas. Marcas estas que poderei ver e me lembrar de que o momento foi real.

— Por f... ah! Isso!

You took my hand

Você pegou minha mão

Added a plan

Adicionou um plano

You gave me your heart

Você me deu seu coração

I asked you to dance with me

Eu pedi para você dançar comigo

You loved honestly

Você amou honestamente

Did what you could release

Fez o que você podia para se libertar

Aahh, oohh

Aahh, oohh

— Eu... amo... você... caralho! – Steve pronuncia uma palavra a cada estocada.

— Steve! – arranho seus ombros. — Oh... meu... Steve!

— Está perto, amor? – ele sussurra em meu ouvido. — Vai gozar para mim?

— Sim...

Minhas pernas começam a tremer à medida que o nó em meu ventre se aperta. Minha cabeça gira e queima.

— Steve... por favor...

— O quê? – ele beija meu pescoço e acaricia meus seios. — Qualquer... coisa... – ofega contra minha pele suada. — Você pode... ah! Pedir... qualquer... porra, amor! Qualquer... coisa...

— Preciso que me abrace. – murmuro lânguida. — Por favor!

I know in peace you go

Eu sei que em paz nós iremos

I won't relieve this loss

Eu não vou aliviar esta pena

Now I am strong (Now I am strong)

Agora eu sou forte (agora eu sou forte)

You gave me all

Você me deu tudo

You gave all you had

Você deu tudo o que você tinha

And now I am whole

E agora eu estou inteira

— Nat! – Steve respira pesadamente ao segurar meu queixo. — Olhe... para... mim.

— Steve... – balanço contra ele também buscando por essa libertação calorosa.

— Ju-juntos... – ele gagueja. — Goze comigo...

— Oh!

— Olhos em mim. – reforça quando ameaço a fechá-los. Não por timidez, mas pela intensidade da sensação. — Aqui. – Steve sacode meu queixo. — Aqui, a-amor...

— Eu... eu vou...

— Sim. Vai. – afirma. — Comigo.

— Steve!

— Porra! – ele explode quase fraquejando, mas logo se força a me encarar de volta. — Caralho!

— Steve...

— Venha...

Steve nota que gozou segundos antes de mim, portanto começa a me esfregar repentinamente.

— Porra! Goze, amor... – seus dedos da mão esquerda ainda apertam meu queixo enquanto os da direita balançam meu pote de nervos. — Caralho, Na-Natasha...! Você está... me apertando... tanto...

— Oh! – enrosco os calcanhares contra sua bunda macia e firme sentindo suas últimas estocadas me fazer ver estrelas no teto.

— Porra! – Steve morde meu pescoço antes de ir parando aos poucos, esfregando-se até ficar inerte dentro de mim. — Caralho, Natasha!

— Eu amo você. – murmuro contra sua pele salgada.

— Eu amo você. – repete com a respiração trêmula.

(My love, beat inside me)

(Meu amor, pulse dentro de mim)

My love

Meu amor

Leave yourself behind

Deixe-se para trás

Beat inside me

Pulse dentro de mim

I'll be with you

Eu estarei com você

Notas finais
Por favor, acompanhem, favoritem, recomendem e comentem ^^ Beijocas!