Haunted 🔞

49 Capítulo 49 — Three Thousand


Notas iniciais
Obrigada pelos 438 comentários, 149 acompanhamentos, 72 favoritos, 9 recomendações 27.617 visualizações! Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^ Tradução do capítulo: Três Mil

Pela manhã, ainda estou deitada na cama, nua e quentinha, quando Steve sai do banheiro. O colchão afunda quando ele se senta pertinho de mim.

— Linda? – dedos mexem em meus cabelos. — Vamos tomar café?

— Está tão gostoso aqui... – ronrono com sua carícia. — Não podemos comer no quarto?

— Podemos. – ele sorri.

— Oba! – eu me apoio nos cotovelos e noto que Steve está de pijama. — Ainda não se vestiu para o trabalho?

— Folga.

— Outra? Seguida?

— A de ontem não valeu.

— Mas tem certeza que pode folgar?

— Se eu posso, amor? – Steve se debruça e beija meu pescoço. — Eu sou o dono.

— Mas você tem trabalhado muito.

— Exato! – assente. — Vou dedicar um tempo a você.

— Não está resolvendo algo importante? Eu pensei...

— Sem discutir, Nat. – ele me rouba um beijo. — Quero ficar com você o dia todo. E isso é importante. Okay?

— Mas...

— Okay? – ele aperta minha barriga e me faz rir.

— Para! – eu me esquivo de seu ataque e pulo em seu colo. Tento não me deixar levar pela luxúria calorosa que seus olhos lançam ao meu busto nu. — Não vai mesmo te atrapalhar?

— Está com saudade das palmadas, meu anjo? – Steve mordisca meu pescoço.

— Aaaai! – grito quando sinto seus dentes perfurarem. — Para com isso!

— Eu amo você. – sussurra com o rosto pertinho do meu. — E vou ficar com você. Okay?

— Okay. – eu me dou por vencida ao sair de seu colo. — Então vamos comer! – começo a puxar as cobertas, mas Steve me segura. — O que foi?

— Vou trazer café na cama para você.

— Sério?

— Sério. – ele se debruça e me beija antes de sair do quarto.

Quando Steve retorna dez minutos depois, já estou vestida com uma de suas camisas e minha calcinha. Ele vem até mim com uma bandeja rica em guloseimas, como pão, manteiga, queijo, geleia e dois pedaços de bolo.

— Prontinho! – Steve deposita a bandeja na cama. — Ao ataque!

— Hmmmm! – adoço meu café e parto um pedaço do bolo de laranja que Jessie deixou pronto. — Que delícia!

— Não mais que você. – ri quando me vê corar. — Como está se sentindo?

— Não pior do que ontem. – dou de ombros. — Mas também não melhor. Sei lá. Ainda dói.

— Claro que dói, meu amor. – ele beija minha têmpora. — Não vai desaparecer do nada. Talvez nunca desapareça.

— Você está tentando me alegrar? – ironizo antes de dar um gole no café.

— Eu quero te ver bem, mas te iludir não é a mesma coisa. – explica suavemente.

— Eu sei. Desculpa. – beijo sua mão e noto que Steve está me encarando enquanto morde o lábio. — Que foi...?

— Quer tentar se distrair?

— Distrair? – repito de boca cheia. — Como ontem à noite?

— Também é uma boa sugestão. – Steve retribui ao meu sorriso. — Mas pensei em outra coisa.

— No quê?

— Algo diferente.

— Hm, tipo...?

— Tony me telefonou.

— Tony?

— É. Tony Stark.

— Oh! – assinto. — E?

— Ele nos convidou para um almoço.

— Almoço?

— Sim. Na casa dele.

— Na casa dele? – franzo a testa.

— Vai repetir tudo o que eu disser?

— Repetir? – brinco apenas para irritar Steve, que ri de mim. — Okay. Eu paro.

— E então?

— E então?

— Você virou papagaio, meu amor? – Steve beija meu rosto.

— Não. Pior que agora não foi de propósito! – explico aos risos.

— Então você aceita?

— Bom... eu...

— É. Sei que ainda é cedo para isso. – Steve assente. — Tudo bem se não quiser.

— Mas e você?

— Já disse que passarei o dia contigo. – reforça. — Mas não precisa ser assim.

— Steve...

— Não. Deixa. Foi uma ideia estúpida!

— Nós vamos. – afirmo de supetão e ele me encara surpreso.

— Vamos? Mas não...

— Está decidido!

— Certeza?

— Sim!

— E você está com disposição?

— Não. – respondo junto de um suspiro. — Mas não posso pensar assim. Nesse caso, eu não faria mais nada na vida.

— Amor...

— Sério. Mesmo que eu fique aqui o dia todo. Não fará diferença alguma. Ao menos ir a esse almoço, ver pessoas, conversar... sei lá. Vai me ajudar a evitar de ficar... pensando... enfim.

— Okay. – Steve dá um gole no café. — Não precisamos demorar. Nós...

— Eu te amo! – sorrio animadamente e estalo os lábios em sua bochecha.

— Que beijo gostoso! – Steve murmura surpreso. — Por que isso de repente?

— Nada. – dou de ombros. — Só quis dizer que te amo.

— Minha linda. – Steve beija meu rosto. — Quer fazer alguma coisa antes de irmos?

— Não. E você pode ir trabalhar até a hora de sairmos. Não precisa...

— Não vou te deixar sozinha, Natasha. – reverbera. — Você está passando por um momento delicado. Quero ficar perto de você.

— Essa é sua forma sutil de dizer que estou à beira de um colapso?

— Nat. – Steve parece sem jeito ao me olhar, mas relaxa quando sorrio. — Porra, não tem graça!

— Desculpe. – murmuro. — Estou dizendo coisas sem pensar.

— Já conversamos sobre isso. Você ficará assim por um tempo. – reflete. — Imagine a mãe de Gwen como está.

— É... – balanço a cabeça. — Imagino isso o tempo todo.

— Porra! Desculpa. – Steve se apressa em dizer. — Não quis...

— Tudo bem. – pego sua mão. — Sei que todos sentem que estão pisando em ovos perto de mim. Mas por favor, por favor, por favor mesmo, Steve, não faça isso também.

— O que você quer de mim? – pergunta atento às minhas palavras.

— Seja você mesmo. – esclareço. — Não use filtro comigo. Não me trate com pena. Gwen era minha amiga. Está doendo tanto em mim quanto em Rebby, Miguel e Peter. E eles continuam suas vidas. Então comigo não será diferente.

— Eu entendo o que está querendo dizer, linda. Mas não pode ser comparar a outras pessoas. Cada um tem sua maneira de reagir.

— Eu sei. – assinto. — Mas é que... sei lá... acho que o fato de Gwen ter passado os últimos momentos comigo acabou influenciando mais. Quer dizer, ela veio comigo no carro, subiu até aqui, trocamos o casaco... oh! – pulo da cama e corro até o closet.

— O que está fazendo? – Steve pergunta ao me ver revirar tudo.

— Prometo que irei arrumar! – continuo a jogar as coisas para fora.

— Amor, isso é o de menos, mas...

— Achei! – puxo a peça de roupa amassada e mostro a Steve.

— O casaco dela. – murmura com um leve sorriso.

— É... – o nó aperta na garganta. — Irei costurar.

— E ficar com ele?

— Não! – nego. — Não, eu... eu acho que não... que não poderia...

— Ei, ei, ei. – Steve me puxa para seus braços e beija minha cabeça. — Shhhhh... shhhhhh... tudo bem.

— Não sei o que fazer. – choro contra seu peito. — Não sei... não sei se devolvo...

— Devolva à mãe dela. – ele afaga meus braços de cima a baixo. — Poderá fazer bem.

— Tem razão. – concordo fungando. — Só não sei se conseguirei fazer isso tão cedo.

— Não tem pressa. – Steve beija minha testa. — Talvez nem ela consiga receber agora.

— É. – afasto o rosto do peito de Steve e coço os olhos.

— Meu amor. – Steve sorri e beija minha bochecha úmida e vermelha.

— Mas vou costurar. – encaro a parte rasgada da manga.

— Vai dar trabalho.

— Pode me ajudar a distrair.

— Distrair? – Steve me encara duvidoso. — Tem certeza?

— Não sei! – eu me irrito. — Posso tentar.

— Okay. – Steve assente. — Vamos voltar a comer?

— Eu...

— Por favor. – ele me olha pacientemente. — Por favor, Nat. Você estava comendo tão bem.

— Okay. – concordo enquanto voltamos à cama. — Mas eu preciso arrumar...

— Depois resolvemos isso. – Steve me puxa quando eu ameaço voltar para o closet. — Agora vamos terminar o nosso café, linda.

▪️▪️▪️

Mesmo num dia nublado e frio como hoje, a vista do Central Park nunca decepciona.

Steve e eu demos uma longa volta enquanto passeávamos de mãos dadas. Foi bom respirar um pouco do ar envolto das árvores. Porém, quando passou das duas da tarde, voltamos ao prédio e pegamos o carro.

Após beijos e promessas ao pé do ouvido, Steve concordou em me deixar dirigir. Como não sei onde moram, ele precisou me guiar durante o trajeto. Levamos quase uma hora para chegarmos à casa, mas valeu a pena. E claro, tudo isso com a supervisão de Quill atrás de nós.

— Steve! – a voz de Pepper é a primeira coisa que ouço assim que saímos do carro. — Oi! Que bom que vieram! – ela o abraça antes de vir até mim — Oi, Natasha! Quanto tempo!

— Oi! É mesmo! – retribuo ao seu caloroso cumprimento. — Obrigada pelo convite.

— Ah, que isso! – Pepper balança a cabeça. — É uma honra tê-los aqui.

— Obrigada. – torno a agradecer e Pepper segura minhas mãos.

— Soubemos do que aconteceu. Nossos mais sinceros sentimentos.

— Oh! – pisco. — Bem... obrigada, Pepper.

— Conte conosco. – ela sorri docemente e olha para algo atrás de mim. — Oi, Quill!

— Oi, Srta. Potts.

— Entre conosco.

Avançamos alguns passos antes de um grito fino e empolgante me cortar os ouvidos.

— Tiv!

Uma garotinha morena e pequena corre em nossa direção. Ela carrega uma máscara de super-herói enquanto pula no colo de Steve.

Eu observo a cena à minha frente em estado catatônico, sem entender nada do que acontece quando Steve a enche beijos e provoca risadas. Quem é essa?

— Menina de Ferro! – ele sorri e a lança nos braços.

— Isso é pa voxê.

— Oh! – Steve pega a máscara. — Obrigado! Você quem fez?

— Papai ajudou.

— É incrível! – Steve beija sua bochecha. — Venha conhecer uma pessoa. – caminha até mim.

— Quem?

— Esta é a Natasha. Natasha, esta é Morgan, a Menina de Ferro.

— Oi, Natasha. – Morgan sorri para mim.

— Oi, Menina de Ferro!

Não consigo me impedir de ficar toda boba perto dela, ainda mais por Steve estar a segurando assim tão íntima e afetuosamente.

Ele repara minha expressão admirada e confusa, mas não se explica enquanto Morgan permanece por perto.

— Ela é sua namolada? – ela cochicha para Steve, mas eu consigo ouvir.

— Sim. – ele responde da mesma forma.

— Ela é bonita. – Steve, Pepper, Quill e eu rimos com seu sussurro.

— Eu sei. – ele usa o mesmo tom antes de colocá-la no chão. — Cadê o Tony?

— Terminando de preparar a salada. – Pepper responde. — E você, mocinha, vá lavar as mãos.

— Comida! – Morgan faz uma rápida dancinha e corre até a porta da casa.

Pepper e Quill a seguem quando notam que Steve e eu permanecemos parados. Acho que entenderam que queríamos um tempinho a sós.

— Tudo bem? – Steve enfia as mãos nos bolsos do casaco.

— Sim. Ahn... não tem nada para me dizer? – cruzo os braços e tento não parecer severa demais.

— Ah. É! – ele coça a cabeça. — Bom... Morgan é minha afilhada.

— Afilhada?! – repito agudamente. — Você tem uma afilhada? – Steve me confirma com os olhos. — Por que não me disse?

— Eu... não sei. – ele solta um riso nervoso. — Nunca surgiu um motivo. E Morgan é muito protegida da mídia. Pepper e Tony não permitem holofotes sobre ela. Não fique brava.

— Tudo bem. Não estou. – dou de ombros. — Bom, você sabia que eu a conheceria hoje, então acho que não era um segredo. Né?

— Acredite: nem em brincadeira de pique-esconde tem como ofuscar Morgan. – Steve ri e eu também, só que eu continuo enquanto ele se recompõe. — Que foi?

— Tiv? – ergo uma sobrancelha sarcasticamente.

— Ah! Quando ela aprendeu a falar ainda não conseguia pronunciar Steve. – ele explica tímido. — Daí ficou Tiv. E pegou.

— É muito fofo! – acaricio seu rosto. — Você é incrível com ela!

— Ela que merece o crédito por me aturar. – Steve abaixa a cabeça.

— Ah. Aqui. – entrego sua chave do carro.

— Fica com você. – ele pisca. — Dirija de volta. E à noite eu cobro o nosso acordo.

— Steve...! – meu rosto queima assim que entramos na casa.

— Olá! – Tony aparece em nosso campo de visão.

— Oi, Tony! – sorrio e o cumprimento com um breve abraço.

— Como vai, meu bem? – Tony mexe em meus cachos. — Eu não me lembro de você assim.

— Tirei para lavar.

— Só conseguiu ficar mais linda. – Pepper passa por nós em direção à cozinha.

— Obrigada. – solto um riso sem graça enquanto Steve se aproxima.

— Oi, Tony.

— Oi! – ambos se abraçam rapidamente. — Podem se sentar.

— Ah. Eu...

— Pode usar a pia, Natasha. – Pepper percebe que quero lavar as mãos.

— Obrigada!

— Tô plonta pa comê! – Morgan reaparece à cozinha.

— Venha cá, meu anjo. – Tony a senta na cadeirinha.

— Tiv, duvida de que consigo comê dois platos?

— Dois pratos? – Steve lava as mãos na pia após eu secar as minhas no pano.

— Sim! E voxê?

— Eu só como a comida. – brinca e Morgan ri.

— O Tiv é bobo! – ela olha para mim. — Voxê aguenta, Nat?

— Hmmm... – finjo uma expressão pensativa. — Nem sempre.

— Eu aguento muitão! – Morgan abre os braços. — Porque eu amo ele esse muitão aqui!

— E o papai? – Tony pergunta enciumado.

— Eu amo mais esse muitão aqui, ó!

— Só???

— Não, papai. – corrige. — Eu te amo... eu te amo... eu te amo tlês mil!

— Uaaaaau! – Tony sorri incrédulo. — Três mil?

— É!

— Viu? – Tony se dirige a Steve. — Ela me ama três mil. Já você... deve estar na faixa dos... duzentos. – todos rimos e Steve cerra os olhos em direção a ele e à Morgan.

— Pode vir se servir, Natasha. – Pepper toca meu ombro.

— Okay. – pego um prato e começo a preenchê-lo com a comida fresca e caseira das panelas.

Em rápidos segundos, já estamos todos sentados à mesa almoçando. Pepper, Tony e Quill riem das brincadeiras entre Steve e Morgan, e eu, claro, acompanho alegremente ao que acontece.

Steve é tão gentil e doce com ela. Como um homem desse, com uma atitude dessa, já pôde me dizer que não seria um bom pai?

Isso não deveria me alimentar esperanças tão altas, mas ver Steve agir assim com uma criança já aquece meu coração num calor descomunal. Pois é bom abaixar esse fogo já, Natasha. Ou prefere um balde de água fria?

— Eu quelia ter o cabelo vermêiu igual o seu. – Morgan fala de boca cheia. — Palece a Aliel.

— Ah. – sinto o rosto corar.

Mas o que é isso, Natasha? Até uma menininha de cinco anos te deixa assim, com vergonha? Por favor!

— Eu posso, mamãe? – Morgan questiona e Pepper engasga com o vinho.

— Morgan...

— Sério? – interrompo a fala de Steve e arregalo os olhos. — Você queria mesmo ter o cabelo igual ao meu? – estico o braço e acaricio suas pontinhas lisas e morenas. — Mas o seu é lindo demais! Eu que queria ter o seu.

— Eu te emplesto. – Morgan sorri.

— Vamos fazer o seguinte! – exclamo. — Você e eu vamos deixar crescer bastante. Depois iremos doar.

— Duá? – Morgan pende a cabeça para esquerda.

— Para as instituições, querida. – Pepper explica. — Lembra da sua amiguinha Lisa?

— Sim. – Morgan assente e volta a comer. — Ela é calequinha.

— Sim. – Pepper assente. — Então, você e Natasha poderão doar o cabelo para crianças como ela.

— E ela vai ter cabelo! – Morgan comemora. — Não é, papai?

— Sim, vai. – Tony assente. — Ela e muitas outras crianças.

— Tá. – Morgan sorri para mim. — Eu quelo, tia Nat.

— Combinado! – sorrio emocionada pelo apelido que ganhei.

— Papai, blincá.

Pepper ri por trás da taça de vinho junto de todos nós.

— Depois a gente brinca. – Tony responde. — Agora coma. Ou eu vendo todos os seus brinquedos.

▪️▪️▪️

Depois do almoço, Pepper nos ofereceu café. Eu tomei alguns goles, mas logo Steve deu sua xícara a mim para que assim Morgan pudesse arrastá-lo até seu quarto.

Pepper tentou intervir, mas ele disse que não tinha problemas. Enquanto eu os observo se afastar, Pepper e Tony fazem sala para mim.

— Precisamos nos encontrar mais vezes, Natasha. – Pepper sorri.

— Sim. – desvio o olhar do corredor por onde Steve e Morgan seguiram de mãos dadas. — Concordo!

— Espero te ver em nosso casamento. – Tony completa.

— Casamento? – pisco surpresa.

— Enviamos os convites faz um tempinho. – Pepper explica. — Steve ainda não havia conhecido você. Mil perdões. Mas é claro que queremos que vá!

— Ah. Obrigada! – torno a sorrir. — E é claro que vou! Quando será?

— Mês que vem. – Tony informa. — E é claro que também poderá levar sua prima.

— Você se lembra dela? – indago espantada.

— E como poderíamos nos esquecer? – Pepper ri. — Darcy é uma figura! E também teve Tony praticamente a noite toda no pé dela para conversar sobre seu mestrado.

— A menina estuda uma área que também me compete! – Tony se justifica e eu rio.

— Ela está fazendo mestrado em Astronomia! Não tem nada a ver com negócios da empresa!

— Okay. Mas meu passatempo também envolve...

— Sério? Você, Tony Stark, tem como passatempo observar o universo?

— Nunca me reneguei como nerd. – ele me arranca mais risadas. — Ela me condena por minha inteligência, Natasha.

— Não, Natasha. – Pepper se levanta. — Eu o condeno por sua teimosia!

— Amor? – Tony a observa caminhar até a pia. — Deixa que eu te ajudo.

— Não! – também fico pé. — Eu lavo. É o mínimo depois de um almoço tão gostoso!

— Você é nossa convidada, Natasha. – Pepper sorri e atira as luvas de borracha em Tony. — Quer lavar a louça? Então tire um ótimo proveito desse passatempo!

— Sua...

— Natasha, querida, se não se importa, preciso subir um pouco. Assuntos do escritório, já que sou eu quem salva a empresa dele. – Pepper alfineta e Tony cerra os olhos.

— Tudo bem. – sorrio e troco olhares brincalhões com Quill.

— Pode ir para o quarto de Morgan. Irá se divertir vendo as brincadeiras de Steve com ela.

— Brincadeiras? – repito confusa. — Eles brincam muito?

— Steve já brincava com ela dentro da barriga de Pepper. – Tony diz e eu me espanto. — Esses dois são grudados!

— Não é à toa que seja seu padrinho. Morgan o adora!

— É, mas ela não o ama três mil! – Tony rebate emburrado fazendo Pepper, Quill e eu rirmos.

— Suba comigo, Natasha. Eu te mostro onde é o quarto. – ela autoriza sutilmente.

— Ahn... mas...

— Não tem problema. – Tony ergue os ombros. — Posso lavar a louça na completa solidão.

— Obrigado pela parte que me toca! – Quill resmunga por trás da xícara de café.

— Eles ficarão bem! – Pepper pega minha mão. — Vamos, Natasha!

Pepper e eu alcançamos o andar superior. Ela me instrui pelo corredor até eu chegar ao quarto de Morgan.

A porta está entreaberta, e eu consigo a conversa com Steve antes mesmo de anunciar minha chegada.

— Exe é o homem de felo. – Morgan sacode seu boneco de armadura vermelha e dourada.

— Uau! – Steve pega o brinquedo nas mãos. — Seu pai e você mudaram o uniforme dele de novo?

— Sim! Eu dei a ideia! E desenhei!

— Você desenhou? – Steve indaga.

— Sim! Qué vê?

— Claro que quero!

— Tá.

Os pezinhos de Morgan batem contra o chão. Em seguida, gavetas são abertas e fechadas antes de ela voltar a se dirigir a Steve.

— Aqui. Eu fiz na escola. Sozinha!

— É lindo, Morgan! – Steve se impressiona com o talento de Morgan. — Você é muito inteligente!

— Voxê acha, Tiv?

— Se eu acho? – ele indaga e eu me movo levemente para a esquerda, agora conseguindo ver os dois, mas ainda sem deixar que me vejam. — Eu tenho certeza, Morgan. Você é uma princesa! Todas as princesas são inteligentes! – garante ao acariciar seus cabelos.

Morgan parece inquieta ao se afastar e abaixar a cabeça.

— O que foi, querida?

— Nada.

— Pode me dizer. – murmura. — Não gosta de ser chamada de princesa?

— Mamãe diz que é feio mentir.

— Sim. – Steve concorda confuso. — Sim, é feio mentir. E pessoas boas não mentem, principalmente pessoas boas e inteligentes como você.

— Mas o Tiv mentiu.

— Eu? – Steve franze o cenho nervoso. — Como? Por quê?

— Disse que sou plincesa.

— Ah. – ele se cala incerto.

Mas ué! Do que Morgan está falando? Toda garotinha de cinco anos gosta de ser princesa. Cuidado com os estereótipos, Natasha... Não é hora disso, Little Red!

— Uh... eu... me desculpe. – Steve atrai minha atenção. — Não sabia que você não gostava de ser chamada assim.

— Hmmm... – Morgan suspira pesadamente.

— O que é, querida? Pode me dizer.

— As plincesas é bonita.

— Sim. – ele afirma. — Sim, elas são. Por que acha que te chamei assim?

— Mas eu não sou bonita. – rebate confusa.

— Quê? – agora, sou eu quem franze a testa. — Como assim? Do que está falando, Morgan? Você é linda!

— Não...

— É, sim! Por que não acha isso?

— Os meninu diz que sou feia. – revela e Steve suspira frustrado.

Oh, pobre Morgan!

Que vontade de entrar neste quarto e conversar com ela! Segure seu fetiche por psicologia, Natasha. Apenas observe Steve contornar a situação.

— Eles dizem?

— É.

— Quer ouvir um segredo?

— Qual?

— Você é inteligente demais! – Steve atrai sua atenção. — E, por ser tão inteligente, você, mais do que ninguém, deveria saber que não é feia.

— Hmm...

— Sabe o que é feio, Morgan?

— O quê?

— Magoar os outros de graça, como esses meninos fazem com você. Feiura é um sentimento ruim. – murmura. — Uma dorzinha amarga aqui. – Steve leva a mão ao peito. — Isso é coisa feia. E meninas como você não merecem isso. É bobo, como os meninos. E você não é um deles. É, querida?

— Não.

— Achei que não! – ele acaricia seu queixo e ganha um sorriso doce. — Todos os dias, quando você se levanta, tem que se perguntar uma coisa, Morgan.

— O quê?

— Se vai acreditar nas coisas ruins que as pessoas te disserem. – diz. — Ouviu? Tem que se perguntar, todos os dias da sua vida, se vai realmente acreditar nas coisas ruins que as pessoas te disserem. Entendeu?

— Sim.

— Bom! – exclama. — Além disso, você é uma menina maravilhosa! E poderá ser sempre a princesa que quiser, quando quiser e como quiser. Poderá ser princesa, astronauta... – Steve estica a mão e pega seu boneco. — ...uma mulher de ferro. Você escolhe! Tenha certeza de algo, querida.

— De quê?

— Seja qual for a sua escolha, fará algo grande e espetacular!

— Sélio? – indaga animada.

— Muito sério! – garante. — E quer saber de mais uma coisa?

— O quê?

— Eu te amo três mil! – Steve faz Morgan sorrir e eu pisco para espantar as lágrimas. — Agora vamos! Mostre como o homem de ferro salva o mundo!

— Sim! – ela pega a mão de Steve e o puxa até sua casinha de bonecas.

Cuidadosamente, eu me afasto do quarto.

Alcanço as escadas e desço degrau por degrau até chegar a Tony. Ele sorri e me pergunta como foi lá em cima. Eu dou de ombros e murmuro qualquer coisa alegre antes de começar a ajudá-lo a secar a louça.

Essa imagem de Steve e Morgan jamais sairá de minha cabeça. Como ele pode dizer que não seria um bom pai? O jeito que lidou com o medo de Morgan foi incrível! Soube ser gentil, paciente e amoroso. Ele seria um pai maravilhoso para qualquer criança!

▪️▪️▪️

— E então? – Steve indaga enquanto dirijo de volta para o apartamento.

— O quê? – devolvo rindo.

— Gostou?

— Do quê?

— Natasha!

— Okay. – eu me rendo e começo a rir também. — Você tinha razão: a comida da Pepper é incrível, o Tony é maluco e a Morgan... ah, Steve, a Morgan!

— Um amor, não?

— Um amor? – repito incrédula. — Ela é maravilhosa! Tenho vontade de voltar e apertar aquela garotinha!

— Morgan é uma figura! – Steve concorda rindo. — E ama o Tony três mil. Só mesmo um anjo para falar uma coisa dessas.

— Meu Deus! – exclamo boba. — Quando ela disse isso, Steve, ah... nossa! Eu fiquei para ter um treco no coração! – sorrio. — Vocês se dão tão bem... – comento com o cuidado de não deixar transparecer que ouvi a conversa que tiveram.

— É. – Steve parece refletir.

— Nunca deixou transparecer que tinha contato com crianças.

— E eu não tenho contato com crianças! – Steve se defende. — Morgan é minha afilhada. Então, evidentemente acabei ficando próximo.

— Acho que ela desmonta sua pose de durão. – murmuro. — Em outros tempos, nos tempos do contrato, na verdade, jamais imaginaria que você... bom... que a Morgan...

— Que eu tivesse jeito com crianças?

— Não me pareceu ter jeito, seu metido!

— E pareceu o quê?

— Não sei. – sorrio. — Morgan é um amor e atrai todos a ela. Você não pôde escapar.

— Talvez ela seja uma miniatura sua. – brinca e eu rio nervosa.

Uma miniatura minha? Como seria isso? Seria uma miniatura sua e dele, Natasha. Não ponha isso na minha cabeça, Little Red! Jamais acontecerá!

— Mas e então? O que me diz mais sobre seus planos?

— Meus planos? – indago confusa ao contornar a estrada.

— É. – Steve assente. — No parque você estava listando as coisas que ainda quer fazer.

— Ah! Bom... acho que já decidi tudo, mas...

— Mas...? – Steve pressiona. — Tem mais coisa?

— Acho que preciso de uma sessão com o Dr. Sullivan.

— É?

— Sim. Vou seguir teu conselho. E gostaria de marcar antes de nossa primeira ida à terapia de casal.

— Sem pressão quanto a isso, linda. Tire o tempo que precisar.

— Não. Não, não quero adiar.

— Okay. Estou à sua espera.

— Certo.

— Então? É só isso?

— É. – respondo ainda sem saber se é a hora de falar sobre a consulta com a Dra. Cho.

E por que não seria, Natasha? Ele aparenta estar receptivo a crianças.

Não a crianças, Little Red. Ele é padrinho de Morgan. É normal que tenha amor por ela. Mas um filho? Não sei se podemos discutir isso agora. Ainda mais com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo.

Você não está grávida, Natasha. Exatamente! Nem nunca estarei. E não é hora de discutir isso com Steve, principalmente quando estou conduzindo um carro.

— Não!

— Não? Não o quê?

— Sim. Quer dizer, sim. Sim, é só isso.

— Ahn?

— É só isso que farei. Mas...

— Mas...? – indaga rindo. — O que mais quer aprontar?

— Steve? – eu o chamo sem tirar os olhos da estrada.

— Oi. – ele me olha e fica sério. — O que foi, Natasha? Está tudo bem?

— Só quero te dizer uma coisa.

— O que foi, linda?

— Eu te amo três mil. – revelo, ora atenta a ele, ora atenta à estrada.

— É? – Steve arregala os olhos antes de sorrir docemente.

— É! E você?

— Eu? – ele olha pela janela e sorri abertamente antes de se voltar para mim. — Eu te amo mil milhões, Srta. Romanoff!

Notas finais
Não achei uma boa imagem pro quartinho da Morgan :/ Sentiram o impacto desse título? Eu chorei a cada palavra que escrevi kkkkkkkkk O que acharam desse momento de Steve e Morgan? Esperavam por isso? Será que acompanhar esse diálogo fará a Nat pensar diferente em relação a contar a Steve ou não sobre a consulta? Será que tá perto disso acontecer? Hmmmmmmmmmm! A conversa do Steve com a Morgan foi inspirada num diálogo do filme "Histórias Cruzadas", entre as personagens Constantine e Skeeter! O título original é The Help e é um filme MUITO lindo! Super recomendo! No final fiz essa brincadeirinha de "I love you three thousand" e "Eu te amo mil milhões" porque na época do filme teve essa guerra do original com a dublagem kakakaka e eu me rachei com os comentários! Até a próxima! Beijocas!