Haunted 🔞

45 Capítulo 45 — No guilty


Notas iniciais
Olá! Era pra eu atualizar a fic somente na semana que vem, mas não pude esperar. Acontece que já estou escrevendo essa fanfic há 3 anos kakakaka e ainda tenho uma terceira temporada pra lançar a fim de finalizar o projeto IPASOY. Com isso, farei de tudo pra acelerar o máximo que der o acabamento dessa fanfic, porque dá-lhe paciência ainda ter tudo isso de escrita e não acabar kakakaka Anyway, perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^ Tradução do capítulo: Sem culpado

Já é de manhã quando voltamos para casa. E isso inclui Steve, meu pai, Rebby, Darcy, Quill, Miguel e, só então, eu.

Tentamos fazer com que Peter viesse conosco, mas ele preferiu dar apoio à família de Gwen com tia May. Peter ainda não me pediu desculpas e nem sei se pedirá, mas sorriu brevemente para mim com os olhos antes de ir embora. Eu captei arrependimento em seu olhar, assim como dor e amargura. Levará tempo, mas tenho fé de que iremos nos reaproximar. É tudo recente e doloroso e precisamos ser pacientes.

O relógio marca nove horas da manhã. Nenhum de nós dormiu direito. Rebby e eu nem sequer chegamos a descansar, mas eu nunca me senti tão acordada. Mesmo que meus olhos estejam ardendo tanto pelo sono quanto pela quantidade de vezes que chorei, não creio que conseguirei repousar a cabeça no travesseiro e dormir como se a tragédia mais horrenda de minha vida não tivesse acabado de acontecer bem diante de meus olhos.

— Srta. Natasha! – Jessie surge assim que nos encaminhamos para a sala.

— Oi, Jessie. – murmuro com a voz rouca.

— Eu sinto muito.

— Obrigada. – falo em nome de todos.

— Gostariam de comer alguma coisa? – ela oferece prestativa. — Já tomaram café?

— Não, eu...

— Faça algo leve, Jessie, por favor. – Steve toca meus ombros por trás. — Você precisa comer.

— Tá. – desisto de discordar.

— Está com dor de cabeça? Quer um remédio?

— Sim. – assinto. — Está começando a latejar.

— A minha também. – Rebby comenta.

— Eu vou pegar. – Steve me conduz ao sofá. — Senta. – antes de ir, ele se abaixa e segura o meu rosto. — Quer tomar um banho primeiro? Precisa de mais alguma coisa?

— Do remédio. E de você. Principalmente de você. – murmuro.

— Okay. – Steve beija a minha testa e fica de pé. — Eu volto logo. Sintam-se em casa.

Rapidamente, o sofá é ocupado por todos que vieram conosco, exceto por papai, que continua encostado na parede e com o olhar perdido.

— Pai? – eu o chamo.

— Oi, princesa. – papai descruza os braços e se aproxima.

— Você está bem?

— Estou, princesa. – ele suspira e se senta ao meu lado. — Estou apenas sem saber o que fazer. Não tinha contato com a amiga de vocês, mas estou abalado.

— Gwen era maravilhosa! – Miguel sorri e limpa algumas lágrimas.

É a primeira vez que ele chora desde que recebemos a trágica notícia. Acredito que tenha se segurado todo esse tempo inclusive por Peter.

— Não tenho dúvidas. – papai responde com um sorriso gentil. — Quando será o sepultamento?

— Devem providenciar para amanhã. – Rebby responde. — O ruim será a imprensa toda em cima.

— Não podem fazer isso! – exclamo revoltada.

— O pai dela era conhecido. E também morreu recentemente. – Miguel comenta.

— Não me interessa! – começo a gritar. — É mais um motivo para respeitarem a dor da família!

— Natasha, por mais que tentem impedir, a mídia sempre arranja um espaço para sufocar. – Miguel intervém.

— Imprensa nojenta! – bufo.

— Como você está? – ele rodeia meus ombros com o braço. — Quer conversar sobre o que Peter fez?

— Acho que não tem o que conversar. – murmuro.

— Nat... – Miguel suspira. — Saiba que não tem culpa do que aconteceu.

— Mas eu ofereci a carona.

— Isso não quer dizer nada. – Rebby intervém. — Você ofereceu a carona, mas não estava dirigindo, então...

— É. – interrompo furiosa. — É! Não era eu quem estava dirigindo! – fico de pé. — Gamora!

— Quê? – Quill me encara.

— Era ela quem estava dirigindo! Ela...!

— Natasha. – Rebecca se levanta. — Pare. – ela toca meu ombro, mas continuo tensa.

— Não, Rebby! – eu a olho. — Ela é culpada pela morte de Gwen, não eu!

— Natasha... – papai tenta.

— Era ela quem estava dirigindo! – grito.

— Ei... – Quill tenta intervir.

— Natasha. – Miguel se levanta quando eu avanço até a porta. — Aonde você vai?

— Até Gamora!

— Natasha! – Miguel me segura junto de Rebby. — Pare. Steve!

— Princesa. – papai se junta a Miguel e a Rebby.

— Tirem as mãos de mim todos vocês! – empurro e chuto até ficar livre. — Ela tem culpa do que aconteceu!

— Ouça o que está dizendo, Natasha! – Rebby arregala os olhos para mim.

— Ela que estava conduzindo! A culpa é dela! – faço força para voltar até a porta, mas os braços de Miguel continuam me segurando. — Para, Miguel! Já disse para me largar!

— Ei! – a voz de Steve surge. — O que está fazendo? – ele me puxa para longe de Miguel. — Não encoste mais nela, ouviu? Ela mandou.

— Natasha está culpando Gamora pelo acidente. – Rebby me dedura sem pensar duas vezes. Eu me viro nos braços de Steve e a encaro boquiaberta.

— Como você ousa dizer isso desse jeito?

— E não é verdade? – ela suspira e coloca as mãos na cintura. — Está fazendo com ela o que Peter fez com você.

— Só que é diferente!

— Não, não é! – Rebby grita de volta. — Acha que Gamora queria que isso?

— Ela quase não se machucou!

— Natasha, ela quebrou a perna! – Rebby rebate.

— Conheço Gamora. Aposto que ela fez o que pôde, manobrou o carro nas melhores condições possíveis. – Quill a defende enquanto eu tento me soltar, mas Steve me prende com mais força.

— Ela só pensou em si mesma!

— Estava chovendo, Natasha. – Quill reforça. — Foi tudo muito rápido. Gamora também poderia...

— Não importa o que poderia ter acontecido! Quem morreu foi a minha amiga! – grito mais alto enquanto choro.

— Natasha. – Steve me repreende baixinho no ouvido. — Chega! Vamos para o quarto.

— Não!

— Chega! – Rebecca exclama. — Foi um acidente. Um terrível acidente, Natasha, pelo amor de Deus!

— Ela é uma assassina! Peter acusou a pessoa errada! – berro ainda tentando me libertar.

— Natasha! Quem é você?! – Rebecca limpa algumas lágrimas antes de correr para a porta e sair.

— Rebby! Não vá! – grito, mas ela não me ouve. Ou simplesmente ignora.

Eu ainda me contorço nos braços de Steve, mas não sei se por dor ou vergonha do olhar de papai.

— Obrigado pela hospitalidade, Steve. – Miguel começa. — Mas acho melhor...

— Vai me abandonar também? – ainda presa por Steve, eu consigo me virar até Miguel.

— Nat... você precisa...

— Vocês todos ficarão aqui hoje. – Steve declara. — Natasha precisa. Por favor.

— Ela é a única a espantar...

— Quill. – Steve ameaça. — Termine esta frase e eu quebro o seu maldito walk-man.

— Tá! – ele franze a testa e senta no sofá. — Será que posso fazer uma ligação?

— Você não está preso, porra! – Steve rebate. — O telefone está ali na mesa.

— Pode pegar...

— Não está aqui de hóspede! – Steve exclama. — Tem duas pernas funcionando!

— Você têm um jeito bem estranho de serem hospitaleiros. – Quill resmunga ao ficar de pé.

— Quill. – Steve repreende novamente.

— Viu só? – ele ergue o braço até Steve. — Nem posso me defender que o namorado de sua filha me ameaça!

— Vamos nos sentar. – Steve me conduz de volta ao sofá. — Aqui. – ele me estende a caixa de remédios. — Não tive tempo de pegar a água. Vim correndo assim que escutei os gritos.

— Não precisava. – seguro a cartela entre os dedos.

— Você ia mesmo até Gamora? O que pretendia com isso? – Miguel se aproxima e se senta ao meu lado.

— Eu... eu só... eu não...

— Foi errado o que fez, Natasha. – a voz de papai me faz olhá-lo rapidamente.

— Pai...

— Aquela moça não quis que nada disso acontecesse. Estão todos assustados e feridos.

— Pai, eu...

— Mas você tem razão.

— Tenho?

— É. A acusação de Peter contra você foi diferente da sua contra Gamora. – afirma. — Você não estava no carro, não estava dirigindo e não tem como se sentir na responsabilidade de uma moça ter morrido. Já Gamora tem.

— É. – assinto confusa. — Ela deveria estar atenta...

— Ponha-se no lugar dela, Natasha! – papai grita e Steve fica de pé. — Estava chovendo e ela fez o melhor que pôde! Poderia ser você naquele volante! Porra, poderia ser você naquele carro capotando!

— Sr. Romanoff. – Steve repreende.

— Natasha tem vinte e dois anos, Steve! – papai resmunga. — Kathleen e eu a protegemos demais, por isso que ela se sente no direito de falar e fazer o que quer, mas as coisas não são assim!

— Pai... – eu me levanto confusa. — Por que está gritando comigo? Eu só quis defender Gwen.

— Ela está morta, Natasha. – Miguel intervém. — Vai defendê-la do quê? Foi um acidente. Não há culpados.

— Gamora é tão inocente quanto você e o restante. – papai comenta. — Sinto muito pela sua perda, Natasha, mas estou decepcionado com sua atitude. Eu não sei o que esse tal de Peter fez. Mas, se foi o mesmo que você, então são iguais: ingratos, egoístas e cruéis.

— Pai... – perco a voz e sinto mais lágrimas escorrerem.

— Vou para casa. – papai comunica a Steve. — Natasha é minha filha e eu a amo, mas também precisa entender o peso das palavras que usou.

— Pai, não! – Steve me segura assim que fico de pé. — Não pode me abandonar também!

— Natasha...

— Ela precisa do senhor mais do que mim. – Steve sai a meu favor. — Precisa de todos: do senhor, de Miguel e de Rebecca, que acabou de deixá-la. Não faça o mesmo. – pede. — Acaba de dizer que Natasha errou. Então mostre a ela que não se conserta um erro com outro.

— Nat. – Miguel vem até mim aperta a minha mão. — Eu vou ficar com você.

Steve olha tenso para Miguel, mas eu não me importo. Não me importo com seu ciúme nem mesmo com o apoio de Miguel. A única coisa que me importa é papai.

Será que é verdade? Estou fazendo o mesmo que Peter fez comigo? Não consigo enxergar injustiça nisso. Ele me culpou sem razão, enquanto eu tenho razão. Era Gamora quem estava dirigindo. Então, se nem eu nem ela somos culpadas, quem é? Gwen não morreria do nada. Alguém foi a causa disso.

Sim, menina. Foi. A vida. Ela é a verdadeira culpada e provedora dos fatos.

— Eu te amo, princesa. – papai se aproxima.

Eu não consigo olhá-los nos olhos. Talvez por vergonha, talvez por medo de não gostar do que vou ver.

— Mas acho que você precisa de um tempo. Eu não te amo menos do que te amava há cinco minutos. Pelo contrário. Você é a minha vida.

— Mas...? – arrisco a falar, mas ainda não arrisco a encará-lo.

— Mas nada. Eu te amo. E não há adversidade.

— Desculpa, pai.

— Não é a mim a quem você deve desculpas. Você é inteligente. E gentil. E justa. Sabe a quem se desculpar de verdade. – papai beija a minha cabeça carinhosamente antes de me abraçar. — Eu vou ver como ajudar a Sra. Stacy na privacidade no sepultamento.

— Eu tenho o contato dela. – Miguel estende o celular para papai. — Mas não acho que o senhor deva...

— Não, não falarei nada hoje.

— Sr. Romanoff...

— Eu sei o que estou fazendo. – papai interrompe Steve. — Natasha precisa de um tempo. Inclusive, você também deveria...

— Não vou deixá-la. – Steve afirma indignado ao circular meus ombros trêmulos.

— Está tudo bem. – eu me afasto de seu toque. — Eu quero ficar sozinha. Um pouco. – conserto. — Por favor.

— Natasha...

— Por favor! – imploro. — Só um pouco. Não quero que vocês, quer dizer, que papai e Miguel saiam.

— Se o Steve concordar, eu fico.

— A casa é de Natasha também. – Steve retruca. — E é claro que não somos contra sua estadia aqui, Sr. Coleman.

— Obrigado. – Miguel parece desconcertado.

— Por favor, pai.

— Não faça isso, princesa. – papai se aproxima e pega as minhas mãos. — É claro que não vou deixar você. Só quero que entenda que errou. E você precisa de um toque de realidade as vezes.

— Desculpa. – sinto o queixo tremer.

— Chega. – Steve me puxa pelos ombros. — Venha, Natasha. Vamos para dentro. Sr. Romanoff e Sr. Coleman, sintam-se à vontade. Jessie pode servir qualquer coisa que queiram.

— Obrigado. – papai e Miguel agradecem.

Steve, ainda segurando meus ombros, começa a nos encaminhar até o quarto. Cada passo é como um martírio. O chão treme sob meus pés. Papai me sufocou quando disse Ela é minha filha e eu a amo, mas Natasha precisa entender o peso das palavras que usou.

— Vem, linda. – Steve segura minha mão. — Quer tomar um banho para tirar esse cheiro de hospital?

— Toma comigo.

— Vem aqui. – Steve me aperta em seus braços. — Está tudo bem.

— Meu pai tem razão, Steve. – retribuo ao seu toque trêmula.

— Como assim? – ele me balança levemente para os lados.

— Eu sou egoísta! – deito a cabeça em seu peito. — Eu não tenho ideia do peso das palavras que uso.

— Natasha...

— Fiz isso com Gamora, já fiz com a minha família... já fiz inúmeras vezes com você! – assustada, eu me afasto para olhar em seus olhos. — Perdão! Eu nunca quis dizer as coisas que disse.

— Nat...

— Nós começamos errado. Eu sei. Mas você mudou. Você entendeu que precisava mudar. Eu posso ter sido um incentivo, mas você fez isso sozinho. – afirmo. — Você nunca me machucou, Steve. Dizer que tivemos um relacionamento abusivo é verdade, mas em parte. Eu concordei. Era... ér... foi um começo que não era para ser começo, somente um período.

— Sim. – ele assente e deixa que eu fale.

— E acabou se tornando um fim para se originar um começo – constato. — Desculpe.

— Natasha. Você não tem que se desculpar. – suas mãos afagam meus braços. — Nós dois erramos. Eu fui abusivo com você, assim como fui abusivo com todas as outras. Foi errado. E nós ainda não superamos isso.

— Mas...

— Há alguns dias, eu te pedi em casamento. E você me disse que é importante andar antes de correr.

— Sim.

— Então acho que está na hora de começarmos essa caminhada.

— Como assim?

— O que acha de fazermos terapia? – indaga receoso. — Eu... eu não sei... não sei se vai dar certo. Porra, nem era para te dizer isso agora.

— Steve...

— Você está sofrendo. – ele pigarreia e suspira. — Esqueça. Vamos falar disso outra hora, quando você estiver bem.

— Eu aceito!

— O quê?

— Fazer terapia com você.

— Sério?

— Sério.

— Okay. – Steve ainda parece surpreso. — Ahn... tá. Eu... ahn... eu me sentiria mais à vontade com o meu terapeuta, se você não se importar.

— Tudo bem. – eu o abraço. — Está tudo bem. Eu só não quero te perder de novo. Desculpe. Desculpe por todas as palavras frias que eu disse.

— Tudo bem, meu amor. – Steve beija a minha cabeça. — Eu jamais te machucaria com ódio na alma. Foi apenas raiva, mas não de você, apenas da situação. Eu te amo, Natasha.

— Eu também te amo. – eu o aperto com mais força. — Muito! Você é a minha vida.

Steve não diz mais nada, apenas me coloca nos braços e segue até o banheiro.

▪️▪️▪️

Ao acordar horas mais tarde, minha cabeça ainda lateja. Resmungo ao me sentar e ver que são dez da noite. Nossa! Eu apaguei.

Ainda me espanta eu ter conseguido dormir por tanto tempo no meio de tanta dor e amargura. Será que meus amigos conseguiram fazer o mesmo? Será que Peter? Miguel? Papai? Rebby? Oh, Rebby!

Arregalo os olhos ao me debruçar e segurar a cabeça. Agora, voltando todos os acontecimentos da manhã, sinto as têmporas martelarem. Eu disse coisas horríveis. Coisas horríveis e injustas. A prova disso foi o olhar magoado no rosto de meus amigos e o fato de todos, inclusive meu pai, ficarem contra mim.

Não ficaram contra você, Natasha. Ficaram contra a tua incoerência e crueldade. Sim. E eu interpretei tudo isso muito, mas muito mal, Little Red.

— Oh! – o suspiro me faz virar a cabeça e ver Jessie com a mão no peito. — Boa noite, Srta. Natasha! Perdão. Achei que estivesse dormindo.

— Cadê o Steve? – minhas palavras saem emboladas e roucas. Sinto a garganta seca e em chamas. — Água.

— Como? – Jessie se aproxima e põe a mão na minha testa.

Faço um movimento para me afastar, mas então percebo que ela entrou aqui há longos segundos e até agora não a cumprimentei. O que está acontecendo comigo? Eu não sou assim, não fui criada assim desse jeito mesquinho e maldoso. Isso não é nada como eu. O que houve?

Você está sofrendo uma tragédia com a qual não está sabendo lidar, Natasha. Pare. Apenas pare de ser turrona e aceite os abraços estendidos a você.

— Estou bem, Jessie. – murmuro. — Pode me dar um pouco d’água? Por favor.

— Eu vou pegar. – avisa e se dirige ao banheiro. Em rápidos segundos volta com um copo na mão e uma cartela de remédios na outra.

— Para quê?

— Não quer um calmante? – pergunta atenciosamente.

— Não. Obrigada. – pego o copo e checo minha temperatura ao encostar na testa. Não estou febril. — Já dormi demais. – eu me justifico com Jessie quando a vejo colocar a cartela de remédios sobre a cômoda.

— Está com fome?

— Sim. – concordo antes de ingerir toda a água.

— Seu pai e Miguel estão me fazendo companhia. Quer jantar com eles?

— Cadê o Steve? – torno a repetir.

— Saiu. – ela olha para baixo ao pegar o copo de volta.

— Saiu? A essa hora?

— Não... – Jessie parece incerta.

— Aonde ele foi, Jessie?

— Ver a Srta. Deelwish. – revela após suspirar.

— Rebecca? – arregalo os olhos. — Por quê? Ela ligou? Está tudo bem?

— Sim. Sr. Rogers apenas achou que a senhorita gostaria de que alguém fosse ver como sua amiga está. O Sr. Coleman tentou ir também, mas o Sr. Rogers achou melhor que estivesse aqui para quando acordasse.

— Ah. – assinto. — Steve foi há muito tempo?

— Não. Acho que há uma hora.

— Entendi. E Gamora? Alguma notícia do hospital?

— Se não me engano, o Sr. Quill está falando com ela no telefone. – Jessie informa. — Acho que nenhuma novidade, apenas que receberá alta amanhã.

— Sei. – assinto novamente. — Sabe se... ele contou...

— Não sei, Srta. Natasha. – Jessie se desculpa com o olhar. — Sinto muito.

— É... eu também sinto muito. – admito cabisbaixa.

— Todos erraram um pouco hoje, Srta. Natasha. – Jessie conforta. — A questão é que ficar apontando o dedo não tornará nada diferente.

— Eu sei.

— Somente o tempo curará.

— Eu sei. Acho que... acho que a ficha de ninguém caiu ainda.

— Talvez. – Jessie dá de ombros. — Mas, se me permite, eu ainda acho que o tempo resolverá.

— Também acho. – concordo novamente e ouço meu estômago roncar.

— Bom, parece que está mesmo com fome! – Jessie brinca. — Vamos lá! Seu pai e o Sr. Coleman também ainda não jantaram.

— Okay. Vou sair logo. Só preciso me trocar.

— Oh! – seu rosto ruboriza. — Claro. Esperaremos lá na sala.

Rapidamente, Jessie se retira do quarto. Eu vou até o closet de Steve e sorrio ao ver que já tem coisas minhas, como roupas, sapatos e acessórios. Abro a gaveta e pego um suéter longo e grosso antes de apanhar um sutiã, uma vez que o material do suéter seja transparente. Não satisfeita, pego também minhas pantufas do Bob Esponja.

A dor ainda está presente. Minha garganta está apertada e o coração, dolorido. Não consigo acreditar nesta realidade: Gwen morreu. Céus! A ficha não cairá tão cedo!

Saio do quarto com passos cautelosos. Ao virar o corredor, ouço murmúrios e reconheço a voz de papai. Não sei se estou pronta para revê-lo depois do que aconteceu de manhã. Papai nunca me olhou daquele jeito. Tenho medo de sua rejeição me machucar mais do que a perda de Gwen.

— Mas que sexy esse par de pantufas!

Viro a cabeça e vejo Quill me encarando sorridente ao bloquear o celular. Estou tão atônita que nem reparei que ele estava no sofá assistindo TV.

— Oi, Quill.

— Oi, dorminhoca! – ele responde simpaticamente.

— Tudo bem? Conseguiu dormir também?

— Um pouco. Mas daí cansei de ficar deitado na cama.

— E veio ficar deitado no sofá?

— Para variar. – ele sorri e fica de pé.

— Estava falando com Gamora? – sou direta ao apontar para o celular.

— Ahn... é... sim.

— Contou a ela?

— Não cabe a mim fazer isso. – responde.

— Obrigada. Não por mim, mas... – suspiro. — ...bem, de qualquer forma irei me desculpar com ela.

— Ela não sabe o que você disse, Natasha.

— Mesmo assim. – teimo sutilmente. — Preciso ficar em paz comigo mesma.

— Tudo bem. – Quill desliga a TV. — Não vou te dizer isso por concordar com sua atitude, mas... eu até entendo o porquê você fez o que fez.

— Como assim?

— Quando... – Quill se cala e pigarreia, mas continua após tomar fôlego. — Quando... quando a minha mãe... quando a minha mãe morreu, eu... foi difícil...

— Quill...

— Deixa eu falar. – ele ergue a mão e suspira. — Olha, tem vezes que eu não acredito. Até hoje. Ela me pediu para segurar a mão dela antes de morrer.

— E você segurou?

— Não. – ele balança a cabeça com lágrimas nos olhos. — Ela morreu na minha frente. E eu só assisti.

— Você teve medo?

— Eu tive certeza. – admite. — Certeza de que seguraria pela última vez. Eu sabia que era o fim, Natasha, e não quis aceitar.

— Eu sinto muito. – murmuro. — Não posso imaginar pelo que passou.

— Eu era só uma criança. – diz. — Enfim, as coisas não são iguais. A situação que aconteceu com Gamora e Gwendolyn...

— Gwen. – corrijo. — Ela gosta... ér... gostava... ahn... gostaria de que... de que a chamasse assim.

— Okay. – Quill assente. — Bem, o que aconteceu foi diferente. Estava chovendo. E a pista ficou escorregadia. Gamora não teve muitas opções. Ela é uma ótima motorista, Natasha. O carro derrapou por causa do asfalto molhado e começou a capotar pela estrada. Estava chovendo muito! Mal se podia enxergar.

— O que mais Gamora te contou?

— Isso. Ela estava com cinto de segurança, mas ficou com a perna presa nas ferragens E Gwen... – ele perde o ar. — Parece que bateu a cabeça com muita força na janela quando rolou para fora do carro.

— Meu Deus! – levo as mãos à boca aos prantos.

— Ela desmaiou na hora. Não acredito ter sentido dor...

— Não importa! – exclamo. — Os últimos momentos dela foram de pânico. Ela se sentiu sozinha. – meu peito arde com a culpa que me corrói. — Se ao menos eu estivesse com ela...

— Isso não faz diferença, Natasha. – Quill me interrompe sutilmente.

— É, mas...

— Natasha? – ouço a voz de Steve e logo suas mãos alcançam meus ombros. — O que está acontecendo? – ele se dirige a Quill.

— Nada. – balanço a cabeça.

— Como “nada”? Você está chorando! O que foi?

— Nada, Steve! – solto um riso irônico. — Apenas perdi minha amiga, briguei com minha outra amiga, meu pai se decepcionou comigo e eu culpei alguém inocente. Só isso.

— Nat...

— Ela perguntou o que eu sabia do acidente. – Quill revela.

— E você contou? – Steve avança contra ele, que ergue as mãos.

— Steve, não! – eu o puxo de volta. — Não ouviu que fui eu que perguntei?

— Mas ele não tinha...

— Steve! – repreendo. — Eu perguntei. Eu! – bato no peito. — Meu pai tem razão. Todos me protegem demais. Eu preciso de um toque de realidade.

— Natasha...

— Quill não teve culpa. – afirmo. — Ninguém teve. Muito menos Gamora. – murmuro. — E eu sinto muito. Vou me desculpar com todos.

— Não precisa fazer isso agora.

— Você foi ver Rebby? Como ela está?

— Quem te disse? – Steve suspira.

— Não importa! Como ela está?

— Bem. Sua amiga é forte.

— Steve...

— Ela está bem. – garante. — Conseguiu se alimentar e a deixei dormindo quando saí.

— Ela falou alguma coisa...

— Rebecca entende sua reação, Nat. Não se martirize com isso agora.

— Falarei com ela amanhã.

— Faça isso, linda. – Steve acaricia meu rosto.

— Obrigada. – seguro sua mão. — Por ir vê-la, por saber que seria importante para mim.

— Tudo bem.

— Vamos jantar? – mudo de assunto. — Jessie está preparando a mesa.

— Jantar? Você ainda não comeu? – pergunta preocupado.

— Acordei agora. – digo. — Mas estou com fome. E você, Quill?

— Eu... – ele para e olha para Steve. — Quer parar de me encarar? Até a sua namorada acusadora está me defendendo.

— Quill!

— Steve! – eu o puxo para perto novamente. — Está tudo bem. Eu não sou de vidro.

— Ele...

— Só falou a verdade. – murmuro. — Está tudo bem, Quill. Venha comer conosco.

— Okay. – ele concorda ainda incerto das atitudes de Steve.

Nós três seguimos até a cozinha. Tento me manter calma e neutra na presença de papai, mas, assim que nos vemos, eu começo a chorar.

— Princesa...

— Pai! – solto a mão de Steve e corro até papai antes de engolfá-lo num forte abraço. — Eu sinto muito!

— Eu também, princesa. – papai me embala. — Eu também.

Notas finais
Obrigada pelos 421 comentários, 148 acompanhamentos, 71 favoritos, 9 recomendações e 26.989 visualizações :3 Tão passando a notar nas entrelinhas algumas mensagens como culpa, infantilidade, amadurecimento, depressão...? Isso é muito importante! Fiquem atentos! Beijocas e até a próxima!