Haunted 🔞
41 Capítulo 41 — Empty
Notas iniciais
Amei escrever esse capítulo! Espero que gostem :D
Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^
Tradução do Capítulo: Empatia
— Steve vai me matar. – murmura Gamora pela trigésima vez desde que saímos da garagem.
— Vale a pena tentar.— Você é sempre assim? – Gamora me questiona. — Assim como?— Não tem medo de nada, nunca?— Acha mesmo que não tenho medo de nada?— Bom, convenhamos que não demonstra ter, uma vez que toma atitudes como essa.— Meus pais sempre me ensinaram a batalhar por justiça. – explico. — Eu tenho medo de muitas coisas, Gamora, mas meu maior medo é fracassar sem nem ao menos ter tentado.— Nem tudo precisa de uma comprovação.— Entendo sua preocupação e de Steve, mas não sou uma donzelinha em perigo.— E o que você é?— Uma mulher adulta! E que sabe as decisões que toma!— Decisões que não envolvem apenas você. Tem uma vida com Steve agora. — Ele não se preocupa com isso quando me exclui de suas decisões. — Mas ele não está te excluindo. Steve te contou tudo de Sharon. Aliás, quem escondeu foi você. – Gamora o defende. — E o que Steve faz não coloca nem a vida dele nem a tua em risco, diferente das coisas que você faz.— Não preciso que banque a advogada. Steve faz coisas sem me consultar também.— Você só está sendo infantil, Natasha!— Talvez. – viro mais uma rua e chego à casa de Peggy. — Mas lidarei com Steve depois. Agora ele não é minha prioridade.— E alguma vez foi, com todas essas atitudes que você toma? – Gamora indaga.A resposta cutuca minha língua e circula meu coração, mas eu não encontro palavras o suficiente para dizer à Gamora. E isso me petrifica.▪️▪️▪️— Como se atreve a vir à minha casa? – Peggy me encara de cima a baixo com o nariz franzido. — Gamora? Por que a trouxe aqui? — Porque ela pediu.— Saiba que perderá o seu emprego por essa afronta.— Da última vez que chequei não era você quem assinava meu pagamento. – Gamora rebate, fazendo Peggy resmungar.— Vocês duas, parem já com isso. – ordeno. — Peggy, sei que sou a última pessoa que quer ver, mas não estou aqui por você.— Ah! E veio ver quem? Daniel?— Sharon.— O quê? – ela agarra o batente da porta com mais força. — Ficou louca? Não pode ter contato algum com ela!— Quê? – pisco. — Não sabia que havia uma ordem de restrição.— Tentei te dizer isso antes de virmos. – Gamora sussurra.— Mas eu...— Você ouviu, Natasha. – Peggy intervém. — Precisa ficar longe de Sharon.— Juro que tenho as melhores intenções.— O inferno está cheio disso! – rebate. — Sugiro que dê meia volta e suma. Não complique ainda mais as coisas para minha irmã. — Por favor. – quando Peggy tenta bater a porta, eu a seguro. — Dez minutos. É só o que eu peço.— Pare de insistir! Ficará longe de Sharon, você já trouxe problemas demais.— É importante, Peggy. Talvez eu possa ajudá-la.— E por quê? Ela definitivamente não precisa da sua ajuda!— Deixe que Natasha ao menos tente. O que Sharon tem a perder? – Gamora sai a meu favor. — Ela tem tudo a perder! A começar pela liberdade e sanidade!— Mais? – Gamora provoca, e eu a repreendo com o olhar.— Olha aqui, você... – Peggy aponta um dedo para Gamora. — ...e todos sabem muito bem que Sharon é frágil. – afirma com os olhos vermelhos. — Acredite em mim quando digo que só quero ajudar, Peggy.— Ajudar? – ela me solta uma risada forçada. — Faça-me o favor! Espera mesmo que eu acredite que você quer ajudar Sharon? Só trouxe desgosto e problemas desde que surgiu na vida de todos nós, Natasha!— Querida, quem... – Daniel surge atrás da esposa, intrigado. — Natasha? Gamora? O que fazem aqui?— Viemos por Sharon. – Gamora responde. — Natasha é psicóloga e veio tentar ajudar. — Ah. Bom. Isso é muito gentil, Natasha, mas como promotor não posso permitir.— Ela veio como profissional de sua área. – Gamora tenta novamente.— Sinto muito, mas é conflito de interesses. – Daniel renega. — E Sharon já tem um psiquiatra. — Exatamente! – Peggy reforça. — Não precisa de você.— Não custa tentar. – Gamora ergue os ombros. — O intuito aqui é ajudar. E para isso precisamos entrar, não é, Peggy? – alfineta.— Não, não precisam! Natasha não pode ajudar Sharon! — Ninguém sabe que estamos aqui. – garanto. — Por favor, eu não farei mal algum a ela ou a vocês. Só quero ajudar. Entendo que são agentes da lei, mas... por favor... ao menos agora...
— Não pode nos pedir isso, Natasha. – Daniel suspira contrariado. — Mas...— “Mas...”? – Peggy se vira para o marido incrédula. — O que pensa que está fazendo, Daniel?— Sharon não tem deixado o psiquiatra se aproximar, Peggy. Natasha pode conseguir algo.— Não creio no que estou ouvindo! Tem noção do que está dizendo? Isso arrisca tanto a saúde mental de Sharon quanto as nossas carreiras!— Eu entendo, mas não custa tentarmos. Acima de tudo, acima de agentes da lei, somos humanos.— Daniel! Isso não tem nada...— Não quero causar problemas. – interrompo a discussão. — Vim apenas na intenção de ajudar. É só o que quero.— Então volte de onde veio. – Peggy ameaça fechar a porta mais uma vez, mas agora quem segura é seu marido. — Daniel! O que está fazendo?!— Eu sei que é sua irmã, Peggy, mas quero ver Sharon feliz e recuperada tanto quanto você.— Não vejo como! – Peggy afirma, chorosa. — Especialmente, se ela estiver envolvida. – mais uma vez, aponta para mim.— Eu entendo o receio dos dois, mas estou disposta a tentar. Prometo que será rápido. Eu saberei parar quando preciso.— Têm certeza de que ninguém as viu aqui? – Daniel pergunta, ainda preocupado.— Fizemos do jeito certo. – Gamora solta um sorriso superior e me faz entrar no apartamento. — Eu ainda não concordei...— Peggy. – Daniel a repreende. — Vamos tentar, amor. Por Sharon.— Obrigada. – agradeço a seu marido. — Onde Sharon está?— Primeiro quarto à esquerda. – Daniel me instrui ao apontar para as escadas.— Mas não vai sozinha! – Peggy intervém. — Eu entrarei com você.— Mas não ficará. – Gamora intervém.— Você não me diz o que fazer na minha casa!— É importante o paciente se sentir confortável. – explico sutilmente. — Sharon precisa estar à vontade, e isso não acontecerá se você estiver presente.— Eu sou sua irmã!— Exatamente. – argumento. — Ela terá receio. Estando somente comigo poderá se sentir segura.— Peggy, entenda...— Okay! – ela interrompe Daniel. — Vamos logo com isso!Peggy e eu subimos as escadas em silêncio.Assim que viramos o corredor a caminho do quarto de Sharon, Peggy me empurra contra a parede.— O que pensa que está fazendo? – suas unhas furam meus braços. — Eu que te pergunto! – eu me mexo tentando me soltar.— Isso aqui é vida real, não se trata de mais uma de suas fantasias de ser a mocinha. — Não quero ser a mocinha de...— Abra o jogo comigo! Qual é a tua?— Peggy...— Quer uma estrelinha colada na testa? Tudo isso é para Steve te vangloriar por ser a boazinha enquanto Sharon é a medusa?— Não se trata disso. – eu a afasto. — Quero ajudar Sharon.— Mesmo? Nossa! Quanta bondade! E a troco de quê?— De nada. Eu queria fazer isso antes, mas Steve não deixou.— E por que agora? Como o convenceu que te deixasse praticar sua boa ação do dia?— Ele não sabe que eu estou aqui. – revelo, e Peggy parece desconcertada por um tempo, mas logo se recupera.— Ahhhh! Ótimo! Então a culpa cairá em cima de todos os outros, menos da vítima indefesa, como sempre protegida pelo cavalheiro de armadura brilhante!— Engano seu. – rebato. — Steve e eu discutimos. Ele está bravo comigo.— Ah, então é isso!— Isso o quê?— Pensa que eu sou burra, Natasha? – indaga. — Enganou a todos lá embaixo, até mesmo Gamora, mas aqui deixou a máscara cair.— Do que está falando? – pergunto, confusa.— Não se faça de covarde!— Você está louca. – digo ao me aproximar do quarto. — Eu vou ver Sharon...— Está aqui como vingança a Steve. – ela me puxa pelo braço rudemente.— O quê?— Isso mesmo! Já entendi a sua jogada. Tanto faz para você se Sharon vive ou morre. Veio até aqui afrontar Steve e conseguir o mínimo de atenção que sempre rasteja dele.— Não preciso disso. Não sou você! – nego ao me soltar bruscamente. — E isso não é uma afronta a ele nem a ninguém. Eu quero realmente ajudar Sharon.— E por quê? – questiona. — Suponhamos que esteja falando a verdade, por que quer ajudar minha irmã?— Porque quero entender o motivo de tanto ódio. — E isso não é óbvio, Natasha? – Peggy indaga, nervosa. — Sharon é doente, e você é uma ameaça em relação a Steve. É simples. Você não precisa vir até aqui e constatar o que é notório a milhões de distância!— Aí está. – murmuro. — Justamente por me odiar, ela pode acabar se abrindo. É controverso, eu sei, mas faz sentido.— Não me venha com suas aulas de autocontrole, Natasha. Quero que fique longe de minha irmã. Eu não vou cair mais nas suas falcatruas. — Nas minhas falcatruas? – solto uma risada debochada. — E o que você me diz das suas falcatruas? – cobro, e agora é ela quem franze a testa.— Quê? Não sei do que está falando. Em todo caso, não pense que pode jogar...— Você me traiu de novo. – afirmo. — Mas quer saber? Isso não importa. A prioridade aqui é Sharon.— Você está louca! Nem me darei ao trabalho de tentar entender.— Peggy...— Mas tem razão. A prioridade aqui é Sharon. Então, se quer mesmo ajudar, vá...— Eu não vou embora. Não sem antes falar com Sharon. – teimo, de braços cruzados.— Mas que coisa! – exclama. — Por que essa insistência? Não entende que só tem feito mal à Sharon desde que apareceu? Aliás, é o que tem feito a todos nós, inclusive a Steve! – grita, e eu me encolho. Mesmo que venha dela, uma pessoa que não gosta de mim, dói ouvir. — Maldita hora que foi substituir aquela sua amiguinha...— Não meta Rebby nisso. – ordeno. — Dobre a língua antes de falar dela.— Dobre você a língua antes de falar de Sharon, seja lá o que for que esteja tramando!— Não estou tramando nada! Será que não entendeu ainda?— Não! Não tem o que entender! Fique longe de Sharon, Natasha, eu já disse!— Se eu não tiver os resultados que espero ter hoje, acredite, Peggy, eu ficarei.— Feito! – Peggy suspira. — Prepare-se para sumir de nossas vidas.Seguimos o restante do corredor até chegarmos ao quarto de Sharon. Peggy bate na porta gentilmente antes de abrir. Sharon está na cama, de pijama, envolta de cobertas e remédios enquanto assiste televisão.Peggy se aproxima lentamente, mas Sharon não desvia o olhar da TV. — Sharon? – ela acaricia os cabelos da irmã. — Como está, menininha?— Enjoada.— São os remédios. – Peggy explica. — Consegue se sentar?— Acho que sim. Apesar de mole, Sharon parece lúcida. Ela não tem nada da mulher hostil e desequilibrada que me abordou no banheiro e depois tentou me ferir com uma tesoura. E que, supostamente, destruiu o meu carro. — Tomei a sopa toda.— Eu sei, eu sei. Muito bem! – Peggy afaga seus braços. — Ér... hm... Sharon, tem alguém que veio te ver.— Alguém? Quem? – Sharon balança a cabeça, confusa. — Não quero ver ninguém, Peggy. Combinamos que...— Por favor. – Peggy segura a sua mão, aproveitando o fato de Sharon ainda não ter me visto. — Você tem tomado os remédios corretamente e está reagindo ao tratamento. Mas também sabe que precisa das visitas médicas designadas.— Eu sei, mas combinamos que...— Por mim, Sharon, receba quem veio te ver. Eu entendo se for difícil. Não irei forçá-la, mas pode tentar?— Mas quem veio me ver?— Eu. – anuncio, vendo que Sharon se vira e cerra os olhos, confusa.— Você? – indaga ainda segurando a mão de Peggy. — Quem é você?— É Natasha. – Peggy responde, cuidadosamente. — Não se lembra dela, menininha?— Natasha? – Sharon pressiona a mão na testa. — Acho que sim.— Tudo bem. – eu me aproximo lentamente da cama. — São os remédios bagunçando um pouco a sua mente.— O que você se lembra sobre Natasha? – Peggy questiona, atentamente.— Não tenho certeza. São alguns borrões. Acho que numa garagem.— Não precisa se esforçar. – eu me aproximo da cama. — Podemos conversar um pouco? Você se sente bem para isso?— Não é obrigada a nada, Sharon. – Peggy intervém. — Não precisa se não quiser. Ninguém te forçará.— Tudo bem. – Sharon assente. — Podemos conversar. Não tem problema.— Certeza?— Sim. – ela responde à irmã. — Vamos ficar bem.— Okay. – Peggy assente, contrariada. — Vou esperar lá embaixo com Daniel. Se precisar me chame.— Como ela disse, nós vamos ficar bem. – reafirmo.— É bom para você que fique mesmo. – ameaça ao se levantar da cama e sair do quarto. — Como está se sentindo? – pergunto à Sharon ao ficarmos a sós.
— Um pouco enjoada. – ela passa a mão pela barriga. — Os remédios são fortes.— Eu imagino. – murmuro ao me aproximar mais. — Posso sentar? – aponto para a cama.— Claro. – ela puxa um pouco das cobertas para o lado, deixando que eu me sente no colchão. — Eu não sei muito bem como fazer isso. – admite, nervosa, mexendo as mãos. — Temos que conversar...? Eu tenho que falar ou só ouvir?— O psiquiatra já veio te ver?— Ainda não. Pedi à Peggy para descansar um pouco. Acho que ainda não estou pronta.— Tudo bem. Isso não é uma sessão, Sharon. – digo. — Vamos conversar de mulher para mulher.— Como?— Só quero que me diga a verdade.— Qual verdade? – indaga, curiosa. — Você se lembra de alguma coisa sobre mim? — Alguns borrões.— E como são esses borrões?— Uma garagem. – revela, e eu fico tensa. Se ela se lembra de uma garagem, então foi realmente ela quem destruiu meu carro. — Poucas luzes. Carros.— Você se lembra de fazer alguma coisa nessa garagem?— Eu acho... – Sharon encara a mão direita. — ...acho que... que segurava alguma... coisa.— Bom. E o que era?— Não sei. – ela suspira derrotada. — Temos que fazer isso? Se for tocar em assuntos deste tipo, essa conversa é uma sessão.— Tem razão. Desculpe. – murmuro. — Que tal falarmos de você?— De mim?— É. Gostaria de ouvir a sua história.— Minha história? Como assim?— Hmmm... não sei. O seu lado, sua vida.— E por quê? – pergunta, e eu suspiro antes de explicar.— Porque é muito fácil quando te acusam, principalmente sem darem a oportunidade de se defender. – respondo, e isso parece deixá-la sem falas.— Ninguém nunca quis me ouvir, Natasha. Nem mesmo Peggy.— Eu duvido disso. Sua irmã te ama demais.— Sim, ama.— Hmm... vem um “mas” por aí?— Peggy apenas fala por mim, mas não me escuta.— Bom, sendo assim, estou disposta a fazer um diferencial a você. Sharon parece ficar relutante diante de minha proposta antes de suspirar e cruzar os braços.— O que quer saber?— Só o que quiser contar. — esclareço. — Tipo o quê?— Hmmm... não sei. Com o que você se sente à vontade para falar?— Sinceramente? Se olhar por esse lado, eu não poderei te contar nada.— É tão ruim assim? — indago.— Não é ruim, é apenas... hm... indiferente.— Como assim?— Acho que sou anestesiada. — ela dá de ombros.— Ninguém é anestesiada, Sharon.— Então eu estou. Ou fiquei. Sei lá.— Hmmm... okay. Quer falar sobre isso?— Não.— Certo. Então posso te perguntar e você me responde se quiser?— Podemos tentar. — ela torna a erguer os ombros.— Okay. O que pode me dizer sobre seus pais? — Meus pais? — seus lábios tremem. — Como assim? – indaga, e eu a encaro sem saber como explicar. Sharon franze a testa e logo parece constatar. — Ah. Isso. Então você sabe.— Eu soube hoje. — revelo. — E eu sinto muito, Sharon. – admito. — Não tenho ideia do que você e Peggy passaram. Não deve ter sido fácil.— Peggy sempre foi forte. – comenta. — Sempre cuidou de mim.— E quanto a Michael? – indago, e os lábios de Sharon tremem novamente à menção do irmão. — Podemos falar dele?— Falar o quê?— O que quiser falar.— Bom... ele me inspirava.— Como? – pergunto, sorrindo sutilmente.— Michael não tinha rótulos a seguir. Ele queria ser livre, sabe, viajar pelo mundo. Queria apenas viver sua vida. Na verdade, Michael era como eu.— Sharon narra, com o olhar perdido, como se pudesse se lembrar dos poucos momentos que teve ao lado do irmão.— Como assim?— Instável. – ela sorri ironicamente ao me encarar. — Não é essa a palavra-chave para mim?— Mas não precisa ser. Você pode reverter isso.— Saber disso não torna as coisas melhores. – ela força uma risada.— Você teve uma boa infância? – tento abordar outro assunto.— Claro!— E como foi sua entrada na S.H.I.E.L.D.? – parto para outro.— Promissora! – Sharon sorri.— Não tenho dúvidas. – eu a acompanho. — Pode me falar sobre as missões?— Falar o quê?— Hmm... não sei. Que tal sobre seu desempenho? – questiono, e sinto Sharon se fechar.— Ér... não me lembro muito. Algumas coisas balançam na minha cabeça. – explica enquanto penteia os cabelos com as mãos.— Tudo bem. Ahn... o que te fez entrar? Foi por seus pais?— Acho que quis me sentir mais próxima deles.— Eles também iam a missões?— Muitas. E sempre voltaram vitoriosos.— Aposto que você também deu seu melhor em todas.— Nem sempre o melhor é o suficiente. – diz, e eu enrugo o cenho.— Por quê? Aconteceu algo de ruim com você em alguma missão?— É a S.H.I.E.L.D., Natasha. Sempre acontece algo de ruim.— Foi o que aconteceu com você?— Talvez! – Sharon se agita. — Sharon...— Olha, eu só me lembro de me sentir oca e frustrada desde sempre. Minha vida toda foi assim.— E por quê?— Eu já nasci desse jeito.— Não acredito que ninguém nasça uma pessoa oca. – quero pegar sua mão, mas tenho medo de assustá-la. — Talvez você só leve fé demais nas pessoas. – ela dá de ombros.— Talvez. – eu a imito. — Ou talvez seja apenas a verdade. – Sharon me encara pensativa, e eu sinto que já a pressionei demais. — Quer parar por hoje?— Por hoje? Você vai voltar?— Quer que eu volte?— Não sei. – ela coça os braços. — Você pode?— Só se você quiser. – garanto.— Eu quero... eu acho... mas Peggy...— Você quer, Sharon? – reforço, e ela pisca.— É. – assente. — Quero.— Okay. Eu voltarei. — Mas por hoje chega. – pede, agitada. — Estou com dor de cabeça.— Tudo bem. Posso te perguntar ao menos uma última coisa?— Não quero mais falar...— Não é sobre isso.— Ah. Então o quê?— Você ama Steve?— Steve?— É. Você se lembra dele?— Capitão. – Sharon pisca, atônita.— Isso. Capitão Rogers. Podemos falar só um pouquinho dele?— Dói. – ela pressiona a mão no peito. — Não quero sentir.— Sharon...— Por que isso de repente?— Apenas para finalizarmos. Pode dizer se você se lembra dele?— Eu lembro. – Sharon deixa algumas lágrimas escaparem. — Chicotes. Punições. E música.— É disso que se lembra?— Eu nunca o esqueci. – afirma ao me encarar. — Jamais poderia. Ele me deu tudo!— Tudo? — repito. — Tudo o quê?— Vida!— E você o ama? — questiono antes que possa me parar, e Sharon reage de forma neutra.— Você ama? — Eu...?— Sei que sim. – garante. — Todas nós amamos, Natasha. — É. — abaixo o olhar. — Acho que sim. Todas amamos.— Mas é diferente com você.— Por quê? – solto um riso descrente.— Você dorme na cama dele, você o chama pelo primeiro nome, sai em fotos públicas, vai a eventos, viaja com ele. – ela dita os fatos enquanto me encara. — Com você é diferente.— Você se lembra de ter me visto antes?— É... – Sharon pisca lentamente. — O que você tem que eu não tenho?— Isso! — assinto. — Foi assim que nos conhecemos. Você se lembra de mais coisa? — pressiono, mas ela parece não me ouvir mais.— Por quê? — indaga, com a voz chorosa. — Por que você? Eu a observo por um tempo e constato que Sharon está desesperadamente precisando e esperando por uma resposta.— Não sei explicar. – admito. — Não se trata de eu ter algo que você ou as outras não tenham.— Claro que se trata. — rebate sutilmente. — Você tem o bem mais precioso de todos. O verdadeiro tesouro dessa relação.— O quê?— O coração do Capitão.— Bem... Steve e eu nos apaixonamos, Sharon. Isso não é premeditado. Simplesmente não se explica em palavras.— Jamais achei que o Capitão... ér... – Sharon franze a testa e morde o lábio. — Desculpe. Jamais achei que o Steve fosse se apaixonar.— Você sempre o observou. Conseguiu estudá-lo melhor do que eu.— Acho que somos parecidos. – comenta. — Não sei, talvez ele também seja oco como eu. Quer dizer, era, porque agora ele tem você.— Você também tem quem te ame, Sharon.— O problema não é ser amada, Natasha. – ela explica. — O problema é amar.— Mas você ama Steve. E sei que também ama sua irmã e amava os seus pais e irmão.— Eu não sei se amo Steve ou se amo a sensação de propósito que ele me forneceu.— Sensação de propósito?— Eu não era nada, Natasha. Eu não tinha mais vida, eu não tinha mais corpo ou alma. Eu era apenas uma sombra. Nunca me senti completa.— E por que isso mudou com Steve?— Ele me deu a sensação de mudar. – enfatiza. — Eu tinha uma ocupação e um propósito, que eram satisfazê-lo e observá-lo. Ele era fechado, frio e confuso como eu. Pensei que fôssemos ficar juntos para sempre.— Steve era o seu talismã.— E, quando me deixou, eu não tive mais rumo. Eu não tinha mais a quem servir, então eu continuei com ele, mesmo que de longe. Percebi que todas as outras eram iguais a mim, até que desisti e o deixei livre.— Mas aí eu apareci. E então você passou a me observar.— Você era natural, não a cópia que ele exigia. Isso me fez achar que eu tinha entendido, mas então ele continuava ao seu lado. Eu precisava saber mais.— Eu passei a ser o seu propósito.— Em parte.— E daí roubou o meu dossiê.— Eu roubei? – Sharon pisca.— Você não se lembra?— Não sei. Acho que sim. Eu lembro de ler suas informações.— E por que fez isso?— Acho que precisava ver com meus próprios olhos. E de perto.— E por que tentou me machucar e destruiu o meu carro?— Eu... não sei... eu...— Isso só a afasta do mundo. Não deixe que te tirem a vida, Sharon. — Vida? – Sharon forma um mínimo sorriso. — Eu ainda tenho isso?— Claro que tem! Sharon, você não é fraca! Você não é sua própria refém!— Desculpe. – ela suspira. — Estou cansada. Os remédios ainda estão me deixando confusa. Podemos parar?— Uma última coisa.— Já pediu isso antes. Eu realmente...— Não irei te perguntar nada. Pelo contrário. Eu que falarei.— O quê?— Perdão. – falo, de repente, fazendo Sharon me encarar rapidamente, assustada.— Quê? Perdão? Por quê?— Por ter feito essa bagunça na sua vida, ainda que indiretamente.— Mas...— Desculpe por não ter tomado uma iniciativa antes. Desculpe por não ter te dado a chance de falar quando mais precisava ser ouvida.— Mas você fez isso agora.— Talvez tenha sido tarde.— Nunca é tarde. E desculpe também. – ela suspira. — As pessoas me contaram o que eu fiz. Eu não sei o que teria acontecido se eu realmente tivesse machucado você.— Isso é passado. – sorrio rapidamente. — Obrigada por me deixar te ouvir.— E obrigada por me deixar falar. – solto mais um sorriso. Desta vez, mais caloroso. — Eu espero que você seja feliz.— Eu te desejo o mesmo, Sharon. – sussurro. — E não pense que você é vazia. Você tem muito a oferecer! – afirmo e pressiono a mão em seu coração. — E vem tudo daqui.
Notas finais
Links que não abriram:
Apartamento --> https://casa.abril.com.br/wp-content/uploads/2018/03/cobertura-justin-timberlake-4.jpg
Quarto da Sharon --> https://images.squarespace-cdn.com/content/v1/54ef66bbe4b0cb6173038a6e/1489074987198-N5GF1RU53BDVNN034UIE/NILDO_FOTOS_14.jpg?format=1000w
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Beijocas, fiquem em casa e se cuidem ^^
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