Haunted 🔞
50 Capítulo 5O — Pain
Notas iniciais
Obrigada pelos 441 comentários, 150 acompanhamentos, 72 favoritos, 9 recomendações e 28.067 visualizações!
Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^
Tradução do capítulo: Dor

Rebby tem me ligado, mas eu não retorno. Ela até chegou a recorrer a Steve, que explicou que eu estava terminando uns últimos ajustes burocráticos para Minds Manhattan. Minha amiga pareceu engolir a mentira, mas presumo estar confusa com o meu comportamento, uma vez que rimos e conversamos numa boa ainda nesta semana. Não sei o que me deu. Eu fico quieta, sofrida e calada em meu canto até alguém vir me animar. Daí, eu me permito sorrir e retribuir, mas depois, quando quem quer que tenha vindo até mim vai embora, eu volto ao meu estado de tristeza solitária.Inclusive, Rebecca não fora a única ignorada por mim. Tenho recusado as ligações de Darcy, mamãe, que a essa altura já sabe o que houve, mensagens de Sebastian, Clint e Miguel. Não falo com ninguém. Não vejo ninguém. As únicas pessoas com quem mais convivo é Steve, obviamente, Jessie e Quill, uma vez que passam o dia comigo, e papai, que força um autoconvite para vir me checar.— Srta. Natasha?Ouço a voz de Jessie e ergo os olhos da sopa. De repente, encarar os grãos de arroz banhados em canja parecia mais interessante do que encarar a minha conturbada realidade.— Sim?— Seu prato ainda está cheio. – ela segura uma colher de pau. — E presumo já estar fria também.— É... – solto o talher e empurro a bandeja. — Perdi a fome.— Mas a senhorita vem dizendo isso a cada refeição do dia. – Jessie rebate sutilmente. — Ontem tomou um café tão gostoso! Vi que comeu bem!— É, mas não acordei tão disposta hoje.— Faça um esforço, Srta. Natasha. O Sr. Rogers lamentou não poder faltar ao trabalho hoje, mas me deixou encarregada de cuidar da senhorita.— E você está cuidando, Jessie. – garanto. — Mas nem você nem ninguém pode me forçar a comer.— Mas...DIM DOM— Deixa que eu abro. – desço do banco e vou até a porta. — Você? Por que veio?— Olá para você também! – Gamora aperta as muletas entre os braços e caminha para dentro. — Caso tenha se esquecido, Quill e eu ainda somos seus seguranças.— Impossível esquecer quando ele está dormindo aqui dia e noite. – faço um movimento com a cabeça para indicar Quill sentado no sofá.— Acho que ele está precisando de uma ajudinha. – Gamora sussurra.— Foi ele quem te chamou?— Tecnicamente sim.— Como assim?— Comentou com Steve sobre seu estado.— Meu estado? – repito controlando minha fúria. — Interessante!— É o seguinte: Steve disse que você devia estar deixando Jessie de cabelos em pé. – explica ao notar meu prato de sopa intocado sobre o balcão. — Então vim tentar ser útil.— Mas eu não estou enlouquecendo a Jessie!— Mais ou menos isso. – pela primeira vez desde que a conheci, Jessie me lança um sorriso travesso. — Alguma instrução que o Sr. Rogers tenha dado? Algo como segurar sua cabeça e empurrar comida à força? — Ou podemos ser mais ousados: nocauteá-la e alimentá-la por um funil! – Gamora responde.— Vocês duas! – cruzo os braços. — Podem parar! E você, Jessie... – aponto um dedo em sua direção. — ...volte a ser o anjo doce por quem eu tenho o maior carinho.— Sim, Srta. Natasha. – ela concorda ao retirar meu prato do balcão.— Seu socorro chegou! – cutuco o pé de Quill assim que chego ao sofá. — Oi! – ele retira seus fones de ouvido e encara Gamora. — Por que a chamou? Não dá conta do serviço sozinho?— Sinceramente, já estava ficando sem ideias.— Sem ideias? Para quê? – eu me sento ao seu lado junto de Gamora.— Distrair.— Quem disse que quero me distrair? — Sabemos que quer. Ou que precisa. E achamos que companhia diferente ajudaria. – Gamora explica antes de se sentar ao meu lado. — Companhia diferente? – enrugo a testa. — Como assim? Eu já conheço vocês.— É. Mas não somos amigos. Ainda. – Quill finaliza.— Exato! – concordo confusa. — Então por que essa ideia mirabolante daria certo?— Bom, uma vez que esteja evitando falar com seus amigos e familiares, achamos que isso poderia funcionar. – Gamora faz um gesto entre ela e Quill.
— Não sei como. E eu não estou evitando ninguém! – nego com o gosto amargo da mentira na boca.— Tem certeza? – ela ironiza.— Absoluta! – afirmo calmamente ao trocar os canais da TV. — O próprio Quill, que vem sendo minha sombra, pode afirmar isso!— Bom, na verdade...— Vai negar? – eu me viro para ele. — Esses dias mesmo fui ao trabalho de Steve e falei com Rebby. E, inclusive, Steve e eu fomos almoçar com Tony e Pepper. E você estava conosco!— Isso não quer dizer nada. – Gamora rebate.— Claro que quer!— Não, não quer. E só saiu de casa porque precisou, sabe, por causa do seu estágio.— Porra! – grito irritada. — O que mais Steve falou de mim?— Natasha, suas conversas têm sido apenas por consequência. – Quill comenta.— Não importa! – aperto o controle remoto. — Os fins não justificam os meios.— O ditado não...— Eu saí de casa, falei com pessoas e até mesmo ri com Rebecca e Priscilla. Sabe, por um momento consegui me esquecer. Não é isso que vocês querem? Não é sempre esse o propósito depois das tragédias? – interrompo Quill.— Ah. – Gamora assente. — Então é isso.— Isso o quê? – contesto visivelmente presa à sua conversa.— Isso!— Isso o quê?— Isso, porra!— Mas isso o quê, caralho?— Wow! – Quill arregala os olhos. — Você são muito iguais!— Você se sentiu culpada. – Gamora deixa as muletas no chão e descansa a perna quebrada no sofá.— Eu? Culpada? Por quê?— Por rir. – responde. — Por ter se divertido sem sentir essa ponta aguda de dor que está sentindo agora.— Quê? Claro que não! – nego brava por ela ter acertado no centro de meu dilema. — E desde quando se tornou psicóloga?— E desde quando se precisa de um diploma para constatar fatos?— Desde quando essa constatação é pura balela!— Balela? – Quill franze o rosto antes de explodir numa gargalhada. — Sério que disse isso?— Qual o problema? – cobro. — Nunca ouviu esse termo?— Ah, sim, ouvi, talvez nos... filmes do século passado!— Não é tão antigo assim! – eu me defendo, mas acabo rindo também.— É, minha querida. Pode crer que é. – Quill reafirma.— Quem é você para reclamar de alguma coisa do século XX... – cutuco seu walk-man preso à cintura. — ...quando é o único que vive preso no mundo de lá?— Em primeiro lugar, não toque no meu walk-man. – ele afasta minha mão. — Em segundo lugar...— Em segundo lugar, ela está certa? – Gamora sorri sorrateiramente.— Em segundo lugar... – Quill reforça após pigarrear. — ...as músicas do século XX são um estouro! Mais precisamente entre os anos setenta e noventa.— Uau! Duas décadas de puro sucesso? – Gamora ironiza.— Sim... – Quill a encara desconfiado. — Por que diz “duas décadas”? Por que não dizer logo vinte anos?— Está me perguntando a diferença entre seis e meia dúzia? – rebate e Quill torna a resmungar.— É impossível conversar com você!— Então não converse! – Gamora tenta se levantar, mas desiste ao sentir uma fisgada na perna. — Ai!— Gamora?— O que foi? – pergunto preocupada assim como Quill.— Nada. – responde. — É que dói às vezes, quando eu me esforço.— Então fique quieta. – torno a pegar o controle da TV. — Está passando F.R.I.E.N.D.S. e vocês ficam me distraindo.— Mas te fizemos sorrir. – Quill sussurra.— Um pouco. – dou de ombros. — Precisam concordar comigo que fica difícil não sorrir quando há idiotas bem à sua frente.— É... – Gamora parece pensativa ao se esticar no sofá. — Mas de quem estamos falando?— Ei! – bato em sua perna quebrada sem querer, vendo seu rosto murchar e ficar roxo. — Oh, meu Deus! Desculpe! Eu me esqueci!— Natasha!— Desculpe! – reajo à exclamação de Quill. — Jessie, traga um copo d'água por favor!— Sim, Srta. Natasha. – ela concorda ao assistir tudo da cozinha.— Gamora, estique a perna.— Para quê? Para você bater de novo? – Quill toma a frente.— Foi sem querer! – rosno.— Aqui, Srta. Natasha. – Jessie chega até nós.— Obrigada, Jessie! – pego o copo de suas mãos e dou longos goles.— Ei! – Quill chama minha atenção.— O que foi? – Jessie, Gamora e ele me encaram.— A água era para mim. – Gamora intervém.— Eu disse que era para você? – questiono confusa.— Era o mínimo a se fazer depois de querer acabar com as chances de ela voltar a andar. – Quill resmunga e Gamora bufa.— Ai... tá! – estendo o copo pela metade para Gamora, que logo trata de deixá-lo vazio. — Obrigada, Jessie. – repito quando ela volta para cozinha. — Você é muito exagerado, Quill!— E você é muito má! – exclama quando volto a me sentar. — Quer saber? Foi um erro ter chamado Gamora até aqui. Ela está mais segura longe de você. – diz quando pega suas muletas.— É? – ela aumenta o volume da TV. — Acho que será um erro ainda maior sair nessa chuva.— Chuva? – Quill olha pela janela e bufa quando um trovão ilumina e reverbera toda Manhattan. — Puta merda!— Pois é... pense bem. – ergo os braços e monto um cenário imaginário com as mãos. — Gamora, de muletas, em plena Manhattan chuvosa. Detalhe: com um gesso até a coxa.— Tá, tá, já entendi. – ele resmunga ao voltar a se sentar. — Então o jeito é ficarmos os dois presos com você.— É... – sorrio maldosa. — Temos tempo até Steve chegar. E muitos episódios de F.R.I.E.N.D.S. para assistir.— Você gosta mesmo dessa série? – Gamora resmunga.— Se falar mal de F.R.I.E.N.D.S., eu te coloco para fora com gesso e tudo!— Tá! – ela ergue as mãos. — Já entendi que F.R.I.E.N.D.S. é top!— Exato!▪️▪️▪️Quill e Gamora me fizeram companhia durante toda a tarde. Não admiti em voz alta, mas agora, diante do closet no qual procuro por uma camisola, eu tenho consciência de que esse tempo que passaram comigo, mais precisamente as quatro horas, fez com que eu sorrisse e conseguisse me esquecer do que tanto me atormenta. Gentil e sorrateiramente, Quill e Gamora me fizeram entender que não tem nada de errado em sorrir. Rebby me mostrou isso ontem, e eu consegui aceitar. Porém, depois, no silêncio de minha parte, tornei a me sentir culpada. Hoje, Quill e Gamora também me fizeram repensar.Meu Deus! Mas o que há de errado comigo? Minha amiga morreu. Minha amiga morreu e eu ainda estou devastadoramente triste. Ainda dói, mas também já tive outras perdas na vida. Meu avô faleceu quando eu era pequena. Eu tinha doze anos, mas ainda achava confuso ver minha mãe e minha avó chorarem todos os dias. Mamãe não me deixou ir ao enterro. Eu me lembro de ficar em casa com Sebastian, Robert e Hazel, que era a menorzinha de todos nós. Seu sorriso e sua inocência me fizeram reacender a alegria escondida dentro de mim. E, quando mamãe e os demais voltaram naquela tarde, também conseguiram sorrir diante das palhaçadas de Hazel.E é aí que eu começo a pensar. Nem Rebby, nem Quill, nem Gamora são uma Hazel na minha vida, mas me fazem sorrir e reacender minha alegria. E eu não estou me sentindo mal por isso. Não estou me sentindo mal por essa tarde divertida e risonha que passei com eles, na qual resultou em jogo de damas, maratona de F.R.I.E.N.D.S. e guerra de comida. Mais precisamente guerra de caroços de azeitona, que resultou em ficarmos agachados no chão catando e limpando, não permitindo que Jessie fizesse o trabalho por nós.— Amor?Ouço a voz de Steve e trato logo de puxar a primeira camisola que vejo. Nem me lembrava desta. É rosa com estampa de flores.— Oi! – eu me visto rapidamente e jogo a toalha molhada no banquinho. — Estou aqui.— Oi, linda! – Steve beija meu pescoço. — Hmmmm! Que cheiro gostoso! Como você está?— Bem. – sorrio. — Chegou agora?— É... – ele se desculpa com o olhar. — Juro que tentei sair mais cedo, mas me prenderam naquele escritório o dia todo.— Tudo bem. – dou de ombros. — Não precisa se sentir culpado por isso, Steve.— Sei que está precisando de mim.— É. – concordo. — Estou. Mas sou madura o suficiente para entender que tem uma vida fora daqui.— Nat...— Sério. – seguro seu queixo e lhe dou um selinho. — Eu estou um pouquinho melhor.
— Jessie me contou da visita de Gamora. E da tarde que passou com ela e Quill.— É... muito sorrateiro o senhor, não?— Eu? Por quê?— Sei que você mandou que ela viesse! – pego a toalha para pendurá-la. — Nem venha se fazer de desentendido.— Eu não fiz isso! – Steve rebate enquanto me segue para fora do closet. — E, em minha defesa, é trabalho tanto de Gamora quanto de Quill cuidarem de você.— Cuidarem de mim? Steve!— Olha, Quill apenas me respondeu quando eu perguntei sobre você. E daí eu apenas comentei com Gamora que talvez você estivesse enlouquecendo Jessie e ele. Ér... quer dizer...— Steve, o que conversamos sobre filtro? – cobro com um tom de voz ameno.— Eu só estava preocupado com você. – justifica após suspirar. — É óbvio que fica triste quando não consegue se distrair.— Sim. E é absolutamente normal! – boto as mãos na cintura.— Não estou dizendo que não é, linda. – Steve rebate. — Mas me dói te ver sofrendo. E ainda mais sem poder fazer nada.— Mas você faz! – afirmo. — Steve, isso é só uma fase. Foi uma tragédia que abalou a todos nós. É claro que eu ainda estou sofrendo pela minha amiga. – ergo os ombros. — Ela era minha amiga! Eu estou de luto. E isso machuca.— Eu sei. – Steve assente. — Só quero tentar te proporcionar um pouquinho de alegria que seja.— E você proporciona. – garanto. — Mas eu também preciso sentir essa tristeza. É um período de dor para mim e para todos que eram próximos de Gwen. Eu preciso chorar. Eu preciso sofrer. Eu preciso... – meus olhos ardem. — … e-eu preciso colocar para fora.— Okay. – Steve suspira. — Não quero tirar isso de você. — Sei que faz pensando no meu bem. – abraço sua cintura. — Mas mandar Quill e Gamora me vigiarem assim? Isso foi golpe baixo!— Bom, tecnicamente é o trabalho deles.— É. E isso foi o suficiente para me enlouquecerem.— Funcionou? – Steve pergunta incerto.— Sim! – sorrio largamente. — Funcionou bastante, se quer saber.— Ótimo...! – Steve se aproxima lentamente com os olhos cerrados. — Eu acho...?— Como assim?— Quill te fez rir muito?— Ciúme do Quill? – pendo a cabeça para o lado incrédula? — Sério?— Dele? Não! – Steve ri demoradamente. — Definitivamente, não!— Ei, não seja grosseiro! – levo as mãos à cintura. — Quill é legal. — E Gamora?— Assustadora. Mas de um jeito bom. – sorrio confusa. — Como foi o trabalho?— Cansativo. – Steve descansa o rosto em meu pescoço. — Senti sua falta.— Eu também. – acaricio seus ombros tensos. — Já comeu?— Não, vou tomar um banho primeiro. – ele me rouba um beijo. — E você?— Vou preparar o jantar. – comunico após negar com a cabeça.— Mas a Jessie...— Pedi que deixasse por minha conta. – respondo. — Gosto de cozinhar.— Okay. – Steve assente incerto. — Prometo não demorar, tá bom?— Tá bom. – sorrio novamente antes de beijá-lo mais uma vez e sair do quarto.▪️▪️▪️— Merda! – quase deixo a água fervente do macarrão cair em cima de mim. Cuidadosamente, termino de preparar a massa à bolonhesa que fiz para o jantar e jogo os utensílios que não precisarei mais para dentro da pia.Steve ainda não veio checar a comida. Sei que terminou o banho porque passou pela sala e me deu um beijo, mas logo se trancou em seu escritório e não saiu mais. Fazer o macarrão foi rápido, portanto tampo a panela e vou chamar Steve.— Posso entrar? – pergunto após bater na porta.— Não precisa pedir isso, linda. – responde e eu rio.— Achei que estivesse ocupado. – caminho até a mesa. — Atrapalho?— Está querendo levar palmadas logo cedo? – brinca ao fechar algumas pastas. — Isso é trabalho, Nat. Estarei sempre ocupado e estressado. E você não tem nada a ver com isso.— Sei que queria ter tirado outro dia de folga. – eu me sento na beirinha da mesa, mas Steve suspira e me puxa para seu colo. — E o que tem?— Não conseguiu. – revelo. — E nem precisa mais fazer isso, Steve. Eu estou progredindo. É verdade o que dizem sobre o tempo, que ajuda.— Nat...— É sério. – eu o interrompo antes de segurar seu rosto e beijar sua boca.— Tá bom. – Steve concorda contra meus lábios.— Fiz um macarrão muito maravilhoso, saboroso e cheiroso! – afirmo ao sorrir. — E prometo que irei me empanturrar até sentir que minha barriga explodirá.— Que bom! – Steve me acompanha na risada. — Então vamos comer?— Lavar as mãos primeiro! – ordeno quando ficamos de pé. — E vá botar umas meias, Steve! Está frio!— Tá bom, mãezinha. – ele se debruça e beija minha bochecha. — Não precisa fazer essa cara, eu já vou. – Steve acaricia meu queixo a caminho da porta.Eu o sigo com passos lentos antes de desviar para a cozinha quando chegamos à sala. Mal Steve sabe que não fiquei sem palavras por sua brincadeira, mas sim pelo do que me chamou. Mal sabe que eu nunca virei a ser chamada assim. Mal sabe de tantas, mas tantas coisas!Suspirando, pego os pratos, copos e talheres que usaremos e arrumo tudo no balcão. Estou terminando de colocar os guardanapos ao lado da louça quando Steve aparece.— Você voltou! – desço o olhar para seus pés. — Ainda está sem as meias, mocinho!— Natasha. – repreende.— O quê? Acha que é o único que pode dar palmadas? – começo a rir, mas fico séria ao passe de que noto a tensão em seu rosto. — O que foi? É só brincadeira, amor! – garanto preocupada por ter tocado em algum ponto delicado de seu passado. — Steve? Diga alguma coisa. Está me assustando.— Eu estou te assustando?— Hmmm... – ergo os ombros. — O que foi?— Quer saber, Natasha? Diga você! – ele sacode meu Iphone nas mãos. — O que é isso?— O que é isso o quê? – indago confusa. — Meu celular?— Você recebeu uma mensagem.— De quem? E como você sabe? Estava lendo...— Não foi de propósito. – justifica. — A tela brilhou e eu peguei para te trazer, mas não pude me impedir de ler o que estava escrito.— Poderia se quisesse. – cruzo os braços.— Natasha...— Chega de mistério! De quem é a mensagem? Estico o braço e tomo o telefone de suas mãos. Sinto a espinha gelar ao ler o conteúdo recebido em minha caixa de e-mail.Olá, Srta. Romanoff!Aqui quem fala é uma das assistentes da Dra. Cho. Seu exame de sangue e sua coleta de material genético já foram analisados.A senhorita já pode vir buscá-los e discutir os resultados com a Dra. Cho.Atenciosamente,Rachel Powell!— E então? – Steve torna a me cobrar. Eu o encaro ainda sem saber como responder. — Natasha?— O quê? – indago quase sem voz.— Explique do que se trata. – exige apreensivo.— Steve... – lambo os lábios. — Calma. Não é nada.— Não diga isso para mim!— Steve...— Por favor, Natasha. – ele passa as mãos de cima para baixo no rosto. — Olha, eu não vou ficar bravo com você.— E exatamente com o que você ficaria bravo? – rebato já irritada. — Aliás, a pergunta certa é por quê?— Sabe que pode me dizer qualquer coisa.— Pode parar, Steve! – caminho até a sala e jogo o celular no sofá. — Nós dois sabemos exatamente com o que você está preocupado!— Só me diga.— Dizer o quê? – viro de frente para ele.— Você sabe.— Steve... – nego com a cabeça. — Por que não pergunta logo o que quer saber?— Quando se consultou com Cho? – questiona. — Por que não me disse nada?— Foi uma consulta de rotina. – explico. — Quer dizer, na verdade eu marquei porque...— Você que marcou?— É.— E por quê? Diga de uma vez, Nat!— Porque eu... eu... precisei trocar de anticoncepcional. – torço as mãos e Steve observa meus dedos trêmulos.— Trocar de anticoncepcional? – repete tenso. — Por quê? Estava te fazendo mal?— Tive alguns efeitos colaterais e preferi me consultar para saber se era mesmo o caso. Eu desconfio que sim. Dra. Cho até ficou de me receitar outro anticoncepcional, mas acho que vou optar pela injeção.— C-como assim? Que efeitos colaterais?— Steve...— Você teve alguma suspeita de algo a mais? – seu rosto está embrulhado em tensão e raiva.— De quê? – pergunto mesmo sabendo a que ele se refere.— Por que está pensando em trocar para injeção? – Steve passa a mão pelo rosto. — Esqueceu de tomar alguma pílula?— Não, Steve! – exclamo irritada. — De novo essa desconfiança imbecil? Acha que sou irresponsável?— Eu não disse isso. – Steve se defende calmamente. — E nem estou brigando com você.— Mas está prestes a começar!— Não, não estou! – torna a negar. — Eu realmente não quero brigar com você, meu amor. Eu só...— Ah. Já sei! Essa é a hora que você solta o sutil “mas...”? – ironizo. — Seja direto, Steve! Somos adultos aqui! Sabemos exatamente o que está prestes a acontecer e aonde você quer chegar com todos esses questionamentos!— Só estamos conversando. – repete após um profundo suspiro.— Não temos o que conversar, Steve! – corto antes de bufar.— Quê? Como assim não temos o que conversar? – reitera nervoso. — É óbvio que temos! E muito!— É mesmo? – levo as mãos à cintura. — E sobre o quê? Primeiramente, você pegou meu celular e leu minha mensagem sem minha permissão! Você não tem direito algum de fazer isso!— Então temos segredos agora?— Sério que vai dizer isso? – alfineto amargamente. — Logo você vai dizer uma coisa dessas a mim, Steve? Como você ousa?— Natasha...— Ainda que eu tivesse segredos, Steve, seja lá por quais razões, você não teria moral alguma de cobrar isso de mim!— Porra! – Steve ergue os braços. — Então você admite que está me escondendo...— Eu não admito nada! – exclamo. — Não tenho que admitir coisa alguma a você! A mensagem apitou no seu celular por acaso?— Não.— É, eu sei que não! – rebato. — Então pare de me pressionar.— Natasha, só quero entender que consulta foi essa.— Eu já te disse! E quer saber mais o quê? Você não quer entender nada. Você quer apenas se certificar de que não exista um serzinho que te chamará de papai daqui a nove meses.— E existe? – indaga e eu perco o fôlego. — Natasha, eu sei assumir meus erro... minhas... responsabilidades.— Não. – balanço a cabeça. — Não se preocupe em consertar.— Natasha...— Apenas reconheça o que ia dizer.— Eu me expressei mal.— Você se expressou mal? – repito. — Sério? Eu entendi perfeitamente, Steve! Erros! Você sabe assumir seus erros!— Nat...— Erros, Steve! Erros! Então é isso? E por que o erro seria seu, não é mesmo?— O que está dizendo?— Quer saber? – suspiro cansadamente. — O único erro aqui é você ser tão babaca assim!— Natasha...— Eu achava que tinha um limite para tanto egoísmo na vida, mas não. Você ultrapassa qualquer extremo de canalhice que exista!— Você não pode simplesmente conversar comigo sem essa defensiva toda?!— E você não pode simplesmente ir se foder?! – devolvo no mesmo tom. — Abaixa a voz para falar comigo, porque você não é ninguém para gritar assim! E eu não tenho que dizer mais nada!— Natasha...— Eu aqui, passando por tantas coisas, e você vindo brigar comigo por algo tão estúpido!— Meu amor...— Não me encosta! – empurro suas mãos para longe. — Não ouse tocar num fio de cabelo meu. – ordeno antes de me dirigir às escadas.— Aonde você vai?— Para o meio do inferno! – alcanço o último degrau e caminho até o quarto das submissas.Nunca pensei que voltaria a dormir aqui, mas não tenho condição alguma de dormir com Steve essa noite. E muito provável que nem nas próximas.
Notas finais
O que acharam dessa discussão? Ixi.....
Até a próxima!
Beijocas e me sigam no twitter --> @NatashaRogers_
Fale com o autor