Notas iniciais
Obrigada pelos 447 comentários, 150 acompanhamentos, 72 favoritos, 9 recomendações e 28.334 visualizações! Sexta-feira retrasada, infelizmente, recebemos a notícia da perda do nosso querido e eterno Pantera Negra. Me pegou de choque! Eu jamais imaginei que ele pudesse estar doente. Chadwick Boseman foi um verdadeiro guerreiro, lutando contra essa doença por 4 anos e ainda assim conseguiu fazer inúmeros filmes, dentre eles os da MARVEL, que exigem bastante disposição física. E tudo isso em intervalos de tratamento e cirurgias. Ele nos ensinou muita coisa, nos mostrou muita coisa e nos comprovou muita coisa. Graças a ele muitos negros se sentiram com voz, motivados e valorizados. Foi um trabalho lindo! E ninguém jamais fará igual a ele! Foi muito mais do que um personagem. Foi um marco histórico. Que ele descanse em paz e receba todo o brilho, felicidade e poder que recebeu em vida. WAKANDA FOREVER Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem :) Tradução do capítulo: Erros

Durante toda a noite, eu mal preguei os olhos. Ainda não consigo me esquecer da discussão de ontem. Como Steve teve coragem de brigar comigo depois de tudo que vem acontecendo? Ele é egoísta demais!

Ao mesmo tempo em que quero me trancar neste quarto e nunca mais sair, também sei que um mundo me espera lá fora. E que há pessoas com quem preciso me encontrar. Ainda não estou preparada para tanto contato, mas é inevitável, uma vez que segunda começarei meu trabalho oficial como psicóloga na Minds Manhattan. É bom ir se preparando, Natasha. Para que evitar o inevitável?

Suspirando, empurro as cobertas e me levanto. Agradeço muito por Steve não ter vindo até mim de madrugada. Porém, ao mesmo tempo em que isso alivia minha cabeça, também machuca meu coração. Será que ele não terá empatia de reconhecer que errou e me pedir desculpas? Um passo de cada vez, Natasha.

Quando alcanço o andar inferior, vejo Jessie lavando a louça.

Abro a boca para cumprimentá-la, mas logo desisto. Não quero que Steve perceba que já estou de pé.

Com passos silenciosos, caminho até o sofá e pego meu celular. Desbloqueio a tela e vejo as mensagens que recebi durante a noite.

— Bom dia, Srta. Natasha!

Paro de estudar minhas notificações e me viro para Jessie.

— Oi! Bom dia! – respondo. — Pensei que estivesse de folga.

— E estou! Na verdade já vou sair. – explica.

— Ah, sim.

— Quer algo para o café? – pergunta enquanto seca as mãos no pano de prato. — O Sr. Rogers já acordou, mas ainda não saiu do quarto.

— Oh. – mordo o lábio. — Hmm. Okay. Uma xícara de chá, por favor. Acordei com dor de cabeça. – vou até o balcão e me sento no banquinho.

— Quer um comprimido? – Jessie questiona atenciosamente.

— Oh, sim! – peço. — Se não se importar, Jessie, pode pegar no banheiro do quarto de Steve, por favor? Tem uma bolsinha de remédios no armário da pia.

— Sim, eu sei. – ela concorda prontamente. — Vou só esquentar a água...

— Não. – fico de pé. — Não se incomode. Eu faço o chá.

— Certeza?

— Claro, Jessie! – sorrio ao colocar água na chaleira.

— Okay. Volto num instante.

Quando Jessie se afasta, eu já acendi o fogo e pus a chaleira na boca direita do fogão.

Enquanto a água esquenta, eu me viro na intenção de pegar de volta o celular, mas congelo ao esbarrar numa parede de músculos. Steve me segura pelos quadris até que me firme sozinha.

— Desculpe. – sussurra ao me soltar.

Eu não respondo nada, pois pode estar tanto se desculpando por nos esbarrarmos quanto pelas palavras horríveis que me disse ontem. Em que você aposta, Natasha?

— Nat? – chama enquanto caminho até o celular. — Nat, por favor.

— Já tomou café? – pergunto enquanto leio as mensagens.

— Sim. – responde junto de um suspiro. — E você?

— Levantei agora. Vou tomar um chá.

— Ah. – diz. — Está com dor de cabeça?

— Acordei indisposta. – falo, mas logo me arrependo, pois isso só alimentará suas suspeitas.

— Podemos conversar? – seu calor abraça minhas costas. — Por favor, Nat, olhe para mim.

— O que foi? – jogo o celular de volta no sofá e me viro. — Estou morrendo de dor de cabeça, Steve. Sinceramente, não estou a fim de discutir agora.

— Não quero discutir com você. – ele se defende. — Só quero conversar.

— Okay. – cruzo os braços. — Comece.

— Nat. – repreende num suspiro. — Desculpe pelo que eu disse.

— Você disse muitas coisas. – rebato. — Exatamente pelo que está se desculpando? Simplesmente pedir desculpas é muito vago dado a tudo que falou, inclusive insinuar que assumiria um erro por me engravidar.

— Eu sei. – assente. — Desculpe por tudo, principalmente por isso.

— Sabe o que é engraçado, Steve? – eu o olho de cima a baixo. — Já passamos por aqui antes. Tivemos essa mesma briga e depois tivemos a mesma conversa. E você disse as mesmas coisas. E se desculpou do mesmo jeito!

— Nat...

— Espera! Agora vem a parte engraçada: você fará tudo de novo.

— Quê?

— É! Sempre me dirá as mesmas atrocidades e depois se desculpará achando que palavras doces e supostamente arrependidas apagarão tudo.

— Supostamente arrependidas? Natasha, eu não... não é essa minha intenção.

— Jura? – pendo a cabeça para o lado. — Então você precisa treinar mais sua encenação, porque está passando a mensagem errada ao público.

— Pode parar com as ironias? – ele suspira. — Estou tentando falar sério com você!

— Aí é que está, Steve! – aponto. — Eu não quero falar com você.

— Nat...

— Chega, Steve! – exclamo. — Não quero falar com você. Não agora. Não antes de colocar minha cabeça no lugar.

— Eu só...

— Não! – brado. — Você não entendeu ainda? Quer que desenhe? Eu disse que não!

Ficamos em silêncio enquanto nos encaramos. Em meus olhos, Steve lê tristeza e rancor. Nos seus, eu leio arrependimento e vergonha. Mas não é o bastante. Não quando ele tornará a dizer e fazer as mesmas coisas. Não é desse tipo de constância que eu preciso em minha vida. Principalmente agora.

— Aqui!

Jessie ressurge com a caixa de comprimidos.

— Ér... perdão. – pronuncia incerta. — Não quis atrapalhar...

— Você não atrapalhou nada, Jessie. – garanto ainda encarando os olhos vermelhos de Steve. — Não há nada aqui para se atrapalhar.

— Eu...

— Achou o remédio? – volto ao fogão.

— Sim. – ouço a voz e os passos tímidos de Jessie atrás de mim. — Aqui está, Srta. Natasha. Eu termino aqui.

— Obrigada! – pego a cartela e me sento no banquinho.

Eu poderia fazer o chá, mas a verdade é que depois de passar a noite toda acordada estou realmente cansada até mesmo para esquentar uma água.

— Quer algo para comer? – pergunta ao depositar a louça em minha frente.

— Algumas torradas, por favor.

— Certo. Qual chá irá querer?

— O preto está ótimo. – peço. — Por favor.

— Okay. – Jessie se prepara para abrir o armário, mas Steve toma a vez ao entrar na cozinha.

— Pode deixar, Jessie. Pode ir se arrumando. Eu pego o chá e as torradas para Natasha.

— Oh... – Jessie arrisca uma olhada para mim. — Okay. Com licença.

Ela se encaminha para as escadas com passos apressados, deixando Steve e eu a sós.

— O chá preto acabou. – ele informa. — Mas tem de erva doce. Ou de camomila. Pode ajudar com a sua dor de cabeça.

— Okay. – concordo. — Pode ser de camomila.

— Aqui. – Steve abre a caixinha e me estende o saquinho. — Vou fazer torradas novas para você.

— Não precisa, Steve.

— As daqui já estão frias.

— Steve...

— Só me deixe cuidar de você, Nat.

— É a sua forma de se redimir? – questiono. — Será que você não entende?

— Nat...

— Eu já te expliquei da forma mais clara possível, mas você não quer entender. – observo sua expressão. — Eu não quero falar com você nem estar perto de você agora.

— Está me expulsando?

— Jamais te expulsaria de sua própria casa.

— É sua casa também. – rebate sutilmente.

— Não é. – nego e Steve parece com dor. — Quer dizer, ainda é novo para mim. Ainda não considero totalmente minha.

— Mas é.

— Okay. – concordo sem querer discutir. — Então, por favor, dê o tempo que eu preciso.

— Não quer mais me ver?

— Sem drama, Steve. – corto. — Você não pensou em nada disso ontem.

— Okay. – ele assente quando a chaleira apita.

Steve abre meu saquinho de chá e bota na xícara. Em seguida, pega a chaleira e despeja a água fervente, observando o pó do chá se dissolver no líquido e ganhar cor.

— As torradas...

— Sobraram três.

— Mas...

— É o que eu preciso. – digo. — Está bom para mim. Por favor.

— Okay. – Steve me estende as três torradas. — Quer geleia e manteiga?

— Por favor.

Ele abre a geladeira e me fornece o que pedi.

— Vou trabalhar um pouco no escritório.

— Okay. – murmuro ao adoçar meu chá.

— Certo. – Steve parece nervoso ao tatear a calça de moletom. — Qualquer coisa pode me chamar.

— Eu vou ficar bem. – garanto morrendo de vontade de abraçá-lo e acabar logo com isso, mas sei que preciso me manter firme.

— Certo. – repete. — Tentarei não passar a tarde toda ocupado.

— Não precisa. Quer dizer, trabalhe normalmente. Não precisa ficar pensando em mim.

— Impossível. – sussurra, mas eu consigo escutar. — Ahn... okay. – ele parece incerto ao se aproximar e beijar minha têmpora. — Eu amo você.

— Eu sei. – murmuro sem encará-lo. — Eu também amo você.

Sinto sua respiração quente quando Steve beija meu rosto de novo antes se afastar e seguir para o corredor.

Seus passos se deslocam para longe. E, não muito tempo depois, lágrimas escorrem de meus olhos.

▪️▪️▪️

Apesar de estar me sentindo cansada, o tédio está me consumindo. Sinto que irei sufocar se continuar presa neste apartamento. Porém, ao mesmo tempo em que quero e preciso de um momento sozinha, Quill não permitirá que eu saia de sua vista sob as ordens de Steve. Steve! Sempre Steve! Natasha, pense bem no que pretende... Não sou criança, Little Red!

— Quill?

Caminho até a sala e o encontro sentado no sofá.

— Oi. – ele nota minhas roupas. — Vai sair?

— Sim.

— Ah. – Quill se levanta. — Aonde vamos?

— Preciso andar um pouco. – ponho as chaves no bolso da calça e paro.

— O que foi? – ele me olha confuso.

— Ahn... preciso atender. – encaro a tela preta do Iphone, não deixando Quill perceber que se trata de uma mentira. — Você se importa de já me esperar no carro? Assim já vai ligando.

— Ahn... eu... – Quill coça a cabeça indeciso.

— Por favor. Eu juro que vou descer bem rápido. – pisco convincentemente torcendo para Quill comprar minha encenação.

— Okay. Eu te encontro na garagem.

— Tudo bem.

Nem espero ele sair para começar a falar. Junto logo o celular ao ouvido e sussurro um “alô” tímido porém ansioso, a fim de Quill poder acreditar com mais segurança.

▪️▪️▪️

Já saí de casa há trinta minutos e ninguém tentou falar comigo. Suspeito de Quill já estar louco atrás de mim, tentando desesperadamente entrar em contato com Steve.

Isso me enche de culpa e alívio simultaneamente, porque apesar de tudo eu precisava de um tempo apenas para mim. Pense em você, Natasha. Permita-se ter esse direito. Eu estou, Little Red.

— Oh!

Perdida em pensamentos, nem notei quando virei a esquina e trombei com alguém.

Pisco e tento me firmar nas pernas bambas enquanto a pessoa diante de mim cata as folhas de jornal espalhadas pela calçada.

— Mil perdões! Eu me distraí!

— Tudo bem. – o homem ri. — Eu que estava distraído.

— Estamos quites. – ergo o rosto com o sorriso se desmanchando antes de se tornar num enorme. — Nathan?!

— Sim? – o rapaz levanta a cabeça e pisca antes de me devolver o sorriso. — Natasha?

— Oi! – solto um gritinho e o puxo para ficar de pé. — Quanto tempo!

— Sim! – ele concorda ao me abraçar. — Parece que já se passaram anos!

— É verdade! – retribuo o sorriso. — Mas o que está fazendo aqui?

— Mudança. – responde e me solta.

— Mudança? Sério? – indago curiosa. — Está em Nova York agora?

— Tenho muita coisa para te contar. – ele junta as folhas do jornal.

— Bom... – rodo os olhos pela rua. — Você já almoçou? Podemos conversar durante uma boa e saborosa refeição!

— Boa ideia! – Nathan sorri quando nota que levo a mão à barriga. — Eu te convido.

— Quê? Nada disso!

— Sim. Será meu primeiro encontro em Nova York. – afirma. — A propósito, nunca vim a esta cidade. Quer dizer, já vim com meus pais, mas eu era bem pequeno. E não conheço nada por aqui.

— Tudo bem. – sorrio e começo a andar ao seu lado. — Tem um restaurante aqui perto que é uma... ér...

— “...Que é uma...”? – pressiona rindo. — Nat? O que foi? Engasgou com a fome?

— Quê? Não. – pisco atônita. — Ér... eu... bem... nada. Quer dizer, melhor não irmos. Bem, melhor irmos a outro restaurante.

— Okay... – Nate parece confuso. — Qual?

— Qualquer um. – dou de ombros. — Qualquer restaurante está bom.

— Nat? – Nate me chama. — Você está bem?

— Sim. – digo com a garganta seca. — Sim, sim, estou. É que... bem... nada! E então? Aonde quer ir?

Enquanto observo Nate responder, tento ir me acalmando.

Céus! Não acredito que quase indiquei o restaurante em que Gwen e eu almoçamos uma vez.

Eu jamais suportaria entrar lá sem ela. E ainda por cima lembrar de que ela jamais voltará lá ou a qualquer outro lugar. Não estou pronta para isso.

— ...também sei de um que é perto do...

— Quer saber? – interrompo Nate, que me olha atentamente. — Que tal comermos besteira?

— Besteira? – repete. — Como o quê? Como... como... hambúrguer e batata frita?

— É! – exclamo. — Exatamente!

— Oh. – Nate ri. — Beleza!

▪️▪️▪️

— Hmmmmmmm!

Solto um gemido assim que dou a primeira mordida no sanduíche. Nathan me acompanha enquanto ri e enfia algumas batatas fritas na boca.

— Muito bom, não? – graceja ao piscar.

— Muito! – sugo um pouco de refrigerante. — Minha ideia de comer besteira foi sensacional!

— Evidentemente! – concorda. — E surgiu do nada?

— As melhores mentes pensam espontaneamente. – Nathan ri. — E então? Está na hora de você me contar da sua vida. Como e por que toda essa mudança radical?

— Radical? – repete com uma risada.

— Bom, da Califórnia para Nova York é uma mudança e tanto! A começar pelo clima. – nós tornamos a rir. — E aí? Quando decidiu isso tudo?

— Então. – Nathan faz uma pausa para beber. — Na verdade, você já até poderia ter ido me encontrar quando cheguei à cidade.

— Ahn? – franzo o cenho. — Como assim? Não chegou por esses dias?

— Ahn... mais ou menos. Mas eu...

— O quê?

— Eu te liguei. Antes. Dias antes! – revela e eu tenho vontade de afundar o rosto na terra como uma avestruz. — Na verdade, eu te liguei muitas vezes, mas... você... nunca retornou.

— Ah. – largo o sanduíche na bandeja e dou uma longa sugada no refrigerante.

— Pois é. – Nathan me imita.

Ficamos ambos nos encarando enquanto puxamos a bebida pelo canudinho, o que nos faz rir em seguida.

— Merda! – rasgo as embalagens dos guardanapos na pressa de limpar o queixo.

— Pois é. – Nate também se limpa. — Mas estou brincando, Nat. Você não me deve satisfação.

— Não. Não, eu sei que não, mas... também não foi legal. – inicio. — Sinto muito não ter retornado.

— Natasha...

— Não que sua vinda para cá não seja importante, mas... poderia ter sido algo muito mais importante, como uma emergência. E eu não saberia simplesmente por não ter dado atenção.

— Tudo bem.

— Não, Nate! – exclamo brava comigo mesma. — Não está nada bem. Pare de ser tão legal!

— Eu entendo que tem uma vida. – diz. — Tem seu estágio, suas particularidades, seus amigos. Você me conheceu brevemente por alguns dias em Los Angeles. Nós nem... nós nem tivemos tempo para sermos amigos.

— Estou disposta a mudar isso. – garanto. — Sério. Você tem razão. Não somos amigos. Mas isso não justifica minha falta de atenção a você.

— Okay. Já se desculpou o suficiente. – Nate sorri. — Então, vim para cá por proposta de residência.

— Residência?! – sorrio empolgada. — Que legal! Parabéns!

— Obrigado! – Nate ri. — Mas e você?

— O que tem eu? – pisco.

— Como vão as coisas?

— Ahn... – penso antes de responder. — Bom... você... quando chegou?

— Acho que tem uma semana. Por quê?

— Nada. Só pensei que minha mãe poderia ter comentado sobre mim.

— Sobre você? Por quê?

— Perdi uma amiga. – revelo com a voz embargada. — Quer dizer, uma amiga faleceu. Recentemente.

— Eu sinto muito, Nat. — Nate pisca surpreso. — Eu não estava sabendo.

— Tudo bem. Ér... eu sei que... que fui eu que toquei no assunto, mas... será que podemos...

— Certo. – ele compreende ao assentir. — E o seu estágio?

— Terminou. – sorrio aliviada. — E eu passei!

— Ora, ora! Parabéns! Como está indo?

— Começo oficialmente na segunda. – informo.

— Está nervosa?

— Não. – falo. — Por mais incrível e espantoso que pareça, não.

— E não tem por que estar. – afirma. — Você é competente, atenciosa, centrada, exigente, ambiciosa, dedicada, inteligente. Você vai longe, Nat! Faz o que ama com paixão e atenção. Não tem por que ficar nervosa.

— Uau! – solto um riso sem graça. — Nossa! Caraca! – dou mais um gole no refrigerante.

— Percebi tudo isso pela sua garra de querer, batalhar e conseguir. E agora colher os frutos que sua dedicação te trouxe.

— Não tem como eu não te agradecer, Steve. – pisco com o rosto corado. — Ahn... ér... quer dizer.. Nathan! Nathan, Nathan! Nate!

— Tudo bem. – ele sorri sem vontade. — Tudo bem errar nomes. Todo mundo faz isso sem perceber.

— Desculpe! – cruzo os braços nervosa. — Mil perdões!

— Sem problemas. Mas e então? Como vai ele?

— Bem. – dou de ombros. — Bem, bem. Estamos bem. Na verdade estamos morando juntos. – revelo agitada sem saber por que estou falando tanto.

— Sério? Que legal! Então a relação está avançando.

— É. – concordo, tensa.

— E vocês...

— Onde está morando? – questiono ao voltar a comer. — É perto daqui?

— Ahn... – Nate me encara desconfiado, mas responde. — Sim. Arranjei um duplex.

— Uau!

— Ainda está cheio de caixas de mudança. – Nate se justifica. — Até te convidaria, mas teríamos que sentar no chão. Ou em cima das caixas.

— Tudo bem. – abano com a mão. — Na verdade, se não se importar, eu posso te ajudar a arrumar as coisas.

— Ah. – Nate pisca surpreso. — Bem, eu adoraria. E até agradeço, se você não se incomodar.

— Não, imagina! – sorrio. — Eu gosto de fazer essas coisas.

— Okay. – ele concorda. — Na verdade, eu já contratei uma equipe de arrumação. Eles podem fazer o grosso. E uma coisinha ou outra podemos ajeitar depois.

— Ótimo! – exclamo feliz antes de seguirmos com o que acredito poder chamar de refeição.

▪️▪️▪️

— Então é aqui que mora agora?

Nate ergue os olhos para um dos enormes prédios localizados em Upper West Side. Eu o imito inspirando o gélido ar de Nova York antes de concordar.

— É.

— Uau! – ele olha para mim.

— É... – mordo o lábio. — Bom, eu te convidaria para subir...

— Tudo bem. Melhor deixar para uma outra hora. — Nate afaga meu braço.

— Certeza?

— É. – ele me lança um olhar significativo. — Mas o dia foi muito legal, Nat. Ainda não acredito que saí de casa apenas para dar uma volta e fiquei fora até agora.

— É.

Meu celular vibra de novo no bolso da calça. Já deve ser a centésima ligação de Steve não respondida.

Mais cedo eu até mandei uma mensagem a ele dizendo que eu estava bem e voltaria logo para casa. O que fiz na intenção de tranquilizá-lo aparentemente só o deixou ainda mais nervoso. Ótimo!

— Você me ajudou muito hoje, Nate.

— Eu? Sério? – ele ri curioso. — Como? Por causa da fritura?

— Bom, isso foi uma ideia minha, então, não. – respondo também rindo. — Mas me distraiu. Estava precisando.

— É, imagino que sim. – assente. — Estou aberto a qualquer conversa.

— Obrigada. – murmuro. — Bom, até uma próxima.

— Até. – Nate se aproxima e eu fico tensa quando beija meu rosto. — Nós nos encontramos por aí.

— Pode me ligar. – garanto. — Prometo atender.

— Tudo bem. – concorda e se afasta aos poucos.

Observo Nate se afastar antes de adentrar o prédio e subir para o apartamento.

Assim que passo pela porta, Steve está andando de um lado para o outro enquanto gesticula e fala alto no telefone.

— Não. Não, porra!

— Ela chegou. – Quill anuncia assim que me nota.

— Quê? – Steve pisca quando me vê. — Natasha! Puta que pariu! – ele corre até mim e tateia todo o meu corpo.

— Oi! – tento afastá-lo, mas Steve parece irredutível. — Ai! Para! M-mas o que é isso?

— Você sumiu! – exclama quando se dá por satisfeito. — Eu... quê? – ele fala com a pessoa do outro lado da linha. — Não. Não, ela está aqui.

— Quem é? – sussurro e Steve nega com a cabeça.

— Okay. Não, está tudo bem. Ela está bem.

— Steve!

— Sim. – ele assente. — Certo. Obrigado! – observo quando encerra a ligação e me encara. — Onde estava?

— Precisei sair.

— Precisou sair? – repete. — Você deixou Quill te esperando no carro que nem um imbecil!

— Desculpa. – suspiro para Quill. — Eu sinto muito. Não quis te constranger.

— Acho que isso não faz diferença agora. – ele arrisca um olhar para Steve, que bufa.

— Quê? – olho entre os dois. — Como assim? Steve?

— Não posso ficar tranquilo sabendo que Quill não tem como te proteger.

— Quê?! – elevo o tom de voz. — Quill não teve culpa do que aconteceu! Eu o enganei!

— Isso não ajuda, Natasha. – Quill murmura.

— Steve, Quill é ótimo! – garanto. — Você não o contrataria como meu segurança se não soubesse o quão bom é.

— Aparentemente eu estava enganado. – ele suspira. — Com ele e com Gamora.

— Gamora? – pisco. — Ela não tem nada...

— Não pense que esqueci que Gamora te levou até Sharon.

— Eu quis ir até lá! – grito quando ele me dá as costas. — Eu tomo minhas próprias decisões, caramba!

— E suas próprias decisões sempre te colocam em risco! – Steve rebate.

— Eu... – faço uma pausa e suspiro. — Eu... sinto muito. Posso não pensar antes de agir, mas você também não colabora!

— Eu?! – Steve pisca nervoso. — Está jogando a culpa em mim agora?

— Pare! – exclamo irritada. — Eu não... para!

Tanto Quill quanto Steve me encaram em silêncio enquanto eu tampo os ouvidos com as mãos.

Meu coração está acelerado e minha respiração, trêmula. Sinto que terei uma síncope se não me acalmar agora mesmo.

— Quill, dê licença para nós. – Steve pede após suspirar profundamente.

— Quer que eu vá embora?

— Só suba. – esclarece. — Por enquanto.

— Okay. – Quill apanha sua jaqueta e se dirige às escadas.

Observo seus pés alcançarem degrau por degrau antes de Quill desaparecer no corredor.

Ficamos apenas Steve e eu, que aperta a nuca antes de me olhar atentamente.

— Não quero te aprisionar. – atrai minha atenção. — Mas parece que você não entende o risco em que se coloca sempre...

— Risco?! Olhe para mim! Eu não sou de vidro!

— Não se trata disso, Natasha. Não se trata de você ser ou não forte. É questão de segurança. Você não tem peito de aço. É de carne e osso como qualquer outro.

— Eu sei me cuidar. – garanto. — Fiz isso minha vida toda.

— Natasha, o fato...

— O fato é que eu não preciso de segurança, Steve! Isso é ridículo!

— Sabe que não é. Sabe que é para o seu bem.

— É, e eu voltei bem, não voltei? Saí sozinha e retornei inteira! Ou tem uma perna minha faltando e eu não percebi?

— É sério, Natasha.

— Eu também falo sério!

— Aonde você foi?

— Precisei dar uma volta. – vou até a pia da cozinha e lavo as mãos.

— E deu uma volta até essa hora?

— Eu não estava aqui, estava? – sem me virar, seco as mãos no pano de prato.

— Fale sério comigo!

— E eu estou rindo por acaso?!

— Puta que pariu! – Steve espalma o rosto. — Por que desligou o GPS?

— Não desliguei. – franzo a testa.

— Desligou. – Steve reafirma. — Eu tentei te localizar e não consegui.

— Oh! – pisco ao constatar. — Na verdade eu esqueci de religar.

— Será que dá para fazer isso agora?

— Sempre às ordens, Capitão! – pego o Iphone e ativo a localização.

— Caralho, Natasha! Pare de bancar a menina mimada!

— Foda-se, Steve! – rebato. — Ainda não quero conversar com você! Então pare de forçar uma situação!

— Não quero forçar nada. Só fiquei preocupado.

— Preocupado por eu ter ido dar uma volta?

— Sozinha. E não atender a nenhuma chamada!

— Eu te mandei uma mensagem. Disse que estava tudo bem.

— Como eu poderia saber? – ele ofega. — Eu precisava ouvir sua voz, precisava saber que estava bem.

— Desculpa. – remorso aperta meu peito. — Não quis te preocupar.

— Não mesmo? Poderia ao menos ter atendido uma ligação.

— Eu.Não.Queria.Falar.Com.Você! – afirmo enfaticamente. — Já tinha te dito isso pela manhã.

— Ficou o dia todo por aí? – ele ignora minha fala anterior. — Liguei para todos os seus amigos. Ninguém sabia de você.

— Resolveu preocupar todo mundo por causa de chilique infantil? – bato o pé irritada.

— Não foi chilique, Natasha! Você enganou Quill e saiu sem dar satisfação! E ainda acha que eu sou o infantil?

— Eu reconheço que errei. – admito junto a um suspiro.

— Pelo menos isso! – Steve suspira. — Aonde foi?

— Já disse que dar uma volta.

— Por onde? – pressiona. — Tem que me responder!

— Ah, eu tenho, Rogers? E desde quando te devo satisfações?!

— Você me assustou. – Steve se defende. — Tudo bem que tivemos uma briga. E você está certa...

— Não tivemos uma briga, Steve. – corto. — Foi mais do que isso!

— Apenas me diga se é verdade, Nat. – pede cansado.

— O que é verdade?

— É disso que se trata? Você está grávida?

— Ah! Então é isso?

— Está ou não?

— Seja sincero, Steve. Isso se trataria de uma pena de morte para você, não é?

— Natasha...

— Seria tão péssimo assim ter um filho comigo?

— Não se faça de vítima, Natasha! – ele me interrompe. — Sabe que não é disso que se trata!

— Eu não estou me fazendo de vítima! – rebato. — Se tem uma coisa que eu...

— Quer mesmo que eu responda? Então sim.

— Sim? Sim... o quê...? – meus olhos pesam em lágrimas.

— Seria péssimo ter um filho com você. – admite e eu perco o ar. — Seria péssimo ter um filho com você, Natasha, ou com qualquer outra mulher.

Notas finais
Gente!!! Eu sei que vocês ficam MUITO irritados quando a Nat e o Steve brigam kakakaka mas eu peço paciência! Não culpem nenhum dos dois! Ambos estão com os sentimentos à flor da pele. Steve não entende nada de relacionamento, e a Nat tá passando por um momento muito tenso! Não culpem a Nat por ela não ter contado a verdade a Steve ainda. Ela sempre ouviu dele que não quer filhos. Olhem só o final desse capítulo! Então, com tudo isso, como que ela vai conseguir contar pra ele sobre a situação dela? Ela tá com medo do Steve reagir de uma forma que ela não conseguiria reagir. Pegaram? Se não pegaram irão pegar com o andamento da fanfic kakakaka mas enfim... se coloquem no lugar das pessoas, até mesmo de personagens, porque tudo isso gira em torno de histórias que podem sim acontecer na vida real ;) Até a próxima! E comentem, por favor!!!! Eu preciso do retorno de vocês! WAKANDA FOREVER