Haunted 🔞
52 Capítulo 52 — Everybody needs somebody
Notas iniciais
Obrigada pelos 453 comentários, 150 acompanhamentos, 72 favoritos, 9 recomendações e 28.531 visualizações ^^
Olá, meus amores! Como vocês tão?? Não se esqueçam que apesar de já estarmos em setembro, a pandemia continua! Tomem cuidado e façam sua parte de respeitar e pensar no próximo, ou seja, o uso contínuo de máscara nas ruas, manter a higienização e nada de aglomeração!
Esse período pandêmico só chegará ao fim se nós agirmos em CONJUNTO!
Anyway, com a postagem de hoje vocês entenderão muita coisa da fanfic! Talvez entender não seja a palavra certa, mas muitas cartas serão postas à mesa kakakaka Nat e Steve discutirão sobre assuntos sérios. E com isso vocês poderão, talvez, ver as coisas por um outro lado.
Tradução do capítulo: Todo mundo precisa de alguém
Eu o pressionei por uma verdade. E Steve me deu da forma mais direta, sincera e insensível que conseguiu.
— Tente de verdade, Steve! Nós nunca conversamos seriamente sobre isso. Você sempre se fecha. A verdade é que nunca encara o problema, apenas foge dele.— E você foge de mim. – conclui e eu fico calada. — Natasha, eu não quero trazer esse assunto à tona agora. Você ainda está machucada com o que aconteceu. Inclusive estávamos brigados quando aconteceu.— Estamos brigando muito. – dou outro gole na água.— Todos os casais brigam. – comenta numa tentativa de apaziguar.— Não assim. – ponho o copo na mesa do canto. — Talvez seja um sinal.— Um sinal de quê?— De que demos um passo maior do que a perna. – reflito. — E pensar que você ainda me pediu em casamento! – solto um riso incrédulo.— E falei sério, Natasha! – Steve chama minha atenção. — Quero me casar com você.— É? – ergo as sobrancelhas. — E para quê? — Como assim para quê?— Para vivermos para sempre apenas você e eu?— Nat...— Quer se casar comigo para me prender, para nunca construirmos uma família juntos? É por isso que quer se casar comigo?— Quero me casar com você porque te amo! – exclama. — Meu Deus! Por que toda essa pressão em ter filhos? Você não pode respeitar o fato de eu não querer ser pai? Se fosse o contrário, como é muitos outros contextos, o homem não precisa respeitar a vontade da mulher? — Eu não quero te faltar com respeito. – admito chorosa. — Só me magoa você me dizer que não quer filhos comigo.— Não se trata de que não querer filhos com você. – nega gentilmente. — Eu não me vejo tendo filhos com ninguém.— Por que toda essa aversão a crianças?— Não tenho aversão a crianças! – replica. — Como pode dizer isso depois de me ver com Morgan?— Exatamente! – exclamo. — Exatamente por Morgan, Steve! Exatamente por te ver com ela, eu acreditei... eu achei... eu...— Morgan não é minha filha, Nat. – rebate sutilmente.— E daí? – contesto. — Não ter filhos é sua palavra final? — E se for?— Bom... você manteria mesmo sabendo que me faria infeliz?— E você me faria ter filhos mesmo se isso me fizesse infeliz?— Infeliz, Steve? – repito. — Pode mesmo dizer que uma criança sua, uma criança minha e sua, faria você infeliz?— Eu tenho todos os motivos para acreditar que sim. – responde. — Você se esquece da bagagem que tenho?— Você não é igual a ele! – afirmo. — Meu Deus! Já falamos tantas vezes sobre isso. Por que não pode se dar uma chance? Por que não pode nos dar uma chance?— E por que tudo isso agora? – pergunta. — Você ainda não me respondeu se está grávida.— E se eu estiver? Vai me deixar?— Jamais faria isso! – garante. — Eu amo você.— E amaria o bebê?— Eu... Natasha... – divaga tenso. — Não se trata de amar ou odiar a criança!— Então do que se trata?— Ora... se trata apenas... apenas... de falhar. — Falhar?— É. — Mas você não estaria sozinho nessa!— Como sabe?— Steve...— Eu poderia muito bem falhar como pai, como marido, como pessoa. De falhar na promessa que fiz a mim mesmo.— Qual?— De que jamais seria como ele. – diz. — De que eu jamais machucaria alguém como ele me machucou tantas e tantas vezes, principalmente alguém indefeso como uma criança.— E eu sei que não iria, Steve. – confirmo. — Acha que eu consideraria planos de ter filhos com você se tivesse uma gota sequer de suspeita de que maltrataria a criança?— Nat...— Eu não estou grávida. – atraio novamente sua atenção. — Não?— Não.— Ah. – ele pisca confuso. — Então por que tudo isso? Por que não pôde me dizer? Teria evitado...— Não teria evitado nada, Steve. – nego. — A questão não foi a gravidez em si, mas a sua reação quanto a isso. — Eu não...— Bebês nascem quando pessoas fazem sexo! E você e eu fazemos muito! — Eu entendo que é uma possibilidade considerável, Natasha...— E não, uma criança ser resultado disso não é um erro, é apenas um resultado! Simples assim. E doeu muito, muito mesmo, você dizer que assumiria seu erro.— Não era para ter soado como soou.— Sinceramente, eu não vejo como mais poderia soar quando alguém diz o que você disse.— Você tem todos os motivos do mundo para ficar brava comigo. E eu não tiro a sua razão.— Brava? Brava não chega nem perto, Steve! Na verdade... na verdade nem tem como descrever!
— Nat...— Você me fez acreditar num futuro com você!— Mas eu quero isso, Nat! Eu quero um futuro com você. Mas eu não entendo por que precisa de uma criança. O que há de errado em sermos apenas nós?— Nada! – o ar me falta. — Além disso, ainda que quiséssemos, não seria diferente.— Tá. Mas eu... pera. Quê? – indaga rapidamente.— Nada.— Não, espere. – Steve segura minha mão. — Como assim? Não quer mais ter filhos?— Acho que não. – comento. — Não depois disso.— Disso o quê? – pressiona. — Depois do que eu disse? Nat, essa é a minha opinião. Mas a sua...— Ainda que eu queira, Steve. – corto. — Ou quisesse. Que diferença faria?— Como assim?— Está me dizendo para te enganar? – ironizo. — Está me dizendo para furar uma camisinha ou para interromper meu controle de natalidade? É isso? Quer que engravide de propósito?— Não. – responde. — Não, claro que não! E também sei que jamais faria algo assim.— Então pronto. – cruzo os braços. — E quer saber de uma coisa? – espero até que olhe para mim. — E eu não... não quero... não penso em ser mãe, Steve. – confesso. — Até pensei antes, mas... acho... bem, não penso agora.— Por quê?— Porque...Antes de eu completar minha resposta, resolvo parar e respirar fundo. Que diferença faz? Qual importância de contar isso a ele agora? É indiferente! Steve não quer ter filhos. Nem eu poderia conceber caso pensasse diferente. Então do que adianta trazer essa discussão à tona agora? Ele só se sentirá aliviado, ainda que eu esteja me sentindo incapaz. Natasha, não esconda! Você não gosta quando ele não divide as coisas com você. Então não faça igual. Mas não é igual, Little Red! Trata-se de um assunto meu! Uma amargura que está corroendo somente a mim! E não fará diferença alguma para Steve. Inclusive, ele se sentiria até seguro por saber. Não estou preparada para isso, para presenciar sua reação. Ele não precisa saber. Natasha... Não!— Nat? – Steve sacode meu ombro. — Por quê?— Por que o quê?— Por que disse que não pensa em ser mãe? – questiona e eu pisco. — É por causa do que eu disse?— Não. – limpo as lágrimas e suspiro. — Esqueça.— Nat...— Sério! Não tem nada a ver com você! – garanto. — Deixa para lá. É uma decisão minha.— Antes não era.— As pessoas mudam. – encolho os ombros. — Ninguém pensa igual sobre uma mesma coisa a vida toda. — É, mas você sempre me pareceu irredutível nesse assunto.— Por que tudo isso, Steve? – franzo o cenho. — Não está feliz por eu concordar com você? — Só se estiver concordando por vontade própria, e não porque se sente pressionada.— Você não está me pressionando a nada. – esclareço. — Fique isento dessa culpa.— Nat...— O mundo não gira ao seu redor! – perco a paciência com sua insistência. — Eu não quero ter filhos! E essa decisão não tem nada a ver com você! Tá legal?— Okay. – Steve me encara ainda desconfiado. — Então por que ficou brava comigo?— Ora! – junto as mãos em um estalo. — Porque... porque por mais... por mais que eu não queira ser mãe, você não pode me dizer o que disse! – Steve pisca. — Foi cruel demais!— Eu sei que jamais conseguirei me perdoar com você o suficiente. – inicia. — Nunca quis te magoar. Só fiquei nervoso de ter nas mãos uma responsabilidade que... que eu... que nunca me ensinaram a ter.— Ninguém ensina algo assim. Você acha que todo mundo já nasce preparado para enfrentar tudo na vida?— Você entendeu, Natasha.— Eu entendo o medo. – pego sua mão. — E eu jamais cobraria algo assim de você ou te condenaria por isso. Caso tivéssemos filhos, Steve, essa criança seria nossa. Não só minha nem só sua. Mas nossa. — E eu falharia como pai.— Você prevê o futuro?— E você? – devolve tenso.— Está certo. – concordo sem escapatória. — Ninguém prevê o futuro. Mas posso dizer por nós dois que você jamais surraria seu filho como seu pai te surrou. Nem o deixaria passar fome como castigo, nem o queimaria com cigarros... acho que nós dois, e qualquer outra pessoa que te conheça, pode afirmar que você não atiraria no seu filho! – os olhos de Steve marejam. — Não concorda comigo? Você realmente faria coisas assim a uma criança, ainda mais sendo essa a sua criança?— Não! – Steve balança a cabeça e limpa os olhos. — Não! Não, eu não... jamais... não seria um monstro assim!— E você não é! – garanto. — Eu conheço o homem por quem me apaixonei perdidamente. — Minha mãe também pensava conhecer.— Meu Deus! Mas será que tudo que acontece entre nós precisa ser comparado ao passado da sua mãe?— É incontrolável, Natasha!— Por quê? Tire essa mágoa...— Não tem como! – Steve explode. — Você não percebe? Ela estragou minha vida tanto quanto ele! – percebo que é importante que Steve desabafe, portanto deixo que descarregue toda a raiva acumulada. — Ela era a adulta, Natasha! Ela é a minha mãe! Cabia a ela me proteger! Eu era só uma criança! Não pode exigir vista grossa para o que eu passei tanto na responsabilidade dele quanto na dela.— Eu não exijo nada disso de você! – pego suas mãos. — E jamais poderia. Eu jamais entenderei pelo que passou. E jamais te condenarei pelo que sente em relação a tudo.— Você me cobra perdão!— Eu não te cobro perdão, Steve! – acaricio seu rosto. — Eu só penso no melhor para você, para o seu coração. Quero que fique em paz consigo mesmo. Eu sei que é difícil.— Não, não sabe. – rebate. — Você não tem ideia! E eu dou graças a Deus por isso, porque eu acabaria com qualquer um que te machucasse como me machucaram. – afirma. — Steve...— Precisamos encarar os fatos, Natasha. E os fatos são que eu nunca aprendi como amar alguém ou como servir de exemplo. Ainda mais para uma pessoa que me olharia em busca de perfeição e guia. Eu nunca tive isso. Nem nunca poderei dar o que não aprendi.— É compreensível que tenha essa posição. Mas acho que já tive provas o suficiente para acreditar em você, Steve! Para acreditar que é um bom homem.— Mas eu te decepcionei. – murmura. — Você confiou em mim e eu te decepcionei.— Eu também te decepciono. – sussurro. — Casais se decepcionam.— Isso não é certo.— Nada é certo no amor. E tinha razão quando disse que tem uma bagagem pesada. Mas eu não sei o que mais é preciso ser feito ou dito para que deixe as pessoas te abraçarem!— Eu...— Ninguém consegue ficar sozinho a vida toda. – afirmo. — Todo mundo precisa de alguém. Mas você recusa qualquer ajuda oferecida. Até mesmo a minha!— Eu cresci sozinho, Natasha. – diz. — Ninguém nunca me ensinou o que é ser amado. — Nem mesmo Joseph?— Era diferente. – rebate. — Com pena.— E o meu amor? Não significa nada para você?— Claro que significa! Você chegou cheia de luz à minha vida. E me assustou pra caralho, Natasha! Ainda vou falhar muitas vezes com você. Mas estou disposto a aprender.— Eu não preciso te ensinar a amar, Steve. – constato. — Não há diploma para isso.— Não gosto de admitir que tenho medo, Nat. – Steve se justifica. — Isso me faz sentir fraco. E a verdade é que fiquei apavorado com a ideia de ser pai. Eu me sentiria no escuro se estivéssemos esperando um filho.— E como acha que eu me sentiria? – questiono. — Eu não sei, Natasha! – Steve se altera. — Você... você não tem medo de nada!— Quê?! – arregalo os olhos. — É isso que pensa de mim? — Você enfrenta tudo que vem pela frente! É a pessoa mais forte que eu conheço. Até mesmo mais do que eu.— Eu posso até ser, Steve, mas cansa. – lágrimas escapam de meus olhos. — Cansa muito! E, para sua informação, a verdade não é circunstancial o tempo todo. Eu também não sou. — Como assim?— Não me mostro do mesmo jeito para qualquer um.— Jeito duro de viver. – comenta.— É um jeito bom de não morrer. Eu acho. – dou de ombros. — Mas está enganado ao dizer que não tenho medo de nada.— Não é o que você demonstra.— Acabei de dizer que a verdade não é circunstancial!— Nat...— Realmente acredita que consigo tirar tudo de letra, ainda que isso significasse ser mãe aos vinte e dois anos num relacionamento instável?— Instável? – Steve perde a voz. — Como pode dizer isso?— Tenho motivos para pensar diferente? – rebato. — Nós discutimos toda hora. Somos impassíveis quanto ao nosso futuro. Eu estou apta a tentar e você sempre apto a se fechar. Estamos mesmo sendo saudáveis um para o outro?
— Está dizendo que... você... quer terminar?— Viu? Você nem consegue entender o que eu digo!— Então me dê uma ajuda, Natasha! Eu passei tanto tempo sozinho acreditando que era o certo que agora me apavora ficar realmente sozinho.— Quer saber qual é o seu problema, Steve? Usar tanto eu nas frases! – passo os dedos pela boca, nervosa. — O mundo não gira em torno de você.— Quê? Do que está falando?— Você não quer ter filhos porque você tem medo de falhar, você me pede em casamento porque você quer passar o resto da vida comigo, você não perdoa a sua mãe porque você se sentiu abandonado por ela, você me priva de me contar as coisas porque você não quer me preocupar. Tudo você, você, você! E ainda tem medo de ficar sozinho? – pisco. — Não percebe que você mesmo se coloca na posição de sozinho?Steve fica um tempo me encarando antes de piscar para afugentar as lágrimas. Estou sendo dura com ele. Mas é preciso. Tanto para Steve quanto para mim. Já passei a mão na cabeça dele muitas vezes! E já está mais do que na hora de ele crescer! Aliás, de nós dois crescermos!— Precisa parar com esse discurso de vitimização. – confronto.— Vitimização? – Steve parece sem voz. — Como tem coragem de dizer isso? Eu nunca me coloquei em posição de vítima!— Faz isso constantemente, Steve!— Natasha...— O menino assustado que sofreu abusos ficou no passado. E sim, esse menino foi muito triste. Mas esse menino também morreu. – afirmo e Steve me olha. — Hoje é um homem. E precisa encarar a vida como tal! Mais uma vez, ganho seu silêncio como resposta. Mas deixo. Deixo porque também sei que Steve precisa desse tempo para refletir, entender e enxergar a razão ao seu redor.— Não há problema algum em errar... – atraio sua atenção. — ...desde que assuma disposto a se redimir. E não, Steve, você não precisa fazer nada disso sozinho. – ele aperta meus dedos em resposta. — Não tem nada de mal em aceitar ajuda e se permitir ser ajudado.— É difícil receber tantos abraços do nada quando eu nunca tive antes.Eu concordo silenciosamente. Por mais que eu me sinta frustrada sempre que Steve me fecha para fora, também preciso ter paciência. Tanto como companheira quanto psicóloga. É minha função de responsabilidade amorosa e profissional.Eu cresci em um lar de amor, afeto e aprendizado. Steve cresceu em um lar de egoísmo, punição e ódio. Ele passou de menino a homem dentro de uma redoma de medo, desestrutura e desconfiança. Seu pai estragou, se não toda, grande parte de sua vida. E, ainda que com meu coração dolorido, preciso admitir que Sarah também carrega uma grande parcela de culpa.Steve tem razão: ela era a mãe. Ela era a adulta e poderia ter evitado bastante coisa. Talvez não tudo, mas uma grande parte, a começar pelo abuso sexual que Steve sofreu. A verdade é que ela é tão vítima quanto Steve, uma vez que não se pode simplesmente culpá-la pelos abusos ao todo. Ela também apanhou acreditando que era o que merecia, que era uma consequência de seus supostos erros enquanto esposa e mulher. Sarah também foi vítima de violência doméstica, mas aos olhos de Steve, um garotinho pequeno e ingênuo, ela era apenas sua mãe, a quem deveria sempre protegê-lo a qualquer custo.Entretanto, diferente de Sarah, que admite seu passado, Steve ainda não se sente pronto para se reconhecer como vítima.Talvez, acusar que as pessoas que deveriam protegê-lo acabaram o abandonando seja a principal razão de tanta dor e reclusão. Pois assim que Steve assumir isso a si mesmo estará assumindo também que seus pais o atiraram no meio de toda a tragédia. E por mais que queira protegê-lo de todo esse choque que tomará, sei que não poderei fazer nada, pois será mais do que preciso que Steve sinta essa dor para só então compreender o que sofreu. E então ele não será mais vítima, mas sim um sobrevivente. Ainda que não pareça ter significado diferente, isso fará a toda e mais importante percepção em sua vida.— Você me sugeriu terapia de casal. – Steve torna a me encarar. — Lembra?— Sim. – responde com a voz rouca.— Vamos fazer. – aperto suas mãos. — Vamos enfrentar isso juntos. Mas, para isso dar realmente certo, preciso que me deixe entrar. Por mais doloroso que seja confiar em alguém, é ainda mais doloroso não saber se pode confiar.— Eu sei que posso confiar em você.— Então me deixe te provar que você não se arrependerá. – acaricio acima de seus olhos. — Por favor.— Tudo bem. – ele pisca. — Mas também preciso que faça uma coisa.— O quê?— Converse comigo.— Quê? – eu me retraio. — Está falando sério? Como você ousa? O que eu mais tento fazer é conversar com você!— Não, amor. – Steve segura meus ombros quando ameaço me levantar. — Você ataca.— Steve?!— Pare e pense. – ele respira fundo junto comigo. — Sei que me comporto mal às discussões que temos, mas a maioria das vezes é por conta da sua reação.— Está me culpando por todas as coisas duras que já me disse?— Não culpando, mas sim, algumas foram por reflexo do que você falava.— Steve... – tento me soltar, mas ele me segura mais forte.— Amor. Por favor. Reconheça. Você nunca chega apta a uma troca de ideias, você sempre tenta me convencer.— Eu não... eu jamais...— Você faz. Pense. Quando eu discordo, você já se sente atacada e reclusa. — Eu... – trago em minha mente todas as discussões que já tivemos, desde as mais recentes às mais distantes.Com um grande pesar, passo a reconhecer os momentos, falas e sensações que duelavam dentro de mim.Eu sempre tento moldar um Steve perfeito. Um Steve que me atende a todas as expectativas que construí ao longo do tempo. E então um balde de água fria me bate da cabeça aos pés: jamais existiu nem existirá um homem perfeito. Eu exijo coisas dele que eu mesma não me submeto a fazer.— E então? – Steve acaricia meu rosto. — Não é culpar você. Jamais farei isso. — Eu entendi. – balanço a cabeça. — Eu... nunca tive intenção... me desculpe.— Vamos consertar isso. – ele beija minha bochecha. — Convenhamos que eu também não estou em posição nenhuma de cobrar alguma coisa.— Não se deprecie assim. – descanso o pescoço contra sua mão. — O fato de eu ser mulher não me isenta de posições e atitudes erradas. Isso é uma romantização redondamente extrapolada!— Nat...— É sério. – confirmo. — Eu erro também. E não admitir isso só me faz ainda mais mal.— O que importa é que já reconhecemos. – Steve garante. — Já demos o primeiro passo. Aliás, o primeiro e o mais importante de todos.— Concordo. E agora vamos trilhar o resto juntos.— Lado a lado.— Lado a lado!⚫⚫⚫Não foi fácil encarar uma tranquila noite de sono depois de toda a discussão que tivemos. Dissemos coisas duras um ao outro. E, apesar de terem sido duras, também foram construtivas. Por isso mesmo que surgiu efeito positivo, Natasha. Pode ser, Little Red. A verdade é que eu cobro maturidade do Steve quando que, na verdade, meus pais também sempre procuraram me proteger. Aí é que está, Natasha. Você sempre foi protegida, enquanto que Steve sempre precisou se proteger. Ninguém jamais o preservou, ele teve que fazer tudo por conta própria. Vê a diferença?— Bom dia, Natasha!Quill me cumprimenta sentado no sofá.— Oi! – solto um sorriso frouxo e termino de amarrar o roupão. — Dormiu bem?— Até que sim. – ele retira seus fones de ouvido. — E você?— Melhor do que ontem. – dou de ombros. — Já tomou café?— Ainda não.— Está com fome?— Ahn...— Quill, não precisa ficar assim. – eu me aproximo do sofá. — Quer dizer, ao menos espero que me perdoe. E que não fique esse clima estranho entre nós. Sinto muito pelo que fiz.— Tudo bem. – ele sorri. — Estamos quites por essas pantufas ridículas.— Ei! – levo as mãos à cintura. — O tem de errado?— Natasha, você tem vinte e dois anos com pantufas do Bob Esponja?— Vai mesmo me dar aula de maturidade? – arrisco um olhar significativo a Quill, que engole em seco.— Touché.— Vamos preparar o café!Vou até a cozinha com Quill ao meu alcance. Pego tudo que irei precisar e começo a aquecer a água.— Ele falou alguma coisa?— Steve?— É.— Não. Mas ele não te mandará embora, Quill. – garanto. — Nem eu não vou mais fazer coisas como aquela.— Ótimo! Porque é muito difícil ser seu segurança! – resmunga e e rio.▪️▪️▪️Estou terminando de ajeitar a louça e Quill fritando seus ovos quando braços calorosos me envolvem por trás.— Bom dia, fujona! – Steve beija meu pescoço.— Oi! Dormiu bem?— Até que sim depois da conversa. – sussurra em meu ombro. — Oi, Quill.— Oi, Steve. Uh...— Falaremos disso depois. – corta e eu cutuco sua barriga. — Depois, Nat. Não insista.— Tá bom. – eu me dou por vencida.— Vou comer na sala.— Não precisa...— Vá, Quill. Por favor. – pede sutilmente e Quill apanha os utensílios necessários antes de se afastar. — Estamos bem? – Steve pergunta em meu ouvido quando ficamos a sós.— Estamos. – acaricio os braços que me enjaulam. — E eu realmente quero fazer terapia de casal.— Então faremos. – Steve beija meu rosto mais uma vez antes de me soltar. — E o que a senhorita andou aprontando por aqui?— Fiz panquecas! – sorrio animada. — E tem bastante calda de melado.— Será uma dor de barriga muito bem-vinda! – Steve brinca ao abrir o armário.— O que está procurando? – eu o abraço por trás e beijo o centro de suas costas. Sinto seus músculos tensos sob meus lábios, mas não paro de tocá-lo. — Isso ainda te incomoda?— Um toque seu jamais me incomodará. – afirma quando se vira para mim.— Nós somos uma bagunça. – descanso a testa contra seu peito.— Uma total bagunça. – Steve beija minha cabeça. — Mas eu não mudaria nada.— Por quê? – ergo o rosto. — Somos muito difíceis!— Ótimo! – Steve sorri e penteia meus cabelos para trás. — Ótimo? – rio de sua expressão tranquila. — Você bateu a cabeça enquanto dormia?— Não. – ele ri também. — Gosto de sermos difíceis porque isso nos torna fortes.— É?— É. – confirma. — O fácil é chato. Você está sempre me desafiando. Está sempre me instigando a ser melhor.— Steve...— Você me motiva, Natasha. – revela. — Você me ensina a cada dia. Toda noite, quando vou dormir, aprendi algo novo com você. Você me ensina a te amar cada vez mais.— Steve. – repreendo segurando a emoção. — Por que isso?— Não sei. – seus polegares passeiam por meu rosto. — Foi produtivo ontem. Eu precisava do tapa na cara que você me deu.— Na verdade você bem que merecia um. – brinco e Steve me abraça. — Outro? – ri, mas eu fico tensa.— Não me lembre desse dia. – peço. — Eu não me reconheci naquele momento.— Está tudo bem. – sussurra docemente. — Minha menina brava.— Meu menino bobão. – Steve ri novamente. — Você me passa segurança, Steve. – ganho silêncio em resposta. — Apesar das brigas e controvérsias, sempre me senti segura com você.— Nat...— Na raiva, digo muitas coisas movida pela emoção. Mas eu sempre confiei em você.— E eu prometo que sempre darei o meu máximo para que continue.
Notas finais
E então??? O que acharam? Todo esse diálogo deles foi produtivo, não?
Calma!!! Eles tão falando bastante de terapia de casal e eu sei que ainda não foram a uma, mas não dá pra agilizar as coisas. Tanto Nat quanto Steve estão passando por particularidades emocionais no momento, então ainda não chegou a hora de eu introduzir um encaixe na fanfic sobre a terapia. Mas chegará!!! E sim, algumas coisas ainda não foram esclarecidas entre eles, e vocês sabem do que estou falando, mas não se esqueçam de que tem uma terceira temporada vindo aí, então.... O.o
Sei que vocês se sentem irritados com Steve, mas a verdade é que ele passou sim por situações traumáticas. E ele ter medo de se tornar pai não é nenhum mau-caratismo. Pessoas têm suas particularidades e é preciso respeito e compaixão. Ninguém é livre de passar pelo que Steve e tantas outras crianças passaram. Eu sempre tento passar aqui, apesar de fanfic ser apenas uma obra de deleite, apenas uma leitura por diversão mesmo, assuntos sérios. Críticas sociais. E eu espero que eu consiga plantar uma sementinha de dúvida na mente de vocês, que vocês cheguem a refletir depois de ler algum diálogo, cena, pensamento que eu escrevo :)
Entenderam por que a Nat ainda não contou a Steve a verdade sobre o útero? Ela tá com medo que ele se sinta feliz ainda que ela esteja se sentindo inútil, por assim dizer. E isso não é frescura, mas ela realmente tá se culpando e se sentindo inferior com isso. Mas calma!!!! Tudo isso não será deixado de lado, apenas certas coisas não cabem ser discutidas agora, porque não adianta apressar nada. Certas ocasiões conseguem ser encaixadas sem deixar a história corrida, mas outras não. E essa discussão e as consequências que serão trazidas não cabem serem apresentadas agora. Tudo bem? Apenas confiem em mim, porque vocês sabem que quando eu quero destacar uma coisa, eu vou e faço kakaka então confiem!! Como eu disse antes, ainda teremos uma terceira e última temporada chegando por aí......
Quero saber a opinião de vocês sobre esse capítulo, que talvez tenha sido o melhor que escrevi até agora na minha opinião. Ao menos foi o que eu mais gostei e acredito ter me envolvido até pessoalmente :)
Até a próxima!
Beijocas!
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