Notas iniciais
Olá!!! Primeiramente, quero dizer que fiquei muito feliz com os comentários do capítulo anterior! Obrigada! Isso significa muito pra mim, ainda mais aqui no Nyah!, que o número de leitores está praticamente escasso kakakaka Enfim, perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem :D Tradução do capítulo: Injusto

— Terminou? – Steve aponta para a metade do mingau.

— Estou sem fome. – murmuro ao soltar a colher.

— Imagino. – ele se levanta, pega meu prato e joga na pia. Noto seus ombros tensos.

— Será inevitável por um tempo, mas eu não gostaria de um clima estranho entre nós. – digo, na estúpida esperança de que ele me tranquilize.

— É como disse. – Steve volta a se sentar à mesa da cozinha. — Será inevitável. – suas palavras não eram o que eu esperava, mas reconheço não poder cobrar muito.

— Pedimos desculpas um ao outro. – relembro, receosa.

— E isso apaga? – indaga. — Se sim, desde quando?

— Deveria ser assim.

— É, deveria. – diz. — Eu te pedi desculpas, mas isso te fez esquecer as coisas que te disse?

— Sim. – respondo, sincera. — Você me machucou, mas eu te machuquei muito mais.

— Então você não me desculpou nem se esqueceu, Natasha, está apenas com remorso.

— Steve, não. – pego em sua mão. — Eu te amo. Não quero ter que ficar sem saber o que fazer ou dizer pelos próximos dias. – murmuro. — Bem... quer dizer...

— Que foi?

— Hmm... eu... aqui.

— Como assim? – Steve ergue os olhos ao meu rosto.

— Eu... não sei.

— O que você não sabe, Natasha?

— Depois dessa briga que tivemos, das coisas horríveis que dissemos um ao outro, ainda me quer aqui? – pergunto, e Steve arregala os olhos ao suspirar e desviar o olhar. — Eu... ér... tudo bem. – digo, engolindo o nó na garganta. — Entendo que talvez precisemos de um tempo. Afinal, a casa é sua, e eu...

— Cala a boca! – Steve agarra o meu rosto e choca os lábios contra os meus.

Não dá para segurar: assim que nossas bocas se encostam, uma enxurrada de lágrimas escapa de meus olhos. São rios de sofrimento, arrependimento e medo vazando de dentro de mim. E mínimas gotas de esperança.

Steve me beija como se eu fosse o ar que ele precisa para viver. E eu sei que se sente assim em relação a mim porque é como eu me sinto em relação a ele. Um amor que te inspira através da pessoa que ama. Simples assim.

— Steve...

Nós nos separamos sem ar. Suas bochechas estão vermelhas, assim como as minhas devem estar.

Delicadamente, Steve limpa minhas lágrimas com as mãos.

— Nunca mais repita isso. Aliás, nem termine essa frase, Natasha. – ordena.

— Mas eu pensei...

— Pensou nada! Não é um lar sem você. Nunca foi.

— Então ainda me quer aqui?

— Eu sempre quis, meu amor! – exala ao me beijar novamente. — Tivemos uma briga. Mas qual casal não tem?

— Eu te machuquei muito, Steve.

— Eu também te machuquei. – ele encosta a testa na minha. — Na verdade, eu venho te machucando desde que nos conhecemos.

— Isso não é...

— Shhhh... – ele me interrompe ao me dar um selinho. — Não adianta adoçar a pílula para mim. Eu tenho ferido você desde o dia em que te conheci. Eu te proporcionei momentos felizes, mas não um relacionamento feliz. Isso é muito diferente. E cruel. E egoísta. Eu estou sendo quem eu sempre prometi nunca ser: meu pai.

— Steve... não. Não vá por aí.

— Ele machucou minha mãe das piores formas, tanto físicas quanto emocionais. Então me diga: como eu fiz diferente com você?

— Você não tem nada a ver com ele! – afirmo ao segurá-lo pelos ombros. — Já conversamos sobre isso. Toda criança precisa de um exemplo a se seguir, e você não teve isso quando pequeno. Você nunca fez nenhuma atrocidade como as que ele fez. Pare com isso.

— Eu amo você. – revela.

— Eu sei. – murmuro após piscar. — Eu sei que ama.

— Será? Quem ama não machuca, Nat.

— Mágoa é apenas uma consequência.

— Não deve...

— Nós somos um casal. E nós vamos enfrentar seja lá o que for como um casal. Não estamos sozinhos. Acima de tudo temos um ao outro. – afirmo. — Não se esqueça: Eu.Amo.Você.

⚫⚫⚫

Pedidos de desculpas deveriam ser como borrachas, pois servem exatamente para apagar os erros e recomeçar. Mas não é assim. É bem diferente. E hipócrita.

Steve e eu nos desculpamos trocentas vezes. Entretanto, nenhum de nós deu o primeiro passo disposto a demonstrar que essas desculpas realmente fizessem efeito. Nós mal nos falamos ou nos beijamos. Nossas trocas de carinho são automáticas, como obrigações a se cumprir, uma vez que somos um casal.

À noite, quando dividimos a mesma cama, mal nos tocamos.

Nesta madrugada, as únicas vezes em que senti o toque de Steve foi quando acordei com uma perna em cima dele sem querer. Na outra rara vez ele esticou o braço e tocou minhas costas agilmente, como se quisesse comprovar para si mesmo que eu ainda estava ali.

Quando acordo de manhã, seu lado está vazio assim como no dia anterior, com a diferença de agora conter um papel amassado. Creio que eu mesma devo ter rolado na cama e esmagado com o meu corpo.

Tive que ir trabalhar cedo. Gamora vai ficar com você durante o dia, para cuidar da sua segurança. Faça e vá aonde quiser, Natasha, mas por favor, ao menos desta vez, eu peço que não discuta comigo. É importante, para a sua segurança, que me obedeça. Ao menos agora, como eu disse.

Bjs, eu te amo. Qualquer coisa é só me ligar.

Steve.

Eu leio suas instruções com atenção, mas o seu “eu te amo” não faz o meu coração galopar de emoção como antes. Pelo contrário: faz murchar de medo. Agora essas palavras simplesmente me faz encará-las duvidosamente, como se eu estivesse num dilema no qual precisasse descobrir se eu realmente mereço ser amada por Steve depois do que aconteceu. E se esse amor é sincero ou apenas consequência de regra de um relacionamento.

Foi um eu te amo caloroso ou um eu te amo automático?

▪️▪️▪️

Após tomar banho e seguir para a cozinha, acabo me deparando com Gamora sentada na mesa da sala.

Antes que eu possa cumprimentá-la, meu telefone toca: Rebby. Até penso em ignorar, mas ela me ligou a noite toda de ontem e agora está ligando na manhã de segunda. Não quis atender antes, assim como também não quero atender agora, mas deve ser algo importante para que esteja insistindo tanto.

— Alô?

— Nat! Oi! Nossa! Estou tentando falar com você desde ontem!

— É? Que estranho! – comento, sentindo a mentira me sufocar. — Eu não recebi ligação nenhuma sua.

— Eu liguei a noite toda!

— Sinto muito, Rebby. Mas o que foi? Está precisando de alguma coisa?

— Sim.

— Oh. De quê?

— De uma amiga.

— Quê?

— Mal temos nos falado ultimamente. – ela desabafa. — Só nos encontramos em eventos. – Rebby aparenta estar magoada e insegura. — Eu sei que hoje é segunda, mas também sei que seu estágio acabou e você está com tempo livre. Será que podemos nos ver? Ao menos um pouco.

— Ér... – quero recusar e também quero aceitar, para que possa desabafar com ela a respeito de tudo que está me corroendo.

Ninguém sabe dos meus problemas. Ninguém sabe das minhas mágoas, das minhas angústias e das minhas preocupações. Apenas Steve, mas somente porque ele vive tudo isso comigo. E te ocasiona também. Little Red!

Rebby é a pessoa a quem eu deveria recorrer depois de meus pais e, no entanto, nem ela nem eles podem me servir de consolo. Estou cansada de só engolir e não expelir. Isso está me fazendo mal. Rebecca é minha amiga, confidente e irmã de outra mãe. Eu preciso desabafar com alguém ou irei enlouquecer. E não há pessoa melhor do que ela para me ouvir.

— Okay. – concordo. — Podemos nos encontrar mais tarde. Que horas você costuma almoçar?

— Meu horário de almoço é rápido e muitas vezes preciso pular por causa do trabalho. – ela responde. — O que acha depois do expediente?

— Que horas?

— Às sete? Podemos ir a um bar ou restaurante. Não sei. Você escolhe.

— Okay. – repito. — Você me manda uma mensagem quando estiver saindo. Podemos nos encontrar em casa mesmo, não estou a fim de sair.

— Certo. Ótimo! Então eu te espero lá no apartamento, tudo bem? Estou ansiosa para te ver!

— Eu sei. Eu também estou. – murmuro, com a voz embargada. — Sabe, também estou precisando de você, Rebby.

— Precisando de mim? Mas por quê?

— Não sei... eu só... eu quero o colo da minha amiga.

— É urgente? Podemos nos ver antes, Nat. Você... Nat... está chorando?!

— Rebby... – lágrimas escapam de meus olhos, e eu reparo que Gamora desvia o olhar no momento em que a encaro rapidamente. — Não é nada de urgente. Não precisa ficar preocupada. Posso esperar até mais tarde.

— Nat, você está me assustando. O que aconteceu?

— Não precisa ficar assustada.

— Nat...

— Rebby. Por favor, não faça isso. Não... não faça isso agora. – peço. — Temos a noite toda para conversar. Por favor.

— Okay. – relutante, ela aceita. — Conversamos melhor mais tarde. Mas saiba que pode me ligar a qualquer hora, não sabe?

— Eu sei. – assinto e enxugo as lágrimas. — Obrigada, Rebby.

— É o meu trabalho. – ouço um grito do outro lado da linha. — Merda! Ahn... preciso ir, Nat. Até mais tarde.

— Até! Beijos!

— Beijos, minha gatinha!

Rebby encerra a ligação. Eu guardo o Iphone no bolso do macacão e caminho até Gamora, que larga o jornal e se levanta da cadeira.

— Bom dia, Srta. Romanoff!

— Bom dia! – solto um riso nervoso para Gamora. — Steve me explicou o que houve. – digo. — Primeiramente, peço desculpas por ontem, por ter invadido o escritório daquele jeito e ter interrompido a conversa de vocês.

— Plausível o motivo pelo qual fez o que fez. – Gamora assente. — Se serve de consolo, eu teria feito pior.

— Como?

— Entraria com minha arma. – responde. — Acredite, a senhorita foi bem gentil ao entrar apenas com um chute na porta.

— Uau! – exclamo antes de rir. — Não seja por isso. Posso seguir seu conselho em próximas ocasiões. Quer dizer, espero que não tenham outras, mas... né.

— Dou forças para isso. Conheço muitas lojas de arma.

— Pois sim, então obrigada. – assinto de volta. — Ahn... bem, continuando, ao que parece, você é a minha guarda-costas.

— Exato.

— Certo. Okay. Então, digamos que eu seja a sua chefa.

— E a senhorita é. – Gamora garante. — Eu trabalho para o Rogers, mas meu foco é a senhorita. Então, minha chefa se chama Natasha Romanoff. A não ser que me demita, aí responderei que trabalho para Rogers e só ele pode me demitir.

— Okay. – sorrio com a sinceridade de Gamora. Ela não se preocupa em falar o que pensa. — Então vamos recomeçar: será apenas Natasha e Gamora. Nada de “senhorita”. Eu não suporto formalidades quando não necessárias.

— Como quiser, Natasha.

— Se vamos passar juntas as próximas vinte horas do dia, espero que possamos desenvolver alguma intimidade. Sei que é paga para me proteger, mas não quero um robô ao meu lado.

— Eu entendo. – Gamora assente e sorri. — Imagino que deve ser estranho ter alguém no seu pé o dia todo.

— Podemos fazer dar certo. – digo. — Para começar, eu preciso entender o que está havendo.

— Rogers te disse alguma coisa?

— Sim. E acredito que Steve esteja surtando à toa.

— Com todo respeito, Natasha, levando em conta tudo o que Sharon fez e tentou fazer com você, não acho que esteja surtando à toa.

— Mas Sharon já está detida.

— Ela não está totalmente detida. – Gamora bufa. — Steve tem razão em ficar apreensivo. Soube que ela destruiu seu carro e tentou te ferir com um tesourão. Fora a outra vez em que encontrou com você sozinha e ainda roubou seu dossiê.

— Mas ela não me machucou.

— Mas chegou perto, não?

— Okay. Eu reconheço o risco, mas Peggy não deixaria a irmã escapar.

— Todo cuidado é pouco.

— E por quê? – suspiro indignada. — Sharon sempre foi assim?

— Venha comigo. – pede enquanto se dirige ao escritório de Steve. Curiosa, eu apenas a sigo.

— Por que estamos vindo para cá?

— Preciso te mostrar uma coisa.

— O quê? – Gamora mexe em alguns papeis da mesa até achar um envelope pardo. — O que é?

— O que você precisa saber. – ela me estende o pacote. — Aí estão as informações de Sharon.

— Steve sabe que está me dando isso?

— Acha que eu faria alguma coisa pelas suas costas? – Gamora descansa os punhos na mesa. — Ele me disse para te mostrar. Acho que imaginou que você já pediria.

— Hmmm!

— E, extraoficialmente, é seu direito saber ao menos um mínimo da vida de Sharon.

Eu pego o documento antes de voltar a me sentar e passar folha por folha. É exatamente como o que Sharon tinha sobre mim. Isso é assustador.

Nome: Sharon Elizabeth Carter

Nascimento: 03 de março de 1992, Nova York (Brooklyn), EUA

Endereço: Avenida Madison, prédio 95, apto. 1001

Número de celular: 959 315 3619

Número de identidade: 3952-40-3935

Dados bancários: JP Morgan Chase, Nova York

Conta corrente: 239102

Saldo: US$ 500.000,00

Ocupação: Agente de Elite

Habilitação: Agente 13 especializada da S.H.I.E.L.D.

Avaliação de desempenho: Excelente

Educação anterior: Elementary Kids School — Fundamental I

Middle Smart School — Fundamental I e II

High Graduate School — Ensino Médio

Pontos no exame STA: 2174

Local de trabalho: S.H.I.E.L.D. (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão)

Filiações políticas: Não encontradas

Filiações religiosas: Não encontradas

Orientação sexual: Não encontradas

Estado civil: Solteira

Pai: Harrison Carter

Nascimento: 07 de maio de 1965

Falecimento: 31 de agosto de 2010

Mãe: Amanda Elizabeth Carter

Nascimento: 31 de setembro de 1969

Falecimento: 26 de agosto de 2010

Irmão: Michael Carter

Nascimento: 19 de abril de 1985

Falecimento: 26 de agosto de 2010

— Oh, meu Deus! – exclamo ao terminar de ler e olhar para Gamora. — Sharon também faz parte da S.H.I.E.L.D.? Eu não sabia disso.

— Fazia.

— Mas ela falou comigo e... e... ér... não me pareceu...

— Quer saber por que ela é louca? – Gamora solta um riso irônico.

— Ahn... hm...

— Acredito que Sharon nunca superou a morte dos pais e irmão.

— O que aconteceu com eles?

— Acidente de avião. Caiu no mar durante uma viagem.

— Jesus!

— Levaram dias para achar os corpos. Como estavam no mar, não deu para saber ao certo a data exata da morte, então marcaram o dia em que foram encontrados. O do piloto foi o primeiro.

— Meu Deus! – repito, assustada. — E como Peggy e Sharon reagiram?

— Elas eram novas. Sharon ainda mais, então se pronunciaram pouco. Ficaram desoladas.

— Pode ter sido isso que abalou Sharon.

— Capaz. Como eu disse, ela era nova. Mas também pesou para Peggy, que acabou ficando responsável por tudo.

— Elas não tinham ninguém?

— Bom, Peggy tinha o noivo. A propósito, estavam cuidando dos preparativos para o casamento na época.

— Ah. Com Daniel. Sei.

— Daniel?

— É. – assinto, confusa. — Ahn... seu marido. Não?

— Marido? Não! – Gamora nega e ri.

— Não? Mas eu pensei...

— Antes de Daniel, Peggy ficou noiva de Fred Wells.

— Quem é esse?

— Também trabalhou na S.H.I.E.L.D. por um tempo, mas depois saiu e foi se dedicar a outras filiações de espionagem.

— Ele é suspeito de algo? Representa algum perigo?

— Fred??? Definitivamente não! – Gamora ri.

— Como pode ter certeza?

— Relaxa, Natasha. Fred pode ser um espião mestre, mas não é o espião. Por mais segredos que possa ter e por mais que saiba se camuflar no mundo de mentiras em que vive, nós o checamos. Nem nos Estados Unidos mora.

— E onde ele está?

— Sigiloso. – Gamora me lança um sorriso convencido.

— Ah. – murmuro. — Tem notícias de Sharon? Como ela está agora?

— Delirando. – Gamora responde.

— Delirando? Como assim?

— Peggy acredita ser a dosagem dos remédios.

— Está forte demais?

— Possível.

— Por quê?

— Porque Sharon está alegando ser inocente.

— Inocente? Como assim?

— Ué! – Gamora dá de ombros. — Ela diz não ter destruído seu carro.

— E está mantendo essa versão?

— Aí é que está. – Gamora suspira profundamente. — Ora ela admite, ora ela desmente.

— Quê? Mas assim ela não ganha credibilidade alguma!

— Exato. – Gamora assente. — Ainda que tentasse apresentar uma defesa, não conseguiria. Sharon não está bem.

— Mas ela pode estar falando a verdade.

— Em qual das versões? – Gamora ironiza.

— Na que diz não ter sido ela.

— Quê? – Gamora cruza os braços e me encara incrédula. — Acho que agora eu preciso perguntar se você está delirando.

— É sério, Gamora. Os remédios que está tomando podem estar deixando sua cabeça confusa, mas também ajudando a ter clareza.

— Você tem noção de que disse uma frase completamente contraditória, né?

— Pode não ter saído como devia, mas você me entendeu. Sharon pode estar se recordando das coisas.

— Hmm... se recordando do que não fez?

— Por que não? – dou de ombros.

— Sharon não está mantendo uma mesma versão, Natasha. – Gamora argumenta. — Não pode estar falando sério sobre acreditar nela!

— Sharon correu o risco de ser presa, Gamora! Steve colocou uma escolta inteira atrás dela! Eu nunca passei uma hora sequer da minha vida na cadeia. Você já? Porque Sharon quase passou.

— É, ela quase passou. E com motivos plausíveis. – Gamora rebate. — E ela não está presa, está?

— Mas...

— Está em prisão domiciliar, com acompanhamentos médicos. Peggy tem contatos importantes, sem dizer que seu marido é promotor.

— Então tudo isso é pelo poder de Peggy? Isso é nepotismo!

— Não neste caso.

— E por que não?

— Porque foi representado com um advogado ajudando outra advogada a defender sua cliente.

— Ah, sim. E sem interesse matrimonial nenhum, não é?

— Não é exatamente a mim que você deve se queixar, Natasha. – Gamora suspira.

— Você realmente não considera nem um pouco o fato de Sharon ser inocente?

— Levando em conta as outras coisas que ela fez a você, não, não considero.

— Esquece isso.

— Como esquecer, Natasha? – Gamora arregala os olhos castanhos. — Ela poderia ter te matado!

— Gamora, pensa comigo. Sharon pode estar falando a verdade. Ainda mais agora tomando a medicação adequada.

— Mas não tem como sabermos!

— Exato! Não tem como sabermos! E isso vale tanto para a verdade quanto para uma suposta mentira.

— Uma suposta mentira? – Gamora ergue uma sobrancelha. — É sério isso?

— Qual é! Sharon pode ser inocente. E estamos fazendo um escarcéu todo a troco de nada!

— E o que pretende fazer com essas considerações? – Gamora ironiza.

— Ué! O óbvio! – dou de ombros, mas Gamora não me acompanha. — Preciso falar com Sharon.

— O quê? Você enlouqueceu, Natasha? Isso está fora de cogitação!

— Eu preciso saber o que houve.

— Você já sabe o que houve. – Gamora rebate. — E é por isso que Steve me colocou como sua guarda-costas.

— Gamora, sinceramente, depois do que acabei de ouvir, eu não acredito que Sharon esteja por trás disso.

— Com todo respeito, não importa o que você acredita, Natasha. Lidamos com fatos. E o fato é que Sharon é instável e precisa se manter afastada de você.

— E ela está.

— E eu me certificarei de que continue assim! Ao menos pelos próximos três meses de reclusão e tratamento.

— Gamora, preciso tentar descobrir algumas peças ainda desencaixadas.

— Como assim?

— Talvez Sharon precise de ajuda além dos remédios.

— Ela já está com um psiquiatra.

— Pelo jeito não tem surtido efeito.

— Ah. E surtiria com você?

— Eu preciso arriscar.

— Não, você não precisa nem deve arriscar, Natasha!

— Não posso ficar parada de braços cruzados sabendo de todas essas coisas, Gamora. Eu não sou assim, eu não sou do tipo que se esconde.

— Natasha, esqueça! Steve não permitirá que você se aventure nisso.

— Steve me disse que eu poderia fazer e ir aonde eu quiser, contanto que estivesse com você.

— Concordo! Mas você também deve concordar comigo que isso não envolve te levar até Sharon. Você nem pode ter contato com ela!

— Vamos lá, Gamora. – fico de pé e a encaro, decidida. — Vamos até à casa de Péggy. Preciso falar com Sharon.

— O quê? Negativo! Perdeu o juízo? Esqueceu de tudo o que ela fez?

— Não, não me esqueci. E é por isso que irei até ela.

— O quê?! Você deveria fazer exatamente o oposto disso!

— Se ela tentou me atacar é mais um motivo para que eu vá até ela. Ao menos para entender seu lado.

— Você tem problema na cabeça, Natasha?

— Gamora, eu vou sair deste apartamento e procurar por Sharon. – afirmo. — Se quiser me impedir terá que atirar em mim.

— Eu atiro em você. Não duvide. – Gamora afirma, com os olhos tensos e brilhantes de raiva ao retirar a arma do coldre.

— Se vai atirar, Gamora, atire logo. – rebato. — Caso contrário sairei por aquela porta com ou sem você.

— Não me provoque. – Gamora se aproxima lentamente.

Eu observo seus passos, estudando seus movimentos e prestando atenção no desvio de seus olhos habilmente.

Não posso falhar. Caso isso aconteça, acredito que ela irá mesmo atirar em mim.

— Cuidado, Gamora. Eu não duvido que atire em mim. Mas também não duvide do que Steve fará com você.

— Então colabore comigo.

— Calma.

Ergo as mãos e espero que Gamora se aproxime mais um pouco. Quando estamos frente a frente e a arma direcionada ao meu peito, chuto o joelho de Gamora e jogo a arma para longe.

Consigo ficar por cima por rápidos dez segundos até ela nos virar e me prender com os joelhos. Eu impulsiono a cabeça para trás e bato minha nuca contra sua testa.

Gamora grita e cai atrás de mim. Eu corro e pego a arma, apontando para sua cabeça.

— Já chega!

Gamora suspira e puxa outra arma da cintura. Nós nos encaramos frente a frente, ambas com armas apontadas uma para outra. Não sei se se trata apenas de um blefe, mas não serei eu a primeira a recuar.

— Natasha...

— Eu não sou sua refém, Gamora. E certamente Steve não a contratou para isso.

— E muito menos para que eu permita que você se arrisque.

— Irei até Sharon com ou sem você, só que sem você correrei mais riscos. – explico.

— Depois do que fez aqui acho difícil de acreditar que precise mesmo de segurança.

— É o seu trabalho. Então vá comigo e faça o que deve.

— Exatamente! Meu trabalho é te proteger.

— Um pouco contraditório ao me apontar uma arma, não?

— Você também está me apontando uma.

— Você começou! – resmungo, e Gamora comprime os lábios. — Qual é! Sabe que não vou atirar em você.

— Nem eu em você.

— Então colabore comigo. Vamos até Sharon.

— Não vê que não tem cabimento o que está me pedindo, Natasha?

— Eu não estou te pedindo nada. – rebato. — Estou avisando. Não confunda as coisas, não preciso de sua permissão.

— Mas supostamente precisa da minha ajuda. Em todo caso, depende de mim.

— E o que acha que Sharon fará uma vez que Peggy estará presente? Ela não me atirará pela janela, Gamora.

— Ah, e você tem certeza disso?! Sharon é instável! – exclama, fazendo com que eu suspire profunda e lentamente antes de prosseguir.

— Sharon não fará nada contra mim.

— Natasha, essa sua ideia suicida não vai acabar bem.

— Não pode piorar. – murmuro.

— Pode. Você sabe que pode.

— E é por isso que eu preciso agir. – rebato.

— Natasha...

— Vamos, Gamora. – ordeno ao suspirar e devolver sua arma.

Ela pisca algumas vezes antes de abaixar a sua lentamente e guardar ambas de volta em seu coldre.

— Isso não vai acabar bem.

— Só saberemos se fizermos.

— Natasha...

— Vamos até Sharon. Vou acabar com isso de uma vez por todas.

Notas finais
Obrigada pelos 396 comentários, 145 acompanhamentos, 70 favoritos, 9 recomendações e 25466 visualizações! O que acharam do capítulo? Nat e Gamora já começando a interagir kakaka bem ao estilo das nossas personalidades MCU kakaka será que Gamora vai mesmo levar a Nat até Sharon??? O.o E a Nat? Acham que essa mania que ela tem de dar o benefício da dúvida às pessoas ainda fará mal a ela? Será que Steve tem razão quando diz que ela vive num mundo de fantasia? :( Por favor, acompanhem, favoritem, recomendem e comentem :3 Até a próxima, fiquem em casa e se cuidem. Vai passar logo ^^ Beijocas!