Notas iniciais
Obrigada pelos 428 comentários, 149 acompanhamentos, 71 favoritos, 9 recomendações e 27.364 visualizações ^^ Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem :) Tradução do capítulo: Preciosa

Voltar para casa e, consequentemente, para a rotina é insuportavelmente angustiante, pois a ficha começa a cair: Gwen morreu.

No final do velório tentei arrastar Rebby comigo, mas ela se desculpou ao explicar que queria ficar um pouco sozinha. Assim sendo, acabei me despedindo de todos e voltei somente com Steve para o apartamento.

— Olá, Sr. Rogers! Srta. Natasha. – Jessie nos saúda assim que entramos.

— Oi, Jessie. – digo após Steve.

— Precisam de alguma coisa?

— Pode esquentar a comida, Jessie, por favor. – Steve pede.

— Sim, Sr. Rogers. – Jessie assente ao me lançar um olhar compreensivo. — Com licença.

Enquanto ela volta à cozinha, eu me deito no sofá.

Fecho os olhos e suspiro ao ouvir os passos de Steve. Ele tira meus sapatos e se senta antes de colocar minhas pernas sobre as suas e massagear meus tornozelos.

— Hmmmmm... obrigada. – seus dedos fazem mágica nos pontos doloridos. — Já disse que te amo?

— Não por uma massagem nos pés. – ele brinca e eu rio. — Como está, linda?

— Sofrida. – descanso o braço sobre a testa e abro os olhos. — Machuca mais o fato da ficha começar a cair.

— Eu entendo. – Steve sobe os apertões até as canelas. — Sinto muito, Nat. – sinto sua voz carregada de dor e direciono minha atenção a ele. — Eu não tive a oportunidade de conhecer Gwen tão bem quanto você. Na verdade, eu gostaria de ter me dado a chance de ser próximo dos seus amigos.

— Steve. – puxo as pernas e me sento. — O que está dizendo?

— Não sei. – ele tenta disfarçar com um sorriso, mas eu pressiono.

— O que foi? – acaricio seu rosto. — Sabe que pode me dizer qualquer coisa.

— Estou arrependido. – admite com os olhos marejados.

— Arrependido? Mas de quê?

— De ser egoísta.

— O quê?! – franzo a testa. — Do que está falando, amor?

— Eu te englobei demais num mundo só meu.

— Como assim?

— Você mal vê seus amigos e seus parentes. Mal conversa com eles.

— Steve. – eu o repreendo confusa. — Isso... isso não é verdade.

— É. – insiste. — Você só viu o seu pai porque ele está de férias em Nova York. Só vê Rebecca quando algum evento permite. E só conversa com seus colegas de trabalho por causa do estágio.

— Mas isso não tem nada a ver com você! Meus parentes não moram em Nova York. Com exceção de Darcy, que veio para cá a trabalho.

— E seus tios e Amy?

— Ér... bom... eu...

— E seus amigos?

— Meus amigos?

— Você não sai com eles.

— Quê? Claro que saio!

— Não sai, linda.

— Steve... – busco o ar antes de prosseguir. — O que está tentando me dizer?

— Eu estou te afastando das pessoas, Natasha!

— O quê?! – exclamo. — Isso não tem lógica alguma! De onde tirou isso?

— Eu percebo, Natasha.

— Steve... eu não me... ainda não estou entendendo.

— Eu não sou o seu mundo, Natasha.

— Ahn?

— Eu sou parte, não ele todo. Antes de mim você conheceu muitas outras pessoas. Não é justo se desprender de todas por minha causa.

— Mas eu não faço isso! – nego confusa. — Faço? – indago para mim mesma, mas Steve toma a frente e responde.

— Faz. E eu também. – admite. — Quer dizer, eu nunca tive muitos amigos. E, depois que te conheci, eu acabei me agarrando somente a você justamente por acreditar que você era o meu mundo.

— E eu não sou? – pergunto magoada e Steve suaviza o olhar.

— Somos parte um do mundo do outro, amor, mas não ele todo. – explica. — Eu te amo, mas é saudável termos um tempo para outras pessoas.

— Como assim?

— Sabe, talvez esse acidente horrível não pudesse ter sido evitado.

— Mas...?

— Mas você poderia ter feito os últimos dias de Gwen melhores se tivessem se visto mais. Não sei. E não digo só você, mas Rebecca, Miguel...

— Eu entendi. – assinto com um nó na garganta. — Eu entendi o que está tentando dizer.

— Mesmo? Não está brava?

— Não! – acaricio seu rosto. — Você está certo. Nós nos amamos tanto que precisamos dar espaço um ao outro.

— É. – Steve concorda tenso. — Mas isso não quer dizer que você tenha que deixar o apartamento e voltar a morar com Rebecca!

— Eu nem pensei nisso. – rio de seu desespero. — Mas tem razão. Minha vida, quer dizer, nossas vidas estão cercadas de pessoas além de nós.

— Exato! – ele assente. — Mas também não estou dizendo que você não

tenha valorizado Gwen...

— Eu sei, amor. – subo em seu colo e fico com uma perna para cada lado de sua cintura. — Está tudo bem. Eu entendi.

— Mesmo?

— Mesmo. – afirmo. — E isso me faz lembrar do que conversamos ontem.

— E o que conversamos ontem?

— A terapia de casal. – relembro. — Eu quero fazer.

— E será com o meu psicólogo mesmo?

— É o melhor. Ele já conhece você e sabe sobre as coisas que te aconteceram.

— Obrigado. – Steve beija o espaço entre minhas sobrancelhas.

— Por?

— Por aceitar. – esclarece. — E por aceitar a fazer com o meu psicólogo. Será mais fácil.

— Eu sei. – acaricio seu rosto antes de beijar sua bochecha.

— Ér... – ouço a voz de Jessie atrás de nós e me viro ainda no colo de Steve. — Desculpe. – seu rosto ruboriza enquanto seus olhos se desviam para o chão.

— Tudo bem, Jessie. – Steve ri e aperta a minha bunda. Tento repreendê-lo, mas ele apenas aperta mais forte. — Já podemos comer?

— Ér... sim, mas... – Jessie solta um sorriso encabulado antes de se dirigir a mim. — Tem algo para você, Srta. Natasha.

— Para mim? – indago ao finalmente afastar as mãos de Steve. — O que é?

— Correspondência. – responde e eu fico confusa. — Algo relacionado ao seu estágio. Chegou hoje de manhã.

— Oh, meu Deus! – pulo do colo de Steve. — Só pode ser a resposta da Minds Manhattan, amor!

— É! – ele ri e fica de pé também. — Onde está, Jessie?

— Em cima do balcão. – ela aponta para a cozinha e eu corro até lá. Ouço Steve e Jessie me seguirem.

— Achou? – ele para ao meu lado enquanto Jessie volta ao fogão.

— Aqui. – jogo as outras correspondências de volta no balcão e me concentro em abrir o envelope do estágio. Minhas mãos estão trêmulas.

— Precisa de ajuda? – Steve brinca e eu chuto a sua perna. — Ai! Sapato assassino! – ralha ao ir até a geladeira e se servir com um copo d'água.

— Abri!

"Nova York, Manhattan, 02 de março

Cara Natasha Romanoff,

é com grande satisfação que a direção da Minds Manhattan parabeniza à senhorita por seu alto e impecável desempenho em nosso estágio. Portanto, cordialmente, a datada empresa a convida para fazer parte de nossa equipe de bacharelados.

Atenciosamente,

Cassandra Jenksey, diretora chefe da Minds Manhattan."

— Oh, meu Deus! – dou mais um grito ao terminar de ler e corro para os braços de Steve.

— Acho que essa reação significa coisa boa, não? – ele me abraça de volta.

— Sim! Eu passei! – grito de novo. — Eu consegui entrar para a Minds Manhattan, Steve!

— Parabéns, meu amor! – ele sorri e me beija. — Deixa eu ver. – pede ao pegar a carta de minhas mãos.

— Parabéns, Srta. Natasha! – Jessie me encara com um doce olhar.

— Obrigada! – eu a puxo para um apertado abraço e Jessie parece sem jeito ao retribuir.

E, por um momento, apenas por um rápido e inocente momento, eu me esqueço de toda a dor que estava sentindo. Como eu posso estar feliz diante de tanto sofrimento à minha volta?

Eu não sou assim. Meus pais não me criaram assim. Não sou essa pessoa egoísta e fria, que comemora um avanço na vida quando acaba de perder uma pessoa querida. Tenho nojo de mim mesma!

Lentamente, eu me afasto de Jessie e abaixo a cabeça.

— Srta. Natasha? – ela me chama, mas eu continuo distante. — Srta. Romanoff? Está tudo bem? – Jessie toca meu ombro, mas eu ainda não retribuo às suas tentativas de comunicação. — Natasha?

Minha amiga morreu não tem um dia e eu já estou comemorando uma proposta de emprego aceita? Gwen também já tinha uma. E, no entanto, a vida arrancou dela bruta e impiedosamente.

Quem sou eu para ficar feliz diante de tanta dor e tragédia? É egoísmo! Não me sinto no direito de comemorar nada nessas circunstâncias. E nem posso.

— Nat? – Steve para ao lado de Jessie e me sacode. — Amor?

— Não posso. – ergo o olhar para Steve.

— Não pode? Não pode o quê? – ele parece confuso. — Aceitar o emprego?

— Comemorar. – o nó se aperta novamente na garganta. — Não tenho esse direito. Não tenho o direito de ficar feliz.

— Natasha... – Steve começa e Jessie se afasta. — Pare com isso.

— Não posso, Steve! – afasto suas mãos e me encosto no balcão. — Não tenho esse direito.

— Natasha, isso... – ele balança a carta nas mãos. — ...não tem nada a ver com o que aconteceu com Gwen!

— Está recente! – eu me sinto suja e miserável. — Pelo amor de Deus! Acabamos de voltar do velório! Eu acabei de vê-la sendo sepultada! Que direito eu tenho de me sentir feliz agora?

— Natasha, pare com isso. – Steve larga a carta em cima do balcão e segura meu rosto. — Eu entendo esse conflito dentro de você, mas não aja assim. A vida continua.

— Não tão rápido assim! – ralho ao me soltar. — A essa hora estão todos ainda chorando por ela, mas eu estou aqui comemorando uma proposta de emprego!

— Natasha, não faça isso. – ordena tenso. — Não deprecie o seu estágio assim. Você deu duro por isso. É absolutamente normal e merecedor que fique feliz por ter conseguido.

— Mas não agora. – resmungo ao voltar a chorar. — Não assim, Steve. Não voltando... não voltando do enterro... do-do enterro...

— Shhhhh... – Steve me abraça quando eu começo a soluçar. — Está tudo bem. – ele beija a minha cabeça e me pega no colo. — Está tudo bem, linda.

— Eu sinto muito! – exclamo contra seu peito, mas sei que na verdade estou me desculpando com Gwen, de onde quer que ela esteja. — Eu não tive... não tive a-a inten... intenção... e-eu não quis... ser egoísta.

— Eu sei, meu amor. – Steve nos conduz até o quarto. — E você não foi. Está tudo bem. – ele me senta na cama e se ajoelha à minha frente. — Pare de chorar. – suas mãos passeiam pelo meu rosto molhado e vermelho.

— Eu me-me sinto... horrível! – desabo contra as mãos.

— Natasha. – Steve abraça meus joelhos. — Minha vida, não diga isso. Foi apenas uma brecha. No meio de tanta dor, você teve uma oportunidade de esquecer e sorrir.

— Mas eu não quero! – passo a mão pelo nariz. — Ainda não estou pronta para voltar a viver!

— Natasha. – Steve repreende mais severamente agora. — Não diga coisas assim. Não vou admitir escutar isso de você.

— É como eu me sinto.

— Não, não é. – ele se senta ao meu lado. — Você só está confusa. Mas vamos resolver isso.

— Não tem o que resolver, Steve.

— Sim, tem. – rebate ao abraçar meus ombros. — Você me disse que arranjou um psicólogo para você na Minds Manhattan. Então converse com ele.

— Não tem o que conversar.

— Tem, meu amor. – diz enquanto vira meu rosto. — Não faça como eu, Nat.

— Como você?

— É. Não se feche. Eu já passei por isso e pensava como você: para que terapia? Acontece que esperei tempo demais para entender que eu precisava.

— Mas as coisas foram diferentes. – murmuro. — Você passou por situações que...

— Não importa o grau dos fatos, Natasha. – Steve me interrompe. — Basta acontecer e te abalar. E foi isso que aconteceu com nós dois. Então, assim como eu procurei ajuda, você também precisa.

— Mas isso não a trará de volta. – choramingo.

— Não, meu anjo, mas te ajudará a aceitar. Ou ao menos compreender. – explica pacientemente. — Sei que agora você diz que jamais conseguirá entender por que isso aconteceu. E é a terapia que vai te auxiliar nesse processo.

— E se não der certo?

— Vamos ver como fica. – Steve volta a me abraçar. — Só saiba que não está sozinha, minha linda. Jamais estará.

⚫⚫⚫

No dia seguinte, eu só saí da cama e fui à Minds Manhattan porque Steve insistiu. Inclusive, ele ligou para sua assistente e cancelou todos os seus compromissos tratando de me dedicar toda sua atenção.

Não sei se me sinto abraçada ou irritada com isso, mas preciso reconhecer seu gesto de afeto e preocupação.

— Chegamos. – Steve estaciona em frente à Minds Manhattan.

Atrás de nós, Quill para com o carro ao meio-fio. Ainda acho desnecessário toda essa precaução, mas minha cabeça está tão cheia que nem tenho ânimo para novos argumentos.

— Quer que eu suba com você? – pergunta atenciosamente.

— Não vou te deixar esperando aqui. – solto o cinto. — Vamos logo com isso.

— Natasha. – Steve repreende, mas já saí do carro e fechei a porta. — Natasha?

— O quê? – eu o olho por cima do capô e noto que suspira antes de trancar o Audi e vir até mim.

— Não precisa ficar ranzinza. Você conseguiu o que queria!

— Eu estou feliz, Steve, mas não me sinto no direito de comemorar nada. Jesus, olhe as circunstâncias em que tudo aconteceu! – cruzo os braços.

— Eu entendo que o momento te impeça de pular amarelinha e soltar fogos, mas não é justo que se prive de se sentir competente, segura e realizada. E o fato de... uh... bem, o fato de ter acontecido uma tragédia não significa que você não tenha direito de se parabenizar pelo avanço em sua carreira.

— É difícil. – choramingo. — Como se sentiria se acontecesse algo ruim a Sam e, em seguida, algo bom a você? – Steve suspira ao pousar as mãos na cintura.

— Eu não sei. – solto um riso irônico. — Desculpe, não sei responder. Mas eu sei de uma coisa.

— O quê?

— Independente de tudo, de qualquer coisa, a vida continua. – afirma. — Continuou para mim depois de anos de sofrimento. Continuou até o ponto de algo maravilhoso vir a acontecer, que foi conhecer você. – acaricia minha bochecha. — Portanto, sou eternamente grato a mim mesmo por nunca ter desistido.

— Desistido? – questiono confusa e receosa. — Como assim?

— Nada. – Steve acaricia meus braços de cima a baixo. — Não se preocupe.

— Mas...

— Tendo você, Natasha, eu não preciso de mais nada. Tudo o que quero é te amar cada dia mais.

— Eu te amo. – sussurro ao beijá-lo mais uma vez.

▪️▪️▪️

Mesmo com Steve e meus colegas me parabenizando e dizendo que mereci, ainda é difícil crer no documento que seguro nas mãos. Foi um longo trajeto, mas finalmente posso dizer que alcancei minha vitória!

Ainda estou triste pelo que aconteceu à Gwen. Isso levará tempo para passar, caso um dia passe, mas não consigo controlar a sensação de euforia que sacode meu peito.

A verdade é que me esforço ao máximo para permanecer calada e sem sorrir, a todo o momento me repreendendo por qualquer deslize, mas a alegria está mais forte do que minha consciência repressora.

Eu me sinto orgulhosa de mim mesma e tenho vontade de gritar. Jesus! Em que estou pensando? Estou traindo Gwen!

Já chega! Sua amiga faleceu, Natasha! Infelizmente, você não pode reverter isso. Mas a vida continua. Foi o discurso de Gwen na formatura O que torna a vida preciosa é que ela termina. E, ainda que tenha terminado cedo, sua vida teve bastante preciosidade, assim como a tua está tendo. Siga em frente.

Little Red! Foi você mesmo que me aconselhou disso? Você está crescendo, Natasha. Caso tenha notado, não me dirijo mais a você como “menina”. Eu não te aconselhei a nada, essa voz silenciosa é apenas você lendo a si mesma. Parabéns!

— Nat? – Steve balança levemente meu ombro.

— Oi.

— Oi. Você está bem?

— Sim. Sim, estou. Por quê? O que foi?

— Elliot está te chamando.

— Ah. – pisco de novo e solto um riso pelo nariz. — Ah... ér... Elliot! – estico os braços e o aperto contra mim. — Conseguimos!

— Sim, conseguimos! Finalmente! – ele retribui ao meu abraço antes de me encarar. — Está feliz?

— É... estou. Claro.

— Srta. Romanoff!

Desvio a atenção de Elliot e me deparo com o Dr. Sullivan caminhando até nós. Ele está risonho e de braços abertos.

Steve rodear minha cintura com o braço. Sério? Ciúme até dele, do velhinho? A pipa do vovô nem sobe mais, Steve!

— Romanoff!

— Dr. Sullivan! – sorrio e o cumprimento com um rápido abraço, obrigando Steve a me soltar.

— Olá, meu jovem! – agora ele se dirige a Elliot ao apertar sua mão.

— Boa tarde, Dr. Sullivan! – Elliot sorri e balança seu diploma. — Conseguimos!

— Sim, sim, eu vejo. – o psicólogo assente. — Parabéns aos dois!

— Obrigada! – digo logo após Elliot. — Ahn... a propósito, este é Steve, meu namorado.

Dr. Sullivan pigarreia ao apertar mão de Steve e se apresenta formalmente. Steve parece atônito a mim, mas eu estou gelada de tensão.

Tive uma única sessão com o Dr. Sullivan. E, logo nesta, eu fui abrir a boca e dizer que vivia um relacionamento abusivo antes de Steve, mas, na verdade, Steve esteve presente nesses dois momentos de minha vida.

Natasha, você soube ser convincente na época. E não mentiu. O Steve de antes era outro homem. Realmente, você viveu um relacionamento abusivo antes dele, deste Steve que está em pé ao seu lado agora. Então se acalme.

— Ahn... – afasto Steve levemente para o lado e me dirijo ao Dr. Sullivan. — Será que podemos conversar rapidinho?

— Claro!

— O que foi? – Steve segura meu braço quando eu faço menção de seguir o doutor.

— Nada. – eu o tranquilizo. — Ele é meu psicólogo. Irei tirar apenas umas dúvidas. Não demoro. – dou um selinho em seus lábios e me solto.

— O que houve, minha jovem?

— Nada. Quer dizer, eu gostaria de saber se ainda poderei manter o senhor como meu psicólogo pessoal.

— Claro que sim! – Dr Sullivan assente. — Seria uma grande honra!

— Que bom! E a honra é toda minha! Eu me senti à vontade com o senhor.

— Obrigado, querida. – Dr. Sullivan sorri. — Mas hoje é dia de festa. Você batalhou por essa conquista e mereceu. Então vá curtir sua felicidade.

— Obrigada. – murmuro antes de voltar até Steve, que ri e conversa com Elliot.

— Amor! – Steve me puxa e me beija. — Tudo bem?

— Tudo bem. – dou de ombros e o celular de Steve começa a tocar.

— Alô? – ele atende. — Quê? Não. Não, Veronica, eu disse que não iria hoje. – Elliot e eu nos entreolhamos. — Peça a outro para resolver. Sim. Não, eu não posso. Porra, eu...

— Steve?

— Um minuto. – ele afasta o celular e me encara. — Diga, linda.

— Não se prive do trabalho. – peço. — Se é importante que vá, então vá.

— Natasha...

— Sua assistente não ligaria se não fosse urgente. Vá. Sério.

— Okay. – ele concorda mesmo que contrariado. — Você vai ficar por aqui?

— Bom... eu... – olho para os lados. — Acho que não. Não, não tem mais o que fazer.

— Quer vir comigo?

— Eu? Com você? – franzo a testa. — Por quê?

— Prometo ser rápido. – diz. — Assim voltamos juntos. E então?

— Ahn... – olho rapidamente para Elliot, que assente. — Okay. Assim aproveito para ver Rebby.

— Ótimo! – Steve exclama antes de me beijar. — Veronica, prepare a reunião. Estou indo.

▪️▪️▪️

— O que faz aqui, turista?

Eu começo a rir logo após sair do elevador, vendo Rebby se deliciar com um copo de café. Como sempre, ela está muito bem arrumada, mas consigo ver por trás de todos os cosméticos caros e roupas de grife que está tão abatida quanto eu.

— Oi. – eu me aproximo lentamente de sua mesa.

— Oi. – ela devolve confusa. — Minha pergunta não foi retórica, dona Romanoff.

— Eu sei. – digo ao rir. — Steve precisou fazer uma reunião de última hora.

— Sério? – ela indaga. — Ele não tirou o dia de folga?

— É, mas a assistente ligou. Emergência de trabalho.

— Hmmm! – Rebby arregala os olhos e beberica seu café.

— Ahn... tenho uma notícia.

— Qual? – pergunta tensa.

Eu quase desisto de contar, ainda receosa por estar feliz enquanto nossa amiga acaba de falecer, mas então me lembro de meu próprio conselho.

— Eu entrei para a Minds Manhattan.

— Quê? Sério?

— Uhum.

— Oh! Parabéns! – Rebby empurra sua cadeira para trás e corre para me abraçar — No meio de tanta névoa triste, eu me sinto feliz por você!

— Obrigada. – eu a aperto de volta. — É bom ouvir que alguém além de mim está feliz.

— Como assim? – ela empurra meus ombros e me encara.

— Eu me senti horrível.

— Quê? Por quê?

— Por ficar feliz.

— Como assim, Nat?

— Está tão recente. Não consigo comemorar sem culpa.

— Sabemos que o momento ainda não está para balões e fogos. – Rebby cruza os braços. — Mas não podemos nos privar de toda a alegria do mundo, Natasha. Você é psicóloga e mais do que ninguém deveria saber que o que aconteceu não deve fazer com que queiramos nos enfiar numa caixa de concreto.

— Mas eu sei disso!

— Bom! Então passe a aplicar esse dilema.

— É o que pretendo. – admito junto a um suspiro.

— Pois é. – Rebby ergue os ombros. — A propósito, também recebi uma notícia que me deixou feliz.

— Sério? – luto contra um sorriso. — O que foi?

— Minha viagem para Europa foi agendada. – revela. — E, diferente do que eu pensava, não visitaremos apenas Paris.

— Quê? Como assim?

— Também iremos para Milão e Coimbra.

— Oh, meu Deus! – exclamo. — Que luxo, Rebby!

— É, parece que será um tour da moda.

— Aproveite!

— Com toda certeza. – Rebby balança a cabeça. — Serão duas semanas de viagem e desfiles. Partiremos em maio.

— Em maio? – repitp. — Mas isso é daqui a dois meses!

— Sim, eu sei! – ela assente. — Estou tão empolgada. E me sentindo horrível também. Sabe, a vida nos deixa numa sinuca de bico a cada segundo.

— Sei como é. – murmuro. — Mas é isso que Gwen gostaria, né?

— O quê? De sacanear a gente?

— Rebby! – repreendo com um sorriso. — Não! Ela nos diria para continuar. Seu discurso de formatura. Lembra?

— Ah! O discurso! – Rebby revira seus olhos marejados. — Esse bendito discurso! – fico em silêncio e deixo que fale. — Já perdi as contas de quantas vezes assisti Gwen como oradora desde... ér... desde tudo.

— Eu ainda não consegui assistir. – revelo chorosa. — Acho que não estou pronta.

— Não precisa fazer isso. – Rebby segura minha mão. — Eu assisti porque precisava de um incentivo para não me isolar.

— Acho que todos nós estamos precisando.

— Ao menos por um tempo. – ela completa. — Mas Gwen tem razão. É fácil se sentir esperançoso num dia lindo, mas também há dias sombrios. E precisamos de esperança nesses dias.

— E o que torna a vida valiosa é não durar para sempre. E que o que a torna preciosa...

— ...é porque termina. – Rebby deixa algumas lágrimas escaparem. — Vamos fazer de tudo para seguir o conselho dela.

— Por Gwen. – estendo a mão para Rebby e espero que ela aceite.

— Por Gwen.

Notas finais
Estão lendo os sinais tensos e importantes que eu avisei que passaria a se apresentar na fic? A culpa da Nat é um deles... fiquem atentos! Beijocas e até a próxima!