Notas iniciais
Amei escrever esse capítulo! Espero que gostem :D Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^ Tradução do Capítulo: Empatia

— Steve vai me matar. – murmura Gamora pela trigésima vez desde que saímos da garagem.

— Não, não vai. – respondo enquanto dirijo.

— Estou te levando à toca da onça e ainda tive que dar um perdido em Fury por sua causa.

— Sim, por minha causa. – reafirmo. — Eu assumirei toda a responsabilidade.

— Isso não fará diferença. Steve acabará comigo de qualquer jeito.

— Gamora, estou ao lado da melhor e maior espiã barra assassina da S.H.I.E.L.D., então o que pode dar errado?

— Não faça piadas quanto a isso. – Gamora me repreende. — Sharon é louca. E, legalmente, você nem pode estar em contato com ela.

— Vale a pena tentar.

— Você é sempre assim? – Gamora me questiona.

— Assim como?

— Não tem medo de nada, nunca?

— Acha mesmo que não tenho medo de nada?

— Bom, convenhamos que não demonstra ter, uma vez que toma atitudes como essa.

— Meus pais sempre me ensinaram a batalhar por justiça. – explico. — Eu tenho medo de muitas coisas, Gamora, mas meu maior medo é fracassar sem nem ao menos ter tentado.

— Nem tudo precisa de uma comprovação.

— Entendo sua preocupação e de Steve, mas não sou uma donzelinha em perigo.

— E o que você é?

— Uma mulher adulta! E que sabe as decisões que toma!

— Decisões que não envolvem apenas você. Tem uma vida com Steve agora.

— Ele não se preocupa com isso quando me exclui de suas decisões.

— Mas ele não está te excluindo. Steve te contou tudo de Sharon. Aliás, quem escondeu foi você. – Gamora o defende. — E o que Steve faz não coloca nem a vida dele nem a tua em risco, diferente das coisas que você faz.

— Não preciso que banque a advogada. Steve faz coisas sem me consultar também.

— Você só está sendo infantil, Natasha!

— Talvez. – viro mais uma rua e chego à casa de Peggy. — Mas lidarei com Steve depois. Agora ele não é minha prioridade.

— E alguma vez foi, com todas essas atitudes que você toma? – Gamora indaga.

A resposta cutuca minha língua e circula meu coração, mas eu não encontro palavras o suficiente para dizer à Gamora. E isso me petrifica.

▪️▪️▪️

— Como se atreve a vir à minha casa? – Peggy me encara de cima a baixo com o nariz franzido. — Gamora? Por que a trouxe aqui?

— Porque ela pediu.

— Saiba que perderá o seu emprego por essa afronta.

— Da última vez que chequei não era você quem assinava meu pagamento. – Gamora rebate, fazendo Peggy resmungar.

— Vocês duas, parem já com isso. – ordeno. — Peggy, sei que sou a última pessoa que quer ver, mas não estou aqui por você.

— Ah! E veio ver quem? Daniel?

— Sharon.

— O quê? – ela agarra o batente da porta com mais força. — Ficou louca? Não pode ter contato algum com ela!

— Quê? – pisco. — Não sabia que havia uma ordem de restrição.

— Tentei te dizer isso antes de virmos. – Gamora sussurra.

— Mas eu...

— Você ouviu, Natasha. – Peggy intervém. — Precisa ficar longe de Sharon.

— Juro que tenho as melhores intenções.

— O inferno está cheio disso! – rebate. — Sugiro que dê meia volta e suma. Não complique ainda mais as coisas para minha irmã.

— Por favor. – quando Peggy tenta bater a porta, eu a seguro. — Dez minutos. É só o que eu peço.

— Pare de insistir! Ficará longe de Sharon, você já trouxe problemas demais.

— É importante, Peggy. Talvez eu possa ajudá-la.

— E por quê? Ela definitivamente não precisa da sua ajuda!

— Deixe que Natasha ao menos tente. O que Sharon tem a perder? – Gamora sai a meu favor.

— Ela tem tudo a perder! A começar pela liberdade e sanidade!

— Mais? – Gamora provoca, e eu a repreendo com o olhar.

— Olha aqui, você... – Peggy aponta um dedo para Gamora. — ...e todos sabem muito bem que Sharon é frágil. – afirma com os olhos vermelhos.

— Acredite em mim quando digo que só quero ajudar, Peggy.

— Ajudar? – ela me solta uma risada forçada. — Faça-me o favor! Espera mesmo que eu acredite que você quer ajudar Sharon? Só trouxe desgosto e problemas desde que surgiu na vida de todos nós, Natasha!

— Querida, quem... – Daniel surge atrás da esposa, intrigado. — Natasha? Gamora? O que fazem aqui?

— Viemos por Sharon. – Gamora responde. — Natasha é psicóloga e veio tentar ajudar.

— Ah. Bom. Isso é muito gentil, Natasha, mas como promotor não posso permitir.

— Ela veio como profissional de sua área. – Gamora tenta novamente.

— Sinto muito, mas é conflito de interesses. – Daniel renega. — E Sharon já tem um psiquiatra.

— Exatamente! – Peggy reforça. — Não precisa de você.

— Não custa tentar. – Gamora ergue os ombros. — O intuito aqui é ajudar. E para isso precisamos entrar, não é, Peggy? – alfineta.

— Não, não precisam! Natasha não pode ajudar Sharon!

— Ninguém sabe que estamos aqui. – garanto. — Por favor, eu não farei mal algum a ela ou a vocês. Só quero ajudar. Entendo que são agentes da lei, mas... por favor... ao menos agora...

— Não pode nos pedir isso, Natasha. – Daniel suspira contrariado. — Mas...

— “Mas...”? – Peggy se vira para o marido incrédula. — O que pensa que está fazendo, Daniel?

— Sharon não tem deixado o psiquiatra se aproximar, Peggy. Natasha pode conseguir algo.

— Não creio no que estou ouvindo! Tem noção do que está dizendo? Isso arrisca tanto a saúde mental de Sharon quanto as nossas carreiras!

— Eu entendo, mas não custa tentarmos. Acima de tudo, acima de agentes da lei, somos humanos.

— Daniel! Isso não tem nada...

— Não quero causar problemas. – interrompo a discussão. — Vim apenas na intenção de ajudar. É só o que quero.

— Então volte de onde veio. – Peggy ameaça fechar a porta mais uma vez, mas agora quem segura é seu marido. — Daniel! O que está fazendo?!

— Eu sei que é sua irmã, Peggy, mas quero ver Sharon feliz e recuperada tanto quanto você.

— Não vejo como! – Peggy afirma, chorosa. — Especialmente, se ela estiver envolvida. – mais uma vez, aponta para mim.

— Eu entendo o receio dos dois, mas estou disposta a tentar. Prometo que será rápido. Eu saberei parar quando preciso.

— Têm certeza de que ninguém as viu aqui? – Daniel pergunta, ainda preocupado.

— Fizemos do jeito certo. – Gamora solta um sorriso superior e me faz entrar no apartamento.

— Eu ainda não concordei...

— Peggy. – Daniel a repreende. — Vamos tentar, amor. Por Sharon.

— Obrigada. – agradeço a seu marido. — Onde Sharon está?

— Primeiro quarto à esquerda. – Daniel me instrui ao apontar para as escadas.

— Mas não vai sozinha! – Peggy intervém. — Eu entrarei com você.

— Mas não ficará. – Gamora intervém.

— Você não me diz o que fazer na minha casa!

— É importante o paciente se sentir confortável. – explico sutilmente. — Sharon precisa estar à vontade, e isso não acontecerá se você estiver presente.

— Eu sou sua irmã!

— Exatamente. – argumento. — Ela terá receio. Estando somente comigo poderá se sentir segura.

— Peggy, entenda...

— Okay! – ela interrompe Daniel. — Vamos logo com isso!

Peggy e eu subimos as escadas em silêncio.

Assim que viramos o corredor a caminho do quarto de Sharon, Peggy me empurra contra a parede.

— O que pensa que está fazendo? – suas unhas furam meus braços.

— Eu que te pergunto! – eu me mexo tentando me soltar.

— Isso aqui é vida real, não se trata de mais uma de suas fantasias de ser a mocinha.

— Não quero ser a mocinha de...

— Abra o jogo comigo! Qual é a tua?

— Peggy...

— Quer uma estrelinha colada na testa? Tudo isso é para Steve te vangloriar por ser a boazinha enquanto Sharon é a medusa?

— Não se trata disso. – eu a afasto. — Quero ajudar Sharon.

— Mesmo? Nossa! Quanta bondade! E a troco de quê?

— De nada. Eu queria fazer isso antes, mas Steve não deixou.

— E por que agora? Como o convenceu que te deixasse praticar sua boa ação do dia?

— Ele não sabe que eu estou aqui. – revelo, e Peggy parece desconcertada por um tempo, mas logo se recupera.

— Ahhhh! Ótimo! Então a culpa cairá em cima de todos os outros, menos da vítima indefesa, como sempre protegida pelo cavalheiro de armadura brilhante!

— Engano seu. – rebato. — Steve e eu discutimos. Ele está bravo comigo.

— Ah, então é isso!

— Isso o quê?

— Pensa que eu sou burra, Natasha? – indaga. — Enganou a todos lá embaixo, até mesmo Gamora, mas aqui deixou a máscara cair.

— Do que está falando? – pergunto, confusa.

— Não se faça de covarde!

— Você está louca. – digo ao me aproximar do quarto. — Eu vou ver Sharon...

— Está aqui como vingança a Steve. – ela me puxa pelo braço rudemente.

— O quê?

— Isso mesmo! Já entendi a sua jogada. Tanto faz para você se Sharon vive ou morre. Veio até aqui afrontar Steve e conseguir o mínimo de atenção que sempre rasteja dele.

— Não preciso disso. Não sou você! – nego ao me soltar bruscamente. — E isso não é uma afronta a ele nem a ninguém. Eu quero realmente ajudar Sharon.

— E por quê? – questiona. — Suponhamos que esteja falando a verdade, por que quer ajudar minha irmã?

— Porque quero entender o motivo de tanto ódio.

— E isso não é óbvio, Natasha? – Peggy indaga, nervosa. — Sharon é doente, e você é uma ameaça em relação a Steve. É simples. Você não precisa vir até aqui e constatar o que é notório a milhões de distância!

— Aí está. – murmuro. — Justamente por me odiar, ela pode acabar se abrindo. É controverso, eu sei, mas faz sentido.

— Não me venha com suas aulas de autocontrole, Natasha. Quero que fique longe de minha irmã. Eu não vou cair mais nas suas falcatruas.

— Nas minhas falcatruas? – solto uma risada debochada. — E o que você me diz das suas falcatruas? – cobro, e agora é ela quem franze a testa.

— Quê? Não sei do que está falando. Em todo caso, não pense que pode jogar...

— Você me traiu de novo. – afirmo. — Mas quer saber? Isso não importa. A prioridade aqui é Sharon.

— Você está louca! Nem me darei ao trabalho de tentar entender.

— Peggy...

— Mas tem razão. A prioridade aqui é Sharon. Então, se quer mesmo ajudar, vá...

— Eu não vou embora. Não sem antes falar com Sharon. – teimo, de braços cruzados.

— Mas que coisa! – exclama. — Por que essa insistência? Não entende que só tem feito mal à Sharon desde que apareceu? Aliás, é o que tem feito a todos nós, inclusive a Steve! – grita, e eu me encolho. Mesmo que venha dela, uma pessoa que não gosta de mim, dói ouvir. — Maldita hora que foi substituir aquela sua amiguinha...

— Não meta Rebby nisso. – ordeno. — Dobre a língua antes de falar dela.

— Dobre você a língua antes de falar de Sharon, seja lá o que for que esteja tramando!

— Não estou tramando nada! Será que não entendeu ainda?

— Não! Não tem o que entender! Fique longe de Sharon, Natasha, eu já disse!

— Se eu não tiver os resultados que espero ter hoje, acredite, Peggy, eu ficarei.

— Feito! – Peggy suspira. — Prepare-se para sumir de nossas vidas.

Seguimos o restante do corredor até chegarmos ao quarto de Sharon. Peggy bate na porta gentilmente antes de abrir.

Sharon está na cama, de pijama, envolta de cobertas e remédios enquanto assiste televisão.

Peggy se aproxima lentamente, mas Sharon não desvia o olhar da TV.

— Sharon? – ela acaricia os cabelos da irmã. — Como está, menininha?

— Enjoada.

— São os remédios. – Peggy explica. — Consegue se sentar?

— Acho que sim.

Apesar de mole, Sharon parece lúcida. Ela não tem nada da mulher hostil e desequilibrada que me abordou no banheiro e depois tentou me ferir com uma tesoura. E que, supostamente, destruiu o meu carro.

— Tomei a sopa toda.

— Eu sei, eu sei. Muito bem! – Peggy afaga seus braços. — Ér... hm... Sharon, tem alguém que veio te ver.

— Alguém? Quem? – Sharon balança a cabeça, confusa. — Não quero ver ninguém, Peggy. Combinamos que...

— Por favor. – Peggy segura a sua mão, aproveitando o fato de Sharon ainda não ter me visto. — Você tem tomado os remédios corretamente e está reagindo ao tratamento. Mas também sabe que precisa das visitas médicas designadas.

— Eu sei, mas combinamos que...

— Por mim, Sharon, receba quem veio te ver. Eu entendo se for difícil. Não irei forçá-la, mas pode tentar?

— Mas quem veio me ver?

— Eu. – anuncio, vendo que Sharon se vira e cerra os olhos, confusa.

— Você? – indaga ainda segurando a mão de Peggy. — Quem é você?

— É Natasha. – Peggy responde, cuidadosamente. — Não se lembra dela, menininha?

— Natasha? – Sharon pressiona a mão na testa. — Acho que sim.

— Tudo bem. – eu me aproximo lentamente da cama. — São os remédios bagunçando um pouco a sua mente.

— O que você se lembra sobre Natasha? – Peggy questiona, atentamente.

— Não tenho certeza. São alguns borrões. Acho que numa garagem.

— Não precisa se esforçar. – eu me aproximo da cama. — Podemos conversar um pouco? Você se sente bem para isso?

— Não é obrigada a nada, Sharon. – Peggy intervém. — Não precisa se não quiser. Ninguém te forçará.

— Tudo bem. – Sharon assente. — Podemos conversar. Não tem problema.

— Certeza?

— Sim. – ela responde à irmã. — Vamos ficar bem.

— Okay. – Peggy assente, contrariada. — Vou esperar lá embaixo com Daniel. Se precisar me chame.

— Como ela disse, nós vamos ficar bem. – reafirmo.

— É bom para você que fique mesmo. – ameaça ao se levantar da cama e sair do quarto.

— Como está se sentindo? – pergunto à Sharon ao ficarmos a sós.

— Um pouco enjoada. – ela passa a mão pela barriga. — Os remédios são fortes.

— Eu imagino. – murmuro ao me aproximar mais. — Posso sentar? – aponto para a cama.

— Claro. – ela puxa um pouco das cobertas para o lado, deixando que eu me sente no colchão. — Eu não sei muito bem como fazer isso. – admite, nervosa, mexendo as mãos. — Temos que conversar...? Eu tenho que falar ou só ouvir?

— O psiquiatra já veio te ver?

— Ainda não. Pedi à Peggy para descansar um pouco. Acho que ainda não estou pronta.

— Tudo bem. Isso não é uma sessão, Sharon. – digo. — Vamos conversar de mulher para mulher.

— Como?

— Só quero que me diga a verdade.

— Qual verdade? – indaga, curiosa.

— Você se lembra de alguma coisa sobre mim?

— Alguns borrões.

— E como são esses borrões?

— Uma garagem. – revela, e eu fico tensa. Se ela se lembra de uma garagem, então foi realmente ela quem destruiu meu carro. — Poucas luzes. Carros.

— Você se lembra de fazer alguma coisa nessa garagem?

— Eu acho... – Sharon encara a mão direita. — ...acho que... que segurava alguma... coisa.

— Bom. E o que era?

— Não sei. – ela suspira derrotada. — Temos que fazer isso? Se for tocar em assuntos deste tipo, essa conversa é uma sessão.

— Tem razão. Desculpe. – murmuro. — Que tal falarmos de você?

— De mim?

— É. Gostaria de ouvir a sua história.

— Minha história? Como assim?

— Hmmm... não sei. O seu lado, sua vida.

— E por quê? – pergunta, e eu suspiro antes de explicar.

— Porque é muito fácil quando te acusam, principalmente sem darem a oportunidade de se defender. – respondo, e isso parece deixá-la sem falas.

— Ninguém nunca quis me ouvir, Natasha. Nem mesmo Peggy.

— Eu duvido disso. Sua irmã te ama demais.

— Sim, ama.

— Hmm... vem um “mas” por aí?

— Peggy apenas fala por mim, mas não me escuta.

— Bom, sendo assim, estou disposta a fazer um diferencial a você.

Sharon parece ficar relutante diante de minha proposta antes de suspirar e cruzar os braços.

— O que quer saber?

— Só o que quiser contar. — esclareço.

— Tipo o quê?

— Hmmm... não sei. Com o que você se sente à vontade para falar?

— Sinceramente? Se olhar por esse lado, eu não poderei te contar nada.

— É tão ruim assim? — indago.

— Não é ruim, é apenas... hm... indiferente.

— Como assim?

— Acho que sou anestesiada. — ela dá de ombros.

— Ninguém é anestesiada, Sharon.

— Então eu estou. Ou fiquei. Sei lá.

— Hmmm... okay. Quer falar sobre isso?

— Não.

— Certo. Então posso te perguntar e você me responde se quiser?

— Podemos tentar. — ela torna a erguer os ombros.

— Okay. O que pode me dizer sobre seus pais?

— Meus pais? — seus lábios tremem. — Como assim? – indaga, e eu a encaro sem saber como explicar. Sharon franze a testa e logo parece constatar. — Ah. Isso. Então você sabe.

— Eu soube hoje. — revelo. — E eu sinto muito, Sharon. – admito. — Não tenho ideia do que você e Peggy passaram. Não deve ter sido fácil.

— Peggy sempre foi forte. – comenta. — Sempre cuidou de mim.

— E quanto a Michael? – indago, e os lábios de Sharon tremem novamente à menção do irmão. — Podemos falar dele?

— Falar o quê?

— O que quiser falar.

— Bom... ele me inspirava.

— Como? – pergunto, sorrindo sutilmente.

— Michael não tinha rótulos a seguir. Ele queria ser livre, sabe, viajar pelo mundo. Queria apenas viver sua vida. Na verdade, Michael era como eu.— Sharon narra, com o olhar perdido, como se pudesse se lembrar dos poucos momentos que teve ao lado do irmão.

— Como assim?

— Instável. – ela sorri ironicamente ao me encarar. — Não é essa a palavra-chave para mim?

— Mas não precisa ser. Você pode reverter isso.

— Saber disso não torna as coisas melhores. – ela força uma risada.

— Você teve uma boa infância? – tento abordar outro assunto.

— Claro!

— E como foi sua entrada na S.H.I.E.L.D.? – parto para outro.

— Promissora! – Sharon sorri.

— Não tenho dúvidas. – eu a acompanho. — Pode me falar sobre as missões?

— Falar o quê?

— Hmm... não sei. Que tal sobre seu desempenho? – questiono, e sinto Sharon se fechar.

— Ér... não me lembro muito. Algumas coisas balançam na minha cabeça. – explica enquanto penteia os cabelos com as mãos.

— Tudo bem. Ahn... o que te fez entrar? Foi por seus pais?

— Acho que quis me sentir mais próxima deles.

— Eles também iam a missões?

— Muitas. E sempre voltaram vitoriosos.

— Aposto que você também deu seu melhor em todas.

— Nem sempre o melhor é o suficiente. – diz, e eu enrugo o cenho.

— Por quê? Aconteceu algo de ruim com você em alguma missão?

— É a S.H.I.E.L.D., Natasha. Sempre acontece algo de ruim.

— Foi o que aconteceu com você?

— Talvez! – Sharon se agita.

— Sharon...

— Olha, eu só me lembro de me sentir oca e frustrada desde sempre. Minha vida toda foi assim.

— E por quê?

— Eu já nasci desse jeito.

— Não acredito que ninguém nasça uma pessoa oca. – quero pegar sua mão, mas tenho medo de assustá-la.

— Talvez você só leve fé demais nas pessoas. – ela dá de ombros.

— Talvez. – eu a imito. — Ou talvez seja apenas a verdade. – Sharon me encara pensativa, e eu sinto que já a pressionei demais. — Quer parar por hoje?

— Por hoje? Você vai voltar?

— Quer que eu volte?

— Não sei. – ela coça os braços. — Você pode?

— Só se você quiser. – garanto.

— Eu quero... eu acho... mas Peggy...

— Você quer, Sharon? – reforço, e ela pisca.

— É. – assente. — Quero.

— Okay. Eu voltarei.

— Mas por hoje chega. – pede, agitada. — Estou com dor de cabeça.

— Tudo bem. Posso te perguntar ao menos uma última coisa?

— Não quero mais falar...

— Não é sobre isso.

— Ah. Então o quê?

— Você ama Steve?

— Steve?

— É. Você se lembra dele?

— Capitão. – Sharon pisca, atônita.

— Isso. Capitão Rogers. Podemos falar só um pouquinho dele?

— Dói. – ela pressiona a mão no peito. — Não quero sentir.

— Sharon...

— Por que isso de repente?

— Apenas para finalizarmos. Pode dizer se você se lembra dele?

— Eu lembro. – Sharon deixa algumas lágrimas escaparem. — Chicotes. Punições. E música.

— É disso que se lembra?

— Eu nunca o esqueci. – afirma ao me encarar. — Jamais poderia. Ele me deu tudo!

— Tudo? — repito. — Tudo o quê?

— Vida!

— E você o ama? — questiono antes que possa me parar, e Sharon reage de forma neutra.

— Você ama?

— Eu...?

— Sei que sim. – garante. — Todas nós amamos, Natasha.

— É. — abaixo o olhar. — Acho que sim. Todas amamos.

— Mas é diferente com você.

— Por quê? – solto um riso descrente.

— Você dorme na cama dele, você o chama pelo primeiro nome, sai em fotos públicas, vai a eventos, viaja com ele. – ela dita os fatos enquanto me encara. — Com você é diferente.

— Você se lembra de ter me visto antes?

— É... – Sharon pisca lentamente. — O que você tem que eu não tenho?

— Isso! — assinto. — Foi assim que nos conhecemos. Você se lembra de mais coisa? — pressiono, mas ela parece não me ouvir mais.

— Por quê? — indaga, com a voz chorosa. — Por que você?

Eu a observo por um tempo e constato que Sharon está desesperadamente precisando e esperando por uma resposta.

— Não sei explicar. – admito. — Não se trata de eu ter algo que você ou as outras não tenham.

— Claro que se trata. — rebate sutilmente. — Você tem o bem mais precioso de todos. O verdadeiro tesouro dessa relação.

— O quê?

— O coração do Capitão.

— Bem... Steve e eu nos apaixonamos, Sharon. Isso não é premeditado. Simplesmente não se explica em palavras.

— Jamais achei que o Capitão... ér... – Sharon franze a testa e morde o lábio. — Desculpe. Jamais achei que o Steve fosse se apaixonar.

— Você sempre o observou. Conseguiu estudá-lo melhor do que eu.

— Acho que somos parecidos. – comenta. — Não sei, talvez ele também seja oco como eu. Quer dizer, era, porque agora ele tem você.

— Você também tem quem te ame, Sharon.

— O problema não é ser amada, Natasha. – ela explica. — O problema é amar.

— Mas você ama Steve. E sei que também ama sua irmã e amava os seus pais e irmão.

— Eu não sei se amo Steve ou se amo a sensação de propósito que ele me forneceu.

— Sensação de propósito?

— Eu não era nada, Natasha. Eu não tinha mais vida, eu não tinha mais corpo ou alma. Eu era apenas uma sombra. Nunca me senti completa.

— E por que isso mudou com Steve?

— Ele me deu a sensação de mudar. – enfatiza. — Eu tinha uma ocupação e um propósito, que eram satisfazê-lo e observá-lo. Ele era fechado, frio e confuso como eu. Pensei que fôssemos ficar juntos para sempre.

— Steve era o seu talismã.

— E, quando me deixou, eu não tive mais rumo. Eu não tinha mais a quem servir, então eu continuei com ele, mesmo que de longe. Percebi que todas as outras eram iguais a mim, até que desisti e o deixei livre.

— Mas aí eu apareci. E então você passou a me observar.

— Você era natural, não a cópia que ele exigia. Isso me fez achar que eu tinha entendido, mas então ele continuava ao seu lado. Eu precisava saber mais.

— Eu passei a ser o seu propósito.

— Em parte.

— E daí roubou o meu dossiê.

— Eu roubei? – Sharon pisca.

— Você não se lembra?

— Não sei. Acho que sim. Eu lembro de ler suas informações.

— E por que fez isso?

— Acho que precisava ver com meus próprios olhos. E de perto.

— E por que tentou me machucar e destruiu o meu carro?

— Eu... não sei... eu...

— Isso só a afasta do mundo. Não deixe que te tirem a vida, Sharon.

— Vida? – Sharon forma um mínimo sorriso. — Eu ainda tenho isso?

— Claro que tem! Sharon, você não é fraca! Você não é sua própria refém!

— Desculpe. – ela suspira. — Estou cansada. Os remédios ainda estão me deixando confusa. Podemos parar?

— Uma última coisa.

— Já pediu isso antes. Eu realmente...

— Não irei te perguntar nada. Pelo contrário. Eu que falarei.

— O quê?

— Perdão. – falo, de repente, fazendo Sharon me encarar rapidamente, assustada.

— Quê? Perdão? Por quê?

— Por ter feito essa bagunça na sua vida, ainda que indiretamente.

— Mas...

— Desculpe por não ter tomado uma iniciativa antes. Desculpe por não ter te dado a chance de falar quando mais precisava ser ouvida.

— Mas você fez isso agora.

— Talvez tenha sido tarde.

— Nunca é tarde. E desculpe também. – ela suspira. — As pessoas me contaram o que eu fiz. Eu não sei o que teria acontecido se eu realmente tivesse machucado você.

— Isso é passado. – sorrio rapidamente. — Obrigada por me deixar te ouvir.

— E obrigada por me deixar falar. – solto mais um sorriso. Desta vez, mais caloroso. — Eu espero que você seja feliz.

— Eu te desejo o mesmo, Sharon. – sussurro. — E não pense que você é vazia. Você tem muito a oferecer! – afirmo e pressiono a mão em seu coração. — E vem tudo daqui.

Notas finais
Links que não abriram: Apartamento --> https://casa.abril.com.br/wp-content/uploads/2018/03/cobertura-justin-timberlake-4.jpg Quarto da Sharon --> https://images.squarespace-cdn.com/content/v1/54ef66bbe4b0cb6173038a6e/1489074987198-N5GF1RU53BDVNN034UIE/NILDO_FOTOS_14.jpg?format=1000w Obrigada pelos 402 comentários, 145 acompanhamentos, 70 favoritos, 9 recomendações e 25673 visualizações ^^ Por favor, continuem acompanhando, favoritando, recomendando e comentando :3 Beijocas, fiquem em casa e se cuidem ^^