Haunted 🔞

35 Capítulo 35 — Any chance?


Notas iniciais
Olá!! Então... não sei se foi pelo meu desabafo no capítulo anterior, mas senti um aumento quanto ao número de comentários. Fiquei feliz. Ainda não entendo a BRUSCA queda de leitores que tive desde IPASOY pra cá kakaka mas enfim... é isso. Aos que ficaram, obrigada! Estava nos meus planos só atualizar na terça, mas como já encomendei o banner do próximo capítulo e este já está sendo escrito, resolvi atualizar logo hoje :3 Anyway, perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem ^^ Tradução do capítulo: Alguma chance? Ps: por favor, leiam as notas finais, pois se tratam de algo MUITO importante!

Viro para o lado e descubro a cama vazia, porém ainda quente. Ao pegar o celular vejo que faltam cinco minutos para meu celular tocar.

Grunhindo, desligo o alarme de hoje e me sento lentamente. Só com esse movimento, minha cabeça explodiu de quinhentas maneiras diferentes. Descanso os cotovelos nos joelhos e apoio a testa nas mãos. Sinto que vou vomitar a qualquer momento.

— Bom dia!

A voz extrovertida de Steve me faz erguer o rosto, mas me arrependo imediatamente ao sentir as têmporas latejarem.

— Oi...

Steve vem até mim segurando uma caneca de café.

— Dormiu bem? – ele se abaixa e me beija. — Que foi, linda?

— Ressaca.

— Suspeitei disso. – Steve estica minhas pernas sobre as suas e massageia meus pés. — Quer alguma coisa?

— Aspirina! – coço os olhos com a dor que queima minha testa.

— Não acho bom tomar remédio agora. – ele oferece a caneca para mim. — Aqui.

— O que é?

— Chá.

— Nunca mais me deixe beber assim. – faço beicinho antes de tomar o primeiro gole.

— Bom, você estava com o seu pai. – Steve relembra divertido.

— É... eu sei. – dou mais uns goles no chá até sentir meu estômago começar a revirar. — Steve, o que tem aqui?

— Receita secreta.

— Quê? – olho para dentro da caneca. — Você me drogou?

— Natasha! – Steve parece visivelmente ofendido, mas depois ri e balança a cabeça. — É um chá para te fazer vomitar. Está funcionando?

— Cem por cento! – entrego a caneca a ele e corro até o banheiro.

Eu me jogo de joelhos em frente ao vaso e despejo tudo o que ingeri ontem à noite, incluindo os recentes goles do chá.

Steve segura meus cachos para trás e apoia a mão livre em minha testa.

— Ponha tudo para fora. Isso.

Continuo a vomitar até sentir a barriga se contrair. Minha garganta está seca e arranhada. Preciso desesperadamente de água!

O alívio que sinto após terminar é incomparável! Steve tampa a privada e aperta a descarga.

Meu rosto está suado e as pernas, bambas. Steve me ajuda a ficar de pé e põe sentada no vaso tampado.

— Melhor?

— Um pouco. – puxo um pedaço de papel e limpo a boca.

— Tome um banho. – Steve percebe que estou suando frio.

— Vou tomar. Pega um pouco de água para mim?

— Pego, meu amor. – ele beija a minha testa antes de deixar o banheiro.

Após profundos suspiros, vou até a pia para lavar o rosto e escovar meus dentes. O frescor da pasta me traz uma sensação melhor.

— Aqui. – Steve volta quando estou terminando de secar as mãos.

— Obrigada! – bebo toda a água gelada em segundos.

— Pronto! – Steve pega o copo e põe em cima da pia. — Banho? Companhia?

— Sim. – rio e tiro a camisa.

Quando estou nua, Steve liga o chuveiro e me puxa para dentro do box. A cascata de água cai de modo forte e gelado. Eu nem sinto frio, pois meu corpo precisa dessa temperatura que a água me fornece.

— Pedi para Jessie fazer suco de abacaxi. Separei uns biscoitos de água e sal para você.

— Obrigada, amor. – deixo Steve lavar meus cabelos enquanto ensaboo o restante de meu corpo.

— De nada, linda. – ele beija a lateral de meu rosto.

▪️▪️▪️

— Está nervosa? – Steve pergunta durante o café.

— Com o quê? – indago, confusa, e ele parece desconcertado.

— Ahn... bom... é que hoje... hoje é o seu último dia...

— Caraca! – levo a mão à boca. — Tinha me esquecido completamente!

— Foi mal ter lembrado. – ele parece arrependido, mas sorri.

— Nossa...!

— E então? – torna a perguntar. — Está nervosa?

— Não sei. – engulo mais um pedaço de biscoito.

— Vai se sair bem, amor. – Steve acaricia meu rosto.

— Obrigada.

— Eu te amo.

— Eu te amo! – rio, mas arregalo os olhos quando vejo Jessie nos encarar boquiaberta.

— Jessie! – Steve exclama com um sorriso tenso. — Pare com isso. Está deixando Natasha sem jeito.

— Desculpe. – ela ruboriza ao sorrir também. — É que... eu nunca... nunca ouvi...

— Tudo bem. – acabo rindo também. — É espantoso, Jessie, mas é real.

— Sim! – ela olha para Steve. — Ah, Sr. Rogers! Meu menino!

— Jessie... – Steve parece sem jeito com os olhares que Jessie e eu direcionamos a ele. — Chega! Vocês duas!

Rindo, dou um beijo na bochecha esquerda de Steve enquanto Jessie dá outro na direita.

— Ei! – ele grunhe. — Chega, chega! Jessie, eu vou te demitir! – Steve nos empurra para o lado antes de limpar o rosto.

— Não vai, não. – eu o provoco apenas para Steve emburrar ainda mais. — Bebê!

— Para! Enquanto ela perde o emprego, você perde a sensibilidade da bunda! – meu rosto explode de vergonha.

Jessie disfarça uma risada e se retira para a cozinha.

— Seu louco! – dou um tapa no ombro de Steve. — Não pode dizer coisas assim!

— Vocês ficaram me apertando! – exclama nervoso. — Não estou acostumado.

— Pois se acostume.

Desço do meu banco e beijo de novo sua bochecha. Dou infinitos beijinhos até sentir Steve me abraçar pela cintura.

— Você é muito amado! Muito! Nunca vai se livrar disso! – ele está relutante e ainda desconcertado com tamanha demonstração de afeto, mas ao menos não me repele.

— Chega... – Steve tenta se livrar dos meus beijos.

— Eu te amo.

— Eu te amo. – ele tenta manter sua pose de durão quando olha para mim. — Muito.

— Eu também. – acabo rindo do seu biquinho. — Vai sair agora?

— Sim. – Steve me solta e fica de pé, mas eu o puxo pela mão. — Amor! Cuidado! – ele quase tropeça em cima de mim.

— Fica tão fofo com vergonha! – aperto seu rosto e beijo seus lábios franzidos.

— Chega. – Steve aperta minha bunda. — Não me importo de ser seu último dia. Vou atrasar você espancando essa bunda doce antes de fodê-la, entendeu? É melhor parar.

— Shhhhhh! – cubro sua boca e rio. — Você está muito fofo para falar coisas sujas!

— Natasha...

— Meu bebezinho! – fico na ponta dos pés e começo a beijar todo o seu rosto.

— Para com isso. – Steve reclama, emburrado, mas me abraça de volta. — Você vai me pagar.

— Deixa para mais tarde. – brinco antes de finalmente soltá-lo. — Meu lindo! Vamos?

— Vamos. – responde, carrancudo, enquanto põe o casaco e pega as chaves.

▪️▪️▪️

Ao chegar à sala dos funcionários encontro com Samantha. Ela está no canto da mesa segurando um copo de café nas mãos. Eu penduro minhas coisas e me sento a seu lado.

— Oi! Bom... – paro de falar quando noto seus olhos vermelhos. — Samantha! O que foi?

— Hoje é o último dia. – ela soluça. — Tenho medo de que seja assim definitivamente.

— Não vai ser, Samantha. – seguro seu ombro. — Independentemente do resultado, temos outras opções de trabalho. Não existe só a Minds Manhattan.

— Eu sei, mas comprar ou alugar um consultório não é barato. Eu não tenho condições.

— Nós prometemos nos ajudar. – tento lhe passar conforto e segurança.

— Não vou fazer isso, Natasha. – Samantha limpa os olhos. — Não vou tirar dinheiro de vocês pela minha incompetência.

— Samantha! – exclamo. — Não diga besteiras! Não estará tirando dinheiro de nós. E será um trabalho em conjunto. Se isso ainda te incomodar, aceite como um empréstimo.

— Não atendi a tantos pacientes assim como você e Elliot.

— Por falar nele, onde está?

— Ainda não chegou.

— Mas ele nunca se atrasa. – comento após checar meu relógio.

— Deve chegar logo. – Samantha dá de ombros e, neste exato momento, a porta da sala se abre.

— Bom dia! – Elliot nos cumprimenta ofegante.

— Oi! O que houve?

— Perdi a hora. – ele se senta à nossa frente. — Tudo bem, Sam?

— Tudo. – Samantha assoa o nariz e limpa os olhos novamente.

— Mesmo?

— Estamos nervosas. – incluo a mim mesma na conversa. — Medo de não passarmos.

— Estão todos assim. Acabei de encontrar com Allanah e ela me disse que não conseguiu nem tomar café.

— Somente cinco serão selecionados, não? – Samantha indaga interessada.

— É. – respondo. — Mas isso não é o fim. Esse período de estágio vai para o nosso currículo de qualquer maneira. Achei até gentil da parte da empresa permitir a referência do estágio no currículo.

— Contará bastante para qualquer oportunidade de emprego. – Elliot reforça.

— Isso! – eu o apoio apertando novamente o ombro de Samantha. — Sabemos do nosso potencial. Chegamos até aqui e não foi à toa.

— Pois é! Entrar e chegar até aqui não foi fácil, mesmo com apenas um mês de estágio. Nós demos duro.

— Sim! Só por isso já somos vitoriosos. – sorrio. — Eu sou mais eu!

— Eu sou mais eu!

Elliot repete pegando minha mão. Nós dois olhamos para Samantha em expectativa. Ela sorri e revira os olhos antes de se juntar a nós.

— Eu sou mais eu!

Continuamos rindo por mais um tempo quando meu celular começa a apitar. De início, penso que é alguém me ligando, mas então vejo que é um lembrete de minha consulta com a ginecologista.

Abro a data que marquei no calendário e confiro que meu atendimento está marcado para às três e meia. Aperto essa lembrança em minha mente e levo a mão à barriga inconscientemente.

Meu estômago ainda está embrulhado pela bebida de ontem, mas ao mesmo tempo me voltam à cabeça as palavras de Peggy. E se...? Você não está grávida, Natasha! Mas e se eu chegasse a ficar um dia, Little Red? Como será que Steve reagiria? Ele repetiria o mesmo comportamento estúpido de nossa primeira briga ou demonstraria amadurecimento e evolução quanto a isso?

A verdade é que marquei a consulta para hoje para trocar de anticoncepcional. Esta cartela tem me surtido efeitos colaterais, como náusea, cansaço e eu temo que tenha engordado também por conta disso. O peso é o de menos para mim, mas prefiro averiguar antes que me atinja de modo mais prejudicial.

— Ei, bobona!

Uma bolinha de papel bate em meu ombro. Quando me viro, Elliot e Samantha estão rindo enquanto carregam minhas coisas.

— Vamos para a nossa última aula!

— Certo. – solto um sorriso trêmulo.

— Você está bem, Natasha? – Samantha me pergunta com o rosto tenso. — Sua boca está branca.

— Sim. É que acordei de ressaca.

— Essa ressaca está braba, hein! – Elliot brinca, mas ainda parece preocupado. — Aguenta ficar para a aula?

— Sim. – afirmo. — Vou só pegar uma garrafa d’água.

— Eu compro para você. – ele se oferece. — Entre com Samantha e procure se sentar logo.

— Não precisa...

— Vá, Natasha. – ordena sutilmente.

— Obrigada!

▪️▪️▪️

Estou na sala de espera há uns dez minutos. A recepcionista até tenta disfarçar, mas consigo perceber que volta e meia me lançar um olhar curioso, provavelmente preocupada em saber qual será a próxima unha que irei roer.

Steve acha que estou no trabalho. Não avisei nada a Fury. Peguei um táxi e vim por conta própria.

Estou pronta para devorar as unhas da mão esquerda quando a porta do consultório se abre e Cho sai acompanhando uma paciente. A barriga protuberante da mulher me chama atenção. Começo a suar ainda mais só de ver o inchaço do ventre quase estourando sua camisa.

— Natasha?

— Sim? – desvio o olhar da mulher e noto Cho.

— Vamos?

— Ér... sim, sim. – fico de pé e sigo a doutora.

Ao passar pela mulher, eu olho novamente para sua barriga. Ela já deve estar quase de nove meses.

— É... eu sei. – noto que a moça se dirigiu a mim.

— Ahn?

— Está enorme! – ela ri e abraça seu estômago. — Gêmeos!

— Gê-gêmeos? – quase perco a fala.

— Sim! Um casal! – ela ri novamente. — Ui! Acabei de receber um chute!

— Eles chutam muito? – indago curiosa.

— Às vezes. – ela apoia uma mão na coluna e outra, na barriga. — Nossa! Hoje estão demais! – reclama. — Quer sentir?

—Ér... – olho rapidamente para Cho, que sorri e assente. — Ahn... cla-claro. Por que não? – espero, mas nada acontece. — Bom, parece que sossegaram.

— Espere, espere! – a mulher prende minhas mãos com as dela antes que eu consiga me afastar. — Eles vão... ai! Sentiu?

— Senti! – exclamo assustada. — Eles são... fortes!

— Nascem mês que vem. – diz. — E você? – ela estende sua mão e espalma minha barriga. — Hmmmm! Ainda está lisinha! Sorte...

— Não, não. – cruzo os braços no peito. Consequentemente, isso a faz retirar a mão de minha barriga. — Não estou... não estou grávida. – afirmo mesmo com a certeza balançando em meu coração. Você tem certeza, idiota!

— Oh! – seu rosto cora. — Bom, sua vez irá chegar. – incentiva, mas não sei se agradeço ou a amaldiçoo. — Bem, até mais! – a moça se despede antes de sair do consultório.

— Natasha? – Cho me chama e eu sou obrigada a me virar.

— Oi. – entro em sua sala.

— Oi, Natasha! – Cho me cumprimenta de novo após fechar a porta. — Como vai?

— Bem. – minha voz está gélida enquanto penduro meu casaco e a bolsa.

— Mesmo? – ela se senta na cadeira atrás da mesa.

— Sim.

— Algum motivo para marcar a consulta?

— Ahn... acho que o anticoncepcional pode estar me fazendo mal.

— O que tem sentido? – Cho prepara sua prancheta e começa a escrever conforme eu vou falando.

— Um pouco de náusea, às vezes dor no estômago, ahn... um pouco de aumento de peso... acho que só. Nem sei se é por isso, mas achei melhor ter certeza.

— E a sua menstruação? – Cho me encara de maneira cética.

— O que tem?

— Quando foi seu último período?

— Acho que há cinco dias.

— Tem descido regularmente?

— Sim.

— Última vez que fez sexo?

— Ahn... acho que há dois dias.

— Usaram proteção?

— Não. – meu rosto queima com a confissão.

— Sentiu algo diferente?

— Como o quê? – Cho suspira antes de responder à minha pergunta.

— Qualquer coisa que nunca tenha reparado sentir. Alguma dor, algum desconforto... entende?

— Hm, sim! Bom, acho que não.

— Okay. Bom, vamos para a sala de exames. Você pode retirar suas roupas lá e vestir o colete. Eu vou logo, logo!

Eu assinto ao levantar e seguir para o local onde Cho me instruiu. Penduro minhas roupas casuais na divisória e visto a camisola aberta na frente.

Dra. Cho retorna após uns minutos junto de sua assistente chamada Charlotte.

— Oi, Natasha! Vamos te pesar primeiro!

Charlotte me conduz até a balança para conferir meu peso e altura.

— Hmmm... parece que você engordou três quilos desde a última vez que veio aqui, Natasha. – Dra. Cho analisa após lavar suas mãos e vestir as luvas de borracha. — Mas está dentro do padrão para sua altura.

— Pode descer. – Charlotte murmura para mim ao me levar até a maca. — Suba aqui, deite e apoie os pés.

— Respire fundo. – Dra. Cho ouve meus batimentos cardíacos. — Mais uma vez. – obedeço. — Você está nervosa?

— Um pouco. – admito timidamente.

— Está um pouco acelerado. – ela se refere a meu coração. — Vamos medir sua pressão.

Charlotte enfaixa meu braço com o aparelho específico antes de Dra. Cho assumir. Ela pressiona o estetoscópio até encontrar a medida certa.

— Também está um pouquinho elevada, Natasha. Mas não se preocupe. Você está um pouco tensa e isso é normal. Não está marcando nada que precise se preocupar. Está só um pouco acima do normal. Tudo bem? –Cho sorri para mim antes de Charlotte desenrolar meu braço.

Deixo suas palavras adentrarem minha mente e tento me acalmar. Respire, Natasha. Respire. Você já esteve aqui antes. Está tudo bem!

Charlotte também lava as mãos e fica no canto da sala à espera de outro pedido de ajuda de sua chefe.

— Pode abrir a camisola. – Dra. Cho diz após vestir sua máscara no rosto e se sentar diante de mim. — Será igual à nossa primeira consulta. – avisa e eu assinto. — Tem tomado as pílulas corretamente, certo?

— Sim.

— Como tem descido o fluxo de sua menstruação?

— Na quantidade de sempre. Quer dizer, veio até mais controlado do que das outras vezes.

— Isso é normal. – Dra. Cho assente. — Na verdade, as pílulas costumam controlar o período menstrual, fluxo e cólicas.

— Entendo.

— Esqueceu de tomar alguma pílula algum dia?

— Não.

— Certeza?

— Sim.

— Esteve doente recentemente?

— Não.

— Certeza? Nenhum resfriado?

— Não, eu estou bem. Por quê?

— Às vezes, quando as mulheres tomam outros medicamentos por cima dos anticoncepcionais, tendem a perder o efeito. – informa. — Certos antibióticos, por exemplo, podem alterar a medicação das pílulas.

— Ah, sim!

— Natasha, devido a tudo o que me disse, acho que está tudo okay. – Dra. Cho suspira e abaixa a máscara até o queixo. — Tem sentido enjoos ou tontura?

— Senti um pouco a cabeça pesada antes da menstruação descer, mas nada que tenha me preocupado. Nada de visão turva ou coisas do tipo.

— Você tem TPM?

— Nunca senti isso. Nem antes nem depois das pílulas. É normal?

— Sim. Nem todas as mulheres sofrem com TPM.

— Ah, sim.

— Tem sentido mudanças no corpo? Alguma área sensível?

— Não.

— Sente a região íntima inchada ou dolorida?

— Não.

— Seus seios estão maiores?

— Acho que um pouco, mas por eu ter engordado.

— Sente que estão pesados?

— Acho que não.

— Abra a camisola para mim, por favor.. – Dra. Cho empurra a cadeira de rodinhas para frente toca a base de meus seios. — Estão sensíveis?

— Não.

— Sente isso? – ela empurra para cima e para baixo. — Está pesado?

— Não.

— Aqui está dolorido? – ela aperta o bico de meus seios.

— Não.

— Aqui dói? – espalma meus seios por inteiro apertando em diferentes partes.

— Não.

— Respire fundo. – ordena ainda segurando meus seios. — Doeu?

— Não.

— Certo. – ela solta meus seios. — Erga o braço direito e descanse atrás da cabeça.

Eu obedeço e vejo Cho tatear toda a área de meu peito. Por fim, ela aperta o mamilo antes de repetir o mesmo processo no esquerdo.

— Está tudo ótimo, Natasha! Nenhum grânulo nem nenhuma secreção.

— Graças a Deus!

— Abra as pernas mais uma vez por favor. – ela volta a subir a máscara e observa minha intimidade com uma lanterninha. — Está sentindo isso?

— Sim. – respondo quando as pontas de seus dedos cobertos pela luva entram em mim.

— Está sensível?

— Não.

— Está com dor?

— Não.

— Sente alguma excitação?

— O quê?!

— Apenas responda, Natasha.

— Ahn... ér... não? – franzo o cenho antes de pigarrear. — Quer dizer, não.

— Certo. – Dra. Cho retira a mão de mim e apaga a lanterninha. — Sua vagina não está inchada. Seus lábios vaginais estão normais. Seus seios estão saudáveis. – diz. — Vou te pedir um exame de urina e um exame de sangue.

— Okay. – concordo vendo a doutora pegar um instrumento esterilizado antes de enfiá-lo em mim.

— Vai sentir um pouco de pressão e desconforto, mas é rápido.

— Tá... a-ai!

— Quase acabando. – murmura rodando o instrumento dentro de mim. — Dói?

— Incomoda. – eu me mexo inquieta.

— Vou lubrificar um pouco. – diz ao afastar o instrumento. — Vai entrar com um pouco mais de facilidade. É um pouquinho gelado, tudo bem?

— Tudo bem. – Dra. Cho volta com o instrumento para o meio de minhas pernas.

— Já vai terminar. – avisa ao me ver estremecer. — Pode me trazer, Charlotte. – a assistente segura a lâmina enquanto Cho esfrega a ponto do instrumento que usou em mim. — Separa para a análise.

— Sim, senhora!

— Está com vontade de fazer xixi, Natasha?

— Um pouco.

— Okay. Pode se sentar. Traga a garrafa para ela, Charlotte.

Dra. Cho retira as luvas e a máscara e as joga no lixo. Charlotte volta rapidamente com uma água nas mãos.

— Beba tudo até sentir mais vontade de urinar. – Cho me instrui.

— Okay.

— Aqui. – Charlotte me entrega um potinho transparente. — Despeje sua urina neste copo. Depois... – ela me entrega a tampa. — ...feche e me entregue.

— Okay.

— Disse que sua menstruação acabou há alguns dias. – Dra. Cho comenta com sua prancheta de volta.

— Sim. – murmuro antes de voltar a beber a água.

— Sentiu cólica? – nego com um murmúrio. — Nenhuma vez?

— Só um dia antes de descer e no primeiro dia de menstruação. Mas veio muito leve. – faço uma pausa para respirar e volto a beber. — É normal?

— Como eu disse, o uso de anticoncepcionais ajuda no alívio das cólicas e na redução do fluxo. – explica enquanto continuo a tomar a água. — Você costumava sentir cólica antes das pílulas? – assinto. — E vinham antes, durante ou depois?

Termino a garrafa toda e a tampo antes de responder.

— Vinham uns sete dias antes da menstruação descer. – faço as contas na cabeça. — Mas também nunca vieram fortes.

— Entendo. – Dra. Cho pega a garrafa vazia de minhas mãos.

— É normal também?

— Sim, claro! – Dra. Cho afirma. — Em algum momento suspeitou que seu enjoo e aumento de peso poderiam ser sintomas de gravidez?

— Não sei... – balanço a cabeça e aperto as coxas. — Acho que não. Nunca associei a isso.

— Reparou algum aumento de libido?

— Ahn... – falar disso me incomoda, mas sei que ela está sendo profissional. — Acho que não. Acho que... acho que... tive... no normal.

— Natasha, por tudo o que me disse, eu não acredito que esteja grávida.

— Okay. – suspiro aliviada.

— Mas, como eu disse, ainda quero um exame de sangue. Este nós podemos fazer aqui. Charlotte, traga as coisas.

A assistente assente antes de voltar com os utensílios necessários. Charlotte lava as mãos para vestir as luvas e preparar meu braço para a picada.

Em poucos segundos vejo meu sangue correr pelo tubo e pingar no compartimento necessário. Satisfeita com a quantidade, Charlotte tampa meu braço com um algodão e leva o potinho com meu sangue para fora da sala.

— Tudo bem? – Cho pergunta.

— Sim.

— Bom! Além deste, também pedirei um exame pélvico. Tudo bem?

Cho não espera por minha resposta. Ela apenas se levanta e me diz para ir à sua outra sala após urinar no copinho.

Nervosa, eu pulo da maca e corro para o banheiro após pegar o potinho. Quando já está cheio, limpo minha intimidade e saio do banheiro.

Entrego o copinho à Charlotte já fechado. Ela cola um papel nele e eu vejo que escreveu a data de hoje, o tipo de exame e o meu nome. Em seguida, Charlotte se retira e deixa apenas a doutora e eu sozinhas.

— Pode se sentar. – Cho aponta para a cadeira quando já estou vestida em minhas roupas casuais.

— Por que me pediu um exame pélvico?

Dra. Cho cruza os braços e suspira.

— Quero examinar seu útero e seus ovários.

— Algum problema?

— Prefiro ter certeza. Mas seu útero não me pareceu do tamanho adequado, por assim se dizer.

— Por quê? Como assim? É grande?

— É curto. – diz. — Não posso afirmar com exatidão, mas talvez seja menor do que se pode qualificar, em termos médicos, como um tamanho ideal.

— E o que isso quer dizer?

— Caso eu esteja certa, isso pode vir a prejudicar suas chances de engravidar.

— Oh! – pisco. — Não poderei ter filhos?

— Não é definitivo. – ela se apressa em dizer. — Por isso preciso das imagens do exame. E, ainda que seja, há tratamentos que auxiliam.

— Entendi. – minha voz está trêmula e gélida.

— Mas não se martirize com isso, Natasha. Em seu exame pélvico, poderei analisar tudo corretamente. Terei certeza quanto ao diagnóstico. – ela escreve algo num bloco enquanto conversa comigo. — Espere até seu próximo período e faça o exame em seu décimo quinto dia do ciclo pós-menstruação. Tudo bem?

— Tudo. – respondo de modo automático, pois é como se eu nem estivesse mais aqui.

— Com seu exame de sangue, vamos observar também sua produção hormonal. Antes de começar a tomar as pílulas, eu me lembro de te dizer que você apresentava disfunção.

— Sim. É.

— Okay! Quando seu exame estiver pronto, Charlotte ou Rachel ligarão para você. Tudo bem?

Dra. Cho me estende o papel onde escrevia e eu vejo que é o formulário com meu pedido da ultrassonografia pélvica carimbado e assinado em seu nome.

— Certo. Ahn... posso pedir um favor?

— Sim?

— Essa consulta pode ficar apenas entre nós? – ela olha para mim.

— Refere-se a Steve?

— Sim. – balanço a cabeça.

— Meu sigilo é com meus pacientes. – Cho sorri profissionalmente. — Não se preocupe, Natasha.

— Obrigada! – sorrio em gratidão ao levantar.

— De nada. Até mais!

— Até!

▪️▪️▪️

Não sei como me sentir após essa consulta. Não sei se me sinto aliviada ou arrasada. Não sei como conversar sobre isso com Steve. Nem sei se chegarei a conversar.

Ter filhos não está nos planos dele, mas já esteve nos meus. Já conversamos sobre isso inclusive. E eu afirmei que um dia gostaria de ser mãe, mas também fiquei apavorada com essa possibilidade ser confirmada hoje. Não sei o que isso me define. Nem sei se isso pode me definir.

No momento, eu sou apenas um tubo de incertezas. Engravidar já foi uma consideração distante para mim, mas nunca engravidar, nunca poder engravidar, jamais passou pela minha cabeça.

Rapidamente, chamo um táxi e sigo até o trabalho de Steve. Em poucos minutos, já estou no elevador.

Ao chegar ao seu andar, eu noto que sua assistente ainda é mesma mulher que me atendera quando estive antes aqui.

— Boa tarde! – ela me cumprimenta e franze o rosto. — Ahn... em que posso...

— Não está me reconhecendo por que cortei o cabelo. – brinco. — Natasha Romanoff.

— Ah, sim! – ela sorri antes de bater a mão na testa.

— E você é Veronica.

— Sim! – seu sorriso aumenta. — Veio ver o Sr. Rogers, não?

— Sim.

— Avisarei que está aqui.

— Ele está ocupado?

— Está numa reunião com uma cliente da empresa. – informa ao pegar o telefone.

— Não. – seguro sutilmente em seu pulso. — Posso esperar aqui fora.

— Certeza?

— Sim.

— É importante?

— Não, vim apenas convidá-lo para almoçar.

— Almoçar?! – preciso segurar a risada quando Veronica arregala os olhos.

— É. Só tive tempo agora.

— Está sem comer desde que horas?

— Não, eu comi, mas foi uma besteirinha.

— Ah, sim! Bem, aceita um café?

— Por favor.

— Okay. Açúcar ou adoçante?

— Açúcar. Pode colocar bastante, por favor.

— Certo. Volto logo. Pode se sentar. – Veronica sorri e aponta para as cadeiras enfileiradas na parede oposta de sua mesa.

Enquanto a aguardo, rodo os olhos pelo andar de Steve. Ainda é tudo como eu me lembrava.

Um frio na barriga me percorre ao lembrar que foi aqui que tudo começou.

— Já disse que não! Agora saia daqui. Não pedirei outra vez! – um grito me chama atenção. É Steve.

— Feito! – uma outra grita e eu também a reconheço, só não me lembro de onde. — Então perca tudo graças a uma paixonite. Depois não venha me pedir ajuda, Rogers!

— Nem nesta nem em nenhuma outra vida!

Durante meu momento de confusão e curiosidade, a porta da sala de Steve é aberta revelando uma Blanche furiosa e hostil.

Ela está carrancuda até me ver e ostentar um sorriso irônico.

— Ora, ora, ora! – exclama pondo as mãos na cintura. — Que grande desprazer, Natasha!

Notas finais
Obrigada pelos 372 comentários, 143 acompanhamentos, 69 favoritos, 9 recomendações e 23982 visualizações ^^ Coloquei a atriz Brooklyn Decker como a grávida no consultório porque estava assistindo "O que esperar quando você está esperando" enquanto escrevia o capítulo kakaka tentei achar uma gif dela grávida como no filme, mas não consegui :/ Chamando atenção para o que teve no capítulo de hoje: perceberam os pensamentos da Nat quanto a uma possível gravidez? Perceberam o sentimento de CULPA que ela assumiu da parte DELA? Hmmmmm! E perceberam também os sentimentos de alívio E culpa também com a possibilidade de não poder gerar? Prestem bastante atenção nesses assuntos da fic!!! Bom, pedi pra virem até aqui porque me informaram que minha fanfic "I Put a Spell On You" e "Haunted" estão sendo PLAGIADAS no Wattpad por um usuário. Fiquei chocada quando vi, porque é PLÁGIO mesmo, copiaram a fanfic toda. Todas as duas. Eu já denunciei, mas gostaria que mais gente, se puder, denunciasse também, assim a conta pode cair mais rápido. Aqui o link da pessoa que plagiou: https://www.wattpad.com/user/stephany_lourenco Através do link vocês verão as histórias plagiadas, que a pessoa de ótimo caráter postou como "I Put a Spell On You" e a outra é "I Put a Spell On You 2". Por favor, meus amores, eu imploro que DENUNCIEM! Todo o meu trabalho foi descaradamente copiado e essa pessoa egoísta está recebendo crédito por algo que NÃO É dela :/ É isso. Até a próxima! PS²: pra quem não viu, atualizei a fanfic EVANSSON --> https://www.spiritfanfiction.com/historia/evanssons-life-3476044/capitulo23