Haunted 🔞

36 Capítulo 36 — Follow your heart


Notas iniciais
Hey!! Não demorei, né? Pois é! Falei sério quando disse que pretendo terminar essa fanfic ESSE ano kakakaka se possível antes mesmo de agosto :D Bom, gostaria de agradecer aos que me ajudaram a denunciar o usuário que plagiou minhas fanfics no Wattpad. A conta já caiu!!! Particularmente, eu AMEI escrever esse capítulo porque verão que irá retratar um momento importante da amizade da Nat e Rebby :3 Anyway, aproveitem e perdão por qualquer erro de digitação ^^ Tradução do capítulo: Siga seu coração

— O que está fazendo aqui? – não sei como consegui pronunciar cinco palavras inteiras e diretas sem nem ao mesmo pestanejar.

— Por que o espanto? – Blanche ergue uma sobrancelha perfeitamente esculpida. — Steve e eu somos amigos.

— Você não é amiga de ninguém! – rebato ao ficar de pé. — Diga logo o que veio fazer aqui!

— É dona da empresa? – ironiza. — Já conseguiu meter a mão no bolso dele e adquirir alguma porcentagem aqui?

— Calada! – ordeno ofegante. — Saia da minha frente agora!

— Não pense que sairá sempre ilesa, Natasha. Já estou cheia dos seus ataques de histeria! Esse é o mundo real, garotinha. E, no mundo real, menininha que se mete com gente grande se dá muito mal.

— Não me ameace. – estufo o peito e me aproximo. — Não tenho medo de você!

— Muito menos eu de você! – Blanche pisca furiosamente.

— Ér... – ouço a voz de Veronica atrás de mim, mas continuo encarando Blanche nos olhos.

— Perdão, Veronica. – murmuro ainda de costas. — Não conseguirei engolir nada agora.

— Uh... o-okay. – ela responde sem jeito.

— Pode deixar, Veronica. – Blanche diz. — Eu tomo o café.

— Natasha? – Steve indaga ao abrir a porta de sua sala. — Afaste-se dela! – ele me puxa para o lado e fica de frente com Blanche.

— Não! – eu me solto de seu toque. — Não me trate como criança!

— Natasha...

— O que ela está fazendo aqui?

— Não me disse que a empresa tinha um novo dono, Steve. – Blanche debocha ao pegar a xícara de café das mãos de Veronica.

A assistente de Steve parece muito desconcertada com toda a situação, portanto pede licença e refaz o caminho do qual tinha vindo com o café.

— Ainda não tem. – Steve responde. — Mas basta Natasha dizer “sim” na frente do altar.

Seguro a risada ao ver Blanche tossir com o café.

— Ah. – ela limpa a garganta. — Que bonitinhos! O bobinho e a bobinha!

— Steve...

— Ela veio para encerrarmos a sociedade, Natasha. – ele me interrompe. — Eu disse que não queria mais nada com ela. E falei sério.

— Verdade?

— Sim. – afirma pegando minha mão. — Sem mais segredos, lembra?

— Que dilema interessante! – Blanche põe a xícara de café na mesinha de centro.

— Qual veneno soltará agora? – questiono impaciente.

— Veneno? Ora, Natasha! – ela ri e cutuca o queixo com o dedo indicador.

— Blanche, não...

— Faça-me o favor, Steve! – Blanche ergue a mão. — Você não conhece mesmo a sua namoradinha!

— Não ligue para ela, Steve. – cerro os olhos em sua direção. — No mínimo é mais alguma...

— Chega de teatro, Natasha!

— Teatro? – estou tentando controlar a raiva e a confusão que me rodeiam. — Do que está...

— Como tem moral de cobrar verdades a Steve, se você mesma não conta nada a ele? – enrugo a testa. — Não adianta fazer essa carinha de inocente, Natasha! Vai me dizer que além de petulante também se faz de sonsa?

— O que ela está dizendo, Natasha? – Steve questiona confuso.

— Eu não sei! – exclamo. — Eu realmente não sei, Steve! Provavelmente alguma menti...

— Ahhhh, não! – Blanche cruza os braços. — Você não vai jogar esse abacaxi para mim!

— Mas o que você...

— Steve, serei boazinha e te adiantarei que logo receberá um telefonema. – meu sangue gela nas veias. — Irão te informar sobre a transferência da Sharon.

— O quê? – Steve une as sobrancelhas. — Como assim? Quem autorizou isso?

— Pergunte à sua querida Natasha. – ela aponta para mim com o queixo. — Garanto que a boa conversa entre ela e Peggy será a sua resposta definitiva. – dito isso, Blanche suspira e nos dá as costas ao entrar no elevador.

Tento lhe mandar o dedo do meio, mas as portas são mais rápidas e quebram o nosso contato visual.

Ao meu lado, Steve espuma e me olha com raiva.

— Quer me explicar que porra foi essa?!

Ele entrando em sua sala e deixa a porta aberta. O convite fica subentendido, portanto eu o sigo e fecho a porta ao passar.

— Steve...

— Você conversou com a Peggy e não me contou? – Steve apoia os punhos em sua mesa e me encara.

— Eu te disse que queria falar com ela. – olho atentamente para os degraus que uma vez me fizeram cair. — Ela apareceu ontem na minha casa e...

— Ontem? Na sua casa?! Caralho, Natasha! – pulo quando a palma direita de Steve se conecta com a mesa. — Por que não me contou?!

— Eu estava indo jantar com o meu pai! – exclamo. — Desculpe se não estava com cabeça para aguentar os seus chiliques!

— Chili... chiliques?! – Steve perde a voz. — Chiliques, Natasha?!

— É, chiliques! Olha só o que você está fazendo! – estendo a mão em sua direção. — Eu ia te contar, só não te contei ontem.

— Também não me contou hoje.

— Desculpe! Você também não me contou sobre Sharon. – alfineto. — Pelo que pude entender, ela já foi encontrada, não?

— Caso não tenha notado, eu te liguei para contar, mas você não atendeu. – ele bufa. — Imaginei que estivesse ocupada e parei de insistir. E não tente virar o jogo, Natasha! Você escondeu de mim sua conversa com Peggy.

— Não escondi. Eu apenas não contei ontem.

— Mais uma vez, eu digo: também não me contou hoje.

— Desculpe, Steve! Eu acordei passando mal e nós não tivemos tempo pela manhã. Você me deixou no trabalho e veio para cá. Depois eu... ér...

— Depois o quê?

— Depois... eu... tive que... tive que fazer as últimas coisas do estágio. – digo, tropeçando nas palavras. — Saí de lá agora e vim direto para cá.

— Por que não veio com Fury?

— Como sabe disso?

— Seu GPS estava desligado e ele me mandou uma mensagem.

— Não preciso de babá! – faço beicinho quando reviro os olhos.

— Natasha...

— Sharon já está sob custódia, não está? – tomo o silêncio de Steve como resposta e continuo. — Então pronto! Não tem mais problema!

— Por que desligou o GPS?

— Devo ter feito sem perceber. – dou de ombros para sufocar minha mentira. — Pronto! Já religuei! – balanço o Iphone nas mãos antes de guardá-lo.

— Por que veio aqui? Você está bem?

— Sim. – engulo em seco junto de um suspiro. — Queria fazer uma surpresa para você e te chamar para almoçar.

— Almoçar?! – Steve arregala os olhos como Veronica. — Você ainda não comeu?

— Não senti fome antes e estava ocupada resolvendo uns últimos casos do trabalho. – balbucio qualquer coisa na esperança estúpida de Steve acreditar. — Mas isso não vem ao caso! O que vem ao caso é que cheguei aqui e encontrei essa mulherzinha saindo da sua sala!

— Não venha inverter as coisas! – Steve aponta em minha direção. — O foco é que você conversou com Peggy a respeito de Sharon e escondeu de mim.

— Não escondi! – bato o pé no chão. — Eu só não tive uma oportunidade de te contar, e justamente porque eu sabia que você reagiria assim!

— Natasha...

— Peggy foi conversar comigo, Steve. Eu estava quase saindo quando ela chegou.

— O que ela disse? – pergunta um pouco mais calmo.

— Apenas me pediu que soltasse Sharon. Sabe, na verdade que continuasse detida, mas sob acompanhamento médico, e não na cadeia.

— Mas eu ofereci essa merda a ela!

— Eu sei! E eu disse isso. E ela aceitou dessa vez.

— Mesmo? Como vamos saber que Sharon não sairá de novo?

— Teremos que dar a elas duas um voto de confiança.

— E isso funciona, Natasha?

— Eu não sei. – dou de ombros à sua expressão sarcástica. — Peggy é sua amiga, então me diz você.

— Natasha, não se trata disso. O que importa é termos a certeza de que Sharon não tentará machucar você de novo.

— Ela não vai, Steve.

— E por quê?

— Porque dessa vez as coisas não estão boas para ela. – relembro. — Mas está tudo nos conformes. Peggy até me fez assinar um...

— Assinar o quê?

— Um documento! – respondo brava por ele ter me interrompido. — Ficou uma cópia com ela e outra comigo. Está lá em casa, posso te mostrar.

— Você leu direito? Tinha alguma pegadinha?

— Eu não sou idiota! – rebato. — É claro que li direito! Eu li o seu contrato linha por linha, não foi?

— Mas eu não enganaria...

— E nem ela. – afirmo. — Você não a viu, Steve. Ela estava desesperada pela irmã. E não, não pôs nenhuma pegadinha no documento. A propósito, já que Sharon está de volta, eu poderei receber a ligação da polícia a qualquer momento.

— Ainda não ligaram para mim.

— Nem devem. Você não assinou nada, apenas eu.

— Mas eu dei a queixa...

— Eu fui a lesada. E já autorizei em livrá-la da prisão.

— Não devia ter feito isso sem me consultar.

— Eu não preciso te consultar para tudo, Steve! – contesto.

— Ah, não?

— Não!

— Então toma decisões por si mesma? Isso quer dizer que posso fazer o mesmo, não é?

— E você já não faz? – retruco nervosa. — Quando é que você me consulta para alguma coisa, mesmo quando se trata de mim?

— Natasha...

— Eu ter soltado Sharon da cadeia não te diz respeito. Já você se encarregou de trancafiá-la sem nem ao menos me dizer! Contou ao meu pai sobre o que aconteceu sem nem ao menos me perguntar se podia! Você faz tudo pelas minhas costas!

— Não faço por mal.

— Por mal ou por bem, não pode tomar decisões por mim! Você é meu namorado, Steve, não é meu dono. Já conversamos sobre isso. Temos uma vida a dois, não a um.

— Eu só tento proteger você.

— Mas não é me escondendo as coisas que conseguirá. – murmuro ao me aproximar de sua cadeira.

Steve nota que quero fazer as pazes, portanto vira e me deixa sentar em seu colo.

— É horrível descobrir as coisas por outras pessoas, assim como eu sei que foi para você descobrir sobre Sharon através de Blanche. Só que, diferente de você, eu ia te contar, só ainda não havia tido uma oportunidade.

— Eu sei. – Steve suspira e beija a minha mão. — Desculpa. Não quis brigar com você.

— Desculpa também. – eu me aproximo e beijo sua boca. Seus lábios estão macios e quentes.

— O que foi? – Steve me afasta levemente ao perceber que ainda estou chateada. — Desculpa, amor. Eu não...

— Não, não. Não é você. – interrompo.

— Então o que foi? – ele acaricia minha bochecha.

— É Peggy. – omito o outro porquê de eu estar chateada.

Sei que combinamos de sem mais segredos, mas não posso tocar nesse assunto com Steve agora. Já estamos passando por problemas demais. E isso talvez nem venha a ser um problema.

— Ela me deu sua palavra de que não contaria sobre a nossa conversa.

— Amor...

— Como Blanche soube a não ser por Peggy?

— Sinto muito, linda.

— Eu também. – desabafo. — Pedi uma prova de confiança e ela me traiu. De novo.

— Vai falar com ela?

— Apenas se surgir uma oportunidade. – respondo. — De agora em diante quero distância.

— Eu também acho bom.

— Okay. – sorrio antes de beijá-lo de novo. — Está ocupado? Podemos ir comer?

— Se está pedindo é porque está realmente com fome. – Steve ri contra minha boca. — Vamos!

▪️▪️▪️

Quando Steve terminamos de comer, já são quase seis horas. Ele me deixa no meu apartamento, para que eu possa juntar algumas roupas e já levar para sua casa.

Nós nos despedimos com um beijo antes de Steve voltar ao escritório a fim de terminar uns últimos afazeres.

Assim que abro a porta, tomo um susto ao ver Rebby sentada no sofá em seu pijama estampado e pantufas roxas.

— Oi! – suspiro. — Chegou cedo!

— Aleluia! – ela ri pondo o controle da TV em cima da mesa.

— É... o que houve?

— Não sei. Acho que Priscilla não quis ser má hoje. – noto que seu tom de voz está diferente. — A propósito, Darcy ligou e avisou que vai chegar um pouco mais tarde. Parece que está com uma tal de Jane.

— Ah, sim! É a sua chefe.

— Hmmm! – Rebby assente.

— Ei? Está tudo bem? – eu me sento ao seu lado.

— Sim.

— Rebby...

— Sam e eu terminamos. – admite em tom de derrota.

— Rebby! – levo a mão à boca surpresa. — Hoje? Como?

— Marcamos um almoço para conversar e decidimos que era o melhor.

— E como ele reagiu? Foi você quem terminou?

— Eu já queria, lembra?

— E ele?

— Não sei. Ficou bem, aparentemente. – diz. — Terminamos amigos.

— O que vocês falaram?

— Nada de mais. Conversamos sobre a viagem à Europa, que foi a principal causa do término, eu acho, e que... não sei... que talvez precisemos seguir caminhos diferentes. Sabe, darmos um tempo.

— Um tempo? – repito esperançosa. — Então vocês...

— Acho que não. – Rebby nega. — Sabe, Nat, a chama que tinha antes apagou.

— Como assim? Vocês mal começaram algo, Rebby. Na verdade têm o mesmo tempo de namoro que Steve e eu.

— Tínhamos. – relembra. — E justamente por isso que foi a hora certa para terminarmos, sabe, enquanto ainda temos boas lembranças e carinho um pelo outro.

— Entendo. – assinto. — Mas e você? Está tudo bem?

— Sim.

— Mesmo?

— Sim, Nat! – ela empurra meu ombro. — Sabe quantas vezes já terminei relacionamentos? – nego com a cabeça. — Pois é, eu também não.

— Rebecca Deelwish! – exclamo ao também rir.

— Eu estou bem. Sério. – afirma. — Já você... não sei se posso dizer o mesmo. – Rebby me encara atentamente. — O que foi?

Eu suspiro ao olhar para minha amiga. Não pude me abrir com Steve, dada as circunstâncias em que nos encontramos, mas também sei que não posso guardar isso dentro de mim. Se tem uma pessoa com quem eu posso desabafar é Rebby.

— Tive uma consulta com a ginecologista hoje.

— Oh, meu Deus! – Rebecca pula no sofá. — Você está grávida!

— Não! – exclamo tensa. — E talvez... talvez eu... talvez eu nunca chegue... chegue a ficar. – revelo com os olhos marejados.

— O quê? – Rebby cruza as pernas e se vira para mim. — Por quê?

— Ela me pediu uma ultrassonografia pélvica para confirmar, mas... há suspeitas de que o tamanho de meu útero venha a ser um problema para suportar uma gravidez. – murmuro.

— Por quê?

— Não sei. Pode ser curto.

— Natasha, pera aí. – Rebby me encara atentamente. — Você não pode gerar?

— É uma possibilidade. – sussurro com a garganta apertada.

Sinto o nó queimar, mas não sinto vontade de chorar. Não sei por quê. Não tenho ideia do porquê essa notícia não me afetar tanto quanto deveria. Ou tanto quanto eu gostaria que afetasse.

— Oh, Nat! – Rebby pega minha mão. — Eu sinto muito. Mas ainda não é nada certo, né?

— Não sei. Se não fosse, acho que ela não teria sequer mencionado. É como uma suspeita de doença que o médico pede exames já sabendo a resposta.

— Entendo. Sinto muito. – Rebby sorri com compaixão. — Quando você vai fazer esse exame?

— Só no décimo quinto dia do meu próximo ciclo.

— E quando é isso?

— Mês que vem.

— Putz! Até lá vai ficar com essa... angústia?

— Não tenho outra opção. – dou de ombros. — Mas isso tem que ficar aqui, Rebby!

— Como assim?

— Ninguém sabe. Ainda não pude conversar com Steve. Na verdade nem sei como tocar nesse assunto. Eu só... eu só precisava falar com alguém.

— Claro. – Rebby assente. — Não se preocupe, Nat. Olha, caso seja... ér... enfim, a medicina avança a cada dia. Você é jovem e forte! Isso não é uma resposta definitiva. Já li algumas coisas a respeito. Há tratamentos e auxílios médicos. Vai dar tudo certo!

— É... – as palavras de Rebby me transmitem segurança e alegria. — Mas não quero pensar nisso, até mesmo porque não está nos meus planos ser mãe agora. Mas obrigada!

— De nada! – ela sorri e pisca.

— Bom, Darcy chegará muito tarde? – pergunto após rodar os olhos pela sala.

— Não sei. Acho que não. Por quê? – Rebby franze o cenho. — Nat, eu estou bem. Sério, você acabou de me contar um problema de verdade. Meu término com Sam foi amigável. Sério, eu estou ótima! Pode ir dormir com o Steve.

— Ér... bom...

— O quê? – ela está confusa. — Terminou com ele também? Porra, Natasha, você está cheia de merda!

— Não!

— Ah! Então o quê?

— Eu não vim pegar apenas uma mochila para passar a noite com ele. – Rebby permanece imprecisa. — Ahn... eu... vim... arrumar minhas malas.

— Suas malas? – ela une as sobrancelhas. — Vai viajar? E o seu estágio?

— Terminou hoje.

— Ah! E passou?! – pergunta empolgada. — Claro que passou, né?! Se vai viajar...

— Não, Rebby.

— Ah. Não passou? – sua alegria murcha.

— Não. Quer dizer, não sei. Não é isso! Os resultados sairão na terça.

— Ah! – ela assente. — Então vai para onde? Vai com Steve?

— Não.

— Vai sozinha, sua vaca? Eu vou com você!

— Não, Rebby! Escute! Não tem viagem nenhuma.

— Ah. Então...?

— É que... ér... Steve me pediu... me pediu para... para morar com ele. – Rebby arregala seus brilhantes olhos azuis.

— Morar com ele?! – repete estupenda.

— É.

— Sério?

— É. – confirmo rindo. — E então? O que acha?

— Eu? – Rebby pressiona um dedo no peito ao olhar para mim.

— É. O que você acha disso? Acha que estamos indo depressa? Acha que tem muita coisa acontecendo?

— Olha, acho que é um passo muito importante. E não pode ser tomado com mentiras.

— Como assim?

— Sei que está sendo doloroso para você, mas precisa conversar com Steve sobre a consulta. Tudo bem se não for agora, mas faça depois do resultado do exame.

— Eu vou. Só estou esperando isso mesmo, até porque não adianta falar agora. Mas eu vou.

— Certo.

— Tirando isso, o que acha de morarmos juntos?

— Bom, Nat... – minha amiga suspira. — ...não sei. Quer dizer, vocês só se conhecem há um mês.

— E?

— Eu não sei. – ela ri nervosamente. — Você deve se perguntar se está feliz com ele.

— Sim. – respondo. — Muito! Eu nunca estive tão feliz em toda a minha vida, Rebecca!

— Isso que importa. – Rebby pega na minha mão. — Morarem juntos? – minha amiga ergue os ombros. — Pode dar certo, pode dar errado. Você só saberá se fizer.

— Então acha que eu devo ir?

— Eu acho que deve seguir o seu coração. – incentiva. — Se isso significa não ir, então não vá. Se isso significa ir, então vá. Saiba que, independentemente de qualquer decisão, sempre terá para onde voltar.

— Eu te amo, Rebby. – com os olhos marejados, estico os braços e a aperto.

— Eu também te amo! – ela devolve o meu abraço com a mesma intensidade. — E então? Vamos arrumar suas coisas?

— Vamos! – fico de pé junto com ela e vou até o quarto.

▪️▪️▪️

Depois que Rebby e eu terminamos de fechar uma mochila e uma mala, a campainha toca.

— Acho que o Steve chegou. – Rebby comenta.

— É...

Quando estou no meio do caminho, a porta é aberta e Darcy e papai aparecem rindo.

— Pai!

— Oi, princesa! – ele passa por Darcy para me abraçar. — Fiquei de vir aqui hoje, não fiquei?

— É, claro!

— Que tralha toda é essa? – Darcy pergunta e eu vejo que Rebby trouxe o restante da bagagem para a sala.

— Ahn... é... minha.

— Vai viajar?

— Ela vai se mudar. – Rebby toma a vez. — Oi, tio Vlad!

— Oi, Rebecca! Quanto tempo! Vi vocês crescendo! Como estou velho! – papai brinca antes de abraçá-la.

— Gente! – Darcy chama. — E então, Nat? Aonde você vai?

— Morar com Steve. – sinto papai tenso atrás de mim após minha resposta.

— Sério? – Darcy parece feliz e me abraça. — Que legal! Está levando todas as suas coisas?

— O máximo que deu. Mas vou voltar durante a semana e pegar o resto.

— Pode voltar quando quiser. – Rebby garante. — Continuará com a chave do apartamento.

— Isso quer dizer que posso sair do quarto dos fundos e ir para o seu? – Darcy indaga empolgada.

— Claro! – concordo. — Mas o meu armário ainda está um pouco...

— Tudo bem! Eu só preciso de uma cama que não seja toda encaroçada! – ela grita enquanto corre até a varanda.

— Então... – papai se vira para mim. — Era sério mesmo, não?

— É sério, pai. – confirmo sutilmente. — Veio para sairmos?

— Não, não. – papai coça seu rosto raspado. — Na verdade, vim cumprimentar Rebecca e Darcy, já que não tive a chance de fazer isso quando cheguei.

— E quando chegou? – Rebecca pergunta intrigada.

— Ontem.

— Ontem?! Natasha! – ela me bate no braço. — Você nem nos avisou!

— Desculpa. – murmuro. — Foram muitas coisas. Acabei esquecendo.

— Não, a culpa foi minha, Rebecca. – papai toma minha defesa. — Eu que deveria ter avisado a vocês.

— Bom, para repararmos isso, que tal um jantar? – Rebby oferece risonha.

— Poderíamos convidar os pais de Steve, pai. – incentivo. — O que acha? Assim podem se conhecer.

— Seria ótimo, princesa!

— Rebby e Darcy podem ir também.

— É, vai ser uma boa. – minha amiga concorda cabisbaixa.

— Ér... quer dizer, seremos apenas nós, Rebby. Sam não..

— Tudo bem se ele estiver presente. – ela garante. — A essa altura, a família já deve estar sabendo. E nós continuamos amigos.

— Vai ficar estranho.

— Tudo bem, Nat. Mas, na verdade, acho que deve ser uma ocasião apenas sua. Quer dizer, de vocês e Steve.

— Mas você e Darcy...

— Podemos sair em outra oportunidade. – rebate. — Chances não faltarão. Você vai ficar aqui até quando? – agora se dirige a papai.

— Acho que mais uma semana.

— Viu? – Rebby se vira para mim. — Ainda temos tempo de sobra! – Rebby exclama risonha.

— Okay. – concordo antes da campainha tocar de novo. — Agora deve ser Steve.

Eu me solto de papai e confiro o olho mágico antes de abrir a porta.

— Oi, linda! – Steve me puxa antes de beijar meus lábios.

— Oi. – eu o afasto e indico com a cabeça. — Entre.

— Está pronta? – Steve para assim que passa pela porta, tenso como uma tábua. — Ér... boa noite, Sr. Romanoff.

— Oi, Steve. Apenas Vladimir. – papai acena com a mão.

— Ahn... certo. – Steve parece nervoso, pois ora bota, ora tira as mãos do bolso do casaco. — Oi, Rebecca!

— Oi! Respire. O pai da Nat não vai te dar um tiro. – ela brinca ao se sentar no sofá.

— Rebby! – exclamo. — Ahn... papai, quer uma carona até o hotel?

— Não, não. Não precisa...

— Faço questão, Sr. Roma... ér... Vladimir. – Steve conserta. — Ainda mais se veio sair com Natasha e eu atrapalhei. Sendo assim, eu posso...

— Não, não, rapaz. – papai diz ao mesmo tempo em que Darcy reaparece na sala carregando uma trouxa de lençóis.

— O que é isso, Darcy? – pergunto segurando o riso.

— Tudo o que eu tinha que usar para que a cama ficasse macia. – responde. — Oi, Steve!

— Oi... quer uma ajuda aí? – ele oferece confuso.

— Não, valeu! Sabe, agora que a Nat vai morar com você, eu vou poder ficar com o quarto dela! – Darcy comemora, mas Steve arregala os olhos e me encara apreensivo.

— Tudo bem. – digo rindo de seu desespero. — Papai já sabe.

— Ah. – ele assente. — Ér...

— Fico feliz por vocês, Steve. – papai se aproxima e estende a mão. — Vejo que é sério o que sente por minha filha. Se ela está feliz, eu estou feliz também.

— Sim. Sim, senhor. – Steve aperta a mão de papai. — Eu respeito muito Natasha. E a amo demais também.

— Isso é bom! – Rebby comenta trocando os canais da TV.

— É. Rebecca tirou as palavras de minha boca. – papai reforça antes de se soltar de Steve. — Bom, então, eu já vou indo.

— Deixa a gente te levar, pai.

— Não precisa, princesa. – papai vem até mim e beija a minha testa. — Acho que vai ser bom uma caminhada pela cidade.

— Pai...

— Já vou indo. Eu te vejo amanhã na festa de Amy. – diz e me lembro de que ainda preciso comprar o presente dela.

— Certo.

— Certo. – papai repete. — Tchau, princesa!

— Espere, Sr. Romanoff! – Steve exclama. — Tem certeza de que não quer uma carona? Não será incômodo...

— Eu sei, rapaz, eu sei. Obrigado, mas tenho certeza. – sorrindo cordialmente, papai abre a porta e se despede de nós. — Até mais!

— Até! – respondemos em uníssono assim que ele parte.

— Tá... – Darcy inicia.

— Isso... – Steve murmura.

— Foi... – continuo.

— Estranho. – Rebby completa e nós quatro rimos.

— Bom, está pronta? – Steve pergunta.

— Sim.

— Okay. – ele nota que olho de relance para Rebby, então suspira e diz. — Vou levar as malas lá para baixo.

— Okay. Eu desço daqui a pouco com a mochila.

— Tudo bem, linda. – Steve pega a minha mala de rodinhas, uma de alça e beija meu rosto ao sair.

— Tchau, priminha!

Darcy se aproxima e me abraça. Fico sufocada pela quantidade de lençóis que ela segura, mas consigo abraçá-la de volta.

— Foi bom dividir o apartamento com você por... alguns dias.

— É, também foi legal para mim. – acabo rindo de sua fala.

— Até uma próxima noite!

Ela sorri e vai até o meu antigo quarto antes de cruzar o corredor e se enfiar no banheiro. Ficamos apenas Rebby e eu.

— Você está legal mesmo depois do que me contou?

— Acabou me tirando um peso enorme. – revelo. — Eu estou bem. Na verdade, muito bem. Conversar com você foi ótimo.

— Sempre é. – ela se gaba antes de voltarmos a ficar sérias. — Então chegou a hora. – minha amiga fica de pé e me abraça. — Última chance: eu taco um vaso pela janela e não deixo ninguém te tirar daqui. Darcy dorme na máquina de lavar se reclamar muito do quartinho.

— Tentador! – sua brincadeira me faz rir enquanto eu a solto. — Tchau, Rebby!

— Tchau, colega de quarto! – seus olhos estão manchados de lágrimas.

— Rebby... – limpo uma gota que escorre de seu olho esquerdo.

— Promete voltar sempre que precisar?

— E para onde mais eu poderia ir? – eu a abraço mais uma vez.

— Eu te amo muito, sua tonta! – Rebby me aperta. — Cinquenta por cento do tempo tenho vontade de esmagar a sua cabeça. E nos outros cinquenta por cento tenho vontade de esmagar a cabeça de quem te magoa. – ela brinca. — Portanto fale para Steve ter cuidado ao andar na rua. Nunca se sabe quando um piano pode cair do céu.

— Anotado! – eu me divirto com sua ameaça. — E saiba que você também pode dormir lá quando quiser.

— É... a casa dele fica perto de um barzinho top! – Rebby diz enquanto nos soltamos. — Vai ser bom para quando eu encher a cara e não puder dirigir.

— Sempre que precisar. – garanto rindo. — Tchau, Rebby!

— Tchau, Nat!

Notas finais
Obrigada pelos 378 comentários, 144 acompanhamentos, 69 favoritos, 9 recomendações e 24178 visualizações! O que acharam do momento Nat e Rebby? A fanfic não merece mais nenhuma recomendaçãozinha? :( O banner do próximo capítulo já foi encomendado e já está no cronograma do blog. E a escrita dele também já está em andamento ^^ Até a próxima!! Beijocas!