Notas iniciais
WHO RUN THE WORLD? GIRLS! Heeeeey! Fiquei emocionada e ansiosa pra vir postar esse capítulo primeiro por ter AMADO escrevê-lo e, segundo, por querer vir desejar um EXCELENTE e MARAVILHOSO Feliz dia Internacional da Mulher pra vocês! Imagino que nem todos que leem minha fanfic sejam do gênero feminino, mas acredito que uma grande parte é, não sei kakakaka e por isso mesmo que gostaria de conhecer um pouco mais de vocês ^^ Perdão por qualquer erro de digitação e aproveitem! Tradução do Capítulo: Mudanças

Mais uma manhã gelada e totalmente nublada chega para me tirar da cama. Grunho contra o travesseiro ao ouvir o alarme tocar. Com raiva, dou um soco no celular.

— Ahhhhhh! Diz que você não vai sair dessa cama agora!

A voz sonolenta de Steve soa no pé de meu ouvido enquanto seus braços me puxam de encontro ao seu peito.

— Bem que eu queria. – murmuro. — Mas preciso comprar comida e pagar contas no final do mês, sabe? Chama-se sobrevivência.

— Ha ha! Engraçadinha... – Steve morde meu ombro. — Sabe que não precisa trabalhar para isso.

— Steve! Não começa.

— Okay, okay. Desculpe. – ele puxa meus cabelos para cima e beija minha nuca. Sua barba áspera me arranha. — Também preciso levantar. Tenho uma reunião daqui a pouco.

— Então é melhor sairmos logo daqui. – bocejo e abro os olhos pela primeira vez nesta manhã.

As cortinas cobrem todo o janelão do quarto, deixando o cômodo totalmente escuro. A única luz presente é a da tela do celular de Steve, uma vez que ele está com o aparelho na mão.

Com mais um suspiro, afasto as cobertas grossas e puxo o lençol fino para cobrir o corpo.

Quando vou levantar da cama, Steve puxa o lençol e descobre meus seios.

— Steve! – exclamo em advertência, mas ele faz beicinho ainda segurando a ponta do lençol.

— Natasha, eu conheço cada detalhe do seu corpo. Então por que se esconder de mim? Eu gosto de apreciar o que é meu.

— O que é seu? – repito, rindo. — E o que você acha é seu?

— Eu não acho, eu sei o que é meu. – ele cerra os olhos e sorri maliciosamente para mim. — Toda essa delícia que é você.

— Steve, eu preciso tomar banho. – ele se debruça e beija acima de meus seios. — Ei... – puxo levemente seus cabelos. — Steve, já levei bronca na sexta por sua causa.

— Desculpe. – sua boca captura meu mamilo direito.

— Steve!

O prazer desce para os nervos de minha intimidade, fazendo com que eu gema e pressione meus seios ainda mais contra o seu toque faminto.

— Não vou te atrasar, linda. – ele aumenta a intensidade dos toques enquanto me deita na cama. — Só preciso de um minutinho para começar bem o meu dia.

— Awn... – fecho os olhos e aperto o travesseiro sob a cabeça. — Steve...

— Vai ser rápido, delícia! – Steve chega à minha vagina. — Hmmmm... seu gosto é perfeito!

Tento dizer algo para persuadi-lo a me soltar, mas quando sua língua gira em meu clitóris e desce para minha abertura, eu me entrego.

Os minutos que se passam quase se tornam horas, se não fosse eu empurrar Steve para longe depois de três orgasmos seguidos e correr para o banheiro, mesmo com as pernas bambas e a prova de seu ápice escorrendo entre minhas coxas.

▪️▪️▪️

— Bom dia, Srta. Romanoff! – Jessie me cumprimenta assim que passo pela cozinha.

— Oi! – sorrio para ela ao fechar o casaco. — Que cheiro gostoso!

— Estou fazendo panquecas de chocolate e morango para o café.

— Ah... – mordo o lábio e checo a hora em meu relógio de pulso.

— Algo errado? A senhorita quer outra coisa?

— Não, não, não é isso, Jessie. É que... ér... eu não posso chegar atrasada. – sirvo um pouco de suco de laranja num copo e pego uma maçã. — Sinto muito.

— Oh, mas o Sr. Rogers me disse...

— Sim, Jessie, eu disse. Natasha, coma!

Nem tenho tempo de virar. Apenas ouço a ordem de Steve quando ele passa por mim e me dá um tapa na bunda.

Enrubesço forte e desconfortavelmente sob o olhar de Jessie, que volta a se concentrar no trabalho que manuseia no fogão.

— Steve, eu não posso! – lanço um olhar de advertência. — Eu disse a você que tenho hora. E você me fez atrasar!

— Eu??? Pelo que eu me lembro...

— Quieto. – avanço três passos e tampo sua boca. — Preciso ir agora. – dou uma mordida na fruta. — A gente se vê mais tarde, tudo bem?

— Nat...

— Eu te amo. – debruço-me sobre o balcão e beijo seus lábios.

Tento me afastar, pois era para ser somente um selinho, mas Steve geme em resposta e aperta minha cintura.

— Ei... – empurro seus ombros levemente, segurando a maçã numa mão e o copo de suco de laranja na outra. — Steve...

— Fury vai te levar. – ele arrasta os lábios até meu pescoço. — E buscar.

— Okay. E quem vai te levar para o trabalho? Não disse que tinha uma reunião? – ergo uma sobrancelha após afastar seu rosto de mim.

— Fury te leva rapidinho. Dá tempo de voltar e me pegar. – dá de ombros, e me beija mais uma vez. — Tchau, linda!

— Tchau!

Eu me afasto dele e termino o suco, pegando a bolsa e caminhando até a porta.

▪️▪️▪️

Enquanto todos os outros estagiários retiram-se da sala, noto que Elliot está sentado ao meu lado enquanto espera que eu termine de guardar os pertences dentro da bolsa.

Olho para ele de soslaio e levanto da cadeira. E, claro, Elliot também.

— Oi! – sorri, mexendo sua mão. — Vai almoçar?

— Ahn...– antes que possa inventar uma desculpa, eu ouço a voz da Sra. Jenksey.

— Posso falar com você, Natasha?

— Ahn... sim, claro! – olho para Elliot, que comprime os lábios e pede licença. — É sobre sexta?

— É, parece que sabe o que a espera. – murmura ao fechar a porta. — Natasha, você realmente errou ao atender a ligação.

— Eu sei. – ergo os olhos para ela. — E-eu sei que errei. Sinto muito. A paciente disse que eu poderia atender. Ela estava no banheiro.

— Natasha...

— É, eu sei que não justifica, eu deveria ter dito "não". Sinto muito.

— Serei sucinta.

— Por favor.

— Isso contará na sua avaliação, mas também é preciso reconhecer que é uma estagiária muito dedicada! – eu me esforço para não sorrir. — Você errou e isso pesará para você, mas não deve ficar tão tensa. Ah! – Sra. Jenksey se debruça sobre a mesa e abre uma pasta branca, entregando-me uma folha de papel. — Aí estão seus horários com o psicólogo. Sinta-se à vontade para escolher, mas não demore em marcar uma consulta.

— Certo. – assinto sem entender. — Mas por que eu preciso ter sessões semanalmente? Eu só atendi...

— Você teve uma primeira paciente. – Sra. Jenksey ergue uma sobrancelha e me lança um meio sorriso. — Mas você já tem outros pacientes marcados. Aliás, você e outros alunos. – meus olhos quase saltam para fora.

— O quê?!

— Isso mesmo. – ela se recompõe e começa a recolher suas coisas. — Hoje, às três, um menino de dez anos virá. Depois, às seis, uma adolescente de dezessete. Na verdade, você tem sessões para a semana toda.

— Mas... mas... – o papel treme em minhas mãos. — Eu... e-eu não entendo como... co-como...

— O estágio acabará em duas semanas. Temos a obrigação de fazer anúncios sobre nossos estagiários mostrando seus desempenhos. Você foi muito bem recomendada, Natasha! Desde que estava na faculdade, aliás. Sim, eu tive acesso ao seu histórico. Parabéns!

Minha garganta se aperta em um nó sufocante. Nunca em minha vida pensei que sentiria orgulho de mim mesma.

Quero dizer, isso não é designado para nossos pais e no máximo uns amigos próximos? Quando uma pessoa se sente bem o suficiente com ela mesma? Eu quero me abraçar e dar tapinhas em minhas próprias costas!

— Surpresa demais? – indaga a Sra. Jenksey.

— Ah... ér... é! – não era para sair como um grito, mas meio que saiu. E eu enrubesço ao ver que a Sra. Jenksey inclina a cabeça e me avalia. — Ér... desculpe, senhora...

— Apenas Cassandra. – relembra, pendurando sua bolsa no ombro. — O horário das aulas já terminou.

— Certo. – mexo a cabeça afirmativamente. — Obrigada! E até mais! – abro porta e saio da sala.

Assim que chego ao corredor, Elliot pula ao meu lado e ri.

— E aí? – ele estica o braço sobre meus ombros. — Almoço?

— Sim! – pego meu Iphone. — Mas vou fazer uma ligação antes. – aviso enquanto descemos os degraus.

Rapidamente, digito o número de Steve e aguardo por três toques.

— Oi, delícia! – sua voz está carregada de divertimento e carinho.

— Oi! – explodo em alegria. — Está ocupado?

— Para você? Nunca!

— Okay... – solto um riso. — Tenho uma ótima notícia!

— E o que é? – Steve parece sorrir do outro lado da linha.

— Bom, eu pensei que fosse ouvir uma bronca por causa de sexta, mas... bom, eu ouvi, mas também ouvi uma coisa boa.

— E o que foi, minha linda?

— Tenho novos pacientes!

Elliot olha rapidamente para mim antes de chegarmos ao primeiro andar e nos encaminharmos para as portas de correr.

— Só hoje já tenho dois pacientes, Steve!

— Isso é ótimo, delícia! Parabéns! Estou feliz por você. – ele comemora comigo. — Vamos celebrar?

— Claro! Jantar?

— Combinado! Você sai às sete, não?

— Sim.

— Okay. Eu te busco aí. Gostaria de almoçar com você, mas estou cheio de trabalho. Desculpe.

— Tudo bem. – solto um suspiro trêmulo assim que ponho os pés na rua e o ar frio congela meu rosto. — Eu vou comer rapidinho e volto logo para a sessão. Agora vai ser com um garoto de dez anos.

— Quero que me conte depois.

— Algumas coisas são sigilosas, Sr. Rogers. – Steve ri.

— Então você me conta o que puder, Srta. Romanoff.

— Okay. – Elliot faz um sinal para que atravessemos a rua. — Tchau, amor!

— Tchau, minha delícia!

Encerro a ligação no momento em que Elliot para em frente a um pequeno restaurante.

— Oh... vamos comer aqui?

Ele assente ao botar as mãos dentro dos bolsos de seu casaco.

— Eles têm os melhores burritos! – Elliot segura a porta aberta para mim.

Ficamos com a mesa do canto e eu sorrio timidamente quando Elliot puxa a cadeira para mim.

Em seguida, ele se senta à minha frente e descansa os cotovelos sobre a mesa enquanto uma garçonete vem nos atender.

Ela é loira e tem os olhos azuis. E está toda sorridente.

— Oi, Elliot! – cumprimenta, segurando uma caneta numa mão e um bloquinho na outra. — Oi... – ela para e me encara de modo curioso.

— Natasha.

— Oh! Audrey. – a moça ri e pressiona a ponta da caneta contra o peito. — E então? O que vão querer?

— O de sempre. – diz Elliot olhando para mim. — Confie em mim, Natasha! Deixe que Audrey nos traga os melhores burritos de carne.

— Certo. – penduro o casaco na cadeira.

— Okay. Burritos a caminho. – Audrey empurra a ponta da caneta para fora e escreve no bloquinho. — Bebidas?

— Hmmm, estou morrendo de vontade de tomar uma Coca-Cola. – Elliot ergue as sobrancelhas para mim. — E aí?

— Eu te acompanho! – ponho o telefone sobre a mesa e enrolo os cabelos para trás. — Mas sem gelo no copo, por favor.

Audrey assente e anota mais uma vez no bloquinho antes de pedir licença.

O restaurante é pequeno e simples. Poucas pessoas ocupam as mesas ao nosso redor.

À minha direita, uma mãe com dois filhos: um menino no carrinho comendo batatinhas fritas e uma garota que devora um prato de tacos.

Atrás de mim, um casal dividindo um prato de tortilla. Isso aguça minha curiosidade e eu me debruço sobre a mesa para falar com Elliot.

— Esse restaurante só tem comida mexicana?

— Não. – Elliot sorri terminando de digitar algo no celular. — É o principal, mas não tem só isso.

— Ah! – assinto e noto que ele está me olhando. — O quê?

— Nada. É que nos conhecemos há um tempinho e só agora estamos almoçando juntos. – Elliot ri e passa a mão pelo cabelo. — E eu ouvi o que você disse no telefone. Parabéns!

— Obrigada! – abaixo os ombros. — Ainda não acredito que está acontecendo.

— Você é muito boa, Natasha! Eu li suas dissertações.

— Leu?

— Sim. E você arrebentou! Se escreve tão bem agora, imagina só na sua tese final!

— Obrigada! – murmuro. — Você também irá arrasar!

— Espero.

Elliot sorri quando Audrey volta equilibrando uma bandeja com uma lata de Coca-Cola e dois copos de vidro em cima.

Ela deposita os utensílios sobre a mesa e nos serve. Elliot e eu agradecemos.

— Bom, voltando ao assunto... – ele engole a coca e olha para mim — ...parece que todos do curso terão sessões hoje.

— É mesmo? – arregalo os olhos. — Você também?

— Sim. Eu tenho uma senhora que acabou de perder o marido. Ela será às quatro.

— Hmmm... – sem saber o que dizer, dou mais um gole no refrigerante, vendo que Elliot bufa ao ler algo em seu celular. — Tudo bem?

— Ahn... é... sim. Quer dizer, não!

— Não?

— É o meu ex. – assinto antes de arregalar os olhos e me inclinar na cadeira.

— O seu... o quê?!

— Meu ex. – repete Elliot, olhando para mim. — Meu ex-namorado.

— Ah... – concordo com a cabeça, ainda surpresa. — Ér... vo... você é...

— Gay? – Elliot ri. — Sim, eu sou. Por quê? A paisagem de motoqueiro disfarça?

— É! – respondo de imediato, corando a seguir. — Quer dizer... ér... sim! Bom, não. Porra! – cubro o rosto com as mãos e suspiro. — É que... não me entenda mal, mas você não se veste como gay. E nem age. E nem fala!

— Então agora eu preciso de um rótulo sobre como ser gay?

— É! Ahn... não! Desculpa, não quis dizer isso, é que... geralmente...

— Eu estou zoando, Natasha. – Elliot ri. — Eu entendi o que quis dizer. E bom, o fato de eu não ser transparente, por assim dizer, é consequência de anos tendo que viver dentro do armário.

— Sinto muito.

— É, eu também. – Elliot ergue os ombros e desvia o olhar rapidamente.

— Pais rigorosos?

— Só pai. – responde com um olhar distante. — Minha mãe morreu no parto.

— Oh, meu Deus...! E-eu... eu sinto muito.

— Tudo bem. As coisas foram apenas se acumulando, sabe? Quer dizer, acho que eu ser o culpado pela morte dela e depois por ser a vergonha da família só se juntou e resumiu num belo motivo para meu pai me odiar.

— Não diga isso, Elliot. – estico o braço sobre a mesa e pego sua mão. — Você é psicólogo. Deveria saber que não pode se culpar por isso.

— Natasha, isso só serve para meus pacientes.

— Nada disso! – exclamo. — Olha, vamos esquecer seu pai, tudo bem? Não precisamos falar dele. – Elliot me agradece com o olhar. — Ahn... depois que comermos, nós podemos ir a um lugar? – ele me olha desconfiado.

— Desde que não seja uma armadilha, eu topo! – Elliot sorri.

— Ótimo! – pego uma mecha ruiva e a aliso entre os dedos. — Ótimo!

▪️▪️▪️

No final do dia, eu estou feliz, ansiosa e inquieta. Mal posso esperar para Steve ver meu novo visual.

Também estou com um pouco de receio de sua reação. Afinal, ele pode tanto achar que eu fiz bem quanto fiz mal. Pare de pensar nos outros. Pense em si mesma. Você quis? Você gostou? Então ótimo!

Certo, Little Red! Tem razão! Já passei tempo demais pensando na aprovação dos outros. Novos tempos, novos tempos!

— Tchau, Natasha!

Pisco e olho para a minha direita, vendo que a pessoa quem me cumprimentou foi Alannah. Alannah Prescott. Ela é uma moça gentil, simpática e doce. Tem vinte e quatro anos e faz estágio comigo.

— Tchau, Alannah! – digo ao perceber que passei tempo demais a encarando sem dizer nada.

Ela apenas sorri e chama o elevador enquanto retira o celular da bolsa.

Eu estou terminando de juntar uns papeis e guardá-los dentro da pasta quando sinto um toque no ombro: Cassandra.

— Oi! – cumprimento.

— Como foi hoje?

— Ótimo! Michael estava bem apto à sessão. – eu me refero ao garoto que atendi às três. — Já Judith... – agora, à adolescente. — ...estava mais fechada e irritada, mas eu vou trabalhar em nosso progresso.

— Fico feliz por você, Natasha! – diz Cassandra. — Sabe, você ressaltou que sua preferência é a área infantil, então tomei a liberdade de separar os jovens para você, mas gostaria que atendesse adultos também. Assim poderemos avaliá-la num todo.

— Entendo. Bom, eu tive estágios quando estava na faculdade.

— Sim, mas você ainda não era uma profissional. Era apenas uma aluna assistindo a seu futuro. Agora é seu presente. E quero ver como se sai.

— Okay. – assinto. — A senhora pode me encaminhar.

— Bom, na verdade, você já conhece. – enrugo o cenho. — A paciente de sexta está aí.

— Oh! – checo as horas em meu relógio de pulso. — Por que ela só vem no final do meu expediente? – Cassandra reprime um sorriso.

— Não se preocupe. Hoje ela veio apenas conversar. Perguntou se eu poderia vir chamá-la. E então? Vai falar com ela?

— Tudo bem. Falo com ela. Obrigada!

— De nada! Ela está na sala dos funcionários. Podem conversar a sós.

— Certo. – aperto a alça da bolsa enquanto a ponho sobre o ombro.

Cumprimento Phoebe, uma das recepcionistas, já que as outras duas estão ocupadas, e abro a porta da sala.

Assim que entro avisto os cabelos aloirados da mulher à minha frente. Ela está de costas enquanto brinca com o anel que enfeita o dedo anelar da mão direita.

Fecho a porta e solto um pigarreio, atraindo sua atenção. Stella me olha sobre o ombro coberto pelo casaco de pele e sorri.

— Oi, Natasha.

Sua voz não demonstra nem uma vírgula de nervosismo ou apreensão, diferente de mim, que respiro ansiosa.

— Oi. – não sei como, mas consegui ser tão firme quanto a loira à minha frente. — Em que posso ajudá-la?

— Espero que em muito. – responde, virando-se e cruzando os braços.

— Bom, acho que a senhora precisa ser mais específica.

— Primeiramente, quero me desculpar pelo meu comportamento de sexta-feira. Já errei em vir fora de seu horário.

— Não estava fora de meu horário. Eu ainda tinha uma hora de expediente. – murmuro. — E, quanto ao resto, quem deve desculpas sou eu. Mesmo que a senhora tenha me autorizado a atender ao telefone, ainda que enquanto estivesse no banheiro, eu não deveria ter feito. Conheço as regras do meu trabalho e ainda assim passei por cima. Eu errei e fui repreendida. E a senhora não deve se desculpar por isso.

— Uau!

Ela ergue as sobrancelhas e bate palmas bem devagar. Fico sem jeito. A Sra. Karlwitz está debochando de mim?

— Nem sei o que dizer. Mas ainda gostaria de me desculpar.

— Já que insiste... – levanto os ombros. — Mas saiba que não tem do quê.

— Está bem. – ela suspira e joga os cabelos loiros e curtos para trás. — Vejo que mudou o visual.

— É... – solto um riso tímido e mexo nos cachos curtos que agora roçam minhas bochechas. — Tive meus motivos.

— Imagino. Agora está igual a mim. – comenta, com o olhar atento ao meu rosto. Novamente, eu fico sem jeito. — Bem, eu soube que tem pacientes novos.

— Ahn... sim. Na verdade, eu e todos os outros estagiários. Querem nos avaliar.

— Entendo. Bom, meus parabéns! Você é boa ouvinte. – ela se aproxima com três passos. — E gostaria de saber se você poderia voltar a me atender, apesar de ter sido informada de que sua área é a infantil.

— Bom, na verdade, eu também preciso de sessões com adultos. Também preciso provar que sou profissional nas duas divisões.

— E é. – afirma. — Sinto muito se minha atitude fez parecer que não.

— Não se preocupe. Eu sei que eu sou.

Não gosto de pessoas convencidas e rudes. Repenso minha atitude notando que estou quase me tornando uma destas, mas essa mulher tem alguma coisa no olhar que me deixa nervosa e com o coração martelando no peito.

Estar perto dela é mais complexo do que estar perto de Steve nos tempos em que era tão fechado quanto um cofre de banco. E as coisas mudaram? Sim, Little Red, mudaram. E nós duas sabemos disso.

— Tem razão. Desculpe.

A mulher junta as mãos e o vermelho sangue que enfeita suas unhas chama minha atenção. Ela é toda riqueza e grife. Compostura e poder.

A cada movimento que faz, por mais sutil que seja, bafora o ar com seu perfume caro e impregnante. Ela me intimida. E eu não gosto disso!

— Peço desculpas também por ter sido rude. – balbucio, odiando o fato de estar sozinha com ela. — Bom, a senhora gostaria de marcar um horário?

— Sim. Mas combinamos que seria Stella e Natasha.

— Certo. – forço um sorriso. — Então queira me acompanhar, por favor.

Quando abro a porta vejo que Elliot me aguarda no corredor.

Ao meu lado, Stella suspira antes de dirigir sua atenção para Cassandra, que se aproxima de nós.

— E então? Chegaram a um acordo?

— Sim. – respondo. — A Sra. Karlwitz gostaria de agendar os horários.

— Certo. – Cassandra assente e fala com Phoebe. — Cheque a agenda de Natasha.

— A Srta. Romanoff tem horários vagos às segundas, quartas e sextas, das quatro até às sete. – Phoebe informa.

— Prefiro às seis. – diz Stella. — E pode ser nos três dias. – arregalo os olhos para ela. — Tenho uma história de vida perturbada, Natasha. E quero consertar as coisas.

— E como eu poderei ajudar nisso? – Cassandra me reprime com um pigarro. — Ér... quer dizer...

— Ajudará bastante só em ouvi-la, Srta. Romanoff. – afirma Cassandra, virando-se para Phoebe. — Pode agendar os horários e dias que a Sra. Karlwitz solicitou.

— Sim, senhora! – Phoebe assente.

— Bom, se isso é tudo, eu preciso ir agora. – meu Iphone vibra. É uma mensagem de Steve.

Oi, delícia! Já estou aqui embaixo. Venha logo, estou com saudades e ansioso pela nossa noite.

E......... eu te AAAAAAMOOOOOOOOO!

Reprimo a vontade de sorrir e olho para Stella, que está com os olhos vidrados na tela de meu celular.

Mesmo depois que eu o bloqueio, ela continua a olhar fixamente para o Iphone na minha mão. Noto sua respiração vacilar.

— Nós nos vemos na quarta! – ela estende a mão e eu a aperto.

— Okay.

— Preciso fazer uma ligação. Com licença. – Stella se apressa.

— Okay. – guardo o Iphone e saio da recepção. — Vai sair agora? – pergunto para Elliot.

— Sim. Desço com você.

— Okay. – concordo, apertando o corrimão e olhando os lances de escada.

Elliot põe a mão esquerda em minha lombar e me guia até as portas de correr.

Ao chegarmos à rua, eu avisto Steve encostado no carro.

— Oi. – cumprimenta, franzindo o cenho para Elliot após fazer o mesmo para mim.

Fico na dúvida se é pela presença de Elliot, pela sua mão nas minhas costas ou por meus cabelos curtos. Ou as três coisas!

— Olá...

— Haysen, não é? – Steve indaga, mas eu sinto sua voz escorregar para uma acidez irônica.

— Sim. – Elliot responde, pondo as mãos dentro do bolso do casaco enquanto Steve me puxa para perto.

— Está tudo bem? – pergunta, focando sua atenção em mim e acariciando meu rosto.

— Sim. sorrio para ele e olho para meu amigo. Até amanhã, Elliot!

— Até amanhã! – ele mexe a mão para mim e Steve e se afasta.

Quando estamos apenas Steve e eu, ele me vira de frente e encara meu rosto, também checando meus cabelos curtos.

— Sim, eu cortei. – Steve sorri pegando meus cachos ruivos.

— Eu vi. – desliza os dedos entre os fios. — Então quer dizer que você andou fazendo muitas coisas hoje, não é? – finjo uma expressão inocente.

— Eu? Como assim? Só fui ao salão, almocei com Elliot...

— Quê? – Steve cerra os olhos. — Almoçou com ele? Por quê?

— Steve, ele... – de repente, paro. Ah, isso vai ser divertido! — Você... ér... quer dizer... Elliot é legal. E lindo, okay, mas não precisa...

— Retire o que você disse agora. – ordena entre dentes e eu mordo o lábio para não sorrir. — Natasha, eu não estou brincando.

— E nem eu! – ergo os ombros. — Você não viu aqueles olhos? Aquele cabelo? Aquele corpo?

— Natasha!

— O que foi?! – sufoco minha risada. — Não podemos ser injustos! Devemos reconhecer que ele é demais!

— Você tropeçou em algum lugar e caiu de cabeça hoje?

— Não que me lembre.

— Natasha, eu estou falan...

— Elliot é um pedaço de mau caminho!

Steve se prepara para outro ataque quando decido lhe conceder paz de espírito.

— Pena que seja um desperdício para as mulheres. – Steve franze o cenho.

— Desperdício para as mulheres?

— Elliot joga no mesmo time que eu. – ergo uma sobrancelha e espero Steve entender, mas ele não o faz, portanto reviro os olhos e bufo. — Ele é gay, Steve!

— Gay?

— Sim. Desculpe. Eu precisava te aborrecer um pouquinho.

— Sua diabinha! – exclama, apertando-me em seus braços. — Você vai pagar por isso, Srta. Romanoff.

— Hmmm! Não vejo a hora. – beijo seu peito. — Mas e aí? Não vai falar nada sobre meu novo visual, Sr. Rogers?

— Você está uma boneca! – Steve ri. — E eu adorei! Não sei como, mas te deixou ainda mais linda do que você já é.

— Obrigada. – coro e fico na ponta dos pés.— Senti sua falta.

— Continue me beijando e falando isso e eu vou matar sua saudade aqui mesmo na rua. – rio contra sua roupa.

— E aonde vamos jantar?

— Surpresa.

Steve abre a porta e aponta para o banco do carro. Curiosa, eu me sento e cumprimento Fury antes de prender o cinto de segurança ao redor da cintura. Vejo Steve fazer o mesmo após fechar a porta. Porém, antes que Fury dê partida, eu vejo a figura loira, séria e aparentemente furiosa que está nos encarando do outro lado da calçada: Stella.

Steve se vira para me dar um beijo, mas repara minha expressão confusa e olha para onde eu estou olhando.

Desvio a atenção para sua nuca querendo tranquilizá-lo, mas noto seus músculos tensos. Steve aperta minha coxa direita e não solta, mesmo que eu esteja reclamando e socando levemente seu ombro.

— Steve! – grito. Finalmente, ele se vira, mas não para mim, e sim para frente.

— Dirija, Fury. – ordena, com a voz e olhos carregados de uma emoção a qual eu não consigo decifrar no momento, pois parece ser uma mistura de raiva e apreensão.

— Sim, Sr. Rogers. – responde Fury, olhando pelo retrovisor antes de acelerar.

— Steve...

Tento novamente, mas ele pega meu pulso antes que eu consiga tocar em seu rosto.

Seu ato me assusta, e ele me olha quando percebe que eu fiquei rígida.

— Aqui não. – murmura, voltando a olhar para trás enquanto Fury corre pela rua.

Eu sigo o seu olhar e noto que Stella não está mais lá. Mas o que poderia ter... oh... oh... não! Meu Deus, não! Por favor, não!

— Oh, meu Deus... – Steve olha para mim com o maxilar trancado e tenso. — Steve... não.

Eu perco a voz, relacionando os olhos verdes cristalinos daquela mulher com os meus.

Seus cabelos loiros platinados em contraste com os meus ruivos. E seu comentário sobre a mudança de meu visual.

Puta merda! Mesmo que ela esteja loira agora, tudo me faz acreditar que algum dia, aproximadamente há dez anos, já foi ruiva. Puta que pariu! Ela que é a... ela!

Notas finais
TCHAM, TCHAM, TCHAM! O que acharam desse final bombástico? E Elliot jogando no time das girls? E a Nat cortando o hair? Foi mal pela falsa modéstia, gente kakakaka mas confesso novamente que amei escrever esse capítulo! Então, eu peço que comentem, porque estou muito ansiosa pra saber a opinião de vocês :D Confesso que não fiz visual da roupa da Cassandra porque fiquei com preguiça kakakaka sorry. Caso não tenham percebido, eu fiz QUESTÃO de colocar a nossa querida Indiana Evans, eterna Tessa Young, como a Audrey porque queria que ela tivesse participação na fic. Amo essa atriz que deu origem a uma personagem incrível e que me ensinou muitas coisas. Pra quem não sabe, Theresa Young é a protagonista da série "After", de Anna Todd ^^ E me digam sobre suas vidas, sobre seus gostos, o que aborrece vocês... quero conhecer mais dos meus leitores :3 Obrigada pelos 283 comentários, 133 acompanhamentos, 56 favoritos, 7 recomendações e 16151 visualizações!! Infelizmente, no Spirit não dá pra recomendar a fanfic, mas aqui dá. Então, se alguém quiser enviar alguma recomendaçãozinha... sabe, não irei me opor. E o mesmo vale pro número de favoritos: se quiserem aumentar isso aí... (͡° ͜ʖ ͡°) Beijocas e até a próxima!!! Ps VOTEM SEM PARAR NO KCA PRA CHRIS EVANS E SCARLETT JOHANSSON --> https://kca.mundonick.com.br/vote/xphd9q/vote Ps²: muito obrigada a todos que votaram a respeito da enquete do capítulo passado :D POR FIM.... FELIZ DIA DAS MULHERES, PORRAAAAAAAAA! A GENTE AGUENTA MUITA COISA CALADA E, QUANDO EXPLODIMOS, AINDA SOMOS CRUCIFICADAS! PARABÉNS A TODAS AS GUERREIRAS, LACRADORAS, RAINHAS, DONAS DA PORRA TODA!!!! SOMOS ÚNICAS, MENINAS, E NINGUÉM DESMENTE ISSO! NINGUÉM TEM ESSE PODER! SINTAM-SE ABRAÇADAS E RECEBENDO UMA COROA DE REALEZA POR MIM, POIS AMO TODAS! SOZINHAS SOMOS FORTES, MAS JUNTAS SOMOS INVENCÍVEIS!!!!!!!!!!