Haunted 🔞
22 Capítulo 22 — Haunted
Notas iniciais
Olá, amorecos! A princípio, eu havia me programado pra atualizar a fanfic amanhã, mas não terei tempo de nada, então estou atualizando hoje mesmo.
A propósito, é um assunto NADA a ver com a história esse que falarei agora, mas hoje completa uma semana desde o massacre da escola de São Paulo. Não sei se tenho leitores de outros estados do Brasil além do RJ, mas acredito que sim. Whatever, para quem é de São Paulo, eu lhes ofereço minhas mais sinceras condolências. Foi uma barbaridade o que aconteceu, e eu sinto MUITO mesmo, por todas as lágrimas que familiares e amigos derramaram. Eu sinto MUITO, MUITO, MUITO mesmo :(
Perdão por qualquer erro de digitação
Tradução do Capítulo: Assombrado

Quando torno a erguer o olhar para Steve, ele já está me encarando. Suas narinas estão tão dilatadas quanto as pupilas negras que destacam o fundo azul de seus olhos. As mãos estão cerradas em punhos e o peito sobe e desce de um jeito desregulado. — Steve... – tento me aproximar, mas ele grunhe e esfrega o rosto com as mãos. — Steve, por favor... — Não! – recuo vários passos, com os olhos arregalados. — Não faça isso agora, Natasha! Não... não chegue perto de mim! Não... não me toque! Não... — O quê? – indago, cansada de só ouvir e me calar. Eu jurei a mim mesma que jamais seria submissa de alguém novamente. E no entanto estou me sentindo exatamente como uma. Isso tem que parar, pois não pode nem vai acontecer novamente, tratando-se ou não de Steve. — Quer que eu vá embora? Quer que eu desista de novo? Você precisa conversar comigo! – grito tão alto quanto Steve está respirando. — Eu sei o que eu vi! Você surtou depois que olhou pela janela e viu aquela mulher na calçada! E eu sei quem ela é! — Você sabe? – ele pega meus braços. — Diga, Natasha! Você sabe quem ela é? Ela falou com você? — Tire as mãos de mim! – eu me remexo e solto de seu toque. — Sim, eu sei. E não foi difícil de deduzir, Steve. Você a encarou com tanto ódio e medo que qualquer um que conheça sua história descobriria em um estalar de dedos. — Natasha... — Ela foi sua dominadora, não foi? Lágrimas se acumulam à base de meus olhos, mas não posso deixar que isso me enfraqueça ainda mais. Já basta a dor que está queimando meu peito. — Não foi ela quem desgraçou com a sua vida? Foi ela a pedófila que abusou de você, não foi? — Natasha, por favor... — Diga! – seguro seu rosto. Steve tenta se afastar, mas eu sou firme e não o solto. E, depois desse tempo de tortura, ele acaba relaxando com meu toque. — Por favor, você não pode me deixar com essa angústia ardendo dentro de mim. — Natasha, por favor, não chore. – ele passeia com os dedos por meu rosto. — Eu... eu senti e ainda estou sentindo a sua dor. – luto contra o nó que esmaga minha garganta. — Steve, por favor, por favor, diga para mim. Eu preciso saber se eu estou certa. Por favor! — Eu não preciso dizer, Natasha.Com esse ato, eu sinto que tanto a minha alma quanto a dele estão despidas uma para a outra. Lágrimas também banham a base dos olhos de Steve, e minha ardência interna só piora ao notar isso. — Você já sabe. — Oh... oh, meu Deus! Era ela. É ela! A desgraçada que destruiu a vida de Steve. Do meu amor. A pessoa responsável por seu sofrimento de anos a fio. Ela o quebrou em infinitos pedaços pequenos, menores do que os cacos de vidro que se agora fazem parte da decoração de sua sala. E, assim como as garrafas e copos estraçalhados pelo chão, o coração de Steve encontra-se sem conserto. Não diga isso, Natasha. Ele tem a você. Você é a morfina dele. A única pessoa que ele realmente precisa agora, em quem ele realmente confia e tem a chance de ser feliz de novo. — Por favor, por favor... – Steve se aproxima e segura meu rosto, limpando as lágrimas quentes e grossas que escorrem. — Diga alguma coisa, meu amor. Qualquer coisa. Por favor. Por favor. — Eu... eu não sei o que vo-você espe-pera que eu di-diga... – gaguejo em meio aos soluços. — Oh, me-meu Deus! – encosto a cabeça no peito de Steve e choro ainda mais. — Meu amor... – Steve beija meus cabelos. — Por favor, por favor, pare de chorar. Eu não posso suportar isso. — Des-desculpe. Mas eu... e-eu não po-posso... — Shhhhh, não se desculpe, Natasha. Não é você quem tem que pedir perdão. Sou eu. – franzo o cenho. — Steve... — Perdão. – diz, beijando minha cabeça novamente e apertando cuidadosamente as mãos contra minhas bochechas molhadas e quentes. — Perdão, meu amor. — Pe-perdão? Por quê? — Por fazer você chorar. Por assustar você. Por gritar com você. – responde, beijando meu rosto enquanto vai falando. — Eu sinto muito. Eu jamais vou te machucar. Eu vi como você olhou para mim quando eu gritei com você. – Steve para de me beijar e puxa sua cabeça para longe da minha o suficiente para que possa encarar meus olhos. — Natasha, nunca mais olhe para mim daquele jeito, entendeu? Eu nunca, nunca mesmo, irei levantar a mão contra você. Entende isso? – estou desconcertada demais para responder, portanto Steve me balança levemente, para chamar minha atenção. — Natasha?
— Você já levantou. – movida pelo turbilhão de sentimentos dentro de mim, eu acabo falando o que não devia. Steve me encara perplexo. — Natasha... Por um momento, ele perde a voz e aparenta perder também a estabilidade, pois me solta e recua um passo para trás. — Ér... eu sei. – suspira após um momento em silêncio. Quando ergue o olhar para mim, eu sinto uma culpa devastadora me esmagar. — Desculpe. Eu nunca mais vou bater em você. Nunca. Desculpe. — Desculpe também. – meus soluços recomeçam. — Eu fa-falei sem pen-pensar. – tampo o rosto com as mãos e sinto Steve se reaproximar. Ele me abraça e afaga meus cabelos. — Shhh está tudo bem. – seus lábios pressionam o topo de minha cabeça. — Apenas me diga que você sabe que eu jamais vou machucar você. Por favor. Por favor, diga isso. — É claro que eu sei, Steve! Eu confio em você. – descanso as mãos sobre seus ombros. — Mas eu estou assustada com outra coisa. — Com o quê? – indaga, atencioso. — Você não precisa temer nada, Natasha. — Sim, eu preciso! E estou terrivelmente assustada com... com ela. — Eu sei. – o rosto de Steve se suaviza enquanto ele segura meus braços e me aperta mais forte. Eu encosto o nariz contra seu peito novamente e aspiro seu aroma. Aqui é o lugar mais seguro e confortável para mim e onde eu sempre quero estar: em seus braços. — Não se preocupe. – ele beija a minha cabeça. — Shhh, desculpe. Eu surtei quando a vi porque foi um choque para mim. Não estava esperando que ela fosse até você. Eu disse para ficar longe. Eu... — Um choque? Para você? De repente, a dor que estou sentindo cede lugar à raiva e eu me afasto de Steve como se tivesse levado uma descarga elétrica. Minha pele arde e queima com o seu toque. E não do jeito bom e eletrizante, mas asqueroso e incômodo.— Natasha... – ele tenta se aproximar, mas eu nego com a cabeça e cerro os olhos. — Não! – grito. — Você... vo-você ficou em choque, Steve? Em choque?! E por quê? Sentiu o que quan-quando a viu? Desejo? Amor? – ele me encara boquiaberto. — O que sentiu, Steve? DIGA! Você quis correr para ela e se ati-tirar em seus braços? Quis matar a saudade de anos e mais anos? Quis sufocar to-toda a sua vontade de revê-la? — Natasha! Você enlouqueceu? – cobra, indignado. — Eu já te disse que Blanche e eu mantemos contato. Ela não significa... — Ahhhhh, já sei! – exclamo, silenciando-o. — Quis arrastá-la pelos cabelos e acabar com ela no seu Quarto da Tortura, não é?! Eu sei que é! Não adianta ne-negar! – estou furiosa, mas não consigo parar de chorar e soluçar. E isso só alimenta ainda mais a raiva que sinto. — Você ainda a quer! Você sempre exigiu que to-todas as outras se tornassem ela! Os olhos, as perucas ruivas, o batom escuro... até mesmo comigo! Você me proibiu de cortar os cabelos a-acima dos ombros! – minhas cordas vocais queimam e arranham minha garganta, mas eu não consigo parar. Só enxergo vermelho em minha frente. — DIGA! Não fique calado! — NÃO! – Steve grita, avançando passos e mais passos, mesmo que eu recue e peça para ele parar. Quanto mais eu vou para trás, mais ele vem para frente, até que eu colido contra a mesa de jantar e fico sem saída. Steve me segura pelos cotovelos e me puxa para frente, encarando-me nos olhos. — Eu não senti nada Natasha! Você tem que acreditar em mim! — E por quê?! – grito de volta, tentando me soltar, mas ele permanece firme, segurando-me com força. — Por que eu tenho que acreditar em você? Você nunca me conta nada! – estilhaço-me em mais lágrimas. — Você nunca di-divide nada comigo! Estar com você é pisar em ovos o tempo todo, Steve! – minha garganta explode em gritos e mais gritos e eu já me imagino rouca no dia seguinte. — Eu não aguento isso! É uma tortura... sem... fim! – respiro fundo, acalmando meus soluços. — E agora... agora que essa mulher sabe sobre mim... sobre nós, eu... – não consigo terminar a frase, pois Steve me silencia assim que choca seus lábios contra os meus. Ele me beija com tanta força que eu sinto meus dentes baterem contra a parte de dentro da boca e, em seguida, o gosto salgado e metálico do sangue molhar minha língua. Eu ignoro. Apenas abro a boca e capturo ainda mais o beijo de Steve. Leio seu toque e absorvo o que ele me diz. Está me acalmando. Está me demonstrando que somos apenas ele e eu, mais ninguém. Suas mãos soltam meus braços e circulam meu tronco, enquanto eu subo as minhas e apertos seus fios loiros escurecidos. Mais uma vez, uma substituição de sensações se inicia dentro de mim. Primeiro, foi a dor cedendo lugar à raiva. Agora, é a raiva cedendo lugar ao desejo e à paixão. Dois competidores amigos e inimigos, que contracenam diariamente no campo de batalha que envolve relações. E, quando um está prestes a ganhar, o outro acelera os passos e fica lado a lado com o oponente. — Steve... Ele quebra o nosso beijo para que possamos respirar. Ainda não abro os olhos, mas sinto Steve me encarando. Seu olhar me queima e eletrocuta. — Por favor, Natasha, deixa eu falar. – pede, e, como eu não digo nem que sim nem que não, ele obtém como uma concordância de minha parte. — Escute, eu entendo que esteja assustada. Entendo que esteja tensa e com medo, mas você não precisa se sentir assim. E em relação a nada. Meu amor, ela realmente significou muita coisa para mim. Mas isso foi há anos. – afirma, erguendo meu rosto. — Natasha, olhe para mim. – relutantemente, eu o faço, ainda com a visão embaçada pelas lágrimas. — Você é a minha vida. Você! Você é a minha paixão, meu desejo e a minha loucura. Você é o meu amor e o meu tudo! Só você! E, se algum dia eu achei que fosse ela, é porque eu ainda não tinha ideia do que realmente se sente quando se está apaixonado. – começo a chorar de novo, mas não desvio o olhar. — Mas então eu te conheci. Você virou o meu mundo de cabeça para baixo. Era tudo organizado e simples, mas então você apareceu e tudo ficou confuso e complicado, e com mais cor e alegria. Eu vivia num cenário preto e branco e sem emoção. Mas você mudou isso para melhor, Natasha. Você sempre foi o meu mais. E nada nem ninguém mudará isso. Jamais! – diz, beijando meus lábios rapidamente. — Você é minha, entendeu? E isso nunca vai mudar. Nunca! — Steve... – perco a voz quando o nó em minha garganta torna-se cego. — Diga, meu amor. — Eu... eu... – balanço a cabeça e olho para baixo. — Eu estou com medo. — Eu não vou deixar que nada... — Não é isso! – volto a encará-lo nos olhos. — Você não entende. — Então me explique. — É que... eu... ér... eu amo você! – Steve permanece atento. — Amo tanto que até queima a minha alma. E se eu perder você... — Natasha, por que você acha que vai me perder? — Porque, querendo ou não, aquela mulher significou muito para você. E ela quer... — Não me interessa o que ela quer. Não temos relação nenhuma que não seja profissional, Natasha. Não precisa se assustar. Ela não é mais nada para mim. E há muito tempo. — Isso é mentira. – tento me soltar, mas Steve não permite. — Mentira? Claro que não! — Sim, Steve, é. – afirmo. — Se ela realmente tivesse deixado de significar algo para você há tanto tempo assim, você não teria submissas novas a cada mês para poder imaginar que era ela. Não exigiria que todas as mulheres se parecessem com ela. Não vê que estou certa? – ele engole um silêncio profundo. — Você é obcecado por ela, Steve. Nunca deixou de ser. Você a vê em todas as mulheres que já teve. — Natasha... — Até mesmo comigo. – minha voz falha. — Você não me ama. Você ama a semelhança que eu... — Não! – ele me cala, encarando-me de forma intensa. — Não se atreva a terminar essa frase! – eu me encolho. — Você não é nada parecida com ela, Natasha. Nada! Nunca foi. Nem com ela nem com nenhuma outra. Você é única, Natasha. E eu amo você! — Mas... — "Mas..." nada. E o fato de que minhas ex-submissas precisavam ser parecidas com... com Blanche... não significava amor. Nunca foi! — Então era o quê? – pergunto, sem certeza se quero realmente ouvir a resposta. — Era uma forma de eu me vingar dela. – responde após um suspiro e encolher de ombros. — De eu extravasar a minha raiva. — Steve, eu... eu não sei. – faço força e, finalmente, ele me libera de seus braços, entendendo que eu preciso de espaço para respirar. — O seu olhar quando a viu... eu... – mordo o lábio, fechando os olhos rapidamente. — Eu senti medo por você. Eu quis... quis tanto te abraçar e te proteger... – minha voz escorrega para o choro novamente. — Mas você não me deixou te tocar. Não me deixou chegar perto. Isso... isso foi o que mais acabou comigo.
— Desculpe. – ele me olha com ternura. — Eu fiquei nervoso. Fiz de tudo para evitar um encontro entre vocês. Eu nem falei com ela que estava com uma nova submissa, Natasha. Nunca comentei nada com ela. Para mim ela ainda estava em Paris. A última vez em que nos falamos foi no mês passado, logo depois que você foi... que você foi embora. – Steve faz uma pausa e suspira. — Só soube que ela estava de volta a Nova York hoje. — Como você soube? — Ela me ligou para marcarmos uma reunião, mas só sobre questões da empresa. Eu não tinha... eu não tinha ideia de que ela... de que ela iria mesmo até você. Porra! – exclama, bravo. — Que merda! — Eu não quero... não posso... não posso aceitar que essa mulher... que essa mulher seja um... seja um obstáculo para nós. – falo, limpando as lágrimas. — Eu não... não quero isso. — Eu também não. – afirma. — Desculpa, Nat. – pede. — Eu não queria que você tivesse contato algum com ela. Eu sinto muito. — Olha, isso tudo, tudo o que aconteceu hoje, eu só... ér... eu preciso de um tempo. — Como assim? – Steve se aproxima e fica na minha frente. — Você vai me deixar? De novo? — Não. – nego, com certeza na voz. — Eu não vou deixar você, Steve. Mas eu preciso de um tempo. — E por quê? Para quê? — E você ainda pergunta? – nervosamente, solto uma risada. — Meu Deus! Eu preciso pensar! Tem muita coisa acontecendo aqui para você querer apenas que eu fique calma e aceite tudo de cabeça baixa. Eu não sou assim, Steve. Eu não sou uma boneca que você pode guardar e carregar para todos os lados! – cruzo os braços. — Eu jurei para mim mesma que jamais seria uma submissa novamente. E eu não sou, porra! — Eu sei que não! – ele rebate, com o cenho franzido. — Você é muito mais! Sempre foi! E eu nunca te tratei como menos do que você é. — Sim, você fez. – acuso com a voz embargada. — Mas isso não importa. Nada do que você fizer ou me disser agora vai fazer com que eu mude de ideia. – afirmo. — Quero ir para casa. Para a minha casa. — Natasha... – Steve tenta me tocar, mas eu afasto o rosto. — Não. – encaro o fundo de seus olhos. — Não precisamos transformar isso numa briga. Eu preciso apenas de um tempo. — Você está terminando comigo. — Eu não estou. – empurro meu orgulho para o lado e me aproximo de Steve, erguendo seu rosto. — Acredite em mim. Eu não estou terminando com você. Eu te amo! — Então fique. – pede, segurando meus braços. — Fique comigo. Não vá embora. — Steve, eu vou estar na minha casa. Você sabe muito bem onde é e como me encontrar. — Então deixa eu ir com você. – enrugo o cenho. — Por favor. Por favor, deixa eu dormir na sua casa hoje, Natasha. Por favor! Eu estou preocupado. Eu não sei o que Blanche quer. E ela te viu e viu também que estamos juntos. — E daí? — "E daí?"?! – explode. — Porra, ela pode querer alguma coisa com você! E eu não deixarei nem que ela nem ninguém encoste um dedo sequer em você. – afirma, segurando meu rosto sutilmente. — Por favor, linda, entenda. Eu preciso saber que você está segura. E eu só confio em mim para isso. — Mas do que você está falando? Ela é como Sharon? – pergunto. — Ela também vai começar a me perseguir e tentar me atacar? — Não! – ele afirma. — Mas ela pode ficar te cercando e... e... dizendo coisas... eu não sei. Não quero que ela te ponha contra mim. — Steve... – tento argumentar, mas as palavras evaporam de minha mente, deixando apenas o rastro da paixão e da culpa. Ele quer me proteger. Quer cuidar de mim. Eu sei que ainda preciso de um espaço para pensar e reorganizar minhas ideias, mas quanto tempo isso iria demorar? Não tem como programar algo assim. Pensamentos levam tanto minutos quanto horas, dias, meses... não tem como determinar um prazo para isso. — Okay. – concordo antes que me arrependa. — Mas eu ainda preciso pensar. E você não pode me pressionar, entendeu? — Eu não vou. – garante. — Nós não precisamos fazer nada. Eu nem preciso dormir na cama com você, posso dormir no sofá. Só quero dormir no mesmo lugar que você. — Não. – abraço sua cintura. — Durma comigo. Eu só preciso... só preciso pensar em tudo o que aconteceu. É coisa demais para a minha cabeça. – solto um suspiro trêmulo e penteio algumas mechas de cabelo para trás das orelhas. — Mas eu percebi que... que não posso nem... nem quero fazer isso sem você. — E nem eu deixaria você enfrentar isso sozinha. – ele acaricia meu rosto. — Natasha, você é a minha vida agora. — E você é a minha. – puxo Steve para baixo e o abraço. — Eu te amo. Desculpe ter surtado e gritado com você. — Tudo bem. – Steve penteia meus cabelos curtos. — Eu estou aqui. Eu estou aqui. – beija minha testa. — Eu estou aqui, meu amor. Sempre. Fechando os olhos, eu me agarro às suas palavras e as aperto contra mim. Eu as escondo e tranco dentro das gavetinhas de meu coração, passando a chave e a jogando fora. ▪️▪️▪️ Assim que abro a porta de casa, o cheiro de pipoca invade minhas narinas. Meu estômago ronca bem alto, e Steve ri atrás de mim enquanto eu reviro os olhos para a cena à minha frente: Darcy e Rebby sentadas com um balde de pipoca no meio do sofá. Seus cabelos negros e lisos presos em um coque alto e desleixado e roupas folgadas e quentes cobrindo seus corpos enquanto elas assistem a algum filme de comédia, eu suponho, já que estão rindo. — Oi. – cumprimento, pondo a bolsa no lugar vago no sofá. — Oi. – responde Darcy, com a boca cheia de pipoca, enquanto Rebby acena. — Oi, Steve. — Oi, Darcy. – Steve vem até mim e me abraça pelos ombros. — O que estão assistindo? — "De repente 30". – Rebby responde, olhando rapidamente para mim, mas aí ela arregala os olhos e sorri. — Caraca! Visual novo? — É... gostou? – balanço a cabeça e ouço a risada de Darcy. — Wow! Que gata! – exclama. — Adorei! — Obrigada! – sorrio. — Eu também adorei, Nat! Arrasou! Ah. Vocês querem? – Rebby ergue o balde de pipoca para nós. — É de manteiga, Nat. Sua favorita! — Okay, eu aceito. – recuo o braço antes de pegar a pipoca. — Mas vou lavar as mãos primeiro. – Darcy revira os olhos. — Vai querer, Steve? – ele dá de ombros. — Se sim, venha lavar as mãos também. Acabamos de chegar da rua. — Ahhhh! Pegue um pouco de anticorpos, Natasha! – Darcy grunhe, irritada com minha mania por higiene. Eu apenas franzo o nariz para ela e caminho até o banheiro com Steve atrás de mim, pois ouço sua risada enquanto suas mãos apertam minha bunda. Reprimo um sorriso e mando que pare, mas ele me ignora e aperta com mais força. — Steve! – exclamo assim que chegamos ao banheiro. — O que aconteceu com não precisarmos fazer nada? — Desculpa. Você é muito gostosa para que eu consiga ficar sem tocar. – ele ergue as mangas de seu casaco e camisa antes de girar a torneira. — Hmmm! Okay, eu aceito sua justificativa. – bato os quadris contra os seus e começo a lavar as mãos.Rapidamente, eu me junto a Darcy e Rebby no sofá e passo a devorar a pipoca junto com elas. Steve apenas ri, encaminhando-se à cozinha e me perguntando o que eu quero comer. — Hmmmm... pode ser miojo. – vou até Steve. — Estou com vontade de comer miojo! — Miojo? – Steve franze o rosto e eu bufo. — Miojo é vida! Não se atreva a criticar miojo! – levo as mãos à cintura. — Sim, eu quero miojo. E com bastante queijo ralado, Sr. Rogers. — Okay. – Steve dá de ombros e suspira, segurando meu braço quando eu tento passar por ele e abrir a geladeira. — Nat, eu sei o que está tentando fazer. — Ahn? – fico confusa. — Como assim? — Você não precisa fingir. – sussurra, olhando rapidamente para Darcy e Rebby antes de focar o olhar em mim. — Sei que ainda está assustada e abalada com tudo o que conversamos na minha casa. Pode surtar comigo o quanto quiser, amor. Só não sufoque nada dentro de você. Promete isso? — Eu prometo. – fico na ponta dos pés e beijo seus lábios. — Só não quero passar a tensão para elas. – meneio a cabeça em direção à minha prima e minha amiga, que ainda estão sentadas no sofá devorando a pipoca e assistindo ao filme. — Certo. O que você quiser. – Steve me beija na testa. — Então vá tomar um banho enquanto eu preparo o miojo para você. — Okay. Obrigada. – seguro seu rosto e beijo sua boca mais uma vez. — Eu te amo. — Eu sei. Eu também te amo. – diz, devolvendo meu beijo. Quando eu me encontro disposta a não soltá-lo, Steve grunhe e dá um forte tapa em minha bunda, fazendo-me gritar enquanto o solto. — Se você quer mesmo comer miojo, então se controla. — Okay. – concordo, massageando o local do tapa. — Eu já volto.Sopro um beijo para ele e vou até o quarto. Abro o armário e me abaixo até a gaveta de calcinhas, escolhendo simplesmente uma de algodão enquanto pego meu pijama azul de flanela antes de ir ao banheiro.Em poucos segundos, estou despida e embaixo das gotas quentes, deixando que lavem meu corpo e que o vapor, de certa forma, limpe minha alma. Teimosamente, eu me recuso a abrir os olhos enquanto tomo banho, pois sinto que, se abrir, a realidade me fará despencar. Aquela mulher. A mulher que Steve tanto odeia, mas que também tanto amou algum dia, mesmo que negue. Ela significou para ele, sim. E muito! Mesmo que ele diga que eu sou a única, meu ciúme e minha insegurança trabalham juntos para me deixar dividida. E Blanche pode até não significar algo romântico para Steve, mas ainda significa alguma outra coisa. Ele está apenas preocupado que ela consiga chegar até você, Natasha. E isso é só porque ele não sabe que essa mulher esteve cara a cara e olho no olho com você. E, a propósito, Natasha, precisa contar a ele. Não! Com o susto sobre minha própria conversa anterior, abro os olhos e arfo. Meu Deus! Perdeu o juízo, Little Red? Eu não posso contar nada disso a Steve. Ele vai surtar e praticamente me proibir de olhar na direção dela. Não posso fazer isso. E não vou. Mas, Natasha... Não! Se ele é teimoso o bastante para esconder as coisas de mim e agir nas entrelinhas sem me dizer nada, então eu irei mostrar a ele como eu me sinto. Irei pagar na mesma moeda. E, como ele, eu irei dizer que estou apenas o protegendo. Natasha! Mas ele parou com isso. Noite passada, ele te contou tudo sobre sua vida. Não seja mimada, Natasha! Não estou sendo mimada! Estou apenas querendo justiça. E também, eu o amo mais do que a mim mesma, e é claro que farei tudo o que puder e não puder para mantê-lo seguro e longe dessa mulher. Mesmo que isso se aplique a mentir para ele. E na verdade eu estou com a consciência tranquila, pois não estou mentindo, estou apenas omitindo. Natasha... Minha decisão está tomada, Little Red. Eu não faço ideia de por que raios essa mulher voltou a assombrar a vida de Steve, mas irei descobrir antes que ela consiga de uma vez por todas!
Notas finais
Obrigada pelos 290 comentários, 133 acompanhamentos, 57 favoritos, 7 recomendações e 16605 visualizações.
Novamente, sinto muito pelo o que ocorreu em São Paulo. Estamos todos juntos!
Até a próxima!
Fale com o autor