Haunted 🔞

18 Capítulo 18 — The worse torture


Notas iniciais
Olá! Como foram de festas de fim de ano? Tudo bem? Tudo abençoado e feliz? Espero que tenham se divertido muito, com muita comida, com presentes e com a família! Eu pensei em atualizar a fanfic antes, mas quem me segue no twitter sabe que passei por um problema, na verdade por um trauma, na semana passada e não tive cabeça pra muitas coisas. Inclusive, ainda estou me recuperando aos poucos. Anyway... eu fiquei ansiosa pra postar esse capítulo porque muitas pessoas vieram me perguntar por que tem como aviso na história a inclusão de "estupro". E muitos chegaram a cogitar que estaria relacionado a algum mal que viesse a acontecer com a Nat no decorrer da trama. Então, com o capítulo de hoje, vocês entenderão o porquê de eu ter avisado a respeito de "estupro" na fanfic. Inclusive, peço que leiam toda as notas finais, para que entendam a mensagem que quis transparecer. Aproveitem a leitura e perdão por qualquer erro de digitação Tradução do Capítulo: A pior tortura

De banho tomado, termino de fechar os botões da blusa de Steve e saio do banheiro. De repente, toda a nostalgia me cerca e sufoca e eu sinto o peito voltar a queimar.

Encarar de novo o quarto que todas as suas antigas submissas frequentaram ainda traz lembranças dolorosas tanto à minha mente quanto ao meu coração. Principalmente depois de todo o veneno que Sharon destilou contra mim.

Foi aqui que confessei meu amor por Steve e ele me respondeu que eu não poderia amá-lo e que não merecia alguém como ele. Faz tanto pouco tempo desde que tudo desmoronara em minha vida! E, às vezes, eu me pego pensando se continuar a seguir em frente teria sido o melhor tanto para mim quanto para Steve.

Separados, não correríamos o risco de alguém de seu passado sombrio estar atrás de nós. Sharon não estaria como está nem teria tentado fazer o que fez. As coisas estariam normais mesmo que estivéssemos sofrendo. Será que vale a pena percorrer esse caminho de mistérios e tensão pelo amor de nossa vida? Quem pode nos assegurar que o sofrimento é recompensado com alegria? Quando que há um final feliz? Isto é, se realmente existe algum.

O final não seria a morte? E qual é a garantia de vida após o sono eterno? Há realmente um paraíso e um inferno? Há realmente essa divisão de almas boas e ruins, de pureza e de pecados?

— Você está bem? – Steve surge à porta.

— Sim. – respondo a caminho do corredor.

— Podemos conversar agora?

— Vamos logo com isso! – pego sua mão e começo a descer as escadas. — Eu sei que é difícil falar sobre algumas coisas.

Paro assim que chegamos à sala, pensando se iremos para o seu quarto ou se ficaremos aqui mesmo. Resolvo optar pela segunda opção e puxo Steve até o sofá.

— É, eu sei. – ele se senta de frente para mim enquanto cruzo as pernas em posição de Buda. — Mas prometemos sem mais segredos. No entanto...

— No entanto, você não pensou que seria tão doloroso. – Steve suspira e olha para o chão quando eu completo sua fala. — Steve, você não deve pensar que eu irei te julgar. Meu Deus! Você é um homem maravilhoso! – ele ergue a cabeça para mim com seus olhos azuis desacreditados. — Sim, você é!

— Natasha, não sabe o que está dizendo. – Steve balança a cabeça lentamente.

— Sim, eu sei! Você é bom, generoso, protetor, cuidadoso, gentil. Até mesmo quando me disse que não fazia o tipo romântico acabou fazendo. E tudo isso por mim! Você pensou em mim!

Você me fez mudar, Natasha. Nunca fui assim com mais ninguém.

— Eu não mudei você. Posso ter despertado sentimentos adormecidos dentro de você. Ter feito com que você se sentisse apto a experimentar sensações novas, mas tudo isso partiu de você, Steve. Mulher nenhuma é clínica de reabilitação para homem! Todas as suas mudanças e suas evoluções vieram daqui. – levo uma mão ao seu peito. — Dê esse crédito a si mesmo! Pegue esse mérito e honre como seu!

Steve parece absorver minhas palavras enquanto me encara com olhos orgulhosos e gratos. Sua respiração vacila à medida que ele deixa todos os meus comentários chegarem até sua alma.

— Com você, Nat, as coisas que eu sempre julguei serem banais acabaram se tornando vitais para mim. – sorrio com sua confissão e saltito pelo sofá até pousar em seu colo. — Oi, linda! – ele me beija no rosto.

— Oi. – passo os braços ao redor de seu pescoço. — O que você pode me contar? – Steve suspira.

— Tentarei dizer tudo.

— Okay. Como e por que a Sharon sabe de todas aquelas coisas sobre você?

— Corrigindo... – Steve ergue uma sobrancelha e um dedo da mão direita. — ...ela não sabe, ela apenas supôs. Eu nunca falei nada sobre meu passado nem com ela nem com ninguém mais que não fosse meu terapeuta, Natasha!

— Nem para Peggy?

— Nada revelador.

— E pôde falar para ela e não para mim?

— Ela surgiu num momento frágil e carente de minha vida, Natasha. Mal ou bem, nós somos amigos. E ela me foi útil por um tempo.

— O que chegou a contar a ela? – tento não deixar que o ciúme ofusque meu senso.

— Coisas soltas. Desabafos banais de minha infância. Nada revelador. Ela teve dúvidas a respeito da minha preferência em relações sexuais e eu apenas disse que fui acostumado com isso.

— Acostumado? Como assim?

Steve suspira antes de segurar meu rosto e encarar o fundo de meus olhos atentamente.

— Natasha, eu não quero assustar você, mas não serei hipócrita. Eu sabia o que estava fazendo e eu consenti com tudo. Okay?

— Como assim?

— Eu iniciei minha vida sexual muito cedo. – Steve se encolhe com sua confissão.

— Muito cedo como? – tenho até medo de perguntar, mas sigo em frente. — Quantos anos tinha?

— Treze. – revela após suspirar.

Treze?! – minha voz se perde em dor, espanto e medo.

— Eu estava ciente...

— Ciente, Steve? – empurro suas mãos para longe. — Não assuma essa responsabilidade! Você era uma criança! Não tinha condição alguma em consentir com seja lá o que fosse!

— Natasha... por favor, apenas me escute. – ele me encara ansiosamente até que eu assinta. — Para que você comece a entender, tem uma revelação.

— Você pode me dizer qualquer coisa. É para isso que estou aqui.

— Joseph não é meu pai biológico. – arregalo os olhos e me empurro para trás com o susto. Steve percebe meu espanto e dá o espaço que preciso.

— O quê?!

— Disse que eu poderia dizer qualquer coisa. – ele está atento às minhas próximas reações.

— Tá. – concordo ainda atônita. — Tá, tá, eu sei. E... e... tu-tudo bem. Mas não estava esperando que você fosse me soltar uma bomba dessas!

— Foi mais fácil falar assim de supetão, como puxar um band-aid.

— Imagino que sim. – comento. — Então, Joseph não é seu pai biológico? – volto a cruzar as pernas abaixo de mim.

— Não.

— Okay... – assinto curiosamente. — E de quem você é filho?

— De um cretino nojento que estragou a minha vida e de minha mãe!

— Steve! – exclamo chocada. — Como assim? Você conhece o seu pai de verdade?

— Não o chame assim! – ruge e eu me encolho. — Esse verme não é o meu pai! Os únicos pais que tive foram o pai de Joseph e Joseph.

— Okay! – levanto as mãos e suspiro. — Tudo bem. Desculpa. Eu só estava...

— Natasha, esse merda era um bêbado vagabundo que batia em minha mãe e em mim. Éramos surrados com cinto e chinelo, isso quando não recebíamos tapas, socos, choques e queimaduras de cigarros! E isso acontecia nos dias bons. Acho que não preciso te dizer o que nos esperava nos dias ruins.

— Steve! – eu me lanço em seu colo e o aperto contra mim.

Steve ainda está tenso em meus braços, pois não retribui o meu toque nem relaxa com meu carinho. Com uma fome voraz por protegê-lo e amá-lo, acaricio seus ombros e a beijo sua cabeça. Preciso que volte para mim. Preciso que fique aqui comigo tanto de corpo quanto de mente.

— Nat... – finalmente, ele suspira e me abraça de volta.

— Está tudo bem! Eu estou aqui!

— Eu preciso de você.

— Eu sei. – beijo sua têmpora novamente. — Eu sei, eu sei. E eu estou aqui. Eu sinto muito. Sinto muito mesmo! Por tudo que tenha acontecido a você, meu príncipe, eu lamento!

— Tudo bem. – Steve acaricia minhas costas e beija meu pescoço. — Não chore. Não quero que sofra e sinta pena de mim.

— Não é pena! – eu me afasto o suficiente para que possa encarar seus olhos amedrontados. — É compaixão. Eu... eu não consigo suportar a ideia de que alguém tenha te machucado. Principalmente alguém que deveria amar e proteger você.

— É, eu sei. – Steve suspira e limpa as minhas lágrimas. — Está pronta para continuar ouvindo?

— Só se você estiver para continuar contando.

— Isso não me afeta mais. – ergue os ombros. — Já me fez muito mal, mas agora é apenas... uma má experiência para mim. Apenas mais uma lembrança ruim.

— Okay. – assinto não concordando nem contradizendo. — Pode continuar. Se estiver pronto.

— Certo. Ahn... bom, minha mãe sempre foi pobre. – inicia quando eu volto a me sentar no sofá. — Mal tinha tempo de estudar porque ajudava muito em casa. E acabou ficando órfã quando finalmente se formou no colegial.

— Oh, meu Deus! – levo a mão à boca. Pobre Sarah! — Eu não tinha ideia! O que aconteceu?

— Seu pai teve um ataque cardíaco. E minha avó ficou doente logo depois que minha mãe nasceu. Ela faleceu meses depois.

— Eu sinto muito.

— Eu também, porque juntou tudo de uma vez e só piorou a decisão dela.

— Decisão dela? Como assim?

— Ela e o verme se conheceram no último ano do colégio. Ele fez a cabeça dela, Natasha! Ela era jovem, ingênua e se apaixonou. E ele se aproveitou disso e de sua carência e fez com que acreditasse que havia encontrado seu príncipe encantado! Minha mãe desistiu da faculdade, de uma vida inteira, por ele!

— Ela o amava, Steve. – murmuro. — Não pode culpá-la por isso.

— Posso! – exclama revoltado. — Por causa dela, coisas terríveis aconteceram comigo! Foi ela que resolveu mudar de ideia, foi ela que...

— Steve! – seguro seu rosto. — Não vá por esse caminho. – ele respira fundo com minha sinalização.

— Bom, depois que minha mãe resolveu seguir seu coração, por assim dizer, ela foi morar com o verme.

— E então?

Steve faz uma pausa e suspira mais uma vez.

— E então eu nasci. – ele solta um riso rasgado em dor e amargura. — E, desde que me dou por gente, Natasha, aquele homem nunca me transmitiu um gesto sequer de carinho! – revela. — Nunca ouvi um "eu te amo" dele. Nunca!

— Eu sinto muito.

— Era minha mãe quem levava dinheiro para casa, pagava as contas e comprava comida. – narra e agora noto que sua respiração vacila. — Ela conheceu Joseph quando conseguiu emprego como empregada numa mansão.

— Joseph? – franzo as sobrancelhas.

— Sim. Ele estava trabalhando num escritório de advocacia com seu sócio e precisou fazer uma viagem até onde nós morávamos.

— E?

— E foi nesta casa que mamãe acabou conhecendo a filha do dono, seu chefe e sócio de Joseph. – conta. — E foi lá que tudo começou.

— “Que tudo começou”? Como assim, Steve?

— Essa filha. Essa mulher que mamãe conheceu. – Steve faz uma pausa e suspira. — Ela era linda, Natasha, assim como você! – ele me olha rapidamente de cima a baixo. — Cabelos vermelhos como fogo e olhos verdes cristalinos como um rio. – sua descrição poética me faz arquejar. — E ela me enfeitiçou.

— Enfei... mas... o quê? – arregalo os olhos sem crer. — Steve... mas... o que houve?

— Nós nos conhecemos quando eu fui limpar a piscina da mansão a pedido de mamãe. – relata. — Eu me lembro como se fosse ontem.

— Qual era o nome dela?

— Blanche. – responde. — Blanche Ozanan. – Steve solta um suspiro trêmulo e busca desesperadamente por minhas mãos.

— E foi ela que te levou para esse mundo?

— Sim. – Steve ergue os olhos e me encara. — Eu me lembro de chegar para limpar a piscina e me deparar com ela pegando sol. Notei que Blanche me olhou da cabeça aos pés. – ele solta um riso irônico. — E eu nem sei por que cargas d’água reparou em mim, Natasha! Eu era magro, fraco, asmático e vivia com marcas roxas pelo corpo, mas ela viu algo em mim que... que pareceu chamar sua atenção.

— Como assim?

— Enquanto eu limpava a piscina, ela ficou o tempo todo me encarando. No final foi até mim e me pediu que voltasse no dia seguinte, que ela teria um novo trabalho para mim. – descreve. — Sem saber o que fazer, mas ansioso, disse para mamãe deixar que eu fosse trabalhar com ela, assim teríamos mais dinheiro.

— Ela estranhou?

— Não. – Steve balança a cabeça. — Ficou preocupada com os meus estudos, mas eu prometi que conciliaria as duas coisas. Claro que também ficou aliviada por me manter longe do verme.

— E então?

— Então eu voltei no dia seguinte e Blanche me pediu para aparar a grama do quintal. – conta. — E exigiu que eu ficasse sem camisa, mas suavizou e disse que era por causa do calor. – Steve sorri rapidamente. — Eu era tão idiota! Eu mendigava por qualquer grama de atenção que ela pudesse me dar!

— O que aconteceu?

— Ela pareceu... gostar. – Steve franze o cenho. — Acho que me ver tão frágil e focado a excitou. Ela notou que eu tentava impressioná-la.

— Steve...

— Eu podia ser um moleque, mas não tive tempo para inocência. Já tinha sacado a dela. – ele faz uma pausa e suspira. — Preparada para ouvir? – eu assinto. — Depois que me recuperei, ela me beijou.

— Alguém viu?

— Não. Mas, depois do beijo, ela me afastou e deu um tapa no meu rosto.

— Quê? Mas por quê? Que cretina!

— Ela era dominadora, Natasha. E adorou aquilo! E... não sei... por algum motivo, apanhar dela também me excitou. Passei a ir lá todos os dias e cada vez era um serviço diferente.

— Até que...?

— Até que começamos a trepar. – Steve se arrepende ao me ver franzir o nariz. — Desculpa.

— Tudo bem. Por mais que tente, não tem como adoçar essa pílula para mim. – resmungo. — Ela... ela tinha um... um quarto da tortura também?

— Também. – Steve ri. — Mas não na casa do pai, ela tinha um apartamento na cidade.

— Como foi a primeira... ér... vez? – questiono nervosamente. — Você estranhou?

— Ela me pegou de surpresa. Minha mãe estava doente e não pôde trabalhar. Fui no lugar dela.

— E aí?

— Ela estava me esperando em seu quarto. Nua.

— Nua? – meus olhos se arregalam. — Quantos anos ela tinha, Steve?

— Trinta.

— Steve! – exclamo boquiaberta. — Ela abusou de você! Foi estupro!

— Natasha...

— Estupro de vulnerável, Steve! Isso dá cadeia!

— Não fui abusado! Eu queria, Natasha. Eu estava disposto àquilo na época.

— Você era uma criança! – rebato assustada. — Você só tinha treze anos e essa mulher abusou de você! E se fosse uma situação diferente? E se fosse um homem com uma garota? Steve, o gênero não importa, foi abuso. Foi estupro indevido!

— Foi errado, mas não foi estupro! – ele discute comigo.

Internamente, noto que Steve ainda é uma casca. Assim como uma grande parte de vítimas sexuais, ele não consegue admitir que sofreu abuso. Mais do que isso: ele não está pronto para entender que de fato sofreu um abuso sexual.

Não adianta eu debater com ele e lhe mostrar os sinais. É preciso que ele perceba e que ele se permita perceber. Forçá-lo a isso só irá machucá-lo e traumatizá-lo ainda mais. O que devo fazer é ter paciência e apontar aos poucos, nada direcionado a ele, apenas a terceiros até que Steve junte as peças.

Condicioná-lo a essa percepção será estuprá-lo mais uma vez. Será moldá-lo a mais um trauma invasivo e violento do qual ele pode acabar não conseguindo se recuperar, senão tão cedo, nunca mais.

— Como foi quando você a encontrou? – decido que o melhor é que ele continue confiando em mim para desabafar sobre tudo.

— Levei um susto quando a vi.

— Por quê? Não esperava?

— Não! Não aquilo!

Aquilo o quê?

— Blanche estava com uma gravata verde escuro ao redor dos pulsos.

Ela estava amarrada? – franzo o cenho. — Mas não era ela a dominadora?

— Ela queria me ensinar. Queria me moldar ao mundo dela.

— E o que você fez? – pergunto com medo da resposta.

— Fiquei petrificado a princípio, mas depois...

— Depois...? – fecho os olhos e balanço a cabeça. — Deixa. Não precisa me dizer.

— Natasha. – Steve toca o meu ombro.

— Eu já entendi. Pode pular essa parte? Por favor?

— Okay. Bom, nos primeiros meses, exceto por esse primeiro dia, Blanche me amarrava e abusava de mim o quanto quisesse. – Steve nota que eu pisco e mais lágrimas saem, portanto trata de me acalmar. — Calma. Não era tão ruim assim. Na verdade, é como se, pela primeira vez, alguém estivesse realmente cuidando de mim.

— E o que sua mãe diz sobre isso? – pergunto em meio ao choro.

— Sobre o quê?

— Sobre isso, oras! – exclamo. — Sobre vocês!

— Sobre nós? – Steve sobe as sobrancelhas. — Ela não sabe, Natasha! – ele passa as mãos pelo meu rosto.

— Não?

— Claro que não! – afirma com o cenho franzido. — Ficou doida? Nunca contei a ela!

— O quê?

— Ela não pode saber, Natasha. Jamais me perdoaria!

— Steve, essa mulher seduziu você! A sua mãe não te culparia por isso.

— Não posso arriscar, Natasha. Será um baque tremendo para ela.

— Arriscar? Mas arriscar o quê?

— Natasha...

— Eu entendo que queira manter em segredo, que possa ter vergonha em revelar, mas sua mãe não culparia você. – comento ainda perturbada.

— Não posso fazer isso. – Steve está relutante e eu sinto que começa a se fechar, portanto decido mudar de tática.

— Tudo bem. Vou respeitar sua decisão. – seguro sua mão. — Pode continuar.

— Okay! Bom, depois de aproximadamente um ano, Blanche inverteu os papeis. – franzo o cenho. — Ela me deixou controlar, entende? Passou a me fazer Dominador. Não sei explicar. Eu apenas gostei de estar no controle. Eu me senti salvo e seguro. Fiquei poderoso. Comecei a me sentir mais forte e passei a me defender do meu pai. E também não deixava que batesse mais em minha mãe.

— O que fazia para impedir?

— Juntava todas as minhas forças e ia para cima dele. Apanhei nas primeiras vezes, que foram muitas. Eu ainda era fraco comparado a ele e sofria com a asma, mas fui melhorando. Depois de um tempo, ele parou.

— De agredir vocês?

— Sim.

— E por quê? Acha que... acha que Blanche teve algo a ver com isso?

— Não sei. – Steve suspira. — Antes de tudo explodir, eu descobri que ela estava trepando com ele também. – revela a contragosto.

— Antes... antes de tudo explodir? – enrugo a testa. — Como assim?

— Bom... – Steve umedece os lábios com a língua e fica tenso. — O verme não sabia sobre nós. Nem eu sabia sobre eles. Ele... ele nos pegou uma noite. Blanche estava me chu... ér... ahn... você sabe. – ele mexe a cabeça e eu assinto.

— Como ele pegou vocês?

— Ele estava há uma semana sem voltar para casa. – Steve conta. — Ele sempre fazia isso, então minha mãe e eu nem nos preocupávamos. Pelo contrário! Nós nos sentíamos seguros. Enfim, minha mãe estava no trabalho e a casa estava vazia, então eu dei a ideia de que Blanche fosse até lá. – Steve ri de forma irônica. — Eu fui um puta de um estúpido!

— Steve...

— O verme chegou e viu tudo, Natasha. – revela. — Ele bateu em Blanche. E muito!

— E em você?

— Ele estava armado, Natasha. – arregalo os olhos. — Achou que eu fosse tentar alguma coisa contra ele quando eu estava apenas tentando chegar à janela e atirou em mim!

— Quê?! Mas... onde?

— Foi de raspão, porque eu consegui me esquivar a tempo quando vi a arma.

Onde foi o tiro, Steve?

— Nas costas!

— Nas costas? É por isso...

— É! É a cicatriz mais grossa que tenho, a que fica no meio. – explica. — E sim, é por isso que sinto tanta dor quando me tocam ali!

— Steve...

— Todas as memórias repletas de tristeza e amarguram voltam. É como se eu estivesse apanhando, sendo queimado, arranhado e, principalmente, recebendo um tiro do meu próprio pai, Natasha! Tudo de novo! – revela. — Entende agora por que dói tanto ser tocado lá? É a pior tortura de todas que já sofri, porque é uma dor que vem de dentro. E uma dor da qual eu não consigo me curar!

Notas finais
Então, como vocês puderam ver, o Steve, assim como o Christian, foi molestado quando criança por uma adulta. Então, eu vejo muitas séries americanas policiais, e nestas, o ato sexual de um adulto com um menor de 17 anos é chamado de "estupro de vulnerável". Por isso que coloquei este aviso na fanfic. E não, não estou fazendo apologia ALGUMA à pedofilia, gente. Por favor! Assim como no livro, o Christian teve relações sexuais com uma mulher adulta quando tinha 15 anos. Aqui, o Steve tinha de 13 pra 14. E há muitos outros livros, tanto americanos quanto brasileiros e de outras nacionalidades, em que os meninos são menores do que Steve e Christian. Eu já li um que o garoto tinha 11, e foi o próprio pai que contratou prostitutas pra fazerem do filho um "homem". Pois é! Fiquei enojada e parei de ler nessa parte. Então, peço que entendam que o intuito aqui não foi aplaudir a pedofilia, okay? É claro que sou contra, e a reação da Nat foi descrita como minha: choque, nojo e desprezo por essa mulher que abusou do Steve. Não importa se ele "consentiu", como ele mesmo alegou. Steve, assim como Christian e muitos outros garotos que passam por isso, era um menor. Aqui é ficção, mas sabemos que o que aconteceu com esses personagens acontece com garotos e garotas reais, e em situações muito piores e mais traumatizantes. No caso do Steve, ele tinha treze anos! Fico tão revoltada quanto vocês, e sim, fui eu quem escrevi, mas a escrita não deve ser apenas voltada pra coisas boas e inspiradoras, e sim também voltada pra críticas, pra coisas que acontecem no real, e isso tipo de coisa acontece e não deve ser deixada de lado. É preciso ser debatida. Não sei se a minha crítica aqui causará impacto a ponto de ser debatida, mas gosto de ler e escrever sobre o REAL, sobre o que realmente acontece. Contos de fadas não existem, e eu não me vejo escrevendo sobre isso, mas quem sabe um dia, né? Entretanto, por enquanto, está nos meus planos escrever sobre problemas REAIS, como abusos, relacionamentos tóxicos, críticas/denúncias sociais. Porque é isso que vivemos no dia a dia e é com isso que devemos nos preocupar. O príncipe encantado dificilmente chega num cavalo branco à nossa espera. Então temos que ter os pés no chão. Sim, minha fanfic tem romance, não estou dizendo que uma história deve ser crua do início ao fim, mas também deve ser uma mistura de coisas ruins e boas, pois, como se diz no ditado, não há mal que sempre dure e bem que nunca se acabe. Então, era isso que gostaria de explicar a vocês a respeito do aviso. Espero que tenham entendido o meu ponto de vista e a minha denúncia social. No capítulo anterior, lancei um comunicado nas notas finais dizendo que havia criado uma enquete no twitter a respeito do par romântico de Clint pra essa fanfic. Vocês votaram e a maioria ganhou: o par dele será a Laura. Ah! Mais uma coisinha: estou trabalhando nos capítulos futuros de NSIWE. Por enquanto, somente o 2 está pronto, e eu tomei a decisão de excluir a fanfic aqui no Nyah! e trabalhar com ela somente no Spirit (em português) e no Wattpad (em inglês), mas eu aviso a vocês novamente quando for atualizá-la. Enfim, obrigada por lerem até aqui. O capítulo 19 não deve demorar a ser postado, porque o pedido de banner já foi feito e já entrou pra lista de espera do cronograma do blog, então deve ser entregue em poucas semanas ^^ Por favor, acompanhem, favoritem, recomendem e comentem! Beijocas e feliz 2019, mais uma vez! COMUNICADO DO DIA 10/01/19 A partir de HOJE, esta fanfic passará a ser postada PARALELAMENTE no Social Spirit. Aqui o link: https://www.spiritfanfiction.com/historia/haunted-10791134