Hate Everything About You
12 Fantasmas - Parte II - Dependência.
Faeremma entrou no quarto de estalagem, fechando a porta atrás de si — aquele morcego... o símbolo daquele morcego... como era possível? Ela só escapara porque Chessiira a encontrara em meio aos escombros e a salvara... e após isso contara tudo o que sabia. Foi um choque para a ex-clériga de Lolth ver o familiar da irmã, que supostamente havia morrido. Estava assustada, e não sabia exatamente o que fazer. Se sentou, tentando organizar os fatos em sua mente — a um dia atrás, mal conseguia reunir magia o bastante para curar um joelho ralado, mas graças à ajuda de Chessiira, conseguira aprender coisas novas, e agora poderia se defender... mas... se sua irmã houvesse recuperado para si o favor de Lolth, então seria imprudente pensar que poderia enfrentá-la. Se encolheu, tentando se comunicar com Chessiira por meio de magia.
~*~
Quarfein chegou na estalagem e puxou Amaess para o quarto, trancando a porta atrás de si. O elfo ainda estava assustado com o que havia acabado de presenciar e ouvir.
"Que irônico..." Pensou o drow, sentando-se na cama. "Agora eu também não tenho mais para onde ir... e Faeremma... o que havia de errado com ela? Ela parecia tão diferente, e parecia com medo de algo... isso é assustador... ela nunca se assustou com nada..." Analisou Quarfein, observando Amaess. "E ela notou. Notou que... eu sinto algo estranho em relação a Amaess... algo que eu não sei o que é... então por que? Por que ela simplesmente nos deixou ir?" Pensou, se aproximando do elfo. O garoto apenas se sentou perto da cama, se encolhendo de medo ao imaginar o que Quarfein iria fazer. Aquilo provocou certo desconforto no drow.
- Não dessa vez. - Falou Quarfein. Porém Amaess apenas desviou o olhar.
- O que vai fazer, então? - Perguntou o garoto, sem esconder a tristeza no tom de sua voz. O drow se voltou para o mesmo, notando o olhar abatido do jovem. Se aproximou, e um par de lágrimas escorreu pelo rosto de Amaess.
- O que há de errado com você? Eu sequer lhe toquei. - Disse, incomodado. O elfo apenas desviou o olhar, cruzando os braços sobre o corpo e se encolhendo ainda mais. "Por que? Por que eu me importo? Eu já não perdi o bastante por me importar? Se eu não me importasse... se eu não me importasse eu teria para onde ir..." Pensou Quarfein, se abaixando ao lado do garoto e tocando-lhe o queixo. Amaess desviou o rosto, fechando os olhos. - É por causa de ontem, não é?
Silêncio.
- Não apenas ontem... - Disse Amaess, em um tom de voz quase inaudível. - Mas... não há porque se importar... afinal, para você eu sou apenas um brinquedo...
Quarfein sentiu um nó em sua garganta. O que dizer? Se dissesse que não, estaria admitindo o que tanto queria negar, e se dissesse que sim... se dissesse que sim, sentir-se-ia ainda mais desconfortável, e talvez não fosse capaz de se perdoar.
- Você é meu, Amaess. Eu tenho o direito de saber. - Falou, tentando soar firme. Silêncio.
- E que diferença faria? Mudaria alguma coisa? - Perguntou o garoto, com a voz carregada de angústia, ao que seus olhos se mantinham úmidos.
- E por que precisaria mudar alguma coisa para eu saber? - Respondeu Quarfein, nervoso. Sentia-se como se Amaess tivesse tirado o dia para testar sua paciência com toda aquela pressão emocional.
- Então por que quer saber? - Perguntou o elfo, em um tom de voz abatido. O outro se levantou, indo até o armário e pegando a coleira e a algema que já haviam sido anteriormente usadas.
- E por que você sempre prefere as coisas do jeito difícil? — Indagou Quarfein. O garoto se levantou, mas o drow o empurrou contra a cama, fechando uma das algemas em torno do punho do mesmo. - Será que não aprende nunca?! — Amaess desviou o olhar — nada do que dissesse ou fizesse mudaria algo — era o que parecia ser. Era o que talvez fosse.
- Ao menos não pergunte o que há de errado comigo depois... - Murmurou, fechando os olhos. Quarfein se deteve, deixando a coleira cair no chão. "A culpa... é realmente minha?" Pensou.
- Então esse é o problema? - Falou, se debruçando sobre o garoto, enquanto pensava em algo para servir como desculpa, não para Amaess, mas sim para sua consciência -que insistia em tentar questionar tudo aquilo no qual havia sido ensinado a crer.
- Não é óbvio? - Perguntou o garoto, ainda com medo de abrir os olhos. A essa altura, Quarfein já havia conseguido imaginar uma reposta — mais para sua consciência do que para Amaess.
- Não. Você disse que se submeteria à minha vontade se eu poupasse a vida de sua irmã. - Falou o drow, erguendo a blusa do garoto e expondo o tronco de pele alva e macia. - Bem, ela não só está viva, como está com aquela humana que você tanto ama. Eu cumpri minha parte, e fiz até mais do que ela. Você poderia no mínimo cumprir a sua sem choramingar, não acha?
Silêncio. Amaess entreabriu os olhos, se perguntando como o outro podia dizer algo tão cruel de forma tão fria, e então seus olhos acidentalmente focalizaram as orbes vermelhas de Quarfein. Olhos cor de sangue, atormentados pela incerteza de suas convicções.
- Então você poderia pelo menos não fingir que se importa. - Disse o garoto, entre lágrimas. - Poderia ao menos ser sincero, não acha?
Silêncio. Quarfein se deteve, observando a expressão de tristeza no rosto do elfo. Por que ver tanta dor naqueles olhos azuis o feria daquela forma? Não sabia dizer.
~*~
Faeremma se deteve diante da pousada. Após um bom tempo de contato com Chessiira, ela lhe revelara o porque de sua casa ter perdido o favor de Lolth. Faeremma não se surpreendera com a resposta — havia visto Amaess quando esbarrara com o irmão na taberna, e imaginava que havia algo diferente entre os dois.
"Algo que por minha culpa ele se nega a admitir que sente..." Pensou a garota, se detendo em frente a estalagem. "Mas o que eu poderia fazer? Como eu poderia saber que estava sendo uma pessoa tão terrível... se eu havia ensinada de que aquilo era o certo a se fazer? E... mesmo que eu me culpe... ou culpe a qualquer outra pessoa... nada disso vai concertar as atrocidades que meu irmão fez... ou as mortes que eu causei... nada do que eu fizer vai consertar o passado ou devolver a vida das pessoas inocentes que eu matei... mas ainda assim... há algo que eu posso fazer pelo futuro... e eu vou fazer esse algo." Disse para si mesma, entrando na estalagem. Notou os milhares de olhares sobre si, mas não se importou. Foi direto até a garota de quem Chessiira lhe falara em seu pensamento, surpreendendo-a.
- Nádia? - Disse, fazendo a garota se voltar para ela. Um ar de revolta se fez presente, fazendo surgir uma tensão que a drow associou a toda uma reputação que sua raça tinha entre os povos da superfície — reputação contra a qual era difícil contra-argumentar.
- Quem é você e o que quer? Eu já - A humana se viu interrompida.
- Eu quero falar com você... a respeito do meu irmão... - Disse Faeremma, mantendo o tom de voz calmo. - Acho que você o conhece... e pelo que sei... tem todos os motivos para odiar ele... mas por favor, me escute...
- Seu irmão... é a pessoa que está no quarto 25? - Indagou Nádia, com uma expressão de raiva. Faeremma apenas confirmou com um menear de cabeça, sem corresponder a fúria por trás do olhar da garota. - E o que você tem a dizer pode ajudar o garoto que ele está arrastando de um lado para o outro?
- É um dos meus objetivos... - Falou a drow, estendendo as mãos para a garota. - Meu nome é Faeremma. Pelo que eu sei, seu nome é Nádia, certo?
~*~
Quarfein hesitou quanto ao que estava fazendo, mas ainda assim, começou a desabotoar as calças de Amaess. O elfo estremeceu, desviando o olhar.
- N-não... Quarfein — O elfo se viu interrompido.
- Nada disso estaria acontecendo se você aceitasse logo o fato de que, não importa o que você faça, nada irá mudar o fato de que você me pertence. — Falou o drow, deixando suas mãos subirem pelas coxas do garoto. Uma delas parou perto da virilha do mesmo, deslizando pelo órgão de Amaess, ao que a outra subiu pelo tronco, e as pontas de seu dedo repousaram sobre um dos mamilos do garoto, fazendo pequenos círculos. - Se não pretendia aceitar esse fato, deveria ter pensado nas conseqüências do que disse aquele dia.
Amaess mordeu os lábios, ao que a língua do drow deslizou por um de seus mamilos, enquanto os dedos de uma das mãos do mesmo deslizavam pelo outro.
- Por que está abafando sua voz? Não foi você quem disse que eu poderia ao menos ser sincero? — Disse Quarfein, mordendo o pescoço do o elfo. Amaess se esforçou para não gemer. - Poderia ao menos dar o exemplo, não acha?
Silêncio. Ao não obter uma resposta, Quarfein deixou a mão que estava repousando na virilha do garoto deslizar para a entrada do mesmo, forçando três de seus dedos em seu interior. Os olhos do jovem se arregalaram.
- N'uma! I-iqista... n'uma... — Disse o garoto, ao que Quarfein havia terminado de inserir os dedos em seu interior, e então começado a movê-los sem dar tempo para o garoto se adaptar. O elfo cerrou os punhos, tentando escapar da dor. - A-awra...
Quarfeiin deu um sorriso maldoso, visto que "Awra" significava "Dói" em élfico.
- É claro que dói. Eu estou te machucando de propósito. - Disse o drow, arranhando o interior do garoto, propositalmente abrindo ferimentos deixados pela noite anterior. Amaess tentou abafar a voz mordendo os lábios, e foi reprimido pela inserção de mais um dedo. — Quanto mais você abafar sua voz, mas eu irei lhe ferir. Portanto, vai ser melhor para nós dois se você for honesto consigo mesmo, não acha?
Um par de lágrimas escorreu dos olhos do garoto, que se sentia obrigado a escolher entre dor e humilhação. Ainda assim, sabia que Quarfein não o deixaria escapar da segunda opção — sabia que o outro iria empurrá-lo até a beira do precipício, e o empurraria caso se recusasse a pular. Fechou os olhos, parando de morder os lábios e apertar os punhos — de que adiantaria resistir, quando isso apenas lhe traria mais dor?
Quarfein deixou a mão livre puxar os cabelos do elfo para trás, mordendo-lhe o pescoço e deixando a língua deslizar pela região. Um gemido ambíguo deixou os lábios do garoto, ao que Quarfein deixou seus caninos — afiados, se comparados com os de um humano, mas nada extraordinário se comparados com os de um vampiro — deslizarem pela região.
Por mais que quisesse abafar sua voz, Amaess nada fez para conter o gemido que deixou seus lábios. A despeito de tudo que queria e sentia, seu corpo era tomado por uma sensação de calor, que se chocava com os interesses de seu coração e de sua mente. Ainda assim, não havia nada que pudesse fazer.
Quarfein continuou mordendo seu pescoço, descendo para seu ombro. Deuses, seria tão bom se fosse qualquer outra pessoa que estivesse fazendo aquilo! Por que tinha que ser justo com aquele drow, que tanto temia e odiava? Por que não Nádia ou Erdan? Ou qualquer outra pessoa? E por que o outro fazia tanta questão de ouvir os humilhantes gemidos que deixavam seus lábios? Já não bastava a humilhação de estar entregue a sua vontade? De não poder lhe dizer não? Aquilo já não era o bastante?
O elfo fechou seus olhos, ao que as mordidas de Quarfein continuaram descendo, até chegarem em seu peito. Um gemido um pouco mais alto deixou os lábios de Amaess quando os dentes do drow pressionaram um de seus mamilos, ao que a mão livre do mesmo deslizava pelo outro.Um sorriso obscuro se fez presente nos lábios de Quarfein.
- Você parece ter uma sensibilidade realmente grande nessa área... — Falou, erguendo o rosto. Podia ver a vermelhidão no rosto do elfo, que ofegava, tentando não pensar na dissonância entre o que sentia emocionalmente e o que sentia fisicamente. Quarfein aproximou seus lábios do rosto do garoto, sussurrando em seus ouvidos. - Você quer isso. Admita.
- Não... - Murmurou Amaess, sentindo-se confuso e encurralado. Estava perdido, e mesmo que não estivesse, sentia-se como se não tivesse como fugir.
- Tem certeza? — Disse o drow, deixando sua mão livre deslizar pela parte mais íntima do garoto. Amaess desviou o rosto, ainda mais constrangido devido ao gemido de prazer que, contra a sua vontade, deixara seus lábios. Só percebeu seu erro quando Quarfein voltou atacar seu pescoço, beijando-o e mordendo-o. Sentia-se como se sua sanidade fosse deixar seu corpo caso o drow não parasse. — Tente me dizer para parar. Sem gemer, nem ofegar. - Sussurrou Quarfein, fazendo o garoto respirar fundo, a fim de tentar assumir algum controle sobre as sensações que assaltavam sua mente.
- Pa... huh... — As mãos de Quarfein habilmente deslizaram sobre o peito do elfo, subindo para o ombro e puxando os fios dourados do mesmo para trás. - Pa...ahh... — Outra mordida no pescoço. Amaess tinha certeza que a região iria ficar marcada por um bom tempo.
- O que há de errado? Você não odeia tanto isso? — Disse o drow, lambendo uma das lágrimas que escorriam pelo rosto do garoto.
- Pare...- Suplicou Amaess, finalmente sem ser traído pela própria voz. - Por favor...
Quarfein se afastou, sem proferir uma palavra.
"Você pode ter feito com que eu me tornasse dependente de você Amaess... assim como um alcoólatra depende de sua bebida e um clérigo depende de sua divindade... cada dependente com seu vício..." Pensou, olhando de forma oblíqua para o garoto antes de sair do quarto. "Mas não pense... que eu deixarei que você não se torne igualmente dependente de mim...".
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