Hate At First Sight

11 Vizinho gostoso?


Notas iniciais
Desculpem a demora! Eu estou com sérios problemas com a escola, mas vou tentar postar com mais frequência, juro juradinho. Boa leitura!

Barulhos e mais barulhos ecoavam da sala até o quarto. Pareciam gritos que eram abafados pela porta e chegavam através dela como sussurros em meus ouvidos.

Sussurros bem altos para o meu gosto... Eu preciso dormir, caramba! Como vou crescer e ser jogadora de Basquete assim? Com 1,62 de altura só vou ser aceita para o time dos anões da zona leste.

Levantei da cama um pouco tonta. O travesseiro babado mostrava que eu não tive um sono pesado, mas sim que morri e ressuscitei com berros. Acho que é uma boa técnica para ser usada em cemitérios.

Caminhei lentamente até a janela e a abri com um pouco de dificuldade. Talvez fazer academia e tomar Calcitran B12 não faça mal á ninguém. Confesso que fiquei um pouco frustrada quando os raios de sol não entraram pelo quarto como eu previa, ao em vez disso uma brisa fria entrou me fazendo estremecer.

Era tudo tão estranho! Prédios se arrastavam em todos os lugares, alguns pichados e com a pintura descascando, mas todos tinham uma cor meio desbotada fazendo a paisagem ser completamente cinza, com exceção de raras árvores que sobreviviam na calçada.

Como tudo isso era diferente da minha casa. Ela era Enorme, cheia de empregados e decorações feitas por um arquiteto francês. Tinha um jardim bem cuidado e casas vizinhas luxuosas, como a minha. Agora, aquela casa sem mim não é mais nada. Talvez eu seja um pouco dramática e tenha o ego muito grande, mas só talvez.

Cocei preguiçosamente os olhos com esperança de acordar de um pesadelo, mas parece que nada mudou. A cama de Austin continuava bagunçada e cheirando perfume amadeirado, não esquecendo o travesseiro babado. Como eu queria uma fada madrinha que me concedesse três desejos como nos contos de fadas.

Meu primeiro desejo seria voltar para casa, óbvio. O segundo seria colocar Troy Austin no exército da Coreia do Norte e por último, mas não menos importante, eu pediria para a fada madrinha me dar a temporada inteira de The Big Bang Theory com direito ao autógrafo do Sheldon.

Mas aí a empolgação desapareceu e eu caí na real. Eu não teria três desejos, por que não existe fada madrinha, nem ao menos fada madrasta para quebrar o galho. É, Amanda, acho que você vai sofrer muito ainda, mas é só por um ano. Você é forte! Pelo menos seria se fizesse um pouco mais do que nada de exercício físico.

– Seu filho da puta! – Ouvi uma voz feminina gritando. Parecia que ela tinha acabado de descobrir que Papai Noel trouxe carvão em vez da casinha da Barbie. Que pena!

Curiosa como sou, corri até a porta imaginando quem seria a mulher que estava gritando. Se ela estava falando mal do Austin eu daria todo apoio pra ela. Nós poderíamos até ser amigas e planejar algo pra mandar ele para a Coreia do Norte.

Abri uma pequena fresta na porta para ver o que estava acontecendo, mas as falas cessaram completamente. Droga! Como eu sou idiota, devia ter achado um copo e ter ficado ouvindo a conversa pela porta como nos filmes que mamãe assiste às vezes, mas não, eles tinham que me perceber.

– Amanda? – Por que aquela voz era tão conhecida pra mim?

Empurrei a porta envergonhada e encarei as duas criaturas que estavam de pé há um metro na minha frente. Austin estava encostado na parede com uma cara extremamente sarcástica enquanto uma loira alta me olhava incrédula. O que? Tem alguma coisa na minha bochecha?

– Um mês depois do fim e você já tem uma vagabunda na sua cama?! – Ela berrou olhando para Troy com os pulsos cerrados.

Quem era vagabunda? Eu? Não era eu que estava usando um vestido tão curto e colado que se eu respirasse um pouquinho a mais ele subia e virava uma camiseta. Fora aquele batom vermelho quase roxo que parecia que tinha levado um soco no meio da boca. Bom, se ela não tinha apanhado, ela ia ver o sol nascer verde se ela me chamasse de vagabunda de novo.

Talvez eu estivesse um pouco furiosa. Quem aquela estranha pensava que era? A rainha do batom vermelho quase roxo por acaso?

– Vanessa, é melhor você sair!

– Não! Eu acabei de chegar! E você nem me apresentou para a sua nova amiguinha. Eu posso chamar vocês de BFFS? – A tal Vanessa perguntou com um sorriso falso.

– Eu acho que precisamos de apresentações. – Eu disse jorrando veneno. – Meu nome é Amanda e o seu é vadia. Ops! Vanessa, eu quis dizer.

– Olha aqui queridinha... – Ela começou a gesticular procurando barraco, mas eu não ia cair nesse nível.

– Queridinha é o cassete! Para de balançar as mãos, eu sei que você tem que treinar para rodar bolsinha, mas essa não é a hora.

Austin deu uma longa gargalhada enquanto segurava os ombros de Vanessa e conduzia-a até a porta.

– Foi ótimo nosso passeio! Acho que deveríamos marcar de nos encontrar uma próxima vez. – Vanessa falou com uma voz meiga e irônica ao mesmo tempo.

– É verdade! Foi muita coincidência, coisa do destino, eu estar caminhando em uma rua deserta ás sete da manha e você me perseguir, digo, encontrar. – Ele disse sarcástico abrindo a porta.

– Não foi exatamente isso que aconteceu... – Ela disse, mas Austin já tinha batido a porta na frente dela.

– Dormiu bem? — Austin perguntou com um sorrisinho cafajeste me olhando de esguelha.

– Dormi. Você quer me explicar alguma coisa? – Arqueei as sobrancelhas com descrença.

– Na verdade não. — Ele deu de ombros, vindo em minha direção. – Quero dizer, sim. Mas não é nada em relação á essa maluca.

– Maluca? Ela é uma prostituta!

– Ela não é uma prostituta, mas as roupas dela são bem provocantes. – Austin disse passando a língua ao redor dos lábios lentamente. Isso nem é o pior! O pior é que ele estava me encarando muito de perto. Acho que ele não tinha se acostumado com a regra de não chegar muito perto de mim.

– Idiota! – Eu disse batendo no braço dele.

– Então, as suas coisas chegaram. – Ele se recompôs com um leve sorriso no rosto. — Os caras estão levando tudo para o seu apartamento. E a sua mãe enviou uma carta pra você. – Ele disse me entregando um envelope branco.

Eu sentei no sofá sem perceber que Austin estava ao meu lado vendo a carta curiosamente em minhas mãos. E sem perceber também que aquele inútil não respeita o limite de espaço.

Abri a carta morrendo de curiosidade. Nunca tinha recebido uma carta da minha mãe antes. Talvez seja por que eu nunca tinha saído muito de casa antes e não fazia muito sentido ela me mandar cartas se ela podia falar comigo.

Querida filhinha.

Eu sei o que você está pensando. Que odeia quando as pessoas te chamam de querida, mas eu não sei se escrever faz o mesmo efeito de raiva em você. É bom tentar!

Eu sinceramente não gosto de escrever cartas, mas seu pai achou que seria muito fofo da minha parte tentar escrever uma para você. Como toda mãe normal mostra sua preocupação quando sua filha está se tornando um pouco independente.

Bom, como está aí? Nova York é uma cidade linda, no começo você vai estranhar, mas depois que acostumar não vai querer mais sair daí.

Eu estou enviando todos os móveis, não esquecendo a sua cama de casal e dois travesseiros. Eu sei que você é muito espaçosa e que baba enquanto dorme...

Sobre a mesada, acho que foi uma atitude precipitada da minha total e plena responsabilidade o que eu fiz com você. Você continua sendo meu bebê de seis aninhos e é óbvio que você não tem capacidade suficiente de arrumar um emprego e se sustentar sozinha. Então, sua mesada será depositada na sua conta normalmente.

Troy está cuidando direitinho de você, né? Eu tenho certeza que está. Esse menino é um garoto de ouro!

Seu I pad está sendo levado pra você. Então a gente pode conversar por e-mail até você se adaptar e criar um Facebook. Você não sabe como eu odeio cartas!

Foi meu assessor que me ajudou a escrever isso, então, tem umas palavras bonitas que você sabe que mamãe nunca diria, muito menos escreveria.

Mamãe e papai te amam muito! E Logan está contente por você e pelo quarto só dele agora!

– Você concorda com a sua mãe, não concorda? — ele perguntou me assustando. Então ele estava bisbilhotando a carta? Era bom ele tomar cuidado, porque a curiosidade matou o gato. Pra ser sincera, nem sabia o que significava isso.

– Concordo com o que exatamente? – Eu ainda estava tentando digerir as informações da carta.

– Que eu sou um garoto de ouro.

Revirei os olhos em sinal de tédio, não ia responder isso.

– Mas sabe... – Ele disse com um sorriso de lado, seus olhos verdes brilhando. – Eu tenho outras coisas de ouro também. – Austin deu uma gargalhada maliciosa.

– Idiota! – Dei um tapa em sua cabeça e me levantei. – Vamos! Eu quero conhecer o meu apartamento!

– Sabe qual é a melhor parte em morar lá?

– Qual?

– Você vai ter um vizinho da frente gostoso!

Notas finais
Deixem reviews! Eu gosto de saber o que vocês pensam! Espero que tenham gostado... Até o próximo capítulo!xoxoDudaMoura