Hate At First Sight

10 Nem crianças da quarta série!


Notas iniciais
Desculpem a demora!

Nem parecia que eu estava enfrentando tantos problemas, afinal, eu praticamente entrava em coma quando assistia o meu programa preferido. Minha mãe pode até não ter me deixado trazer meus livros, mas meu pen drive com várias gravações do “Poder da matemática” acabaram passando batido no meu bolso.

Graças aos Céus, o segurança que iria me revistar para ver se eu não estava levando nenhum explosivo ou coisa do tipo para a casa de Troy Austin gostava de mim. Lembro que ele disse algo como “Vou deixar passar seu pen drive, só por que acho que é inofensivo e por que você se parece muito com a minha filha, ela se chama Renata e está em uma clínica de reabilitação, é um amor de pessoa”. Só para deixar claro, achei a comparação bem desnecessária.

Tentei ignorar o enorme barulho que vinha da cozinha. Ou era o micro-ondas avisando que algo comestível estava pronto ou era as tartarugas ninjas batendo no Troy. Nada que devesse tirar a minha atenção do programa, é óbvio.

– O jantar está pronto! – Troy cantarolou gritando da cozinha. Mas não é possível! Esse menino tem uma voz tão irritante que dá para vendê-la em caixinhas para servir de alarme de incêndio, ou de furto de carro. Iria ser um ótimo negócio!

Não deu alguns segundos e logo o louco, digo, maluco, quer dizer, o retardado do Troy apareceu segurando dois pratos sorrindo de orelha á orelha. Como se fosse ele que tivesse feito a comida e tivesse a congelado, só para ter o prazer de esquenta-la.

Ele sentou na outra ponta do sofá que eu estava e estendeu o prato para que eu tivesse uma ótima visão da provável coisa comestível. Mas na verdade eu não sabia distinguir o que era aquilo. Então eu fui bem delicada para saber o que realmente era aquele elemento do universo:

– Que porra de negócio é isso? – Perguntei com toda docilidade de uma fabrica de doce de abobora.

Ele me encarou procurando as palavras certas para dizer.

– Bom, já que você é vegetariana e que isso significa que você não come carne.

– Meu Deus! Mais você está melhorando muito, progredindo cada vez mais. – Dei um sorriso torto e pedi para que prosseguisse, levou um bom tempo para ele prosseguir, já que ele não sabia o que significava “prosseguir”.

– Então eu fiz a lasanha congelada e ela é de bolonhesa. Eu separei a massa pra você e o recheio ficou pra mim.

Nossa! Como esse garoto se preocupa com o meu conforto! Ele vai me deixar jantar massa de lasanha.

– Agora que entendi! Obrigada pela sua enorme gentileza de desmontar a lasanha, Austin. – Dei uma garfada na massa e comi, tenho que dizer que não estava tão ruim, pelo menos não tão ruim quanto eu esperava.

– Austin?- Ele perguntou arqueando uma sobrancelha enquanto devorava o recheio da lasanha.

– Sim, eu acho melhor te chamar de Austin do que de Troy. – Já repararam que Troy é nome de advogado, médico, até de stripper, mas não o nome de um comediante, ou de alguma coisa que tenha a função de ser engraçada?

– Mas por quê?

– Por que Troy não parece nada com você, fica muito sério. Fica totalmente estranho!

– Claro que não. Eu sou um garoto muito sério! – Ele falou batendo no peito como se estivesse dizendo a verdade. Mas ele sabia que ele não era sério e que não estava sendo nada sério.

– Nomes têm que combinar com a as pessoas. Tipo o Jim Carrey!

– O que tem o Jim Carrey? – Ele me interrompeu. Ele me interrompeu!!! Caros leitores, vocês têm noção de como eu odeio ser interrompida?!

– Para de me interromper! Cassete! — Gritei, mas nem cheguei perto de falar tão agudamente quanto ele. – Não seria estranho se o Jim Carrey chama-se Gabriel Tyssiner?

– É, faz sentido! Não dá nem para imaginar, acho que o Jim Carrey não teria nem carreira se chamasse Gabriel Tyssiner. Isso mostra o quanto uma mãe pode fuder o filho só escolhendo o nome. – Não sei como eu consegui entender isso, cada palavra que ele falava era uma gargalhada em meio a bolonhesa.

De repente ficou um silêncio constrangedor na sala. Troy ficou observando o meu programa na Televisão enquanto comia o resto da comida, mas parecia que estava em outro mundo.

– Sabe o que eu acho? – Depois de vários minutos eu ouvi a voz dele timidamente me despertando do documentário de leis de Newton.

– Ah? O que você acha Austin?

Um leve sorriso se abriu nos lábios dele. Acho que ele não estava nada acostumado em ser chamado assim, mas eu o chamo do que eu bem entender.

– Que você vai mudar muito ainda.

– Você que pensa! Eu só preciso aguentar esse inferno por um ano!

– Você sabe o que é um ano, Amanda? – Ele perguntou como se fosse algum filósofo.

– Sei, são 365 dias. – Falei revirando os olhos. Que coisa mais besta!

– Não, um ano é exatamente um ano.

– Mas que droga! – Eu disse rindo da bobice dele.

– Você não entendeu, um ano é muita coisa. Você pode estar grávida daqui a um ano!

– Jesus Cristo! Eu garanto, eu vou voltar para minha casa, do mesmo jeito de que eu sai de lá.

– E que jeito você saiu de lá?

Não tive certeza do que responder, então apenas o ignorei, fingindo que eu não havia ouvido a pergunta, mas o problema era: Eu ouvi! E isso provavelmente vai ficar me incomodando.

Infelizmente aquele ser repugnante me convenceu a dormir na cama dele. Por favor! Não é isso que vocês estão pensando! Ele usou um ótimo argumento, talvez ele não seja tão burro assim, talvez, só talvez, ele tenha a mesma idade mental que uma criança da quarta série. Ok! Estou subestimando muito as crianças da quarta série.

Vocês achavam mesmo que se ele falasse que o sofá que eu estava tinha baratas e que a cama dele tinha sido dedetizada eu ia acreditar? Eu até que não acreditei, mas eu não estava nem um pouco a fim de tirar a prova disso.

Então ele foi dormir no sofá, enquanto eu me dirigia até a cama dele.

Mesmo trocando de lençol, de cobertor e de travesseiro... A cama dele tinha um incrível cheiro amadeirado. Que perfume maldito! Argh!

Quando eu estava quase adormecendo, quero dizer, dormindo, adormecendo fica muito Bela adormecida da vida, a luz do quarto foi acesa, me lembrando do meu irmão, cheguei á quase sentir saudades do Logan, eu disse quase.

– Desculpa, eu te acordei? – Troy Austin perguntou compreensivamente, como se fosse um anjo. Lúcifer também era uma anjo, antes de virar o Diabo...

– Não, você não me acordou, mas se tivesse acordado seu pâncreas já não estaria no mesmo lugar.

– Bom saber disso! – Ele fez sinal de positivo com o polegar dando um sorriso forçado. – Eu só vim pegar meu despertador!

– Mas pra que você precisa de despertador? Amanha é domingo, não é?

– Amanha é domingo, mas eu acordo as 7 horas para caminhar. – Ele falou apanhando um relógio.

– Pra que você caminha em pleno domingo? – Perguntei incrédula.

– Querida...

– Não me chame de querida! Te dei liberdade pra isso? – Dei uma gargalhada. – Mas é verdade, para de me chamar de querida. – Dessa vez eu falei sério, fechando a cara.

– Nossa! Que garota brava. Amanda, você acha que eu consegui esse corpinho lindo como?

– Ah, não sei, fazendo um pacto com o capeta?!

– Engraçadinha! Não, correndo! Vai querer correr comigo?

– As sete da manha? Mais nem ferrando!

– Então tudo bem, você não sabe o que está perdendo. – Ele disse se aproximando da porta.

– Boa noite. – Eu falei baixinho, mas a porta já tinha se fechado, provavelmente ele nem tinha ouvido mesmo.

Nunca subestime Troy Austin (nem crianças da quarta série), passado alguns míseros instantes uma fresta da porta se abriu.

– Boa noite pra você também!

– Eu te odeio!

– Eu também!

Notas finais
Não esqueçam os reviews! Espero que tenham gostado!xoxoDudaMoura