Has Light in the Darkness
16 Where We Going?
Notas iniciais
POV REGINA MILLS
Estávamos em uma cafeteria de uma cidadezinha qualquer. Emma tomava seu cappuccino com canela enquanto eu encarava meu café sem sequer toca-lo. Minha mente estava uma completa confusão, meu filho desaparecido que agora não tínhamos sequer uma pista de onde ele estava e Emma que por mais que eu tentasse negar – e como eu tentava negar – estava tirando meu juízo e mexendo com sentimentos que há muito tempo eu jurava estarem enterrados e mortos.
– Você vai ficar assim por muito tempo? – Ouvi a voz da loira à minha frente que acabara de beber todo o café.
– Assim como? – Perguntei distante, ainda encarando meu café.
– Estranha, sem falar comigo. – Ela falou, revirei os olhos. – Ou sequer olhar na minha cara...
– Estou normal, Swan. – Respondi.
– Não, não está. – Insistiu.
– Você quer falar sobre o que? – Perguntei olhando diretamente pra ela pela primeira vez em horas. – Sobre o tempo? Sobre o que você quer falar, Swan?! Eu não tenho tempo pra isso, caso não lembre o meu filho foi sequestrado e graças a sua maldita perna perdemos a chance de resgata-lo!
– Minha maldita perna?! E eu lá tenho culpa do seu namoradinho resolver sequestrar Henry e depois atirar em mim?! – Retrucou nervosa.
– Está bem! Desculpe, você não tem culpa pelo tiro. – Falei revirando os olhos. – Mas se não tivesse insistido nessa historia maluca Graham não teria surtado e sequestrado Henry!
– “História maluca”? Que historia maluca?! – Perguntou confusa.
– Branca de Neve, provavelmente. – Falei irônica, Swan revirou os olhos. – Dessa história de você... de você resolver me beijar. – Falei em sussurro.
– Caso não me falhe a memoria, eu não fui a única aqui a sair beijando. – Sussurrou em tom irônico. – E eu não tenho culpa do seu namoradinho ter ficado com ciúmes, caso não se esqueça, quem foi atrás de mim no galpão de ferramentas foi você. Não me surpreenderia que ele ficaria com ciúmes, não é mesmo. – Falou rindo, dando uma mordida no donuts em seguida.
– Claro, Ms. Sedutora. – Falei ironizando. – Tem ideia de como faremos pra encontrar Henry agora?
– O namorado pirado era seu, diga você onde ele levou meu filho.
– Meu filho! – Corrigi com raiva.
– A mãe biologia sou eu!
– Eu cuidei dele por todos esses anos.
– Eu pude ver como cuidou bem.
– Vão querer mais alguma coisa? – Perguntou a garçonete que brotou do nada ao lado do nosso compartimento.
– A conta, por favor. – Pedi tomando enfim o café que já havia esfriado.
– Está bem. Desculpe. – Emma disse depois de um tempo em silencio. – Não tem ideia de onde ele possa estar?
– Não, tudo que sabia era sobre essa floresta que ele acampava. – Falei passando a mão no rosto em frustação. – Emma, devemos ir até á policia chamar a segurança nacional, sei lá...
– Eu conheço como essas coisas funcionam, eles esperariam a ligação de Graham pedindo resgate, mas se ele não fez isso até agora, eu não sei mais o que esperar dele. – Disse a loira.
– O que vamos fazer? – Perguntei mais pra mim do que pra loira a minha frente, não conseguia evitar as lagrimas que insistiam em rolar deliberadamente sobre minhas bochechas. Eu estava agoniada por não saber o que fazer ou como fazer, eu queria meu filho de volta, aturar as más criações dele, ouvir sua risada e suas historias, queria o ouvir pedindo que eu contasse uma historia antes dele dormir exatamente como ele me pedia quando tinha cinco anos. Queria meu filho correndo ate meu quarto pedindo pra dormir comigo nas noites de chuva forte assim como ela fazia quando era menor. Eu queria Henry, independente de como fosse.
– Eu não sei, Regina. De verdade, eu não sei. – Falou Emma parecendo tão angustiada com a situação quanto eu. – E se você tentasse ligar pra ele?
– Acha que ele atenderia?
– Eu não sei...
– E o que eu diria?
– Diga que se arrepende, que quer tentar uma família com ele e Henry, só vocês três. – Disse Emma, havia um pesar no seu tom de voz que eu não conseguia identificar o que era.
– Acha que é uma boa ideia? – Perguntei insegura.
– É a única que temos. – Ela respondeu firme, como se tentasse se convencer disso.
Levantamos e fomos até o que Swan insistia em chamar de carro, peguei meu telefone e com as mãos tremendo disquei o numero de Graham, coloquei o telefone na orelha, Emma me olhava apreensiva, mordendo a mão como uma criança ansiosa.
– E então? – Perguntou assim que abaixei o telefone.
– Caixa postal, sequer chama.
– E agora? – Ela perguntou.
– Não sei... – Falei em meio a soluços que vieram acompanhados de lagrimas. Senti os braços de Emma me envolvendo e me puxando para um abraço apertado, do qual não evitei, enterrei meu rosto no pescoço da xerife, inalando seu perfume de jasmin.
POV EMMA SWAN
Regina dormia depois de muito tempo, eu estava sentada na poltrona passando os canais sem parar, em busca de qualquer noticia sobre um maluco sequestrando uma criança, porem os noticiários apenas sabiam me informar sobre o tempo e as novas eleições em outro país.
Estávamos em um luxuoso hotel que Regina insistira em pagar, eu não conseguia dormir, por mais que tentasse o sono não aparecia. Regina só conseguira dormir depois de eu dar alguns calmantes, ela havia surtado mais cedo e eu temia o que ela poderia fazer quando encontrássemos Graham.
Decidi levantar e ir dar uma volta, espairecer e respirar um pouco. Tentar colocar a cabeça em ordem, quem sabe assim eu teria alguma ideia de onde Graham poderia ter ido com meu filho.
Coloquei meu casaco e sai do hotel, já passava das 3h da manhã e as ruas continuavam movimentadas, senti saudades de Storybrooke, onde provavelmente nesse mesmo momento a maioria dos cidadãos já estariam no quinto sono, se preparando para mais um dia normal e comum na pacata cidade do Maine.
Pensar em Storybrooke me lembrava Henry, tudo hoje em dia me lembrava no garotinho que batera a minha porta dizendo ser meu filho, garoto que desde então mudou tudo na minha vida, virando-a de cabeça para baixo.
Parei em frente a uma conveniência de posto de gasolina, comprei algumas cervejas e voltei para o hotel. Encontrei uma Regina completamente aflita, andando de um lado para o outro segurando o telefone. – Atende essa merda, loira desgraçada!
– Espero que a “loira desgraçada”, não seja eu. – Falei fechando a porta.
Regina me olhou assustada, colocou o telefone em cima da mesa e voltou-se para mim furiosa. – Onde a senhorita estava?!
– Fui dar uma volta, espairecer. Pra que o drama? – Perguntei indo para trás, com medo de Regina avançar no meu pescoço.
– “Fui dar uma volta, espairecer”... – Disse Regina fazendo uma péssima imitação da minha voz. – E custava muito deixar um bilhete que fosse?
– Estava preocupada comigo, Regina? – Perguntei provocando.
– Preo... Era só o que me faltava! – Falou indo em direção ao sofá e sentando-se. – Pensei que tinha saído em busca de Henry e me deixado sozinha!
– Claro. – Falei irônica colocando as cervejas no frigobar.
– Alguma novidade? – Perguntou assim que eu me sentei na poltrona ao seu lado.
– O preço da Heineken está nas alturas! – Reclamei.
– Sobre Henry, Swan. – Falou entredentes.
– Nenhuma.
– E agora?
– Não sei... – Falei, Regina passou a mão sobre o rosto, frustrada. – Quer uma cerveja? – Perguntei, Regina me olhou estranho. – Ajuda a esquecer os problemas, por um tempo. – Falei com um meio sorriso.
– E o que te faz pensar que eu quero esquecer os problemas? – Perguntou arqueando uma sobrancelha.
– Você ficar pensando nisso não vai ajudar. – Ela me olhou de lado, como se não compreendesse. – Às vezes as melhores soluções surgem quando menos esperamos.
POV NARRADOR
Pequenas gotas de água batiam contra sua face causando-lhe cocegas. Sentia o chão em movimento, seu corpo inteiro balançava. O barulho chato do que poderia ser um motor doía-lhe os ouvidos. Estava tonto e sentia-se fraco, seu estomago roncava, sua cabeça parecia estar prestes a explodir. Tentou abrir os olhos, a luminosidade forte o fez fecha-los novamente.
– Enfim você acordou, garoto. – Ouviu uma voz conhecida, o sotaque forte e o timbre de voz eram inesquecíveis.
– Graham? – Perguntou o menino, que tentou abrir os olhos novamente, porem sua cabeça parecia explodir.
Ouviu o barulho do motor ir parando aos poucos, passos se aproximando, ousou abrir os olhos mas a sombra do homem havia tampado o sol. Ele tinha um sorriso assustador nos lábios, olheiras enormes e seus olhos pareciam ter perdido o brilho. Pegou uma seringa e injetou no braço do menino que estava deitado. – O-o que esta acontecendo? Onde estamos?
– Chegando... – Ouviu a voz de Graham distante antes de sua visão voltar a ficar escura e ele desmaiar.
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