Has Light in the Darkness
18 Where Is The Love?
Notas iniciais
POV NARRADOR
Emma abriu os olhos e observou o quarto, notando cada mínimo detalhe que não percebera antes. Notou que a cômoda – que Killian devia usar como guarda roupa, já que não havia nenhum no local – tinha um estilo rococó. Assim como o espelho, do outro lado, e a mesinha no meio de duas poltronas cor de ouro.
Seus olhos brilharam com o local, tão arrojado e decorado. Pulou da cama e notou um pote cheio de cookies e um copo de leite. Pegou dois biscoitos e o copo e saiu do quarto.
Uma lufada de ar lhe atingiu e a loira sentiu seu corpo tremer. Fechou o casaco de couro e cruzou os braços, cuidando para não derramar seu leite no convés. Deu um gole na bebida e avistou Killian no leme. Olhou para os lados procurando por Regina, porem não encontrou a morena em lugar algum. Talvez ela ainda estivesse dormindo.
Se aproximou do moreno e parou do seu lado, sorrindo fraco.
– Pensei que os barcos de hoje fossem um pouco mais modernos. – Comentou rindo junto dele.
– O barco pertenceu ao meu tataravô. Passou sempre de pai para filho. É uma herança. Mas é claro que ele já passou por varias mudanças modernizando-o. – Ele disse. Apertou um botão abaixo do leme e soltou-o, sorrindo encantado. – Já que o barco está em piloto automático, vou te mostrar um dos meus lugares preferidos. A vista é encantadora.
Emma assentiu e acompanhou-o até o outro lado do navio. Pararam na beirada e ficaram observando os peixes acompanharem o navio.
O pôr-do-sol deixava a vista muito mais atraente do que já era. O céu azul se misturava com as cores alaranjadas e vermelhas que irradiavam do sol. Emma nunca vira paisagem tão linda.
– Uau! – Deixou escapar a singela exclamação e escutou a risada de Killian.
– Lindo, não? – Ela assentiu, olhando para ele e sorrindo amigável.
– Você tem sorte de poder ver uma beleza dessas todos os dias.
– É, tenho. Ou pensava que tinha, — Disse passando a mão na barba sorrindo galante. – já que fui descobrir que a maior beleza que vi foi você.
Emma ficou perplexa e sentiu sua bochecha enrubescerem e queimar. Notou os olhos do homem brilhar e um bolo se formar em sua garganta. O espaço entre eles diminuiu e a loira foi dando passos para trás, até que sentiu suas costas baterem no parapeito. Era o fim da linha, e ela não gostava nem um pouco do que estava acontecendo.
O moreno passou a mão na cintura da loira e a puxou, colando seus corpos e dizimando o pequeno espaço que os separava. A respiração de Emma estava descompassada e ela queria que ele se afastasse o mais rápido possível.
Um pigarro fez Killian se sobressaltar e larga-la, olhando para trás e sorrindo zombeteiro para a morena. Emma soltou todo o ar preso e agradeceu mentalmente por Regina ter aparecido.
– Desculpe-me atrapalhar os pombinhos, mas o jantar está pronto. Então, quando o casalzinho terminar o romance e quiser ir comer, a comida esta na mesa. – Regina se virou e saiu de lá sem esperar alguma resposta dos dois. Antes que ele pudesse se aproximar novamente, Emma o contornou e saiu depressa atrás de Regina.
– Regina! Regina! Espera! – Gritou e a morena se virou, olhando-a confusa. A loira parou ao seu lado sorrindo fraco.
– Vai deixar seu capitão sozinho? Já sei, é algum tipo de joguinho em que você o excita e o deixa sem nada, apenas com desejo para a noite? Puxa que romântico!
– Cale a boca! Não tenho nada com ele.
– Não é o que parece...
– Ele que é um maluco e acha que eu dou mole para ele.
– E não é?! – Perguntou Regina cruzando os braços. – Porque parecia que era só ele passar a mão na sua vagina que você se derretia. – Emma ficou estática.
– Porque está sendo tão idiota?
– Porque é a verdade.
– Não é! Eu não tenho nada com ele e nunca quero ter!
– Ah, que triste. Desse jeito você vai ferir os sentimentos do pobre capitão.
– Cala a boca! Está impossível conversar com você. Quer saber, eu vou ir dormir. – Emma se virou e foi se afastando.
– Ótimo! Só que eu não sou sua amiguinha e depois não quero saber como foi sua noite com seu amorzinho!
Emma, ofendida com o comentário, se virou vermelha como uma pimenta e lhe mostrou o dedo médio, virando-se e saindo a passos largos.
A xerife entrou na cabine do capitão pisando firme. Ela não queria as cantadas de Killian, não queria ser beijada – ou quase – por ele e não queria que Regina ficasse falando merda pra ela.
Se jogou na cama e se arrependeu no momento em que sua perna começou a latejar. Fechou os olhos tentando dormir, mas as palavras da prefeita continuavam ecoando em sua cabeça.
O tom de raiva da prefeita e o nojo em sua voz incomodavam Emma de um jeito que nem ela mesma compreendia.
Começou a perder os sentidos e alinha dos pensamentos quando o sono enfim apareceu.
–-**--
– Ah, Regina! Temi não encontra-la a mesa hoje. – Disse Killian sorrindo enquanto bebia algo em sua taça.
– E por que achou que eu não viria jantar? – Regina perguntou arqueando as sobrancelhas. – Desculpe, mas não vou deixar de jantar para que você e a Miss Swan tenham um jantar romântico.
– E falando na Ms. Swan, onde ela está? – Perguntou.
– Nos aposentos do capitão. – Disse Regina.
– Ela não virá jantar? – Ele perguntou desapontado.
– Ela me disse que iria dormir, então acho que não. – Regina disse sem olhar para o homem sentado a sua frente. Deu mais uma garfada na comida e cruzou os talheres.
– Não gostou da comida, Ms. Mills? – Perguntou Killian.
– Não estava com muita fome. – Regina respondeu seca. Killian abriu um largo sorriso.
– Gostaria de tomar um pouco de rum? – Ele não esperou resposta, serviu a taça de Regina com a bebida, a prefeita olhou, mas não tocou no copo.
– O que quer, Killian? – Perguntou Regina observando-o atentamente.
– Apenas estou oferecendo uma bebida, amor. – Ele disse sorrindo, passando a mão na barba.
– Eu já te conheço. O que quer? Saber sobre Swan? – Insistiu Regina.
– Talvez...
– O que quer saber sobre ela? – Regina cruzou os braços e sorriu irônica. – Melhor, o que te leva a crer que vou ajuda-lo no seu joguinho de conquistas?
– Não faria esse favor para seu velho amigo? – Perguntou Killian, parecia divertido com a conversa, como se soubesse que aquilo não se tratava apenas de informações.
– Não somos amigos, Killian. – Disse Regina, o sorriso vitorioso e irônico sem sair dos lábios carnudos.
– Isso está me parecendo ciúmes, Regina. – Disse Killian cruzando os braços.
– Ciúmes? Da senhorita Swan? Está usando drogas agora, Killian? – Disse Regina usando seu melhor tom irônico.
– Apenas o bom e velho rum. – Ele disse girando a taça, bebendo em seguida todo o seu liquido, servindo-se de mais. – Mas sim, é o que parece. O que realmente acontece entre você e a senhorita Swan? Um caso de amor secreto? Um amor enrustido? Um amor impossi...
– Chega, Killian. – Disse Regina interrompendo-o. – Eu vou me deitar. – Disse Regina se levantando e indo até a porta. – Antes de me retirar, eu tomaria cuidado com a Ms. Swan se eu fosse você.
– Ela é perigosa? – Perguntou Killian com sorriso malicioso.
– Ela não. – Disse saindo, batendo a porta com força.
Killian recostou-se na cadeira, com o a taça de rum na mão, girando-a. Não conhecia Emma muito bem, mas ele conhecia Regina bem o suficiente para dizer quando ela estava escondendo alguma coisa.
–- ** --
– Swan! Swan abra esta porta! – A loira despertou quando ouviu alguém quase gritando enquanto esmurrava a porta.
– Já vai! – Gritou de volta levantando-se e indo em direção a porta. – Regi... O que está fazendo aqui?! – Perguntou ao ver a morena furiosa á porta.
– Killian. Está. Me. Tirando. Do. Sério. – Disse entredentes, entrando no aposento.
– E o que eu tenho a ver com isso? Pensei ter dito que não éramos amigas. – Disse a loira irritada, cruzando os braços.
– Está certo. Não sei por que vim aqui, sequer sei por que aquele capitãozinho fica dizendo que eu estou com... – Regina se interrompeu ao se tocar o que ia dizer.
– Está com...? – Insistiu Emma.
– Esqueça.
– Não! Você não pode me acordar gritando e não terminar de falar. – Disse a loira revirando os olhos irritada. – O que ele disse?
– Nada. É melhor eu ir, amanhã teremos um longo dia e você tem que se preparar para seu joguinho com o capitão.
– Sabe o que isso parece? – Disse Emma antes que Regina abrisse a porta do aposento, a prefeita se virou com a sobrancelha arqueada. – Que está com ciúmes.
– Agora você também vai achar isso?! – Disse Regina irritada.
– Ah, então foi isso que ele te disse e te deixou tão nervosa?! – A loira gargalhou.
– É obvio que eu não estou com ciúmes. Eu não tenho do que ter ciúmes! – Falou Regina cruzando os braços.
– Não tem é? – Perguntou Emma se aproximando.
– Não. E nem ouse me tocar de novo! – Alertou Regina girando a maçaneta.
– Você tem medo! – Soltou Emma.
– A única coisa que tenho medo é de perder meu filho, mas enquanto eu carrego esse medo sozinha, você e seu querido capitão ficam aos beijos apreciando a vista.
– Eu também estou com medo por Henry!
– Não é o que parece. – Falou Regina. – Vá dormir, Swan.
– Está com medo de que, Regina? – Disse Emma se aproximando mais.
– Já disse, não tenho medo de nada. – Falou Regina recuando e batendo as costas contra a porta.
– Não tem? Nem de quando eu me aproximo assim? – Falou a xerife se aproximando ainda mais, deixando menos de 10cm de distancia da prefeita.
– Emma... – Disse Regina em tom de alerta.
– E quando eu faço isso? – A loira quebrou o espaço, fazendo seus narizes se tocarem, apoiou uma das mãos acima da cabeça de Regina, empurrando a porta ate ouvir o estalo da mesma sendo fechada.
Regina soltou o ar que nem sabia estar prendendo. Emma inalou seu hálito de maça, tudo naquela mulher parecia ser de maça, e a xerife se viu viciada naquela fruta. – Vai negar que tem medo, Mayor?
– Eu... eu não tenho. – Regina sussurrou, os olhos já estavam fechados. Passou a mão pela nuca da loira beijando-lhe os lábios. Emma puxou Regina pela cintura quebrando qualquer mínimo espaço que pudesse as separar. Regina explorava cada parte da boca de Emma como se quisesse deixar claro de que apenas ela pudesse beija-la, como se quisesse declarar Swan como sua. Empurrou Emma em direção a cama, sentando no colo da xerife. Pararam com as caricias apenas quando ouviram o pigarreio. Pigarreio?
– Ah, pararam por quê? – Perguntou Killian encostado a porta assim que Regina saltou do colo de Emma ficando em pé e cruzando os braços. Emma, que tinha a face corada, se pôs de pé ao lado da morena, que parecia estar prestes a esganar o capitão com as próprias mãos. – O show estava ótimo, alias, que excelentíssimo espetáculo.
– Killian... – Disse Regina entredentes.
– Ah Regina, é tão fácil pra eu reconhecer quando você está apaixonada. – Ele dizia com desdém, passando a mão sobre a barba.
– Apa..? Apaixonada? – Repetiu Regina franzindo o cenho. – Bom, isso é novidade pra mim. Eu não estou apaixonada por ninguém!
– Ah não está?! – Killian riu debochadamente. – Posso não te conhecer tão bem, mas conheço o suficiente. E pelo que posso ver, você não é a única vitima do cupido. – Ele olhou em direção a loira que se possível corou mais ainda, Regina ignorou e continuou encarando o capitão, que estava em misto de divertido e desapontado.
– Eu não estou apaixonada, muito menos pela Ms. Swan. – Disse Regina.
– Olha, posso não ser muito bom conhecedor do “amor”, mas não era o que os beijos de vocês pareciam.
– Eu fui agarrada a força. – Defendeu-se Regina. – Alias, não sei por que estou me explicando, não te devo satisfação. Eu vou me deitar. Aproveite-a bem, Killian, ela parece estar bem carente. – Disse Regina saindo do quarto as pressas, Emma revirou os olhos.
– Ah... Desculpe por isso, amor. – Disse Killian se aproximando e sentando-se ao lado de Emma. – Não queria atrapalha-las, mas eu precisava ter certeza.
– Certeza de que? – Perguntou a loira confusa, ainda encarava a porta.
– De que Regina estava mesmo com ciúmes, e de se você não estava disponível. – Disse Killian, Emma gargalhou.
– Bom, aparentemente eu estou disponível. – Emma falou.
– O que? Só porque ela foi embora? – Disse surpreso. – Achei que fosse mais durona, amor.
– Ela negou, aliás, ela sempre nega.
– Quem muito nega tem alguma coisa escondendo. – Emma olhou para o capitão, que ainda a encarava, seus olhos brilhavam ao encarar as esmeraldas, o que fez a xerife corar levemente. – Não desista fácil assim. Ela só esta com medo...
Ele se levantou e foi em direção a porta. – Medo de que? – Perguntou antes que ele saísse.
– De se entregar novamente, acho. – Falou pensativo, passando a mão pela barba. – Tenha uma boa noite, amor, amanhã realmente será um longo dia.
– Espere, novamente...? – Ela tentou falar, mas o capitão já havia saído.
Emma deitou na cama, cruzando as mãos sobre a barriga. Não conhecia muito do passado de Regina, não sabia de mais ninguém além de Graham, alias, seria Graham de quem Killian havia referido?
Antes que percebesse, o sono invadiu Emma Swan e ela caiu em sono profundo.
–-**--
Acordou com alguns gritos vindos do lado de fora do quarto e, antes que seus olhos abrissem direito, um Killian irritado e uma Regina mais furiosa ainda entraram repentinamente no quarto. Swan se sentou rapidamente e puxou a coberta, olhando perplexa e confusa para os dois.
Killian largou Regina e fechou a porta do quarto, ficando em frente à mesma, como se estivesse cuidando para que a mulher de cabelos negros não fugisse.
– Você é um idiota! – Rosnou Regina, passando os dedos sobre o braço, onde o homem havia apertado e que agora surgiam marcas avermelhadas.
– Você que é! – Ele retribuiu, puxando os cabelos- Eu lhe disse milhares de vezes para não ficar gritando e se mexendo, mas parece que você é orgulhosa demais para aceitar o que os outros lhe falam!
– Vai se fu...
– Hey! – Emma gritou para que os dois parassem de se insultar e vissem que ela estava ali. – Será que dá para alguém me explicar o que está acontecendo?
– Esse palerma...
– Se você esqueceu, Ms. Mayor, o palerma aqui é quem comanda e manda. Portanto é melhor ter mais respeito a ele. A não ser que você prefira nadar com os peixinhos. – Killian interrompeu-a e Emma teve que se segurar para não rir da cara que Regina olhou para o homem. Parecia que ia mata-lo com o olhar.
– Grandes merdas! Enfim, — Como se fosse um tique nervoso, a morena cruzou os braços e balançou a cabeça para arrumar o cabelo. – Killian avistou um barco muito suspeito e não quer persegui-lo.
– E porque o barco seria suspeito? – Emma perguntou confusa.
– Porque nessa rota é muito raro aparecerem barcos de passeios. São mais comuns navios de carga, pois é um atalho para os comércios clandestinos mais próximos. – O moreno explicou, se encostando na porta.
– Tá, mas porque Regina tá dando piti por você não estar perseguindo um bar... – Emma olhou a morena, que a encarava incrédula e se tocou do porquê todo o alvoroço estar acontecendo- Merda! Killian você é um idiota! Graham está a nossa frente e você não o vai perseguir!
– Pelo amor de Deus! Vocês são burras ou o que?! – Emma parou onde estava e fuzilou o moreno com os olhos.
Aproximou-se devagar dele e agarrou seu colarinho, o puxando para mais perto e olhando no fundo de seus olhos. Killian estremeceu com o olhar gélido da loira e tentou se afastar, porém Emma apertou mais ainda o colarinho e o manteve no mesmo lugar.
– Escuta aqui, Captain. Tudo bem se você chamar a Regina de idiota, até porque ele é meio idiota às vezes.
– Hey! Eu estou aqui.
– Mas me chamar de burra... Nunca! Então é bom você pegar o seu traseiro gordo, dar meia volta, agarrar o leme e dirigir o mais rápido que você pode para gente pegar o Graham!
Emma afrouxou o aperto no colarinho do moreno e continuou olhando para ele de cara amarrada. Em um instante a cara assustada de Killian foi se fechando e assumindo um tom tão sério quanto o da loira que o repreendia. Seus olhos ficaram mais escuros, suas íris faiscaram, suas mãos fecharam-se em punho e seus dentes rangeram.
Emma sabia que ele tinha se irritado. Sabia que tinha sido mais durona do que deveria e esperava que ele se sentisse ameaçado por ela. Mas uma parte dela estava com medo de que o tiro saísse pela culatra.
E essa parte dela tinha razão: O tiro tinha saído pela culatra.
Emma soltou de uma vez o colarinho do moreno e deu dois passos para trás, se encolhendo toda por dentro. Killian, notando o medo repentino da mulher, sorriu largo e deu dois passos para frente. Parou tão perto de Emma que mais um passo e ele poderia beijá-la.
Passou as pontas dos dedos pelo braço da loira e, repentinamente, apertou-o em sua mão. Emma soltou um breve gemido de dor e tentou puxar o braço, porém Killian o apertou mais, fazendo com que ela mordesse o lábio inferior para conter outro gemido.
O sorriso em seus lábios se desfez e seu semblante ficou sério, fazendo Emma urrar de medo por dentro. Olhou de Emma par Regina, fazendo com que a morena desse três passos e se afastasse o máximo que podia dos dois. Ela também estava com medo da atitude de Killian.
– Agora as duas vão me escutar e fazer o que eu mando, estamos entendidos? – Ele olhou de Regina para Emma e, como as duas não responderam, apertou o braço da loira fortemente e ela gemeu mais uma vez de dor. – Eu fiz uma pergunta e espero uma resposta. Então vou refazer ela: Estamos entendidos?
– Sim. – As duas responderam em uníssono e ele sorriu vitorioso.
– Muito bem. É assim que eu gosto. Então vamos lá. Vocês vão se sentar e me escutar até o final. E quando eu falar como as coisas serão, elas serão como eu falar. E se vocês não quiserem aceitar minhas ordens, terei o prazer de trancar as duas nas celas onde os escravos ficavam.
Emma e Regina arregalaram os olhos assustadas e assentiram. O que havia acontecido com o Killian de antes? Regina nunca tinha visto o moreno ficar nervoso assim.
Ele soltou Emma e deu um passo para trás, cruzando os braços e esperando as duas se ajeitarem na ponta da cama.
– Bem, então vamos começar. Eu não vou perseguir em alta velocidade como vocês querem, mas isso não quer dizer que eu não vá perseguir ele. Não posso simplesmente iniciar uma perseguição, porque muitas vezes é algum turista ou uma família. Ou se até mesmo for Graham ele vai fugir e talvez até percamos ele de vista, pois o barco a frente é muito mais potente do que o meu. De qualquer jeito eu vou deixar uma distância entre nós dois e assim que conseguirmos ver quem está dirigindo o barco aí então vamos ver o que podemos fazer.
As duas se entreolharam e assentiram. A ideia de Killian tinha sido muito melhor que as duas e ele tinha pensado direito. Ele estava certo, e se fosse uma família apenas passeando, como eles ficariam se começassem a persegui-los? E Graham poderia mesmo fugir se corressem atrás dele. As duas suspiraram, admitindo a derrota e se levantaram, indo atrás de Killian.
O tempo todo elas ficaram ao lado dele, torcendo para que o piloto do barco que navegava calmamente na frente fosse mesmo Graham.
Depois de quase duas horas na cola o barco foi parando. Killian ficou um pouco mais atrás e foi diminuindo a velocidade, até que o barco encostou em um píer e o piloto saiu.
Emma e Regina sentiram todo o ar ao redor esvair; todo o tempo parar; todo o mundo parar de girar. Era como se tudo tivesse parado. Ele estava lá, jogando a corda em volta de um tronco e amarrando.
Graham.
Graham estava ali e eles finalmente haviam-no encontrado.
Regina puxou todo o oxigênio que pôde e encheu os pulmões. Quando estava prestes a soltar um grito Killian fechou sua boca e a segurou.
– Não! Não grita! Ele vai perceber e vai sair! Eu vou encostar e vocês podem ir pegar o filho de vocês. Mas não acabem com as coisas. – O moreno advertiu e as duas assentiram, ainda perplexas com tudo.
Killian encostou o barco do lado do píer. Emma e Regina saltaram do barco no mesmo instante em que Graham puxava Henry para fora do barco.
– Graham! Não ouse dar mais nenhum passo com meu filho! – Regina gritou, surpreendendo o rapaz.
Rapidamente ele se virou e tentou voltar para o barco, no entanto Killian se colocou a sua frente e ele se chocou com o moreno. Killian tirou as mãos de Graham de Henry o puxou, levando-o para suas mães.
As duas abriram seus braços e envolveram Henry em seus braços, aconchegando-o. Lágrimas quentes escorriam do rosto dos três e eles soluçavam fortemente. Regina e Emma se sentiam completas com o filho envolta de seus braços.
Graham ficou observando os três se abraçarem e chorarem. Regina levantou seu olhar para o rapaz e respirou fundo, deixando uma lágrima escapar. Sentia raiva dele e ao mesmo tempo muita tristeza, não que gostasse dele, mas gostava de sua companhia e nunca, jamais em sua vida, imaginaria que ele seria uma pessoa capaz de sequestrar a pessoa mais importante de sua vida. Pôde ver no fundo dos olhos do rapaz que ele estava arrependido de sua atitude, mas mesmo assim não se deixaria levar pelo momento de compaixão dele.
– Regina... – Ele a chamou, se aproximando da mulher e tentando lhe tocar a face. A mulher, porém, se afastou e apertou os braços em frente ao peito, como se algo ruim estivesse por perto.
– Nunca mais encoste em mim. – Ela respondeu olhando para o chão e logo depois voltando a olhar para Graham. Mais uma lágrima escorreu e dessa vez ela a secou, olhando-o com raiva e soltando os braços, cerrando os punhos.
– Eu lhe perdoei uma vez Graham, mas o que você fez agora não tem e nunca terá perdão. E você sabe disso. Não quero mais que você se aproxime de mim, de Henry ou de Emma. Nunca mais.
– Regina...
– Chega Graham. Quero que você vá embora, que nunca mais volte para Storybrooke e nunca mais quero te ver. Está me entendendo?
– Não faça isso... – O rapaz tentou contestar, mas Regina virou as costas e pousou a mão sobre o ombro de Henry, olhando Graham por cima de seus ombros.
– Já está feito. Para garantir que você vai embora continuará seguir em frente e nós voltaremos. Nem que ele te deixe em uma ilha deserta para garantir que nunca mais voltará.
– Por favor...
– JÁ CHEGA! QUERO VOCÊ FORA AGORA! – Ela gritou friamente e se virou para frente. – Adeus Graham.
A prefeita empurrou o filho e então ela, Emma e Henry caminharam para longe dali. Nunca mais queria voltar a ver o homem que um dia fora apaixonada.
Fale com o autor