Has Light in the Darkness
19 Emotional Fur Ball
Notas iniciais
POV REGINA MILLS
Estava com a cabeça encostada na janela da lata de sardinha com os olhos fechados tentando em vão pegar no sono, o que parecia impossível já que aquele projeto de carro balançava e pulava de acordo com a estrada. Henry dormia no banco traseiro enquanto Swan dirigia bebendo seu energético. Estávamos indo rumo a Storybrooke, mas teríamos que parar em um hotel na estrada para que a xerife pudesse descansar já que eu não colocaria minhas mãos naquele volante que provavelmente estaria cheio de germes.
Encontramos um hotel simples, mas decente, pegamos um quarto e depois de tanto Emma insistir que também queria dormir com Henry e ignorar minha consciência que dizia que isso não faria bem a minha saúde mental, pedi uma cama king para que nós três pudéssemos dormir juntos. Swan carregou Henry nos seus fortes braços — O que?! – e o colocou no meio da cama, ajudei a tirar os sapatos dele e o casaco, depois tirei o meu salto e casaco e me deitei ao lado direito seguida por Swan que se deitou ao lado esquerdo.
Acaricie o rosto do meu filho que por mais que estivesse pálido e com péssima aparência, parecia dormir tranquilamente. Sabia que eu dormiria tão tranquila quanto ele, sabendo que ele estava a salvo, e o mais importante, comigo. Olhei para Emma achando que a mesma já havia dormido mais esta estava me olhando, as esmeraldas brilhavam como sempre faziam ao me encarar, não falei nada assim como ela sequer abriu a boca. Ficamos nos encarando por mais alguns minutos até que Henry se virou de barriga pra cima e começou a roncar. Emma deu risada e se deitou novamente, encarando o teto, cruzando as mãos sobre a barriga.
Eu não compreendia a quantidade de pensamentos que se passavam pela minha mente apenas observando à loira, eram tantas emoções e sensações quando eu estava perto dela. Eu me sentia envergonhada e embaraçada, mas ao mesmo tempo era como se eu precisasse me mostrar forte e dura. Sentia-me feliz perto dela, amparada e protegida, ao mesmo tempo em que sentia medo. Eu não sabia nada sobre aquela loira quando a mesma chegou a Storybrooke, mas eu sabia que desde o momento em que a vi, que ela me traria problemas, eu só não imaginava que eles seriam tão bons quanto estavam sendo.
–-**
POV EMMA SWAN
Acordei com Regina resmungando e reclamando do banheiro que era pequeno demais, nos levantamos e depois da prefeita levar duas horas para se arrumar fomos até um posto de gasolina com uma pequena conveniência para podermos tomar café. Henry nos contava o que se lembrava sobre o sequestro e perguntava insistente o porquê Graham havia o sequestrado e porque ele estava com tanta raiva de mim e de Regina.
Regina disse que assim que chegássemos a Storybrooke explicaria tudo ao menino, e eu não pude deixar de imaginar o que exatamente ela iria falar pro garoto.
Já era noitinha quando avistamos a placa anunciando a pequena cidade de Storybrooke, Maine. Assim que estacionei o carro em frente a mansão Mills, Regina praticamente pulou do carro agradecendo por estar em fim "em casa".
– Mãe, a Emma pode ficar para jantar, certo? — Perguntou Henry saindo do carro, a voz de quem havia acabado de acordar.
– Jantar... — Regina me olhou com desaprovação. – Está bem, Henry. Mas entre e vá direto tomar um banho.
– Na verdade eu preciso ir... – Falei antes que o menino entrasse em casa.
– Mas por que?
– Preciso de um banho tanto quanto você, garoto. E além do mais, preciso dar uma passada no Whale.
– Whale...? — Perguntou Regina.
– Bom, você até que ajudou mas não é uma enfermeira e minha perna continua doendo, então eu vou precisar ir no medico.
– O que aconteceu com sua perna? — Perguntou Henry.
– Longa historia, garoto.
– Mas você pode ir ao medico e voltar pra cá jantar com a gente!
– Aceite Emma, ele não vai desistir tão cedo. — Ouvi Regina dizendo.
– Esta bem. — Me dei por vencida.
– Oba! Mãe eu estou com saudades da sua lasanha...
– Já entendi Henry. — Falou Regina bagunçando seus cabelos. — Mas vá tomar banho agora!
– O que você vai falar pra ele, Regina? — Perguntei assim que Henry entrou.
– Não sei o que Graham falou pra ele...
– Acha que ele falou demais?
– Não faço ideia... — Disse cruzando os braços e olhando para um ponto distante pensativa. – Bom, eu vou entrar e preparar as coisas para o jantar, é melhor você ver essa perna, Swan.
– Verdade. Até mais, Regina. — Falei, ela apenas me olhou e entrou sem falar mais nada, fechando a porta em seguida.
Suspirei revirando os olhos, voltei pro carro e fui direto ao medico. Whale disse que minha perna não estava ruim, a dor era passageira e tomando certo medicamento eu não a sentiria mais. Voltei para casa e a encontrei exatamente como estava antes de ir atrás de Henry com Regina. Procurei por Mary Margaret, porém a mesma não se encontrava ali. Escrevi um bilhete dizendo que jantaria na casa da Prefeita, mas que quando voltasse eu contaria tudo para ela, deixei o recado em cima de sua cama e fui tomar meu banho mais que merecido.
Assim que retornei a mansão Mills, fui recebia por um Henry animado, ele disse que sua mãe estava se arrumando e desceria logo. Fomos para sala onde acabamos jogando Xbox, depois de mais de meia hora e três partidas de lutas perdidas, Regina desceu.
Tive que me segurar para não sorrir feito boba, ela estava como sempre... deslumbrante, e mesmo acostumada a isso, eu me surpreendia cada vez mais. Ela deve ter percebido que eu estava quase delirando — me xinguei por isso — e deu uma pequena risada abafada e revirou os olhos. — Henry, vamos jantar. — Ela disse parada ao ultimo degrau. – Limpe a baba no canto da boca, querida. — Ela sussurrou quando passou pra mim, andando elegantemente como sempre. Recobrei a consciência e os segui até a sala de jantar. Me sentei novamente a sua esquerda, com Henry a minha frente, o prato era mais uma vez lasanha e eu conseguia compreender Henry por não enjoar nunca daquele prato, era simplesmente maravilhoso.
– Vão me contar agora? Graham sempre pareceu legal comigo, já namorou você, mãe, – Disse olhando pra Regina — mesmo que escondido, e já namorou você, Emma. E depois voltou a namorar você mãe e pra depois me sequestrar e...
– Calma garoto! — Falei rindo, Regina me fuzilou com o olhar.
– O que Graham te falou, filho? — Regina perguntou.
– Nada que fizesse sentido, na verdade... — Disse pensativo. Regina me olhou confusa e preocupada. As mães dele terem um caso é algo que não faz sentido?
– Disse algo sobre você e minha mãe e uma traição... – Ele olhava pensativo para o próprio prato. – Mas não acho que seja isso...
– O que exatamente ele fa...
– Henry, querido. – Regina me interrompeu. – Seja lá o que Graham lhe faliu, isso não importa. Ele não estava bem psicologicamente nos últimos dias e por isso tomou todas essas atitudes erradas. Sejá la o que ele tenha lhe dito, não importa, ele não estava raciocinando bem.
– Hum... – Heny concordou, olhou para nós duas e sorriu, bocejando em seguida. – Acho que vou ir dormir.
– Está bem. Tenha uma boa noite, querido. – Disse Regina.
– Boa noite mãe, boa noite Emma.
– Boa noite, garoto. – Henry subiu as escadas, Regina ficou encarando as escadas e eu fiquei encarando-a, segurando um nó que se formava na minha garganta.
– Se me permite, vou retirar a mesa. – Anunciou Regina se levantando, afirmei com um aceno e ela retirou toda a louça, indo em direção à cozinha.
Encarei o lustre de cristais que ficava acima da mesa de mogno. Respirei fundo, forçando-me a engolir aquele nó que já me arranhava a garganta.
Não esperava que Regina contasse a Henry que tudo que Graham podia ter dito era verdade, ela não teria motivo algum pra isso, até porque nós não tínhamos nada significativo.
Infelizmen... não Emma, não.
– Aceita beber alguma coisa? – Regina perguntou assim que retornou à sala de jantar.
– Claro.
– Cidra de maçã? – Perguntou retoricamente indo em direção ao escritório. — ela tinha alguma bebida sem ser cidra, por acaso?!
Entramos no escritório e ela fechou a porta, me encostei na mesma observando-a enquanto ia até o armário onde guardava o que me pareciam ser centenas de garrafas da bebida favorita da prefeita de Storybrooke. O escritório, a cidra... Já vi esse filme antes. – Não vai se sentar? – Era mais uma pergunta retorica.
Sentei em uma das poltronas, Regina colocou os dois copos acima da mesinha que ficava entre as duas poltronas e um sofá em que sentou em seguida. Eu o reconhecia facilmente, era o mesmo em que havíamos passado o que eu não saberia se deveria chamar de “nossa primeira noite”.
– Vai ficar me encarando por muito tempo com essa cara de pastel, Ms. Swan, ou vai beber a cidra? – Perguntou.
– Certo, desculpe. – Falei ignorando o “cara de pastel” e bebendo um gole da bebida em seguida.
– Não esperava que eu contasse a Henry que as bobagens que Graham falou poderiam ser verdades, não é? – Ela perguntou enquanto me observava.
– Você nem sabe exatamente o que Graham disse, não quis ouvir.
– Não quero dar corda a esse assunto com Henry. Não tenho moti... Deixa pra lá.
– “Motivos”?! – Completei quando ela se impediu de continuar.
– E por acaso eu os tenho, Ms. Swan? – Ela perguntou retoricamente pela decima vez.
– Pelo jeito não. – Falei me levantando.
– O que quer dizer, Ms. Swan? – Ela se levantou ficando a minha frente.
– Quero dizer, Madam Mayor, que a senhora na hora que está com fogo no rabo vem me procurar.
– Me corrija caso eu estiver errada, mas eu nunca forcei a senhorita a nada. Na verdade, muitas vezes foi a senhorita quem veio com segundas intenções.
– Ah, fui eu quem veio com segundas intenções quando você me beijou, fui eu quem estava com segundas intenções quando você invadiu o quarto no navio.

– Foi você quem provocou todas as situações!
– Corrija-me se eu estiver errada, mas pelo que diz, parece que a senhora não tem controle algum sobre as ações que faz.
Regina parecia estar prestes a explodir. – Queria que eu fizesse o que, Swan? Contasse tudo a Henry?!
– Não! Apenas queria que você assumisse uma vez na vida! Que não me dispensasse pelo menos uma vez! Que não se arrependesse três minutos depois de tudo feito! – Gritei de volta.
– Emma... – Ela parecia paralisada. Me encarava de boca aberta quando as minhas lagrimas começaram a escorrer sem controle algum, como se queimassem minhas bochechas.
– E eu nem sei por que isso me importa tanto, mas a senhora está ocupada demais pensando no próprio mundo pra perceber que todo o ser humano tem sentimento, que Graham pode não ser o único a sair ferido nessa história! – Respirei fundo tentando me acalmar. – Eu... eu tenho que ir.
– Emma... – Ouvi ela dizer quase sem força, me afastei e sai da mansão.
Assim que cheguei ao duplex encontrei uma Mary Margaret praticamente desmaiada no sofá da sala. Tentei fechar a porta e ir ao meu quarto sem acorda-la e ela me visse com os olhos vermelhos e possíveis perguntas viessem.
– Emma? – Mary Margaret me chamou, levantou e coçou os olhos com a palma da mão, ajeitando os cabelos negros em seguida. – Aleluia você chegou, foi jantar ou dormir na casa de Regi... O que aconteceu?
Ah droga... – Nada, apenas um cisco.
– Essa desculpa é mais velha que a Granny! Ou não, já existiam desculpas na pré-história?
– Meu Deus, Mary Margaret! Você não vai pro céu.
– Você é quem vai pro céu rapidinho se não me contar o que aconteceu. – Ela me disse puxando para o quarto dela, sentando na cama e dando palmadas na própria coxa.
– O que isso quer dizer? – Perguntei confusa.
– Pra você deitar a cabeça no meu colo e me contar, fica mais fácil... eu acho...
– Mais fácil para uma criança de sete anos, você quer dizer? – Falei rindo.
– Você consegue acabar com o momento. – Ela disse revirando os olhos. – Está bem, sente-se aqui ao meu lado então. O que aconteceu?
– Fica clichê dizer que não sei por onde começar?
– Fica clichê eu dizer que “pelo começo”?
Respirei fundo e comecei a contar tudo, desde os sonhos estranhos até o jantar na casa da prefeita que rendeu a uma noite no escritório de Regina. No começo me senti mais do que envergonhada por contar isso a Mary Margaret e principalmente por contar isso a alguém. Sempre estive acostumada a estar só e não poder contar com ninguém que fazer isso agora, abrir o jogo e contar tudo que andava acontecendo para alguém chegava a ser estranho.
Mary Margaret não me julgou quando enfim terminei de contar, sequer me interrompeu no processo inteiro. Ela pediu um segundo para refletir e entender tudo que eu havia acabado de contar.
Deixei Mary Margaret no quarto e fui para a cozinha fazer um chá enquanto ela pensava, mal tinha servido sua xicara quando ela apareceu e sentou-se na cadeira de frente para a bancada.
– E então?
– Não me entenda mal, Emma, mas não é difícil de acreditar que você tenha essa preferência sexual. Você não é a pessoa mais feminina desse mundo. – Ela disse rindo.
– Preferência? – Perguntei depois de parar de rir. – Sempre namorei meninos, Regina é a primeira e única. E foi um erro.
– Um erro pelo qual você parece apaixonada.
– Apai-Apaixonada?! – Perguntei confusa. – Você está usando drogas, Blanchard?
– E você está morrendo de encantos pela prefeita, Swan?
– Você está louca.
– Estou é? Então você fica magoada por ela te dispensar, mas só a considera a mão adotiva do teu filho? – Perguntou irônica. – Que estranho.
– Não tem nada a ver. Só tivemos algumas noites.
– Então por que raios isso te importa tanto?
– Eu... eu não sei.
– Exatamente. – Mary Margaret sorriu vitoriosa. – Se eu fosse você passaria um pente fino nessa bola de pelo emocional que você tem ai e entenderia exatamente o que sente pela sua querida prefeita.
– “Bola de pelo emocional”?! Mary Margaret, como conselheira você é uma ótima professora.
– Você entendeu, Emma. – Falou rindo. – Vou deitar e deixar você refletir no que te disse... isso é, se você conseguir desviar os pensamentos e tirar a imagem da prefeita da sua mente.
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