Notas iniciais
Olha quem voltou? Nós! E dessa vez não demoramos tanto assim. Não vou me estender, aproveitem o capítulo.

POV EMMA SWAN

Era domingo, minha janela estava fechada e mesmo assim era possível ouvir o vento uivar do outro lado. Estava deitada na minha cama encarando o teto há algumas horas com cobertas, lençóis e edredons me cobrindo até o pescoço. Henry e eu havíamos combinado de sairmos e irmos ao shopping da cidade mais próxima ver um filme e brincarmos no fliperama.

– Emma, você não vai levantar e ir à mansão? – Perguntou Mary Margaret entrando no meu quarto para deixar uma pilha de roupas limpas em cima da cama.

Respirei fundo, fazia uma semana desde que eu e Regina havíamos nos visto pela ultima vez.
Desde o ocorrido na estação, não trocamos uma palavra direito, nenhuma mensagem, nem mesmo para falar sobre Henry. Nas reuniões em que nós duas estávamos presentes, ficávamos nos encarando durante eternos minutos, porém não falávamos mais nada sobre nós ou sobre o que estava acontecendo entre a gente ultimamente, até porque não sabíamos o que estava acontecendo.

– Já vou. – Respondi sem muita animação. Estava confusa sobre os últimos acontecimentos. Sentia-me suja por ter transado com Neal e logo em seguida com Regina, que, por algum motivo totalmente desconhecido para mim, daquela vez, não me enxotara no momento seguinte.

“ — Emma, eu tenho que ir. – Ela disse pondo-se de pé.

– Assim? – Perguntei confusa me sentando.

– “Assim” como?

– Sem gritar comigo por ter te forçado a fazer isso? – Que novidade é essa?

– Emma... – Ela encarou os próprios pés por alguns segundos antes de levantar a cabeça e me encarar. – Eu tenho consciência dos meus atos.

– Engraçado, você não tinha nas últimas vezes.

– Não estou te entendendo, quer que eu brigue com você, é isso? – Perguntou, parecia incomodada. A encarei confusa. Era uma completa novidade para eu não ser enxotada por Regina que sequer pensei no que perguntar. Ela balançou a cabeça. – Tenho que ir, a gente se fala.”

– Ainda não estão se falando? – Estava tão envolvida nos meus próprios pensamentos que nem percebi que Mary Margaret continuava parada a porta.

– De quem está falando?

– Você sabe quem.

– Você sabe que Harry Potter e Voldemort são apenas personagens fictícios, certo?!

– De idiota você só tem a cara, Emma Swan. – Revirei os olhos. – Você sabe que estou falando da Regina, vocês ainda não estão se falando?

– Não... – Falei baixo, vi que ela iria argumentar e dei um salto da cama. – Estou atrasada, nos vemos mais tarde.

Peguei meu casaco pendurado na cabideira e sai praticamente correndo do apartamento até onde havia estacionado meu fusca.
Durante todo o percurso para a casa da prefeita, fiquei imaginando como seria o encontro, aqueles olhares em silêncio que se tornaram mais frequentes do que nunca, o “boa tarde” mais do que cordial que trocaríamos, como ficaríamos sem jeito e tentaríamos de todas as maneiras não demonstrar isso.
Eu queria tanto dizer algo a ela que nem eu mesma sabia o que era, como se algo tivesse guardado, esperando eu tomar coragem para conseguir falar. Balancei a cabeça tentando afastar esse nó na garganta provocado por palavras não ditas e sai do carro indo em direção à porta.

– Ah, Miss Swan. – Ela disse assim que abriu a porta, usava um vestido vermelho justo marcando todas suas deliciosas curvas, os saltos altos como o normal, batom carmim nos lábios carnudos. Respire Swan, respire. – Entre, Henry já vai descer.

– Obrigada. – Respondi num tom quase inaudível, ela foi um pouco para o lado dando espaço para que eu passasse pela porta, respirei fundo e acabei sentindo o cheiro do seu perfume inebriante de maçã, quase automaticamente senti o ar deixar meus pulmões e minha boca ficar seca.

– Aceita alguma coisa? – Aqueles olhos castanhos me encaravam de certa forma que eu começava a me sentir tonta.

– Ah... – Você com gelo e limão, por favor. – Não, muito obrigada.

– Emma, vamos? – Henry apareceu cinco minutos depois quebrando o silencio constrangedor. Usava seu praticamente inseparável sobre tudo e cachecol. A cada dia que se passava Henry parecia mais alto.

– Antes de saírem, aonde vão? – Regina perguntou com seu tom preocupado normalmente usado quando se tratava de Henry.

– Ao shopping! – Henry respondeu animado. – Vamos ver alguns filmes e jogar no flipera...

No shopping?! – Regina falou alarmada. – A cidade com shopping mais próximo fica a duas horas de Storybrooke. Você não me disse que levaria Henry para fora da cidade.

– Se a prefeita ao menos tivesse gastado um pouco da verba construindo um shopping para os jovens desta animada Storybrooke, não teríamos que pegar a estrada. – Regina me fuzilou com o olhar e eu senti meus pelos ficarem arrepiados no mesmo instante. – Temos que ir, ou ficaremos sem entradas.

– Não vão mesmo! Isso não foi o combinado, Miss Swan. – Regina disse se colocando a frente da porta.

– A gente não combinou nada, pra falar a verdade. – Respondi com simplicidade.

– Mãe, por favor! Deixe-nos ir. – Pronto, sabia que a batalha estaria ganha. Não existia nada que Regina conseguisse negar facilmente quando Henry fazia aquela carinha de pidão.

– Henry, eu não sei se é seguro você ir sozinho a outra cidade.

– Certo, agora sou apenas o fantasma. – Resmunguei, Regina revirou os olhos.

– Por que não vem conosco? Por favor, mamãe. – Henry abriu um sorriso que até eu poderia acabar cedendo a todos os seus pedidos.

Regina me encarou com os olhos franzidos, dei de ombros. Afinal, ou ela ia ou sabia que nós não iriamos. E claro que passar um tempo a mais perto da prefeita não seria de todo mal.

– Não sei se é uma boa ideia. – Ela disse por fim, voltando a encarar Henry.

– Vamos Regina, não terá problema.

– É obvio que não terá problema se eu for, Miss Swan. Se Henry for sozinho, ai sim terá problema. – Ela respondeu revirando os olhos como se fosse obvio.

– Certo. – Respirei fundo, não ia puxar discussão pra depois ter que aguenta-la por mais duas horas trancadas no carro com cara de emburrada.

– Que filme nós iremos ver? – Ela respondeu voltando seu olhar a Henry, e mesmo estando de costas eu sabia que ele estava com um sorriso que ia de orelha a orelha.

– Você vai? – Ele perguntou, Regina confirmou com um sorriso e o garoto se jogou em seus braços num abraço apertado. — Vamos ver Frozen.

Achamos que vamos. Se demorarmos mais, iremos ficar sem ingressos! – Apressei.

– Certo, só vou subir trocar de roupa. – Ela disse saindo praticamente correndo em direção as escadas.

– Deuses Regina, não demore. – Gritei olhando no meu relógio. – Por que raios ela vai trocar de roupa, Jesus?! – Falei olhando pra Henry que deu de ombros. Regina voltou dez minutos depois usando um sobre tudo preto por cima do vestido. – Sério? Dez minutos pra pegar um casaco?

– Eu retoquei a maquiagem. – A prefeita respondeu revirando os olhos. – Vamos ou não vamos?

– Vamos! – Disse Henry animado saindo porta a fora. Regina e eu o seguimos até pararmos ao lado do fusca estacionado em frente à mansão.

– Regina, por favor, não temos muito tempo... – Resmunguei assim que a vi parada em frente à porta do carona, olhando com desgosto a maçaneta.

– Você deveria trocar esta lata de sardinha, Swan. – Regina disse puxando a maçaneta com a manga do casaco.

– Isso é sério? – Comentei incrédula assim que vi Regina colocando o casaco sobre o banco e sentando em cima.

– Seríssimo, como vou saber quem você trás nesse carro?!

– Ah, você não gostaria de saber... – Falei para irrita-la, Regina me olhou cerrando os olhos. Arqueei a sobrancelha e ela afivelou o cinto de segurança. – Todos prontos?

– Sim! – Disse Henry animado no banco traseiro, já tinha seu gameboy em mãos.

Liguei o carro e dei partida, Regina tinha as mãos em cima do colo para não tocar em qualquer lugar no meu carro, dei uma pequena risada e continuei dirigindo, não demorou muito e lá estávamos nós rumo à estrada para um dia no shopping.
O percurso inteiro foi em silencio, Henry deu uma pequena cochilada e Regina tentava de todas as formas não cair no sono provavelmente por nojo de dormir no meu carro. Assim que chegamos, foi mais de quinze minutos rodando o estacionamento para achar uma vaga para o carro.

– Finalmente, mais quinze minutos nessa latinha e eu iria morrer com alguma infecção. – Disse Regina como de costume, apenas revirei os olhos e ignorei.

– Certo, agora vamos logo comprar os ingressos antes que estes se esgotem. – Falei. Regina pegou na mão de Henry e juntos fomos até o elevador que levaria ao andar da praça de alimentação e do cinema.

Por sorte ainda tinham lugares disponíveis, pegamos três cadeiras em cima e bem em frente à tela. Já eram 15h e nossa sessão era daqui a quarenta minutos, fui com Henry comprar pipoca, refrigerante e alguns doces enquanto Regina ia até o banheiro.
Assim que entramos na sala de cinemas, deixamos Henry sentar em nosso meio, já começavam os trailers quando um homem de no mínimo um metro e oitenta sentou-se bem a frente da cadeira de Henry.

– Eu não vou conseguir enxergar nada! – Reclamou o menino.

– Certo, Henry troque de lugar comigo. – Falei, a minha frente estava uma menina de no máximo doze anos de idade. Henry estava levantando quando Regina segurou-o pelo pulso.

– O que está fazendo, Miss Swan?

– Trocando de lugar com Henry para que ele possa enxergar? – Perguntei revirando os olhos. – Vamos garoto, troque de lugar comigo.

Espero que não tenha sido uma desculpa para se sentar ao meu lado. – Sussurrou a prefeita assim que trocamos de lugar.

Não se preocupe, Mayor, não usarei desculpas quando quiser algo de você. – Sussurrei no mesmo tom provocativo que ela adorava usar contra mim, e a mesma se mexeu incomodada na cadeira. Logo começou o filme.

Era uma animação infantil cheia de canções, mas, que eu deveria dizer, muito legal e gostosa de ser assistida. Henry olhava pra tela encantado com o filme como se fosse a primeira vez que ele havia ido a um cinema, foi então que me ocorreu que aquela poderia ser a primeira vez que ele estava numa sala de cinema. Sorri com a ideia de que ele estava pela primeira vez indo ao cinema e comigo.
Regina olhava a tela com os olhos semi cerrados, totalmente concentrada e eu adoraria saber o que ela estava pensando ao ver aquele boneco de neve dançando e cantando.

Emma. – Henry me chamou baixinho chamando minha atenção.

Fala garoto. – Respondi no mesmo tom.

Eu preciso ir ao banheiro...

Consegue ir sozinho? – Ele revirou os olhos com a minha pergunta idiota. – Certo “homenzinho”. – Falei irônica. – A saída para o banheiro fica reto depois daquela porta. – Falei apontando, ele deu um aceno de cabeça, colocou o balde de pipoca no meu colo e se levantou indo em direção ao banheiro.

– Aonde Henry vai? – Perguntou Regina como se despertasse de transe.

Fale baixo, mãe coruja. – Regina me fuzilou com os olhos. – Ele foi ao banheiro.

– E onde fica esse tal banheiro? – Perguntou ignorando meu conselho para falar baixo.

Logo ali, agora fale baixo.

– Não fale comigo nesse tom de voz, Miss Swan! – Repreendeu-me.

– Ei, fale baixo velhota! – Disse um jovem, duas cadeiras abaixo.

– Olha como fala comigo, rapaz! – Retrucou Regina.

– Falo como eu quiser. – Respondeu sorrindo e tacando uma pipoca em Regina.

– Mas que ultraje, sua mãe não lhe deu educação?! – Regina já estava em pé. Ultraje?! E ela não quer ser chamada de velhota?!

Regina, fique cal...

– Não me peça para ficar calma! Esse jovem não tem um pingo de educação!

– Escute a patroa e fique calma, velhoca! – Disse o mesmo jovem sorrindo com malicia.

– Escuta aqui, rapaz. É melhor ficar calado. – Falei irritada, puxei Regina e a fiz sentar-se.

– Ih, a machorra ficou irritada. – Debochou o garoto.

– Ah Deuses. – Falei revirando os olhos e ignorando.

– Você não vai falar nada?! – Regina brigou comigo.

Quer que eu fale o que? Deixa o garoto reclamar, vamos assistir o filme antes que nos expulsem da sala.

– Mas...

Sem mas, se nos tirarem daqui Henry não vai saber o que aconteceu. – E isso foi o necessário para ela pelo menos falar baixo.

Se pelo menos você usasse roupas mais femininas... – Ela comentou.

– Ei! Não tem nada errado com minhas roupas! – Olhei-a furiosa.

Shiu, Swan! – Falou revirando os olhos, mas podia jurar ter visto um pequeno sorriso formando no canto de sua boca.

Olha como fala com sua patroa. – Falei apenas para provoca-la.

Ah, agora a senhorita é minha patroa é?! – Respondeu no mesmo tom malicioso. Essa vozinha que me tira do sério.Então quer dizer que é você quem manda, Swan?

Isso a gente pode descobrir...

O que eu perdi? – Perguntou Henry sentando-se ao meu lado e quase me matando de susto, Regina se endireitou e pigarreou disfarçando. Olhei no meu relógio, ainda teríamos uma longa tarde.

Notas finais
Quem quer bater no nariz de batata além de mim? :D Mas aguardem, próximo capítulo... MUAHAHAH Reviews?