Has Light in the Darkness
11 The Party
Notas iniciais
POV REGINA MILLS
A porta de casa estava aberta. Os convidados entravam e saíam a qualquer hora. Henry corria de um lado para o outro, sendo o anfitrião da festa, recebendo as pessoas, pegando seus presentes e colocando em cima da mesa que preparou só para os pacotes.
Estava nervosa, suando frio. Não era normal para eu permitir que tantas pessoas entrassem assim na minha casa, sentassem no meu sofá, usassem meus copos, tomassem meus sucos e água, e, ainda por cima, conversassem animadamente. Fiquei parada perto da porta da cozinha, apenas olhando cada um que passava por ali. Graham estava do meu lado, seu braço dava a volta em minha cintura e uma das mãos estavam no bolso da calça social. Ele me segurava e, se não fosse por ele, acho que eu já estaria no chão ou mandando todas essas pessoas embora. Se não fosse por Henry nunca teria feito algo assim.
Tentava ficar com o sorriso mais simples que conseguia no rosto, fazer com que ele não se desmanchasse em questão de segundos. Fiquei observando todas as pessoas entrarem na casa. Kathryn passou pela porta e logo atrás dela estava David com um embrulho enorme nos braços. Vi Henry se deslumbrar com o tamanho do pacote e pular no pescoço do maior, o abraçando. Ele deu um beijo na bochecha de Kathryn e então se retirou, deixando o casal sozinho.
Voltei a grudar meus olhos na entrada. Logo então Mary Margaret passou pela porta rindo com um pequeno pacote em mãos. Senti minhas pernas tremerem, mas achei estranho quando ao lado dela apareceu Ruby ao invés de Emma. Geralmente a loira que sempre acompanhava a morena, era como a fiel escudeira de Mary. Porque dessa vez ela não tinha vindo com ela? Será que algo aconteceu com a xerife? E se ela não vier na festa de Henry só por causa de... mim.Não, creio que ela não seria capaz de fazer uma coisa dessas.
Observei a morena entregar o pacote para meu filho e lhe abraçar. Ela deu lado para que Ruby cumprimentasse o menor e então olhou para trás. Seu sorriso sumiu e pude ver que seus olhos se encheram de lágrimas. Ela se afastou de Ruby e então saiu da casa à passos largos. Olhei para a direção que a senhorita Blanchard tinha olhado e apenas vi Kathryn abraçada ao marido, que a segurava pela cintura e olhava em direção a porta, como se esperasse alguma coisa.
Olhei para Graham e o rapaz estava com um sorriso em sua face. Ele olhou para mim e depositou um beijo em minha testa. Fechei meus olhos e voltei a encarar a porta. Foi então que vi a loira parar na porta. Meu coração acelerou e minha respiração se prendeu. Senti Graham apertar minha cintura fortemente e me puxar mais ainda para perto de si. Foi quando ela entrou que eu pude ver que ela...
Não, não podia ser...
Ela estava de mãos dadas com um rapaz de cabelos curtos castanhos! Mas que po...?!Notou que eu a observava, confusa, e então sorriu. Não, não era qualquer sorriso. Era aquele sorriso. O mais cínico de todos, que ela adorava fazer para me provocar. Acenou para mim e Graham e então foi até Henry, o abraçando fortemente. Ela lhe entregou um embrulho médio e então apontou para o homem.
Vi os olhos de Henry cintilarem e então ele abraçou-o pela cintura, fechando os olhos e sorrindo. Mas que diabos estava acontecendo na minha casa?!
POV EMMA SWAN
Novamente virei meu pulso e olhei o relógio. Ótimo, estava atrasada para o aniversário de Henry. Me encostei no fusca e fiquei esperando ele parar na entrada da cidade. Nada. Respirei fundo e abaixei a cabeça. Talvez ele tenha desistido e dado no pé. Mais uma vez.
Abri meu celular e olhei o visor a procura de uma mensagem ou chamada perdida. Nada. Fechei-o e guardei-o no bolso. Decidi esperar mais algum tempo e, se acaso ele não aparecesse, iria entrar no meu carro e ir sozinha para a festa. Senti meu peito se apertar e a respiração faltar ao me lembrar de que teria que passar sozinha pela porta e encarar Regina junto de Graham. Os dois abraçados, sorrindo um para o outro, felizes, talvez, se beijando. E eu tentando manter um mero sorriso em meu rosto.
Respirei fundo e, no mesmo instante em que abri a porta do carro e estava pronta para me sentar no banco e dirigir, uma buzina começou a tocar incansavelmente. Olhei para trás e vi Neal com a cabeça para fora do carro, rindo e sorrindo. Ele parou ao lado do meu carro e abaixou vidro do carona, abrindo um sorriso encantador.
– Desculpe o atraso. Mas eu não posso chegar no aniversário de meu filho sem ao menos com um simples presente em mãos. – Ele levantou o pacote embrulhado em um papel de presente azul metálico e eu sorri fraco.
– Tudo bem. Acho que agora já podemos ir.
Entrei no carro e dei partida, segundos depois. Saí na frente de Neal e dirigi até a casa da prefeita. Minhas mãos estavam suando frio e eu não conseguia parar de imaginar qual seria a reação da mulher ao me ver passar pela porta com um homem ao meu lado. Confusão? Raiva? Tristeza? Ciúmes? Não, acho que essa última alternativa é parte da minha ilusão.
Estacionei o carro em frente a garagem da prefeita e desembarquei do mesmo, esperando Neal estacionar o seu atrás do meu e desembarcar. Ele pegou o presente e veio em minha direção, depositando um beijo em minha bochecha. Senti um pequeno arrepio no local por causa da barba dele e sorri. Segurei sua mão e o puxei para a casa. Avistei Mary Margaret sentada no meio fio da calçada, estava com a cabeça apoiada nos joelhos, olhando para o lado contrário de nós. Estranhei vê-la ali ao invés de lá dentro, mas logo pude desconfiar o porquê dela estar assim.
Entrei na casa e a primeira pessoa que vi foi Regina, sendo abraçada por Graham. Vi ela me olhar confusa, com um misto de decepção, e abri um sorriso cínico para ela. 1X0 para Emma. Acenei para os dois e ouvi Henry gritar meu nome. Fui até ele e lhe abracei. Entreguei seu presente e então mostrei Neal. No momento em que falei quem ele era, os olhos do garoto brilharam e no instante seguinte ele estava abraçado ao pai.
POV MARY MARGARET BLANCHARD
Não devia estar me sentindo assim, não podia deixar que ele visse como fiquei ao vê-lo com... a outra. Mesmo depois de tanto tempo ainda me doía, fazia me sentir mal ver ele com a esposa, abraçando ela, beijando-a, sorrindo com ela. Não era para ser ela! Era eu que tinha que estar assim com ele! Novamente meus olhos estavam marejados e eu os sequei com a palma da mão, soltando um breve soluço.
Abracei minhas pernas e deitei minha cabeça nos joelhos, olhando para o relógio em cima da biblioteca. Fiquei observando os ponteiros se deslocarem de acordo com os minutos. Escutei passos pararem atrás de mim e um suspiro. Respirei fundo e fechei os olhos, afastando as lágrimas que queriam se derramar. Levantei minha cabeça e olhei para o lado, esperando ver Ruby ou Emma ali, porém prendi minha respiração ao ver ele ali, sentado ao meu lado. Seus joelhos também estavam dobrados e seus braços apoiados nos mesmos.
Seus olhos azuis me olhavam com certa cautela e, no instante em que olhei nos fundo deles, me senti presa a ele.
– O que faz aqui? – Perguntei e ele sorriu fraco.
– Vim te fazer companhia.
– E eu por acaso lhe pedi para que viesse me fazer companhia?
– Não. Mas mesmo assim eu vim porque quis.
Suspirei e olhei para o outro lado.
– Você está bem?
– Claro que sim. Estou maravilhosa! – Respondi e olhei-o, sorrindo ironicamente. Ele abaixou a cabeça e ouvi um leve suspiro.
– Me desculpe.
– Pelo que? Por me enganar, me fazer de trouxa, me iludir, me fazer sonhar e pensar em algo que nunca aconteceu nem irá?
– Você não é a única que está sofrendo. Eu sinto sua falta, queria que você estivesse no lugar de Kathryn...
– Então porque não pede logo o divórcio e acaba com tudo isso? Com o sofrimento de nós dois? – O interrompi e ele me olhou, balançando a cabeça negativamente. Que perfeito, meus olhos voltaram a se encher de lágrimas!
– Não é assim tão fácil.
– Porque não? É só você falar com seu advogado, dar entrada nas papeladas, assinar, se precisar ir a um tribunal, e então acabou. Qual é a parte no difícil disso David?!
Ele então me olhou e eu senti um arrepio passar por minha espinha. Senti uma gota gelada escorregar pela minha bochecha. Sequei-a com as costas da mão e vi a figura turva de um David. Fechei os olhos e deixei que mais lágrimas escorressem por minhas bochechas e aliviassem a pequena dor que sentia em meu peito.
– Você não quer magoá-la, não é? – Perguntei e ele assentiu, olhando para baixo – Mas me machucar, me fazer chorar, me magoar, com isso você não se importa.
David me olhou e pude ver uma lágrima no canto de seu olho. Solucei e então fechei os olhos, fazendo as lágrimas pararem de escorrer. Sequei minha bochecha e me levantei, dando as costas para David. Quando ia dar meu terceiro passo, senti seus dedos fecharem em volta de meu braço e me virar para si. Coloquei minhas mãos em seu peito para impedir que me chocasse contra ele e então fui surpreendida por um beijo.
Um beijo calmo, sem nenhum sinal de volúpia. Um beijo lento, onde nossas línguas se chocavam e fazia ondas de arrepios passarem por todo nosso corpo. Relaxei meu corpo e apertei sua camisa. Seu outro braço deu a volta em minha cintura e ele juntou nossos corpos, colando-me ao seu peito e fazendo seu sentir seu coração bater rapidamente em cima de minha mão. Ele me soltou e encarou no fundo dos meus olhos, ofegante, assim como eu, pelo beijo ter durado mais do que imaginávamos.
– Hey vocês dois! – Senti minhas pernas tremerem e me virei rapidamente assustada, encarando uma Emma risonha e com um sorriso enorme em seu rosto. David me soltou e ela se aproximou, parando na minha frente.
– Deviam ser mais cuidadosos. E se fosse a sua esposa ao invés de mim, senhor Nolan? Tiveram sorte dessa vez- ela riu e eu soltei uma risada nervosa. – O bolo vai ser servido. Vamos entrar.
Emma se virou e voltou para dentro da casa, nos deixando sozinhos. Virei meu rosto para David e ele sorriu para mim, seus olhos brilhando. Retribui o sorriso para ele e, assim como Emma, voltei para dentro da mansão Mills. Dessa vez ninguém me segurou ou me impediu de andar.
POV REGINA MILLS
Todos estavam com os pratos na mão, comendo bolo, rindo, conversando e se divertindo. Eu apenas observava todos e, sem vontade nenhuma, mordi o primeiro pedaço do croquete de carne que Graham havia me trazido no pratinho cheio de salgadinhos variados e um pedaço de bolo. O bolo estava intocado, ainda com o garfo em cima. Olhei na direção de Emma e senti raiva ao vê-la rindo e conversando com o homem que entrou acompanhada. Ela viu que eu a observava e então, com o garfo, pegou um pedaço do bolo e levou à boca do rapaz. Depois, enquanto ele mastigava, ela pegou um pouco do glacê e passou na ponta do nariz dele. Senti meu estômago embrulhar ao ver a cena e senti vontade de vomitar quando ele a agarrou e lhe beijou.
Larguei a metade do meu croquete de volta no prato e o empurrei a Graham. Ele olhou do prato pra mim confuso e eu bufei.
– O que houve? – Pegou o prato da minha mão e colocou em cima da mesa onde estava a comida.
– Nada. Só não estou com fome. – Respondi friamente e cruzei os braços.
Olhei Emma largar o rapaz e então o olhar um pouco atônita, tentando falar algo. Um sorriso se formou no canto da minha boca e soltei uma risada – quase – nasal. Observei a loira se afastar um pouco dele e então virar as costas e passar pela porta da cozinha. Eu precisava falar com ela. Precisava dar um jeito de sair dali sem ninguém desconfiar de nada, principalmente Graham.
Olhei os refrigerantes em cima da mesa e vi que eram poucos. Sorri e me levantei do banco, ajeitando um pouco o colete preto.
– Vou buscar mais refrigerantes. – Disse para Graham.
– Eu te aju..
– NÃO! – O interrompi assim que vi ele se levantar. Ele rapidamente voltou a se sentar e arquear as sobrancelhas. Fechei os olhos e respirei fundo, irritada com sua necessidade de ficar a cada segundo totalmente grudado em mim. – Eu dou conta.
– Tem certeza?
– Tenho Graham. Eu também... preciso ficar um pouco sozinha. Estou meio enjoada.
– Regina eu posso lhe aju...
– Já disse que não precisa Graham!
Me virei e saí de lá em passos largos e rápidos antes que ele viesse atrás de mim. Entrei na cozinha e procurei a cabeleira loira de Emma por toda a parte, porém a loira não estava ali. Fui para o jardim e vi a loira encostada na árvore. Rapidamente agarrei seu braço e a puxei em direção ao depósito de ferramentas.
– Mas que merda Regina! Me larga! – Ela se debatia e gritava. Eu apenas apertei mais ainda meus dedos em volta do seu braço e a continuei puxando.
– Para de gritar ou as pessoas vão vir atrás. – Esbravejei abrindo a porta do pequeno lugar e a jogando para dentro. Emma cambaleou e conseguiu se equilibrar e permanecer em pé.
– O que é que você quer?!
– Que merda você está fazendo Swan? – Perguntei fechando a porta e dando um passo a frente. – Quem é aquele cara?
– Ah, ele é só um amigo.
– Não, ele não é só um amigo. Swan, aquele homem que você trouxe é o pai do Henry?
Emma suspirou e colocou a mão nos bolsos traseiros do jeans.
– É. O Neal é o pai do Henry.
– EU NÃO ACREDITO! COMO VOCÊ TEVE CORAGEM DE TRAZÊ-LO AQUI?! – Senti meu sangue ferver e minha vontade era de esganar Emma naquele instante.
– Ele me ligou e queria conversar. Eu então pensei... que seria uma boa apresenta-lo de uma vez por todas para o filho.
– Pois pensou errado! E se isso deixar Henry... confuso?
– Confuso com o que Regina?! – Emma perguntou confusa e eu dei de ombros, procurando algo para falar. – A única coisa confusa aqui é a sua relação com Graham!
– Nossa relação não é confusa! Confuso foi você ter beijado aquele... cara!
– Ah, você ficar se agarrando com Graham, assumir a todos que está com ele é normal! Mas eu beijar meu ex-namorado, o pai do meu filho, é anormal! Poupe-me Regina!
– Você está passando dos limites com isso Swan...
– Eu estou passando dos limites com isso, Madam Mayor? Você resolveu assumir Graham pra Henry, e eu não posso apresenta-lo ao pai? Me poupe Regina, me deixe sair daqui! – Falou tentando passar, eu bloqueie a porta com o corpo forçando-a a ir para trás.
Avancei em sua direção, quase a fazendo se chocar com o armário de metal com algumas ferramentas. – Regina... – Me repreendeu quase em um sussurro inaudível fechando os olhos enquanto se encolhia ainda mais como se pudesse evitar a nossa aproximação.
– O que foi, Miss Swan? – Perguntei me aproximando ainda mais fazendo nossos corpos se colarem. –Isso te incomoda? – Sussurrei ao pé de seu ouvido.
– Regina... não faça isso... – Falou ela indo mais para trás e se chocando contra o armário, deixando cair um martelo ao lado dos seus pés.
Dei uma pequena risada no seu pescoço, onde pude ver sua pele arrepiada. Beijei-lhe o pescoço, sentindo seu doce perfume de jasmim invadir minhas narinas. Voltei-me para seu rosto, encarando aquela íris esmeralda que parecia tentar ler-me a alma.
– Assuma que quer tanto quanto eu, Ms. Swan. – Falei ao seu ouvido, ela apertou mais os olhos, como tentasse recuperar o controle de si.
– Eu... não quero. – Falou segurando nos meus ombros e me afastando.
– Swan, eu sei que você não sente mais nada por aquele cara... – Falei ainda encarando seus olhos verdes.
– E se eu sentir? – Perguntou elevando um pouco o tom de voz.
Senti meu sangue voltar a ferver em avaliar essa possibilidade. Por alguma razão pensar ou até ver Emma com alguém me tirava do sério. – Não me provoque, Swan. – Sibilei entre dentes.
– E se eu sentir, Mayor? – Repetiu me provocando, era visível em minha face que essa possibilidade não me deixava nem um pouco feliz. – Você pode dormir comigo e no mesmo dia ir para cama com Graham, mas eu não posso ainda nutrir algum sentimento pelo Neal?!
Voltei a me aproximar rapidamente, voltando a prensa-la contra o armário, minha mão desceu rapidamente para o meio de suas pernas, massageando sua intimidade por cima da calça, onde mesmo por cima do jeans eu podia sentir o quão ela estava molhada.
Voltei-me ao seu rosto, onde ela tinha os olhos fechados, sua boca traçava uma fina linha como se reprimisse um gemido, uma palavra, um pedido. – Isso prova o contrário, querida. – Sussurrei ao seu ouvido, ela soltou um pequeno gemido pela boca ainda com os olhos fechados, soltei uma pequena risada no seu pescoço vendo sua pele voltar a se arrepiar. – Nos vemos mais tarde, Miss Swan. – Beijei-lhe os lábios rapidamente mordendo o inferior antes de deixa-la para trás no pequeno deposito.
POV EMMA SWAN
Regina me deixou com pensamentos nada puros naquele pequeno deposito de ferramentas. Mas pensando bem, quando ela conseguia me deixar com pensamentos puros? Ah claro, quando ela me fazia ter vontade de enforca-la. Definitivamente, Regina conseguia me fazer ter tantos pensamentos, emoções e até sentimentos conflitantes.
Voltei para a festa onde Henry conversava com Neal animadamente, Mary Margaret ao lado de Ruby olhando pelo canto do olho várias vezes para onde Kathryn e David se encontravam, Graham fitar Regina de cinco em cinco segundos com uma expressão facial nada feliz. Por sua vez, a prefeita observava Neal e Henry atentamente.
Sentei-me ao lado dos dois tentando controlar minha respiração, que por causa da pequena provocação de Regina havia acelerado anormalmente. – Emma? Está tudo bem? – Perguntou Neal se virando pra mim assim que Henry foi conversar com Mary Margaret e Ruby.
– Ah, sim. – Respondi sem muita convicção.
– Não parece tão bem... – Falou, eu levantei as sobrancelhas. Neal tomou minhas mãos, acariciando-as enquanto as encarava. – Emma, sobre o beijo... Me desculpe eu não queria... Não, eu quis sim. Emma me desculpe, eu não devia ter forçado a barra... Emma?
– Ah oi. – Falei quando voltei a encara-lo. Não tinha prestado atenção em sequer uma palavra que ele havia dito, apenas encarava Regina e Graham, ele com um braço envolvendo sua cintura, puxando-a mais para perto como se quisesse grudar seus corpos e não deixa-la sair de perto dele nunca mais. Que vontade repentina de vomitar. – Desculpe Neal... Eu estava prestando atenção em outra coisa.
– Ah... – Ele soltou minhas mãos e me encarou nos olhos. Eu sabia que ainda sentia alguma coisa por Neal, mas não era de perto o que senti por ele anos atrás. Eu não sabia exatamente o que era, poderia ser apenas aquela sensação de nostalgia que se sente quando vimos o primeiro amor. – Emma, desculpe-me pelo beijo... Eu não queria forçar a barra...
– Está tudo bem, Neal. Só não faça isso de novo. Você me abandonou e eu ainda tenho magoas disso. – Falei. – Eu só te liguei para... – Causar ciúmes na prefeita? – Para que você conhecesse o Henry.
Neal não falou mais nada praticamente o resto da festa. Estava anoitecendo quando Mary Margaret se despediu deixando apenas eu, Graham, Regina e um cansado – mas extremamente feliz – Henry, que não parava de agradecer a mãe por deixa-lo fazer a festa. – Acho que já pode ir, Emma. – Disse Graham assim que Mary Margaret fechou a porta.
Arqueei as sobrancelhas surpresa com o fato de Graham ter praticamente me chutado da casa da prefeita. Já era um relacionamento tão sério assim?! – Não, Emma vai me colocar pra dormir também. – Disse Henry se aproximando de mim e me tomando a mão me puxando para perto da escada, onde Regina se encontrava.
– Também? – Perguntamos eu e Regina confusas.
– Minhas mães me pondo para dormir, tem jeito melhor de terminar meu aniversário? – Perguntou sorrindo e subindo as escadas em seguida.
– Graham nós...
– Eu espero na sala. – Disse o moreno interrompendo a prefeita.
Subimos a escada em seguida e em silêncio percorremos o corredor até entrarmos ao quarto de Henry, dei espaço para Regina passar e fechei a porta em seguida.
Henry já estava de pijama sentado na cama, folheava animado um livro que tinha em mãos. – Que livro é esse, querido? – Perguntou Regina sentando-se a ponta da cama, me sentei ao lado contrário.
– É o presente que a senhorita Blanchard me deu. – Falou Henry que fechou o livro e o colocou na mesinha de cabeceira. O pequeno se esticou na cama e Regina depositou um beijo em sua testa dando-lhe boa noite que eu imitei. – Boa noite mães! – Falou Henry antes de fechar os olhos ainda com um sorriso no canto da boca.
“A outra mãe do seu filho” A voz de Mary Margaret surgiu em minha mente. E por um pequeno momento eu imaginei como seria viver isso todos os dias, eu e Regina em um relacionamento colocando juntas o nosso filho para dormir.
Ótimo Swan, está na hora de tomar alguns remédios.
Olhei pra Regina que tinha os olhos levemente marejados, assim que percebeu que eu a observava se levantou rapidamente e apagou a luz. Assim que saímos do quarto Regina praticamente me empurrou para o quarto de hospedes ao lado. – O que você está..
– Shii! – Disse Regina tampando minha boca com a mão. – Quer alarmar a cidade inteira?!
– O que raios você...
– Cale a boca Swan! – Disse Regina voltando a tampar minha boca. – Fale baixo!
– O que pensa que está fazendo?! – Perguntei.
– Eu disse que precisávamos conversar.
– Se pensa que vou “conversar” ou qualquer outra coisa com você enquanto seu namoradinho está aqui está ficando louca! – Ela só poderia estar de brincadeira! Iria novamente dormir comigo para depois dormir com Graham na mesma noite?!
– Eu vou dispensa-lo. Precisamos conversar sobre sua ideia maluca de trazer esse cara que você diz ser o pai do meu filho.
Apenas cerrei os olhos, saímos do quarto e voltamos pra sala, Graham estava sentado em uma das poltronas com um copo de whisky em mãos. Deve estar se sentindo super à vontade. Assim que nos viu se levantou e colocou o copo em cima da mesa e se encaminhou até Regina ficando ao seu lado.
– Graham, eu tenho que conversar com a senhorita Swan, amanhã nos falamos. – Se adiantou Regina. Graham ficou quieto, acenou para mim com a cabeça, acompanhado de um olhar frio, Regina o acompanhou até a porta, virei o rosto para o outro lado quando ele se aproximou dela para beija-la. Ouvi a porta se fechar e Regina caminhar – sedutoramente – em minha direção, parando a centímetros a minha frente.
Eu sabia que era errado, sabia que não deveria me envolver com ela novamente, que isso não faria bem nenhum a minha mente, muito pelo contrário. Ela tinha me expulsado bruscamente da casa dela da primeira vez, o que me garantia que não faria a mesma coisa, ligaria pra Graham convidando-o para dormir em sua casa assim que me expulsasse? Nada.
Era errado, eu não deveria por inúmeros motivos. 1º Era, tecnicamente, minha chefe. 2º Era a outra mãe do meu filho. 3º Estava em um relacionamento. 4º e mais importante, era a Regina, mulher que me fez milhões de ameaças assim que vim para Storybrooke; a mulher que eu vivia brigando; mulher que, para me atingir, fingiu um assassinato para incriminar Mary Margaret; a mulher que não saia da minha cabeça.
Eu sequer sabia o que sentia por Regina Mills. E tinha, muito, medo de descobrir o que era.
Provavelmente eu tinha todos os motivos do mundo para não estar morrendo de vontade para agarra-la, mas mesmo assim, eu queria, e como.
Deveríamos ter ficado no mínimo uns dez minutos nos encarando em silêncio, separadas por menos de 10 cm. Quando Regina se aproximou mais ainda de mim, para quebrar qualquer mínimo espaço, antes de seus lábios tocarem os meus, ouvimos o barulho de algum vidro sendo quebrado seguido de um grito vindo do andar de cima. Olhamos para a escada e depois voltamos a nos encaramos, ambas assustadas. Sem pensar duas vezes subimos as escadas correndo, paramos em frente à porta do quarto do Henry, que permanecia fechada.
Abri a porta com as mãos tremulas, entramos no quarto e ao contrario do que tínhamos visto há minutos atrás, Henry não se encontrava mais lá.
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