Notas iniciais
DESCULPAS! Gente, mil desculpas! Como pedido de desculpas estamos postando hoje, embora o dia tenha mudado para quarta. Falando em quarta, se conseguirmos postaremos quarta-feira um novo capitulo. Mil desculpa gente, espero que não tenham nos abandonado! Ah, o capitulo não foi corrigido, então mais desculpas pelos erros... Ia ser menor mas eu adiantei uma parte do proximo (eeeh) Enjoy it

POV EMMA SWAN

Meu coração já estava acelerado, assim como minha respiração. Deveria ser o quarto copo de água com açúcar que eu levava para Regina.

Assim que a prefeita percebeu que Henry não estava mais no quarto desmaiou, tive que ser rápida o suficiente para conseguir segura-la e evitar que ela caísse e batesse a cabeça, segurei-a no colo e a levei até seu quarto, onde a deitei sobre sua cama com cuidado. Não demorou muito para Regina recobrar a consciência. Mas ao invés de chorar ou começar a ter um acesso como eu havia imaginado que ela faria, ela apenas ficou encarando um ponto distante em silencio.

Eu já estava nervosa o suficiente por saber que Henry havia sumido, o silêncio dela não melhorou meu estado em nada. Chamei por seu nome várias e várias vezes, mas ela nada respondeu, apenas continuava a encarar o nada. Perguntei se ela queria um copo de agua e foi quando ela, enfim, se virou para mim e piscou os dois olhos. Desci as escadas correndo tanto que não sei como não cai, levei o copo pra ela, que bebeu em silencio e voltou a encarar o nada, com a voz muito fraca ela pediu mais alguns copos e disse que não estava se sentindo muito bem, atendi seu pedido, deixei-a no quarto com o copo e passei o “pente fino” na mansão a procura de Henry, gritava seu nome, mas ninguém respondia.

Subi as escadas novamente em direção ao quarto da prefeita, mas esta não se encontrava na cama, quase desmaiei ao pensar que ela também havia sumido, mas ela saiu do banheiro. Ao invés da expressão atônita que tinha minutos antes, ela parecia – muito – brava.

– Re-regina? – Perguntei quando a vi calçando as botas que eu havia tirado quando a coloquei na cama. Ela não respondeu, sequer olhou para mim apenas colocou o outro sapato. – Regina? – Ela se levantou e foi em direção a porta, eu a impedi com o corpo e a segurei entre os ombros. – Regina você está bem?

Ela fechou os olhos castanhos e quando voltou a abri-los, eles estavam marejados. – Bem? – Repetiu com a voz fraca. – Como... como acha que posso estar bem?! – Seu tom de voz começou a aumentar e antes que eu pudesse perceber ou entender o que estava acontecendo, aquela mulher a minha frente já estava gritando. – Henry sumiu, Miss Swan! Como tem coragem de me perguntar isso?! Eu sei lá o que pode ter acontecido com o meu filho, mas te garanto, se eu estou mal, não se compara com o estado que a pessoa que pegou Henry vai ficar assim que eu o encontrar!

Estava tentando não gritar de volta que ele também era meu filho, quando percebi o que ela havia dito. – Espere... Você acha que Henry foi... sequestrado?! – Perguntei franzindo o cenho.

– O que você acha que aconteceu?! – Ironizou arregalando os olhos. – Acha que ele fugiu?! Você ouviu o barulho da janela quebrando. Se Henry fosse fugir ele não ia quebrar a janela. – Falou ainda mantendo o tom irônico. Fiquei alguns segundos impressionada como ela conseguia ser logica mesmo com o acontecimento, nada parecida com a Regina que parecia que iria enfartar quando Henry se aventurou pelo Shopping. Talvez os infinitos minutos que ela havia ficado parada observando o nada que na verdade era ela pensando no que havia acontecido.

Antes que eu pudesse falar mais alguma coisa, ela me puxou para o lado e passou pela porta indo em direção as escadas. Me recuperei e corri para alcança-la, puxando seu braço e fazendo-a parar. – Aonde vai?

– Procurar meu filho, óbvio. – Falou.

– E você tem alguma ideia do que realmente aconteceu, Regina? – Perguntei. – É madrugada, você espera fazer o que? Bater de porta em porta?!

E você espera o que, Swan? – Voltou a gritar comigo. – Que eu não faça nada? Que eu fique aqui parada esperando que o bom Deus me traga meu filho?! Não Swan, eu ainda não sei o que vou fazer, mas eu preciso fazer algo!

– O que você tem que fazer é se acalmar! – Falei exasperada. Regina não estava nada bem, estava voltando a ficar pálida, tinha medo que ela desmaiasse. – Regina, – Tentei falar calma – Normalmente, quando sequestram alguém e porque querem resgate.

– Ache o que quiser, eu vou atrás do meu filho, nem que eu tenha que ir na estação policial...

Regina! – Interrompi exasperada com o que acabara de ouvir. – Eu sou a policia de Storybrooke.

Como se fosse possível, Regina ficou mais pálida ainda. Ficou quieta e por um segundo achei que ela iria desmaiar mais uma vez na minha frente. Ela se segurou em meu ombro como se quisesse apoio. – Vamos esperar mais algumas horas, quando já estiver mais claro, se for necessário, vamos bater de porta em porta, procurar em cada canto dessa cidade ou do mundo atrás do Henry. Eu vou acha-lo. – Prometi.

Regina se aproximou de mim, mas eu sabia que dessa vez ela não tinha segundas intenções, ela estava com medo, e eu sabia disso. Me aproximei e a abracei, sem medo que ela me empurrasse e me xingasse eternamente por ter tido a coragem de fazer isso sem que ela pedisse. Ela retribuiu meu abraço, deitando a cabeça em meu ombro onde a ouvi soluçar baixinho.

Acariciei seus cabelos castanhos e depois de poucos minutos seu choro cessou, ela se afastou e encarou o chão por alguns segundos antes de voltar a me encarar, seu rosto já estava retomando a cor normal, seus olhos estavam vermelhos assim como a ponta do seu nariz. Se não fosse pela ocasião eu diria o quanto eu a achei linda mesmo naquele momento em que ela permitiu que todas as suas fortes barreiras emocionais desabassem. Ela sussurrou alguma coisa como um obrigado, eu apenas dei um sorriso com o canto da boca, duvidava que poderia falar algo e provavelmente se eu falasse não seria nada que a ajudasse ou me ajudasse.

–- ** ---

Estávamos agora sentadas cada uma em um sofá na sala de estar ao lado do telefone. Regina acabou adormecendo com o passar das horas, não havíamos recebido nenhuma ligação e eu ficava mais nervosa a cada segundo. Provavelmente fora a canseira e o nervosismo que permitiram que Regina caísse no sono, mas eu não consegui por momento algum fechar os olhos e tentar tirar um pequeno cochilo. A imagem de Henry nos dando boa-noite aparecia na minha mente e eu tentava com todas as minhas forçar reprimir a vontade de chorar. Regina havia chorado enquanto dormia e eu tentava – por alguma razão – parecer firme por nós duas.

Estava observando o rosto da morena no sofá a minha frente quando ela abriu seus – lindos – olhos castanhos, piscou algumas vezes antes de me encarar com as duas sobrancelhas erguidas, eu entendi sua pergunta e apenas neguei com a cabeça. Nenhuma noticia, nada.

Ela olhou no relógio, já eram 6h30m, e não tivemos nenhuma ligação, ameaça, noticia sequer do paradeiro de Henry. Eu já havia ligado para Mary Margaret para ela me informar de qualquer noticia que tivesse, eu tinha decidido ficar ali com Regina, tinha medo que o próprio medo a dominasse e ela saísse e fizesse alguma besteira.

Ainda encarava o telefone quando Regina se levantou em um salto. – O que foi? – Perguntei.

– Não aguento mais ficar aqui, vou fazer alguma coisa. – Falou Regina indo em direção a porta, tive que correr para impedi-la de sair.

– Pretende fazer o que? – Perguntei.

– Vou fazer o que você disse, vou ir de porta em porta. Qualquer coisa! Só não vou ficar aqui parada enquanto meu filho corre perigo! – Falou, sua voz já estava ficando embargada novamente.

Nosso filho. – Corrigi.

Ela me encarou com uma expressão que eu não consegui identificar. Me afastou da porta e saiu. – Regina! – A chamei pela milésima vez.

– O que, Emma? – Falou se virando antes de entrar no carro. – Se vai me pedir pra ficar e esperar mais, eu não vou! – Falou firme.

– Eu não vou te pedir nada. – Falei séria, Regina arqueou a sobrancelha. – Eu vou com você. — Me aproximei e ela recuou um pouco. – Mas eu vou dirigir. – Falei pegando a chave que estava em sua mão e entrando em sua mercedes.

POV REGINA MILLS

Já deveríamos ter rodado a cidade inteira umas cinco vezes, não sabíamos mais o que fazer. Batemos sem parar de porta em porta, ninguém havia visto Henry. Eu já deveria ter chorado milhões de vezes, e só de pensar que alguma coisa de ruim estava acontecendo com meu filho me fazia ter vontade de chorar mais ainda.

Ainda não tinha visto Emma chorar, mas eu sabia que não era por falta de vontade. Varias vezes a vi virar o rosto e secar os olhos já vermelhos. Era como se ela quisesse ser forte por nós duas, mas eu não precisava disso. Eu precisava do meu filho.

– Eu acho que sei de alguém que pode nos ajudar. – Falei depois de um tempo.

– Quem? – Perguntou Emma se virando para mim rapidamente.

– Graham. – Falei, e devo dizer com um pouco de medo da reação da loira a minha frente.

Emma estava olhando para o nada, aflita e provavelmente pensando em Henry, mas fora eu mencionar em Graham que sua expressão mudou rapidamente. – Graham? – Falou com desgosto. – Quer pedir ajuda pro seu namorado? Você já não havia tentado ligar para ele?

– É mas ele não me atendeu. – Falei. Emma cerrou os olhos. – Poderíamos ir na pousada da Granny e falar com ele.

– Eu não sei se é uma boa ideia...

– Swan, você não tem que achar nada. – Falei retomando meu tom autoritário. – Nós rodamos a cidade milhões de vezes, batemos de porta em porta, perguntamos pra todos sobre Henry, e ninguém sabe de nada. Nós duas não estamos dando conta.

– Eu não preciso da ajuda do seu namoradinho, Prefeita. – Falou Emma cruzando os braços.

– Birra uma hora dessas?! – Perguntei. – Não eram vocês amigos?!

Isso antes. – Murmurou, mas eu consegui ouvir.

– Ótimo, fique ai. Eu vou procurar meu filho. – Falei me levantando e indo em direção à porta de saída da lanchonete.

– Espere. – Falou ela se levantando. Eu parei e ela passou por mim em silencio, saindo do estabelecimento. A segui e entrei no carro, tinha concordado com que ela dirigisse, com minhas crises de choro repentinas era mais seguro.

Ela ainda estava de cara amarrada quando ligou o carro. – O que é isso, Swan? Ciúmes? – Provoquei.

– Não é hora de gracinha, Madam Mayor. – Falou fria.

– Desculpe a minha curiosidade. – Comecei irônica. – Mas depois que nos viu na cozinha você tem agido tão estranhamente com ele...

– Ah, ele te disse isso? – Falou sem tirar os olhos da rua enquanto dirigia.

– Não chegamos a falar de você, se é que me entende. – Falei sorrindo maliciosa enquanto encarava sua face, que se possível se franziu mais ainda. – Só queria entender, isso é ciúmes de Graham, ou de mim?

Swan quase bateu o carro em um parado a frente. – Caramba! – Falei assustada.

– Não me desconcentre enquanto estou dirigindo novamente, Regina! – Falou entredentes. – E se quer mesmo saber, depois do que aconteceu quando Graham foi para Nova York nos afastamos, não somos mais amiguinhos.

– Então é ciúmes dele...

– Pelo amor de Deus, Regina! – Reclamou. – Eu não gosto do Graham! – Falou se virando para mim, quando fui abrir a boca para argumentar ela se adiantou: — E nem de você! Agora me deixe dirigir pra você ir correndo pedir ajuda pro seu namoradinho.

Assim que paramos na pousada da Granny, subimos apressadas as escadas que levariam até o quarto de Graham. Batemos varias vezes, Swan estava ameaçando arrombar a porta caso Graham não abrisse quando Granny apareceu. – Que gritaria é essa? Sheriff Swan, não ouse chutar essa porta!

– Desculpe... – Disse Emma abaixando a perna e olhando para os próprios pés como se fosse uma criança pega fazendo travessura.

– O que desejam gritando desse jeito? – Perguntou Granny cerando os olhos.

– Estamos procurando Graham. – Me adiantei.

Granny cerrou os olhos para mim antes de dizer com tom de desdém. – Ah é, vocês agora estão namorando. – Ouvi Emma bufar do meu lado. – Deveria saber que seu namorado saiu da pousada hoje cedo, Prefeita.

Franzi o cenho com a novidade. – O que? Graham foi pra onde?

– Ele disse que teria que voltar urgente para Nova York por causa do trabalho, disse que talvez em alguns dias ele voltasse. – Falou.

– Ótimo! – Disse Emma irônica. – Ele não te mandou nem uma mensagem avisando? – Perguntou para mim, eu neguei com a cabeça, surpresa com a novidade. – Que ótimo namorado!

– Agora não é hora, Emma! – Repreendi.

Granny olhava com os olhos semi-cerrados em nossa direção, como se desconfiasse de alguma coisa. – Bom, se eu puder ajudar em mais alguma coisa.

– A senhora por acaso viu Henry? – Perguntou Emma. Era verdade, ainda não tínhamos falado com a Granny.

– Na verdade não. Ele não foi nem almoçar na lanchonete hoje. – Disse. – Mas o que aconteceu?

– Henry sumiu e viemos procurar Graham para ajudar. – Disse.

– Henry voltou a fugir, Prefeita? – Perguntou Granny em tom acusatório.

Era verdade que antes de Emma ir para Storybrooke, quando meu relacionamento com Henry era conturbado que ele vivia fugindo de casa. – Ele não fugiu. – Falei com raiva. O que essa velha está pensando falando assim comigo?!

– Ei... – Alertou Emma pousando a mão sobre meu ombro, encarei sua mão e depois seu rosto com certa raiva e ela a retirou. Se voltou para Granny. – Ele não fugiu dessa vez. Alias, ele parou de fazer isso desde que...

– Que você veio morar aqui, é a verdade. – Completou Granny assim que notou que Emma havia desistido de falar.

Encarei Granny com mais fúria ainda. Já não bastava meu filho ter sumido eu teria que aceitar desaforo daquela mulher?! – Esse não é o caso. – Cortou Emma, provavelmente tinha reparado na minha expressão, que praticamente gritava “ALERTA” e “PERIGO”. Muito obrigada pela ajuda, se souber alguma coisa, por favor, me ligue. – Disse Emma, que tocando no meu ombro me retirou daquela pousada imunda.

Entrei no carro batendo a porta com força. Primeiro Emma resolveu aparecer com aquele homem dizendo ser o pai de Henry, depois meu filho é sequestrado e pra piorar Graham decide sumir e sequer me avisa. Não que eu realmente me importasse, estava com ele por apenas um motivo, que eu relutava em lembrar. – E agora? – Perguntou Emma.

– Eu não sei. – Falei pousando o rosto sobre as mãos enquanto algumas lagrimas escorriam entre minhas bochechas. As sequei e voltei a encarar o nada.

Emma apertou meu joelho com uma das mãos, como se isso fosse me consolar de alguma forma. – Ei, não ligue para o que a Granny disse...

– Mas é verdade. – Falei, senti minha garganta fechar e a vontade de chorar voltou, e dessa vez eu não tentei segurar as lagrimas. – Depois que você veio pra cá, Henry melhorou muito tanto na escola como socialmente. O doutor Hopper mesmo me disse isso.

– Isso antes, Regina. – Falou Emma tocando meu queixo com a ponta dos dedos e me forçando a mirar aqueles olhos verdes cheios de compaixão? – Vocês já melhoraram o relacionamento de vocês. Olhe ontem, olhe o que ele disse. Quantas vezes ele não disse “eu te amo” pra você só ontem?!

– Por causa da festa. – Eu falei.

– Porque ele te ama de verdade, Regina. – Falou Emma.

Eu não respondi, apenas continuei a chorar, senti seus braços em volta do meu corpo mais uma vez em um mesmo dia. Percebi o quanto eu gostava daquele abraço, do calor do corpo dela no meu corpo. Quando percebi eu já a havia abraçado de volta e estava, mais uma vez, chorando com o rosto em sua nuca, inalando seu doce perfume. Droga Regina! Mais uma vez se demonstrando fraca na frente dessa mulher! Me repreendi.

Me afastei dela e sequei as lagrimas. – Ele não te mandou nenhuma mensagem?

– Quem? – Perguntei confusa.

– Graham. – Falou ainda com tom de nojo ao pronunciar o nome dele.

Peguei meu celular da bolsa e o chequei pela milésima vez naquela tarde. – Não.

– Vamos voltar pra sua casa ver se recebeu alguma ligação. – Falou Emma ligando o carro.

– Você disse que Miss Blanchard iria ligar avisando se alguém recebeu alguma ligação. – Falei. Antes de sairmos de minha casa de manhã, Emma me fez ir até seu apartamento onde pediu para Mary Margaret ficar na minha casa para ver se eu receberia alguma ligação.

– Vamos, você precisa comer. – Me ignorou e começou a dirigir.

–- ** --

Chegamos à minha casa onde encontramos Mary Margaret com um pote de sorvete em mão, parada ao lado do telefone com a televisão no volume mínimo. Quem aquela professorazinha pensa que é pra comer da minha comida e assistir a minha televisão?!

– Emma! – Falou a professora se levantando assim que Emma adentrou na sala. Parecia que ela sequer tinha notado minha presença. Eu sou a dona da casa!

– Alguma noticia? – Perguntou Emma, estava nervosa.

– Nenhuma ligação. – Contou. Emma abaixou os ombros visivelmente nervosa, se sentou – praticamente se jogou – no sofá, e apoiou a cabeça nas mãos. Observei Mary Margaret colocar o pote de sorvete em cima da mesinha e sentar-se ao lado da xerife, passando a mão sobre suas costas, tentando consola-la.

Era a primeira vez que via Emma Swan chorar, seu corpo inteiro parecia estremecer a cada soluço que ela dava, a cada parada para respirar. Mary Margaret sussurrava em consolo que tudo ficaria bem, mas eu sabia que naquele momento, por mais que Emma tentasse acreditar, ela não conseguia.

Sem ter certeza absoluta do que fazer e muito menos do por que eu estava tentando fazer, me aproximei e me sentei ao outro lado da loira, vendo minha aproximação, Mary Margaret se afastou da xerife, como se soubesse o que eu fosse fazer – sendo que nem mesmo eu sabia direito. Passei meu braço em volta do seu ombro e a puxei para um abraço, que instantaneamente a loira retribuiu. Agora era Emma que chorava no meu ombro.

Eu não consegui falar nada. Encarei os olhos igualmente verdes de Mary Margaret, que por incrível que parecesse para mim, não parecia surpresa com o meu ato. A professora sorriu para mim, como quem diz que ficaria tudo bem. Se levantou e foi até a cozinha trazendo um copo de agua que deixou na mesinha de centro a frente de Emma, que ainda não havia me soltado.

O choro da xerife começou a cessar, mas ela ainda estava abraçada a mim. Eu a ouvi sussurrar “obrigada” em meu ouvido e me permiti fechar os olhos por um momento, mas Emma se afastou. Limpou o rosto, agradeceu Mary Margaret e tomou o copo da água que a mesma havia trazido.

Fiquei observando a loira, que por sua vez observava o copo vazio. Quando abracei a xerife mais cedo naquele dia, o sentimento que tomou conta de mim era algo totalmente estranho, totalmente diferente do que senti quando transamos no meu escritório, e muito parecido com o que eu sentia quando Daniel me envolvia em um dos seus abraços de consolo sempre que eu brigava com minha mãe.

Antes que eu pudesse pensar em mais alguma coisa depois da minha ultima conclusão – que por acaso havia me deixado surpresa – Emma se virou para mim, com os olhos arregalados. – Regina... E-eu acho que sei quem foi.

– O que? – Perguntei confusa.

– Acho que sei quem sequestrou o Henry. – Falou, eu pisquei indicando para que ela prosseguisse. Mary Margaret se sentou no sofá a nossa frente. – Sabemos que Henry não fugiu, e eu não vejo motivos para um sequestrador normal raptar Henry se não fosse para te pedir alguma coisa em troca.

– O que está sugerindo, Swan? – Perguntei ainda confusa.

– Você contou alguma coisa para Graham? – Perguntou dando um ênfase enorme quando disse “coisa”.

– Alguma coisa?! – Perguntei entendendo do que ela se referiria, não tinha dito nada provavelmente por causa da professora que nos observava atentamente. – Não. Nada. Mas o que esta sugerindo, Emma?

– Eu acho que ele... – Ela parou, olhou para o copo novamente como se tomasse coragem. Balançou a cabeça e ainda encarando o vidro disse: — Eu acho que foi Graham.

–- ** --

POV EMMA SWAN

Regina insistiu em saber o porquê desconfiava do namoradinho dela, mas não poderia contar sobre as “indiretas” que ele havia me dado na frente de Mary Margaret. Pedi então a Mary mais um copo da água, enquanto ela foi à cozinha pedi para Regina ter calma, que fosse comigo até o meu apartamento e então eu explicaria tudo. Ela não aceitou facilmente, insisti e quando Mary Margaret voltou da cozinha ela enfim concordou.

Eu podia sentir a tensão entre Regina e Mary Margaret. Embora minha colega de apartamento tenha dito que perdoava Regina pela falsa acusação, eu sabia que nenhuma se sentia confortável. Mary tentava ser agradável, mas Regina parecia não fazer tanta questão.

Tinha acabado de estacionar meu pequeno fusca em frente ao prédio em que eu dividia o apartamento com Mary Margaret. Assim que subimos fui ao meu quarto pegar o revolver que eu sempre levava comigo, mas na festa eu preferi não levar e devido aos acontecimentos desta tarde eu acabei nem tendo tempo de passar em casa.

Voltei para o andar de baixo, onde encontrei Regina com um copo de agua em mãos, observando a foto original minha e de Mary Margaret. – Regina? – Chamei.

– Vai me contar agora? – Perguntou usando seu normal tom de desdém.

– Eu acho que ele descobriu sobre nó... – Me interrompi. Falar “sobre nós” era como se eu dissesse que realmente existia um “nós”. – Sobre aquela noite.

– Porque acha isso? – Perguntou se virando e colocando o copo em cima da bancada.

– Ele veio com algumas indiretas para mim na estação. – Falei me lembrando do sorriso cínico que ele tinha no rosto. – E ele saiu da cidade sem te falar nada.

– Eu não sei, Swan...

– Mas temos como saber. – Completei.

– Como? – Perguntou arqueando as sobrancelhas.

– Mr. Gold. – Vi o rosto de Regina ficar tenso, parecia que ela havia travado o maximiliar. Ela fechou os olhos e respirou fundo antes de voltar a abri-los.

– Mr. Gold? – Repetiu. – Como o Gold vai nos ajudar? – Perguntou lentamente.

– Confie em mim. – Falei. Regina me encarou com aqueles grandes olhos castanhos, franzindo os lábios carnudos.

– É bom que saiba o que está fazendo. – Falou pegando a bolsa e indo em direção a porta, eu a segui.

Entramos no meu fusca, em que pela primeira vez ela não reclamou – embora tenha o olhado com cara de nojo. Liguei o carro e fomos em direção a loja de penhores.

A placa na porta estava escrito “fechado”, mas como eu sempre fazia, ignorei e entrei. Belle, a bibliotecária, e Mr. Gold estavam no maior agarramento. Regina ao meu lado pigarreou, fazendo cara de nojo. – Parece que quando comprei a placa estava apenas jogando meu dinheiro fora. – Reclamou Gold se soltando de Belle, que estava vermelha. – O que devo a ilustre visita dos cargos mais importantes da cidade? – Perguntou irônico como sempre, dei um sorriso falso.

– Gold, precisamos da sua ajuda. – Falei me apoiando no balcão, Regina estava logo atrás de mim.

– E quando vocês não precisam?! – Apenas revirei os olhos.

– Você sabe onde está Henry? – Perguntou Regina depois de milênios calada.

– Ho-ho. – Riu irônico. – Seu filho voltou a fugir, Madam Mayor?

Olhei pra Regina que o fitou com um olhar mortal, se aproximou do balcão e antes que ela falasse alguma coisa que provavelmente faria Gold desistir de nos ajudar, eu me adiantei e disse: — Ele não fugiu. Foi sequestrado.

– E já ligaram pedindo o resgate? – Perguntou me olhando estranhamente, parecia que sabia da resposta.

– Não.

– Que sequestro incomum, não é mesmo Sheriff?!

Cerrei os olhos. – Você sabe de alguma coisa?

– Não. – Falou com simplicidade, sustentando meu olhar. Ele falava a verdade, não sabia de nada.

– Sabe onde está Graham? – Perguntou Regina.

– Seu namorado?! – Falou olhando-a divertida. – Está perdendo os próximos, Mayor... Tem que tomar mais cuidado ou é capaz de perder mais alguém. – Disse olhando na minha direção.

Me afastei do balcão instantaneamente. Mas que merda ele quis dizer com isso? Ele sabia de alguma coisa? – A única coisa que eu ainda posso perder, é a minha paciência com você, Gold! – Falou Regina raivosa.

– Precisamos encontrar Graham. – Falei.

– Para a sorte de vocês, — Ele disse se afastando do balcão e indo em uma de suas prateleiras. – Eu tenho aqui o endereço do nosso querido ex xerife. – Falou olhando pra mim, depois entregou um papel para Regina.

– O que estamos devendo? – Perguntei.

– Nada.

– Tudo sempre tem um preço quando vem de você, Gold. – Falou Regina.

– Digamos que eu sou um apreciador de aventuras. – Falou e mais uma vez eu me vi confusa diante daquele homem. – Se eu fosse vocês se apressaria, se alguém realmente sequestrou Henry e não pediu resgate, vocês não tem seguro nenhum de que o pequeno continua vivo.

Regina tinha os olhos marejados mas cheios de fúria. – Venha, vamos logo sair daqui. – Falei puxando-a para fora.

– É melhor realmente se apressarem, Sherrif. Já esta anoitecendo. – Ouvi ele dizer antes de fecharmos a porta.

Entrei no fusca batendo a porta bruscamente. Gold me tirava do sério. Olhei para Regina que encarava o papel que Gold havia entregado. – E agora, pra onde vamos?

– New York, Manhattan. – Falou. – E vamos agora. – Disse em tom autoritário.

– A-agora? – Perguntei.

Ela se virou pra mim, com uma expressão que eu não conseguia dizer se era de raiva, medo, fúria ou tudo junto. – Agora. – Disse firmemente.

Liguei o carro.

Notas finais
Reviews????