Has Light in the Darkness
13 Floresta Estadual Freetown-Fall River
Notas iniciais
POV REGINA MILLS
– Não Mary, eu não sei quanto tempo vamos ficar fora. – Falava Emma ao telefone. – Eu só vou voltar quando encontrar Henry. Depois te explico a historia toda... Apenas fale com David para ele cuidar da estação enquanto eu estiver fora. Também te amo, tchau.
– E então? – Perguntei assim que a xerife desligou o telefone.
– Ela disse que vai falar com ele... – Respondeu.
– Então podemos ir agora, ou quer ligar para mais alguém?! – Perguntei ríspida. Emma revirou os olhos.
Tínhamos parado em um posto de gasolina para abastecer o pequeno fusca que estava praticamente morrendo na estrada, de acordo com Emma mais algumas horas de viagem e chegaríamos em Nova York.
Olhava do relógio de minuto em minuto, já era três da manha e eu sabia que Emma estava quase caindo em cima do volante devido ao sono, embora lutasse contra o mesmo.
– Swan, acho que devemos parar.
– Oi? – Perguntou confusa.
– Você está praticamente desmaiando em cima do volante. Pare em um hotel na estrada. – Falei.
Rodamos mais meia hora até acharmos um hotel – que fazia a pousada da Granny’s parecer um hotel de luxo – no meio da estrada. Pegamos um quarto com duas camas de solteiro, não demorou muito para Emma dormir, ela estava encolhida coberta com um manto que de acordo com ela dava coceira. Seu rosto não estava sereno como naquela manhã no escritório, estava com a testa franzida, como se estivesse tendo um pesadelo. Eu não precisei ouvir o pequeno sussurro do nome para saber que ela estava sonhando com Henry.
Eu mal conseguia dormir. Não com meu filho correndo perigo, não por saber que talvez Graham soubesse de mim e Emma, não com a Emma dormindo ao meu lado.
Toda vez que tentava fechar os olhos a imagem de Henry nos dando boa-noite aparecia em minha mente, o jeito que ele pronunciou mães, por ele não me excluir naquele dia, por saber que minha relação com ele de fato estava melhorando, e eu sabia que em boa parte isso era culpa da loira que agora começara a roncar na cama ao lado.
Foi pensando na xerife que eu acabei adormecendo e tendo mais um daqueles sonhos nada puros com a mulher de cabelos loiros.
–- **--
Acordamos e pagamos a diária daquela espelunca que tinham coragem de chamar de hotel e fomos tomar café em uma conveniência de um posto de gasolina. Emma havia dito que estávamos a uma hora de chegarmos e eu sentia meu coração pulsar mais forte a cada segundo.
Emma parecia igualmente nervosa, assim que enfim chegamos ao endereço dado por Gold, a xerife desligou o carro, respirou fundo e virou-se para mim. – Preparada?
– Para...?
– Eu sei que não acredita que Graham tenha sequestrado Henry...
– Swan... – Eu a interrompo, mas ela continua enquanto balança a cabeça.
– Mas se for ele, você....
– Se for ele, — Interrompi rispidamente, estava começando a me irritar com a insistência dela nessa história. – Não será comigo que terá de se preocupar, Swan. – Digo antes de sair do carro sem dar tempo para ela argumentar alguma coisa.
Assim que sai do carro me deparei com um pequeno prédio, olhei para o papel em minhas mãos que estava completamente amassado devido ao numero de vezes que eu o apartei por puro nervosismo e comparei o numero do prédio com o escrito por Gold.
Abri o portão de ferro e ouvi os passos da bota de Emma logo atrás de mim, ela pegou o papel de minha mão e verificou o numero do apartamento, olhou para o interfone ao lado do portão de ferro que dava acesso as escadarias e apertou o botão “1B”.
– Alo? Alo? – Ouvimos a voz masculina junto com ruídos que impossibilitava reconhecer de quem era a voz.
– Alo? Quem está falando? – Perguntou Emma se aproximando da caixinha.
– Alo? Não estou te ouvindo! – Ouvimos a voz novamente acompanhada com ruídos.
– Quem está falando? – Emma perguntou aumentando o tom de voz.
– Você tá aqui pra ver o apartamento?! – Perguntou o homem. – Podem subir! – Comunicou antes que pudéssemos responder alguma coisa. Ouvimos um pequeno clique e a porta de ferro se abriu. Emma me encarou e juntas subimos as escadas.
Chegamos a um corredor da ala “B”, aonde vimos alguns móveis espalhados pela sua extensão até chegar perto de uma porta, nos aproximamos da porta onde havia uma pequena placa escrita “1B”, Swan estava esticando o braço para bater a porta quando a mesma se abriu e de lá saíram dois homens carregando um pequeno sofá, logo em seguida mais dois homens carregando uma geladeira enquanto os dois primeiros voltavam para dentro do apartamento.
– Licença? – Perguntei antes de entrar, o apartamento estava literalmente caindo aos pedaços, as paredes com infiltração e cheia de rachaduras, o chão de madeira completamente sujo sem mencionar o cheiro de esgoto.
– Ah, olá! – Disse um senhor mais ao canto do que parecia ser a sala de estar, estava se apoiando – ou tentando – em uma pequena bengala de madeira que segurava entre as mãos trêmulas, um óculos no estilo tartaruga escorregava no nariz torto, na cabeça apenas um tufo de cabelos brancos. – Então deve ser a senhora Jackson! Pensei que viria só amanhã, ainda não tiramos a mobília toda, mas em alguns minutos tudo estará limpo! – Falou virando-se para Swan animado com sua voz esganiçada. – Ah, mas que falta de educação a minha, eu sou o Senhor Dursley.
– Ah...
– E está deve ser a sua...?
– Minha... minha... – Swan repetiu ainda com a boca meio aberta.
– Sou a irmã dela. – Falei esticando a mão e o cumprimentando, cutucando disfarçadamente Swan que imediatamente fechou a boca.
– Isso, minha irmã. – Falou Emma cumprimentando o senhor. – É um prazer finalmente conhece-lo, Senhor...
– Dursley. – Disse o velho sorrindo bondoso.
– Dursley. – Concordou Emma.
– Fiquei muito contente com o interesse da senhora neste velho apartamento, Miss Jackson, ontem mesmo o antigo inquilino veio comunicar que estava saindo da cidade... – Emma me olhou como quem diz “ahã!” – Ele quebrou o contrato, então vou ganhar uma boa grana em cima do rapaz... – Falou o velho com um sorriso não tão bondoso como o de antes.
– Ah é? – Perguntou Emma fingindo interesse. – Eu por acaso havia mencionado minha profissão para o senhor?
– Não...
– Eu sou advogada. – Falou Emma, e dessa vez fui eu quem a olhou confusa. Mas que raios...?
– Advogada, é?! – Perguntou o senhor visivelmente desconfiado, fitou Emma da cabeça aos pés. – Se me permite dizer, não parece...
– Ah, eu estou com essa roupa usual porque estávamos na estrada e sabe como são as viagens longas... – Disse Emma, o velho continuou a olhando desconfiada. – Mas sou sim, e uma das boas, posso lhe garantir. – Disse Emma convincente, sustentando o olhar do mais velho.
– Então isso é excelente, poderia me ajudar a processar o rapaz por quebra de contrato! – Disse o velho retomando seu tom esganiçado.
– Claro, qual o nome do rapaz? – Perguntou Emma.
– Robert... não, não! Grumberto... não, Humberto, acho....
– Por acaso seria Graham Humbert? – Perguntou Emma.
– Exatamente esse! – Falou o Senhor Dursley animado. – O conhece?
– Ah, conheço... – Falou Emma me olhando como quem diz “eu te avisei”. – E receio dizer que não são boas as noticias, é um caloteiro, este Graham. Já entrei em vários processor por causa de quebra de contrato, mas para sua sorte, agora o senhor pode contar comigo.
– Excelente!
– Mas ele disse o porquê foi embora? – Perguntei.
– Ele apareceu ontem mesmo com um pequeno garotinho... – Vi Emma me olhar com o canto do olho e na mesma hora senti meu coração acelerar. – Coitado, estava pálido, parecia que não comia há muito tempo. Deve ser filho do Humbert... – Disse o velho para si mesmo. – Enfim, ele apareceu ontem e disse que teria que ir embora.
– Ele disse pra onde?
– Ah, não exatamente... ele falou que ia visitar a família... – Disse o senhor.
– Hum... Bom, se o senhor nos dá licença, temos que ir pegar o resto de uns documentos para um processo que estou fazendo, mais tarde voltamos. – Mentiu Emma, que me olhou com a sobrancelha franzida.
– Até mais! – Disse o velhinho com a voz esganiçada.
– E então? – Perguntei assim que chegamos na frente do fusca.
– Quero almoçar. – Disse Emma.
– Meu Deus, Swan! – Repreendi.
– Ah, qual é Regina?! Estou com fome! – Reclamou entrando no fusca.
– Ah! – Reclamei frustrada entrando no carro. – Essa lata de atum está caindo aos pedaços! – Falei depois de tentar fechar a porta mais de três vezes.
Emma apenas ignorou meu comentário e ligou o pequeno fusca, dirigiu até um restaurante onde sentamos em uma mesa mais distante. Eu não percebi a fome que tinha até Emma pedir uma pizza de calabresa. Ainda estava nervosa com as novas informações, ainda tentava digerir tudo que havia acontecido, que Graham por algum motivo – que eu recusava aceitar que ele sabia sobre minha noite com a xerife – havia sequestrado o meu filho. Que o meu filho podia e estava correndo grande perigo.
– Você não vai comer? – Perguntou Emma com um enorme pedaço de pizza na boca.
– Você não prestou atenção no que acabou de acontecer? – Ela arqueou as sobrancelhas e engoliu o enorme pedaço com certa dificuldade.
– O que?! – Perguntou ela limpando a boca com o guardanapo. Eu arqueei a sobrancelha visivelmente irritada. Ela não podia estar falando sério. – Graham sequestrou Henry?! – Eu arqueei ainda mais uma das sobrancelhas. – Isso é novidade pra você. Eu já sabia e já tinha te dito. – Falou tomando um gole do refrigerante, eu bufei. – Vamos, assuma.
– Assumir o que, Ms. Swan? – Perguntei com tom de desdém.
– Assuma que eu estava certa. – Falou com simplicidade. – Que Graham não é um partido tão bom assim.
– Se continuar nessa insistência com Graham, vou realmente achar que isso é ciúmes. – Falei provocando-a. – Esta insinuando o que? Que você é um partido melhor?! – Dei uma falsa risada irônica. – Não me faça rir, Swan.
– Eu não quis dizer isso. – Falou Emma perdendo rapidamente a pose de durona e assumindo um tom vermelho de raiva. – Apenas assuma que você não é a dona da razão.
– Eu não vou assumir nada para você. – Respondi.
– Ótimo. – Falou voltando a pizza. – Você vai comer ou eu terei de almoçar tudo sozinha? – Revirei os olhos e peguei um pedaço de pizza. Servi meu copo com a água e terminei de almoçar.
Não demorou muito para terminarmos a pizza. Estava nervosa, assim como sabia que Swan também estava. Precisávamos recarregar nossas energias para depois pensar no que faríamos. – E então, você sabe de algum parente de Graham? – Perguntou Emma assim que terminou a pizza.
– Na verdade não... – Falei franzindo a testa e tentando me lembrar. – Nós não costumávamos conversar...
– Se vai falar que vocês não conversavam porque estavam fazendo outras coisas, nem prossiga. – Me interrompeu Emma fazendo cara de nojo ao mesmo tempo em que fazia uma de emburrada.
– Eu ia falar que não costumávamos a conversar sobre ele. – Completei segurando o riso. Era mais do que obvio que Swan estava com ciúmes. Será? Não... Regina, Henry. Foco! – Ele não te falou nada?
– Na verdade não que eu me lembre. – Falou Emma franzindo o cenho. – Vocês namoraram por um bom tempo, caso, que seja. Não comentaram nada disso? – Perguntou Emma um pouco surpresa.
– Uma vez Graham comentou que era órfão e que não tinha ligação com a família... – Falei me lembrando.
– Então ele mentiu para o Dursley. – Concluiu. Dez pontos para a Miss Obvio!
– Mas ele já mencionou uma vez que foi criado por um senhor em uma floresta em que o homem era uma espécie de guarda florestal...
Emma me olhou esperançosa. – E você lembra o nome da tal floresta?
Respirei fundo fazendo um esforço enorme para me lembrar. Eu nunca prestava tanta atenção no que Graham costumava a me falar, eu não gostava dele, e isso sempre esteve muito claro pra mim, era apenas atração. Falar sobre a família dele ou lembrar da floresta em que ele fora criado era quase que demais. Mas mesmo assim, era a vida de Henry que estava em jogo, do meu filho, e isso mudava tudo.
– Não muito bem... Algo como Free... Freetown – Fall...
– A Estadual Freetown-Fall River? – Perguntou Emma arregalando os olhos como se estivesse surpresa.
– Sim... – Falei franzindo o cenho. – Conhece?
– Eu costumava a acampar lá quando era criança, em uma das famílias adotivas que tive. – Falou Emma com certo tom de nostalgia na voz.
Fiquei parada observando a loira que parecia estar com a mente distante. Era estranho pensar que Emma não conhecia seus pais, que assim como Henry foi parar no “sistema de adoção”, mas ao contrario de Henry, Emma nunca parou com uma família, eu não conhecia direito a historia da loira, mas pelo pouco que tinha conhecimento, sabia que ela havia parado em vários lares, mas que sempre a devolviam ou ela acabava se revoltando fazendo com que a família a devolvesse. Não fazia ideia do que aconteceu com a última família que Emma esteve, e nem como ela havia conseguido o sobrenome Swan.
– Regina? – Perguntou Emma abanando a mão na minha cara.
– Ah, oi! – Falei indo para trás.
– Estou te chamando há horas. – Falou me olhando com uma sobrancelha arqueada, seus – belos – olhos verdes me encaravam como se tentassem desvendar o que eu pensava. – Vamos?
– Pra onde? – Perguntei confusa.
Emma – se possível – arqueou ainda mais a sobrancelha.
– Regina, você está bem? – Eu confirmei com a cabeça, mais confusa a cada minuto. – Pra tal floresta...?
– Ah, claro! – Falei me levantando.
Pagamos a conta e entramos na desprezível lata de sardinha amarela que Swan ainda tinha coragem de chamar de carro. Paramos em um posto de gasolina para abastecermos e pedir informação, Emma comprou alguns mantimentos – que na verdade não passavam de salgadinho e refrigerante, de verdade, como aquela mulher conseguia ser magra e forte daquele jeito e comer todas essas porcarias?! Em poucos minutos já estávamos de volta a estrada, com três horas e meia de viagem pela frente.
POV EMMA SWAN
Viajar com a Regina é um porre. Passei duas horas inteiras trancada no carro com a mulher que andava perturbando meus sonhos, enlouquecendo meus pensamentos e mexendo com um sentimento que eu jurava não existir, enquanto ela reclamava do jeito que eu dirigia, que eu acelerava demais, que ia devagar demais, que o carro era desconfortável, e que o meu salgadinho – sabor queijo – estava cheirando chulé.
Sim, a prefeita foi encantadora na viagem inteira, mas mesmo assim não havia uma parte, uma célula, um átomo do meu corpo que não desejasse o corpo da morena ao meu lado.
O.K. Swan, foco. Lembre-se de que está indo atrás do filho sequestrado, e não atrás da prefeita indelicada.
– Falta muito, Swan? – Perguntou Regina, não fazia nem dez minutos que ela havia perguntado.
Abafei uma pequena risada. – Vejo de quem Henry “puxou” a impaciência.
Regina não respondeu, nem pudera, nós duas observávamos atentas a placa na nossa frente.
“Floresta Estadual de Freetown – Fall River a 15 km.”
Ouvi Regina suspirando profundamente ao meu lado. Pisei o pé no acelerador, meu coração provavelmente estava muito mais acelerado que meu pequeno fusca, parecia que estava prestes a vomitar meu coração.
Chegamos a uma pequena trilha que levava para dentro da floresta, descemos do carro, coloquei minha mochila – recém comprada, com lanterna, corda, mantimentos e etc – nas costas e juntas pulamos a pequena cerca com a placa de “área proibida”.
Era como se os instintos maternos nos guiassem. Chegamos ao fim da pequena trilha, mas demos de cara com mais três pequenas trilhas. – E agora? – A voz de Regina estava tão fina que por um segundo me perguntei quem havia falado comigo.
– Você não quer...
– Separar? – Completou, eu pisquei os olhos como quem concorda. – Não, é melhor não. Graham é forte e acho que sozinhas não poderíamos lidar com ele.
– Ata, se ele tentar alguma coisa você vai fazer o que?! Pular em cima dele e começar a citar as leis de Storybrooke e da boa ética?! – Não consegui segurar a ironia. Regina revirou os olhos. – Está bem, desculpe. Acha que ele é capaz de te machucar? – Perguntei encarando seus olhos castanhos, que por sua vez encaravam os meus, ela estava com medo. Regina Mills, a durona e impaciente prefeita de Storybrooke, Maine, com medo.
– Ele foi capaz de sequestrar Henry. Eu não duvido de mais nada. – Sua voz continuava fina, fraca.
– Vamos por qual? – Perguntei.
– Vamos tentar o da esquerda. – Falou, sequer me esperou dizer alguma coisa, começou a andar com passos rápidos e firmes, limpava a mão provavelmente suada de segundo em segundo na calça jeans.
Chegamos ao fim da trilha e encontramos um trailer, um acampamento com cadeiras e mesa, uma churrasqueira e uma família comendo o que parecia ser hamburguês. Que por acaso cheiravam deliciosamente.
– Olá... – Ouvi a voz de Regina mais adiante. – Vocês viram um rapaz alto, de cabelos castanhos e um menino maios ou menos dessa altura, — Ela gesticulou o que seria a altura de Henry, se não fosse por estar centímetros menor. Regina ainda encarava Henry como um garotinho de sete anos. – de cabelos castanhos?
Caminhei ficando ao seu lado para poder ouvir o que o homem dos cabelos grisalhos disse:
– Na verdade vimos dois carros chegando ontem mesmo, mas quem estava nos tais carros eu não consegui ver.
– Sabe onde podemos encontrar esses carros? – Perguntei nervosa.
– Vocês tem o mapa da floresta? – Perguntou o homem.
– Nã... Perdemos. – Respondeu Regina.
– Alice! – Gritou o homem. Uma mulher de cabelos ruivos saiu de dentro do trailer. – Pegue um dos mapas e traga pra mim, sim? – A mulher sumiu dentro do trailer e reapareceu minutos depois com uma folha de papel amassada em mãos. – Aqui está. Muito obrigado, Alice. Pode me trazer uma cerveja? – Perguntou o homem, a mulher confirmou com a cabeça e voltou a sumir dentro do trailer, mas desta vez não reapareceu em seguida.
– Pois bem... – Falou o homem se endireitando na cadeira e abrindo o mapa em cima da mesa suja. – Estamos bem.... aqui. – Falou apontando o dedo gordo para um pequeno “X” marcado no mapa. – Os carros pegaram, provavelmente, essas duas trilhas, já que os outros acampamentos estão cheios. Isso supondo que eles não estejam juntos.
– Duvido... – Murmurei, o homem me olhou curiosa.
– Vocês estão aqui mesmo pra...?
– Ele é meu irmão e acabamos nos perdendo dele. – Regina respondeu rápida. – O menino é nosso filho. – Falou apontando em minha direção com a cabeça.
– Vocês são...
– Ah! Não! – Respondeu Regina rapidamente, arregalando os olhos. – É uma complicada historia... – Falou, mas o homem continuou olhando curioso. – Ela o deu para adoção e eu acabei adotando-o, não faz muito tempo que Henry, o meu filho, acabou achando Emma, — Voltou a apontar pra mim com a cabeça. – Combinamos de fazer um acampamento, mas acabamos ficando pra trás porque...
Regina parou por um minuto e eu senti minha respiração acelerar mais.
– Porque eu acabei perdendo nossa bagagem, Henry estava muito animado com a viagem então mandamos com o tio enquanto voltávamos pro hotel tentar resgatar. Infelizmente não conseguimos.
– Pura burocracia. – Resmungou o homem. – Bom, espero que consigam a bagagem. – Falou sorrindo. Soltei um pequeno suspiro de alivio. – Bom, tem mais essas duas trilhas disponíveis, se querem saber, escolheram o pior acampamento, é muito afastado dos outros e a floresta é cheia de lobos. Se seguirem essa rota chegaram a um caminho com duas trilhas, uma dessas está o filho e o tal homem que vocês estão procurando.
O homem dobrou o mapa e o entregou para Regina, que o apertou fechando os olhos. – Muito obrigada, mesmo! – Falou Regina se afastando, a segui.
Abrimos o mapa e fomos pelo caminho mostrado pelo homem, acabamos caindo em duas trilhas. – E agora? – Perguntou Regina, estava ficando pálida e parecia incapaz de escolher entre uma das trilhas.
– Uni dune tê, salame minguê... – Falei apontando com o dedo.
– Sério isso, Swan?! – Perguntou Regina voltando com o tom de desdém.
– Escolha você então, Senhora Sabe-Tudo. – Falei dando ombros. Regina encarou as duas trilhas mais uma vez, contou até cinco em um sussurro quase inaudível e seguiu caminhando pela trilha da direita. A segui.
Foi mais ou menos mais meia hora de trilha, já estava escurecendo. A trilha acabou e de longe conseguimos ver o que parecia ser uma cabana de madeira em mal estado, corremos em sua direção.
Minha respiração estava mais do que acelerada, e eu sabia que a da Regina também. Avistamos a cabana, um carro com as portas abertas e um homem alto carregando o que parecia ser uma criança desacordada e a colocando no banco traseiro.
– SEU FILHO DA PUTA! – Ouvi Regina gritar do meu lado. Graham virou-se assustado.
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