Has Light in the Darkness
14 Don't Try To Resist, Mayor
Notas iniciais
POV EMMA SWAN
Graham virou-se assustado, parecia que a pele havia perdido toda a cor. Engoliu seco e fechou os olhos por milésimos de segundos, assim que os abriu, fechou a porta do banco traseiro com o pé e deu alguns passos para frente.
Regina tinha os punhos fechados, os nós dos dedos brancos e parecia tremer levemente devido a raiva, seu rosto moreno estava um pouco vermelho, era como se fosse quase possível ver a raiva emanando do seu corpo.
– Olha só quem veio participar do meu acampamento! O mais novo casal de Storybrooke! – Falou Graham sarcástico, senti meu corpo inteiro estremecer de raiva. – É prefeita, parece que você tem queda por xerifes. – Olhei pra Regina pelo canto do olho que havia ficado pálida. – É, eu sei. Eu vi vocês.
– Graham... – Regina disse com a voz pouco fraca, me virei e vi que ela tinha os olhos fechados e mais uma vez eu não fazia ideia do que se passava em sua cabeça.
– Eu vi você olhando com ternura pra essa mulher da qual você tanto quis que sumisse da sua vida! Eu vi você olhando com ternura pra uma mulher! – Interrompeu Graham, o nojo e desprezo na voz. – Ternura da qual você nunca teve por mim! Eu te daria o mundo Regina!
– Agora chega! – Falei perdendo a paciência e sacando a arma que mantinha na cintura. Estiquei o braço e mirei em Graham, meu dedo já estava no gatilho, pronto para puxa-lo caso necessário. – Se afaste do carro!
– Acha mesmo que vai ser fácil assim, Swan? – Perguntou dando um sorriso frio. Deu mais um passo e rapidamente sacou o revolver que assim como eu, carregava na cintura. – Acho que quem tem que se afastar aqui é você.
– Não me faça atirar, Graham! – Alertei.
– Desde que você chegou! Desde que você chegou tudo tem dado errado! Você é a culpada de tudo isso, Swan! – Gritou Graham, pude ver algumas lágrimas rolarem por sua bochecha antes dele limpa-las rapidamente com a manga da jaqueta.
Puxei o gatilho, a bala passou raspando perto do seu pé, eu não havia errado, estava dando um alerta. Sentia meu sangue ferver, e se ele não calasse a boca eu meteria uma bala certeira. – Chega!
Graham virou-se para Regina, que ainda estava pálida e imóvel. – Você sabe tanto quanto eu que essa mulher é a causa dos problemas! Ela te afastou do seu filho, fez você ser mal vista por todos na cidade! Você sabe tanto quanto eu que ela só tem feito mal!
Regina fechou os olhos assim que uma lagrima escorreu pelo seu rosto. Eu não fazia ideia do que ela estava pensando, ela não poderia dar ouvidos a ele depois de tudo que ele havia feito! – Chega Graham! Eu disse chega!
– É tão ruim assim ouvir a verdade?! – Ele gritou de volta, os olhos vermelhos e arregalados, notei suas olheiras e vi seu estado, aquele homem não dormia a dias.
– Chega! – Ouvi Regina gritar. – Abaixe essa arma, Graham!
– Você... você vai ficar do lado dela?! – Falou como se isso fosse a coisa mais errada. Não havia sido eu quem sequestrou Henry! – Depois de tudo que ela fez?
– Eu fiz o que?!
– Você sequestrou Henry, Graham! Não tem direito a discutir! Abaixe essa arma agora! – Falou Regina retomando o tom de autoridade.
Graham não respondeu, apenas puxou o gatilho.
POV REGINA MILLS
Graham puxou o gatilho e em seguida entrou no carro as pressas e acelerando. Tentei correr atrás, mas foi em vão. Observei o carro se afastar mata adentro, junto com meu filho.
– Emma... – Chamei-a fraca. Eu estava me sentindo mal, como se estivesse prestes a desmaiar. Cai de joelhos no chão, sentia as lagrimas rolarem na minha face. – Emma... – Voltei a chama-la, mas ela sequer me respondeu. Tudo que ouvi foi um pequeno gemido de dor.
Me virei e vi Emma encarando a própria mão, que se encontrava ensanguentada. Ela olhou em minha direção, os lábios entreabertos, e em seguida desmaiou.
– Emma?! – Falei mesmo sabendo que ela não responderia. Me levantei rapidamente e fui em direção ao seu corpo deitado entre as folhas secas. Tentei levanta-la, porem não consegui suportar seu peso por muito tempo. Segurei seus braços e a arrastei para dentro da cabana, que era pequena, havia uma única cama de meio casal em um canto, uma cozinha ao lado contrario e ao lado uma porta aberta mostrava onde ficava o banheiro.
 Levantei seu corpo e o deitei sobre a cama com todo o cuidado possível, olhei para a mão ensanguentada e depois para seu corpo para ver onde havia sido o ferimento, Graham havia atirado e deve ter errado a mira, pois acabou acertando a coxa de Emma, de onde saia muito sangue.
Emma estava começando a tremer e suar. Coloquei a mão sobre sua testa, ela estava ardendo em febre. Sua calça jeans já estava quase ensopada do sangue que saia do ferimento.
Retirei sua calça e tentei ao máximo não prestar atenção em sua lingerie vermelha. A bala não tinha cravado em sua coxa e deduzi que talvez conseguisse tirar dali. Peguei dois panos, uma bacia e a enchi de água. Coloquei um pano dentro da bacia e avistei um alicate em cima da cômoda. Peguei-o e me sentei ao lado de Emma, aproximando o alicate cuidadosamente da bala.
Não deixei que a ferramenta encostasse em sua pele, tinha medo que isso acabasse causando alguma coisa nela. Fui puxando a bala, devagar, para que ela saísse da coxa. Ouvi um gemido de Emma e fiquei com mais medo ainda. Minhas mãos tremiam e eu tinha que me controlar para não acabar machucando-a. Finalmente consegui tirar a bala de sua coxa e a joguei no chão.
Peguei o pano molhado e passei sobre o ferimento da loira, tentando limpar o ferimento e estancar um pouco o sangue. Peguei o outro pano e enrole em sua coxa, o amarrando para que o sague estancasse.
Fiquei observando-a agonizar e senti uma pontada de culpa. Peguei a bacia e o alicate e me levantei, deixando Emma descansar.
Estava sentada em uma cadeira de madeira, já fazia algumas horas desde que Emma havia desmaiado e eu já havia cochilado algumas vezes.
Estava quase caindo no sono novamente quando Emma soltou um gemido e se sentou na cama rapidamente, no movimento acabou batendo a cabeça na prateleira pendurada na parede.
– Ai! – Gritou e vi um filete de sangue escorrer abaixo da sobrancelha.
– Vá com calma! – Alertei sentando-me na cama.
– Está doendo. – Reclamou levando a mão ao ferimento.
– Não toque! – Falei segurando sua mão. – Se fizer será pior.
– Está sangrando e doendo, Regina. Quer que eu faça o que? – Perguntou irônica revirando os olhos.
– Espere ai. – Falei me levantando e indo até a “cozinha”, peguei um lenço que carregava no bolso, molhei um pouco na água e voltei para a cama. – Posso? – Pedi, ela confirmou com um aceno. Segurei seu rosto com uma das mãos e o aproximei, Emma me encarava com os olhos verdes bem abertos. Com a mão que segurava o lenço úmido, passei levemente sobre o machucado.

– Ai! – Reclamou assim que o lenço tocou no machucado, se afastando em seguida.
– Parece uma criança! – Reclamei, voltei a puxar seu rosto mais para perto e passar o lenço sobre o ferimento. Emma bufou, mas voltou a me encarar com os olhos bem abertos encarando os meus. – Agora tome mais cuidado. Parece uma criança atrapalhada. – Falei tentando não olhar de volta pra ela. Aquele olhar estava me deixando de certo modo constrangida, tentada.
Retirei o pano e me afastei, olhando para baixo. – Obrigada. – Ela disse, eu dei um pequeno sorriso e olhei pra ela, que continuava a me encarar. Desviei os olhos novamente. – Regina...
– Poderia parar, por favor?
– Parar com o que?
– De me encarar assim?
– Isso te incomoda?
– Sim.
– Por que? – Permaneci em silêncio. – Por que, Regina? – Insistiu. – Regina... – Emma respirou fundo, quase bufando. – Por que me ajudou?
– Esperava que eu te deixasse sangrando no meio do mato? – Perguntei voltando a encara-la. Ela não respondeu, continuava a me encarar em silencio, as esmeraldas pareciam tentar decifrar minha alma. Seus olhos verdes pareciam cheios de duvidas, das quais eu temia saber responder.
Ia me levantar para pegar um copo de água, mas Emma me segurou. – O que foi agora?
– Obrigada. – Ela disse, ainda não havia soltado meu braço.
– Você já me agradeceu. – Respondi evitando contato com seus olhos.
– Eu sei. – Ela se aproximou e eu decidi tomar coragem e encarar seus olhos. – Só que talvez não da melhor forma.
– Emma... – Alertei em vão. A xerife já tinha uma de suas mãos me segurando pela nuca enquanto me puxava mais para perto.
Senti seus lábios encontrarem os meus, e no momento desse encontro senti um arrepio percorrer minha espinha. Sua mão foi ao encontro da minha cintura, me puxando mais para perto, de modo que ficamos de joelhos na cama. Emma começou a me empurrar para me fazer deitar na cama, mas eu comecei a me separar. – Emma, não... não devemos. A sua perna... – Tentei argumentar enquanto ela beijava meu pescoço me fazendo arfar.
– Devemos e queremos. Não tente resistir, Mayor. – Foi a única coisa que ela disse, abocanhando meus lábios em seguida. Eu não conseguiria resistir nem mesmo se eu quisesse.
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