Notas iniciais
Então, normalmente eu posto exatamente a meia-noite, mas acabou o horario de verão e eu tava com muito sono para esperar mais uma hora. Sem mais enrolação, Enjoy it.

POV REGINA MILLS

Tinha acabado de sair da reunião do conselho. Era normal a xerife se sentar ao meu lado durante a reunião, mas dessa vez Emma preferiu se sentar duas cadeiras mais afastadas, e quando havia perguntas para a estação que haviam de algum modo conexão com a prefeitura ela evitava olhar para mim. Não a culpei, é claro. Pelo modo que eu a expulsei não esperaria outra reação.

Mas era preciso, não permitiria qualquer reaproximação da xerife sem que fosse profissional ou ligada a Henry.

Pela manhã na reunião eu consegui evitar que as memorias da noite anterior viessem a minha cabeça. Mas à tarde minha tentativa estava sendo falha. Por mais que eu tentasse prestar atenção na papelada a minha frente, meus pensamentos estavam direcionados á uma única pessoa: Emma Swan.

Já havia olhado meu pescoço no reflexo do espelho, as marcas dos chupões, mordidas e arranhões que Swan havia me deixado, tudo isso, é claro, sairia com o tempo, mas ela havia me marcado de uma outra forma que eu sabia – no fundo – que nem o tempo me ajudaria a esquecer.

Estava agora virando o anel de Daniel entre os dedos me lembrando do turbilhão de sentimentos que ele me fazia sentir, sentimentos dos quais eu nunca mais achei que poderia sentir, sentimentos que ultimamente Swan tinha trazido à tona, o que me deixava mais preocupada e insegura. Não deveria nutrir tais sentimentos por ela, não sabia nem se deveria nutrir sentimentos por uma mulher. O que minha mãe me diria à uma hora dessas?

– Madam Mayor? – Falou minha secretaria entrando na minha sala me dando um susto.

Puta que me pariu... – Sussurrei. – Quantas vezes disse que tem que bater antes de entrar, Ms. Boyd?

– Desculpe. – Falou a loira. – Eu bati algumas vezes, mas a senhora não respondeu...

– Estava ocupada. – Falei. – O que quer?

– Graham está aqui e insiste em vê-la.

– Graham? – O que raios ele quer agora? – Mande-o entrar.

– Sim senhora. – Falou Ashley se retirando.

Eu sabia que estava sentindo alguma coisa pela xerife, algo que definitivamente não deveria sentir, não por ela. E eu tinha uma ideia de como tira-la da cabeça.

– Regina. – Falou Graham entrando, estava com uma expressão estranha, me olhava intrigado.

– Graham, o que quer? – Perguntei.

– Ah... – Ele desviou o olhar como se pensasse na resposta. – Eu queria saber se... se você...

– Gostaria de jantar na minha casa hoje a noite? – Perguntei fingindo ver alguma coisa no computador.

– Ah... – Graham estava surpreso. Depois da nossa pequena “aventura”, eu evitei qualquer contato com o ex-xerife, não atendi seus telefonemas, não respondia suas mensagens e quando ele tentava vir na prefeitura me ver, eu mandava a secretaria o mandar embora. Tudo, é obvio, porque vê-lo me lembraria daquela tarde na cozinha, e aquela tarde na cozinha me lembraria do beijo que Swan me deu, e pensar em qualquer coisa com Swan, principalmente em um beijo, não faria bem ao meu juízo. – É claro.

– Então apareça às 19 horas. – Falei ainda encarando o computador desligado.

– E Henry? – Perguntou ele.

Respirei fundo. – Henry vai passar a noite com a xerife. – Dessa vez o encarei, estava com uma cara abatida.

– Ah... Claro, a xerife. – Falou mais para si do que para mim.

– É, Swan, xerife, mãe biológica de Henry. Acho que lembra dela, não é? Se bem me lembro foi ela quem você saiu beijando aquela vez. – Falei arqueando a sobrancelha.

– É, eu. – Falou desviando o olhar.

– Bom, eu tenho que continuar trabalhando. Nos vemos a noite. – Falei voltando a encarar meu computador desligado.

– Até. – Disse antes de sair.

Ok, agora eu teria que falar com Swan para ficar com Henry essa noite. Será que seu eu falasse do motivo ela ficaria com ciúmes? Raios, pare com isso Regina! Peguei minha bolsa e a chave do carro, passei por Ashley e disse que sairia, mas voltaria em alguns minutos.

Entrei no carro e resolvi ligar o rádio. — ... as mais pedidas só para vocês! Agora especialmente para nossa ouvinte Julie, I Kissed a Girl!

Só pode ser brincadeira comigo!

–- ** --

Assim que cheguei na estação, Emma estava – mais uma vez – jogada em sua cadeira com os pés em cima da mesa, dormindo. É com isso que a cidade conta como proteção?

– Hum-hum. – Pigarreei alto. Como da última vez, Swan mal se mexeu. Ah Deus... – Emma! – Falei cutucando-a forte. – Acorde, mulher de Deus! Swan!

Ah! – Gritou ela se assustando. – Merda, Regina! Você me assustou! De novo!

– Você tem que parar de dormir no trabalho, querida. – Falei irônica.

– E a que devo a ilustre presença da prefeita em minha humilde estação? – Perguntou no mesmo tom.

– Bom, eu preciso que Henry passe a noite no seu apartamento. – Falei.

Emma franziu o cenho confusa. – Como assim?

– Está lerda hoje, Sheriff? – Perguntei. – Eu vou ter um pequeno jantar... de negócios, e preciso que fique com Henry está noite.

– Se é só um jantar, por que é necessário que ele passe a noite fora?

– Ah, desculpe, a xerife tinha algo programado para hoje a noite?

– Não, não tinha. – Falou revirando os olhos exatamente como Henry fazia. – Só não entendo o por que uma noite inteira...

– Bom, jantar de negócios podem ir até mais tarde...

Emma arqueou a sobrancelha. – Está bem. Que horas passo para pegar Henry?

– 18h30m está bom para você? – Perguntei.

– Então até as 18h30m, Madam Mayor. – Falou em tom provocante.

Respira Regina, respira... 1...2...3... – Até, Sheriff Swan.

Sai da estação em passos apressados e me tranquei no carro, soltei a respiração que não sabia estar segurando e voltei para prefeitura. Às cinco horas Henry chegou no escritório e pedi para Ashley o deixar em casa para ele preparar uma pequena mochila com roupas para dormir no apartamento que Emma dividia com Mary Margaret.

–- ** --

Emma já havia levado Henry quando ouvi a campainha tocando novamente.

Assim que abri a porta, um Graham vestido com camiseta social e calça jeans escura entrou. Assim que dei espaço para ele entrar, me puxou para um beijo cheio de desejo, o qual – tentei – retribuir a altura.

Já tínhamos terminado de jantar e levado os pratos para a cozinha quando ele se aproximou. – Esperei a noite inteira por isso. – Sussurrou ao meu ouvido me fazendo sentir um arrepio na espinha. Me puxou para um beijo carregado de segundas intenções.

POV EMMA SWAN

Assim que entrei na sala onde ocorria as reuniões do conselho, vi Regina sentada em frente a mesa encarando alguns papeis. A cadeira onde eu costumava usar era ao seu lado, reparei que um dos membros do conselho ainda não tinha chegado e resolvi me sentar em sua cadeira, mantendo uma distancia segura da prefeita.

A reunião continuou normalmente, se ela percebeu que me sentei em cadeiras a sua distancia diferente das outras vezes, não demonstrou nenhuma reação. Sempre que alguma pergunta da estação envolvia a prefeitura eu evitava olhar para ela, com medo de encarar seus belos olhos castanhos que ultimamente estavam tirando meu juízo.

Depois que eu saí da reunião almocei no Granny’s normalmente e voltei para estação, como Storybrooke era uma cidade muito agitada, resolvi tirar um cochilo. Só não esperava ser acordada pela mulher que estava em meus sonhos.

Achei estranho seu pedido, sabia que a prefeita sempre tinha jantares de negócios, mas nunca havia me pedido para passar a noite com Henry. Não que isso fosse um problema, apenas aquela desculpa não me desceu.

As 18h30m passei na mansão, mal toquei a campainha e Regina já havia aberto a porta, estava usando vestido e um daqueles saltos enormes dela, se eu não estivesse tão brava e magoada provavelmente teria perdido a cabeça e a agarrado ali mesmo – não que eu não tive vontade.

Henry desceu as escadas em alguns minutos e fomos para o apartamento. Mary havia pegado lanche para nós e resolvemos ver alguns filmes. Já era 22h30 quando Henry capotou no sofá, o peguei e coloquei na cama. Desci as escadas e Mary se encontrava praticamente estirada na cama. Não tive como não rir da cena.

Mas ainda tinha alguma coisa me incomodando. Antes que pudesse pensar duas vezes, peguei a chave do carro de Mary Margaret e fui até á rua Mifflin. Estacionei o carro um pouco mais para frente da mansão, mas não era a única com o carro estacionado perto.
Ajustei o retrovisor e o espelho para que tivesse visão da casa.

Não sei quantas horas haviam se passado desde que havia chegado, estava quase desistindo e indo embora quando vi um vulto sair pela janela onde eu sabia que era do quarto da prefeita. Te peguei espertinha...

Saí do carro e me esgueirei atrás do carro de Mary, o vulto passou pela jardim de entrada da mansão Mills eu o reconheci. Graham?! Ah não! Fala sério! Ele entrou no carro que e foi embora.

Senti meu sangue ferver, estava quase indo invadir a mansão e gritar com Regina por me seduzir, transar comigo, me expulsar e no mesmo dia resolver transar com Graham quando uma ideia louca passou pela minha cabeça. Não... é melhor não.

–- ** --

Tinha acabado de sair do Granny’s onde tinha almoçado e estava voltando para a estação. Assim que entrei me deparei com Graham no meu escritório, estava em frente á minha mesa olhando os únicos três porta-retratos que eu tinha, uma foto minha com Henry, a copia da foto minha e de Mary Margaret e uma de nós três.

– O que faz aqui? – Perguntei tentando não ser fria demais.

Graham deu uma risada fria. – É muito interessante essa amizade que tem com Mary Margaret. Será que é só amizade mesmo? – Parecia falar mais consigo do que comigo.

Não tinha gostado nada do tom e da forma que Graham estava falando. – Do que raios está falando?

– Só me perguntando se você nunca teve alguma coisa com Mary Margaret... Alguma coisa... a mais. – Ele disse colocando a minha foto e dela na mesa e se virando para mim.

– Ela foi a primeira pessoa a me acolher aqui, me pagou a fiança sem nem me conhecer direito, a primeira a confiar em mim. Eu a considero mais do que uma amiga, mas não dessa forma que você está insinuando, Graham. – Respondi tentando me acalmar. Meu sangue fervia só de olhar para sua cara, lembrando de onde tinha visto ele saindo de mansinho nesta madrugada.

– Se você diz... – Falou dando de ombros.

– Duvido muito que tenha vindo aqui para saber qual meu grau de relacionamento com Mary Margaret. – Falei cruzando os braços. – O que quer, afinal?

– Vim lhe contar as novidades. – Falou se sentando e virando a cadeira para minha frente.

– Ah, ótimo. – Falei me apoiando na divisória que separa meu gabinete a sala onde ficava as duas celas e mais uma mesa que um dia eu ocupei como assistente. – Conte-me suas novidades. Estou, com toda a certeza do mundo, louca para ouvir.

– Você vai adorar! – Falou colocando uma perna sobre a outra. – Fui conversar com a Regina ontem no gabinete dela, marcamos de jantar, acho que até ela mencionou com você quando pediu para ficar com Henry, não?

– Ela mencionou um jantar de negócios. – Falei. Emma, não! Não pule no pescoço dele.

– Claro, sabe como é Regina... Discreta. – Falou soltando uma sonora – e exagerada – gargalhada. – Enfim. Fomos no jantar e bom, você deve imaginar como Regina é... não perde tempo... – Ele está jogando comigo? É isso mesmo? – Nos acertamos.

– Que bom, Graham! Fico feliz! – Falei usando meu melhor tom de ironia.

– Estamos meio que saindo... – Falou ele. Eu sorri. – Um relacionamento sério.

– Conseguiu o seu objetivo vindo pra cá, então. – Falei me ajeitando e indo até o frigobar ao lado da minha mesa e pegando uma garrafa de água, ele virou a cadeira me acompanhando com os olhos. – Reconquistar Regina.

– Parece que sim... Se bem que pela pressa dela ontem, acho que não foi preciso reconquistar. – Falou em tom provocativo. Ok, isso está muito estranho... Será que Regina contou... Não, ela não faria isso. Faria?

– Graham. – Falei colocando a garrafa em cima da mesa e me apoiando na mesma. – Foi excelente conversar com você e tudo o mais! – Falei séria. – Parabéns pelo relacionamento sério, namoro ou seja lá como vocês estejam chamando isso. Eu tenho que voltar a trabalhar, afinal a prefeita não é uma das pessoas mais... compreensíveis comigo e duvido ela compreender a minha necessidade de ouvir as suas novidades. Então...

– Pode deixar. – Falou se levantando em um pulo, tinha um sorriso vitorioso no rosto. – Só queria te falar antes mesmo que ela o fizesse, até mais Emma. – Falou se retirando.

– Espere. – Falei abaixando a cabeça e mirando a mesa por alguns segundos. – Como assim “antes mesmo que ela o fizesse”? – Disse voltando a olha-lo.

Podia jurar que seus olhos assumiram um brilho anormal por alguns segundos. – Ah, ela disse que vai assumir nosso relacionamento para todos então, bom, você é a mãe do Henry...

– Claro. – Falei. – Só cuidado com meu filho, não o comprometam de alguma forma.

– Você sabe que Henry me adora. – Falou aumentando o sorriso. Era possível alguém ter tantos dentes?

– Até mais, Graham. – Falei por final, ele saiu e eu me joguei na cadeira.

Então ela viria me jogar na cara. “Miss Swan, a noite que passei gemendo seu nome não significou nada para mim. Estou namorando Graham, fique com Henry mais uma noite para que eu possa mostrar o que sou capaz.”

Muito bem, Regina. Se é esse o jogo que você quer jogar, vamos brincar! E eu já sei como. Estava na hora de colocar minha ideia maluca em jogo. Disquei um número no meu celular, três toques depois e ouvi aquela voz rouca. – Alo? Emma!

– Neal! Você estava certo, precisamos conversar. Pode vir, eu te passo o endereço.

Notas finais
E então? O que acham que Emma planeja? Só eu que estou louca pra pular no pescoço de Graham? E o que esperam para a festa do Henry que acontecerá no proximo capítulo? Confesso estar mais ansiosa que vocês provavelmente... Comentem, isso anima muito a gente e até nos dá inspiração! Até o próximo domingo! ;3