Has Light in the Darkness
9 Isn't Easy to Say Bye
Notas iniciais
POV NARRADOR
Regina acordou e se deparou com o corpo nu da xerife ao seu lado. Havia dormido com a cabeça sobre o peito nu de Emma. Levantou a cabeça e ficou olhando a mulher que por tanto tempo odiou dormir em um sono tranquilo, o jeito que seu peito subia e descia conforme respirava, o contorno dos lábios em que se perdera na noite anterior.
Ah, a noite anterior. Fora fantástica, isso ela não poderia negar jamais. Emma havia lhe proporcionado uma experiência única e maravilhosa, um orgasmo.
Mas o que estava acontecendo comigo? Ela se perguntava. Dormir com uma mulher era uma das últimas coisas que imaginou fazer, muito menos se a mulher fosse Emma Swan! Não, aquilo deveria acabar ali e agora, nunca mais faria algo do tipo. Será que conseguiria?
Antes de pensar em mais nada, a xerife se mexeu e abriu os olhos lentamente, todos os pensamentos da prefeita em mandar a xerife correr de sua casa foram embora a partir do momento em que os olhos castanhos-achocolatados encontraram os verdes-esmeralda.
A loira não conseguia comprimir um sorriso que se forçava a sair. Sabia que tivera a melhor noite da sua vida, que Regina a marcou e não foi apenas nos chupões e arranhões. Ela não sabia como agir, mas ao acordar e ver Regina a olhando atentamente, como se observasse cada mínimo detalhe de seu rosto afastou qualquer medo da xerife. – Dormimos aqui? – Perguntou a loira. Sabia que sim, mas apenas não sabia o que dizer, como agir.
Foi escutar a voz da loira que a morena se forçou a voltar para si. Não, não poderia permitir qualquer reaproximação. Tinha que mandar Emma embora. – É o que parece. – Regina respondeu se forçando a ser fria.
– Whoa! – Disse Emma assustada com o tom de Regina. – O que aconteceu?
– “O que aconteceu?” – Imitou Regina. – O que aconteceu? Eu é que te pergunto! O que raios você estava pensando quando decidiu fazer... isso?!
– O que eu... O que eu estava pensando?! – Ironizou Emma frisando. – Foi você quem me beijou! Você quem começou com tudo isso!
– Mas... mas...
– “Mas” o caramba, Regina! – Disse Emma colocando um dos braços por cima do rosto. – Você faz as coisas e me acusa depois! Qual é o seu problema?
Você, provavelmente. Pensou Regina. – Não aja como se eu tivesse sido a única a fazer alguma coisa! Posso ter te beijado, mas você deu continuidade! Aliás, mais do que continuidade! O que você estava pensando quando me colocou em cima daquela mesa e...
– “E” o que, Regina? – Disse Emma arqueando as sobrancelhas. – Termina a sua frase, o que eu fiz com você? – Perguntou Emma sussurrando ao pé do ouvido da morena, provocando-a.
Não era difícil perceber que Regina estava se esforçando para ser grossa com Emma – embora conseguisse fazer isso muito bem. Elas ainda estavam na mesma posição, deitadas sobre o sofá, com Regina sobre seu corpo.
– Não me provoque, Swan. – Falou Regina tentando se controlar. Ela queria, queria possuir Emma mais uma vez, acima de tudo queria ser possuída por Emma mais uma vez.
– Não estou provocando você, Regina. – Falou Emma encarando Regina. Queria entender aquela mulher acima de tudo.
Regina se levantou e começou a pegar suas roupas do chão, Emma observava os movimentos da morena maravilhada com seu corpo. Por sua vez, Regina não conseguia não olhar pelo canto do olho para uma Emma nua, coberta apenas pela calcinha de renda fina que praticamente não cobria nada. Tinha que manter a compostura, caso contrário meteria os pés pelas mãos e agarraria Emma naquele instante, novamente.
– Vai ficar me olhando ou vai se vestir e ir embora da minha casa, Ms. Swan? – Perguntou Regina vestindo sua roupa.
– Quer mesmo que eu vá embora? – Perguntou Emma se levantando e abraçando a prefeita pela cintura.
Ah, merda. Pensou Regina. Respirou fundo uma, duas, três vezes e se virou afastando-se. – Quero. Quero que vá embora e que nunca mais fale comigo a não ser que o assunto seja extremamente profissional ou sobre Henry. Quero que pegue suas coisas, sua jaqueta horrível, entre naquela lataria amarela e suma da minha frente, da minha vida.
Emma ouvia tudo afastada, tinha se rendido a Regina na noite passada e agora a outra a tratava como um lixo, como se fosse um nada.
– Está me ouvindo, Swan? Saia antes que Henry acorde e perceba que passou a noite aqui. – Regina dizia friamente.
Emma não disse nada. Não acreditava no que estava acontecendo. Quem a agarrou foi Regina, que a provocou foi Regina, a chamou para o escritório foi Regina. Não conseguia acreditar que depois da noite que tiveram Regina a estava expulsando de sua casa dessa forma.
– O que aconteceu foi um erro, Swan. – Falou Regina desviando o olhar. – Pare de me olhar assim e saia.
Um erro? Era isso que Regina pensava? Emma se virou, colocou suas roupas e saiu em passos largos até seu carro, se sentou e trancou a porta. Não conseguia segurar as lagrimas que teimavam a rolar sobre sua face.
Regina chorava, sabia que o que tinha acontecido era um erro, mas mesmo assim não podia negar que havia gostado, e que estava sim sentido alguma coisa por Emma. Mas não, isso não poderia acontecer, e seja lá o que fosse isso deveria acabar naquele momento.
Terminou de colocar sua roupa e saiu em direção ao quarto tomar um banho, tirar o cheiro, os vestígios de Emma. Mas sabia que nem um banho poderia tirar as memorias daquela noite.
Do outro lado da mansão, um homem estava pasmo com tudo que havia acontecido. Fora no finalzinho da tarde na casa da prefeita tentar falar com a mesma que não atendia suas ligações. Resolveu ficar e espiar quando viu Regina, Henry e Emma entrando na mansão. Estava quase indo embora quando viu que as duas mulheres saíram da cozinha e foram em direção ao escritório.
É só mais uma briga, foi o que pensou. Mas ouviu Emma falando seu nome, e a reação de Regina apenas o quis fazer ficar e ver o que iria acontecer, gritaria, briga. Quando Regina disse o que queria fazer e se aproximou de Emma, ele achou que ela iria dar um tapa na xerife, mas ao contrário disso ela a beijou, de uma forma que nunca havia o beijado.
Ficou paralisado com a cena, não conseguia sair do lugar nem que alguém o obrigasse. Observou, pela janela do escritório, as duas mulheres transarem, sem se preocupar se alguma delas o vissem. Estavam muito focadas em si mesmas para pensar que alguém as observava.
Não conseguiu adormecer, ficou observando as duas caírem em um sono profundo, sua amada com o rosto apoiado sobre o peito de Emma. Já deveriam ser sete horas quando Regina despertou, seu coração apertou ao ver a forma que a prefeita olhava para Emma, seus olhos castanhos praticamente brilhavam ao encarar o rosto da xerife. Mas elas discutiram e Regina a expulsou.
O escritório não era totalmente inaudível. As janelas davam uma boa visão do que acontecia. Graham estava acostumado a subir no telhado e observar Regina dormindo. Costumava a ir embora depois que Regina o mandava embora usando o telhado como apoio.
Elas nunca imaginariam que o ex xerife havia as observado a noite inteira.
–- ** --
POV EMMA SWAN
Assim que me recuperei e me controlei o suficiente para parar de chorar. Fui até o Granny’s. Pedi para usar o banheiro, olhei no espelho meu estado que estava lastimável. Lavei o rosto com água, e vi marcado em meu pescoço os chupões que Regina me deixou.
Afastei-a do meu pensamento e fui até o balcão pedir um café com canela. Meu telefone começou a tocar e eu vi no identificador de chamada ser Mary Margaret.
– Alô? – Falei sem ânimo algum.
– Emma? Está tudo bem? Não vi você chegando ontem à noite, dormiu em casa?
– Calma, Mary Margaret! – Falei, pude ver que Ruby olhou em minha direção, parecia irritada. — Cheguei e você já estava dormindo. – Menti. – Acordei cedo e resolvi dar uma caminhada e agora estou no Granny’s.
– Ah... no Granny’s... – Falou Mary Margaret, pensando em Ruby provavelmente. – Eu vou ai então, não tomei café ainda.
– Está bem. – Falei pegando meu café e indo para uma mesa.
Não seria de todo mal conversar com Mary Margaret logo de manhã. Pelo menos não pensaria em Regina.
Ah como estava errada.
– Emma! Wow, você esta horrível. – Falou ao se sentar a minha frente.
– Obrigada, Mary! – Falei irônica, ela deu risada.
– Certeza que dormiu em casa? Fui dormir tarde e você ainda não tinha chegado. – Falou ela.
– Já disse, você estava dormindo quando cheguei. Quanta desconfiança...
– Vai querer alguma coisa, Miss Blanchard? – Perguntou Ruby me assustando, de onde ela surgiu?!
– Café com canela, por favor. – Disse Mary que começou a ficar vermelha.
Claro, de vela novamente.
Ruby anotou, depois trouxe o café de Mary Margaret e voltou para trás do balcão, ainda encarando nossa mesa.
– “Miss Blanchard”? É algum tipo de jogo erótico? – Perguntei.
– Jogo eróti...? Ah, não. Nós não... – Ela não terminou a frase.
– Não se acertaram ainda? – Perguntei, Mary negou com a cabeça. – É uma pena... – Falei olhando para o balcão, onde Ruby parecia me fuzilar com os olhos. – Espere, por que ela esta me olhando com aquela cara?
– Que cara? – Perguntou arregalando os grandes olhos verdes.
– Olhe discretamente para o balcão.
Sútil como uma metralhadora, Mary Margaret olhou para o balcão como se fosse à menina do exorcista, voltou a me olhar e disse: — Ah... isso.
– “Isso”...?
– Ah... Raios... Bom, parece que Ruby acha que eu e você... Ela acha que nós temos alguma coisa.
– Nós? – Perguntei sinalizando a gente com a mão. Mary concordou e nós acabamos rindo.
Conversamos sobre mais algumas coisas, tomamos mais alguns cafés e Mary Margaret resolveu me perguntar exatamente sobre um assunto que eu não queria conversar. – Como foi ontem? Com a Regina?
– Bom, você deve imaginar a felicidade dela em irmos no meu fusca... – Mary Margaret riu. – Fizemos as compras, você acredita que ela queria comprar coisas de palhacinho pro Henry?! Tipo, ele não tem mais cinco anos! Depois disso o Henry resolveu sumir e você pode imaginar como a Regina ficou calma! – Mary gargalhou de minha ironia. – Mas achamos ele que resolveu ir tomar um sorvete. Depois voltamos para a mansão e a Regina me chamou para jantarmos lá.
– Ela te convidou? – Perguntou surpresa.
– Bom, na verdade Henry a convenceu e ela deixou...
– E ai?
– O que?
– O que aconteceu?
– Bom, jantamos. – Não queria lembrar do que aconteceu, não queria lembrar do beijo, não queria lembrar de Regina gemendo meu nome.
– E foi agradável?
– Foi... – Não deixava de ser verdade.
– Não parece ter certeza disso.
– Bom, Henry perguntou do pai...
– Ah meu Deus... E o que você disse?
– Bom, Regina me salvou há tempo.
– Não é melhor falar a verdade para ele?
– E ele ficar sabendo que o pai é um covarde que abandonou a mãe gravida? – Perguntei. – Não, é melhor não. – Falei terminando meu café. – Droga!
– O que?
– Tenho reunião de conselho agora, vou ter que ver a Regina. – Falei mais pra mim do que pra Mary Margaret.
– Você sempre tem reunião de conselho com ela, qual o problema dessa vez? – Perguntou.
– Não nada... Vou pra estação pegar uns arquivos. Até. – Falei me levantando.
Fui para estação e peguei os arquivos. Estava saindo quando meu celular começou a tocar, olhei no identificador de chamadas e era um numero desconhecido. – Alô?
– Emma! Há quanto tempo! – Falou uma voz masculina do outro lado da linha.
Não. Não. Não! Não pode ser! – Neal?
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