Haru Matsuri
1 A foto
Notas iniciais

A FOTO
Faltava apenas uma semana para o Valentine’s Day e os enfeites de coraçõezinhos e convites para passeios em casal, já enchiam a escola. Na entrada, haviam garotas distribuindo docinhos, sendo gentis com todos e aos cochichos empolgados, esperançosas de que conseguiriam receber um bilhete ou um pedido para sair com algum garoto, desfrutando do prazer de se poder gritar aos quatro cantos que tinham um namorado!
Juntos, tudo isso me enlouquecia.
Elas só sabiam falar em namorado. Respiravam namorado. Seus olhos brilhavam quando um garoto andava em sua direção, com aquele riso de que tinha decorado um texto sobre como assumiria um romance com o alvo. Enquanto isso, eu não havia recebido nem mesmo um cartão de um admirador secreto. Nem mesmo um bombonzinho. Um olhar apaixonado ou uma indireta de que alguém me achava namorável.
Eu estava só. Sozinha. Alone. Jogada ao vento da solidão!
Enfiei a cabeça na mesa, sendo tomada por uma áurea negra e recebendo o mimo de minhas amigas que tentavam, inutilmente, levantar o meu ânimo.
— Não fique assim, Sakura — pediu Hinata, transbordando em simpatia, com sua voz doce e reconfortante. — Você vai encontrar alguém.
— Ela tem razão — concordou Ino, empolgada como sempre. — Impossível que alguém não apareça, você só tem predicados!
— Dizem isso porque vocês já namoram! — Murmurei quase que inaudível, contendo o choro. — Só tenho predicados e o azar de atrair garotos idiotas! Olhem ao meu redor: estou transbordando simpatia, galera! Devo ir na fila da comida, com um cartaz e implorar para que alguém me note também?! — Aumentei a voz, chamando atenção dos outros.
— Não seja dramática, Sakura! Vamos encontrar alguém pra você. Nós juramos — prometeu Hinata, tentando me acalmar.
— Não precisa — levantei triste, juntando a bolsa e saindo conforme o sinal tocava. — Melhor eu ficar trancafiada dentro de casa. Meus pais vão sair e eu não preciso fazer nada demais, senão me afundar no sofá com um pote de sorvete, enquanto vejo um dorama recheado de shoujo e desventuras amorosas!
— Podemos desmarcar o encontro com os garotos, se quiser — sugeriu Ino, me acompanhando. — Não vamos nos sentir bem se te deixarmos sozinha. Além disso, seria legal tomar um Melona, enquanto discutimos o nosso fracasso no Valentine’s Day!
— Não desmarquem, por favor — implorei, fechando o punho, decidida. — Eu vou arrumar um namorado até lá. Confiem em mim! — Tentei bancar a super-heroína, mais enganando a mim que as minhas amigas.
— Esse é o espírito, rosada! — Naruto afagou meus cabelos, grudando Hinata num abraço apertado, assim que chegávamos no corredor. — Se bem que encontrar um cara pra você deve ser desesperador…
— Desesperador? — Encarei-o com os olhos cheios de lágrimas.
— Vamos lá! Você não é fácil de lidar! Você está no 3-A e até agora não encontrou alguém inteligente suficiente para passar você. Quer dizer, qual o seu problema?
Cai ajoelhada, vendo um flash traumatizante de toda a minha vida: vi garotos que me zoaram por anos seguidos, porque eu assistia a documentários, em vez de desenhos animados. Vi os garotos atletas que recusavam a minha presença, porque eu sempre ganhava na corrida, na natação, no vôlei. Eu vi até o meu vizinho que ordenava que eu ficasse longe quando brincávamos de Karuta, porque eu era rápida demais! Eu… Eu fui negada pelos homens desde a minha infância e nunca tinha percebido. Tudo isso porque eu era superior àqueles idiotas!
— Deixe ela, Naruto-kun! — Ino o empurrou, sem graça por notar minha tristeza. — Não fique assim, amiga. Você terá alguém no dia dos namorados. Confie no seu taco! — Piscou.
— “Se bem que encontrar um cara pra você deve ser desesperador…” Naruto, seu bobão! Eu vou mostrar pra você como é desesperador! — Esbocei um riso torto, sentando-me no banco da praça.
Meus olhos paravam em cada casal que passava por mim, despertando uma agonia eterna. Eu odiava o dia dos namorados e odiava mais ainda aquele que o inventou. Parecia que era conspiração! A cada esquina que eu cruzava, a cada lugar que eu olhava ou entrava, sempre tinha um casal apaixonado pra esfregar na minha cara que eu era sozinha e nunca beijaria os lábios de um rapaz.
— Maldito amor! — Estreitei os olhos.
Uma mensagem de Ino me fez sorrir e olhar para um grupo de garotos do outro lado do jardim. Ela havia tirado uma foto do Naruto, enquanto dormia e a baba escorria. Dizia claramente:
“Viu? Você tem sorte! Os garotos são uns idiotas!”
Voltei a desviar os olhos para o grupo e notei que um deles ria de um modo recluso, meio perdido na conversa ou nem tão a fim de estar ali com os amigos e, foi graça a ele que tive uma ideia genial. A ideia que me tiraria o posto de Solteirona do grupo!
Timidamente, posicionei a câmera do meu celular em direção aquele serzinho sem graça e tirei várias fotos, em diversas posições, dos mais variados ângulos possíveis.
— Se eu tirar uma que se encaixe, acho que posso fazer uma montagem e esfregar na cara daquele Uzumaki-baka que não é desesperador conseguir um cara pra mim! Tsc, uma mentirinha como essa não vai fazer tão mal e eu ainda vou poder sair por cima! Yosh! Vou mostrar para eles o que é ter um namorado! — Reclamei, decidida.
Quando cheguei em casa, evitei o jantar e fui direto para o meu quarto. Fiz alguns acertos nas imagens e como mágica, eu aparecia praticamente abraçada com o garoto desconhecido. A fusão das duas pessoas estavam tão reais que quase enganaram até meus próprios olhos, fazendo com que eu imaginasse milhões de situações para as perguntas que me fariam no outro dia.
Na fotografia photoshopada havia um garoto de riso torto, seus cabelos negros quase se misturavam aos meus rosados e seus olhos ônix, profundos e enigmáticos, olhavam para a câmera como se soubessem que estava ali. O que havia me dado mais problema foi o braço direito, cujo qual tive que pegar de uma outra imagem, pois não se encaixava por sobre os meus ombros. Fora isso, estava tudo muito perfeito.
— Está pronto! — Salvei, passando-a para o meu celular. — Amanhã eles saberão que eu estou com um cara e depois do Valentine’s Day, vou terminar com ele e acabar com essa graça de que não pego ninguém! O Uzumaki-kun nunca mais me chamará de desesperada! Ho, ho, ho, ho! — Gargalhei malignamente. — Espere para ver, Uzumaki-baka! Eu posso ser melhor do que qualquer uma do meu colégio!
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