Harry Potter e a Fênix Celestial

8 O Mistério da casa dos Gritos


O Mistério da Casa dos Gritos

Os três vassouras estava lotado o tempo todo. Dezenas de alunos entravam e saíam, mas Harry continuava ali com seus amigos tomando cerveja amanteiga e se divertindo.

A três mesa de distância deles Simas estava com Neville, Luna, Peter, Antônio e Miguel Coner. Harry não se incomodou muito, tentou agir o mais natural que pode prestando apenas atenção em sua mesa e deixando o resto para lá, afinal de contas Mione, Rony e Bella estavam ali com ele, não precisava de mais nada.

–Mione – chamou Peter se aproximando da mesa deles – A gente pode ir agora se você quiser.

Mione deu uma última golada na cerveja amanteigada e se levantou um pouco tonta e Peter a pegou com muita rapidez.

–Opa – disse Mione sorrindo – Meninos daqui a pouco eu volto.

Mione saiu andando alegre ao lado de Peter, acabando com o bom humor de Rony.

–Então quer dizer que Peter Levine chama Mione, pelo apelido? Falou Rony dando uma boa golada na cerveja amanteigada.

–Peter é legal, Rony. Não implica com ele. Defendeu Bella.

–Sim, se você está dizendo que ele é legal – disse Rony sarcástico – é tão legal que fica por ai pousando de sabe tudo, senhor da razão.

Harry não se meteu na confusão, deixou que Bella e Rony resolvessem sozinhos. Bella levantou a mão e pediu mais uma cerveja amanteigada só que não teve nenhuma resposta de Madame Rosmerta e seu garçom.

–Sabe de uma coisa Rony. Eu não acho certo você ficar ai, reclamando de Mione sair com outros rapazes. Na verdade eu acho absurdo você ficar assim toda vez que ela fala com outro garoto, se gosta dela ou seja lá o que você sinta, não faz sentindo algum trata-la assim, ou descontar no mundo sua raiva. Falou Bella bem direta.

Rony fez um bico enorme e fechou a cara para Bella. Harry pensou em intervir só que nada que fizesse ou falasse ia adiantar, os dois tinham a mesma personalidade teimosa.

–Não sabe o que está falando. Resmungou Rony.

–Sei que você está bancando o bobo, e eu odeio gente boba...

Bella se levantou e pegou a carteira deixando o dinheiro de quase todas as cervejas amanteigadas em cima da mesa.

–Tá aqui minha parte e a de Mione. Falou a garota para Harry.

Harry ficou com raiva de Rony, com a grosseria dele e mais ainda quando Bella estava saindo do bar e Simas a impediu ainda na porta.

–Tá vendo o que você fez? Perguntou para Rony.

–O que foi? Ela e Simas devem ter marcado antes mesmo de tudo isso, assim como Mione e o amiguinho dela.

Novamente os ciúmes tomou conta, sentiu uma coisa estranha e uma vontade muito grande de puxa-la pelo braço e afasta-la de todos os outros garotos que havia naquele colégio.

Bella foi para a mesa junto com Simas e nem mesmo olhou para Rony. Luna a cumprimentou com um abraço e os outros a cumprimentaram com apertos de mão. Simas foi extremamente gentil com ela puxando a cadeira para ela se sentar, fazendo Neville e Miguel Coner fazer um escarcéu pela gentileza do rapaz.

–Ela acha que isso é um encontro? Desdenhou morrendo de ciúmes.

–Simas sempre foi meio tapado. Disse Rony mal humorado.

Nenhum dos dois quiseram sair de onde estavam. Ficaram o tempo todo observando a mesa que Simas estava com Bella. Aos poucos os integrantes daquela mesa foram se dispersando, Neville saiu com Luna para irem até a Dedos de Mel, enquanto Miguel e Antônio foram até a Zonko’s deixando apenas os dois sozinhos.

Foi uma verdadeira tortura para ele ver Simas e Bella juntos em uma mesa de bar como num encontro. O garoto ficava a elogiando e a enchendo de perguntas o tempo todo, fazendo ela sorrir e se divertir com ele.

Cada vez que Bella sorria fazia Harry ter vontade de empurrar Simas para o lado e se sentar no lugar dele como nos filmes em preto e branco antigos, onde dois cavalheiros disputavam a atenção da moça bonita.

Os olhos azuis dela de vez enquanto se encontravam com os seus no bar, mas ela sempre sorria e voltava a falar com Simas. Como se fosse numa cena surreal, seus olhos se entraram mais uma vez, dessa vez ela ficou tímida, ela desviou sem graça e sorriu para Simas, passando a mão nos cabelos o jogando para o lado oposto que estava deixando ela ainda mais linda. Se não estivesse com ciúmes, sentiria pena de Simas.

–Nossa... – falou Simas com cara de bobo – Alguém já te disse que você é a menina mais bonita que tem em Hogwarts ou sei lá, no mundo?

As palavras dele fez o sangue de Harry ferver por dentro, Bella ficou tão vermelha e isso a deixou mais atraente ainda, em resposta da pergunta dele ela apenas sacudiu a cabeça negativamente e tomou mais um gole de cerveja amanteigada.

–Não consigo acreditar. – falou Simas com um sorriso – Nunca conheci ninguém tão bonita como você, você é diferente de todas as meninas que eu conheço.

–Você está me deixando sem graça – Disse Bella – Obrigado.

Simas começou a puxar assunto novamente com ela e eles voltaram a conversar. Era incrível como ela não conseguia aceitar o poder que tinha sobre os homens. A raiva de Harry estava começando a passar dos limites, por várias vezes seguidas a vontade que ele teve de levantar e ir até lá mandar Simas passear e trazer Bella para perto dele, onde os garotos pareciam respeita-la, ficava cada vez maior.

Mione entrou no bar novamente com Peter e foi direto para a mesa de Simas e Bella. Os quatro começaram a rir e a conversar animadamente por algum tempo e isso só piorava mais ainda a situação dos dois que estavam se corrompendo em ciúmes das garotas.

As duas se despediram dos dois rapazes que pagaram as cervejas e saíram, enquanto elas voltaram para a mesa onde Rony e Harry estavam sentados evidentemente furiosos.

–E ai, priminho. Sarou? Perguntou Bella mais animada.

–Eu não estava doente. Respondeu Rony bruto.

– Não precisa falar assim com ela. Pra que tudo isso, Rony? Perguntou Mione se sentando com eles.

Aquela foi uma pergunta que Mione não devia ter feito. Apesar de Harry também estar com raiva, Rony estava com muito mais e não tinha sensibilidade nenhuma.

–Sabe de uma coisa, Hermione Granger. Acho que devia cuidar mais da sua reputação – falou Rony com um sorriso maldoso – Você ficou com Vitor Krum, jogador de Quadribol famoso e agora fica andando com Peter Levine. Ele nem mesmo é famoso ou astro de quadribol.

–Você é um estupido Rony. Falou Mione raivosa.

–Ele não consegue deixar de ser um estupido Mione – Disse Bella – Harry? Será que poderia ajudar seu amigo a ser menos estupido?

–Nem me pede ajuda – falou Harry – Não me metam nisso, você e Mione tem que melhorarem. Você merece coisa melhor do que Simas.

Bella deu um sorriso irônico, não conseguia entender a atitude deles. De Rony era mais que esperado, mas a dele não.

– Você me chama de covarde Bella, mas quando está perto de Brian fica toda estranha. Gosta dele e fica dando uma de durona por ai, como se nada tivesse acontecendo, se achando a dona da razão – falou Rony alto – Já você, Mione cuidado viu, cada dia com um. Vai ficar feio pra você. Daqui uns dias Rita Skeeter vai noticiar o seguinte “Isabella Swift engata um namoro com Brian e de brinde entrega Hermione Granger, a garota que pega todos os famosos, para Peter, outro Levine.”

Mione se levantou da cadeira e saiu correndo. Harry sabia que Rony tinha pegado pesado, mas já era tarde demais, Bella tentou segura-la só que não conseguiu ela passou por todos sumindo do lado de fora do bar.

–Contentes seus idiotas? – disse Bella depois de ir até a porta do bar – Pra informações dos babacas de plantão, Mione e Peter foram até a loja de penas. Peter é um cavalheiro, a respeita e sabe que você gosta dela seu ruivo idiota. Já Simas, eu não aceitei o convite dele, a gente só estava bebendo juntos assim como eu estava com vocês. E antes que eu esqueça Ronald Burro Weasley, eu e Brian não vamos ser namorados...

–É mesmo? Ou é só falta de coragem sua de chegar nele? Questionou Rony.

–Não seu idiota. Eu e Brian não vamos ser namorados porque já fomos isso, há muito tempo. Agora somos apenas amigos. Então antes dos dois idiotas ficarem falando coisas que não sabem a respeito, pensem melhor.

Bella saiu do Três Vassouras deixando os dois sem graça, encarando os copos de cerveja se sentindo dois idiotas. O que Harry desconfiava era verdade, Bella e Brian já haviam ficado juntos.

Bella procurou por Mione em todos os lugares no vilarejo de Hogsmeade, e não a encontrou. Deixou um recado com Dino para avisa-la caso achasse Mione. Os alunos já estavam voltando para Hogwarts agora que a noite estava começando a cair. Já Mione, não estava em lugar nenhum. O estomago de Bella doía, estava nervosa e com raiva, não queria ter contado a seus amigos sobre Brian. Foi dolorido demais o modo como os contou, já havia falado com Mione e tinha sofrido o suficiente daquela vez.

Andou pelas ruas e se lembrou de um lugar onde não foi: A casa dos Gritos.

Finalmente a achou, a amiga estava sentada no chão. A cabeça entre os joelhos chorando rios, Bella se aproximou dela e se sentou ao seu lado, puxou a cabeça dela para o seu colo e não falou nada, apenas a deixou chorar ali, quieta.

Mione estava machucada, não por fora, mas por dentro. Há algum tempo os seus sentimentos por Rony começaram a perder o controle, e agora o modo como ele a ofendeu fazia seu peito doer e as lágrimas escorrerem até as pernas de Bella, que acariciava seu cabelo sem dizer nada.

Gostar de Rony foi um erro, um erro que ela cometeu e que no decorrer do tempo ela viu que não tinha soluções, era uma bola de neve.

–Me desculpa por fazer você ver isso. Disse soluçando para Bella.

–Mione, já te falei para não se desculpar. Respondeu Bella.

–Eu queria ser que nem você – disse Mione ainda soluçando – Você consegue viver tão bem com Brian, enquanto eu não consigo aguentar algumas palavras de Rony.

–Ele falou sem pensar. Sabe que ele está com ciúmes. Eu que queria ser tão linda e inteligente quanto você, Rony gosta de você. Ele só é burro suficiente para não perceber isso...

As lágrimas novamente começaram a rolar pelo rosto de Mione. Doía tanto gostar de alguém, doía tanto que parecia que nunca mais ia passar. Com os olhos ainda embaçados olhou para cima, Bella estava com a cabeça encostada no tronco da arvore a noite já havia caído de vez, estava na hora de voltarem para Hogwarts, os portões já deviam ter se fechado. Olhou mais adiante e viu um vulto bem longe de onde estavam, cutucou Bella e apontou para o homem que carregava outra pessoa desmaiada nas costas.

– É um comensal. Falou Bella puxando Mione para se esconder atrás da arvore.

Outro comensal veio atrás do primeiro, e ambos entraram pela porta do fundo da Casa dos Gritos.

–O que estão fazendo aqui em Hogsmeade com uma dezena de aurores espalhados? Esses são corajosos. Disse Bella saindo de trás da arvore.

–Mas Bella, eu não vi nenhum auror aqui hoje, você viu? Perguntou Mione.

–Não, será que aconteceu alguma coisa e todos os aurores tiveram que sumir? Perguntou Bella desconfiada.

Bella e Mione ficaram esperando para ver se alguém mais aparecia, mas ninguém saiu e nem entrou na casa.

–Vamos ter que ir lá. Falou Bella se levantando.

–De jeito nenhum, temos que buscar ajuda. Aconselhou Mione.

–Mione, eu tenho sangue de auror. Me pedir para deixar alguém ser morto por um comensal e impossível, já faz cinco minutos que entraram. – disse Bella arrumando a roupa e guardando a varinha na bota – Corre para o Vilarejo em busca ajuda, se eu não conseguir ajudar pelo menos vou ter algumas respostas, tem uma passagem secreta que dá direto em Hogwarts eles podem ter conhecimento dela e invadir a escola.

–Não vou deixar você ir lá sozinha, eu vou com você. Insistiu Mione.

–Não tem como duas pessoas entrarem na casa sem serem notadas. Discordou Bella.

–Eu estou com a capa de Harry, na bolsa.

Mione ficou com os olhos fixos em Bella, ambas sabiam que nenhuma mudaria de ideia.

–Tá bom. – disse Bella vencida – Pega aí.

Mione tirou a capa de dentro da bolsa e entregou para Bella. Ela colocou em cima das duas e começaram a andar em silêncio até a Casa dos Gritos.

Não se ouvia barulho nenhum na casa, as duas rodearam por trás e vendo que não havia ninguém ali, entraram na cozinha. Assim que pisaram, o chão rangeu. Correram e se abaixaram em uma pequena brecha entre a parede e a pia da cozinha. Escutaram o barulho do comensal correndo e tentaram fazer o máximo de silêncio possível segurando o máximo que podiam a respiração.

–Tem alguém ai? Perguntou um comensal antes mesmo de chegar á cozinha.

Silêncio...

Dolohov entrou na cozinha e Mione segurou Bella bem firme para a garota não sair dali e se vingar do cara que havia matado seus tios.

Ele até saiu da cozinha para ver se tinha alguém do lado de fora, mas como não encontrou voltou para a sala. As duas se adiantaram um pouco mais, foram para o hall e tentaram escutar um pouco a conversa dos dois comensais que conversavam na sala.

–Bellatrix pediu para descer os corpos – falou um dos comensais – Vamos ter que trazê-los para baixo.

–Que coisa, deveria ter avisado antes. São muito pesados, se tivesse falado eu teria deixado eles aqui. Falou Dolohov com raiva.

Os dois subiram as escadas com passos pesados até o andar de cima.

–Vamos para a passagem secreta. Sussurrou Mione.

As duas entraram na passagem e deixaram dois pares de olhos e um par de ouvidos extensíveis muito bem escondidos e se esconderam na passagem secreta que dava diretamente em Hogwarts.

Dolohov e Travers desceram as escadas trazendo com eles, três corpos flutuando no ar. A porta da frente, da sala, se abriu de uma vez, e Bellatrix junto com os dois irmãos Carrow entraram na casa trazendo mais um corpo e jogando no chão.

–Esses idiotas me dão nos nervos – disse Bellatrix mal humorada – Trouxe comida para vocês.

Ela jogou um saco com comida em cima de Travers e os dois começaram a comer. A mulher junto com Amico Carrow subiu as escadas como se não tivesse visto os corpos no chão e só desceu algum tempo depois.

–Acho que está na hora de começarmos. Sugeriu Amico á Bellatrix um pouco receoso.

–Quanto mais cedo acabarmos, mais cedo estarei ao lado do Lorde das Trevas – Disse Bellatrix com uma cara de nojo – Ele ainda não nos perdoou pelo erro no Ministério, tirou os comensais presos em Azkaban, mas avisou que dá próxima vez vai deixar vocês apodreceram lá.

Dolohov fez uma cara feia pra ela e cuspiu no chão.

–Foram só duas vez. Dumbledore nos pegou desprevenido no Ministério, e a outra foi descuido não vai acontecer de novo. Retrucou o homem.

–Melhor mesmo. Disse Bellatrix sobre o ombro.

–Mas o Lorde das Trevas também está com raiva de você Bellatrix – completou Travers se levantando e caminhando para o lado dela – Ele também não te perdoou por deixar a profecia ser quebrada pelo Potter.

Os olhos de Bellatrix se encheram de fúria.

–Olha como fala comigo Travers. Berrou a mulher.

–Só estou te lembrando, que já não é mais a queridinha do Lorde das Trevas. Você é a líder dessa missão, se você falhar ele vai acabar com todos nós. Provocou Travers com calma.

–Não precisa me lembrar disso, seu imbecil. Está quase tudo pronto, ou você acha que eu cheguei aqui atrasada por mero descuido? – disse Bellatrix com um tom superior – Graças a mim, vocês conseguiram trazer os corpos para cá. Fui eu que providenciei a distração, fui eu que cuidei para que os Swift e aquele bando de aurores ficassem o dia fora.

–Vejo que fez o seu trabalho muito bem feito. Elogiou Travers satisfeito.

A mulher repugnante se aproximou dos corpos e deu um chute de leve em cada um deles. Aproximou-se perto do corpo que haviam trazido por último e chutou com mais força ainda.

–Acorda sua imbecil – disse Bellatrix ríspida – Acorda preguiçosa.

A mulher que estava jogada no chão abriu os olhos e tanto Mione quanto Bella a reconheceram, Amélia Bones, que trabalhava no Departamento de Execuções das Leis da Magia.

–Você sabe por que está aqui mulher idiota. – gritou Bellatrix estressada e chutando ela com o pé esquerdo – Não quero mais enrolar, vai me dizer o que tem na sala do Departamento dos Mistérios?

–Eu não sei, aquela sala não abre. Respondeu Amélia com a voz fraca.

–Você está mentindo – Gritou Bellatrix alterada – Quero saber de tudo. Sabe o que vai acontecer com você sua feiosa, o mesmo que aconteceu com esses que estão aqui jogados no chão.

Bellatrix apontou a varinha para os corpos que estavam no chão e eles começaram a girar enquanto ela ria junto com os Carrow. Quando ela finalmente soltou os corpos no chão um rolou para o lado deles, o corpo de um homem, o corpo e Mundungo Fletcher.

Bella abraçou Mione com força e abafou o gritinho da amiga o máximo que pode. Mione conhecia Mundungo, não era próxima, mas gostava dele afinal ele era um membro da Ordem da Fênix.

–Seu destino, vai ser esse aqui idiota. Falou Dolohov.

–O que está acontecendo naquele Ministério? Perguntou Bellatrix alto.

–Eu não sei. Falou Amélia chorando.

–Então é assim? Vai bancar uma de durona... Crucio...

A maldição de Bellatrix acertou em cheio Amélia que contorceu no chão. As lágrimas de Mione escorriam do rosto dela pelo ombro de Bella, ao ver a mulher sendo torturada daquela forma.

Os gritos da mulher eram abafados pelos risos dos comensais que se divertiam com a tortura.

–Se você falar Bones, você não vai morrer. Disse Bellatrix parando com a maldição.

–Se eu falar... Vou morrer de qualquer jeito...

Bellatrix trincou os dentes de raiva, e Amico recomeçou a tortura na pobre mulher.

–Fica aqui que eu vou tentar ajudar. Sussurrou Bella.

–Não... Fica comigo, eles estão em vantagem.

Os olhos de Mione não pararam de escorrer jorros de lagrimas, ela sentiu Bella ficar mais nervosa e mais quente, mas ver tudo aquilo e deixa-la ir enfrenta-los séria pior.

Amélia continuou sendo torturada durante vários minutos sem parar e sem gritar dessa vez, os olhos dela estavam por um fio e já parecia não sentir mais dor.

–O que tem na sala que é destinada a Harry Potter? Gritou Bellatrix.

–Eu não sei. Respondeu Amélia gritando.

–Você é mais corajosa do que seus amiguinhos Bones. Seria uma boa comensal. Elogiou Dolohov.

–Mundungo também foi resistente, mas não adiantou. Aqui está ele – disse Bellatrix com uma cara de nojo – Está morto e não contribuiu em nada. Vocês dois são dois idiotas e ratos Amélia Bones. A diferença é que você tem dinheiro, Mundungo era apenas um pobre vagabundo.

Ela mal terminou de falar e com a varinha jogou Mundungo em cima de Amélia que sentiu o impacto do peso do homem morto em cima dela.

–Vai falar ou não, Amélia Bones? Perguntou Aleto fria.

–E o que adianta, eu não sei. Disse Amélia com a voz mais fraca tirando Mundungo de cima dela.

– O seu amiguinho, Robards. Não demorou dois minutos para citar seu nome. Me disse que você é a nova queridinha do Ministro já que Dolores Umbridge está suspensa – Contou Bellatrix – Só vou perguntar mais um vez Amélia, o que a porta do Departamento de Mistérios tem para Harry Potter?

–Se eu te contar, eu vou morrer do mesmo jeito– sussurrou Amélia – Prefiro morrer do que ajudar vocês, mesmo que me torture por mais tempo.

Bellatrix explodiu em ódio e raiva, os seus olhos ficaram vermelhos. Cada um ali sabia que aquela mulher não iria contar nada, ela era forte e apesar de parecer dura tinha princípios e um bom coração. Bones olhou para na direção da passagem secreta como se soubesse que as duas estavam ali e um sorriso fraco se formou em seus lábios.

–Avada Kedavra...

Os olhos de Amélia se perderam de vez. Bellatrix apenas chutou a mulher e deu as costas para subir novamente as escadas.

Mione despencou de vez, Bella a segurou com força pela cintura. Os comensais arrastaram os corpos para um canto da sala e foram se juntar a Bellatrix.

–Me desculpa Mione, eu vou te tirar daqui. Sussurrou Bella para a amiga.

Mione foi levada e amparada por Bella durante todo o caminho de volta, a garota conseguia segura-la pelo caminho estreito sem deixa-la cair no chão mesmo em um túnel tão estreito e mesmo a garota amparada tendo uns 55 quilos.

Bella estava abalada, mas nem tanto quanto Mione, quando saíram do buraco colocaram novamente a capa e seguiram direto para o colégio. A lua já estava alta no céu, não tinham percebido o tempo que haviam ficado por lá.

Não havia ninguém nos corredores, nem no salão principal, foi uma longa caminhada até ali. Só tiraram a capa quando já estavam no retrato da Mulher Gorda que antes mesmo de Bella terminar de falar a senha as deixou entrar.

Bella segurou Mione até chegarem na sala Comunal que estava completamente vazia. Colocou a amiga com cuidado no sofá e se ajoelhou perto dela.

–Ei, Mione olha nos meus olhos...– chamou Bella tremula – Eu quero que você fique aqui, eu preciso falar com Dumbledore...

Bella escutou passos na escada e ainda cismada com o que tinha visto, sacou a varinha e se levantou de uma vez.

–Procuramos vocês por todos os lados...

Harry parou de falar de uma vez, a cena que viu o assustou. Mione estava sentada no sofá toda suja e com um olhar parado e assustado enquanto Bella mesmo vendo que era ele, não abaixou a varinha.

–O que está acontecendo? Está tudo bem aqui? Perguntou se aproximando dela devagar e abaixando sua varinha.

–Eu preciso falar com Dumbledore. Foi tudo que Bella conseguiu dizer.

–Eu quero...

Rony que descia as escadas atrás dele também se assustou, passou por ele dando um encontrão e correu para perto de Mione segurando a mão dela tentando fazê-la voltar ao normal.

–Preciso falar com Dumbledore. Repetiu Bella.

–Eu vou te levar lá – prometeu Harry – Rony, leve Mione para a enfermaria.

Harry andou para o lado do buraco do retrato, mas estava sozinho. Bella ainda estava paralisada olhando para Mione.

–Vamos até Dumbledore.

Puxou-a com delicadeza pelo braço. A mão dela estava suja de terra assim como os braços dela que estavam esfolados, por causa das paredes apertadas da passagem secreta.

Desceram correndo e em silêncio até a sala de Dumbledore. Usaram a mesma senha para passarem pelas gárgulas e bateram duas vezes na porta do diretor que os mandou entrarem sem perguntar quem era.

Dumbledore não estava sozinho, um auror que vigiava a escola, estava com ele abriu a porta para os dois e saiu muito rapidamente deixando apenas os três na sala do diretor.

O homem de barbas brancas se levantou depressa ao vê-los, pegou um copo com agua para Bella e pediu para eles se sentarem, mas a garota não se mexeu ficou em pé.

–O que está acontecendo? Perguntou Dumbledore preocupado.

–Eu não sei professor. Encontrei com ela e Mione na sala comunal desse jeito.

–E onde está a Senhorita Granger? Perguntou Dumbledore.

–Rony a levou a ala hospitalar, ela está em estado de choque, eu acho.

–Senhorita Swift, o que foi que aconteceu? Perguntou Dumbledore se aproximando dela.

Ela abriu a boca para responder, mas a porta do escritório do diretor se abriu de uma vez e Bella, muito rapidamente, sacou a varinha e apontou para o irmão.

–Desculpe diretor, Leonardo me disse que minha irmã chegou aqui toda suja e machucada. Explicou-se Roger entrando na sala com Tonks.

–Entendo perfeitamente.

–Bella o que está acontecendo? Perguntou Roger se aproximando da irmã.

A garota respirou fundo, abaixou a varinha e começou a contar. A cada palavra que ela dizia, Harry sentia a dor que isso causava nela. Era como o sentimento que ele sentia ao falar de Sirius.

O diretor, junto com Tonks e Roger ficaram parados analisando palavra por palavra que ela dizia sem interromper.

Para ele era difícil ficar em silencio.

Bella falou quase tudo desde a hora em que saiu do Três Vassouras. A análise que ela havia percebido e a movimentação das pessoas, detalhes que ele com certeza não tinha prestado muita atenção. Falou a eles a hora que viu os homens e as pessoas que carregavam nas costas.

A voz dela demonstrava o sentimento de culpa, que ele também reconhecia. Agora Harry entendia porque Mione estava daquele jeito, foi o mesmo jeito que ele se sentiu quando a ficha dele finalmente caiu e ele percebeu que Cedrico foi morto na sua frente.

–Mundungo está morto? Perguntou Tonks incrédula.

–Sim – respondeu Bella – Eles pegaram e o mataram hoje cedo. Foi o corpo dele que vi Dolohov carregando para a casa dos gritos.

As lagrimas de Tonks começaram a escorrer mesmo ela ainda estando firme e continuando a escutar o que Bella dizia. A garota contou sobre a tortura e sobre tudo que os comensais disseram e o que ela entendeu sobre o assunto, deixando Harry perplexo menos surpreso, ele sabia que a porta que não abria, estava relacionada a ele.

Os olhos de Bella ao contrário do de Tonks continuavam secos, e por fim ela contou sobre a morte e a coragem de Amélia.

–Então o ataque ao Beco foi apenas uma distração. Concluiu Roger.

–Acredito que sim, Roger – disse Dumbledore – Eles pegaram Mundungo lá, e trouxeram para cá. Mas acho que a Casa dos gritos não seja a única intenção deles. Tem algum plano maior por trás de tudo isso. Quero que reúna uma boa quantidade de aurores e os levem para a casa dos gritos, eu mesmo vigiarei a escola enquanto vocês estão fora. Sei que uma hora dessas eles podem ter partido, mas os mortos precisam de paz.

–Sim senhor. Bella você se lembra de mais alguma coisa ou quem são os outros que estão mortos lá dentro? Perguntou Roger segurando na mão da irmã.

Harry achou um absurdo á pergunta de Roger, ele queria forçar a garota a reviver novamente o que havia acontecido, mas antes de repreendê-lo, Bella recomeçou a falar.

–Eles citaram o nome de Gawain Robards, do Departamento de Aurores, acho que ele já estava morto há um pouco mais de tempo. Uns dois ou três dias, pelo modo em que seu corpo estava. Havia também uma outra mulher, está estava no mesmo estado de Robards, foram pegos no mesmo dia. Usava roupas formais e pelo que percebi usava um crachá no bolso esquerdo, só preciso me concentrar um pouco pra me lembrar – Bella fechou os olhos e massageou as pálpebras com força – Lembrei-me Mafalda Hopkirk.

–Muito bem Bella. – ele acariciou o rosto dela e beijou sua testa suja – Eu sinto muito pelo que você viu, não queria que precisasse passar por isso de novo. Você foi incrível esta bem? Fez tudo que tinha que fazer, eu estou orgulhoso de você. Acha que consegue ficar bem?

–Eu vou ficar bem.

–Eu sei que vai, você sempre ficar bem – ele a abraçou – Eu tenho que ir, mas depois volto para conversarmos.

Roger saiu praticamente correndo do escritório do diretor junto com Tonks.

–A senhorita foi muito corajosa Isabella. Temos que agradecê-la pelos serviços prestados a nossa escola. Não irei dar pontos por causa da imprudência, mas estou orgulhoso de você. Será uma excelente auror, ainda mais com suas habilidades.

–Obrigado senhor.

Harry não largou a mão suja de Bella, a garota apesar de tudo ainda estava ali, sem chorar apenas com a mão tremula e o rosto tão cansado que dormiria qualquer momento. A professora Minerva entrou na sala do diretor também sem anunciar.

–Recebi seu recado Alvo. A senhorita Granger está medicada e passará a noite na ala hospitalar, vou levar agora mesmo Isabella para lá. Disse Minerva.

–Não será preciso professora. Eu quero dormir na minha cama. Discordou Bella.

–Mas...

–Pode deixar Minerva. Isabella sabe o que quer, Harry vai leva-la em segurança e cuidará dela. Interferiu o diretor.

–O senhor que sabe diretor. Gina Weasley está ajudando Hermione e logo estará na sala Comunal, ela ajudará Isabella a se trocar. Enquanto isso...

–Eu cuido dela. Disse Harry.

Os dois desceram as escadas em silêncio. Na cabeça dele estava uma discursão formada para repreendê-la de sua imprudência, só que a culpa de tudo também era dele. Ele e Rony provocaram aquilo. A professora McGonagall desmarcou os testes do time e remarcou para o meio da semana, assim todos estariam recuperados.

Bella não disse uma palavra, nem mesmo para abrir o retrato. Entrou e sentou de frente para a lareira encarando o fogo.

–Vai ficar tudo bem. Disse Harry se sentando ao lado dela.

–Não sei se vai, Harry – discordou Bella – Vai demorar pra ficar tudo bem.

–E assim mesmo Bella, eu já passei por isso com Cedrico, se lembra? Eu vi o morrer. Não é fácil, não vou mentir para você. Mas um dia passa, ou pelo menos diminui a dor e a culpa.

Bella abaixou a cabeça. Por um instante ele pensou que ela ia começar a chorar, mas quando ela jogou o cabelo para trás seu rosto estava enxuto, triste, mas absolutamente enxuto.

–Você não podia fazer nada para salva-lo. Ela falou firme.

–E você também não podia fazer. Acrescentou Harry.

Um sorriso triste saiu do canto da boca dela, um sorriso tão dolorido que substituía as lágrimas dela.

–Quem disse que eu não podia? – questionou Bella – Eu podia sim ter saído de lá e ter salvado Amélia, mas isso colocaria Mione em perigo. Eu podia deixar Mione sair com Amélia e ficar com os comensais, mas Mione me pediu para ficar com ela. Eu não quis abandona-la. Se eu tivesse saído do buraco com um certo esforço, Amélia e Mione estariam bem, mas eu...

–Você não daria conta de combater cinco comensais, sozinha Bella.

–Você não sabe, se eu fosse mais corajosa. Eu poderia sim...

–Mais corajosa? Bella você viu quatro mortos na sua frente, inclusive viu uma pessoa ser torturada e morta. Trouxe informações e vai contribuir para que essas pessoas sejam enterradas em paz e enfrentou isso tudo sem fraquejar, sem chorar... Você é a pessoa mais corajosa que conheço.

Bella deitou a cabeça no ombro dele e fechou os olhos.

–Você é um ótimo amigo, Harry.

–Você que é. Protegeu Mione e a trouxe em segurança.

–Mas fui eu que a coloquei em perigo. Disse Bella.

–Que isso Bella? Eu, Rony e Mione não precisamos que ninguém nos coloque em perigo, nos colocamos sozinhos.

Bella sorriu deitada em seu ombro. Na verdade se tinha algum culpado pelo que as duas haviam passado, era ele e Rony. Rony não assumia de uma vez que gostava de Mione, e ele durante todo esse tempo ficou negando e tentando confundir seus sentimentos por Bella.

Gina chegou na sala comunal junto com Rony. As duas subiram as escadas juntas e eles fizeram o mesmo para irem para o dormitório deles.

Como Mione estava em choque não contou a Rony o que havia acontecido, então Harry teve que contar tudo.

–Cara, e a culpa disso é toda nossa. Você sabe disso né? Perguntou Rony se afundando na cama.

Simas, Neville e Dino também escutaram toda a conversa e ficaram tão assustados quanto eles tinha ficado.

–E elas estão bem? Perguntou Neville.

–Mione vai ficar de observação na enfermaria. Respondeu Rony.

–E Bella? Perguntou Simas.

–Eu não sei. Respondeu Harry.

–Como assim não sabe? Perguntou Simas.

–Ela não chorou nenhuma vez. Dumbledore e o irmão dela a pressionaram para contar cada detalhe e ela contou. Vi que ela tremia, mas mesmo assim nada. Sinto que ela estava mal por dentro e que está péssima e se sentindo culpa, mas ainda está firme e dura como uma rocha.

–Bella é assim.

Rony falou se virando para o canto da cama. A culpa também tomava conta dele por completo. Os outros também foram se deitar.

O sono de Harry o pegou por causa do cansaço. Teve uma noite muito corrida, procurando as duas meninas e mais tarde descobrindo o que havia acontecido. E depois de tanto tempo, seu sonho voltou.

“ Estava no meio da floresta novamente, andando sob a luz do dia. Caminhavam com as mochilas nas costas e roupas gastas. Mione e Rony estavam ao seu lado direito de mãos dadas, e ao seu lado esquerdo a pessoa Misteriosa.

Passaram por um clarão, olhou para o lado da pessoa misteriosa e finalmente viu quem era. A luz bateu no rosto dela que se iluminou, os olhos azuis de Bella o encararam e ela balançou a cabeça afirmado algo para ele. O sorriso dela era confiante, e ela andou um pouco mais rápido para segurar na sua mão com muita leveza. Ela pegou também na mão de Rony e os quatro desaparataram da floresta... ”