Harry Potter e a Fênix Celestial
9 A Chama Que Não Se Apaga

A Chama Que Não Se Apaga
–Está tudo bem, Mione? Perguntou Rony pela décima vez.
Mione saiu da enfermaria cedo no domingo mesmo. Ela parecia melhor, quase não falava muito, mas estava muito mais bem disposta. Já Bella estava com grandes olheiras, fazendo Harry se arrepender de não ter a obrigado a dormir na ala hospitalar. O contraste entre as duas eram bem evidentes, enquanto Mione estava bem disposta, Bella estava parecendo que tinha corrido uma maratona. Enquanto Mione estava visivelmente abalada emocionalmente, Bella parecia bem até de mais, além do cansaço visível, ela só parecia ter passado uma noite ruim.
Harry levantou muito cedo. Não estava com muita fome, só queria garantir que as duas estavam bem. Enquanto os outros comiam ele observava os pais que tinham amanhecido em Hogwarts para buscar seus filhos. Dumbledore ficou reunido com eles durante todo café da manhã, só que não conseguiu convencer a todos a deixarem seus filhos.
–Eu sinto muito Susana. Disse antes de a garota ser levada pelos pais.
–Tudo bem Harry. Eu vou voltar, não vou desistir da escola, não agora. A única chance que temos de nos defender é a Armada, confio em você. E meus pais também, confiam.
Susana foi levada, deixando Harry cheio de dúvidas e medo. Não teve tempo para pensar nas coisas que estavam acontecendo e nem sobre seus sonhos, voltou para a mesa da Grifinória e se sentou ao lado de Mione que apenas revirava a comida no prato. Assim que as corujas entraram voando no salão, a mão dela ficou trêmula e ela ficou muito nervosa.
Harry pegou o jornal dela e caminhou para o outro lado da mesa, tudo que ele não queria era que Mione desse uma crise nervosa, ele sabia bem o que era ver uma pessoa morrer em sua frente e sabia o que ela estava sentindo naquele momento. Quando Cedrico morreu, as notícias falsas do Profeta diário o deixaram ainda mais nervoso, principalmente quando teve que recontar o que havia acontecido duas vezes seguidas.
As notícias não eram boas, os comensais tinham fugido, depois de duelarem contra os aurores que invadiram a Casa dos Gritos no meio da madrugada. Mas mesmo com a fuga, os aurores conseguiram recuperar os corpos.
O motivo dos aurores não estarem no vilarejo também foi revelado. A foto do estado de uma parte do Beco assustou os alunos de Hogwarts. Vários bruxos foram feito reféns pelos comensais, mas ninguém se feriu. Eles tinham lançado o feitiço Fogomaldito e boa parte das lojas obscuras do Beco foram queimadas, por sorte o incêndio não foi perto da loja dos gêmeos. Foi preciso cerca de quarenta Aurores para combaterem o incêndio e reverterem o feitiço, mas as lojas atingidas tiveram perda total.
O nome dos mortos foram revelados, junto com a nova lista de desaparecidos da semana, Harry olhou por cima do jornal e viu Rony abraçando Mione pelo ombro que tinha lágrimas escorrendo pelo seu rosto e pingando na roupa de Rony.
–Você quer voltar para ala hospitalar, Mione? Perguntou Harry preocupado rasgando o jornal.
Mione sacudiu o dedo dizendo que não, e escondeu o rosto molhado no ombro de Rony que a abraçou mais forte. Malfoy se aproximou da mesa sorrateiramente, e ficou parado ao lado de Bella, ignorando todos que estavam ali.
–Bella, preciso falar com você. Chamou Malfoy ignorando eles.
Bella se levantou e foi com Draco para fora do castelo, passando um braço pelo dele. Harry havia se acostumado com isso, Bella parecia ser a única amiga que Draco realmente se importava. Não confiava nele, mas a garota insistiu para que não misturassem as coisas.
Vendo a garota sair às lembranças dos sonhos o atingiu. Colocou os restos do jornal dentro de um prato vazio e se perdeu em seus pensamentos.
Ele havia sonhado com ela, mesmo antes de conhecê-la, há algum tempo ele percebeu que gostava dela. Era difícil não perceber o que ele sentia. Sempre que estava com ela sentia seu coração se acelerar, a sua mão ficava suada e ele se esquecia da maioria dos seus problemas. Não sabia se gostava ou não da ideia dela o acompanhar.
Já seria difícil convencer Mione e Rony a ficarem para ele partir sozinho, e agora teria que convencer Bella também. Gostava da presença dos três, mas tudo que ele não podia era deixar que os três se arriscassem com ele.
Assim que completasse seus 17 anos, iria partir sozinho. Era uma pessoa marcada e seus sonhos avisava que para conseguir derrotar Voldemort ele precisava seguir em uma missão perigosa.
–Cara, eu vou levar Mione para a sala Comunal. Disse Rony o chamando.
–Claro, eu vou subir com vocês. Falou voltando para si.
O dia passou devagar. Bella só voltou para a sala Comunal no final da tarde. Kreacher que estava muito mais educado com ele, preparou um lanche e levou para eles na hora do almoço. A sala comunal enchia e se esvaziava o dia inteiro, mas os três permaneciam ali.
Numa tentativa de esquecer os problemas, Mione afundou a cara nos livros e conseguiu convencer Harry e Rony a fazerem o mesmo. Com todos reunidos para o jantar, dava pra ver a diferença na quantidade de alunos na escola.
O silencio no salão era perceptível, o único barulho que se ouvia eram os talheres se chocando no prato. Até mesmo os professores estavam diferentes, ficavam observando os alunos e após o jantar, cada diretor das casas acompanharam seus alunos até as salas comunais e conversaram com eles sobre como seria a escola de agora para frente.
Conforme as pessoas iam subindo para deitarem, os membros da Armada da Grifinória ficavam na sala Comunal. Assim que todos haviam subido, o grupo se reuniu perto dos quatro, nas poltronas perto da lareira.
–Já sabemos que vocês tem alguma coisa haver com o que aconteceu na casa dos Gritos. Disse Colin.
–Temos mesmo – respondeu Rony um pouco rude – Mas não queremos tocar nesse assunto agora.
–A gente não quer fazer vocês reviverem isso – defendeu Neville – Só o que queremos é começar logo com as reuniões.
–Bom vamos fazer o possível, mas Rodrigo só pode começar passando essa semana na outra. Respondeu Bella.
–Mas você pode nos ensinar, vocês dois – disse Brian apontando para ela e Harry – Vamos começar pelo básico mesmo.
–Eu não sei, Dumbledore disse que a gente precisa ter aulas com ele para repassar a vocês. Falou Harry.
–Não podemos mais esperar – disse Neville – Vocês viram o que aconteceu, temos que começar o mais rápido possível. Quanto antes começarmos mais cedo iremos nos tornar independente, a Ordem da Fênix sozinha não vai dar conta de tudo.
Harry parou para pensar um pouco, eles estavam certos. Eles precisavam começar o mais rápido possível, a Armada era a única aliada à altura da Ordem.
–Certo, vou mandar uma mensagem para Dumbledore e avisa-lo que vamos começar nessa sexta. Mione vai avisar os outros do inicio da reunião. O único teste que falta é o do time da Grifinória, então não vai ter nenhum problema para os das outras casas.
–Certo, mas será que a sala Precisa vai estar pronta? Dumbledore disse que ia cuidar para que ela ficasse perfeita para os treinos. Lembrou-se Mione.
–Vou pedir para Dobby levar uma mensagem minha para o diretor. Ele deve está muito ocupado para a gente ir lá. Disse Harry.
O grupo foi saindo aos poucos até ficar somente os quatro e Brian que ficou olhando estranho para Bella.
–Será que podemos conversar? Perguntou Brian.
–É o segundo que me pergunta isso hoje. – falou Bella rude – Vai dizer que fui imprudente e idiota. Não quero mais conversar com ninguém.
Bella puxou Mione pelo braço e as duas foram para o dormitório feminino deixando Harry e Rony com Brian sem entender a fúria da garota.
–Isso é coisa do Malfoy, ela só está descontando. Disse Harry dando de ombros.
–Ela está andando muito com ele. Falou Brian com um sorriso de lado.
Harry subiu as escadas assim que sentiu sua cicatriz arder, deitou-se e rolou pela cama. Não aguentando mais a dor se sentou na cama e a massageou. Seu estomago começou a revirar, seus olhos começaram a fugir de foco até ele não estar mais no dormitório.
“ Estava em uma sala grande e espaçosa, os móveis eram luxuosos e sofisticados. Voldemort estava sentado em uma cadeira que mais parecia um trono, Nagini estava enroscada em sua perna e com a cabeça no colo de Voldemort, que a acariciava.
Dez comensais estavam na sala com taças sofisticadas nas mãos, todos em pé olhado para seu mestre que estava muito contente e feliz. A felicidade de Voldemort fazia sua cicatriz arder muito mais do que quando ele estava furioso.
–Muito bem meus amigos – falou Voldemort se levantando – Vejo que dessa vez vocês não falharam. Vamos para a segunda metade do plano, logo estaremos prontos para assumir de vez o comando do mundo mágico.
Voldemort falou com tanta ênfase que seus comensais pareciam tão excitados quando ele. Aplaudiram e ergueram suas taças.
–Bellatrix, é muito bom ver que você conseguiu realizar sua missão – disse Voldemort se aproximando dela – Você está no comando da próxima missão. Não vou aceitar falhas como a do Ministério.
–Sim Milorde, eu não vou te decepcionar.
Voldemort ficou de costas das seus comensais, o sorriso diabólico do rosto dele ficou na mente de Harry...”
Acordou ensopado de suor, o sol já brilhava do lado de fora da janela. A cama de Rony estava vazia assim como a dos outros meninos. Levou a mão na cicatriz e sentiu que ela ainda ardia. Sentiu o quarto girar e seu estomago revirar com a dor da cicatriz.
Nada fazia sentido naquele sonho. Pelo que Bella havia lhes contado, Bellatrix não havia conseguido descobrir nada sobre a sala no Departamento dos Mistérios. Então qual o motivo da felicidade de Voldemort?
A lembrança do sorriso satisfeito de Voldemort ficou em sua mente de um jeito estranho.
Foi um dia extremamente estressante. Assistiu as aulas de poções, mas sua cabeça não estava ali, estava na casa onde Voldemort estava hospedado. Pouco falou naquele dia, escreveu um recado a Dumbledore e mandou por Dobby e logo teve a resposta dele dizendo que podiam começar, e que na sexta feira a sala Precisa estaria pronta para começarem os treinos.
Os dragões estavam voando 24 horas, dia e noite, Hagrid mal ficava na cabana e estava difícil para Harry falar um pouco com o amigo. Os dragões percorriam não só Hogwarts, mas também por Hogsmeade ajudando os aurores a monitorarem o vilarejo para deixar os bruxos dali mais seguro.
As horas começaram a passar mais depressa do que nunca. Harry não estava com muita vontade de ficar andando por aí, apenas ficava no seu quarto pensando em tudo que estava acontecendo lá fora enquanto ele estava ali preso. Nunca sentiu tanta vontade de fugir de Hogwarts.
O teste de quadribol começou após a aula de feitiços. Metade dos Grifinórios queriam entrar para o time de quadribol. Para sorte de Harry, Kátia iria ajuda-los.
–Boa sorte. Disse Harry para Bella e Rony.
Mione foi para a arquibancada para assisti-los. O primeiro teste foi o de voou, Harry foi eliminando os que mal conseguiam ficar nas vassouras e os que estavam voando muito mal. Deixando apenas metade dos concorrentes.
A segunda etapa foi para os que queriam a posição de goleiro. Kátia Bell arremessava a goles e os goleiros teriam que defender. Rony se saiu muito bem, a confiança dele este ano estava muito mais elevada com a vitória no ano anterior sob a Corvinal.
Mesmo Kátia não facilitando muito, Rony fez ótimas defesas não dando chance para nenhum outro goleiro. O único que foi melhorzinho foi Nathan, um aluno do quinto ano que defendeu duas a menos que Rony e ficou como goleiro substituto.
O segundo foi o de batedor. Eram mais candidatos do que para goleiro, e demorou um pouco mais. Para surpresa de Harry, Colin Creevey foi de longe o melhor batedor que se candidatou nesse ano. O segundo batedor foi Dino, mesmo não sendo tão bom quanto Colin, se saiu bem e conquistou a segunda vaga muito facilmente.
O teste de artilheiro foi muito mais fácil mesmo tendo mais candidatos que os outros. Gina era realmente boa, e o bom desempenho dela no último ano, facilitou muito as coisas. Mas Bella simplesmente deu um show para garantir a última vaga no time. Os outros não puderam nem reclamar, a garota simplesmente deu uma aula de Quadribol brasileiro que deixou todos de boca aberta e facilitou a vida de Harry.
O treino começou assim que o time tinha sido escolhido. Apesar de nunca terem treinado, o time simplesmente estava muito bem. As artilheiras Gina, Kátia e Bella se entrosavam muito bem, principalmente Bella e Gina que já haviam treinado juntas na mansão. Elas deram muito trabalho para Rony, que fez defesas espetaculares mesmo com a competência das três.
Os batedores estavam um pouco perdidos entre si, mas no final do treino conseguiram se achar melhor e rebater balaços incríveis.
Os treinos da Grifinória aconteceram nos dias seguintes também. Era muito bom estar em campo de novo, e ele estava sendo um bom capitão. Os integrantes do seu time, o respeitava e sempre escutava o que ele tinha para falar.
Para não pensar nos problemas a sua solução foi se dedicar mais ao quadribol e as suas aulas. Estavam abarrotados de deveres e o dia da primeira reunião da Armada chegou muito depressa. A semana passou como um risco, e dava para ver nos olhos dos membros que estavam todos muito ansiosos pela primeira reunião, principalmente por se tratar de uma modalidade que não estavam acostumados.
O treino da Grifinória foi até tarde. Nenhum deles desceriam para jantar, porque Dobby e Kreacher iriam preparar a comida para eles e levar para a sala precisa. Como todos do time faziam parte da Armada, não se importaram em ficar até mais tarde treinando.
Após o treino, os outros foram para a sala Comunal para se trocarem e descansarem antes da reunião. Ele ficou encarregado de guardar o equipamento do treino junto com Rony e Bella, já Mione, que sempre assistia os treinos da arquibancada os ajudou.
Quando subiram o salão ainda estava vazio, ainda faltava algum tempo para o jantar ser servido.
–Dragão Norueguês. Disse Mione para o retrato da mulher gorda.
Os quatro entraram e levaram um susto. Havia uma verdadeira multidão de pessoas ao redor do mural de recados, todos muito empolgados e falando muito alto, não tendo jeito nem de entenderem o que acontecia ali dentro.
Tentaram passar no meio da confusão, mas foi impossível.
–Ei Gina, espera ai. Chamou Mione.
Gina saia do meio da multidão segurando a mão de Dino, e quando viu Mione foi na direção deles.
–O que é tudo isso? Perguntou Mione.
–Vocês ainda não sabem?
–Se soubéssemos, não estaríamos te perguntando. Disse Rony mal humorado.
Gina deu um soco razoável no braço de Rony que se afastou de perto dela.
–Este ano terá um baile de inverno. A professora Minerva colocou o aviso agora.
Mione deu um grito que quase deixou Harry surdo. As duas começaram a conversar e falar sobre vestidos e sobre o baile criando uma verdadeira rodinha de meninas alvoroçadas e empolgadas. Fazendo Harry, Rony e Bella, que não estava muito empolgada, fugirem de lá de mansinho aproveitando as poltronas vazias.
Dino lançou um olhar pedindo socorro para eles, mas nenhum dos três podiam fazer nada. Gina era a namorada dele, se alguém tentasse tira-lo de lá seria muito pior e tudo que não queriam era entrar no meio de toda aquela confusão de meninas alvoroçadas.
O assunto do baile não morreu em nenhum momento. Enquanto as meninas estavam eufóricas e histéricas, os rapazes estavam apreensivos e conversando baixo entre si, afinal a parte mais difícil eram deles. Era responsabilidade dos rapazes convidarem ás garotas para irem ao baile.
–Você acha que Mione vai com quem dessa vez? Perguntou Rony meio perdido.
–Com Krum que não vai ser.
Bella disparou a rir com o modo que Rony perguntou e ele teve que tapar a boca dela quando Mione foi se juntar a eles.
Aos poucos a conversa foi diminuindo conforme as pessoas saiam da sala Comunal para jantar. Harry se trocou muito rápido e quando desceu já não tinha mais ninguém além dos membros da Armada que os esperavam para saírem juntos.
Foi tranquilo ir para a sala Precisa, os corredores estavam desertos e todos estavam jantando naquela hora. Os quatro não se separaram, Rony e Bella ficaram um pouco mais atrás, Bella estava de braço dado com ele falando algo que eles não escutavam. Já Harry e Mione estavam convocando os que não estavam em Hogwarts, para virem se unir a eles usando a magia da pulseira.
Quando entraram na sala Precisa ficaram impressionados. Apenas desejaram um lugar para treinarem sem serem incomodados e secretamente a sala pareceu dobrar de tamanho. Havia um tatame em um canto e vários colchonetes espalhados. Um grande espelho estava na parede onde veriam Bella realizar os golpes. Mione lançou um feitiço no espelho que não devolveu o feitiço nem mesmo quebrou, seria perfeito para praticarem feitiços.
Fred e Jorge chegaram e com eles um grande barril de cerveja amanteigada que deixou Mione de cabelos em pé. Com muito custo a garota concordou em deixa-los tomar um pouco no final da reunião, quando finalmente iriam jantar a comida preparada por Dobby e Kreacher.
Harry, Mione e Rony separaram todos em dois grupos, alguns não gostaram muito da divisão só que não os questionaram.
–Bom hoje vou dar a aula sozinha sem o Rodrigo, vou ensinar o começo para vocês. O básico. Conforme as aulas forem passando vamos aumentar o nível e as técnicas, quero que prestem muita atenção. Outra coisa, o mais indicado para quem utiliza a defesa pessoal é treinar bem o corpo para se adaptar e mostrar mais preparo físico e resistência para conseguirem um desempenho melhor.
Bella não parecia estar nervosa falou bem e se manteve firme nas palavras e nas ações.
–Vamos começar pelo seguinte...
Ela foi para frente da sala e pegou uma caixa que Brian havia trazido para ela. Dentro varias peças de roupas diferentes, do tipo que os Swift usavam para os treinos na mansão.
Para os homens, calças largas e camisas cavadas. Neville ficou morrendo de vergonha quando Brian entregou para ele a roupa que teriam de usar. Não parecia muito confortável e era um pouco constrangedor usar aquelas roupas, os meninos da Corvinal foram os únicos a gostar das roupas e foram os primeiros a se trocar. E mesmo Harry não querendo admitir, aquela roupa caia muito bem em Brian e Peter.
Já as meninas usavam uma calça elástica e justa, de laica, iguais à preta que Bella usava. Na caixa havia mais de um modelo de blusas diferentes para elas, inclusive tops, mas nenhuma delas teve coragem suficiente para usar. Quando Bella tirou a blusa no meio de todos e mostrou o top de tricô também preto, deixando metade da barriga dela do lado de fora, dava para ver a inveja estampada nos olhares das meninas e a cobiça na dos meninos.
Harry não sabia nem o que sentir, ela estava tão perfeita daquele jeito que não tinha nem como culpar os meninos e muito menos as meninas.
–É assim que eu quero ver vocês todos os treinos. Nada de calça jeans ou roupas pesadas. Muito menos as vestes de Hogwarts. Agora vamos começar...
A aula foi incrível. Harry teve muita facilidade já que ele, Mione e os Weasley presentes, já tinham aprendido isso na mansão. Mas nem todo mundo teve facilidade, e coube a eles, que já tinham tido aquela aula, ajudar os que não estavam indo muito bem. Brian e Peter também tinham conhecimento sobre defesa já que ambos estudaram na mesma escola que Bella havia estudado. Agora sim, ele entendeu por que Dumbledore insistiu que os dois Levine entrassem no grupo. Além de serem inteligentes e ajudado Mione com as pulseiras, eles lutavam muito bem.
No fim, ela colocou os dois lados para lutarem um contra o outro em cima dos colchonetes, assim ela testaria o que cada um aprendeu e os que precisavam de mais atenção. No final da aula marcaram os locais e os horários para correrem em grupo. As casas iriam correr juntas e em locais separados, apenas Brian iria estar junto com outra casa, a Lufa Lufa, já que Peter ia liderar as corridas da Corvinal.
–Bom por hoje é só. Finalizou Bella.
Ela mal terminou de falar e os gêmeos correram para pegar o barril. Algumas mesas apareceram e Dobby e Kreacher trouxeram a comida para eles jantarem. Estavam todos famintos, depois de um treino tão pesado. Quando acabaram, um velho som bruxo apareceu na prateleira com alguns discos animados com musicas que ele nunca tinha ouvido, mas os outros pareciam conhecer bem.
A maioria não trocou de roupa, ficaram como estavam dançando no meio da sala junto com Fred e Jorge que animavam a todos com a molecagem deles. Jorge ficou rodeando Angelina e Fred, Alicia. Ambos insistindo para que depois da reunião elas saíssem com eles.
–Você não pode ficar sempre assim nas festas. Brincou Bella pegando Harry observando os quatro.
–Estou apenas olhando.
Os dois ficaram conversando ali no canto, sozinhos. Rony estava dançando meio engraçado com Mione, Gina e Dino. Era difícil não se distrair com ela, falaram coisas tão sem importância que o fez se esquecer de todos os problemas que ele tinha, ela parecia ter esse dom.
Um pequeno grupo de meninos se formou incluindo Rony, Peter, Miguel, Dino e Simas para dançarem de uma forma estranha para as meninas que apenas olhavam e riam.
Bella estendeu a mão para ele e riu, Neville meio desajeitado esbarrou nela a jogando para cima dele. Os olhos deles se encontraram e pararam de rir, nem responderam o pedido de desculpas do garoto. Um clima começou a rolar entre Harry e Bella, e novamente ele sentiu seu coração disparar. Estavam tão próximos que ele podia sentir a respiração suave dela a menos de 30 centímetros de distancia.
–Encontrei você. Disse Brian animadinho.
–Sério que não me achou numa sala desse tamanho? Disse Bella se afastando de Harry sem graça.
Brian estava com três copos na mão, e entregou para eles. Harry aceitou mais por educação, queria manter sua mão ocupada para não esganar o garoto.
–Você está fugindo de mim? Perguntou Brian.
–Só não queria tocar naquele assunto. Respondeu Bella.
–Me desculpe por aquele dia, eu não devia ter perguntado isso, vocês tinham acabado de ver algo muito traumático. – desculpou-se Brian – Mas não é só sobre isso. Você esta fugindo mesmo de mim, desde o dia que nos encontramos na sua casa na festa do meu padrinho. Vai negar?
Harry tomou um gole bem caprichado de cerveja apenas escutando.
–Não vou negar, estava mesmo – respondeu Bella com sorriso que ele mais amava só que naquele momento odiou – Mas agora não tenho mais motivos de fugir.
–Posso te dar um abraço? Dessa vez, de verdade, sem rancor nem nada.
Antes de ela responder, Brian a abraçou e a ergueu do chão girando ela como se fosse apenas uma boneca de pano.
–Então está tudo bem entre a gente? Perguntou Brian a colocando no chão.
– Acho que agora está sim. Já fomos amigos antes, é bobeira não sermos agora.
– Só amigos? Perguntou Brian cheio de más intenções.
Harry sentiu o impacto da conversa dos dois. O modo como conversavam, estava claro que não eram apenas amigos, como também era claro que os sentimentos deles não eram só de amizade.
Um novo disco foi colocado e Brian segurou na cintura de Bella a puxando, que pediu desculpas para ele sob o ombro de Brian, e foi dançar com o garoto, que ele tinha certeza que ela amava.
Os dois junto com Peter começaram a dançar uma música trouxa que ele conhecia bem, fazendo uns passinhos que muitos bruxos ali nunca tinham visto, passinhos do Michael Jackson. Quando a música terminou, fizeram uma reverência para os aplausos e Peter abraçou Bella com muito carinho e seu primo de uma forma animada e engraçada fazendo os outros rirem.
As pessoas voltaram a dançar, e Brian puxou Bella para perto dele dando um beijo em sua testa e falando coisas que ele não podia ouvir de onde estava somente ver as lágrimas que escorriam pelo rosto do rapaz, a garota as limpou e o abraçou.
Harry sentiu como se seu chão tivesse se despedaçado de novo. Não sabia o que estava sentindo, era uma mistura confusa de ciúmes e medo de perdê-la que não cabia dentro dele. Saiu da sala Precisa sem ninguém vê-lo. Colocou a capa de invisibilidade que estava no bolso do seu casaco e praticamente correu pelos corredores.
A única coisa que conseguiu pensar foi em ir para o lugar mais alto do castelo, onde o vento poderia clarear melhor seus pensamentos. A sala de astronomia estava vazia, entrou e tirou a capa.
Deixou o vento frio bater no seu rosto e clarear suas ideias e emoções. Tanta coisa em tão pouco tempo. Não era possível, no meio de tanta confusão, gente desaparecendo e sendo morta. O destino dele era escrito, teria que matar o homem que causava tudo aquilo. E mesmo depois de tudo isso ele estava apaixonado... Apaixonado por alguém cujo coração já tinha dono, apaixonado pela menina mais incrível e diferente que ele já conheceu.
–O que está fazendo aqui uma hora dessas, Harry?
Virou-se para trás e levou um susto. Dumbledore estava parado o olhando sob os óculos meia lua.
–Eu só queria um tempo sozinho. Respondeu.
Dumbledore caminhou para o seu lado e ficou encarando o nada assim como ele estava fazendo.
–Você quer conversar um pouco? Perguntou Dumbledore.
–Não senhor, estou bem. Mentiu envergonhado.
O diretor sorriu com um olhar muito cansado, apresentando cada ruga da sua vida longa.
–Harry, Harry, Harry... Você é um menino de ouro meu jovem. Se não tivesse acontecendo algo, você não estaria aqui, enquanto seus amigos da Armada estão comemorando.
–O senhor não me entende...
–Entendo Harry, você está se sentindo pressionado por ter tanta responsabilidade em suas costas. Por esse motivo não te contei antes sobre a profecia, sabia que era muito novo para lidar com tudo – Disse Dumbledore sabiamente – Creio Harry, que o que você deve fazer é aproveitar esse ano em Hogwarts. Em breve você terá que partir, e eu não poderei te ajudar, os únicos que poderão são seus amigos, mas só você pode decidir se irá sozinho ou os levará com você.
–Eu tinha deduzido isso, professor.
–Mas não é esse o motivo que você está aqui sozinho não é?
Harry o ignorou, não queria falar sobre isso.
–É Isabella, Não é? Perguntou o diretor sagaz.
–Eu... Que...
Dumbledore sorriu.
–Percebi desde a primeira vez que vi vocês dois juntos, Harry. Ela é o motivo de você estar em um conflito interno contra seus sentimentos.
–Isso não importa. Falou sem graça.
–A maior diferença entre você e Lorde Voldemort, é a capacidade de amar meu caro Harry Tiago Potter. Se você desistir do amor vai se parecer cada vez mais com ele. Você é o menino que sobreviveu, o amor da sua mãe te salvou. O amor seu por Sirius e seus amigos que impediram que Voldemort te possuísse no Ministério. O amor é uma chama que não se apaga dentro de você, Harry. Um ciclo natural, se gosta dela não desista tão fácil assim ou pelo menos confie no seu coração, confie no seu amor.
Dumbledore o surpreendeu. Não estava mais falando como o diretor, mas como um amigo. Esse era um tipo de conversa que ele nunca imaginou ter com o diretor.
–Não posso gostar dela professor. Assim como não posso colocar meus amigos em perigo.
–Seus amigos não vão deixar você ir sozinho, o lugar mais seguro para eles é ao seu lado. Retrucou Dumbledore.
–Enquanto a Bella? Ela se tornou minha amiga, e agora eu me apaixonei por ela.
–Ela não precisa de proteção, Harry. Você que precisa da dela. Disse Dumbledore.
Dumbledore saiu da sala de astronomia o deixando sozinho. Ele encarou novamente o lado de fora do castelo, a noite estava tão bonita e tranquila. Sentiu uma coisa boa novamente, não estava mais triste. De certo modo, o conforto tomou conta do seu peito.
–O que tiver de acontecer vai acontecer. Disse a si mesmo.
Fechou os olhos e deixou a brisa tocar seu rosto, sentiu algo muito quente no peito. Como se seu coração aquecesse mais do que o normal. Apertou o peito com as duas mãos, nunca tinha sentido aquele tipo de dor antes.
Tudo começou a girar sem parar, as paredes da sala ficaram menores e menores, como ele tivesse entrando na sua própria mente...
“ Estava dentro de uma sala pequena e escura, a única luz que tinha estava no meio da sala. Uma luz dourada, que mais parecia uma chama, brilhava fortemente. Uma grande pedra estava dentro de toda aquela luz, era uma pedra com quatro cores diferentes.
Assim que ele tocou na pedra houve uma explosão e ele foi arremessado para o outro lado da sala. A pedra havia desaparecido, deixando para trás uma chama que não parava de brilhar e quatro cores diferentes nas paredes por causa da explosão, onde ele estava jogado e suas roupas e rosto pintados de vermelho. ”.
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