Notas iniciais
Mais um capitulo fresquinho, espero que gostem meu amores... Está sendo feito de coração!!!

Omissões

Harry passou uma das noites mais confusas da sua vida, a sua conversa com Luna tinha dado muito assunto para ele pensar. Não era só ele que sonhava com Sirius, Luna também estava tendo sonhos contínuos com seu padrinho.

O que ele não conseguia entender era o porquê ela, Luna nunca teve nenhum contato com ele, apenas o viu no Ministério quando estiveram lá. Teve tantos sonhos com Sirius na noite que o deixou confuso, estava tendo pedaços da vida do padrinho e isso era incomum, já que ele pouco tinha falado sobre a vida dele antes de Azkaban. Acordou com a cabeça doendo, não era sua cicatriz, era a cabeça mesmo que girou ao acordar.

Passou o dia na sala Comunal da Grifinória que estava quase deserta. Tinha muito poucos alunos, já que a maioria tinham ido para casa depois do Natal.

Rony, Mione e Bella chegaram quase de noite, vieram na mesma carruagem que Peter e Brian como no começo do ano letivo, só que ao invés dele estar na carruagem com eles, estava Neville.

Como estava muito frio os alunos que estavam no castelo foram aconselhados a ficar do lado de dentro, mas Harry deu um jeito de dar uma espiadinha. Os três desceram da carruagem e Mione correu para abraça-lo, assim como Rony e Bella fizeram.

–Ficamos tão preocupados com você. Disse Mione ofegante.

–O que aconteceu? Perguntou Harry confuso.

–Te contamos depois. Disse Bella o abraçando com mais força.

O tempo quase não passou na hora do jantar, o apetite de Harry tinha se extinguido de vez com a reação dos amigos e da namorada. Achou um pouco frio o modo como ela o tratou não sabia se ela queria esconder que estavam juntos ou foi só por causa do momento.

Antes de todos terminarem de jantar os quatro subiram para a sala Comunal. Bella foi na frente com Mione, e ele e Rony ficaram um pouco mais para trás, dava para ver a aflição do amigo enquanto caminhavam.

A sala comunal estava quase vazia, poucos alunos tinham subido depois do jantar. Sentaram-se de frente para a lareira, no lugar que parecia ter seus nomes.

–O que aconteceu gente? Vocês estão me deixando preocupado. Disse aflito.

–E é bom ficar mesmo, Harry – disse Rony – A coisa está feia pro seu lado.

Mione tirou de dentro da bolsa um panfleto com a foto dele e a recompensa de 10 mil galeões e um lugar ao lado de Voldemort.

–Agora estão dando dinheiro também, é isso? Disse um pouco mais aliviado.

–Você não está levando a sério? Perguntou Bella alto.

Alguns alunos entraram pelo buraco e olharam para eles, inclusive Brian e Simas.

–Harry a coisa tá feia – sussurrou Mione – Todos estão assustados, e por mais boas que as pessoas são, a proteção de Voldemort é muita coisa. Metade das pessoas querem sua cabeça, fomos atacados quando íamos para a estação King’s Cross...

Harry ficou branco como papel, esse era o maior medo dele quando veio para Hogwarts sozinho, que seus amigos sofressem as consequências da sua covardia.

–Só pra começar a culpa não foi sua – disse Bella revirando os olhos – Estavam investigando toda aquela região, e nem eram comensais. Eram as pessoas que queriam a recompensa, como não paramos atacaram o carro. Sorte que já estávamos bem longe de casa, a gente estava no mesmo carro. Gina e Dino foram atacados, mas Moody conseguiu leva-los em segurança. Ficamos para trás, Roger e minha mãe estavam com a gente, e o carro tombou, mas ficamos bem. Mione pensou rápido e lançou um feitiço para proteger o carro do impacto, só que Rony e eu acabamos tendo que usar magia.

–Vocês vão ser expulsos? Perguntou quase sem folego.

–Não, quando estávamos no trem chegou o comunicado, meu pai já está resolvendo tudo com o Ministro ele não vai nos punir por causa disso, não se preocupe. Disse Bella.

–Mas eles te atacaram por minha culpa, não tem como eu não me preocupar. Disse se levantando.

–Nem tudo que acontece é por sua culpa, isso aconteceu porque tinha que acontecer – falou Rony – Aconteceria de qualquer jeito.

Agora que estavam perto um dos outros, Harry pode ver o machucado no braço de Mione, ela devia ter se machucado quando amorteceu o impacto do carro.

–Eu não vou deixar vocês se arriscarem assim por mim. Disse decidido.

–Não cabe a você, Harry. Temos que lutar, não somos de porcelana como você acha que somos. Disse Mione.

–Escolhemos está aqui. Não fizemos isso porque eles são seus amigos e eu sua namorada. Disse Bella.

–Se você não quiser mais ser minha namorada eu te entendo – falou baixo para ninguém ouvir – Eu sei que fui um idiota em achar que podia ter uma vida normal.

–Você está ficando louco? Gritou Bella enfezada.

Os olhares se voltaram para eles, e ela se sentou novamente.

–Me desculpa. Pediu Bella.

–Você não tem que se desculpar, eu que sou culpado por ter te colocado no meio de tudo isso – falou Harry se odiando por dentro – Você está certa, devemos manter segredo sobre nós ou terminarmos.

–De onde você tirou isso, cara? Você está confundindo as coisas meu amigo, Bella só está tentando dizer que não precisávamos nem te conhecer para fazer isso. Disse Rony se metendo no assunto e defendendo a prima.

–Eu vi como ela me tratou quando chegaram aqui. É obvio que quer manter nosso namoro em segredo...

–Não fale como se eu não tivesse aqui. Disse Bella lançando um olhar feio para ele que apenas a ignorou.

–Esse foi o motivo de demorar tanto para me declarar para ela– disse nervoso, tinha que pensar um pouco talvez o namoro deles tivesse sido precoce demais – Me desculpa Bella por te colocar no meio de tudo isso, você está certa em ficar longe de mim aqui em Hogwarts.

Harry se levantou de uma vez, sem olhar para seus amigos e sua namorada. Sentiu uma mão segurar seu braço. Olhou para trás para mandar Rony o soltar, mas não era ele que o segurou. Era Bella. Ele tinha esquecido a força que ela tinha.

–Onde você pensa que vai? Perguntou Bella alto fazendo todos olharem para eles novamente.

–Eu vou me deitar. Respondeu seco.

Todos na sala olhavam para os dois, como se esperassem que eles brigassem na frente de todo mundo. Dava para escutar algumas vozes maliciosas dizendo que era o fim da amizade entre a menina bonita e o cara que valia 10000 mil galeões.

–Não tem nada pra vocês verem aqui não. Gritou Harry para os curiosos de plantão.

–Acho que tem sim – Respondeu Bella –Você vai sair sem se despedir?

Bella colocou a mão dele em sua cintura, e ele se sentiu no céu. Os lábios dela tocaram os seus na frente de todo mundo, Rony começou a assoviar assim como Neville e Dino que estavam do outro lado sala.

–Acho que está claro que você é só meu, e eu sou só sua aqui, não está?

Harry sentiu seu braço arrepiar com as palavras dela tão baixinho em seu ouvido. Puxou ela para perto dele de novo e a beijou novamente, causando um novo furdunço na sala.

–Vocês podiam tentar chamar mais atenção da próxima vez. Disse Mione.

Mas ele não quis solta-la de novo, estava com muita saudade dela e desde a hora que ela tinha chegado, não tinham ficado juntos. Ela se sentou com as pernas em cima de Mione e encostou o tronco e a cabeça nele de modo que ele sentisse o cheiro do seu cabelo.

A fofoca na sala era audível, Harry deu um sorriso camarada para Simas, na esperança que ele entendesse, mas não foi muito bem recebido de primeira. De onde estavam dava para escutar a conversa de Lilá, Parvati e outras meninas do sétimo ano falando sobre eles.

–Amanhã vai ser difícil andar pela escola. Falou Bella fingindo irritamento.

Ele sorriu e beijou a testa dela, ela o fazia se esquecer de todos os seus problemas, tudo que tinham conversado parecia que não existia mais, tudo que importava agora era ela. Brian passou na frente deles, sem olhar nem dizer nada apenas subiu as escadas e foi para o dormitório masculino.

Teve vontade de acerta-lo com um feitiço estuporante, para ele aprender a nunca mais magoar Bella, só que se solidarizou com o rapaz. Dava para ver nos olhos dele que ele ainda gostava dela, e ele sabia bem o que era ver a pessoa que a gente gosta com outro.

Os dias voavam. Harry e Bella finalmente estavam juntos depois de tanto tempo se gostando. Pelos corredores da escola, o namoro deles era o assunto principal por onde passavam, olhares de aprovação e inveja passavam por eles.

A sua maior dificuldade em Hogwarts foi aceitar a amizade dela com seus dois rivais: Brian e Malfoy. Tentou não se preocupar com isso e investiu mais ainda para que seus dias fossem bons já que as suas noites eram horríveis.

Cada dia após sua volta para Hogwarts foi angustiante para ele, estava menos disposto e a única hora que conseguia dormir era de dia. Acordava sempre cansado e suado, seu corpo doía e sempre ficava confuso, seus sonhos voltaram novamente para a floresta.

Só que não eram mais apenas sonhos, eram avisos. Sabia o perigo que todos aqueles sonhos representavam e isso o incomodava muito, o que aqueles avisos significavam ele ainda não sabia, Dumbledore ainda não tinha lhe dito, só que ele tinha certeza que colocaria seus amigos e sua namorada em perigo e a última coisa que ele queria era coloca-los em alguma situação de risco, como havia os colocado na volta para a Hogwarts.

A sua conversa com Luna, destacava Sirius em seus sonhos. Sentia o sofrimento dele e isso o assombrava muito.

Outro sonho que o incomodava era ele reviver repetidas vezes a conversa entre ele e Dumbledore depois da invasão do Ministério. Parecia que esses avisos tentavam mostrar alguma coisa que ele se esqueceu de dar importância, como se tivesse em suas noites diversos sonhos dejavú.

–Está tudo bem? Perguntou Mione sacudindo seu braço.

Harry se sentiu puxado para terra, estava longe dali. Os dois estavam na biblioteca terminando de fazer um dever de D.C.A.T que havia sido passado mais cedo por Kingsley e ele se perdeu por completo em seus pensamentos.

–O que você disse? Perguntou confuso.

–Se está tudo bem. Repetiu Mione em um tom preocupado.

–Estou, me desculpe, mas não estou com muita cabeça para fazer isso.

Encostou a cabeça nas costas da cadeira e fechou seus olhos. Estava tão cansado que poderia dormir ali na cadeira mesmo. Seus dias e noites estavam tão cheios que mal dormia. As reuniões da Armada estavam indo de vento em popa, cada vez mais produtivas e estavam mais avançados e visivelmente mais bem preparados. Seus treinos de quadribol eram feitos quase todas as tardes, o que dava a ele menos tempo ainda para seus cochilos durante o dia.

Agora que namorava Bella ele levantava mais cedo ainda, para não deixa-la treinar com Brian já que ele, Neville e Peter também começavam uma hora antes as corridas. As aulas estavam mais complicadas a cada dia e os deveres não paravam de chegar, sobrava tão pouco tempo que ele quase não tinha tempo para Bella, já que sempre estavam fazendo alguma coisa.

Estava difícil de conciliar tudo, e para os quatro era mais difícil ainda já que eram lideres e tinham que treinarem apenas entre eles para passarem para os outros membros.

Estavam craques em feitiços defensivos e de ataque. Não estavam indo tão mal nos não verbais, mas tinham que praticar sempre.

Por alguns instantes cochilou, viu o sorriso de felicidade de Voldemort gravado em sua mente e acordou assustado.

–Preciso dar uma volta sozinho. Disse ainda confuso.

Levantou-se e saiu da biblioteca sem dar a Mione tempo de questiona-lo. Caminhou sem rumo pelos corredores da escola, tinha vontade de estar sozinho, e de apenas dormir. Estava cansado demais, tinha que fazer alguma coisa para acabar com esse cansaço. Foi tão estranho ver Voldemort feliz de novo, sabia que era apenas uma lembranças, mas por alguns instantes sentiu sua cicatriz arder.

Ao invés de ir para a sala Comunal ou para a sala de Astronomia, que tinha se tornado seu lugar preferido em Hogwarts pelo silêncio, foi para a sala do diretor. Tinha conversado com ele há pouco tempo e nem sabia se ele estaria ali, mas alguma coisa em seu coração pedia que ele fosse até lá ver Dumbledore. Falou a senha, subiu as escadas e bateu na porta com uma sensação estranha no peito.

–Pode entrar, Harry. Disse a voz de Dumbledore.

Abriu a porta desconfiado, não tinha se pronunciado e mesmo assim o diretor sabia que era ele.

–Eu esperava por você – disse Dumbledore – Senti que iria voltar, apenas pensei que seria antes.

–Eu precisava desabafar com o senhor diretor. Estou tendo sonhos, sonhos que não me deixam em paz nenhuma noite, mas sinto que não são sonhos são avisos.

Dumbledore acenou para ele se sentar na cadeira a sua frente.

–Que tipo de avisos?

–Não sei explicar direito, e é esse o problema. Desde quando voltei para casa dos Dursley me vejo em uma floresta procurando por algo que não sei bem o que é, e pior é que não estava sozinho. Rony e Mione estavam comigo e no começo havia uma quarta pessoa que eu não conhecia e que com o tempo descobri quem era.

–A senhorita Swift eu presumo. Você sonhou com ela antes mesmo de conhecê-la. Adivinhou Dumbledore.

–Como o senhor sabe?

–Eu sempre pensei que ela seria a quarta pessoa em sua jornada. Pelo que sabia, faltava uma pessoa para completar o quadrado perfeito.

Harry olhou para ele ainda mais confuso, não sabia o que ele queria dizer, e isso o deixou desconfiado. Se existisse realmente uma jornada, ele tinha deixado bem claro que não arriscaria Bella.

–Antes que me diga que eles não vão com você – disse Dumbledore como se lesse a sua mente – Pense um pouco no que seus sonhos querem lhe contar. Você vai precisar de ajuda, e se não for a deles terá de ser de outras pessoas.

–E porque o senhor mesmo não pode me ajudar? Questionou em tom arrogante.

–Porque não é minha missão, Harry. Já lhe disse que vou te explicar tudo na hora certa. Você está sendo teimoso escondendo isso deles durante tanto tempo. Pensei que já teria os contado sobre nossas conversas e sobre seus sonhos.

–Eu também queria ter contado, professor. Mas alguma coisa sempre me impede...

Todas as vezes que tentava contar a seus amigos toda a verdade, ou pelo menos boa parte dela, não conseguia. Alguma fala deles ou até mesmo motivos bobos o impedia.

–Além disso, professor, eu tenho sonhado também com uma coisa – falou com um pouco de receio – Eu tenho... Eu tenho sonhado com Sirius.

–Que tipos de sonho? Perguntou Dumbledore olhando por cima dos óculos com olhar ainda mais cansado.

–Com ele me pedindo ajuda, não sou só eu. Luna também tem tido esse tipo de sonhos, só que os meus são mais frequentes e intensos, cada vez mais fortes há dias que não durmo direito e não consigo tirar aquela noite da minha mente. Até nossa conversa está me atormentando.

Dumbledore o olhou com um olhar cheio de pena, e ele não gostou. Não queria que tivessem pena dele, não era um menino mimado que estava tendo sonhos com a última pessoa da sua família que estava morta.

–Não posso te dizer tudo, pra isso terá que contar com a ajuda dos seus amigos. Conte a eles, não perca mais tempo, Harry. Não tem nada que eu possa fazer para te ajudar. Talvez seja apenas necessidade de dividir com alguém o peso que está em suas costas. E seus sonhos com Sirius é apenas isso, o cansaço...

Não quis discutir isso com o professor, ele era igual à Mione, usava mais a lógica do que a razão, ele tinha certeza que ela diria a mesma coisa o diretor quando contasse sobre esses sonhos aos três.

–Esqueça sobre seus sonhos com Sirius – pediu Dumbledore – Mas antes que você vá, eu queria mostrar a você algumas coisas sobre Voldemort, o modo como ele agia sozinho, para você pensar bem antes de decidir o que fazer na sua jornada.

Harry afundou sua cabeça nas lembranças, desde quando Voldemort era pequeno e órfão até algumas bem recentes, tiradas de alguns presos de Azkaban que cederam lembranças a Dumbledore.

A semelhança entre os dois era incrível demais para ser verdade, Voldemort assim como ele teve uma infância muito sofrida no orfanato sem conhecer os pais e com trouxas tão desprezíveis quantos os Dursley, principalmente a diretora do orfanato que ele tinha sido criado.

Dava para ver que mesmo estando sempre cercado por comensais, Voldemort sempre gostou de agir sozinho, não confiava em ninguém e sempre que algo ou alguém não era mais útil, eliminava e tirava do seu caminho.

–Como o senhor conseguiu tudo isso? Perguntou.

–Faço muitas coisas que ninguém sabe Harry, meu trabalho não se resume somente a Hogwarts. Agora vá, está muito tarde e nós dois estamos visivelmente cansados.

Harry se levantou e caminhou pelos corredores vazio, tinha passado muito tempo no escritório do diretor.

–Bufadores de chifres enrugados.

–Me acordando de novo moleque, eu devia deixar você posar do lado de fora para aprender. Que ousadia...

Ele a ignorou, sempre que tentava entrar a noite pelo retrato a mulher gorda o enchia com as reclamações delas. Entrou pelo corredor e não conseguiu ouvir ninguém na sala Comunal, provavelmente todos deviam estar dormindo.

–Onde você estava até uma hora dessas?

O coração dele quase parou com o susto, a cabeça de Mione se levantou no sofá e ela estava toda despenteada. Rony estava deitado com ela enquanto Bella olhava para ele sem dizer nada deixando a bronca por conta da amiga.

–Você está ficando louco, Harry. Sair daquele jeito da biblioteca, ficamos te procurando por toda a escola, até os membros da Armada estavam atrás de você. Já pensou se alguém te pegasse para te entregar para Voldemort? Ou você se esqueceu que sua cabeça está em prêmio? – falou Mione irritada – Já é mais de 1 hora da manhã, não pode fazer isso com a gente de novo...

–Tá bom, Mione. Acho que ele já entendeu que não deve sair sem avisar – disse Rony o ajudando – Deixe-o falar um pouco.

Harry lançou um olhar de agradecimento para o amigo e se virou para olhar Bella que ainda não tinha dito nada. Sentou-se no chão perto da lareira junto com seus amigos e ficaram quietos por algum tempo, apenas apreciando o calor do fogo em seus rostos.

–Acho que está na hora de nos dizer o que está acontecendo, Harry. Disse Bella.

–Não sei o que você está falando. Desviou Harry.

– Você está escondendo algo desde quando voltamos do Ministério. Esperamos você contar, mas pelo visto não confiou na gente o suficiente.

–Não é isso Mione...

–É o que então, cara? Perguntou Rony com o mesmo olhar que as duas, de desconfiança.

Novamente ele sentiu o mundo em suas costas, estava tão cansado que poderia dormir ali, sentado. Dumbledore estava certo, das duas vezes. Ele tinha que conversar com seus amigos, não precisava contar tudo para induzi-los a ir com ele, mas precisava da ajuda deles para tirar esse peso que carregava em suas costas.

–Têm algumas coisas que eu não contei a vocês, algumas coisas que descobri depois que sai do Ministério. Naquele dia...

Contou a seus amigos toda a sua conversa que teve naquele dia com Dumbledore. Sobre Neville, a porta que não abriu no Ministério e principalmente sobre a profecia e o fato que no final de tudo ou ele mataria Voldemort, ou Voldemort o mataria.

–Isso é terrível. Disse Mione assustada colocando as mãos na boca.

Continuou falando sobre seus sonhos estranhos, não detalhou sobre a floresta, mas contou que sempre sonhava com o tal lugar e que nunca descobriam o que procuravam. Falou também sobre sua visão com a tal sala, e que achava que era a sala cuja porta não abria, e principalmente falou sobre seus sonhos com Sirius.

Mione e Rony olharam para ele com um olhar de pena que ele não gostou, desviou seus olhos dos deles para olhar nos de Bella que estava indecifráveis.

–Você devia ter nos contado Harry. Não podia ter guardado tudo só para você... Disse Mione segurando na sua mão.

–Sabia que seus pesadelos tinham haver com isso, todas as noites você está inquieto. Contou Rony.

–Eu sinto como se Sirius quisesse minha ajuda, e quando Luna me contou que também tinha tido sonhos com ele eu não consegui deixar de me sentir esperançoso...

–Sirius está morto Harry. Você e todos que estavam lá viram, tente não se machucar e ficar com esperanças que vão te deixar mal depois. Aconselhou Mione.

Esse era um dos motivos dele não ter falado sobre seus sonhos com Sirius para eles, só a esperança dele poder tá vivo o alegrava, e na sua mente isso poderia ser possível mesmo tudo indicando o contrário.

–Eu sei, por isso não dei um de louco e fui ao Departamento dos Mistérios atrás dele.

Mione acariciou a sua mão e Rony deu tapinhas em suas costas.

–Mione eu sei que você não gosta de falar sobre isso, mas naquela noite. Bella contou os detalhes do que aconteceu na casa dos Gritos, e pelo que sei, eles não conseguiram respostas antes de matar Amélia Bones.

–Foi isso mesmo. Respondeu Mione tentando parecer forte enquanto Bella ficava apenas escutando o que eles estavam falando.

–Só que eu estive na mente de Voldemort no dia seguinte, e ele estava feliz. Comemorando alguma vitória deles, como se tivessem conseguido realizar o que tinham que fazer.

As duas trocaram um olhar preocupado, pela primeira vez, sua namorada se manifestou.

–O que realmente aconteceu? Perguntou Bella se inclinando para frente.

Ele narrou exatamente o que tinha visto, nos mínimos detalhes, até mesmo sobre a dor que sentiu.

–Isso é impossível – disse Mione se levantando da poltrona e andando pela sala – Vimos que estavam preocupados, Amélia foi forte e negou tudo até o fim. Os aurores encontraram os corpos deles, não tinham conseguido nenhuma informação concreta nem mesmo nenhum nome.

Os quatro pararam para pensar um pouco, tinha alguma coisa errada no meio de tudo aquilo, Harry devia ter contado isso antes a eles.

–Espera um minuto – disse Bella sem olhar diretamente para ele – Temos um espaço de tempo entre tudo isso, Mione. Voltamos para o castelo, eu fui falar com Dumbledore e somente depois eles foram até a casa dos Gritos.

–Mas mesmo assim, Bella. Não tinha jeito, eles não capturaram ninguém. Não tivemos nomes de desaparecido por algum tempo, por isso achamos que Voldemort devia estar furioso com seus comensais. Contra disse Mione.

–Mesmo assim Mione, talvez o foco deles não estivessem apenas na casa dos Gritos, Harry disse que ele agradeceu Bellatrix, talvez ela tenha ido atrás de mais informações sobre eles. Se me lembro bem papai me disse que quando chegaram tinha alguns deles do lado de fora.

–Verdade, ele mencionou mesmo isso – concordou Rony – Só que talvez, eles tenham conseguido as informações com alguém lá de dentro. Não nos disseram que têm informantes lá dentro? Talvez sejam esses informantes que tenham conseguido.

–Melhor do que mortos, é aliados. Completou Bella.

–Típicas palavras de “Você sabe quem” – disse Rony – Agora o difícil vai ser conseguirmos saber quem é esse infiltrado.

Bella mordeu o canto da boca aparentemente nervosa, tirando a atenção de Harry todo para ela, estava claro que ela estava com raiva dele.

–É obvio que é alguém bem grande no Ministério – Disse Bella por fim – Eles estão tendo informações privilegiadas, local onde Harry poderia estar, todas as tarefas dos aurores. É alguém grande, e deve estar debaixo do nariz do Ministro.

–A primeira coisa que vamos fazer quando Dumbledore dizer que estamos prontos para agir, é nos reunir com o Ministro – falou Harry com uma voz abafada – Não vou muito com a cara de Fudge, mas ele significa resistência. Temos que protegê-lo, é nossa maior prioridade além do castelo.

–Concordo com você, mas como vamos fazer isso aqui de dentro Harry? Não podemos controlar tudo daqui. Concluiu Rony.

–Usaremos os que estão do lado de fora. Temos que avançar mais ainda com a Armada, teremos treinos três vezes por semana a partir de agora, quanto mais cedo terminarmos mais cedo estaremos em ação. Amanhã conversaremos com todos na reunião com Rodrigo, nos reuniremos segunda, quarta e sexta.

Os três afirmaram com a cabeça concordando com ele, tinham mesmo que se tornar independentes o mais rápido possível.

–Vai ser difícil conciliar tudo, as reuniões da armada, os deveres de casa, os treinos de quadribol... Disse Rony desanimado.

–Mas temos que fazer esses sacrifícios é nossa única alternativa. Respondeu Bella séria.

–Não estou reclamando, só estou dizendo que estamos sobrecarregados agora e que se ano que vem não vamos mesmo voltar, quando formos na jornada com Harry, vamos ter que deixar a Armada em boas mãos alguém que possa aguentar a rotina.

–Vocês não vão comigo. Falou de uma só vez.

Os três olharam para ele sem entender. Ele sabia que teria que falar com eles, e quanto mais cedo cortasse suas asas melhor para ele quando partisse.

–Não vamos brigar sobre isso Ok? Disse Rony dando de ombros.

–É obvio que vamos com você – continuou Mione – Sempre ficamos ao seu lado, e não vai ser quando mais precisa da gente que vamos ficar longe de você.

–Isto é inquestionável, cara.

Rony e Mione olharam para ele como se não se importassem com sua opinião. Era inevitável isso, sempre estavam juntos nas confusões.

–Enquanto eu? — Perguntou Bella — Eu vou com vocês.

–Nem sabemos que jornada é essa, e se tem mesmo uma jornada. Argumentou Harry.

–Não importa cara, vamos e está decidido. Estava escrito isso desse o dia que dividimos a mesma cabine da primeira vez, e uma menina sabe tudo entrou lá atrás de um sapo. Falou Rony sorrindo.

Ele não queria discutir, tinha quase cinco meses ainda para convencê-los a ficar, só que sua maior batalha não era com seus dois amigos. Se tivessem que ir, ele não podia evitar, como Rony havia dito estava escrito a mais de mais de cinco anos, só que ele podia proteger Bella. Já tinha a envolvido em perigo demais, e não queria envolve-la mais ainda.

–Vocês sabem que eu vou, não sabem? Perguntou Bella mais diretamente para Rony e Mione.

–Claro que sabemos – respondeu Mione – Nós quatro iremos juntos.

–Não falem como se eu não tivesse aqui. Disse Harry chamando a atenção deles.

–Então não fale como se você ainda tivesse escolhas. Brincou Mione.

–Você não estava pensando em ir sem me contar, estava Harry? Perguntou Bella com um olhar tão feroz que dava até medo.

–Não sei, talvez. Ainda não tinha pensado nisso com detalhes, Bella. Isso não tem nada haver com você.

Harry só percebeu que falou a coisa errada quando Bella se levantou de uma vez e ficou olhando para ele com uma cara perplexa. Dava para ver que as lágrimas dela estavam querendo teimar em sair, só que mais uma vez ela foi mais forte.

–Não tem nada haver comigo? – falou magoada – Deve não ter mesmo, não é? Mas, pensando bem se não me engano somos namorados, como você tem coragem de dizer que não tem nada haver comigo? Fiquei ao seu lado antes mesmo de estarmos juntos, Harry. E agora não tem nada haver comigo? Deve ser fácil para você pensar que não me importo com sua segurança, mas me importo. Todos os dias que andamos por esses corredores ou quando você some como sumiu hoje, me pergunto se você está bem, se alguém vai te machucar ou te entregar a ele.

–Eu não queria...

–Mas você disse Harry. E o engraçado é você achar que vou ficar aqui quando você estiver correndo perigo. Se você realmente acha isso, creio que não me conhece. Se essa é mais uma daquelas suas precauções em me manter segura, acho que você se esqueceu de me perguntar, já disse mil vezes que não preciso de proteção.

Ela subiu as escadas tão rápido que ele mal teve tempo de tentar argumentar.

–Amanhã você fala com ela, ela só está preocupada. Disse Mione beijando a sua testa antes de subir para o dormitório.

Se tinha uma coisa que ele odiava era dormir brigado com ela, a menos de três dias fariam o primeiro mês de namoro e nunca tinham brigado a ponto de dormirem sem se falarem.

–Você não pode pedir para que fiquemos parados enquanto você sai por aí sozinho, cara. Falou Rony enquanto subiam para o quarto deles.

–Ela não me entendeu, não era aquilo que eu queria dizer.

–Mais foi o que disse. Também não é fácil para mim e para Mione, ficamos o tempo todo com medo que algo aconteça contigo e te conhecemos há muito mais tempo, agora imagina pra Bella? Ela é sua namorada, cara. Ela te ama, e quer que você fique seguro assim como você quer que ela fique, mas não é por isso que ela pede para você desistir de suas obrigações contra “Você sabe quem” para ficar protegido.

–Não tem nada haver, Rony.

–Será mesmo, Harry? Você quer pedir para ela desistir de te acompanhar porque você quer que ela fique segura, ela quer que você desista de tudo, mas nem por isso ela pede isso. Então não peça a ela, a mim ou a Mione que fiquemos aqui enquanto você vai sozinho atrás de algo que nem sabemos. Porque no fundo nós três queremos que você deixe tudo isso de lado e que os adultos resolvam sozinhos, mas não te pedimos o que você está nos pedindo.

Rony foi se deitar aparentemente chateado, e Harry muito triste. Não devia ter escondido deles tudo durante todo esse tempo. A música de Bella veio na sua cabeça enquanto pensava nela, a vida era mesmo uma escalada, tinham que subir uma montanha tão íngreme, tão difícil e complicada com vários obstáculos, mas quando chegassem lá em cima teriam a melhor vista de todas.

Mas mesmo com a briga e as discursões, ele se sentia tão mais leve, como se pela primeira vez em muito tempo tivesse tirado uma mochila pesada das costas. Dumbledore era mesmo muito sábio, guardar segredo daqueles que mais queriam o seu bem e que mais o ajudava era errado, a resposta estava a sua frente todo esse tempo e ele não tinha conseguido ver.

Depois de tanto tempo, teve uma noite de verdade, bem dormida, com sonhos que fazia sentido. Acordou cedo, sem que Rony precisasse chama-lo. Somente Dino e Simas continuaram dormindo, já que iam correr uma hora mais tarde.

Bella não o olhou nos olhos nenhuma vez, apesar da sua tentativa de se aproximar dela ela resistiu.

–Ela precisa de um tempo, Harry – disse Mione – Ela esta magoada...

As palavras de Mione o furou como uma espada. Tudo que ele nunca queria no mundo era magoa-la, tinha prometido a ela e a si mesmo que não iria fazer isso, e sua estupidez e falta de pensar antes de falar a magoou.

–Você está bem, Bella? Harry escutou Brian perguntar.

–Não...

Bella respondeu e saiu correndo na frente, deixando todos para trás e mesmo na tentativa de alcança-la ele não conseguiu. Vê-la daquele jeito cortava seu coração, tinha a machucado, suas atitudes estupidas e egoístas tinham a magoado.

Foi um dos piores dias que ele já teve. Bella não ficou ao seu lado na aula de Herbologia, ficou junto com Lilá e Parvati, nem mesmo indo se juntar com Malfoy como geralmente fazia nessas aulas.

Foi um dia longo, e mesmo sendo cansativo, ele não se sentia assim. Estava apenas triste com tudo que tinha acontecido por sua causa. A mania dele de querer ser herói causou isso, estava se sentindo a pessoa mais egoísta de todo o mundo.

O treino de quadribol começou às cinco horas em ponto, treinaram durante uma hora seguida e deram lugar no campo para a Lufa-Lufa treinar. Não tinham a mesma rivalidade como no jogo da Sonserina.

Após a janta saíram aos poucos para a Sala Precisa como sempre faziam, ele mesmo convocou os outros para dentro da sala. Fred e Jorge estavam animados, mas dava para ver que estavam cansados também assim como Angelina, Alicia e Lino Jordan, todos tinham uma vida fora do castelo e tinham que trabalhar.

Rodrigo chegou pontual, deu uma aula muito complicada, estavam começando a usar feitiços junto com a luta e exigia muita concentração deles. Desde quando voltaram das férias de Natal, estavam nessa modalidade. Estavam usando feitiços verbais, mas logo teriam que usar alguns feitiços não verbais, então começavam por conta própria se concentrar o máximo que podiam.

–Você pode me ajudar, Harry? Perguntou Cho se aproximando dele.

–Eu sei tanto quanto você, Cho. Respondeu.

–Pensei que erámos amigos? Chantageou Cho.

Sem nenhuma vontade ele foi se juntar a ela, como sua cabeça não estava muito boa, mal conseguia ajuda-la.

–Não estou muito bem, só vou continuar te atrapalhando.

–Você terminou com a Bella? Perguntou Cho.

–Eu não quero falar isso com você.

–Tudo bem, mas se precisar conversar com alguém diferente, pode contar comigo.

–Pode deixar.

Os dois voltaram a treinar e Bella não se aproximou deles nenhuma vez, ajudou todos ao redor menos os dois.

–Gente por hoje é só. Finalizou Rodrigo.

–Bom temos alguns recados para passar para vocês, antes de irem. Harry... Disse Bella.

Ela falou sem nome normalmente, passando a palavra a ele que contou por alto sobre algumas novas regras das reuniões, no começo ninguém gostou muito já que estavam todos sobrecarregados, mas quando explicaram o motivo entenderam.

–Posso dar um jeito de falar com o Ministro, e fazer a proteção dele. Estou trabalhando lá mesmo. Disse Alicia.

–Ótimo, mas peça pra ele não conversar com ninguém nem mesmo as pessoas que ele mais confia sobre nossas desconfianças. Falou Mione antes de mandar os outros para casa.

Nenhum membro da Grifinória ficou na sala comunal por muito tempo, estavam todos tão exaustos e mesmo o dia seguinte sendo sábado teriam que fazer centenas de deveres atrasados durante a semana pela rotina apertada deles, e que iria apertar mais ainda.

Levantou da poltrona e Bella estava no pé da escada falando com Brian, não estavam próximos um do outro, mas só de vê-los conversando o ciúme bateu.

– ...Eu recebi uma carta do padrinho. Disse Brian.

–Ele me mandou uma também, eu sinto muito. Papai me contou que o Ministério desistiu das buscas e que apenas tio Marcelo que está investigando, Roger e Tonks quando não estão aqui em Hogwarts estão com ele o ajudando...

–Bella, preciso falar com você. Interrompeu Harry o mais controlado que pode olhando diretamente para Brian.

O garoto pareceu se tocar e subiu as escadas do dormitório masculino junto com os outros.

–O que você quer? Perguntou Bella seca.

–Pedir desculpas por ontem. Respondeu o mais doce que pode.

–Tá desculpado.

Ela ia subindo, quando ele a segurou.

–Não faz assim, estou muito mal por ter te magoado, prometi que não faria isso.

–O problema sou eu, me importo demais com você. Tenho que te esquecer um pouco, Harry.

O seu coração ficou ainda mais apertado, dessa vez ela o atingiu em cheio.

–Eu não quero ficar com ódio de você. Estou com raiva de mim, por estar assim tão envolvida em tão pouco tempo. Ela cuspiu com raiva.

–Você está certa em não querer ficar comigo, sou o cara mais egoísta que conheço. Disse Harry.

–Nunca mais diga isso – corrigiu Bella – Você é a pessoa mais generosa que conheço...

–Será mesmo, Bella? Eu quis ficar com você te arriscando a tudo isso, eu impedi Brian de te convidar na biblioteca por puro egoísmo, porque eu te queria apenas para mim...

–Não o coloque no meio disso Harry. Você não fez nada errado em me convidar, mesmo que ele me convidasse eu não aceitaria, não iria com outra pessoa que não fosse você.

–Metade da sua vida está baseada a ele. Sua caixa é um santuário a ele, você fez uma música para ele...

–Você está mudando de assunto. Interrompeu Bella.

–Não estou não, você fez uma música para ele e eu vi, e mesmo assim eu tinha esperança de te conquistar. E quando te conquisto, te magoou com minha idiotice de querer bancar o herói...

–Você...

–Por favor, deixe-me terminar Bella – pediu Harry zonzo – Talvez se você tivesse ficado com ele, não...

Bella tapou a boca dele com a mão e não o deixou terminar.

–Não culpe os outros por nossos erros, está bem? Eu quero você, você me quer, bom eu acho – falou Bella forçando um sorriso no rosto triste – Não vamos nos magoar a este ponto de colocar Cho e Brian no meio.

–Eu me recuso a te magoar de novo, Bella.

Dessa vez foi ele que deu as costas para ela e saiu, não podia continuar daquele jeito. Ela estava certa, era errado colocar a culpar em outras pessoas pelos erros deles, ele era egoísta e ponto, não tinha mais nada haver com Brian.

Os dias não passavam, voavam. Harry e Bella não se falavam mais do que o necessário, os comentários em Hogwarts andavam rápidos, e logo todos estavam falando do possível termino dos dois. O problema era que ninguém sabia se tinham realmente terminado, já que sempre andavam juntos pelos corredores com Rony e Mione, não estavam mais de mãos dadas, mas também não ficavam a quinhentos metros de distancia e como ninguém tinha coragem de perguntar, os boatos nunca se confirmavam.

Harry não sabia se preferia que ela ficasse longe, ou se ficasse perto já que não se falavam. Ela realmente parecia não estar se importando com ele, e por mais que ele tentasse chamar a sua atenção ela parecia estar em modo “desligada dele”.

Tentou se aproximar de Cho para ver se alguma chaminha de ciúmes surgia. Ela realmente estava levando a sério esse negocio de esquecê-lo por algum tempo, pensou Harry.

Com aproximação do dia dos namorados, a escola estava no clima. Os alunos iriam visitar Hogsmeade no dia para poderem comemorar, mas ele não poderia ir por recomendação de Moody e Lupin.

Estava na aula de feitiços quando alguém bateu na porta. A sala estava uma verdadeira bagunça já que estavam testando o feitiço não verbal de levitação de coisas pesadas.

–Posso falar com Harry Potter, Filio? Perguntou o pai de Bella da porta da sala.

O professor o liberou, pegou seus materiais e colocou dentro da mochila e saiu da sala sem entender o motivo pelo qual foi chamado. Julius o cumprimentou normalmente como sempre fazia, e pediu que ele o seguisse até a sala de Kingsley.

Kingsley esperava por eles e assim que entraram, ele trancou a porta do escritório do professor de D.C.A.T.

–Bom Harry, precisamos falar com você. Falou Kingsley.

O coração dele se apertou, o medo ter acontecido algo com alguém que ele gostava o atingiu.

–Alguma coisa ruim aconteceu? Perguntou imediatamente.

–Não se preocupe, só queremos falar sobre suas aulas de oclumancia – respondeu Julius o acalmando – Bella pediu que conversássemos com você, ela disse que você esteve novamente na mente de Voldemort e nos contou o que você viu.

Ele se sentiu mais aliviado.

–Queremos que volte com suas aulas. Disse Kingsley.

–Eu não quero mais ter aulas com Snape, eu odeio ele, ele me odeio, o sentimento entre nós é claro e reciproco. Argumentou Harry.

–Se acalme Harry – falou Julius sorrindo – Não será ele que te ajudará, pois não queremos que você só afaste Voldemort da sua mente, queremos que você aprenda a usar isso a seu favor.

–E tem como? Perguntou mais aliviado.

–Bom, ele é um grande bruxo das trevas, para nós é impossível. Mas para você não é, você tem ligação direta com ele, e ao invés de afastar queremos que você se aprofunde, quando necessário, na mente dele.

–Isso não seria bom somente para nós, mas para você também — Completou Kingsley – Você estará no controle, não de tudo é claro, mas o pouco que sabermos já será de grande ajuda.

–Bom vamos ter que abrir um espaço pra isso também. Brincou Harry.

–Sei que está muito ocupado e sem tempo, mas essas aulas são de grande importância. Assim você está vulnerável e nós também. Disse Kingsley.

–Se isso não fosse de tão grande importância, Bella não teria pedido para eu mesmo te ensinar.

Os olhos de Harry se arregalaram, ele achou por algum tempo que Kingsley o ajudaria. Não era nada atrativo ter seu sogro em sua mente, já que boa parte dela era focada na filha dele.

–Tenho certeza que vai se sair bom, Julius é um especialista em Legilimens e Oclumancia. Confortou Kingsley com um sorriso que ele sabia bem o porquê, ele estava se divertindo a suas custas.

–Que dias são suas reuniões da Armada? Perguntou Julius tentando manter o foco dos dois.

–Agora é dia na segunda, quarta e sexta.

–Ótimo, teremos aulas dia de terça e quinta, a partir das sete horas até as nove. Saio cinco horas do Ministério tendo um tempinho de sobra.

Harry sacudiu a cabeça concordando, eram seus únicos dias de folga das reuniões e agora eram ocupados por mais aulas.

Despediu-se dos dois e seguiu para a Sala Comunal, não estava com muita vontade de voltar assistir as aulas. Teria a partir de agora um excesso de aulas que encheria seu cérebro de mais coisas para ele poder pensar. Tinha entendido a importância dessas aulas quando perdeu Sirius de vez por causa de não controlar sua mente, por essa causa ele tinha caído na história de Voldemort.

Estava tão sobrecarregado, que não tinham tempo nem de correr atrás do seu amor.

A quantidade de coisa que ele tinha que fazer era muito absurda. Tinha a sensação às vezes de estar no meio do furacão. Queria ser apenas um bruxo normal, assim como seus amigos eram, não precisavam sair da escola antes da hora, não precisariam matar ninguém, podiam viver apenas uma vida normal sem lutar cada dia para sobreviver.

Seu cansaço finalmente o venceu, fechou os olhos e dormiu ali mesmo. Na poltrona de frente para a lareira...

Notas finais
Espero que tenham gostado. Se tiverem gostando comentem, recomendem, favoritem me deem um sinal, é muito importante para mim saber se devo continuar ou se estão gostando gente.