Harry Potter e a Fênix Celestial
14 No meio da Floresta Proibida
Notas iniciais

No Meio da Floresta Proibida
– Você não vai dar conta de fazer tudo sozinho, cara – disse Rony enquanto Harry colocava um pouco de comida para dentro para ir para a aula de oclumancia – Desse jeito você vai ficar doente.
A sua rotina estava assim a pouco mais de uma semana, tinha tido duas aulas de oclumancia e por incrível que parecia estava indo até bem. O fato de Bella não conversar direito com ele devia estar ajudando muito, e sempre que seu sogro, ou ex-sogro, tentava entrar na sua mente ele o expulsava.
Tinha evoluído com Julius em duas aulas o que tinha gastado meses em vão com Snape.
Bella não tinha voltado a falar com ele nem depois que ele contou sobre as aulas com o pai dela para Rony e Mione. Mione tinha ficado contente que ele iria voltar a ter aquelas aulas, já que ela sempre pegou no seu pé por causa disso.
Apesar de estar sempre cansado, o excesso de afazeres dava a ele menos tempo para pensar em Bella. Só de se lembrar que teve ela em seus braços por algum tempo fazia seu coração se retrair.
–Concentre-se... Disse Julius.
Sentiu como se um tapa o pegasse de uma vez e se concentrou o máximo que pode, expulsando Julius de sua mente de primeira.
–Está indo muito bem, Harry. Acho incrível como está evoluindo tão rápido, Snape fez um bom trabalho.
Harry revirou os olhos, mas não respondeu. Sabia que Snape nunca foi o motivo do seu bom desempenho, por contrario, se dependesse dele nunca teria aprendido a proteger sua mente. O real motivo era o medo de expor a Julius tudo que seu corpo e mente sentia pela filha dele.
–Por hoje acho que está bom. Amanhã é o dia dos namorados, vou deixar você descansar mais cedo. Falou Julius encostado na mesa.
–Não tenho compromisso para amanhã.
–Mesmo que você não vá a Hogsmeade com os outros, você pode comemorar. Disse Julius solidário.
–Sua filha ainda não voltou a falar comigo, acho que ela me odeia.
Julius sorriu.
–Se Bella te odiasse você saberia meu jovem. Dá um tempo para ela, ela é tão teimosa quanto à mãe.
Julius deu uns tapinhas em suas costas e os dois saíram juntos da sala de Kingsley. A sala comunal estava lotada de gente quando voltou, Rony e Mione estavam na mesa de deveres combinando o que iriam fazer em Hogsmeade.
–Desculpa pela falta de consideração – pediu Mione quando viu sua cara de tédio – Me esqueci que você não pode ir, Harry.
–Não tem problema. Disse dando de ombros.
–Se você quiser ficamos aqui com você. Falou Mione.
–Não precisa, nem todo mundo vai para Hogsmeade. Eu vou ficar bem.
Bella olhou para ele por alguns segundos e voltou a escrever num pedaço de pergaminho.
–Vamos passar...
Mione continuou falando enquanto Rony apenas escutava tudo e concordava com a cabeça. Sem nada para fazer ele foi se deitar mais cedo, não era todos os dias que ele podia ir se deitar antes das nove horas da noite.
Pela primeira vez na vida queria ter um dia dos namorados perfeito, o seu último dia 14 de fevereiro tinha sido com Cho, e ele não tinha boas lembranças daquele dia já que ela deu um ataque de loucura.
–Ela tem que falar comigo. Disse para si mesmo.
Foi até seu malão e dentro de um saco magicamente ampliado tirou um lindo violão preto que tinha comprado para ela quando ainda estavam juntos. Era o presente que ele pretendia dar quando tinham completado um mês de namoro, só que como tinham brigado não entregou. Rodrigo mesmo tinha escolhido o violão.
Tinha decidido comprar desde o dia que ela tinha dito que o dela havia estragado algumas cordas por se tratar de um mais antigo. Embrulhou o violão com um lindo papel de presente, escolhido por Gina ainda na época, e pediu para que Kreacher, que adorava Bella, deixasse na cama dela amanhã bem cedo.
Tinha escrito um recado e colocado no laço: “Feliz dia dos namorados?”. Sabia que ela entenderia.
Mal encostou na cama e dormiu tão rápido que nem percebeu. Teve uma noite boa, sem pesadelos nem mesmo parecia ter se mexido. Acordou com Rony e Dino fazendo barulho no quarto se arrumando para o passeio em Hogsmeade.
–É serio isso? Falou Simas mal humorado.
–Sério o que? Perguntou Rony quase cantarolando.
–Nem todo mundo tem namorada pra acordar cedo, Rony. Implicou Dino.
Harry e Simas acertaram os dois com seus travesseiros e cobriram a cabeça quando Neville saiu de dentro do banheiro como se tivesse se banhado de perfume.
–Não vai me dizer que vai a casa de chá? Perguntou Harry mal humorado.
–Não vou a Hogsmeade, vou ficar por aqui mesmo, nos jardins com Luna Lovegood.
Os três desceram juntos e mesmo tentando dormir de novo não conseguiu, apenas ficou deitado aproveitando o tempo livre sem ter nada para fazer por algum tempo.
Não desceu para o café da manhã nem para o almoço, fez seus deveres de casa ali mesmo no quarto comendo apenas uma torta que Kreacher tinha trazido quando foi avisar sobre sua entrega.
–Ainda está aqui? Perguntou Neville depois do almoço.
–Estou terminando de fazer o dever de Feitiços. Respondeu Harry.
–Os alunos da Grifinória que não foi a Hogsmeade estão todos na sala Comunal. Os do sétimo ano estão fazendo uma festinha lá, não sei como, mas eles conseguiram cerveja amanteigada. Disse Neville empolgado.
Neville desceu deixando ele sem animo nenhum para trás. O barulho lá embaixo estava alto, podia se ouvir alguns gritos e algumas pessoas cantando uma musica muito famosa dos Titãs. Saiu do quarto e foi para a escada fazer seu dever lá, queria escutar o povo cantar mesmo não estando animado para festas escondidas. Escutou a voz de Brian cantando a música que Bella tinha escrito para o pai dela, e algumas meninas gritavam assanhadas. Ele arriscou algumas músicas das esquisitonas e aí o povo gritou mais ainda.
Parecia ter muita gente no meio da bagunça, estavam todos aproveitando que a professora McGonagall estava para o vilarejo para vigiar os alunos do terceiro ano.
–The Climb... Escutou Brian dizer com a voz ampliada.
Harry pensou que Brian iria cantar, mas ao escutar a voz de Bella sentiu seu corpo estremecer. Ela estava ali, ela não tinha ido para Hogsmeade sem ele.
Largou seus materiais ali mesmo e desceu correndo para vê-la. A sala estava abarrotada de gente, metade da Grifinória estava ali. Brian estava sentado numa cadeira e Bella estava sentada em cima da mesa usando uma blusa preta e um short curto, tocando o violão que ele tinha lhe dado, ela parecia tão feliz que se sentiu feliz por ela.
No meio da música todos já estavam cantando com ela, batendo palmas ou apenas apreciando a boa música.
Harry se sentou na cabeceira da poltrona que era o único lugar livre dos assentos que estavam virados para o rumo da mesa. Por alguns segundos sentiu o olhar dela o encarando, e viu um sorriso em seus lábios.
–Se soubéssemos que tinha festa aqui teríamos voltado mais cedo. Falou Rony se aproximando junto com Mione enquanto Bella cantava uma música mais alegre com Brian.
–Aquele foi seu presente? Perguntou Rony.
–Como você sabe? Perguntou Harry.
–Divido o quarto com ela, Harry, é claro que Rony sabe. Respondeu Mione.
Eles terminaram de cantar e todos inclusive ele aplaudiram os dois com muita animação.
–Última música de hoje gente. Ou então vamos ter detenção...
Bella sorriu para Rony e Mione que deram de ombros, não iriam dar detenção a ela, não hoje.
–Essa música mesmo que escrevi para alguém que gosto muito...
Harry sentiu um aperto no peito, tudo que não queria era ouvir a canção de Brian no dia dos namorados estando brigado com ela. Levantou-se para sair da sala, mas Mione o segurou pelo braço e apontou para Bella.
–A terminei ontem para uma pessoa muito especial para mim, e que mesmo não estando por perto gosto muito dele... Wish you were here...
Wish you were here
Bella começou a tocar e cantar de olhos fechado e o silencio na sala foi absoluto.
“I can be tough
(Eu posso ser dura)
I can be strong
(Eu posso ser forte)
But with you, it's not like that at all
(Mas com Você, não é assim)
There's a girl
(Há uma menina)
That gives a shit
(Que se importa)
Behind this wall
(Atrás dessa parede)
You've just walked through it
(Que você simplesmente atravessa) ”
Bella abriu os olhos e olhou diretamente nos de Harry com um sorriso
“And I remember
(Me Lembro)”
Brian começou a bater atrás do violão como se fosse uma bateria para dar ritmo à música.
“all those crazy things you said
(de todas aquelas maluquices que você me disse)
You left them riding through my head
(Você as deixou passando pela minha cabeça)
You're always there, you're everywhere
(Você sempre estava lá, você estava em toda parte)
But right now I wish you were here
(Mas agora eu queria que você estivesse aqui)
All those crazy things we did
(Todas aquelas coisas malucas que fizemos)
Didn't think about it, just went with it
(Não pensamos a respeito, apenas fomos na onda)
You're always there, you're everywhere
(Você sempre estava lá, você estava em toda parte)
But right now I wish you were here
(Mas agora eu queria que você estivesse aqui)”
Bella se levantou de uma vez e ficou em pé em cima da mesa, fazendo todos gritarem e assoviarem.
“Damn, damn, damn,
(Droga, droga, droga)
What I'd do to have you
(O que eu faria para ter você)
Here, here, here
(Aqui, aqui, aqui)
I wish you were here.
(Queria que você estivesse aqui)
Damn, damn, damn
(Droga, droga, droga)
What I'd do to have you
(O que eu faria para ter você)
Near, near, near
(Perto, perto, perto)
I wish you were here.
(Queria que você estivesse aqui)”
Ela o olhou dentro dos olhos de Harry, cantando em pé diretamente para ele como se apenas os dois estivessem ali.
“I love the way you are
(Eu amo o jeito que você é)
It's who I am, don't have to try hard
(É quem sou, não tenho que me esforçar)
We always say, say like it is
(Nós sempre dizemos “diga como isso é”)
And the truth is that I really miss
(E a verdade é que eu realmente sinto sua falta)
All those crazy things you said
(E me lembro de todas aquelas maluquices que você disse)
You left them riding through my head
(Você as deixou passando por minha cabeça)
You're always there, you're everywhere
(Você sempre estava lá, você estava em toda parte)
But right now I wish you were here.
(Mas agora eu queria que você estivesse aqui)
All those crazy things we did
(Todas aquelas coisas malucas que fizemos)
Didn't think about it, just went with it
(Não pensamos a respeito, apenas fomos na onda)
You're always there, you're everywhere
(Você sempre estava lá, você estava em toda parte)
But right now I wish you were here
(Mas agora eu queria que você estivesse aqui)”
Todos na sala começaram a pular e cantar o refrão, como se realmente estivessem no meio de um show.
“Damn, damn, damn,
(Droga, Droga, Droga)
What I'd do to have you
(O que eu faria para ter você)
Here, here, here
(Aqui, aqui, aqui)
I wish you were here.
(Queria que você estivesse aqui)
Damn, damn, damn
(Droga, droga, droga)
What I'd do to have you
(O que eu faria para ter você)
Near, near, near
(Perto, perto, perto)
I wish you were here.
(Queria que você estivesse aqui)”
Ela começou a dançar sem tocar, apenas com a batida da música e sua voz de um jeito sensual e introspectivo como se dançasse apenas para ela mesma.
“No, I don't wanna let go
(Não, eu não quero deixar para lá)
I just wanna let you to know
(Eu só quero que você saiba)
That I never wanna let go
(Que nunca vou deixar para lá)”
As primeiras lágrimas que ele nunca tinha visto, começaram a rolar pelo rosto dela enquanto ela cantava e dançava com os olhos fechados.
“let go let go let go let go
(Deixar para lá oh oh)
No, I don't wanna let go
(Não, eu não quero deixar para lá)
I just wanna let you to know
(Eu só quero que você saiba)
That I never wanna let go
(Que nunca vou querer deixar para lá)
let go let go let go let go let go let go let go
(deixar para lá, oh oh)”
Todo mundo na sala voltou a pular e cantar o refrão.
“ Damn, damn, damn,
(Droga, droga, droga)
What I'd do to have you
(O que eu faria para ter você)
Here, here, here
(Aqui, aqui, aqui)
I wish you were here, I wish you were
(Queria que você estivesse aqui)
Damn, damn, damn
(Droga, droga, droga)
What I'd do to have you
(O que eu faria para ter você)
Near, near, near
(Perto, perto, perto)
I wish you were here.
(Queria que você estivesse aqui)
Damn, damn, damn,
(Droga, droga, droga)
What I'd do to have you
(O que eu faria para ter você)
Here, here, here
(Aqui, aqui, aqui)
I wish you were here.
(Queria que você estivesse aqui)
Damn, damn, damn
(Droga, droga, droga,)
What I'd do to have you
(O que eu faria para ter você)
Near, near, near
(Perto, perto, perto)
I wish you were here.
(Queria que você estivesse aqui)”
Harry não sabia o que fazer, seu coração estava em festa. A música era pra ele. As lagrimas escorreram pelo seu rosto, assim como as dela escorreram.
Quando ela terminou de cantar, a sala parecia estar em um show de rock. Brian segurou na cintura dela e a desceu de cima da mesa, ela o agradeceu e foi até onde ele, Rony e Mione estavam.
–Música perfeita, prima. Elogiou Rony a abraçando.
–Obrigada... Ela agradeceu Rony olhando para Harry, que olhava os olhos vermelhos dela, mas já enxutos.
–Você foi incrível. Elogiou Mione.
–Obrigada...
Ele não sabia o que fazer ou falar, seus sentidos tinham se perdido no final da música. Ela deu as costas para ele, deixou o violão com Mione e saiu da sala Comunal pelo buraco do retrato.
–Vai atrás dela, cara. Cutucou Rony.
Harry foi puxado para o mundo real novamente, passou pelo meio das pessoas que entravam e saiam da sala com dificuldade. Assim que saiu começou a procurar por ela nos corredores. A viu de longe, bem mais na frente do que ele perto da torre de astronomia, ela entrou lá antes de dar tempo dele chama-la.
Correu o mais rápido que pode, e assim que chegou na porta da sala respirou fundo antes de abri-la.
–Bella? Chamou Harry.
Bella estava sentada na beirada da janela, como se estivesse hipnotizada por alguma coisa do lado de fora.
–Bella... Chamou de novo.
Ela olhou para ele enxugando os olhos com a manga da blusa, mas não respondeu voltou a olhar para fora. Harry se aproximou dela com calma e tocou em seu rosto virando para olhar para ele.
Vê-la chorar foi doloroso demais para ele. Justo ela que nunca chorava.
–Me desculpe... Pediu Harry.
–Não tem nada que se desculpar, Harry.
–Não tenho? Olha pra você ai chorando pelas minhas mancadas.
Para sua surpresa ela sorriu.
–Você é absurdo.
Ela o encarou por alguns segundos com seus grandes olhos azuis. Naquele momento ele não sabia como tinha conseguido ficar tanto tempo longe dela, sem olhar naqueles olhos e sem sentir o toque da pele dela na sua, era a química perfeita.
–A música é perfeita. Elogiou.
–Foi um recadinho para você. Ela respondeu educadamente.
Ele passou a mão nos cabelos negros e compridos dela, o seu perfume era tão delicioso. Segurou o rosto dela com as duas mãos e tocou seus lábios de leve no dela, apenas para senti-la mais ainda.
–Eu não vou te impedir de ir comigo, Bella. Não quero que vá, e nem que se arrisque, mas se você quiser ir não vou te impedir. Não vou fugir não se preocupe, não iria sem me despedir de você...
Ela o olhou sem dizer nada.
–Esse tempo que ficamos separados – continuou Harry – Serviu pra me mostrar que não consigo viver sem você, não sabe como foi difícil para ficar longe. Tudo que eu quero é ficar com você pra sempre, nem que esse pra sempre seja curto...
As lágrimas fugiram dos seus olhos, e ela as enxugou com um beijo.
–Você é mais do que eu pensei, Harry – disse Bella – Eu te amo tanto que nem sei mais se posso gostar de alguém como gosto de você.
Sem mais delongas a puxou para perto a beijando com toda vontade que tinha. Seus lábios se encostavam com delicadeza enquanto suas línguas dançavam num ritmo apaixonado e saudoso.
–Eu te amo, sei que é cedo para dizer, mas é o que sinto. Disse a abraçando com o máximo de força que pode.
Os dois ficaram um tempo por ali, de lá viam as pessoas voltando para o castelo junto com os professores. Uma hora daquelas os alunos da Grifinória já deviam ter terminado com a festinha particular deles.
–De onde tiraram a ideia de uma festa na sala comunal? Perguntou.
–Não sei, quando vi já estávamos tocando. Respondeu Bella.
Os dois desceram juntos para jantar, de mãos dadas, e a felicidade pintada nos olhos deles fazendo todos olharem para eles assim como no primeiro dia que andaram juntos de mãos dadas pelos corredores.
Bella virou sua verdadeira companheira nos dias que se decorreram, ficavam sempre juntos já que tinham as mesmas rotinas. Nas aulas de oclumancia, ela participou de todas ao lado do pai o ajudando a se concentrar.
Era incrível a habilidade e facilidade que ela tinha com feitiços, o pai dela explicou apenas uma vez e ela já fez certo de primeira Legilimens nele o pegando desprevenido.
Viu os trechos dos seus sonhos com Sirius em Godric’s Hollow e no Departamento dos Mistérios, e quando ela ia chegar nos da floresta a expulsou da sua mente.
–Você me pegou desprevenido, não pensei que iria acertar de primeira. Falou Harry sem graça por ela ter entrado em sua mente.
–Ela é mais forte do que eu. Brincou Julius não percebendo os olhares preocupados de Bella.
Ele não esperava realmente que Bella conseguisse fazer o feitiço de primeira, já que há semanas ele vinha tentando e ainda sim, não conseguia fazer cem por cento.
As próximas vezes que Julius a deixou tentar ele tentou ter o máximo de cuidado possível. Rony e Mione passaram a participar das aulas para aprenderem a usar o feitiço Legilimens, e nenhum deles conseguiram tão rápido quanto ela.
De um jeito estranho sempre se sentia mais cansado quando praticava contra Bella, quando ela tentava entrar na sua mente era duas vezes mais potente do que o pai dela.
Novamente os treinos do time de quadribol ocupava boa parte do tempo livre de todos do time, com a aproximação do jogo contra a Lufa-Lufa tiveram que treinar dobrado. Era raro o tempo que ele tinha de jantar, Dobby e Kreacher tinham pegado a mania de sempre levar comida para ele nos seus raros tempos livres e seus amigos sempre o acompanhava.
De vez enquanto Rony e Mione sumiam durante a noite, depois dos treinos da Armada ou das aulas particulares com Julius, usando a capa de invisibilidade dele, dando a ele e Bella um tempo a sós depois das atividades obrigatórias que tinham que cumprir a mais do que os outros.
As reuniões da Armada estavam cada vez mais avançadas. Tinha chegado a um nível tão grande em tão pouco tempo que até os que não sabiam sobre eles percebiam a diferença. Com as reuniões sendo três vezes por semanas intercaladas entre feitiços e defesa pessoal dava para ver que os membros da Armada estavam visivelmente mais fortes.
Neville na última vez que tinha tirado medida havia perdido mais de doze quilos e ganhado muita massa muscular, as fotos nos portas retratos dele mostrava nitidamente a diferença física do rapaz que tinha mudado completamente.
Fred e Jorge estavam bem diferentes do que antes, não eram mais sequelas e magrelos ruivos. Tinha engordado alguns quilos e ganhado quase a mesma quantidade de músculo de Rony que estava orgulhoso por aparentar mais forte do que os irmãos ainda mais que tinha completado dezessete anos e estava perto de fazer o teste de aparatação.
Enquanto a Harry, estava nítida a diferença. Ele tinha engordado mais de cinco quilos desde o dia que começaram a treinar, seus braços estavam bem definidos e ele se sentia bem mais forte do que antes. Sua barriga nem mesmo parecia a mesma flácida e molenga, dava para ver que estava bem mais definida.
As meninas estavam incríveis, aquelas que não gostavam de usar tops nas aulas de defesa pessoal passaram a usar para mostrar a boa forma.
As corridas deles era sempre observada por curiosos, todos queriam saber o que aqueles malucos que levantavam sete horas, ou uns até mesmo seis da manhã, apenas para correr. Alguns tinham até começado a copia-los para ver se ficavam pelo menos parecido com eles.
O jogo contra a Lufa-Lufa finalmente havia chegado. Todos estavam nervosos, mas pelo menos não era a Sonserina então sabiam que seria um jogo limpo.
–Bom jogo para vocês. Disse Ernesto ao passarem por um grupo de alunos da Lufa-Lufa.
–Pra vocês também. Retribuiu Harry com um aperto de mão.
Tomara um café da manhã reforçado, Rony estava se sentindo na mesa já que sua camisa estava bem mais apertada do que quando tinha usado ela no primeiro jogo contra a Sonserina.
–Vou ter que pedir ao papai roupas novas, olha pra isso Mione – disse Rony mostrando um rasgo na manga da sua camisa por estar muita apertada – Acho que quando completei dezessete anos devo ter crescido uns 10 centímetros.
Mione suspirou entediada, enquanto Bella bufava. Ela pegou sua varinha na bota do jogo e fez a camisa de Rony ficar bem mais apertada.
–Está bom assim, priminho? Perguntou Bella com um sorriso maldoso.
–Não... Consigo... Respirar...
–Não seja malvada. Disse Harry rindo de Rony.
Bella revirou os olhos e fez a camisa dele ficar mais larga do que antes.
–Eu estava gostando de usar ela daquele jeito. Falou Rony enfezado.
Mione sorriu e agradeceu Bella apenas com os olhos. O time da Grifinória foi para o vestiário tranquilo, Colin e Dino eram os que estavam mais nervosos já que os batedores da Lufa-Lufa eram os maiores e mais fortes da temporada.
Gina ficou um tempo ajudando o namorado enquanto Kátia ajudava Colin dando a ele lições básicas de uma verdadeira veterana em levar balaços.
–Apertem as mãos. Pediu Madame Hooch.
Harry apertou a mão de Ernesto e assim que o apito soou levantou voo na vassoura para ir atrás do pomo.
–... Gina marca o primeiro ponto da Grifinória – narrou Antônio – A goles já voltou para o jogo...
Harry comemorou o primeiro ponto da Grifinória do alto mesmo. Lá de cima comandou o jogo e procurou o pomo com o máximo de concentração que conseguiu.
A primeira vez que o avistou foi sobrevoando o aro da Lufa-Lufa, mas assim que foi pega-lo o perdeu de vista. As meninas da Grifinória estavam imbatíveis, mesmo os artilheiros da Lufa-Lufa sendo bons.
Foram poucas as chances que eles tiveram contra eles, e todas ás vezes Rony tinha se mostrado atento deixando apenas duas goles passar. Já estava 90 a 20 para a Grifinória quando Harry avistou o pomo de ouro de novo.
O apanhador adversário nem o percebeu sobrevoando por cima da torcida da Lufa-Lufa quase completamente camuflada pelo amarelo. Voou a toda velocidade para a torcida passando apenas alguns metros das cabeças dos torcedores, o apanhador adversário não teve a menor chance contra ele.
Fechou a mão no pombo e comemorou, por alguns instantes alguma coisa lhe chamou á atenção vindo da floresta.
Quando Bella o abraçou ainda no ar, viu um vulto escuro se movimentando na orla da floresta do lado oposto da cabana de Hagrid.
–O que foi? Perguntou Bella olhando na mesma direção que ele.
–Tem alguma coisa se movendo na floresta
O grito da torcida comemorando era ensurdecedora.
–Pode ser Hagrid...
–Ele está nos dragões. Disse Harry apontando para os portões.
Os dois ficaram parados olhando para a floresta a procura de algo. Gina e Rony se juntaram a eles a procura de algum movimento estranho.
–Ali... Gritou Harry.
Disparou na frente para o rumo da floresta, seguido por Gina e Rony. Bella assoviou alto chamando a atenção dos outros que estavam já no chão, mas com as vassouras em mãos. Dino, Colin, Kátia, Ernesto e Zacharias os seguiram em alta velocidade. Ela apontou para duas coberturas diferentes para conseguirem pegar o causador desse movimento estranho e eles a obedeceram.
Harry os perdeu de vista, mas Bella viu um movimento maior do outro lado. Mergulharam entre as árvores em busca de algum motivo para toda aquela movimentação.
–O que está acontecendo? Perguntou Zacharias.
–Tem um movimento estranho aqui na floresta. Respondeu Bella olhando ao redor a procura de algo.
–Os centauros também escutaram, acabei de encontrar com um grupo – disse Gina com o braço sangrando – Estão alvoroçados com isso.
–Dino você acompanha Gina até a enfermaria. Falou Bella.
–Claro. Respondeu Dino.
–Não precisa...
–Gina essas flechas dos centauros são perigosas, pode ter alguma erva venenosa. Interferiu Harry.
Dino carregou Gina que começou ficar um pouco tonta em cima da vassoura.
– Zacharias, Katia vocês vêm comigo... Ernesto, Rony, Colin, vocês vão com Harry.
Bella seguiu na direção oposta com os dois parceiros dela, enquanto Harry foi para a outra. As árvores estavam atrapalhando a visão deles por causa da pouca luminosidade, foram até a parte mais sombria da floresta pouco antes do terreno das aranhas.
–Se entrarmos aí, elas nos matam. Disse Rony nervoso.
–Se não entrarmos, não saberemos o que está acontecendo. Respondeu Ernesto.
Os quatro seguiram mais para frente, ouviram alguns barulhos estranhos e deram de frente com Bella e os outros.
–Não conseguimos achar nada, nem as aranhas parecem estar aqui. Disse Bella.
–Vamos continuar. Disse Harry firme.
Vasculharam o máximo que podiam, mas não conseguiram achar nada escondido no meio da pouca claridade. Ouviram o barulho de algo se quebrando no alto das árvores, desconfiados se juntaram fazendo um círculo onde cada um protegia as costas dos outros.
Dois baques estrondosos assustaram todos os sete, Rony ficou paralisado apontando para baixo sem conseguir dizer nenhuma palavra.
–Aragogue. Disse Harry sem folego.
Ernesto e Bella desceram para olharem as duas enormes aranhas que estavam caídas no chão.
–Estão mortas. Disse Ernesto tocando com cuidado na parceira de Aragogue, Masague.
–Elas estavam muito idosas, quando eu e Rony fomos vê-la. Disse Harry.
–Mas não morreram de velhice, Harry. Contra disse Bella.
–Estão cheia de cortes profundo, foram atacadas. Confirmou Ernesto.
Harry e os outros desceram das vassouras para olhar as duas aranhas, ficando apenas Rony um pouco mais distante delas.
–Vamos... Sair logo daqui... Gaguejou Rony nervoso.
–Vamos leva-los para Hagrid, ele era amigo de Aragogue. Disse Harry.
–Fora que alguém tem que ver o que matou essas coisas. Elas são enormes, mesmo idosas não seria fácil mata-las. Falou Katia passando a mão no braço assustada.
–Vamos leva-las daqui, provavelmente foi o que chamou nossa atenção que deve ter as matado – disse Bella – Temos que sair daqui, ainda não somos independentes pela Armada podemos ser suspensos e uma hora dessas já devem ter colocado metade dos aurores atrás da gente.
Bella e Katia conjuram grandes lençóis pretos e eles as ajudaram a emendar. Sem tocar nas aranhas as colocaram dentro dos lençóis e prenderam nas vassouras de forma aberta. Subiram alto até ficarem por cima das enormes árvores para conseguirem chegar mais rápido no castelo e não se machucarem mais nos galhos das árvores.
Uma grande multidão de pessoas estava na orla da floresta perto da cabana de Hagrid esperando por eles. O alivio nos rostos de uns foram mais sinceros do que em outros, como se esperassem que eles se dessem mal.
Desceram juntos para não deixar as aranhas caírem no chão, tamparam elas bem tapadas de modo que ninguém visse o que estava dentro. A professora Minerva, atravessou a multidão facilmente com a ajuda de Hagrid e o professor Flitwick.
–Onde vocês foram? –perguntou a professora Minerva furiosa – mandamos aurores atrás de vocês, que jeito mais estranho de comemorarem...
–Professora, vamos explicar tudo – interrompeu Harry – Mas antes acho melhor todos os outros alunos voltarem para o castelo para conversarmos.
Minerva deu uma olhada por cima no grande embrulho de lençóis, mas o escutou. Os alunos foram se dispersando pelo comando dela, até restar apenas os membros da Armada. Mione se jogou nos braços de Rony, visivelmente preocupada ao ver o modo como ele estava nervoso e extremamente pálido.
–Cadê Dumbledore? Perguntou Harry.
–Dumbledore teve uma reunião com o Ministro da Magia, ele não está na escola. Respondeu Professor Flitwick.
Flitwick lançou centelhas azuis no céu para avisar os aurores que eles tinham voltado.
–Me digam agora o que aconteceu. Ordenou Minera nervosa.
–Quando peguei o pomo, vi um movimento estranho na floresta. Como se algo observasse a gente, vigiasse, pensei que eram os centauros, mas eles não se aproximam do castelo então Bella também viu. Desculpa professora, mas nosso instinto falou mais rápido. Fomos atrás da movimentação já que ninguém mais tinha visto. Respondeu Harry.
–Isso foi extremamente imprudente senhor Potter. Repreendeu Minerva.
–Eu sei professora, procuramos por todas as partes até chegarmos ao ninho das aranhas no meio da floresta.
Os olhos de Hagrid se arregalaram, ele correu para os lençóis. As grandes lágrimas de Hagrid escorreram pela barba despenteada dele ao ver o que tinha entre eles.
–Vocês mataram Aragogue... Acusou Hagrid.
–Não, claro que não – negou Harry – Quando os achamos já estavam mortos.
–E o mais estranho é que pra um ninho de aranhas, ter somente duas mortas é muito estranho. Disse Kátia dando tapinhas nas costas de Hagrid para acalma-lo.
–Deixe com a gente de agora para frente – interrompeu Minerva – Vão para a enfermaria cuidar desses arranhões, a Srta. Weasley já está em repouso.
Mesmo sem querer, os membros da Armada tiveram que sair. Não era assunto deles já que não tinham ganhado autonomia para liderarem suas próprias missões, mas queriam descobrir e entrar a fundo naquela história das aranhas mortas.
–Nós as trazemos do meio da floresta, e eles que vão investigar. Disse Zacharias irritado.
–Não podemos fazer nada, só tentarmos mostrar que logo estamos prontos. Aconselhou Miguel Coner que tinha ficado com eles para ouvir a história.
Eles se separaram indo cada um para sua Sala Comunal, deixando de lado a história de irem para a ala hospitalar para cuidar de simples arranhões. Assim que entraram na sala Comunal da Grifinória, Dino chegou para dar noticias de Gina.
–Ela vai dormir lá esta noite. Madame Pomfrey cuidou da ferida do braço dela, os centauros usam uma espécie de veneno na ponta das flechas por isso ela ficou tonta. O que acertou ela não queria mata-la, apenas se assustou e acertou seu braço, se realmente quisesse teria acertado o coração ou algum órgão vital. Disse Dino visivelmente preocupado.
–Nem me fala uma coisa dessas, cara. Disse Rony nervoso.
Mione, Lilá e Parvati cuidaram dos machucados deles, ali na sala comunal mesmo usando apenas primeiros socorros trouxas para limpar os arranhões por causa das árvores. Metade da Grifinória toda hora perguntava sobre o que tinha acontecido na floresta proibida, só que nenhum deles contou o que aconteceu de verdade.
–Esses meninos estão me tirando do sério, estão me enchendo de perguntas sobre o que tinha nos lençóis. Disse Kátia chateada se sentando junto a eles.
–Me pararam na porta do dormitório umas três vezes para eu contar o que vocês tinham trazido. Contou Neville.
–E o que você respondeu? Perguntou Mione erguendo uma sobrancelha.
–Que era só o professor Snape que tinha ficado bêbado no meio da floresta.
Os todos os membros da armada começaram a rir alto atraindo ainda mais a atenção dos grifinórios que estavam de olho neles.
–Não estão ajudando muito com essas risadas. Disse Mione tentando se colocar firme, mas falhando.
–O que mais me preocupa, é não saber o que matou aquelas tarântulas – disse Bella os fazendo pararem de rir – Acho que o movimento que vimos na floresta, foi o que ou quem matou aquelas coisas.
–Já viu o tamanho daquilo? – perguntou Rony com os olhos arregalados – Se a coisa que as matou estiver na floresta, eu nem vou chegar perto da cabana de Hagrid.
–Será que elas não morreram de velhice mesmo? – perguntou Brian – Você mesmo, Harry disse que elas estavam velhas quando você e Rony foram á floresta.
–Pode até ser, Brian. Mas estava claro que elas foram abatidas, tem marcas recentes de brigas por todos os corpos e o ferimento que matou Aragogue, perfurou o peito do animal, o da Masague é um na parte superior. Explicou Bella.
Mione, Lilá e Parvati estremeceram ao ouvir falar desses detalhes.
–Seja o que for que tenha matado aquelas coisas – falou Colin – Vamos ter que ter mais cuidado.
–Verdade, temos que nos dedicar mais ainda a Armada. Mesmo nossa rotina estando tão cheias, precisamos de mais reuniões. Sugeriu Simas.
–Impossível, não tenho tempo nem para respirar mais de noite. Estou tendo aulas particulares com o pai de Bella, e eles estão me acompanhado. Á minha semana inteira está comprometida, e não podemos nos matar tanto. Disse Harry.
–Você tem razão. Concordou Dino.
–O máximo que podemos fazer é treinar mais do lado de fora, todos podiam começar com a gente a correr mais cedo, e nos tempos livres corrermos depois das aulas antes dos compromissos. Sugeriu Harry.
Todos na sala concordaram, Mione passou a mensagem para os membros das outras casas e avisou dos que estavam do lado de fora sobre a rotina deles.
–É mais um sacrifício que temos que fazer. Disse Bella sendo envolvida nos braços de Harry.
–Vamos começar a entrar na batalha, mais cedo ou mais tarde a luta também vai ser nossa. Disse Rony decidido.
–Ainda sonho com o dia em que vamos realmente poder entrar na luta de uma vez...
Harry falou com tanta força de vontade e convicção que sentiu um calor estranho no peito. Olhou para seus amigos e viu que todos sentiram o mesmo, ele não sabia o que era só sabia que era uma coisa boa, como se fosse um laço que os ligasse de uma só vez.
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