Harry Potter - E Os Prisioneiros De Azkaban
2 Sirius Black
Notas iniciais
No dia seguinte como esperado, todos os alunos deveriam ir ao passeio á Hogsmeade. Avistei Weasley ao lado da irritante Granger, enquanto a professora Minerva conduzia todos pelo pátio coberto pela neve. Percebi também que Harry Potter não estava com eles, o que já era bom de fato para os planos de Draco. Quando Ron voltou seus olhos esbugalhados na direção onde eu estava com uma colega da Sonserina, simplesmente sorri, com um riso forçado obvio. Ele e Hermione passaram por nós, então me apressei e toquei o pulso de Ronald e segredei ao seu ouvido:
_Estarei esperando você ruivinho! Não se esqueça!
Eu sorri notando o nervosismo dele, então eu me afastei quando vi que Hermione Granger me encarava com cara feia, de poucos amigos. Depois fiz sinal para minha colega Sammy, e ambas seguimos rumo aos outros alunos para nos unirmos ao grupo. O passeio a Hogsmeade era sempre muito agradável e divertido, as lojinhas, os brinquedos, os doces deliciosos da DEDOS DE MEL, tudo era fantástico, mas eu não podia me esquecer da minha missão. Acompanhei meu meio irmão Draco, rumo aos limites do terreno da casa dos gritos onde tinha marcado meu encontro as escondidas com Ronald Weasley, mas pra nossa surpresa quando chegamos lá, Ron não estava sozinho, mas sim acompanhado por Hermione Granger, pra variar.
_Você não disse pra ele vir sozinho, sua idiota? _resmungou Draco me segurando pelo pulso.
_Eu disse, mas eu não tenho culpa dessa garota colar mais do que goma de mascar barata... _senti dor no pulso e o puxei de volta.
_Se quer uma coisa bem feita, faça você mesmo... _Draco sacudiu a cabeça, e então ordenou. _Você fica aqui, e vocês dois vem comigo. _se referiu aos garotos.
Escondi-me atrás de uma das arvores cobertas de neve, e esperei enquanto meu meio irmão se aproximava do casalzinho próximo à cerca farpada. Não pude ouvir muito do dialogo, mas percebi que Draco agredia verbalmente o ruivo, deixando-o irritado. Estranho, ele até ficava bonitinho mesmo, quando estava bravo tentando defender os amiguinhos. “Pensamento idiota” Em resumo, antes que Draco e Ron entrassem em uma briga braçal, Granger se intrometeu, “novidade”, e impediu a briga, o que deixou Draco furioso, principalmente porque ele odiava a garota, pelo mesmo motivo que me detestava, ou seja, Granger também não tinha o sangue puro de bruxa. Alguns berros, e xingamentos posteriores e Draco foi atingido por uma bola de neve que vinha de uma direção qualquer lhe acertando bem as fuças. Isso me fez rir, afinal seja lá quem for que fez aquilo, foi bem feito pro meu irmãozinho.
Por alguma razão, alguma coisa, ou alguém começou a atingir ele e os meninos com pequenas bolas de neve. Antes de ser pega ali, eu decidi que seria melhor sair de fininho, afinal, de qualquer jeito Draco me daria um esporo mesmo. Quando regressamos a escola, como já era de se esperar, tive que ouvir poucas e nada boas represarias, do meu adorável irmão irritante. Já durante o jantar, acabamos sendo informados de uma noticia nada agradável para os professores e alunos. A escola passou a ser cercada pelos terríveis Dementadores, que buscavam um prisioneiro fugitivo, chamado Sirius Black. Pelo que sabíamos tal homem teria sido responsável pela morte de um de seus amigos, Pedro Pettigrew, assim como de ter participado do ataque do Lord Voldemort aos pais do pequeno Potter. Verdade ou não, todos estávamos cientes do que ele pretendia. Encontrar Harry Potter e terminar o serviço pelo Lord Voldemort.
Hogwarts ficou totalmente paranoica, principalmente depois da descoberta de que um dos professores teria ajudando a Sirius Black a invadir a escola. Em uma noite, a mulher gorda fora atacada, a facadas e quando foi encontrada fora de seu quadro, à mesma confessou que seu agressor se tratava do próprio Black. O terrível e cruel Sirius Black estaria em nossa escola.
...
Era tarde, e eu estava no meu quarto tendo problemas com o sono, pois tinha bebido líquidos demais durante o dia todo, e não conseguia me aquietar no meu colchão macio. Virei-me de um lado, para o outro, e acabei me levantando já desesperada pela dor que prensava minha bexiga. Apanhei minha varinha, e iluminei meu caminho com um lumos, depois me dirigi pelo longo corredor vazio e escuro. Aquele lugar era assustador à noite, mesmo sendo bruxa e pertencendo a Sonserina, eu tinha que admitir, me dava arrepios andar por ai, sozinha no meio da noite com um possível assassino a solta. Mas minha bexiga doendo me encheu de coragem, então corri até o banheiro das meninas e encontrei a murta por lá, apenas dormindo. Tomei cuidado para não acordá-la, e fiz o que tinha que fazer. Já de bexiga vazia, e aliviada, eu voltei pelo mesmo corredor, louca pela minha cama quentinha. De repente ouvi passos atrás de mim, e me virei rapidamente voltando a ponta da minha varinha naquela direção, mas não havia ninguém. Respirei aliviada pensando se tratar de algum rato, ou talvez o gato do Filch. Segui em frente, mas voltei a ouvir passos, e dessa vez acompanhados de uma respiração forte, e assustadora, apressei meus passos e virei o primeiro corredor, logo me virando novamente e fitando o vácuo da escuridão atrás de mim. Eu devia estar assustada apenas, estava ouvindo coisas, então continuei andando, mas novamente aquela respiração cansada e os passos pareceram mais próximos, e o corredor do meu quarto mais distante. Apressei-me mais, e comecei a tremer de medo, então virei mais uma vez pronta para citar algum feitiço de ataque, mas não havia nada além do vazio, decidida a sair logo dali, eu me virei pronta para correr, e fui surpreendida por um homem alto, de cabelos pretos um pouco longos, e olhos assustadores.
Por Merlin! Era ele, ali bem diante de mim, segurando meus ombros com força e me encarando com aquele olhar sádico e assustador. Mesmo parecendo muito mais jovem do que eu pensava que ele fosse, sem barba, e sem a aparência rude da qual falavam. Eu tinha certeza de que aquele era Sirius Black. Ele me empurrou contra a parede e me segurou contra ela fazendo com que minha varinha caísse de minhas mãos, então ouvi sua voz sussurrar algo em meu ouvido:
_Schh... _o som soou assustador, eu não sabia o que ele faria comigo e minhas pernas falharam. _Quietinha...
A voz dele era grave, mas não era assim tão assustadora, assim como sua face aparentemente doce pelo pouco que pude ver com a claridade de minha varinha. O tempo que ele me manteve ali presa contra aquela parede gelada, segurando firmes meus ombros e em uma distancia extremamente perigosa do meu corpo pequeno, durou pouco, mas pareceu uma eternidade. Notei que Sirius se abaixou e logo apanhou minha varinha voltando a invocar a luz que provia dela, e apontando-a para meu rosto. Meus cabelos estavam na minha cara, e ele os afastou com minha varinha enquanto me analisava profundamente e virava o rosto para o lado como um cachorro curioso. Pude analisar melhor suas feições, assim tão de perto, tão iluminado. E por Merlin! Tive que admitir, mesmo sendo assustador, e me deixando paralisada de medo, não poderia deixar de notar o quanto Sirius Black era belo.
Não dissemos sequer uma única palavra. Eu por estar me borrando de medo, ele sabe lá Deus por quê? A questão é que Black ficou me encarando daquele jeito, até que finalmente percebi que ele não pretendia me fazer mal. Sei lá... Então ouvimos passos vindos do lado do corredor que levava aos quartos e ambos voltamos nossas faces para aquela direção. Sirius sorriu pra mim com um ar malandro e ergueu minha varinha dizendo baixinho:
_Eu vou ficar com isso! _ele piscou pra mim.
Depois saiu correndo na outra direção logo me deixando no escuro. Quando o corredor ficou novamente iluminado, foi pela varinha de meu professor favorito, o Severo Snape, que se aproximou quase metendo a varinha no meu nariz e perguntando enquanto me olhava com cara de desconfiado:
_O que faz sozinha no escuro há essa hora senhorita Smith? _disse com seu tom ameaçador. _Não sabe que os alunos estão proibidos de vagar pelos corredores, principalmente nas circunstancias atuais?
_Sim... _minha voz quase não saiu. _Sim professor Snape, mas...
_Mas nada, volte pro seu quarto antes que eu avise o diretor...
_Sim senhor...
Baixei minha cabeça, e desviei dele logo acatando sua ordem. Aí vão me perguntar: “Por que eu não contei ao professor Snape sobre Sirius?”, boa pergunta. O sujeito me deixou branquinha de medo, mais do que eu já era, e mesmo com as interrupções de Severo, eu deveria ter avisado que vi Black, mas eu não fiz. Não me perguntem por quê? Eu sinceramente não tenho ideia de como responder isso. Talvez fosse o medo de Sirius me encontrar de novo e me machucar por ter delatado sua presença na escola, ou por achar que não devia entregar alguém que servia ao Lord Voldemort, ou pior... Por que eu simplesmente não queria contar. Voltei ao meu quarto, tranquei a porta, me joguei na cama me encolhendo de medo e frio, e mais uma vez custei a dormir, mas dessa vez o motivo era outro. Os olhos terríveis de Sirius Black, e a lembrança do seu halito quente próximo ao meu rosto. Céus! Ele roubou minha varinha. O que diria na manhã seguinte quando me perguntassem sobre ela? Que perdi no banheiro? Talvez fosse uma boa ideia, mas todos ririam de mim. Droga! Eu estava ferrada, precisava arranjar outra varinha antes que me perguntassem sobre a minha.
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