Harry Potter - E Os Prisioneiros De Azkaban
8 Enígma do Príncipe
Notas iniciais
No sexto ano em Hogwarts as coisas pareciam estar tomando rumo afinal. Tudo parecia mais calmo, sem problemas pra variar. Era apenas mais um ano tranquilo na escola. Hum, isso parecia até piada depois dos anos terríveis que passamos. O ano letivo parecia apenas festa e comemoração para todos. Os garotos se dedicando aos times de quadribol, as garotas preocupadas com poções do amor. Eu me preocupando com meu irmão, que pra variar andava mais misterioso do que o comum. Mas dessa vez algo me deixava muito, mas muito preocupada mesmo com Draco. Ele falava o tempo inteiro em não concluir os dois anos seguintes em Hogwarts, como se ele não fosse regressar após o sexto ano. Perguntava a ele os motivos para ele dizer tais coisas, mas Malfoy jamais me dizia. Apenas permanecia quieto, na dele, preso nos seus pensamentos pessoais. Aquilo começou a me deixar nervosa com o passar das semanas.
Estava sentada a algumas cabeças de distancia de Draco, à mesa da sala de alimentação, enquanto Dumbledore dava um discurso sobre um ex-aluno de Hogwarts. Seu nome era Tom Riddle, atualmente conhecido como Lord Voldemort. Enquanto Alvo falava, eu percebi que o único ali presente que parecia não dar atenção ao que o diretor dizia era meu meio irmão. Mas não por rebeldia, ou maldade, apenas porque ele simplesmente parecia não estar naquele lugar. Senti algo estranho vendo-o daquele jeito, distante, distraído. Nunca tinha visto Draco daquele jeito.
Enquanto saíamos da sala, rumo a nossas casas, eu percebi que Malfoy se dirigiu sozinho pelo corredor sem esperar por Pansy, ou por Vincent e Gregory como sempre fazia. Ele também não voltou para o quarto como o restante, mas se afastou pelos corredores vazios. Decidi segui-lo para ver aonde ele pretendia ir, então o encontrei em pé diante de uma parede vazia, sem portas apenas a observando. Sem entender eu me aproximei e toquei seu ombro.
_Draco! _ele tomou um susto e se virou.
_Mas que droga... _reclamou parecendo nervoso. _O que você quer?
_Você tá bem? Tá aí parado, olhando essa parede...
_Não é problema seu... _ele passou por mim dando de ombros comigo.
_Draco? _me virei segurando meus cadernos e o segui. _Me espera...
_Volta pro seu quarto. _ele continuou andando.
_Não vai falar comigo?
_Não. _Draco parou e me encarou. _Vai pro quarto Lori.
_Tá... Mas se quiser conversar...
_Eu não quero conversar... Só... Me deixa em paz...
Draco ficou me olhando no fundo dos olhos como se quisesse me contar alguma coisa, mas não pudesse. Eu sabia que tinha alguma coisa errada acontecendo, que o perturbava demais, mas ele não ia me contar, disso eu também tinha certeza. Deixei-o sozinho como era seu desejo e me dirigi pelos corredores de volta a meu quarto.
Os dias continuaram passando, nada parecia fora do lugar, exceto pela proteção ao redor da escola, e as proibições de sair depois das seis sem a companhia de um professor. Durante uma daquelas tardes, eu estava sentada na escadaria principal na entrada de Hogwarts apenas lendo um livro de poções, e então fui surpreendida com algo que era depositado sobre meus livros, cuidadosamente. Era uma corrente de prata com um pingente pequeno de corvo, e uma pedrinha branca no lugar dos olhos. Ergui meus olhos, para saber quem estava colocando aquele objeto ao redor do meu pescoço então vi Gregory Goyle de cócoras atrás de mim.
_Gregory? _fiquei surpresa.
_Oi Lori! _disse sorrindo. _Você gosta? _ele apontou para a corrente já posta em meu pescoço.
_É muito bonito, eu adoro corvos! Como sabia?
_Draco me disse ano passado, então eu... Pensei em comprar pra te dar no natal, mas... Acabei desistindo, aí tomei coragem e decidi entregar a você... Hoje.
_Puxa! É... Eu gostei... De verdade! _eu sorri, mas, eu não esperava por aquilo. _É muito bonito Greg, obrigado!
_Que bom que gostou! Sabe Lori eu andei pensando sobre o que você me disse no ano anterior e...
_Ah, Gregory eu...
_Não, espera! Deixa-me terminar. _ele sorriu. _Eu sei que você e o Draco já foram namorados, mas... Ele não falou mais nada sobre, eu ter que ficar longe de você, então, eu pensei que...
_Pensou que?
_Eu tava pensando nisso...
Gregory me surpreendeu quando segurou meu queixo com a ponta dos dedos e então tocou meus lábios em seguida com os seus, me mostrando fisicamente o que queria me dizer. No inicio eu achei bacana, foi até bom beijá-lo, mas... Era como se estivesse faltando alguma coisa. Seu beijo não era de todo mal, era calmo, e romântico. Nunca pensei que aquele garoto fosse do tipo romântico, mas... Foi estranho. Ao mesmo tempo em que o beijada, eu não conseguia deixar de pensar em como seria o toque dos lábios de Sirius. Eu já não tinha noticias dele há algum tempo, e boatos diziam que ele não teria sobrevivido ao ataque de Lord Voldemort contra o ministério. Mas eu não queria acreditar que Sirius estivesse morto. Nunca tivemos nenhum tipo de contato mais direto, ou mais intimo por assim dizer, só que mesmo assim eu... Sentia-me estranha toda vez que passava por Harry Potter e me lembrava dele. Pensei inúmeras vezes em perguntar a Harry se aquilo tudo que diziam era verdade. Os jornais estampavam a noticia, mas o corpo nunca fora encontrado. Eu realmente não sabia no que acreditar, e tinha medo de saber a verdade. Preferia esperar, mantendo a esperança de um dia voltar a vê-lo do que me informar mais à fundo naquilo e constatar que os boatos eram verdadeiros.
_Gregory... _me afastei dele tocando seu rosto.
Quando abri os olhos, eu ainda estava imaginando Black diante de mim, mas tudo que vi foi Goyle. Ele parecia satisfeito com nosso beijo, mas eu não estava, por mais que tentasse. Não que eu não gostasse de Gregory, mas era diferente. Talvez eu estivesse procurando ilusões que não deveriam estar ali. Gregory era legal, e talvez eu devesse dar a ele uma chance. Afinal, fui eu quem se interessou por ele primeiro no quinto ano.
_Diga Lori...
_Nada não! Obrigado pelo presente! _eu sorri e ele também.
...
Logo depois do jogo de quadribol da Sonserina contra a Grifinória, eu decidi que deveria falar com meu irmão Draco, e saber o porquê daquele comportamento estranho que ele vinha apresentando. Eu o encontrei sozinho sentado sobre a raiz de uma das arvores do pátio da escola, com a mesma expressão confusa, e compenetrada. Seus olhos estavam fixos na grama, enquanto ele movia a sua varinha entre os dedos. Seu olhar estava triste, era a primeira vez que o via daquele jeito.
_É por causa dele não é? _perguntei de pé próxima dele.
_O que? _ele me encarou.
_Lucius. É por causa dele que você tá assim?
_Não... _ele desviou novamente o olhar e estava calmo.
_Draco... _ele me olhou enquanto eu me sentava diante dele em outra raiz. _Eu sei que você não quer conversar, mas... Tem alguma coisa te incomodando, e eu não aguento ver você assim. Tá longe de todo mundo. Isolado. Não faz mais nenhuma brincadeira das suas... Fala comigo Draco. _toquei a mão dele esperando que ele me dissesse algo.
_Não posso... _seus olhos ficaram ainda mais tensos.
_Por que não?
_Você não ia entender...
_Tenta... Eu não sou tão burra quanto você pensa!
Ele me olhou e por incrível que pareça eu consegui arrancar um meio sorriso do meu meio irmão. Isso já me deixou feliz, mas novamente ele voltou a ficar com aquela expressão distante e melancólica. Então seguiu dizendo:
_É algo com o que eu preciso lidar sozinho. Não posso contar com ninguém agora... Entende?
_Não, claro que não entendo... Tem alguma coisa a ver com Lucius?
_Não, não... _ele se virou sentando-se sobre a raiz de maneira que ficasse mais perto de mim. _Me escuta Lori... _Draco segurou minhas mãos gentilmente olhando as mesmas. _Eu quero te pedir uma coisa... Mas preciso que me prometa... _ele ergueu o rosto e me encarou.
_Diga... _fiquei preocupada.
_Prometa que vai fazer exatamente o que eu disser...
_Primeiro me diga o que quer...
_Não. Prometa.
_Tá tudo bem, eu prometo. Agora fala...
_Eu preciso fazer uma coisa... Eu fui escolhido.
_Escolhido pra que? Por quem?
_Silencio... Me escuta... _disse ficando um pouco zangado.
_Tudo bem...
_Como eu disse... Eu fui escolhido, e não tenho escolha. Há algo que eu tenho que fazer que irá mudar tudo. E quando isso acontecer, quando eu fizer o que tem de ser feito, eu preciso saber que você vai ficar bem. Segura...
_Pelas barbas de Merlin Draco, do que tá falando?
_Prometa Lori... _mais uma vez ele alterou a voz.
_Tudo bem Draco, tudo bem, o que você quer que eu faça afinal?
_Eu quero que você saia de Hogwarts... E não volte mais...
_Como é que é?
_O que eu vou fazer, vai colocar você em risco. E eu não... _ele apertou meus dedos. _Não quero que se machuque... Não quero que machuquem você...
_Por que eu tenho que ir embora de Hogwarts?
_Você vai entender quando chegar a hora, a questão é que... Depois do que eu fizer... Você deve sair imediatamente de Hogwarts, e se esconder. Volte pra Nova York, fique com sua mãe, e depois se esconda... Fuja para o lugar mais seguro que voce conhecer...
_Céus Draco, o que você vai fazer? _meu coração me deixou sufocada de medo.
_Você vai descobrir logo... Prometa que vai fazer isso Lori...
_Tudo bem... Eu vou... Mas o que vai acontecer com você?
_Eu vou ficar bem... _ele se levantou.
Nós nos olhamos por alguns minutos sem dizer mais nada, apenas nos olhamos. Então me levantei também parando diante dele e Draco tomou uma atitude que me deixou ainda mais surpresa. Ele me puxou pra perto dele, e me abraçou. Abraçou-me forte, me apertando contra ele, como se aquela fosse a ultima vez que nos veríamos. E eu só pude retribuir...
Não muito tempo depois daquilo, o professor Dumbledore foi encontrado morto no pátio da escola. Diante daquilo eu soube do que Draco estava falando. Meu irmão assassinou Alvo Dumbledore. E aquilo provavelmente tinha a ver com Lord Voldemort. Eu mesma não pude acreditar, e não entendia por que ele tinha me pedido para ir embora, mas... Aquele foi meu ultimo ano em Hogwarts. Depois da morte de Dumbledore eu voltei para Nova York onde fiquei com minha mãe até o ano seguinte. Quando os boatos sobre Voldemort estar enviando comensais da morte para assassinar mestiços, se espalharam, eu finalmente entendi do que meu irmão estava falando. Eu era uma mestiça, e não demoraria muito até eles me encontrarem. Então avisei minha mãe de que precisava partir, e fiz minhas malas.
Fale com o autor