Notas iniciais
Reescrevendo os capítulos por motivos de, I'M BACK AND ESTOU ALONE.

Meu nome é Piers Holmes.

Tenho quinze anos e acabo de me formar no primeiro ano do Ensino Médio no Leonwisdom High School, um colégio para pessoas normais que é altamente conhecido em Londres por também aceitar fracassados anormais como eu.

Por que eu sou uma fracassada anormal? Bem...

Sofro de dislexia e déficit de atenção, por isso minhas notas são um lixo. Além do mais, tenho uma grande dificuldade de me adaptar às pessoas. Em resumo, sou uma loira burra sem amigos.

Minha vida não melhora a partir desse ponto.

Nunca conheci minha mãe e vivo com meu pai (um gordo e careca que só pensa em si mesmo chamado Bob) em uma casa velha no fim de mundo londrino, meu pai é um alcoólatra que só não me vendeu para o mercado negro ainda porque não quer ser mal visto pelos “amigos” do trabalho.

A manhã do último dia de aula foi um bom exemplo de como a relação entre eu e meu pai é “ótima”. O gordo me acusou de ter roubado dinheiro da carteira dele.

– Me devolva meu dinheiro sua adolescente estúpida! – Bob gritou para Deus e o mundo ouvir.

– Mas que droga! Eu já disse que não peguei dinheiro nenhum de sua carteira! – gritei no mesmo tom.

Bob ergueu a mão e deu um tapa no meu rosto, eu cambaleei para trás, mas não caí.

– A não ser que você queria levar outro desse, te aconselho a me devolver meu dinheiro!

Eu subi as escadas rapidamente, o gordo nunca me alcançaria antes de eu entrar no meu quarto e trancar a porta. Ele começou a berrar e a bater na porta com muita força. Ameaçou derrubá-la.

Eis um dia normal para mim.

Tirei meu pijama e coloquei calças jeans azuis, um moletom cor de pêssego e tênis All Star brancos. Peguei a minha mochila e abri minha janela. Respirei fundo antes de pular, mas eu ja estava acostumada então não sentia mais dor quando pulava do segundo andar de minha casa. A janela de meu quarto dava para a rua e eu sabia que tinha que sumir dali antes que Bob percebesse que houve um pequeno estrondo do lado de fora.

Coloquei o capuz do meu moletom e andei rapidamente, eu tinha sorte e azar de Leonwisdom ser perto de minha casa. Assim que eu entrei pelos corredores, tive a sensação maravilhosa de ser invisível. Não havia nada melhor do que ser ignorada depois de ser agredida por seu pai.

Eu fui ao banheiro feminino antes da aula e conferi meu rosto. O lado esquerdo (onde Bob acertara) estava completamente vermelho. Cobri a vermelidão o melhor que pude com meu cabelo loiro platinado e com o capuz, não consegui disfarçar muito bem, mas deu uma escondida básica.

Assim que saí do banheiro me confrontei com Ashley Benson.

Ao ver das pessoas da minha escola, Ashley era uma morena linda que era superpopular, ao meu ver, Ashley era uma garota mimada que se achava porque vivia com pessoas falsas ao seu redor. Quando me viu saindo do banheiro, Ashley veio em minha direção junto com a matilha de cadelas que ela chama de amigas. O corredor estava vazio.

– Ora, ora... – Chiou Ashley, como sua voz era irritante! – Se não é a Piers “Fracasso” Holmes.

As cadelas riram.

– O que você quer Ashley? – perguntei.

– Só quero saber o porquê o seu papaizinho te deu esse nome. Se não me engano, Piers é um nome masculino. – as cadelas riram novamente.

– Acho que foi porque ele quis. – eu já estava no limite de minha frágil paciência.

As cadelas fizeram em coro um “uuuuuuuuh. Vai a deixar fazer isso Ashy?” o que é o jeito internacional de começar uma briga.

Ashley se aproximou mais de mim, mas eu me desviei da ira dela.

– Olha Ashley, é o último dia de aula e eu não quero confusão.

Ela sorriu e fez uma coisa muito masoquista.

Ela arranhou seus próprios braços até tirar sangue. Eu fiquei apavorada com isso.

Foi então que eu vi o motivo de Ashley ter se arranhado, o Diretor Johnson estava virando a esquina dos corredores e entrou no corredor que estávamos.

– Por favor, para! Eu não fiz nada! Para! – Ashley gritou em minha direção e caiu de joelhos.

As cadelas fizeram cara falsa preocupação.

O Diretor Johnson só viu aquela cena e fez uma cara de fúria que eu entendi na hora. Ele achava que eu havia machucado Ashley e ia ligar para o meu pai, tive que evitar isso então saí correndo para fora de Leonwisdom, ouvi apenas os gritos do Diretor sobre o como ele não ia mais me deixar pisar o pé naquele colégio e que o maior erro de sua vida foi aceitar uma barraqueira ali.

Sempre fui uma pessoa muito boazinha...

Realmente me feriu quando Johnson disse que eu era uma barraqueira. Por algum motivo que eu não compreendia quase tudo de negativo me deixava chateada. Ingenuidade era meu forte.

Eu fiquei cabisbaixa, andando sem rumo pelas ruas londrinas até encontrar uma Starbucks. Meu estomago roncou, eu não havia tido tempo de tomar um café da manhã. Bob não me permitiu esse luxo. Com o pouco de dinheiro que eu tinha em minha carteira, comprei um donut com recheio de chocolate e coberto por açúcar e um cappuccino com muito chantilly.

Sentei-me em umas das mesas de dentro e comi devagar, achei que aquela ia ser minha última refeição por um tempo já que eu não pretendia voltar para casa.

Uma moça muito bonita de cabelos negros amarrados em um coque, pele clara e olhos castanhos me pediu permissão para se sentar comigo. Eu concedi. Achei que ela ia ser uma daquelas pessoas que pedem um favor para mim e depois começa a me ignorar, mas com ela foi diferente.

– Meu nome é Calí. Qual é o seu? – ela sorriu, ela tinha sotaque americano.

– Piers. – falei baixinho, com vergonha de minha própria falta de jeito com a gentileza alheia.

– Nossa, que nome bonito! Um dos sentidos de Piers que está em busca da paz a qualquer custo, nem que para isso tenha que entrar numa boa briga.

– Err... Obrigada?

Calí foi muito gentil comigo e sempre tentava puxar assunto, eu tive uma grande dificuldade de mantê-lo. Acabei contando sobre o que tinha acontecido (ou melhor, vinha acontecendo) naquela manhã e ela foi compreensiva.

– Nossa querida, eu sei como é ter um pai ruim. O meu pai é um pegador de primeira, traiu a atual esposa dele muitas vezes e ela o perdoou e culpou as amantes dele. Eram cenas muito feias.

– Sua mãe e seu pai já foram casados?

– Não. Digamos que eu e minhas oito irmãs fomos apenas um comprovante de caso passageiro do meu pai, nada sério.

– Ao menos você deve ter conhecido a sua mãe, a minha desapareceu quando eu ainda era pequena.

Calí me direcionou um sorriso de compaixão. Ela era diferente das outras pessoas que passaram pela minha vida, ela ouvia e esperava a sua vez de falar. E quando falava, falava com educação, era muito boa a sensação de alguém ser educado com você. Ao menos para mim, que nunca tive isso.

– Sabe, eu acho que você quer abandonar tudo isso aqui em Londres. – eu confirmei com a cabeça – Então venha comigo até o London Eye hoje, vai ser legal. Quando estamos lá no alto, parece que nossos problemas desaparecem.

Eu ergui uma de minhas sobrancelhas, fiquei meio desconfiada, óbvio. Não era normal uma estranha ser assim tão legal com a gente e nem mesmo oferecer uma ida ao London Eye! Mas, novamente, minha ingenuidade falou mais alto e eu fui com Calí.

De uma forma que eu não entendi, a cabine que eu e Calí entramos no London Eye ficou vazia, apesar de terem muitos turistas esperando sua vez de entrarem em uma das maiores atrações de Londres.

Apesar de viver em Londres a minha vida interia, eu nunca fui ao London Eye. Parecia uma coisa muito distante para mim ir naquele lugar cheio de pessoas felizes.

Foi então que senti a mão de Calí em meu ombro e ouvi-la dizer:

– Me desculpe Piers, mas já tivemos uma filha de Afrodite morta e o Oráculo disse que você é a salvação.

E então eu apaguei.

Notas finais
Obrigada por ler