Harmonia do Olimpo

2 Chegada ao Acampamento Meio-Sangue


Notas iniciais
Lembrando: Estou reestruturando tudo, não reescrevendo como disse anteriormente.

Abri os meus olhos lentamente e observei o cenário onde eu estava. Idêntico ao de uma cabana, porém arrumado.

Sentei-me e percebi que eu estava deitada em uma cama muito confortável. Olhei para mim mesma, minhas roupas estavam diferentes. Agora eu usava um blusão azul com um short soltinho branco.

Mas o que estava acontecendo?!

A última coisa que eu me lembrava era que eu estava com Calí em uma cabine vazia do London Eye, depois ela falou alguma coisa e eu simplesmente apaguei. Será que Calí tinha me dopado? Não, eu havia apagado depois que ela tocou em meu ombro, se eu tivesse sido dopada teria sentido sonolência bem antes de entrar na cabine.

Levantei-me da cama e vi um par de Havaianas rosas no chão, as coloquei e abri a porta do cômodo.

A luz do sol bateu em mim e eu me senti como se estivesse sendo queimada.

Não estávamos em Londres, com certeza. Londres não fazia sol... Pensando bem, nem mesmo na Europa fazia aquele sol. Desci os poucos degraus que haviam em frente a porta e observei o lugar. Parecia um acampamento, muitos adolescentes de diferentes idades corriam e andavam para lá e para cá. Usavam uma blusa laranja como uniforme, o incomodo que o sol causava em minha retina não permitiu que eu lesse o que estava escrito na camisa, mas com certeza tinha algo ali.

Andei um pouco em linha reta e observei cada rosto que passava por mim. Todos eram bronzeados ou morenos e eu estava lá, com minha forma pálida de britânica. Eu não estava mesmo na Europa.

– Ei! Piers! – aquela era a voz de Calí.

Virei-me instantaneamente, eu estava com vontade de arrancar o coração de Calí pela boca. Mas óbvio que eu não faria isso, coragem me faltava. Calí estava com a blusa laranja que os adolescentes usavam. Consegui ler o que estava escrito: Acampamento Meio-Sangue. Logo embaixo: Monitora.

Fiquei calada, esperei que ela me explicasse o porquê raios eu estava em um lugar que obviamente não ficava nem no meu continente, mas ela só falou uma frase que mudou muitas coisas.

– Você é uma semideusa.

...

...

...

COMO ASSIM?! O QUE?! ONDE?! QUANDO?!

Fiquei pasma, até onde eu saiba, semideuses são coisas mitológicas ou mitos ou coisas que não existem! Aí vem a Calí toda bonitona e me fala que eu sou um deles. O que isso quer dizer?! Que eu não existo?! Mas que merda!

– Há algum tempo os deuses não assumiam seus filhos, agora apenas indicam a localização deles e nós vamos buscá-los. Mas só serão assumidos quando se mostrarem dignos do título de serem seus filhos. – Calí virou um pouco a cabeça – Você nunca achou estranho nunca ter conhecido sua mãe? Bem, tudo o que se sabe é que ela é uma mulher.

– Não. Muitas pessoas não conhecem a mãe ou o pai! – falei com o tom um pouco elevado.

– Essas “muitas pessoas” são semideuses, em parte.

Então é isso, eu era uma semideusa que a mãe-deusa não achava digna o suficiente para me assumir, mesmo depois de ela me deixar com Bob, o Gordo Terrível.

– Bem, vamos fazer o seguinte. Para te animar, daqui a pouco teremos um jogo de caça-bandeira. Vamos lhe escolher uma arma e uma armadura.

Fui praticamente empurrada por Calí, não observei o caminho, só me toquei quando estava já lá dentro. Havia muitas armas diferenciadas como facas, espadas, flechas... Mas nenhuma era tão atual assim. A tal armadura da qual Calí se referia era armadura grega. Eu sabia a diferenciar, já havia visto muitas daquelas nas minhas apostilas de História. Escolhi uma armadura prata e como arma eu estava indecisa, até que eu vi um crossbow dourado pendurado ao lado das flechas. Aquela era uma arma que eu sempre quis ter e para melhorar a situação ela era uma crossbow atual! Ela tinha mira e era acionada a gatilho, mas também era um pouco menor e fácil de se manusear. Eu estava nas pontas dos pés com intenção de pegar a crossbow quando Cali disse:

– Acredite, Aahbran não é o tipo de arma que você vai querer. Ela muda assim como a atualidade, fica mais poderosa, mas também nunca escolhe um semideus para usá-la. Isso a torna inútil, descartável, aliás. Pegue Adalberon, é uma faca simples de prata celestial. Ótima para novatos.

Calí pegou a faca e me entregou, ela também me ajudou a me vestir a armadura. Olhei-me no espelho que havia no local, a armadura parecia que era feita sobre medida para mim. Prendi meu cabelo em um coque e o deixei mais firme que pude, uma mecha de cabelo da minha franja caiu sobre meus olhos azuis. Eu a coloquei atrás da orelha. Aquilo tudo era um sonho.

Só podia ser.

Apesar de a armadura ser quente e pesada eu estava gostando de usá-la, saí da Sala de Armas satisfeita. Calí havia falado que eu ficaria no Chalé de Hermes (Deus Mensageiro) até eu ser assumida. Era um chalé com algumas pessoas a mais, muitos eram adolescentes esperando uma oportunidade de mostrarem bravura. Eu não tinha coisas para guardar, então foi mais fácil me encaixar no local.

Um fato: TODOS ERAM AMERICANOS!

Eu fiquei bem cabisbaixa porque umas pessoas zombaram de meu sotaque britânico e minha pele pálida. Não era culpa minha eu ser pálida e britânica, era culpa de minha mãe que não queria me assumir. Quem mandou ela se interessar por um cara que era britânico? Acho que ela queria que eu sofresse um certo bullying quando descobrisse que era filha dela e tivesse que vir para os Estados Unidos.

Fiquei sentada nas escadas que davam para o Chalé de Hermes até que eu vi ele.

Era um cara da minha idade meio bronzeado, com os olhos verdes esmeralda e cabelos que beiravam o castanho claro e o loiro. Ele estava com a armadura também e quando me viu o olhando, sorriu e que sorriso lindo. Ele andou em minha direção e parou em minha frente.

– Oi. Eu sou Andrew Campbell, filho de Apolo. E você?

– Piers Holmes, aparentemente, filha da minha mãe-deusa que não me acha digna de ser filha dela.

Ele riu.

– No começo é chato mesmo, eu fiquei meio apreensivo também. Mas eu sei que você será assumida Britânica.

Ok. Eu estava com um pouco de esperança que ele não percebesse que eu era britânica já que isso não parecia ser uma coisa boa.

Eu ia falar alguma coisa quando uma menina de cabelos negros e de olhos castanhos se aproximou de Andrew e o beijou. Ela olhou para mim logo em seguida.

– Você é a novata né? Eu sou Cassandra Richards. Filha de Dionísio e namorada de Andrew. – ela sorriu. Cassandra parecia ser legal, mas de alguma forma eu senti que não iríamos nos dar muito bem. – Andy, Quíron falou que encontraram o corpo de Ivan Johnson, filho de Ares, perto da Colina Meio-Sangue. – ela simplesmente me excluiu da conversa. Não íamos nos dar bem mesmo.

Foi então que uma sirene muito alta tocou e todos começaram a correr para a floresta. Cassie falou alguma coisa como “Eu vou te vencer, otário” para Andy e saiu correndo também, mas parou por um momento para me olhar.

– Vamos, a caça a bandeira começou e você é do time azul junto a mim. Te explico as táticas no caminho.

E lá fui eu com o menino que me encantara para o meio da floresta.