Happiness
6 Capítulo 6 Roots Before Branches
Notas iniciais
Me senti paralisada, completamente paralisada. Comecei a rebobinar em minha mente tudo o que havia acontecido naquele momento. Percy estava sentado ao meu lado, ele me olhava como se esperasse alguma reação minha. Me olhava como se estivesse pronto para escutar palavras de conforto vindas de minha parte, mas a única coisa que consegui pronunciar não fora mais do que um ruído. Percy? Adotado? E ele me diz com essa naturalidade toda? Por Deus!
- O que? — pergunto. Eu sabia que era uma pergunta completamente idiota, mas eu não sabia exatamente o que dizer a ele.
Poderia ser "Poxa, que pena. Mas então, estou com fome, o que acha de comermos pizza?". Ou algo como: "Seus pais provavelmente te odiavam" acompanhado com uma risada e um tapinha nas costa.
Bem, não. Era ridículo. O que se diz para uma pessoa que te confessa algo assim? Nada. Essa era a melhor opção.
O rosto de Percy então passou a ser vermelho. Ele pareceu um tanto acanhado. Encarou seus pés por um tempo, parecia não saber o que dizer (assim como esta loira que vos fala).
- Meu pai. Ele... simplesmente não sei quem ele é. Minha mãe é casada com outro cara, Paul, mas desde pequeno eu já sentia que não tinha ligação alguma com ele. Além do mais, ele tem olhos castanhos, assim como os de minha mãe. — ele voltou a me encarar.
Realmente, olhos como os dele não são muito comuns. Seu verde era completamente puro, e parecia brilhar. Por um momento, me perguntei como alguém poderia ter olhos tão lindos como os dele.
- Um dia — Percy continuou — eu devia ter uns 13 anos, estava procurando alguma bobeira aleatória e encontrei uma foto. Minha mãe parecia ser bem mais nova, e estava abraçada a um cara de cabelos pretos. No começo, não dei muita bola, pensei que fosse algum namorado qualquer. Mas seus olhos, eram idênticos aos meus. Quando perguntei a ela sobre a foto, ela surtou. Me xingou por ter mexido nas coisas, e disse que não era ninguém importante.
Percy parecia tranquilo. Ele parecia estar bem com aquilo, quase como se ficasse feliz.
- Mas você soube — eu disse — soube que aquele homem, desta foto, pode ser seu pai.
Ele apenas sorriu com aprovação. Apos isso, encarou as pessoas a sua frente.
- Nunca teve vontade de conhecê-lo? — perguntei.
Naquele momento, senti que havia feito a pergunta errada. Mas era seu direito. Percy tinha o direito de conhecer seu pai e saber o porquê de tê-los deixado. Talvez ele quisesse isso.
Percy olhou para mim e suspirou.
- Não vou dizer que não, porque sempre penso em como ele é. Mas também não me orgulho disso, afinal ele nos deixou. Ou seja lá o que tenha acontecido, nunca procurou o filho dele.
Em sua voz havia rancor, mas também havia uma gota de sentimento. Percy realmente queria conhecer seu pai, isso até mesmo eu podia sentir.
- Não tem nenhuma pista de onde ele possa estar? — pergunto, porém sem esperanças.
- Talvez. Mas pode ser que não seja nada — disse ele ainda mais desanimado.
- Não custa tentar — o encorajei.
- A foto... A foto onde aquele cara está, com a minha mãe, eles estão em uma cidade. No começo, não consegui identificar, mas reparei e vi que havia uma joalheria. Não era grande coisa, mas estava escrito "jewellry", com dois Ls, e não "jewelry". Eu sei que, alguém que projeta algo assim não erraria desse jeito, um erro ortografico tão grave. Apenas descobri isso.
Arregalei então os olhos.
- Percy, isso é inglês britânico! — digo animadamente.
Mas Percy não reagiu como eu esperava, ele ainda parecia desapontado.
- Sim, eu sei. Pesquisei bastante sobre isso. Mas o fato de meu pai estar lá, naquela foto, não quer dizer que ele more por lá.
Revirei os olhos. Para alguém que amava saber sobre os outros, não havia porque não querer saber sobre seu pai. A foto poderia não comprovar, de fato, mas já era um começo. De grão em grão a galinha enche o bico, como minha vó Métis sempre me disse.
- Meu pai mora lá. Meu pai mora em Londres Percy. — digo tentando animá-lo.
- Mas Annabeth, não sabemos em qual cidade esta foto foi tirada. Poderíamos perguntar pelo nome, mas nem isso não temos. Passei muito tempo pensando nisso, e hoje penso que talvez não seja para eu me encontrar com ele.
Senti as palavras de Percy pesarem. Não, ele não ia desistir desse jeito. Afinal, eu não ia deixar.
- Posso mostrar a foto para meu pai, ele talvez o conheça. Não custa tentar.
Não, realmente não custava tentar. Percy ainda parecia inseguro, completamente inseguro. Mas claro, ele encontrara um foto de sua mãe com um homem, e havia uma possibilidade razoável de aquele homem ser seu pai verdadeiro. Claro, ele parecia tão seguro quanto atravessar uma ponte de cordas carregando um elefante. Era possível compreendê-lo. Porém, se era o que ele queria. Não ia permitir que ele deixasse aquilo tudo de lado.
Percy suspirou e então acenou com a cabeça afirmativamente. Lhe lancei um meio sorriso, fora o melhor que eu consegui fazer. Ele parecei feliz com aquilo, afinal ele parecia estar melhor. Quando ele sorria, seus olhos parecia sorrir com ele. Era verdadeiramente lindo.
- Ah, Percy, que bom que te encontrei — uma voz estridente me fez perder a concentração.
Quando olhei para o lado, vi Rachel e suas amigas. Ela e Percy já se conheciam, mas eles não parecia ser amigos. Colegas, talvez, ou menos do que isso. Ela correu até nos e ficou parada em nossa frente. Reparei que ela me encarou como se eu fosse um monstro qualquer. Nunca havia conversado com Rachel, mas aquele olhar fora o bastante para que um sentimento nada bom começasse a ser nutrido por mim com relação a ela.
- Então, eu queria perguntar se você queria dar uma volta pela cidade hoje. Sabe, para conhecer. Você anda meio sumido. — ela disse rindo e olhando diretamente para ele.
Senti uma forte indireta. Ela queria apenas ELE.
- Hã... Certo, Rachel... Mas, eu talvez tenha coisas para fazer mais tarde. Não poderemos demorar — Percy disse e olhou para mim como se dissesse: Precisamos terminar esse assunto.
Sorri de volta.
Rachel ainda estava parada, encarando Percy, quando o sinal tocou. Olhei para Percy e lhe lancei um olhar sugestivo, depois me levantei e segui para a sala. Talvez ele e aquela ruiva pudessem ter algum assunto específico para tratar. Não me importava. Afinal, Rachel era a típica "gostosa". E era por isso que os meninos a seguiam por onde ela fosse. Mas seu cérebro era do tamanho de uma ervilha.
Encontrei com Nico assim que entrei na sala. Ele estava carregando seus livros. Eu realmente amava ler, mas Nico amava ainda mais. Sua vida se resumia a livros. E eu gostava disso, porque ele era muito inteligente. Um ótimo colega de turma.
Não demorou muito, Percy entrou. E me olhou como quem dizia: Precisa ter me deixado sozinho com ela? Ri, apenas.
Nos sentamos e a aula fluiu normalmente. Era aula de química, e eu amava. Enquanto o professor explicava sobre ácidos e alcalinos, vi Percy tirar uma folha de seu caderno, dobrar, e colocá-la em minha mesa. Discretamente, desdobrei o papel e li: "Depois das 15h, na sua casa ou na minha". Tornei a olhar para ele, e vi que ele sustentava um olhar safado. Apenas revirei os olhos e ri. Percy riu também.
Escrevi no bilhete: "Na minha, não se esqueça de levar a foto". E entreguei para ele.
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