Happily Ever After
2 Injustice and new insights
Notas iniciais
Enxugou suas lagrimas com as costas da mão e olhou sobre a janela do quarto, coberta pela cortina de seda, observou seu no reflexo do vidro, o cabelo longo cacheado que Léon dizia que gostava, mas não parecia demonstrar isso, em um ato rápido, levou a tesoura que ainda segurava nas mãos e o cortou, um mecha longa caiu no assoalho de madeira, assim se sucedeu com o cabelo todo ficando mais ou menos na altura do ombro, os cachos quase se desfazendo, a deixando ainda mais triste, não se importava com isso, apenas pegou o cabelo do chão e o prendeu em um elástico deixando sobre a mesa de madeira do aposento, abriu a porta do armário abatido e com dificuldade desfez o laço de cetim de suas costas se desfazendo do vestido logo em seguida. O espartilho ainda se prendia em seu corpo e para retira-lo deveria pedir ajuda, o que não era apropriado naquele momento, e, assim, se contentou em ficar com ele e apenas vestir outro vestido, menos elaborado. Suspirou cansada olhando para o colo avermelhado e começando a ficar roxo em alguns locais devido a surra que tinha levado na semana anterior, porém os pulsos estavam piores, com a marca dos dedos de Léon ainda ali e com a pele danificada, como se estivesse arranhada.
Estava perdida em seus pensamentos quando viu Léon abrindo a porta com raiva, parecia que tinha esquecido que ela estava ali, porem ao vê-la seus olhos se arregalaram.
–O que você fez com o seu cabelo?- Perguntou com os punhos cerrados.
–Os cortei- Deu de ombros e apontou para as mechas sobre a mesa- Estão ali se você os quiser.
–Porque fez isso Violetta? Sabe que não deve fazer nada sem minha permissão- Segurou o braço dela com força a levantando da cama. Violetta tentou se soltar porém ele a apertou mais forte — Você só pensa em si mesma, apenas na sua vida e não nas coisas com as quais deveria se importar- Gritou, soltando-a de repente, e ela cambaleou para trás.
– Grande coisa, você é o que menos pode me julgar aqui! – gritou pela primeira vez enfrentando-o e deixando de tão fraca – Como se algum dia se importasse em prestar atenção em alguém em sua volta, está mais preocupado fazendo com que temam você a que ser admirado e idolatrado pelos outros.
Via-se fúria, surpresa e indignação nos olhos de Leon, nunca ninguém havia ousado enfrentá-lo daquela maneira.
–Quem você pensa que é para falar desse modo com seu marido?
– Sou alguém que está cansada de ter que aguantar pessoas que me fazem mal, que está cansada de ter que olhar para essa tua cara e fingir que esta tudo bem, e um dia eu não vou mais estar aqui para te apoiar quando você descer do seu pedestal. — Gritou ela saindo pela porta que, agora, se encontrava aberta.
Pasmo e cheio de fúria, Leon deixou que ela se fosse, pois se não, iria fazer uma enorme besteira.
Vários dias se passaram e chegou uma correspondência inesperada. Era um convite para o baile de noivado de Francesca e Marco, grandes “amigos” da família, pelo menos para Violetta, pois os Vargas os achavam inapropriados por serem humildes e generosos.
Leon foi que recebeu a correspondência e com certeza iria ao tal baile, pois queria manter as aparências. Ao notar a data do baile, foi avisar sua “mulher” para que se preparasse, já que a festa seria as 8 horas da noite e já eram 6 horas. Ao chegar em seu quarto falou, em um tom frio e desprezível:
– Se arrume, temos uma festa para ir, e esteja apresentável. — Logo depois bateu a porta.
Violetta que se encontrava de frente a janela, lendo um livro qualquer, suspirou e pôs-se a arranjar uma roupa “adequada”. Perante vários vestidos, um em especial lhe chamou a atenção. Era um vestido vermelho, que sua falecida mãe lhe dera ao completar seus 18 anos.
Terminou de se arrumar e ficou surpresa com as horas, eram 7h30min e provavelmente Leon estaria pronto e impaciente.
Desceu as escadas sem muito alarme e o encontrou encostado na parede e falou sem olhá-la e com sarcasmo na voz:
– Não sei pra que tanta demora já que estará do mesmo jeito em qualquer ocasião, ridícula.
Ao falar isso a olhou e se assustou com o que viu. Não podia negar que a mulher que se encontrava em sua frente estava majestosa, e mais bela que já vira, mas também não podia deixar de pensar que se em seus olhos ela estava assim imaginem nos olhos de outros. Tomou fúria pelo pensamento que teve, não iria se deixar ser mal visto, por outros homens admirando sua propriedade.
Leon sem deixar Violetta ter alguma reação a estapeou e a puxou de volta para seu quarto onde a tacou na cama e fez seu majestoso vestido em pedaços.
Violetta confusa e horrorizada olhou os trapos do vestido, que um dia fora belo e lembrou-se de quão valioso ele fora um dia, a última lembrança de um dos poucos presentes que sua mãe lhe dera.
– Você é um monstro sabe o quão importante ele era para mim?- Gritou com olhos marejados.
–Já se perguntou se esse tal vestido poderia lhe tirar sua dignidade? – rebateu com outra pergunta.
–A pouca que me resta? Se você por um acaso já não a dizimou de mim. E pode esquecer esse maldito baile para manter sua preciosa aparência, e saiba que isso não é tudo que tem que se ter.
Dito isso o empurrou do quarto, bateu a porta e trancou o mesmo.
–Violetta abra essa porta, nos temos que ir- Gritou esmurrando na porta com força.
–Chega Léon, eu não vou, como quer que eu vá? Vou aparecer com o rosto todo vermelho e com o vestido rasgado!- Lagrimas já escorriam dos seus olhos castanhos atormentados pela dor- Simplesmente consegue ir sem mim, eu não tenho importância para você- Cuspiu as palavras e se levantou da cama tirando do corpo o que restava do vestido ficando apenas de espartilho- E esse casamento vai ser melhor sem mim, se divirta com outras mulheres e beba o quanto quiser.
Dito isso Léon em um ato de raiva arrombou a porta entrando no quarto com os punhos cerrados, iria bater nela novamente, mas parou quando seus olhos a focaram somente de espartilho, ele nunca tinha a notado, seu cabelo agora curto deixava o seu rosto mais majestoso, seu corpo nas proporções adequadas, a cintura fina e o olhar doentio e frio, ao perceber que o mesmo a observava revirou os olhos e vestiu uma camisola rapidamente.
–O que foi?- Perguntou se virando para Léon e indo na sua direção.
Ainda hipnotizado pelo olhar que ela o lançava se amaldiçoava mentalmente por nunca tê-la notado, por ter sempre a chamado de ridícula e indesejável, que nunca seria uma mulher a seu alcance, mas ela era.
–Você é linda- Disse por fim com os olhos cravados nela.
Porem a garota caiu em uma gargalhada estranha e revirou os olhos com desprezo, cruzou os braços no peito e se aproximou ainda mais dele, viu que ele ficou rígido quando fez o ato, contanto ela parou.
–Eu sou ridícula esqueceu? “Não importa o quanto você se arrume sempre será horrível”- Repetiu as palavras que um dia ele disse a ela.
–Nunca esteve tão errado na minha vida- Coçou a nuca- Temos que ir, vista alguma coisa aceitável e partiremos- Resmungou a deixando sozinha no quarto em seguida enquanto ela sorria estranhamente.
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