Hans

7 Primeiro de Julho


Notas iniciais
Faz muito tempo desde que postei o último capítulo da fic. Não sei se mereço ser desculpado mas sei que devo desculpas. Eu venho passando por problemas pessoais, profissionais e de saúde. No último ano aprendi que mesmo que certas coisas não tenham cura. podemos nos esforçar pra seguir adiante. e mesmo que as pessoas que amamos não estejam por perto, nosso coração as tem. Nesse capítulo aprendemos mais sobre o passado de Elisabela, sua relação com as irmãs, e as dificuldades do a mor e da carreira na vida da mulher moderna. No desenho da capa tentei fazer Nahim, Agnes, Elisa, Miranda, Cristovão e Ana.


No ano em que as Gêmeas nasceram, uma banda chamada Legião Urbana lançou um álbum.

"A Tempestade".

A mãe das meninas, adorava ouvir em volume bem alto, especialmente a canção 1º de Julho *, feita para a cantora Cassia Eller também grávida aquela época.


O nome "A Tempestade" influenciou na escolha do nome das crianças, a primeira a nascer, Miranda, tinha os cabelos negros e lindos olhos azuis.

A mais nova de cabelos loiros platinados quase brancos, ganhou o nome de Elisabela, em alusão a Isabel Stuart*1 cujo casamento fora homenageado na Obra do Bardo Inglês.


E ambas as crianças desde muito cedo manifestaram possuir um raro Dom que poucos podiam imaginar. Sempre que se animavam ou se entristeciam,
grandes geadas e frentes frias se formavam sobre o Estado de Santa Catarina, para o pavor dos serviços meteorológicos.

Para ajudar a dominar seus Dons, as meninas eram constantemente levadas aos cuidados de sua avó paterna, a velha Marquesa de Oldenburgo, que
veio da França só para cuidar de suas netinhas.

Ela desenvolveu um grande afeto pela mais nova Elisa, que era tímida e insegura, ao contrario de Miranda, que era arteira e malcriada. E muitas foram as tardes em que a digníssima anciã de bochechas roliças e cabelos brancos como neve, ninava suas três netas sob um opulento tapete de lã de lhama, enquanto ensinava-as a controlar o frio através de histórias de uma certa "rainha da neve", que largou tudo, fugiu e se perdeu para se achar..

Certa vez, por ter dito a verdade e assumido a culpa de uma traquinagem ao qual sua irmã mais velha tinha sido acusada (Ela congelou o chão da sala para brincar de patinação e acidentalmente quebrou uma rara porcelana de Alentejo), a velha Marquesa se assentou perto das meninas e apresentou um lindo broche fixo a um pendante que estava na família a gerações.

Ela contou como sua bisavó o ganhou de presente de uma "Fada das Neves" ha muito tempo atrás, antes de presente-a la a pequena Elisa, para a surpresa da contrariada Miranda.

"Mas ela se comportou mal! Por que ela ganha presente enquanto eu vivo de castigo?"

"Por que você nunca assume a culpa do que faz de errado bobona!" Disse Ana, a mais velha das irmãs, enquanto dava uma esfregada nos cabelos negros da menina.

A pequena Elisa cresceu apegada ao presente, até o dia em que, enquanto o passava entre os dedos ouviu um clique e descobriu um pequeno retrato escondido dentro do broche!


De um lado, uma fotografia em preto-e-branco do casal mais lindo que ela já vira! A mulher aparentava ter os cabelos claros como os dela, ela sorria nos braços do Homem que tinha os cabelos mais escuros e um ar de melancolia. Do outro lado se via escrito no metal a frase "retrouvent à Paris", Na época ela ainda não sabia ler bem em francês... retrouvent? O que será? juntos talvez? Juntos em Paris?


Ela passava as tardes admirando o casal, sonhando como seria se a menina da foto fosse ela. Era a mulher mais linda que ela já tinha visto.

E foi numa tarde que aconteceu. Após uma longa chuva, ela e sua irmã perceberam o tom dourado do sol poente que iluminava o caminho do canal, não muito longe de onde moravam. A chuva havia expulsado qualquer um da fria praia e elas de pronto foram ao quarto de Ana que aproveitava o dia chuvoso de sábado para dormir.

"Ana!"

"..."

"Ana, acorda!"

"hunn?"

"Ana, o céu acordou e nós também. A gente tem que brincar!"

Como não podiam sair sem supervisão, (E em hipótese alguma mostrar seu Dom em público) As meninas não podiam sair sem os Pais ou a irmã mais
velha, Ana.

Ana era "normal", ou seja sem poderes, mas isso não significa que não fosse uma menina especial por si só. Mesmo com a pequena diferença de
idade já tomava conta das irmãs como se fossem suas filhas. Ela sempre foi uma menina muito esperta pra idade e desde cedo aprendeu a impedir que suas irmãs se metessem em confusão.

E fora que ela amava vê-las brincando na neve. Neve, algo tão raro onde viviam e que suas irmãs criavam com tanta facilidade. Elas desceram pelo canal até a praia, o tom do sol baixava para lumes mais avermelhados enquanto Ana tomava as devidas precauções para se acertar que nenhum transeunte passava por perto.

A praia era fria e deserta, e as areias se espalhavam com o vento. As duas meninas sorriram e fecharam os olhos paradas com as palmas das mãos abertas.

"Agora!"

O vento parou. Ana tirou a capa maravilhada com o silencio que se fez ouvir. O mar chiava cada vez mais baixinho, serenado pelos flocos brancos de neve que desciam das nuvens baixas.

Um brilho branco azulado se formou enquanto as crianças corriam, formando montes de neve branca por onde escorregavam como tobogãs.

Ana Elisa e Miranda sorriam. Juntas elas fizeram um boneco de neve.

"O nome dele é Olavo e ele gosta de abraços quentinhos!" Ana e Elisa sorriam.

"Bah, prefiro que ele seja maior e se chame marshmallow!" Disse a pequena Miranda. Conjurando uma grande bola de neve e tacando direto nas duas.

A bola estourou derrubando a cabeça do boneco enquanto as irmãs corriam sorrindo e juntando neve nas mãos.

A medida que o vermelho do sol poente intensificava, a disputa das irmãs se tornava igualmente mais e mais intensa.

Ana teve um mal pressentimento quando Miranda conjurou montes de gelo por debaixo dos pés de Elisa que saltava cada vez mais alto.

Com medo que aquela brincadeira acabace de forma trágica, Ana saltou e segurou Miranda. que gritou um grande "Ei!" e soltou um raio de gelo pelas mãos que, se não fosse o rápido reflexo de Ana, teria congelado a cabeça de Elisa, que caiu na dura areia congelada.

Ambas correram preocupadas. Elisabela estava de olhos fechados. Miranda foi a primeira a alcançá-la, Ana estava em pânico quando uma sensação gélida a envolveu pelos pés.

Era o mar.

Uma corrente surgiu trazendo vento e desfazendo toda a neve como se fosse um castelo de areia. Ana correu até a pequena Elisa ainda caída e a retirou do chão antes que uma recém chegada vaga de espuma e água gelada as puxassem a ela e sua irmã gêmea.

Elisa acordou ainda nos braços de Ana, e sentiu o corpo encharcado, ela porem sentiu outra coisa.

Algo lhe faltava.

"Meu broche!" Ela gritou ao perceber que o pequeno objeto de metal já não estava no seu pescoço. "O que aconteceu com o meu broche?"

"E-eu não sei. Acho que o mar levou!"

"Não! não! foi o presente da vovó! Ana vamos voltar temos que achar meu broche!"

"Vem vindo alguém!" Disse Miranda.

"Não Elisa você quase se machucou e a maré está subindo rápido, vamos pra casa"

"Você não entende o broche... o broche é..."

O broche foi uma perda dolorosa para a menina. Que passou a caminhar todos os dias pela praia procurando.

O que ela não suspeitava era que aquele hábito um dia, faria com que ela encontrasse, não um broche, mas uma garrafa. Uma garrafa cujo mistério a guiaria por através do o tempo.

*********************************************

–Acaso tu já perdeste algo ou alguém que não pudeste mais reverter?

–Como? — Disse Elisabela saindo de seu estado absorto em lembranças.

–Perguntara se acaso tu já perdeste algo ou alguém para sempre? — Disse Ben Naim com o velho livro aberto sobre a mesa.

–Hans Westergaard... Ou melhor dizer Hänsel Westergaard foi, sobretudo, o simbolo de uma vida de perdas. Ele pois, perdera a mãe ao nascer, perdera a paz ao crescer e perdera a memória ao ser propositalmente apagado dos anais da história! Eu me pergunto que tipo de crime pode este homem ter cometido para ser tão detestado pelos seus, ao ponto de que hoje mal há registro em livros ou mesmo na internet, sobre este misterioso príncipe esquecido?
Ele sorriu por debaixo dos bigodes. Coçou o nariz e pôs se a continuar.

–Elias Davidovitch fora um genial Russo naturalizado brasileiro que, dentre outras coisas, redigira as primeiras traduções de Freud, Zweig e Dostoievsky para português que eu lera. E também traduzira os "Contos do bom Rabi" os quais figurava um interessante conto sobre o Imperador Ferdinando da Áustria no Gueto de Viena, posso dizer, ora pois, que ele inspirou-me em muito a tornar-me eu mesmo um tradutor nas horas vagas.

Um atendente aproximou-se uma travessa de biscoitos amanteigados em uma mesa próxima. O aroma de camomila fez Elisa notar ele começava a
servi-los. Ela fez uma cara contrariada e levantou as mãos para declinar afirmando que não iria demorar-se quando, tomando a jarra e servindo-a ele mesmo, Ben Naim a coagiu a aceitar o chá e ficar mais um pouco. O bom Judeu permaneceu seu monólogo.

–O que poucos sabem, porém, é que esse conto do Nobre no gueto tem uma versão diferente para cada gueto judeu de cada reino da Europa. E me lembrei de uma em especial que me chamara a atenção nos tempos em que eu estudava as descendentes dos Sefarditas*3 ibéricos que viviam no Norte da Europa. Naquele tempo fiquei sabendo sobre a lenda do pequeno Hänsel, o Príncipe Judeu do gueto de Copenhague...

–Atrapalho? — Disse uma linda morena de olhos verdes corpo escultural que se aproximava da mesa.

–Agnes, minha criança! — Disse Ben Naim sorrindo.

–Tu viste o recado que eu deixei para ti, que bom! Essa é Elisabela a jovem de quem eu estava a te falar. Srta. Elisabela, Esta é Agnes Leibowizt, minha Achianít.

–Muito Prazer!

Nesse momento Elisa lembrou-se da garrafa. Levantou-se e cumprimentou Agnes com um aperto de mão.

–I-igualmente!

–Meu tio estava me falando de seu achado.- Ela disse sorrindo e sentando-se ao lado de Ben Naim disse.

–Tenho notícias sobre o que me pediu. — Ela disse enquanto abria a bolsa e retirou uma pasta de couro. Ben Naim a examinou.

–Ótimo, muito obrigado minha criança!

–Foi difícil conseguir, O quadro hoje faz parte de uma coleção particular. Oficialmente eu nunca tirei essa foto, certo?

–Mas é claro minha cara! Grato! Esta é a capa que me faltava a meu manuscrito. Um autêntico Wyndham Phillips(*2) do século XIX!

Meio que deixada à margem, Elisa sorrateiramente preparava uma desculpa para se retirar. Ela já tivera movimento e pessoas pra uma noite,
não, um mês inteiro.

–Eu entendo que estejas apressada em retirar-te jovem. — Disse Ben Naim sem tirar os olhos do conteúdo da pasta.

–Por isso quero que fiques com este livrinho. Nele acharas informações acerca do homem a quem falávamos.

–O-obrigada mas eu não...

–Bobagem menina, cá, tome este livro contigo e me devolve quando vierdes trazer a garrafa que achaste, ficarei em muito grato de saber o que
está em seu conteúdo, bem como a história por trás de seu achado.

Disse isso fechando o livro e pondo-o em frente ao lugar em que Elisa se sentava.

–Por que não mostra a ela o retrato tio?- Disse Agnes levemente constrangida pelo ar espirituoso de Ben Naim — Já que é de interesse de
ambos?

–Oh, é verdade onde eu estava com a cabeça. Cá menina, veja isto!

Ele pôs se a abrir a misteriosa pasta e puxou uma fotografia.

–Não senhor eu realmente não...- Disse Elisa tentando devolver o livro, quando ao ver a foto na mão de Ben Naim congelou.

–Esse é o único retrato conhecido do príncipe já adulto! Uma raridade impar!

Nas mãos do judeu, um retrato de um homem de cabelos ruivos se via. Elisa permaneceu paralisada, olhos arregalados a fitar enquanto
sussurrava.

–Eu... Eu conheço esse homem!

*****************************************************************************************************************

O caminho para a festa foi estranho para o casal. A revelação da suspeita de Ana de que sua irmã tivesse sentimentos por Criss causou um
clima estranho e desconfortável.

Ana não disse mais nada, permaneceu em silencio enquanto dirigia. A noite apresentava um estranho nevoeiro que borrava as luzes da rua.

Criss só pensava em sua vida ao lado de Ana, em como no último ano eles tem se visto cada vez menos, muitas vezes por ela trabalhar até
tarde ou cancelar um compromisso por conta do trabalho. Pouco a pouco ele se via na esquina da casa dela esperando com Sven, seu melhor
amigo, enquanto Ana estava ocupada com algum problema no telefone. Ou simplesmente quando conseguia marcar um compromisso, descobria que
Ana não estava presente.

Mais ou menos nessa época que começaram os problemas com Miranda, que aproveitava essas ocasiões para "dar em cima" no pobre Criss. Ele se
perguntava se ele tivera algum peso no fato da jovem certa manhã ter decidido "ver o mundo" e saído de casa sem mais.

A outra gêmea, Elisa, era bem mais tranqüila de lidar. No início ela se encolhia e evitava ficar na presença dele, mas aos poucos eles
começaram uma tímida, porém sincera, aproximação.

Na época em que Elisa se formou, os pais de Ana viajaram. Ele e Ana tinham planos de escalar o pico das agulhas Negras ou quem sabe conhecer
as geleiras da Patagônia na baixa temporada. Ele até pensou em convidar a pequena Elisa, já que a menina parecia ter poucos amigos.

Foi quando Ana sumiu.

Uma viagem para resolver uma emergência no exterior, eles disseram. Ele se viu só, deixado para trás. Foi nessa época que seu relacionamento
com Elisa, que também se sentia meio abandonada, melhorou muito.

Eventualmente ele aprendeu que os Pais das meninas viviam ocupados com assuntos profissionais, e era Ana quem, por amor, se propunha assumir
as responsabilidades pelas irmãs. Principalmente com a problemática Miranda, esse espírito batalhador formou um ser humano que corre atrás
do que quer e faz as coisas motivada por suas paixões.

Ele riu.

Era esse tipo de espírito que o fez tão apaixonado por Ana.

–Chegamos... — Disse Ana estacionando.

No elevador para o salão onde a festa Anual da editora acontecia, ele percebeu os olhinhos aflitos de Ana. Cris passou delicadamente as mãos
pelas costas da namorada e disse serenamente.

– A super Ana que viajou pra gringolândia pra enfrentar executivos mau humorados não está com medo de uma festa, está?

– Seu bobo! — Ana sorriu de volta, estava nervosíssima e nem ela sabia direito porquê, apenas sentia que algo ia acontecer naquela noite.
Mulheres tem impulsos que são difíceis até para elas entender.

Na festa, Criss se sentia um peixe fora d'água. Os assuntos das conversas o intimidavam. As meninas dos fan-clubes (boa parte da fonte de
informação de demanda da editora vem deles) pareciam criaturas de outro mundo pra ele. O ar brincalhão das colegas de trabalho de Ana para
com ela o deixavam desconfortável, pois ele não sabia como se comportar em um ambiente formal, quanto mais ele que nada sabia de livros ou
editoras.

Ele sentou-se o observou-a. Ela estava linda de vestido. Ele pôs a mão no bolso e começou a cutucar uma caixinha que trazia lá.

Criss sentia que, como homem, devia tomar a atitude certa para salvar seu relacionamento. Ele já tinha tudo planejado e essa noite, esse
ambiente, tudo se arrumava perfeitamente.

Ana sorria com um par de taças nas mãos enquanto caminhava para onde Criss estava. Ela sorriu e ele sorriu de volta. Ele levantou, puxou a
caixinha púrpura do bolso e começou a preparar o que dizer quando as luzes diminuíram sua intensidade e o som estridente de um talher
batendo em uma taça ecoou pelo salão.

No alto de uma bancada improvisada sob o bufê, Jorge Oakim, editor chefe, pedia a atenção de todos.

–Desde que foi criada, em 2003, a editora Intrínseca coleciona acertos, como "A menina que roubava livros", que nós compramos de um então
ilustre desconhecido em Frankfurt e que nos rendeu mais de 1 milhão em vendas!

Todos começaram a aplaudir. Ana virou-se e Criss, contrariado pôs o objeto no bolso.


–Desde então, o mercado brasileiro passou a reconhecer o nome da Intrínseca e hoje somos um dos big five grupos editoriais do país. Por
nosso compromisso em buscar livros escritos com excelência, que tenham uma voz diferente e que atraiam leitores dos mais diversos cantos do
país. Mas a concorrência é acirrada e o espaço no mercado é estreito como as prateleiras das livrarias.

Ele voltou-se para a cortina que converteu-se em uma tela graças a um dos projetores instalados no teto. Lá vários títulos de livros eram
visíveis enquanto ele fala.

–Nós conseguimos a conta de "Toda Luz Que Não Podemos Ver" de Anthony Doerr, finalista do National Book Awards, um livro emocionante, de
narrativa imbatível! (Sessão de Aplausos)

–Conseguimos também Títulos como "Pax" de Sara Pennypacker um livro que, na minha opinião, tem todos os elementos de um Clássico
instantâneo! (Mais Aplausos)
–Mas esperem só! Que eu ainda não falei do melhor! Nossa Editora conseguiu derrubar todas as outras e faturar a conta do “The girl before”
em Frankfurt! O livro que alguns analíticos chamam de "O Livro da Feira" por conta do que causou e vem causando! he he! (Mais aplausos agora
com todos de pé)

Ele levanta um dedo como quem pede um momento e vasculha o salão com os olhos, como se procurasse alguém.

–Essa obra, Cuja identidade do autor é um segredo por nós guardado a sete chaves, é diferente de tudo que vocês já viram! Imagine uma
história, narrada através de duas personagens. Cada um em um período de tempo distinto, uma época diferente. E onde um clima de mistério faz
o leitor embarcar numa jornada que o envolverá e o mergulhará no passado a medida que o mistério se mistura ao presente! E é para essa conta
em especial que eu chamo aquí Ana Oldenburgo Nossa mais nova sub diretora!

Todos aplaudem quando Ana sobe à bancada, ainda com as duas taças em mãos, e emocionada a agradecer balançando a cabeça. O sagaz editor
porém continua a falar, agora em tom mais severo.

–Senhoras, senhores. As coisas estão ficando difíceis nesse país. E a crise vai afetar os negócios em todas as áreas. É nesse momento que
nós, como uma das mais jovens editoras da cidade, vamos fazer nosso movimento em direção às lideres de mercado do eixo Rio-São Paulo.

Ele voltou-se para Ana.

–Ana, você aceita se tornar diretora adjunta responsável pelo novo escritório a ser aberto na cidade de São Paulo, e negociar diretamente na
Capital editorial? Tendo total autonomia naquela praça?

Ana largou as duas taças no chão e tapou a boca emocionada. Os olhos em lágrimas. Foi nesse momento que uma sombra gélida acertou o coração
de Criss. E ele compreendeu tudo.

Os sons do salão abafaram. Ele já não ouvia mais nada. Mesmo o discurso que Ana fazia, emocionada, lo parecia inaudível. O mundo se
contorceu e o tempo se distendeu, ele sentiu como se tudo acontecesse em câmera lenta.

Ele conhecia Ana como poucos, e sabia qual seria o destino dela. Ana era talentosa, ambiciosa, seria uma mulher a realizar grandes façanhas
em sua geração. Um sorriso triste se formou em seus lábios.

She will be loved (LEG) (Autor: Maroon five)

Beauty queen of only eighteen
(Rainha da beleza de apenas 18 anos)

She had some trouble with herself
(Tinha alguns problemas com si mesma)

He was always there to help her
(Ele sempre estava lá para ajudá-la)

She always belonged to someone else
(Ela Sempre pertenceu a um outro alguém)

Quem era ele para se colocar como uma pedra no meio do caminho dela?
Ela que sempre fora tão independente, desde pequena, quando cuidava das irmãs?


I drove for miles and miles
(Eu dirigi por milhas e milhas)

And wound up at your door
(E acabei na sua porta)

I've had you so many times but somehow
(Eu tive você por tantas vezes Mas de algum jeito)

I want more
(eu quero mais)

Ele se levantou e pôs se a caminhar. atrás de si as pessoas ainda aplaudiam e a sua volta o rosto lindo de sua amada encharcado de lagrimas
reluzia nos projetores. Ele tira do bolso uma caixinha aveludada, como um porta joias. E falava alguma coisa consigo mesmo.

I don't mind spending everyday
(Eu não me importo de passar todos os dias)

Out on your corner in the pouring rain
(Lá fora na sua esquina debaixo da chuva)

Look for the girl with the broken smile
(Procure a garota com o sorriso partido)

Ask her if she wants to stay awhile
(Pergunte a ela se ela quer ficar)

And she will be loved
(E ela será amada)


She will be loved
(Será amada)

E assim Cristovão lembrou-se, quase que por acado de uma conversa que teve com Elisa a tempos atrás...

–Se você e suas irmã eram tão próximas, não te chateia que ela esteja longe?- Perguntou para Elisa enquanto esta acariciava o pescoço peludo
de Sven, O Enorme Vira-latas de Criss.

A menina sorriu um sorriso quebrado e, tomando coragem, respondeu.

–Eu me chateio, mas se tem uma coisa que eu conheço dela é que Ana sempre está disposta a sacrificar o que quer, em detrimento de quem ela
ama.

Ela olhou Criss nos olhos. Seus olhos brilhavam.

–Minha irmã sacrificou muito da juventude dela por nossa causa. Eu sei que se eu pedisse ela sacrificaria tudo que ela conquistou e
conquistará para estar do meu lado e... eu...

Ela começou a lacrimejar. Desculpou-se e saiu. Sven olhou Criss com ar de desaprovação

Tap on my window knock on my door
(Dê um toque na minha janela, bata na minha porta)

I want to make you feel beautiful
(Eu quero fazer você se sentir linda)

I know I tend to get so insecure
(Eu sei que costumo ficar muito inseguro)

It doesn't matter anymore
(Isso não importa mais)

It's not always rainbows and butterflies
(Nem sempre são arco-íris e borboletas)

It's compromise that moves us along, yeah
(É o compromisso que nos faz seguir adiante)

My heart is full and my door's always open
(Meu coração está cheio e minha porta sempre aberta)

You can come anytime you want
(Você pode vir qualquer hora que você quiser)

Naquele tempo Criss não compreendeu, mas agora tudo está claro! Ana tinha um futuro brilhante pela frente, um futuro que ela abriria mão se
se tornasse esposa de um cara como ele, que não sabe fazer planos, que aje por impulso e que acabara de vender tudo que tinha para comprar o
par de alianças de noivado que repousava dentro da caixinha em sua mão.

Ele olhou uma última vez para o rosto de Ana. Seu nariz estava vermelho e seus olhos brilhavam em contraste com os cabelos de cor morango.

Por um momento suspenso seus olhos se cruzaram, e ela o viu já no elevador...

I know where you hide
(Eu sei onde você se esconde)

Alone in your car
(Sozinha no seu carro)

Know all of the things that make you who you are
(Sei todas as coisas que fazem você ser quem é)

I know that goodbye means nothing at all
(Eu sei que adeus não significa nada)

Comes back and begs me to catch her every time she falls
(Volta e me pede pra que a segure toda vez que ela cair)


Tap on my window knock on my door
(Toque na minha janela bata na minha porta)


I want to make you feel beautiful...
(Eu quero fazer você se sentir linda...)


I don't mind spending everyday
(Eu não me importo de passar todos os dias)

Out on your corner in the pouring rain
(La fora na sua esquina debaixo da chuva)

Look for the girl with the broken smile
(Procure a garota com o sorriso partido)

Ask her if she wants to stay awhile
(Pergunte a ela se ela quer ficar)

And she will be loved

And she will be loved

And she will be loved

And she will be loved


Ele colocou os anéis de noivado no bolso quando a porta do elevador começou a fechar. Ana percebeu que algo estava errado...


Please don't try so hard to say goodbye
(Por favor, não se esforce pra dizer adeus)

don't try so hard to say goodbye
(Não se esforce pra dizer adeus)

E no momento em que a porta se fechou, ambos perceberam, que uma porta se fechara em suas vidas... Por que se tem algo que ele aprendeu com
ela sobre o amor, é que Amor é desejar tudo que você sempre quis mas sabe que nunca vai conseguir ter...

...para a pessoa amada.

Notas finais
* Versão acústica rara *1 Tambem conhecida como "A Rainha do Inverno" ou "Rainha dos corações". Por sua belza e carisma com o povo. *2 Henry Wyndham Phillips, filho do famoso retratista Thomas Phillips, seguiu a profissão do pai tendo sido responsável por retratar importantes figuras do século XIX. Foi secretário executivo da Artists’ General Benevolent Institution. Uma instituição fundada para ajudar artista em necessidade. *3 A linhagem dos Sefarditas define os Judeus de Origem ibérica que se espalharam pela europa e américas durante os expurgos dos sec. XV e XVI.