Halo
1 Eve e Varia
Notas iniciais
Uma semana tinha se passado desde a viajem ao Japão. Gabrielle ainda não tinha se acostumado coma ausência de Xena. Ela ainda estava ali, por perto, mas já não era como antes.
Xena era apenas um fantasma, um espírito. Não possuía corpo. Estava morta.
Tudo tinha sido muito rápido... A chegada do mensageiro de Akemi, a viajem para o Japão, o incêndio em Higuchi, Xena lhe ensinando o pinch, a batalha, a morte de Xena... O reencontro e a descoberta da morte de sua alma-gêmea... A luta contra o samurai para recuperar o corpo de Xena, a ida até o monte Fuji, Xena lutando contra Yodoshi, a tatuagem que Akemi tinha lhe feito a protegendo, o beijo final, e Xena impedindo Gabrielle de jogar as cinzas na fonte.
Aquele foi o maior choque, a maior dor que Xena lhe causara até ali. Como ela podia deixar Gabrielle para trás? E todos os planos de viverem juntas até se tornarem bem velhinhas, vendo Eve criar uma família... Não era justo!!! Gabrielle precisava de Xena, como sempre tinha sido: do lado dela, rindo, brigando, lutando, salvando vilas, viajando... Xena simplesmente não podia estar morta! Não podia! Elas haviam superado a morte tantas vezes antes, por que daquela vez Xena não podia voltar triunfante para seus braços?
Não era justo! Era tudo culpa de Akemi!!
Gabrielle estava perdida em seus pensamentos, que eram divididos entre um grande ódio por Akemi e uma imensa saudade de Xena. De repente, ela ouviu um barulho bem ao longe, de um cavalo se aproximando. Seu coração disparou, todos os sentidos alertas, esperando um inimigo atacá-la. Ela pegou seus sais, ficando em posição de alerta.
O som foi se aproximando, e por ouvir duas vozes, Gabrielle concluiu que eram duas pessoas se aproximando. Eram duas mulheres. Um pouco antes de aparecerem, Gabrielle já sabia quem eram: Eve e Varia.
-Gabrielle? Que surpresa encontrá-la aqui!
Varia disse quando entrou na clareira.
-Gabrielle! Onde está minha mãe? Ela está caçando?
Gabrielle olhou para Eve, com a garganta apertada. Não conseguia falar; o choro tentava romper a máscara de fortaleza que Gabrielle tinha construído.
-Gabrielle, onde está minha mãe?
-Eve... Ela... Nós fomos ao Japão.
A voz de Gabrielle saía de forma dolorosa.
-Xena morreu para derrotar um demônio, e eu devia jogar as cinzas dela numa fonte, para que ela voltasse à vida quando acabasse com Yodoshi. Mas ela não me deixou fazer isso... Se ela voltasse à vida, 40000 almas estariam condenadas!
Gabrielle desabou em choro, Eve fez o mesmo. Varia abraçou a filha de Xena.
-Você está mentindo! Minha mãe não pode estar morta! Não tem como! Vocês duas já ficaram mortas antes... Vocês ficaram congeladas por 25 anos! Como minha mãe pode ter morrido? Gabrielle, me diz, por favor, me diz que isso é mentira!!!
-Calma, Eve, por favor! Acho que isso é tão doloroso para Gabrielle quanto para você!
-Eve, me desculpa! Eu deveria ter ignorado o pedido dela, ter jogado as cinzas na fonte, eu sei e eu me culpo por isso... Mas infelizmente não é mentira, eu nunca brincaria com uma coisa dessas...
As lágrimas escorriam pelos olhos de Gabrielle.
Varia segurou a mão de Eve.
-Eve, vamos embora. Eu sei que isso foi um baque para você, mas não tem nada para ser feito. Precisamos chegar em Roma o mais rápido possível, você sabe.
Eve concordou com a cabeça, as lágrimas ainda caíam furiosamente.
-Gabrielle, as cinzas estão com você? Eu quero ver minha mãe, nem que seja assim...
Gabrielle ergueu a urna oval onde estavam as cinzas.
Eve pegou as cinzas de Xena, e deu um beijo delicado na urna.
-Mãe, me desculpa por tudo o que eu fiz para você quando eu era Lívia... Eu te amo tanto, mãe... Que o Deus Único proteja a sua alma!
Uma lágrima final escorreu dos olhos de Eve. Ela devolveu a urna para Gabrielle, e deu um abraço na alma-gêmea de sua mãe.
-Gabrielle, por favor, seja forte, em nome da memória de minha mãe!
Varia se aproximou de Gabrielle e lhe deu um abraço.
-Imagino como isso é difícil para você! Eu me lembro de quando minha irmã morreu... Seja forte, Gabrielle!
Varia soltou Gabrielle e voltou para o lado de Eve, passando o braço por seus ombros. Ela pegou as rédeas do cavalo que antes montavam e saíram para a escuridão da floresta.
Gabrielle ficou em silêncio, as lágrimas caindo silenciosas.
Fale com o autor