Halo
2 Saudade do seu amor
Fazia três horas desde que Varia e Eve ficaram sabendo da morte de Xena. Gabrielle estava deitada de olhos fechados, mas não conseguia dormir.
O sono que ela tinha nos últimos dias era rápido, tumultuado, povoado de pesadelos com o corpo sem cabeça de Xena.
Cada dia que passava, ela se sentia mais oprimida pela falta que Xena fazia em sua vida.
De vez em quando, o espírito de Xena aparecia para confortá-la, e isso era um alívio parcial. Elas até podiam se abraçar, se beijar, mas não havia calor humano. O espírito de Xena era frio, apesar de seu sorriso ser sempre belo e cheio de amor por Gabrielle.
A fogueira do acampamento estava se apagando, e Gabrielle percebeu que a intensidade luminosa diminuía rapidamente. De muito mau-humor, Gabrielle se levantou, para colocar mais lenha na fogueira.
Como de costume, ela se apoiou no braço esquerdo, e com o braço direito, tentou alcançar a mão de Xena. Sua mão não encontrou nada, e ela logo se lembrou da razão.
-Droga de costume que não se perde!
Ela levantou, reclamando com si mesma, tentando controlar as lágrimas que ameaçavam rolar.
O espírito de Xena a observava de um limbo. Era um local semelhante àquele que Ares a havia aprisionado parcialmente no desafio contra Mavican. A diferença é que quando Xena saía, ela podia se encontrar com Gabrielle.
Ela havia acompanhado o aparecimento de Eve e Varia, e havia ficado feliz por ver sua filha viajando com uma das amazonas mais notáveis que ela havia conhecido. Mas o sofrimento de Eve havia causado menos dor que o sofrimento de Gabrielle.
-Gabrielle, me desculpa por ter te deixado para trás, meu amor... Se você soubesse o quanto eu sinto a sua falta...
O limbo parecia se abrir, e Xena saiu de sua prisão etérea. Ela entrou no acampamento de Gabrielle, esperando que ela voltasse.
Os passos vacilantes de Gabrielle emitiam um som que fez Xena sorrir. Ela estava voltando...
Gabrielle entrou na clareira, com uma pilha de galhos nos braços. Inicialmente, ela não viu Xena, mas quando a viu, deixou os galhos caírem de seus braços e foi se jogar nos braços de Xena, mesmo sabendo que não seria como era antes.
Xena já esperava essa reação, e abraçou Gabrielle com toda a paixão que podia.
-Gabrielle, estava com tanta saudade de você...
Xena beijou os cabelos loiros de Gabrielle.
-Xena, eu também... Você não sabe a falta que está fazendo em minha vida... Por que você não fica aqui o tempo todo?
-Gabrielle, se eu pudesse, eu ficaria aqui, mas não posso. Quando eu mais quero estar do seu lado, meu espírito é sugado de volta para o limbo.
Xena apertou Gabrielle contra seu corpo.
-Ah, Gabby, Gabby, como eu queria ter deixado você jogar as cinzas na fonte da força...
Gabrielle soluçou, se lembrando do momento que Xena se condenava à morte definitiva.
-Xena, por que você fez isso comigo? Eu preciso tanto de você...
-Gabrielle, isso era o que tinha que ser feito. Se você soubesse como eu também me arrependo de ter te deixado para trás... Nem mesmo pude te dizer tudo o que eu queria.
As duas se encararam, ficando um longo tempo em silêncio.
Gabrielle foi a primeira a fazer um movimento para romper a quietude incômoda. Ela se aproximou o máximo que pode do espírito de Xena, e a beijou, colocando todo o seu amor, toda a sua saudade, todas as coisas que sentia por Xena.
Xena respondeu ao beijo, e elas ficaram ali, juntas, por um tempo indefinível, quando Xena sentiu que seu corpo ia ser sugado para o limbo, de novo...
-Gabrielle, eu estou indo! Eu realmente queria ficar, mas não dá. Ah, como eu estava com saudade do seu amor, como eu estava com saudade de ficar com você, no acampamento...
Ela pegou a mão de Gabrielle, seus dedos se entrelaçaram, em um gesto que simbolizava toda proteção, toda a força que uma encontrava na outra... O espírito de Xena foi aos poucos desaparecendo, e em instantes, Gabrielle segurava apenas o ar em sua mão.
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