Halian Lands
1 Prólogo
Notas iniciais
Liane estava sentada em um banquinho, atrás de um balcão qual havia na loja que ela trabalhava. Era uma pequena loja de antiguidades e raridades, bem velha, administrada por um suíço que era chamado de Mr. Gold ou Sr. Gold. Ele tinha uma barba rala, cabelos que chegavam ao final do pescoço e portava uma bengala com uma pedra de âmbar no topo. Ele disse em uma voz alta e clara:
—Liane, estou indo um café no Nylion. Não toque em absolutamente nada. Sério. Se tocar seu salário poderá cair drasticamente.
Ele saiu pela porta cantarolando. Quando ela não conseguia ver mais ele, soltou um sorriso, levantou de seu banquinho e começou a remexer nas coisas. Aquela loja de antiguidade era deveras fascinante para ela e para os habitantes de sua pequena cidade. As coisas que eram exibidas eram encantadoras, como por exemplo, uma pequena varinha feita de mármore com runas estranha gravadas. Ela começou a tocar as runas, mas rapidamente se desinteressou. Já havia explorado tudo que estava exibido. Estava hora de ir para o que estava escondido. Abriu a porta do galpão qual ficava ao lado de um armário cheio de estatuetas moldadas em cobre, e entrou. Lá dentro, era escuro. Muito escuro. Em cada canto, havia alguma coisa: Arma, varinha, cajado ou pedra. No centro, havia uma pequena pedra, roxa, irregular, com uma runa gravada. Ela emitia luzes que mantinham o lugar ao redor dela, iluminado. Foi a primeira coisa que Liane notou. Tocou levemente a pedra. Era quente, e a menina afastou a mão. Então, tomou coragem e a pegou nas duas mãos. Estava quente, mas transmitia uma boa sensação. Liane ficou parada por alguns segundos, segurando aquela pedra... Ou talvez minutos. Estava em transe. Quando acordou do mesmo, ficou assustada com o ambiente que estava, já que foi hipnotizada pelas multicoloridas luzes que a tal pedra emanava com vigor. A pedra escorregou de suas mãos e caiu no chão. Um barulho estridente foi emitido, que fez Liane lacrimejar. Uma pequena chama surgiu dos estilhaços. O primeiro pensamento dela foi “O Gold vai me matar”, mas logo notou a chama de origem misteriosa. Ela ficava indefinidamente maior, e ela jurou que havia um ponto negro dentre aquele fogo. Quando ele ficou maior que ela, ela definitivamente viu um buraco que levava para o nada dentre as chamas. Afastou-se levemente, mas a força de atração que aquele inexplicável vórtice emitia era quase que impossível de resistir. Ela foi capturada pelo encanto que a chama expelia e pela atração do vórtice, qual começou aos poucos a fisgar a existência dela. Em alguns minutos, ela já não mais estava na Terra.
Liane acordou em um lugar desconhecido. Uma floresta, de árvores com folhas negras. O chão era de terra seca e a grama era cinzenta, qual como queimada, como se tivesse acontecido um desastre ou um incêndio em tal local. Ela levantou-se apreensiva, e olhou ao redor. Era tudo devastado. As árvores transmitiam uma sensação de medo, tristeza. Ela se encolheu de frio, e começou a andar, procurando algum abrigo. Sentia-se estranhamente calma para quem estava em um lugar desconhecido. Mas continuou andando.
Depois de algum tempo, sentiu uma coceira atrás das orelhas. Começou a coçar elas, e notou algo estranho: Suas orelhas estavam diferentes. Mudadas. Pontudas. Ela começou a respirar profundamente. Agora estava agitada. Continuou andando, mas agora com medo. Aquela floresta mexia com ela. Dentro da alma. Avistou uma casa ao longe. Estava meio desabada, mas servia como abrigo temporário. Ela quase deu graça a Deus e adentrou a casa. Mesmo que parecendo abandonada, um leve cheiro de canela impregnava o ar. Fechou a porta. Algumas coisas lá eram recentes, tais como: Uma xícara com algum líquido estranho morno. Quando viu isso, se arrependeu de ter entrado lá e se virou para abrir a porta. Só que agora, a porta já estava aberta, e tinha uma mulher olhando fixamente para ela. Mais alta que ela, provavelmente mais velha. Ela vestia um longo vestido flamejante e asas de libélula eram vistas em suas costas.
— O que faz em minha casa, elfa? —Disse friamente, mexendo os lábios carnudos com batom preto. Seus dentes eram tão brancos que provavelmente serviam como refletores.
—Elfa?... Eu... Eu sou uma humana! Elfos não existem! —Disse desesperadamente Liane.
— Tanto faz — Falou a moça. Empurrou a menina para o lado e bateu as asinhas. Tirou das dobras de seu vestido, magicamente, um longo cajado, que bateu no chão, deixando a casa totalmente nova, como se tivesse acabado de ser construída. — Então, de onde você veio, “Humana”?
— NÃO ME CHAMA DE HUMANA! SÓ EXISTEM HUMANOS!
— Então explique minhas formosas asas de libélula. —A mulher do vestido de fogo piscou os dois olhos da cor do mel. Liane, apreensiva novamente, umedeceu os lábios.
— Fantasia?
A dona da casa bateu as asas sem mover um músculo.
— Ok, não é fantasia — Ofegou Liane
— De onde você veio?
—Da Terra! — Gritou Liane.
—... Você é uma elfa. Não pode ter nascido na Terra.
— EU NASCI NA TERRA! EU SEI QUE EU NASCI LÁ!
—Qual seu nome, e sua idade? — perguntou a fada, ou é o que Liane presumia que ela era.
—Liane, dezessete anos. E seu nome?
— Lira — Murmurou a fada, pegando um livro e começando a folhear. — No livro não diz nada sobre nenhuma elfa que já tenha nascido na Terra... Só uma chamada Pryia.
— O nome da minha mãe... Era Pryia... Ou pelo menos assim constava nos documentos que certa vez recebi enquanto procurava meus pais.
— Pryia... Casada com John O. Lourenço, gerando uma filha, qual foi nomeada Liane Matti S. Flourrê. Então... Você nasceu na terra.
Lira olhou para cima com curiosidade. Bem dentro dos olhos de Liane.
—Você não tem onde ficar?
—Não. Eu não conheço esse lugar.
—Então, Liane... Bem vinda a Halian. Você se encontra em Diamantina, em algum lugar perto da Bifurcação LuaPrateada. Se quiser, pode se abrigar em minha casa... Por um tempo.
— Obrigada... —Disse Liane.
— Então... Está anoitecendo. Durma. Não preste atenção nos sussurros da noite — Falou Lira.
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