Halian Lands
2 Capítulo I
Notas iniciais
A cavaleira de ouro estava quase caindo no sono com o doce eflúvio emanado pela princesa. Suas adversas às opiniões de sua mãe, a rainha Diamantina, entediavam a mulher que discordava com as falas da princesa. A nobre parou por algum tempo e a outra aproveitou o momento para sair.
—Aonde vai? —indagou a herdeira do trono.
— Eu tenho que checar os resultados da última vigília. Você sabe, com o rei Angror tendo declarado guerra aos Diamantinos e as criaturas da floresta aterrorizando os habitantes... Temos que procurar o abrigo no qual eles se abrigam. Como eu sou cavaleira de ouro, tenho que liderar essas expedições, coletar os resultados... Essas chatices técnicas.
— Ok, claro... Ei... Faltam quantos dias para eu ficar livre?
A cavaleira se lembrou. A princesa não podia sair dos aposentos dela por causa da cultura Zivana, da qual o reino Diamantino se originou. Antigamente, os zivanos mantinham os filhos e as filhas dos líderes presos em seus aposentos, ou então até em prisões. O motivo era que eles tinham que permanecer imaculados, limpos, puros, sem formar nenhuma ideologia, coisa que a princesa contrariava – Ela, sim, era virgem e de mente pura, mas ela tinha ideologias que interessavam e certas vezes enojavam a cavaleira.
— Bem... Você vai completar quinze anos no próximo sol vermelho... Que é daqui a... Faltam treze dias para seu aniversário. Então neste dia você poderá sair daqui.
— Eu vou poder presenciar um sol vermelho? O fenômeno que ocorre a cada trinta anos? Mas isso é um sinal de sorte, não é?
— Quem nasce sob ou vê um sol vermelho diretamente, pode receber a benção divina de Sakramanda, ou então morrer queimado. Na cultura Zivana, quando uma princesa é solta no mesmo momento que o sol vermelho se inicia, ela é abençoada pelos deuses.
— Essas crenças são meio bobas...
— São nossa cultura. Você não pode discutir com o que o povo faz... — Falou ela — Em Elfranir, comporte-se como uma elfa. — Suspirou a cavaleira. —Agora, então tchau, Belane!
— Até mais, Eryn — respondeu a princesa.
Eryn saiu dos aposentos de Belane se dirigindo para a sala de reuniões da rainha. Era apenas um lugar decorado com vasos de plantas e flores grandes, e com uma mesa oval de madeira polida no centro, rodeada por cadeiras brancas. Sentado na cabeceira, um espião descansava.
— Erynargel! Como vai?
— É Eryn. O que temos de interessante? — reclamou a cavaleira.
—Bem... Não conseguimos nenhuma informação em especial sobre a localização do esconderijo das criaturas da floresta. Só sabemos que deve ser por entorno do lago Sirene, porque é lá que os lobos cinzentos bebem água...
— Ok. Então... Preparemos os cavaleiros para atacar os locais próximos ao lago Sirene, caso sua teoria esteja correta. Avise a rainha Diamantina. Temos que destruir aqueles monstros. — a mulher colocou o capacete feito de ouro maciço e se dirigiu para fora do local.
— Acendeu o fogo, Liane? —Perguntou Lira. Ela estava ficando impaciente com a demora. Enquanto arrumava a cama dela, resmungava que não devia ter dado permissão à menina para entrar na casa dela. Liane se ajoelhou no chão e conseguiu suscitar uma chama.
— Pronto, Lira. E agora?
— Faça alguma comida, por favor. Eu preciso comer alguma coisa para repor minhas energias. Usei demasiadamente energia mágica, a ponto de começar a consumir minha energia e... — Ela tirou um fio de cabelo branco da cabeça — Força vital. Para conseguir repor energia e força vital... Eu espero que força vital também...
— E onde tem comida?
— Ah, droga... Deve ter acabado. Você pode colher... Ou ir até a cidade, comprar carne seca, alguns vegetais... E legumes?
— Claro! — Respondeu Liane depois de guardar uma estatueta de cianita dentro do armário.
—Minha vida melhorou depois de te conhecer. Certeza que não quer casar comigo? — Lira perguntou sorrindo. Liane simplesmente sorriu e terminou de arrumar a casa. Pegou algumas moedas de ouro e um mapa, dirigindo-se para a cidade.
Ao chegar lá, foi em uma das feiras, de carne, e se debruçou sobre o balcão, apoiando seu cotovelo do braço esquerdo na madeira e esperando o açougueiro vir atender ela. Depois de alguns segundos de espera, o homem pegou uma balança, feita de latão, e perguntou:
—O que a moça quer?
Liane respondeu que queria carne seca. O açougueiro coçou atrás da orelha e perguntou quantos quilos.
—Dois quilos — pediu Liane educadamente. O homem colocou o peso de um quilo de um lado e uma quantidade de carne que poderia ser de uns novecentos gramas. Acrescentou mais alguns pedaços e deu um quilo. Ele repetiu o processo e depois ela pagou sete moedas de ouro pela carne. Agora só sobrava três moedas de ouro e um punhado de moedinhas mínimas de cobre. Ela conseguiu comprar treze cenouras, que vieram numa sacola de cânhamo velha. Agora tinha apenas três moedas de cobre, e nenhum modo de conseguir mais moedas. Continuou vagando por aí até encontrar um velho homem. Por alguns momentos o ignorou, mas ficou interessada nas cartas em suas mãos. Ele estava separando-as ligeiramente num monte e depois colocou as mesmas num compartimento ao lado da mesa.
—Sente-se — Ele ordenou. Liane sentou e ele jogou um pacote de couro duro, de formato retangular, trancado com uma fechadura. Quando Liane o tocou, ele começou a brilhar e se desmantelou, deixando cair vinte cartas. O homem começou a embaralhar elas e as colocou no espaço reservado para as mesmas que estava do lado da elfa. Então, ele catou uma carta de um pequeno monte ao lado e jogou para ela. Liane não tentou pegar e a carta ficou flutuando no ar, até cair no tabuleiro e o quebrar, fazendo aparecer uma projeção de uma mulher negra, com cabelos louros cacheados balançando ao vento e uma capa com um capuz fora da cabeça. Usava uma armadura dourada e olhava para o outro lado, no qual o senhor jogava uma carta no tabuleiro, invocando a projeção provavelmente mágica de um homem, de armadura prateada com o desenho de um sol branco, pele pálida e cabelos rebeldes castanhos. Eram muito realistas.
— Está sem dinheiro? —perguntou o velho
—Sim... Acabou depois de eu comprar comida para mim e minha amiga.
—Se vencer no duelo de cartas, talvez eu possa te ajudar — Ele disse, enquanto despejava grandes moedas de ouro em cima da mesa. Liane acomodou-se na cadeira e pegou três cartas. O homem pegou três também e jogou um cristal para Liane. Era um pequeno cristal, do tamanho da pedra de um anel de noivado.
— Este é o mana. Cada carta que você usar vai custar certa quantidade de mana. Por exemplo — De uma pilha separada, ele tirou uma carta com a imagem de um lobo. Passou a mão por cima do lobo e se projetou um símbolo estranho no ar, que logo depois ele tocou e mudou para um “2”. —Esta carta custa dois manas. A cada rodada você ganha um mana, até chegar a dez.
—... Entendi.
—Comece. —Ele falou enquanto se recostava na cadeira.
Liane passou a mão por cima de uma de suas cartas. Era uma carta com o símbolo de um escudo desenhado, e dentro deste escudo, um homem, provavelmente um soldado. Ela passou a mão por cima e um número “1” se projetou a sua frente. Ela jogou a carta e ela fez um baque surdo ao se chocar com a mesa. Do centro da carta, um homem vestido em uma armadura de bronze se ergueu, com um escudo prateado. Ela acenou como confirmação e o homem pegou uma carta do espaço ao lado. Observou as próprias cartas com atenção e jogou uma carta azul, com o desenho de uma flecha composta de gelo. O paladino pegou um arco do nada e tencionou a corda do mesmo, encaixando entre seus dedos e o instrumento uma flecha feita de gelo. A flecha atingiu a carta de Liane, que ficou parada em uma posição de defesa. Novamente, o homem se recostou na cadeira esperando a jogada de Liane, que lançou uma carta no tabuleiro qual dirigiu um raio de luz contra o paladino. Ouviu se um grito surdo de dor e o senhor passou a mão por cima do paladino dele. Um coração se projetou, com uma ferida se mostrava em seu centro. Nesse coração tinha um pingente que girava constantemente, de um lado mostrando um símbolo estranho e do outro o número vinte e oito.
— Esqueci-me de te falar. Passe a mão por cima de sua carta mater e veja quanto de vida ela tem. Se você tocar em uma carta qualquer de um lacaio, mostrará a vida qual ele detém e a quantidade de perda vida que ele confere.
Liane assentiu com a cabeça e fez o sinal para ele jogar. O senhor jogou uma carta com um cristal laranja em seu centro. Ela explodiu em luz e um pequeno ser feito de luz foi projetado, rapidamente investindo contra o cavaleiro da carta de Liane, que sucumbiu.
Foi assim por algum tempo. Quando o senhor já tinha sete cristais de mana e Liane oito, ele jogou uma carta que se chocou contra a mesa, causando pequenas rachaduras que logo se repararam. Um grande cão de três cabeças, feito de pedras e magma, foi projetado, e ele investiu contra a maga de Liane. Liane passou a mão por cima da maga e viu que ela tinha ainda treze de vida. O homem passou a mão por cima de seu paladino. Vinte e dois de vida. Ela se sentia ferrada.
Jogou magia arcana, que atingiu aleatoriamente três pessoas inimigas: O paladino, um lobo e um dragão. Desferiu uma bola de fogo, que retirou da vida do inimigo oito de dano. Fez o sinal e o homem estava suando um pouco. Jogou dois cavaleiros Luaprateado, que protegiam o paladino de qualquer dano. Liane ficou atenta ao sinal dele e jogou novamente uma bola de fogo, em um dos cavaleiros Luaprateado, e logo em seguida atacou com um Yeti o outro. O cão magma tentou atingir a maga de Liane, mas foi detido pelo Lorde de Sekra, que foi destruído pelo cão e o destruiu. Liane, com mais dois de mana, lançou um novo raio de luz, que fez o paladino ter apenas dez de vida. Ela sabia que ia ganhar, mas então o rosto do senhor se iluminou. Ele lançou uma carta que curou o paladino dele, o concedendo três de vida que foram sugadas da maga de Liane. Lançou duas bolas de fogo inferiores que tiraram mais oito de vida da maga e um demônio superior. Na rodada de Liane, ela usou um feitiço chamado “Tempesta”, que destruiu todas as cartas no tabuleiro. Depois, lançou duas bolas de fogo, uma inferior, que o tirou quatro de vida, e uma normal, que lhe tirou sete de vida. Quando o paladino foi atingido pelas duas, ele caiu da carta e explodiu. As cartas todas voltaram para seus devidos lugares e Liane fez uma cara vitoriosa.
— Meu dinheiro? — Perguntou ela
— Aqui está, madame. —Ele jogou um saco de moedas de ouro, com talvez dezessete delas. Liane sorriu e saiu para comprar mais coisas, levando consigo a carta da maga e as outras cartas.
Depois de terminar de comprar as coisas, voltou para a casa de Lira e notou que ela não estava em casa. Começou a cozinhar e depois de terminar, esperou Lira.
Em algum lugar, Lira estava desacordada, e sendo arrastada pelo chão de terra da floresta por uma criatura desconhecida até a fortaleza tenebrosa e maldita do outro lado do reino.
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