Cobra acordou no dia seguinte determinado a seguir os seus sonhos. Ele passaria a manhã na loja e a tarde passaria na academia de Gael para começar logo a treinar. Ele pôde ver pelo vidro da loja quando Karina saiu de casa e lhe lançou um olhar e um sorriso. Ele retribuiu com um aceno de mão. Ele trocou a placa de fechado para aberto. Não demorou muito para que a porta fosse aberta e Jade entrasse por ela.

– Olá. – ela sorriu e se apoiou no balcão que separavam os dois.

– Oi, em que posso ajudar? – perguntou Cobra de maneira profissional.

– Acho que você pode me ajudar de várias maneiras... – ela sorriu provocante, e Cobra respondeu com uma sobrancelha arqueada – Poderia começar me dizendo qual é o seu nome...

– Ricardo. Mas pode chamar de Cobra.

– Hm... E por que Cobra? – Jade se inclinou e deu um sorriso malandro – Posso saber? – enrolou uma mecha de cabelo no dedo.

– Por que você não tenta descobrir? – Cobra sorriu e piscou um olho. Estava dando corda para ver até onde aquela garota iria.

– Adoraria. Mas tenho aula agora. – fez beicinho – Mas não vai faltar oportunidades... Cobra. – sorriu ladina e se virou rebolando mais que o recomendado para a sanidade de um homem, pensou ele. – Aliás, meu nome é Jade.

– Até mais, Jade. – balançou a cabeça negativamente. Cobra já tinha se envolvido com garotas do tipo de Jade. Aquelas do tipo que você dá corda e no final acaba se enforcando. Apesar de tê-la achado tentadoramente interessante tentaria passar o mais longe possível dela. A vida nova de Cobra era sem problemas. E com apenas um foco.

A manhã passou relativamente rápida, Cobra atendeu alguns poucos clientes, passou a maior parte do tempo vasculhando coisas sem sentido pela internet. Não sabia que a vida de vendedor poderia ser tão chata. Quando a hora do almoço chegou, ele fechou a loja e decidiu almoçar no perfeitão, já que ainda não tinha fogão no seu pequeno aposento no QG.

***

Karina desceu do ônibus e correu em direção ao QG. Se decepcionou ao ver a placa de fechado. Ainda bateu duas vezes na porta de vidro para ver se Cobra aparecia saindo dos fundos, mas nada. Frustrada por não falar com Cobra e avisar-lhe que o pai não o receberia bem na academia, ela tentou mudar de tática. Tentaria convencer mestre Gael a aceita-lo. Andou tranquilamente até a academia e Duca a recebeu com um abraço.

– Duca, cadê meu pai? – ela varreu todos os cantos com o olhar e nada de visualizar Gael.

– Ele disse que hoje almoçaria em casa, deve estar a sua espera.

– Hm, ok então, nos vemos mais tarde no treino. – ela disse dando um soquinho de leve no ombro de Duca e caminhou até sua casa. Quando chegou Bete já havia colocado a mesa e Gael e Bianca já estavam sentados.

– Oi filha. Chegou um pouco tarde hoje, né? – Gael falou servindo-se.

– É que eu fui procurar você na academia, não sabia que vinha almoçar em casa hoje. – ela se sentou e olhou apreensiva para o pai – Eu quero falar uma coisa com você...

– Diga. – ele fez um gesto com a mão para que ela prosseguisse.

– É sobre o Cobra... – ela friccionou uma mão na outra quando Gael a olhou feio – Deixa eu falar pai, por favor! É que o Cobra também é lutador sabe, quer dizer... Ele quer ser lutador e ele ta procurando uma academia para treinar e eu pensei...

– Pensou errado. Não quero esse garoto na minha academia Karina, o pai dele me traiu, nada garante que esse moleque não tem a índole do pai.

– Você tem que dar uma chance pra ele, por favor, pai! – ela suplicou com o olhar.

– Karina, come a sua comida que você não jantou ontem... E sobre o Cobra é assunto encerrado. Ele combina mais na Khan, tenho certeza que vai se dar muito bem com o Lobão.

Karina bufou irritadiça. Ela não conseguia entender essa implicância com Cobra e a família dele.

***

Cobra passou o tempo no perfeitão até dar duas horas da tarde, hora que ele imaginava que já tivesse feito parte da digestão. Nem se importou com Thawik, sabia que ele tinha a chave e ia dar conta do QG. Ele entrou na academia e avistou Gael conversando com Duca em um canto. Ele andou até eles e se fez notar. Percebeu os dois o analisarem dos pés à cabeça.

– Cobra. – Gael falou e fechou a cara imediatamente.

– Seu Gael... Quanto tempo. – Cobra disse meio acanhando mas sem alterar o tom neutro em sua voz – Preciso falar com você sobre os treinos, quer dizer, perguntar se posso treinar aqui.

– COBRA! – Karina gritou assim que o avistou de costas falando com o pai dela – Preciso falar com você! – ela disse e correu até onde eles estavam.

– Daqui a pouco a gente se fala, Ka. – Cobra sorriu para a amiga e voltou sua atenção para o pai da mesma.

– Olha, Cobra, a Karina já veio falar comigo sobre sua volta e sobre o seu desejo de lutar pela academia. Mas, eu não posso aceitar você aqui. – Cobra engoliu seco.

– E isso seria por que...? – travou o maxilar e sentiu Karina segurar a sua mão esquerda que ele nem tinha percebido que estava apertando-a.

– Você sabe, garoto. – Gael deu um riso irônico – O seu pai que mandou você de volta, né? Pois volte para ele e diga que ele não vai conseguir me sabotar outra vez.

– EU NÃO TENHO NADA A VER COM ESSA HISTÓRIA. – estourou Cobra e deu um empurrão em Gael, sentiu-se quase explodindo de raiva. Já não bastava ter sido separado de sua melhor amiga, agora estaria proibido de treinar ali por conta das coisas que seu pai fizera no passado. Karina e Duca meteram-se no meio de Gael e Cobra antes que o pior acontecesse – E só para sua informação, eu voltaria para onde meu pai, se ele estivesse vivo agora. – desvencilhou-se do braço de Duca e saiu da academia pisando duro.

Notas finais
Sinto informar-lhes que minhas provas na faculdade se aproximam, provavelmente passarei uns dias sem postar. Mas amanhã e depois tentarei compensá-los pelo tempo que estarei fora. Queria agradecer pelos comentários, vocês são demais!